Quinta, 10 Setembro 2026 15:58

 

 

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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
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Juacy da Silva*

 

Tempo da Criação 2026 – Tema: ÁGUA VIVA

“Num mundo onde os mais frágeis são os primeiros a sofrer os efeitos devastadores das mudanças climáticas, do desmatamento e da poluição, cuidar da criação torna-se uma questão de fé e de humanidade. Em várias partes do mundo, é evidente que a nossa terra está caindo na ruína. Por todo o lado, a injustiça, a violação do direito internacional e dos direitos dos povos, a desigualdade e a ganância provocam o desmatamento, a poluição, a perda de biodiversidade”. Papa Leão XIV em sua mensagem para o 10° Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação de 2025, Vatican News, 02/07/2025.

Estamos em pleno período, entre 01 de setembro e 04 de outubro, quando as Igrejas Cristãs — Católica Romana, Ortodoxa e Evangélicas — celebram o Tempo da Criação, cujo tema deste ano de 2026 é ÁGUA VIVA, que nos remete à grave crise hídrica que se abate sobre o planeta, inclusive afetando bilhões de pessoas no planeta e dezenas de milhões no Brasil, a imensa maioria famílias pobres, excluídas e oprimidas.

No mundo, em torno de 2,1 bilhões de pessoas não têm acesso à água potável e 3,4 bilhões não têm saneamento básico. Esta situação é responsável por mais de 1,4 milhão de pessoas, a imensa maioria de pobres e excluídos.

No Brasil, a situação também é muito grave. Apesar de sermos a 10ª maior economia do planeta, ainda existem em nosso país mais de 34 milhões de pessoas sem acesso à água potável e mais de 90 milhões sem esgotamento sanitário. Esta situação é diretamente responsável por mais de 12 mil mortes anuais, além de mais de 340 mil internações, também a imensa maioria da população pobre e excluída.

Neste processo de reflexão e ação, nada melhor do que voltarmos às exortações do Papa Francisco, seguidas em grande parte pelo Papa Leão XIV, tanto na defesa da ecologia integral quanto dos pobres e oprimidos, insistindo ambos na necessidade de mudarmos radicalmente os paradigmas que alimentam “esta economia que mata”, a Economia da Morte, por outros paradigmas que embasem a Economia da Vida.

Além de vários momentos significativos que constam do CALENDÁRIO ECOLÓGICO nesses 34 dias do TEMPO DA CRIAÇÃO, seria ótimo se todas as Igrejas, a começar pela Igreja Católica, de quem o Papa Francisco foi seu pastor durante mais de uma década, pudessem refletir e agir tanto em relação a esses momentos ecológicos quanto procedermos a uma re-leitura da Encíclica Laudato Si, bem como tantas outras exortações feitas pelo Papa Francisco em seus pronunciamentos, outras Encíclicas e Exortações Apostólicas.

Este é o sentido e o significado desta minha mensagem que seguirá por outros neste Tempo da Criação, retomando alguns aspectos de tantas exortações e recomendações do Papa Francisco à sua Igreja, que, mesmo já tendo transcorrido mais de 11 anos da publicação da Encíclica Laudato Si, ainda continuam desconhecidas e pouco seguidas por boa parte, talvez a maior parte de nossas Arquidioceses, Dioceses, Prelazias, Paróquias e Comunidades Eclesiais, relembrando que para a Igreja Católica OMISSÃO É PECADO, e neste caso da ecologia integral, PECADO ECOLÓGICO.

Conceito de pecado ecológico

Este conceito é importante para compreendermos a conversão ecológica e a cidadania ecológica, bem como propostas como a Economia de Francisco e Clara, o Pacto Global pela Educação, a cultura da paz e a civilização do amor.

O portal A12 – Arquidiocese de Aparecida pontuou que “No Sínodo da Amazônia, em 2019, surgiu um tema sobre a inclusão de um novo conceito no Catecismo, o ‘pecado ecológico’”. “Propomos definir o pecado ecológico como uma ação ou omissão contra Deus, contra o próximo, a comunidade e o meio ambiente. É um pecado contra as gerações futuras...” (Documento Final do Sínodo da Amazônia).

Se o pecado ecológico vai ou não ser incluso no Catecismo, isso ainda não sabemos, mas a questão levanta muitas reflexões. O missionário redentorista padre Antonio Fidalgo acredita que a insistência e a urgência de identificar esse novo conceito têm um peso para a consciência humana, que parece não ter acordado para a situação real das riquezas naturais. “Requer colocar a questão dentro do apelo à conversão integral para ouvir os gritos da terra, os gritos dos pobres e as pessoas que sangram por todo o mundo com esta ferida ecocida”, assinala. Ref. Uma compreensão sobre o “pecado ecológico”, artigo de Elisangela Cavalheiro, 30/01/2024.

Vamos aproveitar o Tempo da Criação para aprofundarmos um pouco mais nessas questões que, direta ou indiretamente, dizem respeito à nossa caminhada de uma Igreja Sinodal, Samaritana e Profética que faz opção pela defesa da vida, todos os tipos de vida, pelos pobres.

Origens da crise socioambiental

“A violência, que está no coração humano ferido pelo pecado, vislumbra-se nos sintomas de doenças que notamos no solo, na água, no ar e nos seres vivos. Por isso, entre os pobres mais abandonados e maltratados, conta-se a nossa terra oprimida e devastada, que está “gemendo como em dores do parto”.” LS 2

“Quando os seres humanos destroem a biodiversidade na criação de Deus, quando os seres humanos comprometem a integridade da terra e contribuem para a mudança climática, desnudando a terra de suas florestas naturais ou destruindo suas zonas úmidas, quando os seres humanos contaminam as águas e o solo, o ar, tudo isso é pecado. Porque um crime contra a natureza é um crime contra nós e um pecado contra Deus.” LS 8

“O urgente desafio de proteger a nossa Casa Comum inclui a preocupação de unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral”. “Os jovens exigem de nós uma mudança, interrogam-se como se pode pretender construir um futuro melhor, sem pensar na crise do meio ambiente e nos sofrimentos dos excluídos: LS 13.

Esta é também a mesma indagação que fazemos a milhares de candidatos e candidatas a parlamentares estaduais, federais, governadores e presidência da República, que praticamente omitem propostas relacionadas aos graves desafios socioambientais e políticas públicas para enfrentar tais desafios, nas eleições gerais de 2026.

Poluição e mudanças climáticas

“A terra, nossa Casa Comum, parece transformar-se cada vez mais num imenso depósito de lixo”. (LS, 21)

“Ainda não se conseguiu adotar um modelo circular de produção que assegure recursos para todos e para as gerações futuras e que exige limitar, o mais possível, o uso dos recursos não renováveis, moderando o seu consumo, maximizando a eficiência no seu aproveitamento, reutilizando e reciclando-os” LS 22

O clima como bem comum

“O clima é um bem comum, um bem de todos e para todos...” (LS, 23)

O clima é um bem comum, um bem de todos e para todos. Em nível global, é um sistema complexo que tem a ver com muitas das condições essenciais para a vida humana. Há um consenso científico, muito consistente, indicando que estamos perante um preocupante aquecimento do sistema climático” LS 23

“A humanidade é chamada a tomar consciência da necessidade de mudança de estilo de vida, de produção e de consumo, para combater esse aquecimento ou, pelo menos, as causas humanas que o produzem ou acentuam” LS 23

“Isto é particularmente agravado pelo modelo de desenvolvimento baseado no uso intensivo de combustíveis fósseis, o qual está no centro do sistema energético mundial. E inclui, também, a prática crescente de mudar a utilização do solo, principalmente pelo desmatamento para finalidade agrícola” (agropecuária e mineração). LS 24

“A perda das florestas piora a situação, pois essas ajudam a mitigar as mudanças climáticas” LS 24 “As mudanças climáticas são um problema global, com graves implicações ambientais, sociais, econômicas, distributivas e políticas, constituindo atualmente um dos principais desafios para a humanidade” LS 25

A questão da água.

“A água potável e limpa constitui uma questão de primordial importância...” (LS, 28)

“Outros indicadores da situação atual têm a ver com o esgotamento dos recursos naturais. É bem conhecida a impossibilidade de sustentar o nível atual de consumo dos países mais desenvolvidos e dos setores mais ricos da sociedade, onde o hábito de desperdiçar e jogar fora atinge níveis absurdos, já ultrapassaram certos limites máximos de exploração do planeta, sem termos resolvido o problema da pobreza. A água potável e limpa constitui uma questão de primordial importância, porque é imprescindível para a vida humana e para sustentar os ecossistemas terrestres e aquáticos. Grandes cidades que dependem de importantes reservas hídricas sofrem períodos de carência do recurso que, nos momentos críticos, nem sempre se administra com uma gestão adequada e com imparcialidade” LS 28

“Um problema particularmente sério é o da qualidade da água disponível para os pobres, que diariamente ceifa muitas vidas. Entre os pobres são frequentes as doenças relacionadas com a qualidade da água, incluindo as causadas por micro-organismos e substâncias químicas” LS 29

“Enquanto a qualidade da água disponível piora constantemente, em alguns lugares cresce a tendência para se privatizar este recurso escasso, tornando-o uma mercadoria sujeita às leis de mercado” LS 30

“Uma maior escassez de água provocará o aumento do custo dos alimentos e de vários produtos que dependem de seu uso” LS 31

Considerações finais

A leitura dessas exortações, se refletida criticamente, poderá servir de base para análise da realidade e construção de saídas através de políticas públicas. Como cidadãos, devemos exigir de nossos governantes, em todos os níveis e poderes, e dos Organismos de Controle (MPF, MPE, Defensoria e Tribunais de Contas), um compromisso maior para que a Constituição e todo o ordenamento jurídico ambiental sejam cumpridos.

De forma semelhante, é fundamental o desenvolvimento de campanhas públicas, utilizando-se de todos os meios e veículos disponíveis, para despertar na população a consciência de que precisamos cuidar melhor do planeta Terra, a partir de nosso espaço imediato; nossas moradias, nossos bairros, comunidade, municípios, estados e o país como um todo.

A omissão diante dos desafios, pecados ecológicos e crimes ambientais contribui para o agravamento da crise socioambiental e terá grandes impactos para as atuais e, principalmente, para as futuras gerações.

Este é o sentido quando o Papa Francisco diz que “hoje não podemos deixar de reconhecer que uma verdadeira abordagem ecológica sempre se torna uma abordagem social... para ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres”.

Os desafios da ecologia integral devem caminhar lado a lado com a Justiça Social, Justiça Climática, Justiça Econômica, Justiça Intergeracional, Justiça de Gênero e gestão pública transparente, eficiente, sustentável, inclusiva e ética.

Cuiabá, 08 de setembro de 2026.

 

*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, ativista social, articulador da Pastoral da Ecologia Integral Região Centro Oeste. E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.; Instagram @profjuacy

 

Segunda, 17 Agosto 2026 15:04

 

 

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Juacy da Silva*

 

A Câmara Municipal de Cuiabá aprovou, no último dia 28 de julho, o Projeto de Lei de autoria do vereador Professor Mário Nadaf (PV), que institui o DIA MUNICIPAL DO PLANTIO DE ÁRVORES, a ser celebrado no primeiro domingo de dezembro de cada ano, na capital de Mato Grosso.

Este Projeto de Lei surgiu de uma articulação da Pastoral da Ecologia Integral da Arquidiocese de Cuiabá com o Gabinete do Vereador Professor Mário Nadaf, com os seguintes objetivos: a) incentivar ações de arborização urbana e recuperação ambiental; b) estimular o plantio de espécies arbóreas adequadas ao ecossistema e bioma em que Cuiabá está inserida; c) promover o despertar da consciência ecológica/ambiental da população, dos poderes públicos e entidades da sociedade civil sobre a importância da arborização urbana e periurbana, bem como da conservação e preservação da cobertura verde, como forma de mitigar os efeitos da grave crise climática que se agrava a cada dia; d) contribuir para a recuperação e proteção das nascentes e matas ciliares existentes no município de Cuiabá, tanto na área urbana quanto rural; e) fomentar e estimular práticas de educação ambiental crítica voltadas à sustentabilidade e a uma melhor qualidade de vida; f) incentivar a participação das entidades da sociedade civil, principalmente as que se dedicam aos cuidados com o meio ambiente, incluindo os estabelecimentos escolares públicos e privados em todos os níveis de ensino.


Conforme o artigo 3º do referido Projeto de Lei, caberá aos poderes públicos municipais, Executivo e Legislativo, promover ações e mobilização para celebrarem este Dia voltado ao plantio de árvores e outras atividades ambientais. O referido Projeto de Lei foi encaminhado, no último dia 3 deste mês de agosto, ao Poder Executivo Municipal para a sanção do Prefeito e passará a integrar o calendário de eventos da Prefeitura Municipal de Cuiabá anualmente.


A falta de arborização urbana em Cuiabá tem contribuído para o agravamento da temperatura e da qualidade do ar, com ondas de calor cada dia mais frequentes, afetando a saúde das pessoas, principalmente crianças e pessoas idosas. Cuiabá tem sido, na quase totalidade dos dias, a capital mais quente do Brasil.


É importante entendermos que, para minorar ou mitigar os efeitos dessas temperaturas extremamente elevadas e dos baixíssimos índices de umidade do ar, o papel das árvores, ou seja, da arborização urbana, é imprescindível e fundamental.


Oxalá outros municípios, principalmente os maiores em tamanho populacional de nosso estado, também possam despertar para a importância da arborização urbana e aprovar o Plano Diretor de Arborização Urbana (PDAU). Este é um instrumento técnico e de gestão ambiental de grande importância e relevância para que Cuiabá volte a ser realmente a CIDADE VERDE de outrora, contribuindo para a sustentabilidade ambiental, tão importante e necessária tanto para uma melhor qualidade de vida da população quanto para enfrentar os efeitos do aquecimento global e da crise climática.


A população cuiabana aguarda com grande expectativa que o prefeito Abílio Brunini sancione brevemente esta Lei e possamos celebrar, em dezembro próximo, este dia especial voltado para o plantio de árvores e a arborização urbana nos espaços públicos.


Também aguardamos incentivos para que a população possa participar de outro importante projeto voltado à sustentabilidade que está sendo articulado e iniciado pela Pastoral da Ecologia Integral, que são os Quintais Ecológicos ou Quintais Produtivos, em todos os bairros e regiões de Cuiabá e dos oito municípios da Baixada Cuiabana, onde a Arquidiocese de Cuiabá está presente através de 34 Paróquias e mais de 200 Comunidades Eclesiais.


*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, ativista social, articulador da Pastoral da Ecologia Integral Região Centro Oeste. E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.; Instagram @profjuacy

 




Quarta, 22 Julho 2026 15:20

 

PDL 171/2026, de autoria da deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT) tramita em regime de urgência na Câmara


Em meio à tramitação do Projeto de Decreto Legislativo 171/2026 que pretende suspender os efeitos da ampliação da Estação Ecológica Taiamã, em Cáceres (MT), decretada pela Presidência da República em março deste ano, uma nota técnica reforça evidências científicas, dados oficiais e análises técnicas sobre a viabilidade da proposta. O documento é assinado por um grupo de professores e pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT).

A publicação "Ampliação da Estação Ecológica de Taiamã e Hidrovia Paraguai-Paraná: subsídios técnicos, econômicos e socioambientais para o debate público em Cáceres-MT", está organizada em 14 pontos. Entre os temas analisados estão a base legal da ampliação da unidade de conservação; as justificativas científicas para a inclusão de novas áreas; a importância da diversidade de macrohabitats para a conservação dos peixes; dados do MapBiomas que evidenciam o processo de redução das áreas alagadas do Pantanal; a estimativa do estoque de carbono protegido; o impacto positivo na arrecadação municipal por meio do ICMS Ecológico; além de um comparativo entre os benefícios da conservação ambiental e da pecuária extensiva.

A ampliação da Estação Ecológica de Taiamã é uma decisão construída sobre evidências técnicas, processo participativo e demanda histórica de pesquisadores e comunidades. Seus benefícios são verificáveis e de ampla distribuição: proteção dos berçários de peixes essenciais para a pesca de Cáceres, manutenção do pulso de inundação pantaneiro, conservação de um estoque de carbono de 11 milhões de toneladas de CO₂eq, cujo valor climático é global e cuja destruição seria irreversível, além de incremento direto de R$ 1,5 a 4 milhões anuais no ICMS Ecológico da Prefeitura, e base para o ecoturismo regional”, conclui a nota técnica.

Dos biomas brasileiros, o Pantanal é o que possui a menor área protegida, com cerca de 5%. Nos últimos anos, o território vem sofrendo com secas cada vez mais graves, incêndios, além do avanço do agronegócio e outras atividades econômicas exploratórias. Por esta razão, o anúncio da ampliação de 104 mil hectares este ano foi motivo de esperança para quem vive, estuda, respira e defende o Pantanal. A ampliação é fruto de anos de estudo e foi apresentada pelo ICMBio, entidade referência em Unidades de Conservação do país.

Ao reunir informações científicas, jurídicas, econômicas e socioambientais em um único documento, a nota técnica da equipe da UNEMAT é um reforço nas mobilizações locais e nacionais contrárias ao PDL 171/2026. De autoria da deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT), o projeto teve o regime de urgência aprovado no plenário da Câmara e corre o risco de ser votado antes do recesso parlamentar.  A pressão da sociedade civil é para que o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos), interrompa a tramitação da pauta. Além de tentar derrubar a ampliação da Estação Taiamã, a deputada mato-grossense, que não possui histórico de propostas em defesa do meio ambiente, também quer vetar o aumento de áreas protegidas no Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense, com o PDL 170/26.

A mobilização conta com a participação pública e pode ser feita das seguintes formas:

  • Reenvio de cartas institucionais para a presidência da Câmara (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.) e também O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. (com assinatura digital)
  • Marcação do perfil @hugomottapb nas redes sociais: "não paute o PDL 171/2026. Não toque na ESEC Taiamã".
  • Entre no site da Câmara e vote contra o projeto: https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2612908
 
Confira a Nota Técnica no Arquivo Anexo abaixo. 
 
 
Fonte: Formad/MT
Terça, 07 Julho 2026 16:32




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Juacy da Silva*


Um dos grandes desafios socioambientais, principalmente nas últimas décadas, tem sido a produção e o uso de embalagens plásticas, incluindo sacolas, sacos, garrafas PET e outros produtos e embalagens que aumentam a geração de lixo e provocam um grande impacto tanto nos solos quanto em todos os cursos d'água, como córregos, rios, lagos, lagoas, mares e oceanos, enfim, em todos os biomas e ecossistemas.

Para despertar a consciência em relação a este problema, foi criado o DIA INTERNACIONAL SEM SACOLAS PLÁSTICAS, por iniciativa da “Global Bag Free World”, com o objetivo de conscientizar a população sobre os impactos socioambientais negativos do uso de embalagens plásticas em geral e das sacolas plásticas em particular, e promover alternativas sustentáveis, como o uso de sacolas produzidas com material reciclado ou de outros materiais, como pano e papel etc. A data é celebrada anualmente em 3 de julho, em diversos países, inclusive no Brasil.

Para orientar e massificar a campanha pelo fim das embalagens plásticas em geral e das sacolas e sacos plásticos em particular, a cada ano é escolhido um tema, em torno do qual essas reflexões e ações são realizadas. Em 2026, o tema é “Libertação dos plásticos de uso único: rumo a um futuro sustentável”.

No entanto, apenas incentivar as pessoas a deixarem de usar sacolas/sacos plásticos por um dia, com certeza, não vai resolver este problema sério e grave se, ao longo dos demais 364 dias, continuarmos a usar todos os tipos de plásticos que estão degradando e destruindo todos os biomas e ecossistemas ao redor do mundo.

Em 2026, por exemplo, em todos os países, enfim, no mundo inteiro, está mais do que caracterizado e comprovado, por dados e estatísticas confiáveis e atualizadas, que estamos vivendo uma grave crise dos plásticos e que este assunto precisa ser tratado como uma emergência global.

O desafio principal é a falta de consciência e a resistência do mundo empresarial, que lucra bilhões de dólares por ano, tendo em vista que a produção anual de plásticos, em 2026, deverá ultrapassar 516 milhões de toneladas, ou seja, 500 bilhões de kg de plásticos, em torno de 60 kg per capita (por pessoa), em média; em alguns países “desenvolvidos”, muito mais do que este volume.

Em apenas um quarto de século, entre 2000 e 2026, a produção de plásticos no mundo passou de 200 milhões de toneladas para 516 milhões de toneladas, um crescimento exponencial em um período considerado curtíssimo da história humana.

Outro aspecto que demonstra a gravidade é o aumento espantoso dos plásticos em todos os tipos de atividade humana, além do fato de que, no máximo, 10% do lixo plástico gerado no mundo são reciclados corretamente, e 90% deste imenso volume vai parar nos bueiros, terrenos desocupados, córregos, rios, lagos, lagoas, mares e oceanos, poluindo, degradando e destruindo irreparavelmente o meio ambiente.

Até bem pouco tempo, mas em alguns países pobres continuam “importando” lixo, principalmente lixo plástico produzido pelos países ricos/desenvolvidos, mas isto apenas transfere o problema de um país para outro, tendo em vista que não existe alternativa de enviar o lixo produzido no planeta Terra para outro planeta.

O volume do lixo plástico existente, digamos, “estocado”, no planeta, pelo acúmulo de 90% deste lixo que não é reciclado, ano após ano, representava, em 2025, mais de 8 mil megatoneladas, e a tendência tem sido piorar no futuro próximo, tendo como destino os oceanos, razão pela qual o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, há poucos anos, em um pronunciamento oficial, alertava que, se nada de concreto for feito para acabar com o uso dos plásticos (subproduto do petróleo, combustível fóssil responsável por grande parte das emissões de gases de efeito estufa): “Se nada for feito, em 2050, em diversas partes do mundo, os oceanos terão mais lixo plástico do que peixes”.

Inúmeros estudos e pesquisas, em diversos países, inclusive no Brasil, têm demonstrado o impacto negativo do lixo plástico na vida animal lacustre, ribeirinha e marítima e na vida terrestre também.

Em Mato Grosso, por exemplo, com frequência, inúmeras reportagens têm demonstrado a presença de muito lixo, inclusive lixo plástico, em todos os rios, principalmente os que alimentam o Pantanal, transformando esta maravilha, reconhecida como “patrimônio natural da humanidade”, em um grande depósito de lixo, afetando todas as formas de vida ali existentes.

Uma outra consequência do lixo plástico, também demonstrada por diversos estudos em inúmeros países, novamente incluindo o Brasil, é em relação à saúde humana. Por exemplo, a presença de microplástico no corpo das pessoas, na corrente sanguínea e até no cérebro é um fato concreto e real.

Microplásticos são partículas minúsculas de plástico, com menos de 5 mm, invisíveis a olho nu, e são derivados das embalagens, inclusive presentes em inúmeros supermercados para embalar legumes, carnes e outros alimentos, garrafas PET e também do lixo plástico ou de roupas sintéticas. Eles podem entrar no corpo pela respiração ou alimentação. A ciência indica que eles se espalham pelo sangue e se acumulam nos órgãos, podendo afetar o corpo de várias formas.

Os microplásticos afetam a saúde humana em geral, inclusive aumentando os riscos de agravamento de doenças crônicas e até mesmo afetando diretamente a fertilidade humana.

Os microplásticos agravam problemas cardiovasculares, aumentam o risco de infarto, derrame e outras doenças cardíacas; provocam danos e inflamações nas células, envelhecimento celular, desregulação hormonal, doenças neurológicas, problemas no desenvolvimento fetal, contribuindo para diversas doenças degenerativas e, também, doenças ósseas e renais.

Conforme dados de um relatório de 8 de agosto de 2025 do “Environment Texas Research & Policy Center”, mencionando matéria publicada em “The Lancet”, o custo financeiro anual das doenças geradas pelo lixo plástico no mundo ultrapassa US$ 1,5 trilhão de dólares ou aproximadamente R$ 8 trilhões, importância maior do que o PIB de 95% dos países do globo terrestre. Esse valor colossal representa o impacto na saúde global, cobrindo desde despesas com hospitais até mortes precoces e perda de qualidade de vida.

Tendo em vista a gravidade da situação do lixo plástico no mundo e as perspectivas sombrias a longo prazo, na Assembleia Geral da ONU sobre questões ambientais, em março de 2022, representantes de 175 países conseguiram aprovar uma resolução com o objetivo de criar um Comitê Intergovernamental de Negociação, visando à aprovação de um acordo global/internacional contra a poluição plástica, ou seja, pondo fim à produção e ao uso de plástico, uma luta hercúlea, da mesma forma que a luta que vem sendo travada nas últimas COPs, para pôr um fim à produção e ao uso de combustíveis fósseis, incluindo petróleo e seus derivados.

Apesar da gravidade dos problemas oriundos do uso e do lixo plástico em escala internacional e do esforço de diversos países, atualmente, em 2026, as negociações visando à aprovação, em Assembleia Geral da ONU, de um Tratado Global sobre os Plásticos estão praticamente paralisadas, por pressão dos países produtores e exportadores de petróleo e também dos países onde estão instaladas as grandes indústrias de produção de todos os tipos de plásticos, basicamente os integrantes do G7 e do G20, dos quais o Brasil também participa.

Em 2026, as negociações do Tratado Global sobre Plásticos enfrentam um grande impasse. A divisão ocorre entre os países que defendem o corte na produção de plástico virgem e aqueles focados apenas no controle do lixo e na reciclagem.

Esses países tentam desvirtuar as discussões colocando como alternativa concreta, em lugar do fim da produção e do uso dos plásticos (que geram bilhões de toneladas de lixo plástico e seus impactos no planeta), repito, colocando a reciclagem como a “grande saída”, o que não irá resolver o problema, tendo em vista que há países, como o Brasil, em que a reciclagem de plásticos não atinge sequer 4% do lixo plástico gerado. O Brasil é o quarto maior produtor de lixo plástico do planeta, gerando anualmente mais de 11 milhões de toneladas.

Em relação às discussões sobre o Tratado Global sobre os Plásticos, a posição do Brasil tem sido dúbia, mas, conforme matéria publicada no site A Pública, em 13 de agosto de 2025: “A diplomacia brasileira fez uma guinada conservadora nas negociações que buscam criar um tratado de combate à poluição por plásticos. O país deixou de se posicionar sobre as questões críticas do acordo, ao mesmo tempo em que adotou argumentos similares aos grandes produtores de petróleo”. Essa dubiedade do Brasil também tem ocorrido nas COPs quando a discussão gira em torno do fim do uso dos combustíveis fósseis.

Isto significa que, anualmente, 10,6 milhões de toneladas de lixo plástico (96% não reciclado) não têm a destinação correta. A cada ano, em apenas uma década, serão 106 milhões de toneladas, só no Brasil. Diante disso, estaremos convivendo com montanhas e montanhas de lixo plástico ao redor de nosso país.

O pior em tudo isto, em meio a esta verdadeira tragédia ecológica e socioambiental, é constatarmos que não existe consciência ambiental nem por parte da população em geral e muito menos por parte de nossos governantes, em todos os níveis, e também no mundo empresarial, que sempre coloca a busca do lucro e a acumulação de capital acima dos danos causados pelo lixo plástico e outros crimes contra o meio ambiente.

Também a passividade e a falta de consciência ecológica estão presentes em todas as demais entidades da chamada sociedade civil organizada/desorganizada, como os estabelecimentos educacionais, as Igrejas, os movimentos sindical e comunitário e os clubes de serviço.

Assim, diante do imenso volume de lixo plástico gerado no mundo e em todos os países, e que tem aumentado muito todos os dias e anos, diante da passividade, alienação e falta de um despertar da consciência ecológica sobre este desafio e diante da resistência dos sistemas produtivos/empresários em colocar o bem comum e a saúde das pessoas e do planeta acima do lucro e da acumulação de capital, e também diante da omissão generalizada de governantes em todos os países sobre esta realidade, com certeza, o mundo tem pouco a celebrar neste DIA INTERNACIONAL SEM SACOLAS PLÁSTICAS.

Continuamos como o beija-flor que imaginava conseguir apagar um enorme incêndio florestal com apenas algumas gotinhas que carregava em seu biquinho.

Para terminar, gostaria de relembrar a exortação feita pelo Papa Francisco, em 2015, quando da publicação da Encíclica Laudato Si’: "A Terra, nossa casa comum, parece transformar-se cada vez mais num imenso depósito de lixo". Do volume global de lixo produzido no mundo, o lixo plástico já representa, em média, 10% deste total, com previsões de, como já acontece em alguns países, chegar a 20% dentro de poucas décadas, sabendo que o lixo plástico pode continuar poluindo o planeta por mais de 500 anos, média de "vida" do lixo plástico.

O combate ao lixo plástico, portanto, é também uma maneira de defendermos todas as formas de vida, inclusive a vida humana, e isto passa pela necessidade de mudança de hábitos, de estilo de vida e de estruturas sociais, políticas, econômicas, culturais e religiosas no mundo inteiro, inclusive no Brasil. Convenhamos, uma grande luta, uma verdadeira revolução ecológica.

A nossa luta é pelo fim do uso das sacolas e de todas as embalagens de plástico em todo o Brasil, como já acontece em diversos países e cidades mundo afora.

*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, ativista social, articulador da Pastoral da Ecologia Integral Região Centro Oeste. E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.; Instagram @profjuacy

 

 

Quarta, 03 Junho 2026 14:41

 

 

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Juacy da Silva*

 

“A educação ambiental ampliou seus objetivos. Enquanto no início estava centrada principalmente na informação científica, na conscientização e na prevenção de riscos ambientais, hoje ela tende a incluir uma crítica aos “mitos” de uma modernidade fundamentada em uma mentalidade utilitária (individualismo, progresso ilimitado, competição, consumismo, mercado desregulado). Busca também restaurar os diversos níveis de equilíbrio ecológico, estabelecendo a harmonia dentro de nós mesmos, com os outros, com a natureza e outros seres vivos, e com Deus. A educação ambiental deve facilitar o salto em direção ao transcendente, que confere à ética ecológica o seu significado mais profundo. Ela precisa de educadores capazes de desenvolver uma ética da ecologia integral e de ajudar as pessoas, por meio de uma pedagogia da liberdade eficaz, a crescer em solidariedade, responsabilidade e cuidado compassivo." Papa Francisco, Laudato Si, 2015.

Hoje, 03 de junho, Dia Nacional da Educação Ambiental, não celebramos apenas uma data do calendário ecológico, mas, sim, celebramos os chamados de nosso saudoso Papa Francisco, que nos alertou na Laudato Si' §217 quando disse, textualmente: "Não bastam as normas, sem uma conversão do coração".

Da mesma forma, o Papa Leão XIV, seguindo na mesma direção, insiste que “É preciso passar dos discursos ambientalistas a uma conversão ecológica que transforme o estilo de vida pessoal e comunitário.” Pronunciamento na abertura da Conferência “Espalhando a Esperança”, ressaltando a necessidade de uma conversão ecológica do coração e dos estilos de vida, para atender à urgência das ações diante da crise climática que tanto fustiga o planeta e a humanidade, por ocasião das celebrações dos dez anos da Laudato Si, em 01/10/2025, em Castel Gandolfo.

Neste sentido, a Educação Ambiental é um caminho a ser seguido, um instrumento fundamental na transformação de nossos hábitos de consumo e consumismo, de desperdício, de geração de lixo e tantas outras mazelas que contribuem para a degradação e a poluição do ar, dos solos e das águas e a destruição do planeta.

No Brasil, a Educação Ambiental foi tratada na Lei nº 9.795/99, que instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental. Conforme seu Art. 1º, entendem-se por educação ambiental (EA) os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e à sua sustentabilidade.

O Art. 2º define que “A educação ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não formal”.

Todavia, a educação ambiental direciona-se também para outros públicos, como gestores e trabalhadores dos setores público e privado, para as empresas, para os movimentos sociais, sindicais, comunitários e, também, para os fiéis de todas as Igrejas e religiões.

Cabe enfatizar também que a Educação Ambiental precisa ter uma dimensão crítica, libertadora, indo também às estruturas políticas, sociais, culturais e econômicas, a partir das quais novos paradigmas devem definir as relações de trabalho e de produção, incluindo, é claro, como os sistemas econômicos se relacionam com a natureza, com o consumo e com o mundo do trabalho, principalmente em vista das profundas transformações científicas e tecnológicas, como, por exemplo, a Inteligência Artificial (IA) e seus impactos na ecologia integral e no mundo do trabalho.

Voltando à questão dos valores, é importante indagarmos que valores são esses que são o cerne da educação ambiental?

A Política Nacional de Educação Ambiental insiste, também, que “Art. 3º Como parte do processo educativo mais amplo, todos têm direito à educação ambiental” e, ao definir os princípios que devem moldar a educação ambiental, estabelece, na verdade, os valores que a fundamentam.

Vejamos então: Art. 4º São princípios básicos da educação ambiental: I - o enfoque humanista, holístico, democrático e participativo; II - a concepção do meio ambiente em sua totalidade, considerando a interdependência entre o meio natural, o socioeconômico e o cultural, sob o enfoque da sustentabilidade; III - o pluralismo de ideias e concepções pedagógicas, na perspectiva da inter, multi e transdisciplinaridade; IV - a vinculação entre a ética, a educação, o trabalho e as práticas sociais; V - a garantia de continuidade e permanência do processo educativo; VI - a permanente avaliação crítica do processo educativo; VII - a abordagem articulada das questões ambientais locais, regionais, nacionais e globais; VIII - o reconhecimento e o respeito à pluralidade e à diversidade individual e cultural”.

Ao definir os objetivos da Política Nacional de Educação Ambiental, a dimensão crítica está explicitamente estabelecida. Vejamos os três primeiros desses objetivos: “Art. 5º São objetivos fundamentais da educação ambiental: I - o desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio ambiente em suas múltiplas e complexas relações, envolvendo aspectos ecológicos, psicológicos, legais, políticos, sociais, econômicos, científicos, culturais e éticos; II - a garantia de democratização das informações ambientais; III - o estímulo e o fortalecimento de uma consciência crítica sobre a problemática ambiental e social”.

De forma semelhante, a Igreja, através das Encíclicas e das Exortações de diferentes Papas, tem contribuído para uma melhor compreensão da educação ambiental, no contexto da Ecologia Integral, para a solidificação de valores referentes às relações da humanidade com a natureza (as obras da criação) e também das relações humanas, sociais, econômicas e políticas, insistindo, por exemplo, “que não existem duas crises separadas, de um lado uma crise ambiental e de outro uma crise socioeconômica e política; mas apenas uma única e complexa crise socioambiental”, conforme consta da Laudato Si. A solução passa, necessariamente, pelo cuidado com a natureza, mas também pelo cuidado com os pobres e excluídos, as maiores vítimas deste processo que culmina na crise climática e suas consequências. Neste sentido, não podemos nos referir à educação ambiental sem considerar as dimensões da justiça social, da justiça climática e da justiça intergeracional.

O Papa Francisco resumiu em Roma, em 2014, falando aos Movimentos Populares, que "Terra, teto e trabalho" (frequentemente chamados de "os três Ts") formam um tripé de direitos sagrados e fundamentais para garantir a dignidade humana. Esse conceito tem forte raiz na Doutrina Social da Igreja Católica, tendo sido difundido de forma marcante pelo Papa Francisco e reafirmado por seu sucessor, como em diversos pronunciamentos recentes do Papa Leão XIV em encontros com movimentos populares.

Esta trilogia dos três “Ts” não é slogan de partidos ou movimentos de esquerda ou de movimento sindical. É parte integrante da Ecologia Integral e da Doutrina Social da Igreja e deve ser tratada também como base para uma educação ambiental crítica e libertadora dentro e fora da Igreja.

Por isso, neste dia dedicado à Educação Ambiental no Brasil, a pergunta que nos move é uma só: sobre qual Educação Ambiental estamos falando? A que enfeita relatórios de ESG ou advoga apenas uma maquiagem, como na chamada “economia verde”, ou a que muda hábitos, estilo de vida, estruturas sociais, econômicas e políticas que geram degradação ecológica, exclui os pobres, alimenta a pobreza e estimula o consumismo e o desperdício?

A educação ambiental crítica estimula atitudes que reduzem o consumismo e o desperdício, que estimulam a partilha, a economia solidária, a agroecologia e o respeito aos limites da natureza e aos direitos das gerações futuras. E, neste sentido, seu foco passa do individualismo para a dimensão comunitária, coletiva.

Precisamos refletir que este é um convite para a Igreja, para a escola, para o poder público, para os empresários e para o chão da fábrica, para os camponeses, para os povos indígenas, para passarmos da mera reflexão para ações sociotransformadoras, como recentemente se manifestou o Papa Leão XIV ao dizer, em sua primeira encíclica, a Magnifica Humanitas, que o conhecimento deve servir ao bem comum. O saber precisa ser democratizado e usado para "desarmar" as estruturas de desigualdade e exclusão, em vez de se tornar um monopólio de poucos.

Esta exortação do Papa Leão XIV está em perfeita sintonia com a proposta de Francisco, na Laudato Si, ao vincular educação ambiental com espiritualidade ecológica e com o propósito da EA, no contexto de uma proposta mais ampla, que é o Pacto Global pela Educação, ao escrever no Capítulo 6 ("Educação e Espiritualidade Ecológica") sobre a educação ambiental, definindo-a não apenas como conscientização científica, voltada apenas para o intelecto, mas como uma verdadeira mudança de paradigma que deve moldar um estilo de vida sustentável.

Por esta razão, insistimos que a Educação Ambiental deve ser também e, principalmente, objeto das ações evangelizadoras da Igreja, dos cristãos, enfim, dos fiéis de todas as religiões, na dimensão sociotransformadora de nossas relações com a natureza e também de nossas relações econômicas, sociais e políticas em todos os países, inclusive no Brasil.

Como a Igreja no Brasil trabalha as questões socioambientais? A resposta pode ser encontrada nos diversos documentos, como as Encíclicas Laudato Si, Fratelli Tutti, Magnifica Humanitas e as Exortações Apostólicas Laudate Deum, Querida Amazônia, Dilexi Te, além de diversos documentos, como os de Aparecida e outros mais do CELAM.

Mas é importante também mencionar o Diretório da Pastoral Social da CNBB, Doc. 85, 2007; o "manual" que orienta toda a ação social da Igreja no Brasil, onde aparece a Educação Ambiental, no Cap. III, nº 89-92 - "Dimensão ecológica da caridade". A CNBB afirma: "A caridade cristã, hoje, inclui necessariamente o cuidado com a casa comum. A Educação Ambiental é instrumento privilegiado da evangelização social, pois forma sujeitos capazes de novos hábitos e de transformação das estruturas".

Se a educação ambiental é caridade, a mesma não pode ser considerada apenas uma dimensão assistencialista, como muitas pessoas imaginam. Por exemplo, como conjugar distribuição de cesta básica para famílias que não têm moradia digna e moram ao lado de esgoto e de lixões, sem a mínima dignidade? Será que, neste contexto, educação ambiental, no sentido de mudar hábitos, funciona?

A Igreja reconhece na EA uma dimensão pedagógica da fé e que deve integrar a formação do cristão e a evangelização. Formar novos hábitos e estilos de vida, como preceitua a Encíclica Laudato Si, faz parte das ações pastorais da Igreja e passa a ser um tema transversal que une ciência e religião, fé engajada e caridade libertadora, teologia, sociologia e antropologia.

Outro exemplo: o texto-base da Campanha da Fraternidade de 2025, cujo tema foi a Ecologia Integral, esclarece que a “conversão ecológica (o caminho para mudanças de hábitos e de estilos de vida) deve refletir-se no âmbito comunitário, por meio da promoção da educação ambiental”.

O artigo 13-A da Política Nacional de Educação Ambiental instituiu o Junho Verde, vinculando-o à educação ambiental não formal, ou seja, de difusão ampla e geral, com o objetivo de atingir o público em geral e despertar ou estimular a consciência ecológica/ambiental.

Vejamos: “Art. 13-A. Fica instituída a Campanha Junho Verde, a ser celebrada anualmente como parte das atividades da educação ambiental não formal” - § 1º O objetivo da Campanha Junho Verde é desenvolver o entendimento da população acerca da importância da conservação dos ecossistemas naturais e de todos os seres vivos e do controle da poluição e da degradação dos recursos naturais, para as presentes e futuras gerações. (incluído pela Lei 14.393/2022); § 2º A Campanha Junho Verde será promovida pelo poder público federal, estadual, distrital e municipal em parceria com escolas, universidades, empresas públicas e privadas, igrejas, comércio, entidades da sociedade civil, comunidades tradicionais e populações indígenas, e incluirá ações direcionadas para diversos setores, agentes e assuntos.

Diante dos desafios socioambientais que se agravam a cada dia, desprezar a Educação Ambiental Crítica é reduzir sua importância enquanto instrumento do despertar da consciência ecológica e, ao mesmo tempo, um mecanismo de transformação de hábitos e de estilos de vida, aspectos fundamentais para reduzirmos esta marcha irracional rumo a uma degradação ambiental e destruição dos biomas e ecossistemas.

Como sempre tem dito o Secretário-Geral da ONU, a janela para impedirmos as catástrofes ambientais está se fechando e o tempo para agirmos está ficando mais curto. A hora de agir é agora, e a educação ambiental é fundamental neste processo.

 

*Juacy da Silva, professor fundador, titular, aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, ativista social e articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro Oeste.
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Quinta, 28 Maio 2026 17:04

 

 

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para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
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Juacy da Silva*

O Papa Francisco, há onze anos, quando da publicação da Encíclica Laudato Si, já denunciava a poluição pelos plásticos e demais resíduos sólidos ao falar: “o mundo, nosso Planeta, a nossa Casa Comum, está se tornando uma grande lixeira” e, há poucos anos, também o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, em uma solenidade pelo DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE, alertou o mundo dizendo: “em alguns lugares do planeta os oceanos têm mais plásticos do que peixes”.

De forma semelhante, também o Papa Leão XIV tem insistido quanto à necessidade de melhor cuidarmos do planeta, alertando-nos, exortando-nos sobre os males da poluição do ar, das águas e dos solos, criticando os lucros vertiginosos de empresas poluidoras e visitando, em suas viagens, vítimas de despejo ilegal de lixo tóxico e afetados pelos horrores das guerras.

Em diversas cidades pequenas, médias ou mesmo megalópoles, principalmente na Europa, nos EUA, no Japão e em outros países ou mesmo no Brasil, o uso de sacolas plásticas e embalagens de plástico já foi abolido, em parte pela mudança de hábitos e estilo de vida espontaneamente por parte da população, através de uma intensa campanha de educação ambiental crítica/libertadora e, também, pela aprovação de leis locais, estaduais ou nacionais que proíbam ou restrinjam esta prática maléfica que gera uma imensa degradação ambiental.

A crise global dos resíduos plásticos tem movimentado debates internacionais. A produção de lixo plástico superou, em 2025, a marca de 475 milhões de toneladas anuais. O acúmulo de lixo plástico nos solos atinge cerca de 13 milhões de toneladas, enquanto 23 milhões de toneladas acabam indo parar nos oceanos.

Entre 2000 e 2025, a produção mundial de plástico dobrou, saltando de aproximadamente 234 milhões de toneladas para mais de 490 milhões de toneladas anuais. Esse crescimento da produção de plásticos, de cerca de 115%, superou o crescimento do PIB mundial, que no mesmo período aumentou cerca de 75% em termos reais. Se esta tendência não for barrada com urgência, dentro de poucas décadas, realmente, o mundo vai se transformar em uma grande lixeira planetária, como nos alertou o Papa Francisco na Encíclica Laudato Si.

É importante esclarecer que o plástico é um subproduto do petróleo, um dos combustíveis fósseis que mais contribui para as emissões de gases de efeito estufa que provocam o aquecimento global e a crise climática.

Assim, o combate ao uso de sacolas plásticas e todas as embalagens plásticas insere-se na luta pelo fim do uso de combustíveis fósseis (petróleo, gás natural e carvão), tema central de um Encontro Internacional realizado recentemente na cidade de Santa Marta, na Colômbia, do qual participaram representantes de diversos países, inclusive do Brasil.

Nosso país é o 4º maior produtor de lixo plástico do planeta, atrás apenas dos Estados Unidos, China e Índia. O Brasil gera mais de 11 milhões de toneladas de lixo plástico por ano, mas a taxa de reciclagem é historicamente muito baixa, girando em torno de 1,2% a 4,5%.

Estima-se que cerca de 40% desse volume de lixo corresponda a plásticos de uso único e descartáveis em poucas horas de uso, como as garrafas PET, as sacolas e embalagens de plástico, perfeitamente abolíveis, substituindo-as por outros materiais reciclados/recicláveis e também pela logística reversa, como já acontece com as embalagens de agrotóxicos.

Um dos problemas mais sérios na atualidade é o LIXO PLÁSTICO que, a cada dia, aumenta e polui a natureza, entope as bocas de lobo e degrada tudo, principalmente os cursos d’água como os córregos, os rios, as lagoas, os lagos, os mares e oceanos.

Diante disso, a PASTORAL DA ECOLOGIA INTEGRAL, na dimensão de uma Conversão Ecológica, ou seja, mudança de hábitos, costumes e estilo de vida, tem insistido na necessidade de ABOLIRMOS AS SACOLAS, as embalagens e os “utensílios” de plástico em todos os lugares, principalmente nas Igrejas e entidades religiosas, em uma demonstração de que cuidamos corretamente das obras da criação.

Em nossas formações, treinamentos e reuniões, temos insistido para não usarmos nada de plástico, na certeza de que aos poucos precisamos nos educar ambientalmente, nos convertermos ecológica e socioambientalmente em diversas frentes da caminhada, incluindo o combate ao consumismo, ao desperdício, a adoção de práticas de economia circular, incluindo a separação de nosso lixo doméstico, o reuso do que for possível e a reciclagem, o uso de fontes renováveis de energia e assim por diante.

Se todas as pessoas e também todas as organizações públicas e não governamentais, incluindo empresas privadas, instituições de ensino, IGREJAS e entidades comunitárias, despertarem para a necessidade de PRÁTICAS ECOLÓGICAS que contribuam para uma SUSTENTABILIDADE plena, abrangente, estaremos contribuindo para reduzir a degradação ambiental, a nossa “pegada ecológica”, para reduzirmos os impactos da CRISE CLIMÁTICA, que a cada dia se torna mais insidiosa e grave.

Outro aspecto importante é a necessidade das Câmaras Municipais, das Assembleias Legislativas e do Congresso Nacional aprovarem leis que proíbam o uso de embalagens, inclusive sacolas de plástico, e outras medidas que combatam a degradação ambiental.

A Pastoral da Ecologia Integral da Arquidiocese de Cuiabá, tendo em vista sua caminhada e práticas sustentáveis, tem estimulado a substituição de sacolas plásticas por sacolas de algodão ou outros materiais recicláveis/reciclados, da mesma forma que diversas outras entidades e coletivos ambientalistas pelo Brasil afora.

Oxalá as questões e desafios socioambientais possam fazer parte da pauta das discussões que normalmente acontecem em períodos eleitorais. É muito importante que os candidatos, tanto a cargos eletivos estaduais quanto federais, incluam entre suas propostas temas relacionados com o meio ambiente.

Só assim poderemos construir as bases de políticas públicas voltadas para um melhor cuidado com a ecologia integral, reduzindo os impactos da degradação e destruição do meio ambiente, enquanto é tempo.

Reclamar, gritar, protestar contra o descaso com que nossos governantes tratam as questões e problemas socioambientais são formas importantes de mobilização profética, mas é preciso, é imperioso, que os governantes despertem de suas letargias e omissões para esta realidade cruel que está tornando a vida no planeta quase impossível para todas as formas de vida, mas principalmente para a vida humana!

As eleições estão chegando. Mais importante do que ficarmos “discutindo” nomes, o que realmente importa são as propostas de ação política, principalmente daqueles que serão eleitos.

O cuidado com o planeta, nossa Casa Comum, com o meio ambiente, transcende as ideologias, os partidos políticos, as picuinhas eleitorais e todas as demais peculiaridades. Ao nos omitirmos diante da destruição ambiental, estamos inviabilizando nosso futuro, a partir de nossos territórios. Aqui e agora!

*Juacy da Silva, professor fundador, titular, aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, ativista social e articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro Oeste.
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Sexta, 22 Maio 2026 15:53



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Informações coletadas e compiladas por Prof Juacy da Silva*

 

Estamos em plena Semana LAUDATO SI, celebrando ONZE ANOS da publicação desta Encíclica pelo nosso saudoso Papa Francisco, exortando a humanidade, principalmente os cristãos em geral e os católicos em particular, sobre a gravidade da degradação socioambiental, da destruição do Planeta, nossa Casa Comum, apontando ser tudo isto resultado de uma “ECONOMIA QUE MATA”, uma economia da morte, e que precisamos, de forma urgente, mudar radicalmente os parâmetros desta economia da morte por outros que possibilitem a existência de uma nova economia, a ECONOMIA DA VIDA, a economia de Francisco e Clara, um novo modelo que respeite a natureza, os trabalhadores, os consumidores e, principalmente, as futuras gerações.

Mato Grosso é um estado privilegiado por ter em seu vasto território a presença de três dos seis biomas brasileiros: o Pantanal, o Cerrado e a Amazônia Mato-grossense.

Todavia, apesar da riqueza contida nesses três biomas, os mesmos vêm sofrendo um processo intenso de degradação, seja pelo desmatamento, pelas queimadas, mas, principalmente, pela destruição das nascentes, córregos e rios, afetando tanto o regime de chuvas quanto a degradação dos solos.

Dos mais de 140 milhões de hectares de áreas degradadas, em Mato Grosso estima-se que existam cerca de 20 milhões de hectares de pastagens plantadas com algum grau de degradação, afora outras áreas ocupadas com agricultura e que também estão em algum processo de degradação.

A recuperação deste passivo ecológico para garantir a sustentabilidade é um grande desafio para o agronegócio, para a agricultura familiar e para os governos federal, estadual e municipais, exigindo políticas públicas para o seu enfrentamento.

Sob os territórios de Mato Grosso, de boa parte do Cerrado, dos estados de Minas Gerais, de São Paulo e partes da região Sul do Brasil e também de países vizinhos como Bolívia, Paraguai e Argentina, encontra-se um dos maiores reservatórios subterrâneos de água das Américas, que é o AQUÍFERO GUARANI.

Na verdade, o Aquífero Guarani é uma das maiores reservas subterrâneas de água doce do mundo, de importância estratégica para a segurança hídrica, garantindo o abastecimento de mais de 100 milhões de pessoas no Brasil e nos referidos países vizinhos e sustentando atividades econômicas essenciais na América do Sul.

Eu fiz uma pergunta a sites de buscas (IA) e encontrei um conjunto valioso de informações, parte das quais compilei e resolvi compartilhar com diversas pessoas e instituições com as quais mantenho contato e com o público em geral, com o objetivo de despertar o interesse em relação a esses desafios ecológicos e socioambientais que dizem respeito de perto ao nosso presente e ao nosso futuro.

Além disso, tendo em vista a proximidade das eleições gerais de 2026, esperamos também que candidatos e candidatas, tanto a cargos eletivos federais quanto estaduais, despertem para a necessidade de que precisamos definir políticas públicas federais, estaduais e municipais, de caráter preventivo e urgente, para evitar que uma verdadeira catástrofe, já amplamente anunciada e denunciada por cientistas e estudiosos dos desafios socioambientais, possa ser evitada.

Caso nossos governantes continuem se omitindo e fazendo de conta que tais problemas e desafios, já amplamente demonstrados, principalmente a grave crise climática, com suas causas e consequências, não existam, com certeza dentro de algumas décadas tanto partes da Amazônia Mato-grossense quanto do Cerrado e, principalmente, o Pantanal poderão ser transformados em áreas extremamente degradadas e até em desertificação.

Cabe ressaltar que o Pantanal não produz água; as águas que garantem o regime das cheias e vazantes no Pantanal têm origem nos rios que nascem em suas cabeceiras ou em seu entorno e que estão sendo destruídos pela ganância e falta de cuidado com a natureza.

Pergunta: O AQUÍFERO GUARANI PODE ACABAR?

Resposta: Sim, o Sistema Aquífero Guarani (SAG) corre sérios riscos. Pesquisas revelam que a retirada de água está superando a recarga natural, e as mudanças climáticas ameaçam secar os reservatórios subterrâneos. A superexploração por cidades, indústrias e agricultura torna urgente a necessidade de gestão e preservação.

O alerta de esgotamento e a degradação do sistema são impulsionados por fatores críticos:

- Extração Excessiva: A quantidade de água bombeada é muito superior à capacidade de reposição da chuva. Em áreas como Ribeirão Preto (SP), por exemplo, já foi retirada até 30 vezes mais água do que o volume que o sistema consegue reabastecer.

- Emergência Climática: Pesquisas lideradas pela USP e INPE apontam que mudanças climáticas severas podem reduzir a recarga natural de aquíferos brasileiros até o ano 2100. A irregularidade das chuvas e o aumento das temperaturas diminuem a taxa de infiltração da água no solo.

- Lentidão na Recarga: Grande parte da água subterrânea é "fóssil" e pode levar de centenas a milhares de anos para percorrer desde as áreas de afloramento até os poços de captação.

- Impacto nas Populações: Estima-se que os aquíferos abasteçam cerca de milhões de pessoas no Brasil. O rebaixamento do nível do aquífero encarece a captação e força o aprofundamento ou a desativação de poços.

Para evitar o colapso, especialistas defendem o monitoramento rigoroso das extrações. Você pode acompanhar a evolução desses estudos e as diretrizes de preservação nos artigos divulgados pelo Jornal da USP. Para entender os impactos a longo prazo, confira os relatórios e análises disponíveis na CNN Brasil e na Revista Pesquisa Fapesp.

Outubro 25, 2024 — Mudanças climáticas podem reduzir recarga de aquíferos.

Agosto 19, 2025 — Águas subterrâneas são aquelas que se acumulam abaixo da superfície terrestre, em formações geológicas chamadas aquíferos.

Maio 29, 2024 — O Estado de São Paulo é responsável por 80% das extrações do Aquífero Guarani.

O nível do Aquífero Guarani está diminuindo, e estudos apontam que o volume retirado para consumo humano e agropecuário supera a capacidade de reposição natural. Embora parte dessa redução climática esteja associada à perda de cobertura vegetal na Amazônia, as áreas de recarga do aquífero também sofrem com a diminuição das chuvas e o aumento da evaporação.

Para compreender a fundo essa dinâmica, veja os impactos que ameaçam o reservatório subterrâneo:

- Queda de pressão: O rebaixamento do nível da água subterrânea já atinge metros em algumas regiões, especialmente no interior de São Paulo, onde a extração é mais intensa.

- Recarga insuficiente: Pesquisas mostram que a chuva concentrada escoa mais na superfície e infiltra muito menos no solo do que o necessário para repor o estoque.

- Fator Amazônico: A redução das chuvas no Centro-Oeste e o prolongamento da estação seca na Amazônia impactam o transporte de umidade regional, agravando o déficit hídrico.

O entendimento do ciclo hidrológico e a preservação dessas reservas são temas de grande debate regional e global. Você pode verificar os dados destas pesquisas nos links abaixo:

- Leia sobre as pesquisas de mudanças nas chuvas na região amazônica no artigo da Agência FAPESP.

- Acompanhe as análises sobre o risco de rebaixamento dos níveis subterrâneos na cobertura da Forbes Brasil.

- Entenda a exposição da biodiversidade e do clima tropical no portal The Conversation.

O PANTANAL PODE SECAR E VIRAR DESERTO?

Sim. O Pantanal corre o risco de perder suas características originais e passar por um processo de desertificação caso o ciclo severo de secas e queimadas continue avançando. O bioma enfrenta reduções drásticas nos níveis de água a cada década, afetando sua capacidade de inundação e regeneração.

Conforme dados recentes do MAPA BIOMAS, entre 1980 e 2024, “o Pantanal é o bioma que mais perdeu superfície de água em relação à média histórica: 61%”, razão pela qual a hipótese de que o Pantanal, caso esta trajetória não seja alterada, corre o risco de secar é altamente provável.

O risco da desertificação

Especialistas apontam que as repetidas crises hídricas e o calor extremo estão empurrando o Pantanal para o chamado "ponto de não retorno", inviabilizando todas as atividades produtivas e até mesmo a permanência dos aglomerados humanos em seu território.

- Redução da área alagada: As superfícies permanentemente alagadas chegaram a registrar quedas de até 75% em um período de 40 anos, tornando o solo extremamente seco e suscetível ao fogo.

- Savana ou deserto: A destruição da cobertura vegetal, aliada à degradação ambiental nas cabeceiras dos rios (incluindo biomas vizinhos), diminui drasticamente a quantidade de água que chega à planície. Se o pulso de inundação for perdido, a região tende a se transformar em uma savana (semelhante ao Cerrado) ou, em cenários mais extremos de degradação, avançar para uma área de desertificação.

A rápida expansão e a gravidade dessa situação no Brasil são discutidas em detalhes e documentadas pelos seguintes artigos:

Em meio a incêndios, desertificação avança no Pantanal, diz biólogo.

O grande deserto brasileiro criado pelo agronegócio.

Impacto das mudanças climáticas globais

As alterações no clima e o aquecimento global estão encurtando os períodos de chuva e aumentando as temperaturas médias, o que desequilibra o ritmo natural de cheias e secas. A preocupação com essas alterações em áreas secas e ecossistemas do país é abordada no estudo:

- Aquecimento global faz surgir primeira zona árida e expande clima semiárido e áreas secas no Brasil.

Por que o bioma está secando

A ameaça não vem apenas do que acontece dentro da planície pantaneira, mas também dos fatores climáticos externos. Para compreender melhor a conexão entre o desmatamento, o ciclo de chuvas e o risco ao bioma, assista aos vídeos abaixo:

Para entender como a degradação do Cerrado e a alteração dos 'rios voadores' da Amazônia contribuem para a escassez de água no Pantanal, veja este vídeo: https://www.youtube.com/shorts/vv4REm-Y6K4?feature=share



*Juacy da Silva, professor fundador, titular, aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, ativista social e articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro Oeste.
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Segunda, 18 Maio 2026 17:53

 

 

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Juacy da Silva*

 

“A humanidade depende da terra. No entanto, em todo o mundo, um coquetel tóxico de poluição, caos climático e dizimação da biodiversidade está transformando terras saudáveis em desertos e ecossistemas prósperos em zonas mortas. Eles estão aniquilando florestas e pastagens, e minando a força da terra para apoiar ecossistemas, agricultura e comunidades.” António Guterres, Secretário-Geral da ONU, mensagem por ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente, 05/06/2024.

“Não existe desenvolvimento sem cuidado com o meio ambiente”, frase atribuída a Chico Mendes, seringueiro, sindicalista e ativista ambiental brasileiro, assassinado por defender o meio ambiente e as florestas na Amazônia.

Li, há poucos dias, um artigo escrito pela médica Natasha Lhessarenko, pré-candidata a Governadora de MT, pelo PSD, com apoio da Frente Brasil Esperança (PT, PcdoB e PV), mais PSB e PDT, ou seja, partidos de Centro/Esquerda, sobre a viagem/caravana, juntamente com o ex-ministro e senador Fávaro, candidato à reeleição, feita à Região do Araguaia, considerada, há décadas, como “Vale dos Esquecidos”, tendo visitado 18 municípios, onde aborda vários assuntos, e o mesmo tem acontecido nas andanças dela por outras regiões do Estado de Mato Grosso.

Tem sido sempre corriqueiro que candidatos concentrem seus diagnósticos da realidade e suas propostas de ações governamentais em algumas áreas que, secularmente, têm se transformado nos grandes desafios para todas as gestões públicas, em todos os níveis: federal, estaduais e municipais.

São os problemas relacionados com a saúde pública sucateada, a ausência de uma educação pública de qualidade e socialmente referenciada; a insegurança pública e as várias formas de violência, principalmente a presença do crime organizado dominando territórios, pela ausência dos poderes públicos e infiltrando-se nas estruturas públicas; o drama da falta de moradia digna para a população pobre e classe média baixa; os problemas relacionados com a falta de oportunidade/trabalho digno e salário justo; e os desafios de uma administração pública distante dos cidadãos e contribuintes.

Mas, além desses desafios, não podemos esquecer o maior de todos os problemas, que é a crise climática, suas causas e consequências, ou seja, os desafios socioambientais, como fundamento para as demais políticas públicas, seguindo as exortações de cientistas e líderes do escopo de Chico Mendes, António Guterres, dos Papas Francisco e Leão XIV e outros mais.

Voltando ao artigo da médica Natasha, pré-candidata a Governadora de Mato Grosso, não podemos nos esquecer, também, que além da Região do Araguaia, o modelo de desenvolvimento seguido por governantes nas últimas décadas em Mato Grosso tem contribuído para que outras regiões também tenham se transformado em territórios esquecidos pelo Governo do Estado, como a Região Oeste/Grande Cáceres e, principalmente, a Baixada Cuiabana e o Pantanal.

Em relação à pré-candidata Natasha, apesar de seu empenho em favor de mudança de rumo na gestão pública do Estado, não tenho encontrado em seus pronunciamentos referências ou propostas de ação governamental, caso seja eleita, para realmente enfrentar os graves desafios socioambientais e ecológicos que Mato Grosso tem diante de si.

O mesmo pode-se dizer de todos os demais candidatos e candidatas, que pecam por ignorarem os desafios ambientais/ecológicos e outros de natureza estrutural que acabam criando dois Estados: um para os ricos e poderosos e outro para os pobres, excluídos e uma tímida classe média empobrecida.

Entre esses desafios/problemas podemos mencionar ou destacar a degradação e destruição dos Biomas Cerrado, Pantanal e Pré-Amazônia e sua rica biodiversidade; as questões e conflitos fundiários urbanos e rurais, principalmente em relação às terras e territórios indígenas; a grave questão da mineração e garimpos ilegais; a degradação de extensas áreas de solos; a destruição de nascentes; o uso abusivo de agrotóxicos que afetam os trabalhadores rurais, as populações no entorno das grandes áreas de cultivo que usam agrotóxicos até com drones e aviação agrícola, que também afetam a saúde dos consumidores; o desmatamento e as queimadas; outros desafios ambientais, como as PCHs que estão privatizando nossos rios, afetando a população ribeirinha e agricultores familiares e degradando o meio ambiente, principalmente o Pantanal, que corre sério risco de desaparecer, tornando-se uma região sem vida e sem atividades econômicas.

De forma semelhante, também precisamos pontuar os problemas ambientais urbanos, como degradação dos rios e córregos urbanos, transformados em verdadeiros esgotos a céu aberto, como ocorre com o Rio Cuiabá, seus afluentes e demais cursos d’água em todos os centros urbanos do Estado; a precariedade do saneamento básico; a falta de arborização urbana, principalmente na Grande Cuiabá, o maior aglomerado urbano do Estado, com mais de um milhão de habitantes, que a cada dia tem mais pavimentação e menos áreas arborizadas; as ondas de calor extremo; a questão da poluição urbana e a qualidade do ar. Enfim, parece que os desafios ambientais e ecológicos não estão presentes no diagnóstico da realidade de MT elaborado pelos candidatos tanto ao cargo de Governador quanto de parlamentares federais (Senadores e Deputados Federais) e deputados estaduais e, daí, não existem propostas concretas de ação governamental e/ou de legislação pertinente a esses desafios, a nível do Estado, seja do Poder Executivo, seja do Poder Legislativo.

Em relação aos demais candidatos, que fazem parte da vertente ou espectro ideológico da Direita, do Centrão ou Extrema Direita, tudo isso é mais do que verdadeiro, tendo em vista que representam, sem exceção, o mesmo modelo de desenvolvimento elitista, concentrador de renda, riqueza e propriedade, razão pela qual Mato Grosso tem índices de crescimento econômico que fazem “inveja” à China, à Índia e outros países mundo afora, mas tem deixado um rastro de destruição e um passivo socioambiental/ecológico imenso, impagável, além de um grande contingente de pobreza, exclusão, injustiça social e violência.

A degradação ambiental, a destruição dos Biomas e Ecossistemas afetam, de uma forma mais intensa, diretamente as camadas marginalizadas, os pobres e excluídos, daí ser necessário, imperativo, que os candidatos, principalmente a Governador/Governadora de Mato Grosso, digam aos eleitores quais são suas propostas concretas ou seus “famosos” Planos de Governo, mesmo que saibamos que tais planos, na maioria dos casos, são apenas letra morta, como se diz, “para inglês ver”.

Mas nem por isso as candidatas/os candidatos podem se omitir de, pelo menos, se pronunciarem sobre tais desafios e falarem sobre suas propostas para o enfrentamento desses problemas e desafios. Isto é o mínimo que os eleitores, as eleitoras e também os contribuintes têm o direito de ficar sabendo e, aí, poderem decidir, livremente, em quem votar de forma consciente, ao se dirigirem às urnas eletrônicas.

Esses são alguns dos pontos que ambientalistas e defensores da ecologia, dos direitos humanos e de um desenvolvimento integral e integrado, voltados ao bem comum e não apenas para as elites e os “donos do poder”, como tem sido até hoje em Mato Grosso e nos demais estados.

Por isso, gostaríamos e esperamos que todos os candidatos e candidatas levem em consideração esses aspectos em suas campanhas eleitorais, ao “dialogarem” com o povo, principalmente aqueles que pretendem romper com este modelo elitista de desenvolvimento para poucos, que vigora em Mato Grosso há muitas décadas, seja superado.

Muitos candidatos, principalmente os que fizeram parte do Governo do Estado desde 2019 e que defendem este modelo elitista e excludente, início da gestão Mauro Mendes, terão dificuldade em explicar para o povo como um Estado com tantos problemas socioambientais e de desigualdades sociais e econômicas, e também desigualdades setoriais e regionais, abriu mão de arrecadar, entre 2019 e 2026, a importância de 69,6 bilhões de reais, a título de “renúncia fiscal”, incluindo as estimativas até final de 2026, beneficiando apenas alguns setores e grupos econômicos poderosos em detrimento da população que mais precisa.

Conforme notícia veiculada no site Midia News em 30/09/2025, “Auditoria do TCE-MT aponta concentração dos incentivos fiscais em poucas empresas e regiões mais ricas e revela que esses incentivos fiscais não contribuem para reduzir desigualdades”.

Com certeza, esses incentivos também não contribuíram e nem contribuem para o enfrentamento aos desafios socioambientais, nem com a falta de recursos orçamentários para a educação, para a saúde, moradia popular digna e outras áreas importantes para a melhoria da qualidade de vida da população.

A conclusão do conselheiro do TCE/MT, Antônio Joaquim, é bem “cristalina”, muito bem sentida e percebida pela população, quando disse: “O primeiro e principal achado desta auditoria, em minha avaliação, trata-se da constatação de que as políticas de incentivos fiscais e a aplicação dos recursos dos Fundos Especiais não têm contribuído para a redução das desigualdades regionais em Mato Grosso”.

Diante de tudo isso, é fundamental não apenas uma renovação ampla e geral das “elites” governantes, tanto no plano federal, principalmente no Congresso Nacional, cuja avaliação divulgada recentemente ocupa o último lugar entre diversas instituições públicas avaliadas.

Esta renovação é necessária também nos estados, incluindo, também, uma nova forma que transforme, realmente, como a gestão pública vem sendo realizada, muito distante dos anseios, necessidades e aspirações do povo. Tudo isso precisa mudar, daí a importância do voto consciente, livre e responsável.

Lembrando sempre que voto não é mercadoria para ser comprado e vendido.

Está bem claro que precisamos romper, com urgência, este círculo vicioso em Mato Grosso e outros estados, onde governantes e candidatos, no período eleitoral, aproximam-se do povão, principalmente dos pobres e excluídos, e depois de eleitos governam para os ricos e poderosos. É fundamental uma mudança radical para inaugurarmos um novo tempo em nosso Estado e no Brasil.

 

Este é o significado, o sentido e o alcance dessas próximas eleições gerais de outubro de 2026.

 

*Juacy da Silva, professor fundador, titular, aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, ativista social e articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro Oeste.
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Quarta, 13 Maio 2026 14:20

 

 

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Juacy da Silva*

 

“Muitas coisas devem reajustar o próprio rumo, mas, antes de tudo, é a humanidade que precisa mudar. Falta a consciência duma origem comum, duma recíproca pertença e dum futuro partilhado por todos. Esta consciência basilar permitiria o desenvolvimento de novas convicções, atitudes e estilos de vida. Surge, assim, um grande desafio cultural, espiritual e educativo que implicará longos processos de regeneração”. Papa Francisco, Encíclica Laudato Si', Vaticano, 2015.

“Já se passaram oito anos desde a publicação da carta encíclica Laudato Si, quando quis partilhar com todos vós, irmãs e irmãos do nosso maltratado planeta, a minha profunda preocupação pelo cuidado da nossa casa comum. Mas, com o passar do tempo, dou-me conta de que não estamos a reagir de modo satisfatório, pois este mundo que nos acolhe está-se esboroando e talvez aproximando-se dum ponto de ruptura. Independentemente desta possibilidade, não há dúvida de que o impacto da mudança climática prejudicará cada vez mais a vida de muitas pessoas e famílias. Sentiremos os seus efeitos em termos de saúde, emprego, acesso aos recursos, habitação, migrações forçadas e noutros âmbitos”. Papa Francisco, 04/10/2023, na Exortação Laudate Deum, mensagem endereçada aos participantes da COP 28.

Promover uma educação ambiental radical envolve ir além de ações superficiais de reciclagem ou outras práticas de natureza mitigadora, mas sim ações com o objetivo de uma transformação mais profunda, focando nos comportamentos, nas atitudes, na mentalidade, nos valores, nos estilos de vida e, também ou principalmente, nas estruturas culturais, sociais, econômicas e políticas para enfrentar a crise ecológica, a cada dia mais grave, com consequências mais trágicas.

Por isso, também o Papa Leão XIV tem insistido que é preciso mudar as estruturas que geram a pobreza e a degradação ecológica e tem condenado o que seu antecessor (Papa Francisco) insistia dizendo tanto na “economia que mata”.

Neste sentido, a educação ambiental radical aproxima-se ou até mesmo passa a ser instrumento de “Conversão Ecológica”, mencionada e enfatizada pelo Papa Francisco na Encíclica Laudato Si'.

A conversão ecológica na Encíclica “Laudato Si”, prestes a completar onze anos de publicação no dia 24 deste mês de maio de 2026, é um chamado para uma transformação profunda nos corações, mentes, atitudes, comportamentos, enfim, no estilo de vida e nos sistemas econômicos que não respeitam a natureza, reconhecendo nossa contribuição para a crise socioambiental.

Não é apenas uma mudança técnica ou tecnológica, o chamado paradigma tecnocrático, mas um compromisso cristão mais profundo, de amor e da cidadania ecológica para um melhor cuidado com a “casa comum”, superando o consumismo, o desperdício, a degradação do planeta e a nossa indiferença diante da crise socioambiental e climática que estamos presenciando e sofrendo suas consequências.

Isso implica uma abordagem pedagógica, social, cultural, econômica, política e ética que questione os modelos, modos de produção e as relações de trabalho e de consumo/consumismo atuais.

Neste contexto, tanto os conceitos de conversão ecológica quanto os de educação ambiental/ecológica radical ou libertadora aproximam-se de dois outros conceitos tão enfatizados pelo Papa Francisco: economia da morte e economia da vida (Economia de Francisco e Clara).

Antes, porém, é fundamental identificarmos alguns aspectos importantes do conceito de conversão ecológica, entre os quais podemos mencionar: integração espiritual e ética, pois a conversão ecológica exige uma revisão profunda do estilo de vida, entendendo que o cuidado com o meio ambiente, com a natureza, é inseparável da dignidade humana, da justiça social, da justiça climática e dos direitos humanos e dos direitos das futuras gerações (justiça intergeracional).

Da mesma forma, é importante e fundamental termos em mente a dimensão da interconexão ou interligação entre todas as dimensões do viver humano e das relações entre natureza e humanidade, daí a ênfase de que “tudo está interligado”: fatores físicos, químicos, biológicos, sociais, políticos, econômicos e culturais. A degradação ambiental reflete também a degradação humana e as estruturas do pecado ecológico.

Outro aspecto a ser considerado é que precisamos, de fato, de uma grande mudança de paradigmas e, neste sentido, é imperioso rejeitar o paradigma tecnocrático e antropocêntrico, adotando uma “ecologia integral” que valoriza cada criatura e prioriza os mais frágeis, tendo sempre presente que “o gemido da terra” é também o gemido e grito dos pobres, excluídos e injustiçados.

Além disso, as ações concretas decorrentes de uma conversão ecológica precisam reconhecer a “dívida ecológica” de gerações e países e adotar comportamentos e ações solidárias, reparadoras, de responsabilidades coletivas nacionais e internacionais.

Feito isto, estaremos em condições de promover uma educação ambiental ou ecológica radical e libertadora, tanto nas residências e escolas, nas Igrejas, quanto em outros espaços, como nas comunidades, nos locais de trabalho, nas organizações públicas, privadas e não governamentais.

Os países ricos não podem continuar poluindo e destruindo o planeta impunemente e, em todos os países, é preciso definir responsabilidades em relação aos crimes ambientais/pecados ecológicos.

É neste contexto que emerge/surge a educação ambiental crítica e libertadora, ampliando e aprofundando o diálogo em relação...

Vejamos, por exemplo, algumas formas de promovermos uma educação ambiental/ecológica radical e libertadora em relação ao que está acontecendo com o planeta, a partir de cada território concretamente definido.

A primeira delas é a ênfase na importância e necessidade de uma transformação profunda, radical, de estilos de vida responsáveis pela degradação ambiental, pela destruição da natureza, da biodiversidade, combatendo os sistemas econômicos que não respeitam os “limites do planeta”, nem “nosso futuro comum”, e são orientados apenas por um imediatismo visando o lucro fácil, pouco se importando com a herança socioambiental a ser deixada para as futuras gerações, além das consequências já presentes na atualidade.

Esta é uma ação que visa despertar a consciência ambiental/ecológica em diferentes públicos e motivar as pessoas a promoverem mobilizações em busca da definição de políticas públicas tanto nas dimensões reparadoras quanto mitigadoras e também para a conservação e proteção dos biomas e ecossistemas.

Paralelamente a este despertar ecológico, através de um processo de mobilização coletiva, não podemos também ignorar a importância e o papel de ações de adaptação mitigadoras, tanto individuais quanto coletivas.

Essas são ações e mobilizações para combater o consumismo, os plásticos, o desperdício, todas as formas de degradação ambiental, a geração de lixo/resíduos sólidos, enfim, as diferentes formas de poluição do solo, das águas e do ar.

Despertar as pessoas, em todas as faixas etárias, para a necessidade de incentivarmos a economia circular, a reciclagem, a agroecologia, a arborização urbana, a importância das florestas, inclusive das florestas urbanas, a agricultura urbana, hortas domésticas, escolares e comunitárias para a produção orgânica; o incentivo às práticas de economia solidária; o uso de fontes renováveis de energia (incluindo sistemas cooperativos); a importância da moradia digna e o combate ao uso de combustíveis fósseis, responsáveis por 80% das emissões de gases de efeito estufa e que contribuem para a crise climática e suas consequências.

A educação ambiental radical, libertadora, neste sentido, é uma prática revolucionária, mas fundamentalmente de natureza pacífica, porque busca criar novas formas e estilos de vida baseados no respeito à natureza, em defesa da dignidade e dos direitos humanos, na valorização dos saberes tradicionais e ancestrais e na sustentabilidade plena, diferente dos atuais sistemas produtivos que ignoram a importância de uma mudança profunda dos paradigmas que os sustentam, distantes do bem comum e de uma espiritualidade ecológica que reconhece tudo como obras da criação.

Os conflitos que porventura surgem relacionados às questões socioambientais só existem devido à resistência de alguns setores políticos, econômicos e sociais que não reconhecem que só existe um planeta e que os chamados “recursos naturais” não são inesgotáveis e que todas as obras da criação, enfim, o planeta é um bem comum, ou seja, de todos, e não podem estar apenas sujeitos à lógica mercadológica e do lucro a ser acumulado “nas mãos” ou nas contas bancárias de uma minoria privilegiada, em detrimento do direito de todos/todas usufruírem desses bens e serviços produzidos.

A educação ambiental radical e libertadora é o único caminho que nos leva a uma cidadania ecológica plena e transformadora; por isso, vale a pena caminhar nesta direção.

 

*Juacy da Silva, professor fundador, titular, aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, ativista social e articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro Oeste.
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Quinta, 30 Abril 2026 18:10

 

 

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para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
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Juacy da Silva*

 

“A era dos combustíveis fósseis está chegando ao fim. O Sol está nascendo para uma nova era de energias limpas; o fim da era dos combustíveis fósseis está chegando; é imparável; os países que se agarram aos combustíveis fósseis não estão a proteger suas economias, estão a sabotá-las, aumentando os custos, enfraquecendo a energia renovável, que já é mais rentável”. A era do aquecimento global acabou, a era da ebulição global chegou. Basta de queimar nosso futuro”. António Guterres, Secretário-Geral da ONU, em diversos momentos 2024-2025.

A transição energética mundial é um desafio urgente, que não pode ser postergado, tendo em vista o agravamento da crise climática decorrente do aumento da produção e uso de combustíveis fósseis, responsáveis pela emissão de mais de 80% das emissões de gases de efeito estufa, a principal causa da crise climática.

Sem abandonar o uso dos combustíveis fósseis, todas as demais providências ou ações para reduzir o aquecimento global, que provoca a crise climática e suas consequências, tornam-se praticamente de efeitos reduzidos, pois estaríamos agindo apenas sobre os 20% das demais origens/causas, deixando de lado o que, de fato, está destruindo o planeta.

Embora o tema dos combustíveis fósseis fosse abordado timidamente em COPs anteriores, a primeira vez que uma proposta clara e robusta para o fim do uso de todos os combustíveis fósseis ("phase-out") foi colocada em pauta e rejeitada no documento final, gerando grande controvérsia, foi na COP27, em Sharm el-Sheikh, Egito (2022).

Na COP30, em novembro de 2025, em Belém, novamente este assunto foi rejeitado, principalmente pelos países que mais poluem o planeta, que mais emitem gases de efeito estufa decorrentes do uso de combustíveis fósseis, inclusive o Brasil.

A posição do Brasil tem sido extremamente contraditória: de um lado tem um discurso oficial de sustentabilidade e, de outro, tenta “cacifar” a Petrobras, cujo objetivo estratégico é tornar-se a 4ª maior empresa produtora de petróleo e gás natural do planeta.

Para tentar minimizar esta postura contraditória, buscando um equilíbrio entre um discurso de sustentabilidade em relação à Amazônia e a sua matriz energética escudada em fontes de energia sustentável, de outro lado continua explorando e produzindo petróleo a partir do pré-sal e também na exploração na área setentrional da foz do Amazonas.

A chamada “derrota” em Belém, na COP30, deu-se quando, ao final daquela Conferência, o documento final que foi aprovado em 22 de novembro de 2025 omitiu qualquer menção explícita à "eliminação gradual" (phase-out) ou ao "fim dos combustíveis fósseis" (petróleo, carvão e gás natural).

Esta resistência é uma demonstração clara e cabal de que os países que mais poluem e destroem o planeta, principalmente os integrantes do G20, com destaque para os cinco maiores — China, Estados Unidos, Índia, Rússia e União Europeia — e, com exceção da União Europeia, são os que mais resistem e boicotam uma transição energética justa e longe do uso de combustíveis fósseis.

Os relatórios mais recentes de monitoramento de emissões indicam que China, Estados Unidos, Índia, Rússia e União Europeia (UE), juntos, continuam a ser os maiores emissores mundiais, representando coletivamente mais de 60% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE).

Com base em dados preliminares de 2025, os países do G20 continuam a ser os maiores emissores globais de gases de efeito estufa, sendo, portanto, os grandes responsáveis por cerca de 75% a 80% das emissões globais de gases de efeito estufa.

De acordo com dados estatísticos recentes (2025), entre os anos de 2000 até 2025, as emissões de gases de efeito estufa na atmosfera aumentaram em mais de 50%, passando de 25,5 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente para 38,6 bilhões de toneladas.

Em 1972, por ocasião da 1ª Conferência Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, o volume mundial de emissões de gases de efeito estufa foi de 16,2 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente; em 1992, quando da ECO-92, no Rio de Janeiro, passou para 22,7 bilhões de toneladas; em 2015, quando foi aprovado o Acordo de Paris, foi de 35,2 bilhões de toneladas.

A proeminência da presença dos combustíveis fósseis ao longo dos últimos 75 anos pode ser constatada pela participação percentual dos mesmos nas matrizes energética e elétrica mundial. Em 1970, essas fontes representavam em torno de 85% a 90% da matriz energética mundial e, em 2025, continuavam representando 81% da mesma, ou seja, em 75 anos a redução foi de apenas poucos pontos percentuais. Se esta mesma tendência se mantiver, vamos precisar de mais de um século para esta transição e, neste contexto, a temperatura média da Terra deverá exceder 3º ou 4º graus centígrados, inviabilizando todas as formas de vida no planeta, inclusive a vida humana.

O uso das fontes renováveis, como energia solar, eólica, biocombustíveis, hidrelétrica, marés, nuclear e outras, representava apenas 19% da matriz energética mundial em 2025, indicando que, longe de romper com a dependência dos combustíveis fósseis, as energias renováveis ainda não conseguiram representar uma alternativa concreta.

Em torno e em defesa do uso dos combustíveis fósseis existem grandes e poderosos interesses econômicos e grandes “lobbies” que interferem nas estruturas do poder e nas políticas públicas nos diversos países, como é o caso dos subsídios aos combustíveis fósseis.

Com base nos dados mais recentes disponíveis para o início de 2026, os subsídios aos combustíveis fósseis no mundo continuam a atingir níveis recordes globais, superando significativamente os investimentos em energias limpas.

As estimativas indicam que os subsídios globais (incluindo custos ambientais não cobrados) ultrapassaram US$ 7 trilhões em 2024 e mantêm-se nessa escala ou podem superar significativamente este montante em 2026, podendo atingir US$ 7,6 trilhões.

O Brasil também não foge à regra e continua subsidiando o uso de combustíveis fósseis. Em 2023 foram concedidos nada menos do que R$ 80 bilhões como subsídios a este setor, caindo para R$ 47 bilhões em 2024, tendo passado para R$ 49,2 bilhões em 2025.

Em consequência das guerras na Ucrânia e das ações dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, promovendo instabilidade no Oriente Médio, para evitar repercussões econômicas, fiscais e inflacionárias, o governo federal e os estados estão reduzindo impostos sobre combustíveis fósseis, na verdade subsídios diretos e indiretos; o custo dos mesmos em 2026 poderá superar o montante dos subsídios concedidos a este setor em 2015, podendo chegar a mais de R$ 60 bilhões.

Apesar dos sucessivos fracassos de diversos países e organizações não governamentais em “pautarem” uma data limite a partir da qual o mundo abandonaria o uso de combustíveis fósseis, isso não impede que este objetivo seja mantido, principalmente para efeito de mobilização da opinião pública mundial.

Ao longo de vários anos, tendo sido intensificado ultimamente, diversos movimentos ambientalistas, alguns governos e até mesmo organizações internacionais, com apoio da ONU e suas agências, têm realizado fóruns de debates, seminários e outros eventos para despertar a opinião pública mundial em relação à importância e à necessidade de continuar esta luta pelo fim dos combustíveis fósseis, como a maneira mais eficiente, efetiva e eficaz de promovermos uma transição energética justa, segura e necessária.

A transição energética, com a substituição total dos combustíveis fósseis por uma nova matriz energética e também uma nova matriz elétrica mundial, em todos os países, é o único caminho que podemos construir se realmente desejamos cumprir o Acordo de Paris, evitando que a temperatura média do planeta exceda 1,5º ou, no máximo, 2º graus centígrados, acima dos quais os impactos econômicos, sociais, políticos, ecológicos e humanos serão catastróficos.

Há poucos dias (24–29 de abril de 2026) foi realizado um grande evento em Santa Marta, na Colômbia, a “1ª Conferência da Transição pelo Fim dos Combustíveis Fósseis”, com apoio dos governos da Colômbia e da Holanda, outros países e diversas organizações não governamentais que lutam por uma transição energética justa, colocando um ponto final no uso dos combustíveis fósseis.

Apesar do fracasso da COP30 em relação ao fim do uso de combustíveis fósseis, esta histórica conferência, que pela primeira vez consegue reunir os principais atores que propugnam por uma transição energética sem combustíveis fósseis, reconhece a necessidade de implementar uma transição energética nesta dimensão e direção e, ao mesmo tempo, estimular mudanças significativas e mais urgentes.

A transição energética, com abandono total do uso dos combustíveis fósseis, de uma maneira justa, ordenada e planejada, é o único caminho para que todos os países possam entrar em um novo patamar de desenvolvimento, garantindo sustentabilidade, sistemas produtivos baseados em “carbono zero”, respeito ao meio ambiente e, também, garantindo soberania energética, desenvolvimento integral e integrado, justiça climática e justiça intergeracional.

Não existe sustentabilidade ecológica, nem redução das consequências da crise climática enquanto o mundo estiver dependente dos combustíveis fósseis, cuja produção e uso atendem apenas aos interesses de uma minoria e alimentam a chamada “Economia da Morte”, mencionada pelo Papa Francisco ao longo de seu magistério.

Concluindo, gostaria de mencionar que o Papa Leão XIV, seguindo as exortações do Papa Francisco, tem exortado os cristãos em geral, os católicos em particular e fiéis de outras religiões quanto à necessidade de refletirmos mais criticamente em relação aos males causados pelos combustíveis fósseis.

Vejamos o que nos tem exortado Leão XIV: “Os combustíveis fósseis pertencem ao passado; o futuro deve ser alimentado por energia limpa e renovável. A criação está clamando em inundações, secas, tempestades e calor insuportável; somos guardiões da criação, não rivais pelos seus despojos. Já é evidente que a nossa Terra está a cair na ruína, enquanto alguns governos atendem demasiadamente às temerárias e enganosas empresas de combustíveis fósseis”.

Se o mundo continuar extremamente dependente dos combustíveis fósseis como principal fonte de energia, como tem acontecido ao longo dos últimos cem anos, subjugado pelos grandes interesses econômicos nacionais e internacionais, ditando as regras da “economia da morte”, ignorando os “gemidos” da Terra, dos pobres e das futuras gerações, o planeta Terra, “Nossa Casa Comum”, corre um sério risco de não haver um amanhã de sustentabilidade, de paz e justiça.

Este é o sentido, o significado e a esperança da luta pelo fim imediato dos combustíveis fósseis. Cabe a nós este enfrentamento, aqui, agora, a partir de cada território e cada iniciativa!

 

*Juacy da Silva, professor fundador, titular, aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, ativista social e articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro Oeste.
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