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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
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Juacy da Silva*
A temível mudança climática, representada pela atual crise climática, com elevação da temperatura média do planeta, tem como fato gerador a emissão constante e cada vez em maior quantidade de gases de efeito estufa que se acumulam na atmosfera.
Neste sentido, é fundamental destacar que, em torno de 75% das emissões desses gases de efeito estufa são produzidas pela produção e uso de combustíveis fósseis (petróleo e derivados, carvão e gás natural) e, de acordo com relatório da ONU, em 2019, os países do G20 são responsáveis por mais de 80% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE). Sempre é bom lembrar que o Brasil faz parte do G20 e também é um dos países que contribuem significativamente para a crise climática que estamos vivenciando, e não mera vítima das ações de outros países que degradam o planeta.
Diante disso, só existem duas saídas, que devem ser buscadas ao mesmo tempo. A primeira é a redução significativa dessas emissões de gases de efeito estufa (GEE), através de mudanças radicais nos sistemas de produção e de consumo (de hábitos de consumo e estilos de vida individuais e coletivos). Isto significa mudar, radicalmente, as matrizes energética e elétrica mundial e os fundamentos da economia e, segunda, o sequestro de parte desses gases que, ao longo de quase dois séculos, desde o início do período da industrialização, foram sendo acumulados na atmosfera.
O sequestro dos GEE é feito pelos oceanos e grandes corpos d’água, pelas florestas (que já foram ou continuam sendo impiedosamente destruídas) e pelas geleiras. Os oceanos estão se transformando em uma grande lixeira planetária, emitindo mais GEE do que sequestram; as geleiras estão derretendo em decorrência do aquecimento global, e as florestas também já foram ou continuam sendo destruídas, via desmatamento e queimadas, em todos os países.
“Estudo realizado pelo Instituto Totum e pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), da Universidade de São Paulo, em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica, estima que cada árvore da Mata Atlântica absorve 163,14 kg de gás carbônico (CO₂) equivalente ao longo de seus primeiros 20 anos. O carbono estocado por árvore resulta em aproximadamente 130 kg CO₂-eq para as árvores na Mata Atlântica e 222 kg CO₂-eq para as árvores da Floresta Amazônica.”
A quase totalidade dos cientistas concorda que uma das formas mais eficazes para absorver parte do CO₂ já acumulado na atmosfera seria plantando mais árvores, reflorestando, pois estas utilizam CO₂ para crescer e liberam oxigênio; tal ação traz benefícios para todo o meio ambiente.
Árvores e outras plantas, inclusive aquáticas, produzem oxigênio, o gás essencial para a sobrevivência das pessoas e de outros animais. Quando as árvores são cortadas, como acontece com frequência nas áreas urbanas ou no meio rural, para serem transformadas em pastagens, produção de alimentos, ou simplesmente se transformarem em áreas degradadas, menos oxigênio é liberado na atmosfera. Quando uma área é desmatada, muitos animais e plantas simplesmente morrem, ao passo que outros perdem seu habitat e precisam migrar para outros ecossistemas, como acontece com inúmeras espécies de aves que fogem das queimadas do Pantanal em direção às áreas urbanas da região.
A neutralização de carbono por plantio de árvores, urbanas ou reflorestamento rural, acontece através do sequestro de carbono da atmosfera. O carbono é retirado do meio ambiente e fixado no solo, na biomassa da planta. As florestas sequestram o elemento apenas na fase de crescimento das árvores, pois, ao atingirem o seu clímax, o balanço da compensação de CO₂ é zero.
De acordo com matéria publicada pela WRI Brasil, em 2021, “um novo estudo publicado na revista científica Nature Climate Change e disponível no Global Forest Watch concluiu que as florestas do mundo sequestraram cerca de duas vezes mais dióxido de carbono do que emitiram entre 2001 e 2019. Em outras palavras, as florestas fornecem um ‘sumidouro de carbono’ com uma absorção líquida de 7,6 bilhões de toneladas de CO₂ por ano, 1,5 vez mais carbono do que os Estados Unidos, segundo maior emissor histórico do mundo, emitem anualmente.”
Diante de tantas evidências científicas, não tem sentido que governantes (prefeitos e vereadores) e gestores municipais, da mesma forma que governantes estaduais e federais, ignorem a importância das florestas naturais ou plantadas e, também, da arborização urbana, tanto para mitigar os efeitos da crise climática quanto como uma das formas mais eficientes de sequestrar gases de efeito estufa acumulados e que continuam sendo acumulados na atmosfera, produzindo aquecimento global, quanto para melhorar a qualidade de vida nas cidades e em seu entorno.
Quando falamos em arborização urbana, estamos nos referindo tanto ao plantio de árvores nos espaços públicos urbanos, como ruas, avenidas, praças e parques, quanto também aos espaços privados ou mesmo públicos, como quintais das casas e também espaços ao redor das edificações públicas, como escolas, unidades de saúde ou edificações administrativas.
Outro componente importante quando se fala em arborização urbana são as florestas urbanas e periurbanas, com áreas bem maiores do que os parques, com milhares de hectares, propiciando espaços e ecossistemas para a vida silvestre, os corredores ecológicos e a proteção das nascentes, demais cursos d’água, a biodiversidade local e regional, bem como espaços para caminhadas ao ar livre, que fazem muito bem à saúde física, mental e emocional; enfim, melhoram a qualidade de vida das pessoas.
Como estamos em plenas atividades para a realização da COP30, em Belém, no Estado do Pará, que ocorrerá no período de 10 a 21 deste mês de novembro de 2025, considerado o maior evento climático que é realizado todos os anos desde 1995, é importante que possamos refletir sobre alguns aspectos de nossa realidade socioambiental local, aqui e agora, dentro da concepção “pensar globalmente e agir localmente”.
Também aqui em Mato Grosso, nos dias 10 a 12 deste mês, será realizada a COP do Pantanal, por iniciativa e coordenação da UNEMAT e do IFMT, com o objetivo de analisar e refletir sobre os principais desafios socioambientais que a maior planície alagável do mundo, Patrimônio Nacional e Mundial, vem enfrentando, pois está sendo destruída ano após ano, correndo o risco de morte, de desaparecer, se nada for realizado para impedir a degradação e destruição de sua rica biodiversidade.
Os grandes acordos, tratados internacionais ou nacionais precisam estar concretizados em ações locais; sem isso, todos esses esforços e compromissos não passam de meros discursos, palavras e documentos que nada produzem de concreto.
Inúmeras pesquisas e estudos produzidos tanto no Brasil quanto por diversas instituições internacionais e centros de estudos renomados ao redor do mundo vêm demonstrando que o aquecimento global, o volume de gases de efeito estufa, enfim, a crise climática e a temperatura média do globo terrestre têm aumentado significativamente nas últimas décadas, em ritmo muito mais acelerado do que em décadas e séculos anteriores.
Todavia, este aumento não é igual em todos os biomas, ecossistemas e países. Em algumas regiões, esses estudos indicam que, dentro de poucos anos, no máximo em torno do ano de 2040, a temperatura média anual poderá ser em torno de 45º, 50º graus centígrados ou até mesmo mais, impossibilitando todas as formas de vida, inclusive a vida humana.
O mundo tem assistido ao aumento da desertificação e períodos de secas mais prolongados, década após década, à destruição da biodiversidade e à degradação das bacias hidrográficas e dos aquíferos subterrâneos, indicando os riscos que corremos em termos de sobrevivência da vida na Terra.
Entre essas regiões, cinco ou seis se destacam: o Norte da África e Oriente Médio; parte da Índia; parte da Austrália; parte dos EUA e do México, e também o Centro-Oeste brasileiro e parte do Nordeste, incluindo a região conhecida como MATOPIBA.
Cabe um destaque: Cuiabá, que, pelo menos em mais da metade dos dias do ano, atualmente já é ou tem sido considerada a capital mais quente do Brasil, também estará experimentando mais dias com temperaturas acima de 40º, 45º ou até mesmo 50º graus (na sombra), e com mais dias com baixíssima umidade, ou seja, o período sem chuvas, com altas temperaturas e com baixa umidade, tornará a vida, principalmente de crianças e pessoas idosas e também de animais, extremamente difícil.
É neste contexto que a questão ambiental, ou melhor, socioambiental, se insere como uma dimensão importante e necessária quando as políticas públicas nacionais, estaduais e municipais são definidas e os planos, programas e ações de governo são estabelecidos.
Uma dessas dimensões que, tanto em Cuiabá, Várzea Grande e na grande maioria das cidades brasileiras, principalmente as de porte médio e grandes, incluindo aglomerados urbanos e regiões metropolitanas, é a questão da ARBORIZAÇÃO URBANA, lamentavelmente desconsiderada em Cuiabá e em Várzea Grande.
Para refletir sobre esta importante questão, dentro de poucos dias, na próxima sexta-feira, 07 de novembro de 2025, às 16h, estarei participando de um podcast com o jornalista Luisão, no programa Boa Tarde MT, ocasião em que iremos refletir sobre a importância da arborização urbana e por que, apesar de constar do Plano Diretor de Desenvolvimento Estratégico de Cuiabá desde 2007, até hoje a Prefeitura de Cuiabá não encaminhou o Plano Diretor de Arborização Urbana – PDAU para a Câmara Municipal de nossa capital.
Todos nós sabemos que, a cada dia, Cuiabá, Várzea Grande e toda a região Centro-Oeste têm experimentado um aumento acentuado da temperatura média, com ondas de calor, tanto na área central, totalmente degradada, quanto nos bairros periféricos, que prejudicam a saúde e o bem-estar das pessoas.
A arborização urbana, da mesma forma que reduzir os desmatamentos e as queimadas, tanto urbanas quanto rurais, aliadas ao combate à poluição urbana e à degradação generalizada do meio ambiente, são condições necessárias para mitigar os efeitos e impactos que a crise climática e todas as formas de descaso com o meio ambiente provocam na vida e na saúde das pessoas.
Inúmeros estudos têm demonstrado que ruas, avenidas, praças, parques e florestas urbanas têm um efeito positivo na temperatura média das cidades e favorecem as condições de vida, principalmente para pedestres, crianças e pessoas idosas.
Não tem sentido que Cuiabá, juntamente com Várzea Grande, o maior aglomerado urbano de Mato Grosso, já com pouco mais de um milhão de habitantes, continue destruindo o meio ambiente e, em lugar de cobertura vegetal, assista a uma volúpia pela impermeabilização do solo com asfalto e cimento em todos os lugares, tanto dos espaços públicos quanto privados, afetando o equilíbrio ecológico.
Torna-se, pois, urgente que a população em geral e também todas as lideranças pressionem a Prefeitura de Cuiabá para que conclua os estudos e o plano de arborização da capital, elaborado por uma consultoria contratada pela gestão anterior, elabore o Projeto de Lei Complementar – o PDAU – e que o mesmo seja encaminhado à Câmara Municipal com a maior urgência possível, para ser analisado e aprovado, cabendo à Prefeitura a sua coordenação e execução, inclusive abrindo espaços para parcerias com pessoas e entidades que desejam participar deste processo de arborização urbana.
Sem a aprovação do PDAU, todos os esforços voluntários de inúmeras entidades e pessoas que desejam ver Cuiabá voltar a ser, novamente, a nossa CIDADE VERDE perdem o sentido, pois é função do PDAU estabelecer as normas técnicas para que a arborização urbana seja feita corretamente.
Somente com o PDAU aprovado é que a Prefeitura poderá incluí-lo nas “peças” orçamentárias como o PPA – Plano Plurianual do Município, com objetivos e metas de curto, médio e longo prazos; na LDO – Lei de Diretrizes Orçamentárias e na LOA – Lei Orçamentária Anual.
Desde que foi aprovado o Plano Diretor de Desenvolvimento Estratégico, ainda na administração de Wilson Santos, em 2007, diversos prefeitos, incluindo Chico Galindo, Mauro Mendes, Emanuel Pinheiro e, atualmente, Abílio Brunini, e dezenas de vereadores já foram eleitos e/ou reeleitos, mas nada foi feito para que o PDAU se tornasse o instrumento fundamental para normatizar e orientar a arborização urbana de nossa capital.
Oxalá o atual prefeito, os atuais vereadores e as atuais vereadoras de Cuiabá despertem para este desafio, da mesma forma que tantos outros desafios socioambientais que existem em nossa capital, e aprovem o PDAU e outras medidas para que Cuiabá volte a ser não apenas novamente a CIDADE VERDE que queremos e merecemos, mas também uma cidade sustentável, limpa, sem lixo pelas ruas, sem esgotos escorrendo a céu aberto, sem poluição do ar, poluição sonora e sem poluição visual.
Só assim teremos uma capital que seja sustentável de verdade e tenha uma política ambiental coerente com uma melhor qualidade de vida, onde as pessoas tenham orgulho de viver!
Considerando o preceito constitucional de que “todo o poder emana do povo”, é fundamental que a população, que paga impostos para sustentar toda a máquina pública, não se omita, que exerça sua cidadania; afinal, cabe ao povo dizer aos políticos e gestores públicos o que desejamos e esperamos que os mesmos realizem, e não o contrário, deixando a essas “mentes iluminadas” as decisões que afetam a vida de cada cidadão e cidadã.
Por isso é que precisamos pressionar nossas autoridades municipais, nossos governantes que foram eleitos com os nossos votos, pois cabe a eles atenderem, não aos seus interesses pessoais ou de grupos, mas aos interesses, necessidades, objetivos e aspirações da população cuiabana, da mesma forma que a população varzeagrandense e também de milhares e milhares de outras cidades de nosso país, em todas as dimensões da vida urbana, principalmente na questão da arborização urbana.
*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro Oeste. E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.; Instagram @profjuacy
Nos dias 5 e 6 de dezembro, o ANDES-SN realizará o Seminário Nacional sobre Carreira Docente e o V Encontro da Carreira EBTT e das Carreiras do Ensino Básico das Iees, Imes e Ides, no auditório da Associação dos Docentes da Universidade Estadual de Campinas (Adunicamp – Seção Sindical do ANDES-SN), em Campinas (SP).

As atividades são organizadas pelo Grupo de Trabalho de Carreira (GT Carreira), em conjunto com o Setores das Instituições Federais de Ensino (Ifes) e Estaduais, Municipais e Distrital de Ensino Superior (Iees, Imes e Ides) e o Grupo de Trabalho de Política Educacional (GTPE).
O Seminário Nacional sobre Carreira Docente acontecerá na manhã de sexta-feira (5) com a realização da mesa “A luta pelo Piso Salarial Nacional para a Educação Pública”. O evento pretende contextualizar a aplicação do piso nacional e da data-base para toda a categoria docente da educação pública, desde a educação infantil até o ensino superior, em todos os entes federativos. E, ainda, discutir os impactos da reforma Administrativa, que ameaça desestruturar as carreiras e o serviço público, caso seja aprovada.
No mesmo dia, no início da tarde, será realizado o V Encontro da Carreira EBTT e das Carreiras do Ensino Básico das Iees, Imes e Ides, com a mesa “As Políticas Afirmativas no Projeto de Carreira Única do ANDES-SN”. No sábado (6), pela manhã, ocorrerá a mesa II do encontro, “Os itinerários formativos de aprofundamento (IFA) e a luta contra o Novo Ensino Médio (NEM)”. À tarde, as e os docentes se reúnem para discutir os encaminhamentos dos eventos para o 44º Congresso do ANDES-SN, que será realizado em março de 2026.
Inscrições
As seções sindicais poderão indicar até duas representações para participar dos eventos. As inscrições devem ser feitas até 21 de novembro, por meio do formulário disponível aqui.
Durante as atividades, haverá Espaço de Convivência Infantil. As solicitações devem ser feitas até 21 de novembro, neste formulário aqui. Conforme a Circular 448/25, é necessário anexar o Formulário de identificação da ou do responsável e da criança e o Termo de Autorização – ambos contidos na circular - devidamente preenchidos, assinados e enviados exclusivamente via link.
De acordo com André Martins, 2º vice-presidente da Regional Rio Grande do Sul e da coordenação do GT Carreira do ANDES-SN, o Seminário tem como objetivo “contextualizar a aplicação do piso nacional e de data-base para toda a categoria docente da educação pública”.
Sobre o V Encontro, Martins destacou que, além da discussão sobre o piso salarial nas carreiras, serão debatidas a aplicação de políticas afirmativas no desenvolvimento da carreira e as estratégias de enfrentamento aos itinerários formativos de aprofundamento do Novo Ensino Médio.
Confira a programação completa na Circular 442/2025 e mais informações sobre o Espaço de Convivência Infantil na Circular 448/2025.
Fonte: Andes-SN
Com a ampliação do debate sobre os temas do fim da escala 6x1 e da redução da jornada de trabalho, o Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Rede de Estudos e Monitoramento da Reforma Trabalhista, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o Grupo de Estudos e Pesquisas sobre o Trabalho do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB), juntamente com o site “Democracia e Mundo do Trabalho em Debate”, organizaram o dossiê "Fim da Escala 6x1 e a Redução da Jornada de Trabalho", com artigos que abordam as temáticas sob diferentes aspectos.
Foto: Eline Luz/Imprensa ANDES-SN
A luta pelo fim da jornada 6x1 e pela redução da jornada de trabalho sem redução de salário são pautas do Plebiscito Popular por justiça tributária. O Plebiscito Popular é organizado pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, em articulação com entidades de movimentos sindical e social, como o ANDES-SN.
De acordo com a chamada para artigos divulgada em março deste ano, “o objetivo é estimular o debate e abrir espaço para novas visões e diferentes abordagens sobre essas questões. O propósito principal é construir argumentos que contribuam para reforçar a agenda do fim da escala 6×1 e da redução da jornada de trabalho sem redução de salários. Assim, são bem-vindos artigos e/ou ensaios fundamentados em argumentos e reflexões que auxiliem na formulação de estratégias sociais para fortalecer as iniciativas de mobilização em andamento em torno dessas pautas”.
Os artigos que compõem o dossiê são divulgados semanalmente, por um conjunto de sites para ampliar o alcance do material:
1º artigo: “Mercantilização financeirizada da Educação, Ensino Superior a Distância e jornadas de trabalho jamais vistas”, de Roberto Leher e Amanda Moreira da Silva.
2º artigo: “Vivo apenas para trabalhar: os impactos da escala 6x1 na saúde e na vida social de trabalhadoras e trabalhadores”, por Flávia Manuella Uchôa de Oliveira, Clarice Rodrigues Pinheiro, Rafael Macharete, Gabriel Sant’Anna, Mary Zhang e Lucas de Oliveira.
3º artigo: “O impacto da escala 6x1 para a juventude brasileira e a necessidade da redução da jornada de trabalho”, de Débora de Araújo Costa e Ezequiela Zanco Scapini.
4º artigo: “Fim da Escala 6x1 e a Redução da Jornada de Trabalho”, por Daniela Macia Ferraz Giannini.
5º artigo: "Impactos das longas jornadas de trabalho dos entregadores de alimentos por plataformas digitais em sua saúde física e mental", de Laura Valle Gontijo.
6º artigo: “Jornada reduzida para trabalho em turnos ininterruptos de revezamento: avanços, retrocessos e incompreensões”, de Carlindo Rodrigues de Oliveira.
7º artigo: “Fractais do tempo: jornadas, sofrimento e a Grande Demissão no Brasil”, de Cássio da Silva Calvete, Luciane Franke e Tiago Pinheiro.
Especialista alerta que proposta pode ser usada como Cavalo de Troia para votação direta da PEC 38/2025, excluindo o debate público e acelerando desmonte dos serviços públicos na União, estados e municípios
Em uma manobra que pode alterar radicalmente os rumos da Reforma Administrativa no Congresso, foi pautada para votação em plenário na Câmara dos Deputados, nessa terça-feira (28), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 169/2019, que permite a acumulação remunerada de cargo de professor/a com outra função de qualquer natureza. A data coincide com o Dia da Servidora e do Servidor Público.
De acordo com análise do consultor político Vladimir Nepomuceno, divulgada em suas redes sociais, a pautagem não é coincidência, mas sim uma estratégia para acelerar a tramitação da PEC 38/2025 - a chamada Reforma Administrativa - que enfrenta resistência tanto entre servidores e servidoras quanto na sociedade civil.
A Estratégia Legislativa
Nepomuceno explica que a PEC 169/2019 serve como "veículo perfeito" para que a Reforma Administrativa seja apensada e votada diretamente em plenário, sem precisar passar pelas comissões de Constituição e Justiça (CCJ) ou por comissão especial.
"Se isso acontecer, o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, pode votar a Reforma Administrativa a qualquer momento direto em plenário, sem passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), sem passar por Comissão Especial, que daria direito a debate, a discussões e ganharia tempo na sua tramitação", alertou o consultor.
Cronometragem Política
A estratégia teria como objetivo garantir a aprovação da Reforma Administrativa ainda este ano, considerando que 2026 é ano eleitoral e dificultaria a tramitação de uma proposta tão polêmica.
"Se isso acontecer, a nossa única chance será a pressão em cima dos senadores para que não façam o mesmo que Hugo Motta fez", destacou Nepomuceno, lembrando que no Senado, a PEC passaria apenas pela CCJ antes de ir a plenário.
A PEC 169/19 estava na pauta do Plenário da Câmara da terça-feira (28), mas não chegou a ser votada devido ao encerramento da sessão.
Impactos da Reforma Administrativa
A PEC 38/2025, conforme descrita pelo consultor, "atinge servidores públicos ativos, aposentados, pensionistas e, o pior, atinge toda a população, porque ela leva para privatização boa parte do serviço público e o pouco que sobrar vai ser entregue para trabalhadores temporários e terceirizados".
Entre os ataques contidos na proposta está a criação de um Teto de Gastos para o serviço público, que limitará o quanto poderá ser investido pelos governos. Mesmo com aumento da arrecadação, o teto impedirá a destinação de recursos para reajustes salariais, criação de novas vagas ou preenchimento de vagas, caso ultrapasse o montante determinado em lei.
Outra mudança é a criação de uma tabela única remuneratória para todas as carreiras, que não será corrigida pela inflação, mas sim por legislação específica. Além de congelar os salários, achata as remunerações. Todas as carreiras também passarão a ter no mínimo 20 níveis e o salário inicial é limitado a 50% da remuneração final. A PEC ainda proíbe o aumento de remuneração ou de parcelas indenizatórias com efeitos retroativos, inclusive por meio de lei, e, ainda, a progressão ou promoção exclusivamente por tempo de serviço. Além disso, extingue triênios, anuênios e licenças-prêmios e limita o pagamento de adicional insalubridade e periculosidade.
O estágio probatório passará a ser baseado em uma análise de desempenho com critérios meritocráticos e produtivistas, assim como as progressões nas carreiras serão também baseadas em desempenho e cumprimento de metas. A proposta cria ainda a possibilidade de contratação por tempo determinado de até 10 anos, fragilizando o vínculo de contrato, gerando instabilidade e insegurança para os trabalhadores e as trabalhadoras dos serviços públicos. Todas essas medidas impactarão sobremaneira a qualidade dos serviços prestados à população.
Em avaliação preliminar da diretoria do ANDES-SN, a proposta de reforma Administrativa em trâmite no Congresso Nacional, desconstitui direitos históricos, como tempo de serviço, licença-prêmio, progressões por tempo e outras licenças, e descaracteriza condições especiais, como insalubridade e periculosidade, com impacto direto na proteção social e na valorização da carreira. A análise preliminar da Reforma Administrativa pode ser lida AQUI.
Mobilização – Marcha Nacional ocupa Esplanada em Brasília
Nesta quarta-feira (29), mais de 20 mil servidoras e servidores públicos e estudantes de todos os estados brasileiros estiveram em Brasília, na primeira Marcha Nacional Unificada dos Serviços Públicos contra a Reforma Administrativa. O objetivo foi ocupar a Esplanada dos Ministérios e mostrar ao Congresso, inimigo do povo, que haverá muita luta contra as medidas que castigam a população e favorecem os mais ricos, como é o caso da Reforma Administrativa.
A movimentação continua à tarde com a concentração na Alameda dos Estados (gramado em frente ao Congresso Nacional). Já às 17h, a Frente Parlamentar do Serviço Público realiza reunião organizativa em plenário a ser divulgado e, à noite, acontece um tuitaço, programado para início às 19 horas.
Fonte: Andes-SN
O ANDES‑SN manifestou repúdio à operação Contenção, ação do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), realizada em 28 de outubro nos Complexos do Alemão e da Penha, na zona norte da capital fluminense, que deixou mais de 120 pessoas mortas, em sua maioria civis e quatro policiais. Essa já é considerada a maior chacina do estado, seguida da de Jacarezinho (2021), com 28 mortos, a da Vila Cruzeiro (2022), com 25 mortos, e a do Alemão (2007), com 16 vítimas.
Além das mortes, a operação, que contou com um efetivo de 2,5 mil policiais, gerou pânico em toda a cidade e levou ao fechamento de vias, escolas, comércios e postos de saúde. Em nota publicada nessa quarta-feira (29), a diretoria do Sindicato Nacional afirmou estar estarrecida pelas cenas de guerra deixadas pela operação, classificada pelo governador como um “sucesso”, evidenciando a “necropolítica do Estado e a total inépcia” do governo fluminense em tratar da segurança pública. O sindicato exigiu a apuração e responsabilização pelo massacre nas comunidades.
“A extrema direita se alimenta do caos. É inaceitável a naturalização do extermínio da população pobre periférica, pois é nas favelas que moram as(os) faxineiras(os), as(os) babás, as garçonetes, os garçons, aquelas e aqueles trabalhadoras(es) que servem nos palácios e para as(os) quais é negado direitos sociais fundamentais”, disse a nota. O ANDES-SN também denuncia que a insegurança e o medo, impostos por operações policiais, interrompem o cotidiano da população ao transformar o terror em política de Estado.
O texto aponta ainda que Cláudio Castro tem atuado contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18/2025, conhecida como PEC da Segurança, e contra a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, a ADPF das Favelas, que estabelece diretrizes para operações policiais em comunidades e busca assegurar o cumprimento das determinações do Supremo Tribunal Federal (STF).
Além do Sindicato Nacional, a operação foi amplamente criticada por moradoras e moradores das comunidades e de todo o Rio de Janeiro, especialistas, parlamentares, além de organizações nacionais e internacionais. Ativistas denunciaram o episódio como um massacre, e estudiosos da segurança pública alertaram para a exposição da população civil ao fogo cruzado e a recorrente letalidade das ações policiais nas favelas cariocas, que trazem poucos resultados efetivos no combate ao narcotráfico.
De acordo com levantamento do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni/UFF), publicado em junho de 2024, 40,2% dos confrontos com presença policial ocorrem em áreas de tráfico e 4,3% em regiões dominadas por milícias.
Confira aqui a Circular nº 475/2025 com a íntegra da nota
Fonte: Andes-SN
Foto destaque: Francisco Alves/ Sintep-MT
A semana dos servidores públicos foi marcada, em todo o Brasil, por debates, atos e reflexões. Isso porque está tramitando no Congresso Nacional uma nova proposta de desmonte: a PEC 38/2024 – Reforma Administrativa. Em Cuiabá não foi diferente. A data oficial é 28/10, mas a semana foi cheia de atividades que promoveram a reafirmação da importância dos servidores para o acesso efetivo aos direitos sociais garantidos pelo Estado.
Na segunda-feira, 27/10, um ato público unificado reuniu os trabalhadores na Praça Ipiranga, centro de Cuiabá. Várias categorias estaduais, federais e municipais denunciaram os ataques dos governos nos três âmbitos, e dialogaram com a população sobre a importância dos serviços públicos.
“Há tempos não temos um ato representativo como este. Isso significa que o servidor público não admite ataque aos direitos sociais. Serviço público no Brasil é sinônimo de dignidade, de atendimento à população, é sinônimo de garantia de direitos. Como aconteceu em 2021, as diversas categorias do serviço público organizadas vão derrotar mais uma proposta de Reforma Administrativa. Nós derrotamos a anterior num cenário muito crítico, durante o governo neofascista de Bolsonaro e durante uma pandemia. Não é agora que nós vamos abaixar a cabeça e aceitar que uma proposta reformulada, apresentada com palavras bonitas, uma linguagem que engana vai passar e a gente vai ficar calado”, disse o diretor-geral da Adufmat-Ssind, Breno Santos.

O docente destacou que muitas vezes discursos bem elaborados, com palavras selecionadas como “reforma”, “execução indireta”, visam, na verdade, emplacar a privatização para que a iniciativa privada lucre em cima dos direitos. “Essa Reforma, que visa destruir os direitos públicos, que visa acabar com os direitos sociais que os trabalhadores e trabalhadoras do serviço público garantem no seu cotidiano de trabalho é mais uma ofensiva brutal daqueles que vêm aqui a cada quatro anos pedir voto dos trabalhadores, tanto do serviço público quanto da iniciativa privada, os lojistas, os ambulantes. Eles pedem voto, mas quando chegam no Congresso, partem para o ataque. É uma ofensiva não de um ou outro deputado, é um projeto de destruição dos direitos, que visa acabar com o serviço público e colocar a iniciativa privada, aquela que visa lucro e não atendimento de direito, controlando aquilo que é público. Eles chamam de execução indireta. Execução indireta é privatização da saúde, da educação, do sistema penitenciário, da segurança pública, da previdência social, que é aquilo que eles visam, historicamente, no Brasil, para colocar na mão daqueles que lucram sobre o nosso sofrimento”, concluiu.
Plenária
No dia oficial dos servidores, 28/10, o evento foi dentro da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Adufmat-Ssind e Sintuf-MT organizaram uma plenária com o tema “Reforma Administrativa: ataque aos serviços públicos e às universidades”, realizada no auditório Hemult Forte Daltro (Batatão), no bloco das Agrárias.
Na ocasião, o coordenador jurídico e de relações de trabalho da Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (FASUBRA), Marcelo Rosa Pereira, traçou o histórico de precarização do serviço público, iniciado nos anos 1990, e destacou que a nova proposta protocolada no Congresso aprofunda o desmonte do Estado, fragiliza carreiras, reduz capacidade de atendimento do serviço público e transfere políticas sociais ao setor privado.
Também convidado para compor a mesa, o diretor-geral da Adufmat-Ssind frisou que a nova proposta de Reforma apresentada é uma reedição da PEC 32/2020, já derrotada no governo anterior, composta por mais dois projetos complementares que ameaçam não apenas aos direitos dos servidores, mas a estrutura dos serviços públicos, prejudicando a qualidade dos serviços prestados à sociedade.
Os destaques da proposta elencados pelo docente foram: os tipos de contratação propostos - temporária ou por tempo determinado de, por exemplo, 10 anos; redução do orçamento de acordo com as regras do Arcabouço Fiscal; gestão de desempenho destinada a concessão de benefícios ou na demissão; padronização das carreiras com 20 níveis de progressão e salários de entrada de, no máximo, 50% do teto. Em outras palavras: arrocho salarial, fim da estabilidade, dos concursos públicos e enxugamento de toda a estrutura.

“Estamos ainda no início do entendimento do que são os elementos mais danosos dessa PEC, inclusive das propostas de lei complementar e ordinária, que vai regulamentar, por meio desse marco legal do serviço público, mas uma coisa a gente já sabe: ela vem de um setor do Congresso Nacional que tem um projeto histórico de destruição do serviço público, um projeto histórico de falsificação do que é o serviço público, nos acusando de ser marajás, de receber supersalários. Falar em supersalários no Brasil, um país de desigualdade e concentração de renda brutais, é uma piada. Quem tem supersalário no Brasil é quem não vive de salário, quem vive do salário dos outros, que vive de renda, de lucro de investimentos e da extração brutal do trabalho do trabalhador e da trabalhadora que vivem em situação precária. A ideia do supersalário é uma falsidade por si só, e a de modernização apresenta para a sociedade uma necessidade que só existe porque há um projeto de destruição. Os setores que hoje propõem a Reforma Administrativa trabalharam, historicamente, para precarizar os serviços públicos. Então, você precariza e propõe a solução; você envenena e apresenta o antídoto”, afirmou.
Assista aqui a íntegra do debate.
Celebrar, lutar e resistir
No dia 29/10 uma inciativa da Reitoria da UFMT representou mais um espaço de reflexão. A administração prestou homenagens aos trabalhadores da universidade, reconhecendo seu papel essencial para garantir o direito à educação no Brasil, mas destacando que o Dia do Servidor Público não é apenas para homenagens, é sobretudo um chamado à ação coletiva.
“Reforma deveria ser algo para melhorar, mas a proposta de Reforma apresentada quer subtrair, destruir, deformar, colocar os servidores nas mãos dos mandatários novamente. Essa proposta de Reforma empurra os servidores para o passado”, afirmou a reitora, Marluce Souza e Silva, após apresentar um artigo histórico sobre o surgimento da carreira pública no Brasil.
O diretor-geral da Adufmat-Ssind também aproveitou a oportunidade para alertar sobre os riscos da Reforma Administrativa. “É importante que reconheçamos este espaço como de celebração do servidor, mas também como um espaço de luta. Que a gente possa somar nas atividades das nossas entidades representativas. Hoje, nós temos milhares de trabalhadores e trabalhadoras no serviço público federal, municipais e estaduais, em Brasília, em uma marcha na esplanada dos ministérios, para se contrapor a essa Reforma Administrativa. Que a gente possa, neste momento, dar uma salva de palmas para os trabalhadores que estão em Brasília construindo essa luta em nosso nome, para que a gente possa estar aqui, na semana do servidor, celebrando mais do que falando das nossas angústias. Parabéns servidores e servidoras, parabéns aos lutadores e lutadoras, e que em tempos como estes, de lutas difíceis para nós, de genocídio cotidiano, seja em gaza ou no Rio de Janeiro, a gente possa, enquanto servidor e servidora pública, apresentar um horizonte para a classe trabalhadora, um horizonte de dignidade, de justiça, de melhores condições de vida. A universidade tem um papel fundamental nessa tarefa. Viva a universidade, viva o funcionalismo público e viva os servidores e as servidoras”.
A marcha na capital federal contou com caravanas saindo de diversos locais; segundo a organização, quatro ônibus saíram de Mato Grosso rumo a Brasília, contribuindo para ultrapassar a marca de 20 mil pessoas (saiba mais aqui).
Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
A Diretoria da Adufmat-Ssind, no uso de suas atribuições regimentais, convoca todos os sindicalizados para Assembleia Geral Ordinária PRESENCIAL a ser realizada na sede da Adufmat-Ssind, em Cuiabá, e nas subsedes de Sinop e Araguaia:
Data: 03 de novembro de 2025 (segunda-feira)
Horário: 13h30 (Cuiabá) com a presença mínima de 10% dos sindicalizados e às 14h, em segunda chamada, com os presentes.
Pauta:
1. Informes;
2. Análise de conjuntura;
3. Proposta do Governo sobre reajuste dos benefícios;
4. Eleição da delegação para o 44º Congresso do ANDES-SN.
A Assembleia será presencial e ocorrerá simultaneamente no auditório da sede da Adufmat-Ssind, em Cuiabá, e nas subsedes dos campi de Sinop e Araguaia.
Cuiabá, 30 de outubro de 2025
Gestão Adufmat é pra lutar!
Mais de 20 mil servidoras e servidores públicos de todo o país saíram às ruas nesta quarta-feira (29), em Brasília (DF), para dizer não à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 38/2025, a chamada reforma Administrativa. A concentração teve início no Museu Nacional da República e seguiu até as proximidades do Congresso Nacional.
A Marcha Nacional Unificada dos Serviços Públicos contra a Reforma Administrativa foi construída pelo ANDES-SN, em articulação com demais entidades que compõem o Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe). O Sindicato Nacional, junto com as suas seções sindicais e secretarias regionais, mobilizou mais de 20 caravanas, vindas de diversas regiões do país, que se somaram à luta na capital federal para derrotar a PEC 38/2025.
Antônio Carlos Araújo, 2º Secretário da Regional Norte I do Sindicato Nacional e suplente na diretoria da Seção Sindical dos Docentes da Universidade Federal de Roraima (Sesduf-RR – Seção Sindical do ANDES-SN), destacou a importância da mobilização. “O dia 29 de outubro agregou diversas seções sindicais e diferentes grupos políticos em torno de uma pauta comum: barrar essa PEC que ameaça destruir o serviço público e criar um grande rebanho a serviço dos políticos que estão no poder. Essa frente ampla que formamos hoje tem justamente o objetivo de fortalecer esse combate. De diferentes regiões do país — eu venho do Norte — conseguimos chegar com peso para reforçar essa luta”, afirmou.

Cláudia Campos, presidenta da Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná (Apufpr - Seção Sindical do ANDES-SN), também destacou a participação das e dos docentes na marcha para derrotar a PEC 38/2025, que também já é conhecida como a “PEC do apadrinhamento”. “Essa proposta ataca os serviços públicos, abre espaço para contratos temporários e amplia as terceirizações — inclusive nas atividades-fim —, o que acaba com a impessoalidade e a imparcialidade do serviço público, precarizando ainda mais a qualidade do serviço oferecido à população. É muito importante estarmos juntos neste momento, fortalecendo esse ato, porque é só com o povo nas ruas, se manifestando e demonstrando sua insatisfação que conseguiremos barrar essa contrarreforma”, disse a presidenta da Apufpr SSind.
Ione Mendes, docente da Universidade Federal de Goiás (UFG), classificou o ato como potente e de resistência, diante dos ataques aos serviços públicos, às servidoras e aos servidores municipais, estaduais e federais. “É um ato que congrega diversas frentes, importantes forças políticas de enfrentamento contra esse retrocesso, contra o desmonte do serviço público”, ressaltou.

Cláudio Mendonça, presidente do ANDES-SN, reforçou o papel estratégico da marcha na luta em defesa dos serviços públicos. “Essa marcha é para derrotar a PEC 38, defender o serviço público e o direito dos trabalhadores e das trabalhadoras. Entendemos que essa marcha pode cumprir um papel fundamental de pressionar o Congresso e mostrar que não aceitaremos nenhuma retirada de direitos. Vamos fazer dessa marcha um passo significativo para as grandes lutas e mobilizações que faremos, seja nacionalmente, seja em cada estado, município e aqui no Distrito Federal. Derrotar a PEC 38 é defender o Brasil”, conclamou.
Reforma Administrativa
Sob a fachada de modernização dos serviços públicos, transparência e fim de privilégios, a nova proposta de reforma Administrativa, PEC 38/2025, representa uma série de ataques ainda piores que os contidos na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 32/2020, que foi engavetada após intensa mobilização das categorias do funcionalismo público.

A PEC 38/2025 aprofunda o desmonte do serviço público ao prever corte de verbas, demissões por desempenho, ampliar vínculos temporários e terceirizações, fragilizando o Regime Jurídico Único (RJU). A proposta ainda subordina as políticas públicas a interesses privados, amplia as desigualdades entre servidores e servidoras, restringe a negociação coletiva, achata salários e aposentadorias e avança na privatização do Estado.
Fonte: Andes-SN
Entre os dias 2 e 6 de março de 2026, será realizado o 44º Congresso do ANDES-SN na Universidade Federal da Bahia (Ufba), em Salvador (BA), com o tema central “Na capital da resistência, das revoltas dos Búzios e dos Malês: ANDES-SN nas lutas e nas ruas, pela democracia e educação pública, contra as opressões e a extrema direita!”.
Organizado pela Regional Nordeste III do ANDES-SN e pela Comissão Organizadora da Ufba, o Congresso - instância máxima de deliberação da categoria do Sindicato Nacional - reunirá representantes de todo o país para debater temas fundamentais à categoria, com foco na defesa dos direitos e no fortalecimento da luta sindical. O evento será uma oportunidade de debater pautas locais e nacionais, reafirmando o compromisso do ANDES-SN com a defesa da educação pública, gratuita e de qualidade.
Durante os cinco dias serão realizadas plenárias e grupos de trabalho para tratar dos seguintes temas: I - Conjuntura e Movimento Docente; II - Planos de Lutas dos Setores; III - Plano Geral de Lutas; e IV - Questões Organizativas e Financeiras.
Caderno de textos
As contribuições das seções sindicais e das e dos docentes sindicalizados para o Caderno de Textos deverão ser enviadas até o dia 19 de dezembro de 2025. Confira aqui a circular com mais informações.
Credenciamento
O credenciamento será realizado de forma prévia e digital e poderá ser feito até 5 de fevereiro de 2026. Os documentos devem ser enviados exclusivamente por meio do formulário acessível no link.
Além disso, o ANDES-SN disponibilizou as artes digitais do congresso na Circular 454/2025, acessíveis aqui
Para mais informações, consulte a Circular 449/2025.
Fonte: Andes-SN
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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
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JUACY DA SILVA*
Se Lula, mesmo estando fora do poder há 12 anos, conseguiu derrotar Bolsonaro, que estava como presidente da República, com a máquina na mão, obtendo mais de 60 milhões de votos no segundo turno em 2022, com certeza pode ser considerado um candidato quase imbatível à reeleição em 2026. Este é o desespero da direita e da extrema-direita diante dos cenários eleitorais futuros.
Desde antes das eleições de 2022, quando o povo brasileiro elegeu democraticamente Lula para um terceiro mandato como presidente da República, alguns próceres da direita e, principalmente, da extrema-direita, dominada amplamente pelo bolsonarismo, não têm dado tréguas ao mesmo.
Durante os quatro anos de Bolsonaro, conforme diversas investigações da Polícia Federal têm comprovado, e a Justiça não tem se omitido, ficou e tem ficado amplamente documentado as maquinações que ocorriam inclusive nas antessalas dos Palácios do Planalto e da Alvorada, como o gabinete do ódio, as ações das milícias digitais e também tentativas de atos terroristas, como o que iria explodir um caminhão-tanque carregado com combustíveis próximo ao aeroporto de Brasília, ações contra a sede da Polícia Federal em Brasília, os bloqueios em diversas rodovias federais, os acampamentos golpistas em frente a diversas unidades militares, até culminar com a depredação do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e da sede do Supremo Tribunal Federal, como já demonstrado pelas ações que estão em curso ou já concluídas na referida Suprema Corte, quando a cúpula das maquinações — o que é chamado de “master minds”, em inglês, os cabeças pensantes —, incluindo o ex-presidente, acabou sendo condenada por diversos crimes a nada menos do que 27 anos de prisão, inicialmente em regime fechado.
Neste meio-tempo, uma verdadeira campanha tem sido feita sistematicamente, primeiro pelo ex-presidente, quando ainda estava no cargo, contra alguns ministros do Supremo Tribunal Federal, incluindo tentativas de “impeachment” dos mesmos junto ao Senado Federal e insinuações de atos de corrupção por parte dos mesmos, desmentidos pelo próprio ex-presidente quando inquirido frente a frente pelo ministro Alexandre de Moraes.
Outra forma de “melar” as eleições foi a tentativa de desacreditar as urnas eletrônicas e o processo eleitoral, envolvendo até mesmo as Forças Armadas, através de uma comissão do Ministério da Defesa para fiscalizar as urnas eletrônicas — algo que jamais se inclui entre as atribuições das Forças Armadas —, tendo em vista que, no Brasil, desde a Proclamação da República, não existe mais a figura do “poder moderador”, que era atribuída ao imperador e que alguns militares golpistas tentavam ressuscitar ao interpretar de forma equivocada o que realmente é atribuição das Forças Armadas, estimulando um caráter golpista aos militares, o que, graças à postura legalista dos comandantes da Força Aérea e do Exército, impediu que se concretizasse realmente um golpe de Estado.
Outra forma de estimular a instabilidade democrática e criar um clima de caos institucional tem sido as ações e maquinações do filho do ex-presidente, também deputado federal, que, mesmo sem trabalhar no Congresso como parlamentar, continua recebendo seus salários, apesar de estar nos EUA fomentando ações do governo americano contra o Brasil, incluindo o tarifaço de 50% sobre nossas exportações, gerando desemprego, instabilidade econômica e financeira para diversos segmentos produtivos, além de criar um clima de conflito entre os EUA e o Brasil, ensejando reprimendas contra autoridades do Poder Judiciário e outras figuras de relevo do governo federal.
Diante de uma pronta atitude de altivez e firmeza por parte do presidente da República, ao defender a soberania nacional, a independência e a autodeterminação de nosso país e em não ceder a tais pressões, essas “armações” acabaram caindo por terra, como sendo “um tiro pela culatra”, ou seja, o prestígio de Lula perante a opinião pública nacional e internacional se elevou, tendo em vista que o mesmo demonstrou que não existem razões econômicas e muito menos comerciais nas práticas adotadas pelo Brasil em sua política externa, principalmente na política de comércio exterior, tendo em vista que os EUA são superavitários em relação ao Brasil em mais de 400 bilhões de dólares nos últimos quinze anos, ou seja, os EUA vendem muito mais ao Brasil do que importam de nosso país.
Além disso, as ameaças americanas à soberania e independência do Brasil em decorrência do julgamento da trama golpista e outros crimes cometidos contra o Estado Democrático de Direito, contra as instituições e contra os interesses nacionais seguiram todos os trâmites legais, com direito à ampla defesa, à presunção da inocência e ao chamado “contraditório”, e que isto é atribuição do Poder Judiciário, não sujeito à interferência do Poder Executivo.
Bastou um mero aperto de mão e a troca de olhares e poucas palavras entre Lula e Trump, por ocasião da presença de ambos no início da Assembleia Geral da ONU, em setembro último, para que todas as maquinações contra o Brasil fossem desfeitas.
Ato contínuo, ocorreu um diálogo telefônico entre os dois chefes de Estado e, a partir daí, as negociações e a busca de um consenso estão sendo alcançadas, culminando com um encontro formal entre Lula e Trump neste último domingo, durante a reunião da ASEAN, na Malásia, por quase uma hora, quando os mesmos estavam acompanhados de seus ministros de Relações Exteriores, assessores e negociadores, para que este imbróglio criado pelos paladinos da extrema-direita seja desatado.
Durante este encontro coube a Lula apresentar, por escrito, toda a argumentação pertinente e, pela reação de Trump, pode-se dizer que essas pendengas criadas por quem desejava colocar o Brasil perante os olhos do mundo e, principalmente, perante os olhos de Trump e do governo americano, caíram por terra, aumentando o crédito internacional quanto à postura e altivez de Lula e do governo brasileiro.
Como se diz, todas as dúvidas e juízos imprecisos não resistem à verdade, e foi isto o que Lula demonstrou ao presidente Trump, destruindo todas as maquinações que estavam e, com certeza, por mais algum tempo, ainda serão tentadas por falsos patriotas que colocam os interesses familiares acima dos interesses nacionais.
Desde o início das pressões americanas, embasadas em informações distorcidas apresentadas pelo filho do ex-presidente Bolsonaro para fundamentar suas narrativas — que corre o risco de ter seu mandato cassado —, o mesmo alimenta uma guerra surda com vários outros expoentes da direita e extrema-direita, implodindo a possibilidade de haver um consenso entre aspirantes a candidatos à Presidência da República, incluindo diversos setores do chamado Centrão.
Neste contexto, todas as pesquisas de opinião pública, nos últimos três ou quatro meses, estão demonstrando que Lula tem recuperado seu prestígio eleitoral em todos os estados e regiões, entre todos os segmentos, inclusive em alguns outrora marcadamente favoráveis ao bolsonarismo e a outros candidatos de direita, como os evangélicos, as mulheres, a população que ganha até cinco salários mínimos, os jovens e as diversas categorias de trabalhadores.
Resumindo: se as eleições fossem hoje ou nas próximas semanas, tendo em vista os frutos desta reunião entre Trump e Lula deste último domingo, o atual presidente venceria todos os demais concorrentes e, talvez, conseguisse este feito no primeiro turno.
Além disso, e até mesmo diante do boicote que o governo Lula tem sofrido, principalmente na Câmara Federal e em parte do setor empresarial, especialmente do mercado financeiro, denominado de “Faria Lima”, graças ao desempenho do governo tanto em termos econômicos quanto sociais, este prestígio de Lula e de seu governo tem sido altamente favorável.
Foi por isso que, há poucos dias, ao celebrar seu aniversário de 80 anos, Lula disse, de forma bem clara, que se sente em condições físicas, mentais, emocionais e políticas para concorrer a um quarto mandato em 2026.
Todavia, existe um grande desafio que está em jogo: tanto a direita quanto a extrema-direita, aos poucos, estão aceitando a vitória de Lula em 2026 e, diante disso, pretendem seguir no jogo de obstrução parlamentar. Para tanto, a grande estratégia deste segmento político conservador seria aumentar a maioria que já detém na Câmara Federal e que tantas dores de cabeça e derrotas parlamentares têm imposto ao governo Lula, prejudicando não o governo federal em si, mas o povo brasileiro, principalmente os pobres e a classe média.
Além disso, esta estratégia da direita e extrema-direita tentará desesperadamente conseguir também a maioria absoluta no Senado Federal, a partir de onde poderá provocar o impeachment de alguns ministros do STF e até mesmo um golpe parlamentar, como o que ocorreu contra Dilma.
Todavia, da mesma forma que Bolsonaro foi o maior cabo eleitoral da direita e extrema-direita em 2022, quando ajudou a eleger diversos senadores e deputados antes totalmente desconhecidos pelo Brasil, nas eleições de 2026, com certeza, diante dos resultados altamente positivos do governo Lula, tanto em relação às políticas públicas internas quanto à política externa brasileira, o atual presidente poderá alavancar a eleição de uma ampla maioria tanto na Câmara Federal quanto no Senado e, com alta probabilidade, em relação aos futuros governadores.
Este está sendo, cada vez mais, o temor e o desespero da direita e extrema-direita brasileira. Estamos, praticamente, a menos de um ano das eleições no primeiro turno e, a cada dia, o clima político e pré-eleitoral fica mais dinâmico e mais imprevisível, apesar dos inúmeros desafios que os partidos têm diante de si nos estados. Em muitos, a direita e a extrema-direita estão cada vez mais rachadas, o que favorece o chamado centro democrático, o centro-esquerda e os partidos de esquerda.
Lula já demonstrou sua habilidade em juntar cacos e construir novos vasos e sair-se vencedor, e isto deverá ocorrer mais uma vez!
*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro Oeste. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.












