Terça, 18 Novembro 2025 16:38

 

 

 

Representantes da diretoria do Sindicato Nacional e das seções sindicais estiveram na Tenda da Educação e na Marcha Global pelo Clima. Fotos: Eline Luz / Imprensa ANDES-SN​​​​​

 

O ANDES-SN marcou presença na Cúpula dos Povos, realizada entre 12 e 16 de novembro, em Belém (PA). Em um contraponto direto ao caráter negocial da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), a atividade foi realizada na Universidade Federal do Pará (UFPA). 

A Cúpula reuniu cerca de 25 mil pessoas credenciadas e lideranças de mais 65 países, reafirmando a força da ancestralidade e da solidariedade internacional contra o modelo colonialista e pela transição socioambiental justa. O encontro popular celebrou a unidade global e o acúmulo de dois anos de construção política, reforçando que a resposta à crise climática brota dos territórios e não dos mercados.

 

 

De acordo com a organização da Cúpula, o evento deixou um legado concreto de economia solidária e combate à fome, com destaque para a Cozinha Solidária. A iniciativa, construída pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPA), Movimento Camponês Popular (MCP), Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE), Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) e outras organizações, serviu entre 9 mil e 12 mil refeições por dia.

 

 

A participação do ANDES-SN na construção e durante a Cúpula dos Povos foi uma deliberação do 43º Congresso do Sindicato Nacional, realizado no início deste ano em Vitória (ES). “Gostaria de registrar o acerto da decisão do congresso de estarmos na Cúpula dos Povos, uma participação protagonizada pelo ANDES-SN a partir da Regional Norte 2, especialmente pela Adufpa SSind., Sindufopa SSind. e Sindiuepa SSind., mas também com o Sinasefe, por meio do Sinteff e o Sinditifes, além dos estudantes indígenas da Apyeufpa”, afirmou Marcelo Barreira, 2º vice-presidente da Regional Leste do Sindicato Nacional.

Barqueata


Uma barqueata com mais de 200 embarcações e cerca de 5 mil pessoas marcou a abertura da Cúpula dos Povos, no dia 12. O ANDES-SN esteve presente com uma embarcação com dezenas de docentes. 

 

 

Faixas e cartazes ornamentavam os barcos de grande e pequeno porte, durante o percurso de 7 milhas náuticas, denunciando as contradições da COP 30 e expondo as pautas dos povos, movimentos e entidades. 

A manifestação teve início na Universidade Federal do Pará (UFPA), território da Cúpula dos Povos, e seguiu margeando o rio Guamá - que depois vira rio Guajará - até a Vila da Barca, área de palafitas onde parte da população vive sem qualquer saneamento. 

 

 

Tenda da Educação

Construída pelo ANDES-SN em conjunto com outras entidades do setor da Educação, a Tenda da Educação pautou diversos debates durante os dias de Cúpula dos Povos. Ao longo da programação, foram promovidos debates, atividades culturais e articulações com movimentos do Brasil e de outros países.

Barreira, que também é da coordenação do Grupo de Trabalho de Política Agrária, Urbana e Ambiental (GTPaua) do Sindicato Nacional, contou sobre a experiência de participar das atividades. “Para mim foi uma oportunidade única participar da Tenda da Educação do ANDES-SN, no contexto da Cúpula dos Povos. No âmbito das atividades promovidas, a Tenda da Educação destacou-se como espaço privilegiado de reflexão, canal de visibilização de diversas lutas de estudantes e docentes, além de ser, ela mesma, um espaço de resistência diante da truculência de governos e empresas em seus ataques à educação pública”, disse. 

 

 

Os painéis abordaram temas como “Educação e Luta de Classes diante da crise climática: desafios e enfrentamentos para a contra-hegemonia em territórios amazônicos”; “Capitalismo, conflitos climáticos, civilizatórios e direitos humanos”; “Dimensão geopolítica da Amazônia no coletivo dos povos”; “Futuro e Alternativas para a educação com território e com o clima” e “Conflitos e possibilidades da educação escolar indígena, quilombola e do campo na Amazônia”. 

Os impactos da reforma curricular na educação básica e a formação de professores e professoras e currículo para a Educação antirracista também foram pautados durante os dias de debate. A Tenda da Educação recebeu ainda o painel “Cúpula das infâncias: Justiça climática e bem viver, só com participação de crianças e adolescentes”.

 

 

“O ambiente de diálogo, falas potentes e engajamento coletivo com a justiça climática e a diversidade socioambiental deu o tom das discussões sobre geopolítica, desde a periferia, da periferia, ou seja, de povos da floresta, quilombolas e indígenas, além de comunidades populares situadas fora das capitais e, sobretudo, fora do eixo do capital, seja Nova Iorque e seja a Faria Lima, lugares estes que financiam a invasão e destruição com os grandes projetos e sua consequência destrutiva de territórios e maretórios”, contou Barreira. 

“Junto a essa temática, a realidade da multicampia e a educação superior em contexto de periferia esteve presente ao ser projetado um documentário sobre os desafios no campus de Cametá (UFPA), que exige o deslocamento por barcos e até dificuldades cotidianas, como o conserto de ar-condicionado num estado que tem sofrido mais que outros com o aquecimento global. Para esse fortalecimento na luta internacional pela diversidade e justiça socioambiental contra o capital, cabe destacar a potente manifestação em solidariedade à Palestina no festival Palestina Livre em nossa tenda”, acrescentou o docente.

 

 

Marcha Mundial pelo Clima

Mais de 70 mil pessoas ocuparam as ruas de Belém (PA), no sábado (15) para a Marcha Mundial pelo Clima. Organizada por integrantes da Cúpula dos Povos e da COP das Baixadas, a manifestação teve a participação de representantes de organizações de todos os continentes, de povos tradicionais e das comunidades paraenses.

 

 

Com palavras de ordem, alegorias, faixas, cartazes e muita força coletiva, a marcha saiu do Mercado de São Brás, no centro histórico da capital paraense, e percorreu 4,5 km até a Aldeia Cabana, símbolo de resistência amazônica. Carros de som alternavam entre discursos políticos, ritmos de carimbó e brega, com uma amostra expressiva da diversidade cultural e social do povo amazônida.

Docentes do ANDES-SN caminharam ao lado de indígenas, quilombolas, ribeirinhos, camponeses e manifestantes de todo o mundo, em um protesto que uniu as diversas lutas em defesa dos territórios, da vida e por justiça climática. As e os manifestantes cobravam também decisões efetivas da COP 30 no combate à crise climática.

 

 

“A Marcha Global, realizada no sábado, foi um momento marcante na luta classista por educação pública, cultura e a defesa dos povos e territórios amazônicos. Ante a riqueza de movimentos populares, a presença do ANDES-SN foi essencial para fortalecer o movimento pela educação pública com outros coletivos do movimento estudantil e dos TAEs, ampliando o debate sobre os desafios de estudantes, docentes e trabalhadores da educação contra os parasitas da COP 30”, contou Marcelo Barreira.

Agrotóxico mata!


A Marcha Mundial pelo Clima também denunciou a autorização, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), para o registro de 30 novos agrotóxicos. A decisão foi publicada no dia 11 de novembro, um dia após o início da COP 30 e na véspera da abertura da Cúpula dos Povos. 

 

 

De acordo com Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), dezesseis produtos são classificados em relação ao potencial de periculosidade ambiental como Produto Muito Perigoso ao Meio Ambiente (Classe II), já os demais são considerados Produtos Perigosos ao Meio Ambiente (Classe III). Alguns, inclusive, são proibidos na União Europeia, que adota limites de resíduos extremamente rígidos.

“O Brasil está sediando um dos eventos mais importantes do debate de mudanças climáticas, mas o agronegócio segue dominando as tomadas de decisões internas. Vendemos uma imagem de preocupação com a sustentabilidade, mas seguimos com as torneiras abertas, mantendo a posição de maior mercado de veneno do mundo”, denunciou Jakeline Pivato, integrante da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.

 

 

Encerramento

A Cúpula encerrou sua programação no domingo (16), entregando ao presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, uma carta, construída coletivamente pelos movimentos, organizações e redes envolvidos na organização da Cúpula. 

O documento reforça o compromisso com o internacionalismo popular, a solidariedade entre territórios e a construção de um Movimento Internacional de Atingidas e Atingidos por barragens, crimes socioambientais e impactos da crise climática. Ressalta, ainda, que somente a organização global dos povos poderá enfrentar as estruturas que alimentam desigualdades, violências e o colapso ambiental. “É tempo de avançar com mais unidade e consciência para enfrentar o inimigo comum e defender a vida”, afirma o documento. 

 

 

O 2 vice-presidente da Regional Leste do ANDES-SN pontuou, no entanto, que apesar da riqueza das atividades e da expressiva participação de seções sindicais e docentes, a coordenação política da cúpula dos povos não conseguiu promover o envolvimento efetivo das mil entidades construtoras da cúpula na redação da carta final. “Esse cenário evidencia a necessidade de fortalecer o diálogo e a articulação entre os movimentos sociais para futuras edições e ações conjuntas”, ponderou Barreira.

Confira a carta na íntegra AQUI

 

Fonte: Andes-SN (com informações da Agência Brasil, Cúpula dos Povos e ANA) | Fotos: Eline Luz 
 

Terça, 18 Novembro 2025 11:25

 

 
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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
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Por Danilo de Souza*



 

            Se o domínio dos fluxos naturais (vento e água) representou a consolidação de uma civilização capaz de domesticar para mover a produção com as forças da natureza, a quinta revolução energética dos Sapiens marcou uma ruptura ainda mais profunda. Trata-se da passagem do uso de fontes renováveis de fluxo para a apropriação de estoques de energia acumulados ao longo de milhões de anos. Foi o momento em que a humanidade aprendeu a extrair da crosta terrestre as reservas concentradas de energia fóssil, como carvão, petróleo e gás natural, e, com elas, inaugurou a era industrial e o paradigma do crescimento acelerado.
            Vale lembrar que, até o limiar do século XVIII, a trajetória civilizatória dos Sapiens esteve ancorada em fontes derivadas direta ou indiretamente do sol: biomassa vegetal, tração animal e forças hidráulicas e eólicas. Toda a produção de bens, alimentos e meios de transporte dependia de ciclos naturais de reposição contínua. Essa matriz de fluxos impunha limites físicos claros ao ritmo de expansão das sociedades. A descoberta e a exploração sistemática de estoques subterrâneos, como produtos fossilizados da fotossíntese pretérita, romperam esses limites.

 

MENZEL, Adolph. The Iron Rolling Mill (Modern Cyclopes). 1875. Óleo sobre tela, 158 × 254 cm. Alte Nationalgalerie, Berlim. Disponível em: https://www.smb.museum/en/museums-institutions/alte-nationalgalerie/home/. Acesso em: 8 nov. 2025.

 

            A história da metalurgia sintetiza esse salto. Durante milênios, o trabalho do ferro, do cobre e do bronze esteve restrito à disponibilidade de carvão vegetal, combustível escasso e de difícil transporte. Entretanto, as florestas não conseguiam mais sustentar o apetite das forjas. O carvão mineral e depois o coque permitiram atingir as temperaturas necessárias para alimentar os altos-fornos e multiplicar a produção de ferro e aço. Sem ele, a Revolução Industrial não teria passado de um esboço.
            Nesse sentido, o domínio dos estoques substituiu fontes sazonais e dispersas por uma energia densa, concentrada, contínua e armazenável. Com o carvão vieram as máquinas a vapor, as locomotivas, as minas profundas e as fundições. A termodinâmica emergiu como ciência e tornou-se a linguagem da civilização moderna.
            A alta densidade energética do carvão mineral, sendo de 25 a 30 MJ por quilograma, dez vezes superior à da madeira, proporcionou um salto civilizatório sem precedentes, libertando o trabalho humano dos ritmos naturais e permitindo a produção contínua, independente do sol, do vento ou da água. Na Inglaterra do final do século XVIII, onde se reuniam abundância de carvão, portos acessíveis, capital e inovações técnicas, consolidou-se um novo sistema produtivo que transformou profundamente a sociedade: a industrialização, que não se resume à revolução técnica, marcou o início de uma era em que a energia se tornou autônoma dos ciclos naturais, possibilitando um brutal aumento da produtividade do trabalho.
            De se notar que, durante quase 300 mil anos, a população dos Sapiens manteve-se em níveis reduzidos, crescendo lentamente de algumas dezenas de milhares de indivíduos até alcançar o primeiro bilhão por volta de 1800. Foram centenas de milênios até esse marco inicial. No entanto, em apenas dois séculos, precisamente o período em que a humanidade passou a explorar de forma intensiva os estoques de carvão, petróleo e gás, essa cifra se multiplicou por oito, chegando aos atuais oito bilhões de habitantes. Obviamente, esse salto demográfico não pode ser explicado apenas por avanços médicos, sanitários ou tecnológicos, mas, sobretudo, pela expansão energética proporcionada pelos estoques fósseis. Foi o acesso a essa energia densa e concentrada que permitiu a produção em massa de alimentos, a mecanização da agricultura, o transporte de grandes volumes e a industrialização global. A energia dos estoques ampliou a capacidade humana de transformar matéria, sustentar aglomerações urbanas e organizar sociedades cada vez mais complexas, redefinindo o metabolismo social e biológico dos Sapiens.
            Importa destacar que o século XX ampliou o domínio dos estoques. O petróleo, combustível líquido e versátil, substituiu o carvão e tornou-se a base da civilização moderna. Navios, automóveis e aviões redefiniram o espaço e o tempo, conectando o planeta. A petroquímica, por sua vez, abriu fronteiras na produção de plásticos, fertilizantes e fármacos.
            A energia dos estoques transformou o próprio conceito de riqueza e poder. O capital passou a ser medido por toneladas de carvão e barris de petróleo, enquanto o capitalismo industrial nascia do casamento entre motor e combustível. Como analisa Alfred Crosby (2006), em Children of the Sun: A History of Humanity’s Unappeasable Appetite for Energy, a industrialização representou o momento em que os Sapiens expandiram de forma sem precedentes sua “fome energética”, um impulso civilizatório que, a cada novo estoque explorado, exigia outro ainda maior, tornando o crescimento econômico e populacional dependente da exploração contínua das reservas fósseis do planeta.
            Essa abundância, contudo, teve um preço. Se nas revoluções anteriores a energia era limitada pela natureza, na era dos estoques o limite passou a ser o planeta. A queima massiva de combustíveis fósseis alterou o equilíbrio termodinâmico da atmosfera, elevando a concentração de dióxido de carbono e modificando o clima global. 
            Do ponto de vista social, a quinta revolução energética produziu ambivalências. Libertou parte da humanidade do trabalho físico e multiplicou o conforto, mas também ampliou desigualdades e consolidou economias baseadas na exaustão de recursos finitos. A era que pode ser denominada de capitalismo industrial nasceu ancorada no controle global de energia e matéria. O acesso aos estoques passou a definir o poder das nações e o destino das guerras.
            A industrialização baseada em estoques alterou a relação simbólica dos Sapiens com a natureza. Se antes predominava a ideia de convivência, cultivar, aproveitar, direcionar, agora se consolidou a lógica da extração e do domínio. O subsolo converteu-se em horizonte energético e em metáfora de poder. Extrair passou a significar progresso. 
            Nessa perspectiva, o domínio dos estoques, assim, foi simultaneamente libertador e aprisionante: libertador por romper os limites impostos pelos fluxos naturais; aprisionante por criar uma dependência estrutural de fontes não renováveis, cujas consequências ambientais e sociais são desafiadoras. 
            Hoje, compreendemos que essa revolução inaugurou tanto a era do crescimento exponencial quanto a do risco existencial. A abundância de energia fóssil permitiu avanços científicos e tecnológicos sem precedentes, mas trouxe consigo o desafio de reconstruir o elo entre energia, economia e ecossistema.
 
 
 
OBS: Coluna publicada mensalmente na revista - "O Setor Elétrico".



*Danilo de Souza é professor na FAET/UFMT e pesquisador no NIEPE/FE/UFMT e no Instituto de Energia e Ambiente IEE/USP.

Sexta, 14 Novembro 2025 15:13

 

Mais uma vitória da luta organizada coletiva: após a intervenção direta do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-administrativos em Educação das Instituições Federais de Ensino Superior no Estado de Mato Grosso (Sintuf-MT) e da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adufmat-Ssind), a UFMT determinou que nenhum adicional de insalubridade poderá ser encerrado antes da decisão final dos recursos administrativos, preservando direitos e evitando prejuízos imediatos decorrentes de laudos de risco químico contestados por inconsistências técnicas.

Desde a divulgação dos laudos de insalubridade por risco químico, produzidos por empresa externa contratada, o Sintuf-MT e a Adufmat-Ssind vêm apontando problemas que comprometem a segurança jurídica e a confiabilidade do processo. As entidades identificaram divergências nos resultados dos laudos, uso de equipamentos com calibração vencida, omissão de agentes químicos altamente tóxicos e falhas no cumprimento de etapas previstas no contrato, reforçando a necessidade de revisão completa antes de qualquer medida que impacte a remuneração e a saúde ocupacional.

A demora injustificada na análise do recurso protocolado pelas entidades sindicais em setembro de 2025 agravou ainda mais o cenário, trazendo insegurança aos trabalhadores e afrontando princípios administrativos como eficiência, celeridade e duração razoável do processo. Diante do risco de cortes imediatos sem garantia de validade técnica, o Sintuf-MT cobrou providências urgentes, o que resultou na decisão da Reitoria, em 07/11, de suspender qualquer redução ou corte até a conclusão da análise.

As categorias avaliam que a conquista reafirma o papel dos sindicatos na defesa dos direitos e da dignidade dos servidores da UFMT e continuarão acompanhando o processo e reivindicando rigor técnico, transparência e diálogo democrático para que nenhum direito seja retirado.

Fonte: Assessoria de Comunicação do Sintuf-MT (com edição de Adufmat-Ssind)

Sexta, 14 Novembro 2025 13:49

 

Mais de 5 mil pessoas em cerca de 200 embarcações participaram da barqueata histórica, que marcou a abertura da Cúpula dos Povos de 2025, em Belém (PA), nesta quarta-feira (12). A iniciativa é construída por mais de mil movimentos sociais e organizações populares de todo o mundo, que lutam por justiça climática e denunciam o que chamam de “inércia dos países do Norte Global”. O ANDES-SN esteve presente com uma embarcação com docentes e participa das atividades da Cúpula até domingo (16).


 

 

A Barqueata da Cúpula reuniu caravanas que partiram de outros municípios, estados e países para denunciar falsas soluções climáticas e anunciar que a resposta para um mundo sustentável é o povo das águas, das florestas e das periferias que resiste com suas práticas coletivas, agroecológicas e ancestrais. 

Faixas e cartazes ornamentavam os barcos de grande e pequeno porte, durante o percurso de 7 milhas náuticas, denunciando as contradições da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP 30) e expondo as pautas dos povos, movimentos e entidades. A manifestação teve início na Universidade Federal do Pará (UFPA), território da Cúpula dos Povos, e seguiu margeando o rio Guamá - que depois vira rio Guajará - até a Vila da Barca, área de palafitas onde parte da população vive sem qualquer saneamento. 

 

 

De acordo com nota divulgada pela Cúpula dos Povos, na preparação da cidade de Belém para a COP 30, a Vila da Barca receberia uma estação de tratamento do esgoto, uma maquiagem apenas para compor a paisagem turística. A área tornou-se um exemplo das contradições das conferências que tomam decisões equivocadas, ignorando os mais impactados pelos eventos climáticos extremos. 

“Hoje, teve a abertura da Cúpula dos Povos, um espaço dos movimentos sociais paralelo à COP 30, onde os movimentos sociais demandam por justiça social, que a conta da crise climática não caia sobre os povos indígenas, tradicionais, dos movimentos de direita à terra, enfim, para que a COP 30, de fato, tenha um papel determinante colocando o Brasil no centro da luta pela justiça climática”, contou Annie Hsiou, 3ª vice-presidenta do ANDES-SN que está na atividade. 

A docente ressaltou que há a preocupação com os rumos da COP 30, em relação aos compromissos que serão assumidos pelos governos para diminuir, de fato, a emissão de gases de efeito estufa, compensação de carbono. “Enfim, quanto vai ser investido para isso, qual o orçamento e também qual a preocupação e o orçamento para preservar as comunidades originárias e tradicionais do mundo todo que demandam por justiça climática”, alertou.

 

 

Annie Hsiou lembrou que a categoria docente deliberou no 43º Congresso do Sindicato Nacional, realizado no início deste ano, pela participação na Cúpula dos Povos. “[Decidimos participar], por entender que é a esse espaço de luta que o ANDES-SN deve se somar, junto aos diversos movimentos sociais e segmentos que lutam por justiça climática e pela manutenção e avanço dos direitos socioambientais. Então, é nesse sentido que o Andes está aqui, contribuindo, reforçando e, inclusive, reafirmando o seu compromisso histórico com a classe trabalhadora e com todos os atravessamentos que a classe tem como gênero, raça e etnias”, acrescentou.

Segundo a diretora, a embarcação do ANDES-SN levou cerca de 30 pessoas. Além disso, a Associação Docente da Universidade Federal do Pará (Adufpa Seção Sindical) também esteve presente, e está, com outros movimentos sindicais da educação, na construção da Tenda da Educação na Cúpula, que terá atividades na UFPA. 

“A gente tem uma programação intensa a partir da tarde de hoje. E nessas atividades, junto com outras entidades sindicais que estão construindo a Tenda da Educação, nós vamos fazer as atividades enlaçadas da Cúpula dos Povos. Vamos encerrar nossa participação na Marcha Mundial em Defesa do Clima, no dia 15, e no dia seguinte com a entrega da carta de reivindicações, somando junto com os demais movimentos que constroem a Cúpula dos Povos, no dia 16”, concluiu.

 

 

Tenda da Educação na Cúpula dos Povos

Diversos painéis irão ocorrer nos próximos dias na tenda da Educação, na Cúpula dos Povos. Nesta quarta, ocorrem debates com os temas “Educação e Luta de Classes diante da crise climática: desafios e enfrentamentos para a contra-hegemonia em territórios amazônicos” e “Capitalismo, conflitos climáticos, civilizatórios e direitos humanos”.

Na quinta-feira (13), a primeira mesa abordará “Dimensão geopolítica da Amazônia no coletivo dos povos”. Na sequência, acontecerá a seção pública da Universidade Popular dos Movimentos Sociais. No período da tarde, estão previstas as mesas “Futuro e Alternativas para a educação com território e com o clima” e “Conflitos e possibilidades da educação escolar indígena, quilombola e do campo na Amazônia”. 

 

 

Já na sexta-feira (14), os impactos da reforma curricular na educação básica e a formação de professores e professoras e currículo para a Educação antirracista serão pautados na Tenda. Também acontecerá o painel “Cúpula das infâncias: Justiça climática e bem viver, só com participação de crianças e adolescentes”, seguido de atividade cultural. No final do dia, ocorrerá a plenária final da Cúpula, com a consolidação da declaração dos povos.

No sábado (15), as e os participantes da Tenda da Educação se somam às demais pessoas presentes na Cúpula dos Povos para a Marcha dos Povos pelo Clima, ato unificado por justiça climática e defesa dos territórios. O ato vai sair do Mercado de São Brás e segue por quatro quilômetros, até a sede da organização Aldeia Cabana, no bairro Irituia.

No domingo (16), está prevista audiência pública com a presidência da COP 30, para entrega da carta com a declaração. Apesar da programação oficial encerrar no domingo (16), atividades estão previstas para ocorrer também na próxima semana. Confira aqui a programação oficial.  

 

 

A Cúpula dos Povos é guiada por seis eixos temáticos: Justiça Climática e Reparação; Transição Justa, Popular e Inclusiva; Soberania Alimentar; Direitos Territoriais e das Florestas; Internacionalismo e Solidariedade; e Perspectivas Feministas e dos Povos nos Territórios.

Encontro Regionais NI e NII
Antecedendo a Cúpula dos Povos, as Regionais Norte 1 e Norte 2 do ANDES-SN realizaram um encontro conjunto, na terça-feira (11). Com o tema central “Cúpula dos povos: outra sociabilidade é possível!”, o evento ocorreu na Universidade Federal Rural do Amazonas (UFRA).

Foram debatidas as perspectivas ecossocialistas para um mundo em múltiplas crises; a luta das mulheres amazônidas no movimento sindical; e a luta pelo território e a Amazônia. A atividade foi encerrada com o show musical “Latino Amazônico”, da professora Deia Palheta, da UFRA.

 

 

“Ontem (11), aconteceu o segundo encontro conjunto das regionais Norte 1 e 2, na Universidade Federal Rural, também aqui em Belém. Tivemos três mesas que constituíram o evento, que foi um esquenta para a abertura do dia de hoje (12), da Cúpula dos Povos”, comentou a 3ª vice-presidenta do ANDES-SN.

 

Fonte: Andes-SN | Fotos: Eline Luz

Sexta, 14 Novembro 2025 12:15

 

 

A Justiça Federal em Mato Grosso determinou o pagamento de valores devidos a 109 docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) representados pela Associação dos Docentes (Adufmat-Ssind), em ação referente à incorporação do reajuste de 3,17% (URV). A decisão, proferida pelo juiz federal Ciro José de Andrade Arapiraca, da 1ª Vara Federal Cível e Agrária da Seção Judiciária de Mato Grosso, publicada no início da última semana.

 

Para a Assessoria Jurídica responsável pelo caso, Faiad Advocacia, caminha para a reta final o processo iniciado há mais de uma década, que discute a forma de aplicação do reajuste de 3,17%, reivindicado em razão das perdas salariais provocadas pela conversão da moeda para a URV - entre setembro de 1997 e dezembro de 2001.

 

Após a análise pericial e das alegações contraditórias apresentadas pela UFMT, o juiz reconheceu que o sindicato agiu corretamente ao solicitar a execução do direito dos docentes, uma vez que os cálculos apresentados se basearam nas fichas financeiras oficiais e nos parâmetros definidos pela sentença original. No entanto, em sua decisão, o próprio magistrado determinou uma readequação dos cálculos, já indicando a expedição das requisições de pagamento (RPVs ou precatórios) em favor dos 109 listados. Vale destacar que esses pagamentos não serão efetuados este ano, apenas em 2026.

 

O juiz também determinou que, se houver comprovação de valores já pagos administrativamente, eles devem ser compensados, garantindo a correção técnica dos cálculos sem prejuízo aos beneficiários.

 

Cabe recurso da decisão, mas a Assessoria Jurídica da Adufmat-Ssind acredita que a UFMT não voltará a recorrer, uma vez que o juiz já reconheceu a justa procedência da demanda e dos cálculos. “A instrução já se encontra suficientemente amadurecida, não havendo elementos novos a justificar a reabertura da fase pericial [...]. A prova pericial foi produzida de forma técnica e detalhada, observando os princípios da legalidade, contraditório e ampla defesa”, afirma Arapiraca em trecho da sentença.

 

A decisão representa mais uma vitória da categoria, consolidando o papel da Adufmat-Ssind na defesa coletiva dos professores da educação superior pública federal.

 

Mais informações podem ser obtidas pessoalmente no sindicato, ou pelos números (65) 9696-9293 e (65) 9686-8732 – somente -, bem como no escritório de advocacia responsável (65) 65) 3623-7044. 

 

ALERTA – O processo dos 3,17%, assim como o dos 28,86%, tem sido objeto de tentativas golpes com frequência, mesmo antes desta decisão, que a assessoria considera definitiva. Por isso, diante das movimentações finais, é importante que a categoria esteja ainda mais atenta.

 

É imprescindível lembrar que nem a Adufmat-Ssind nem os escritórios que assessoram o sindicato entram em contato de forma individual, muito menos solicita informações pessoais ou pagamento de taxas e guias para liberação de recursos - mesmo que utilizem os nomes dos advogados, diretores, funcionários ou logo institucional. Qualquer abordagem nesse sentido será fraudulenta e deve ser imediatamente denunciada ao sindicato e à polícia, por meio de Boletim de Ocorrência.

 

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

 

 

Quarta, 12 Novembro 2025 15:13

 

As seções sindicais do ANDES-SN, que compõem o Setor das Instituições Federais de Ensino (Ifes), decidiram pela não assinatura do Termo de Compromisso nº 01/2025, que trata do reajuste dos benefícios das servidoras e dos servidores públicos federais. A deliberação ocorreu em assembleias docentes realizadas no início de novembro.

A categoria rejeitou a proposta do governo federal, que foi imposta sem reabertura do diálogo com as entidades sindicais e que ignorou o ofício do Fórum das Entidades Nacionais de Servidores Públicos Federais (Fonasefe), enviado em 3 de novembro, sobre a apresentação de uma contraproposta.

“A base, através de assembleias convocadas para serem realizadas nos dias 3 e 4 de novembro, decidiu por não assinar o Termo de Compromisso. Reconhecemos que cada aumento, mesmo nos benefícios, é importante devido ao grau de precarização e endividamento da categoria. Contudo, a política adotada continua desconsiderando aposentadas e aposentados, num nítido ataque à paridade com servidores e servidoras em exercício. Além disso, existem diversos pontos do Acordo de Greve 10/2024 que o governo ainda não cumpriu. Nossa tarefa é continuar a luta contra a PEC 38/2025 [reforma Administrativa], assim como pela efetivação do acordo de greve do ano passado", destaca o presidente do ANDES-SN, Cláudio Mendonça.

O reajuste foi apresentado pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) durante a 12ª reunião da Mesa Nacional de Negociação Permanente (MNNP), em 22 de outubro, para o conjunto das entidades sindicais que compõem o Fonasefe e o Fórum Nacional das Entidades das Carreiras Típicas de Estado (Fonacate).

A proposta do governo foi de reajuste do auxílio-alimentação em 17,5%, a partir da folha de dezembro/2025, e a aplicação, a partir de abril/2026, da diferença correspondente ao IPCA acumulado do período (dezembro/2025 a abril/2026), além do reajuste do auxílio pré-escolar e da assistência à saúde suplementar, conforme variação do IPCA, condicionados à aprovação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa).

Apesar das deliberações do 43º Congresso do ANDES-SN, realizado em janeiro deste ano, e do 68º Conad, que ocorreu em julho último, que reafirmaram a defesa da equiparação de benefícios entre os três poderes - Executivo, Legislativo e Judiciário - e da paridade entre servidoras e servidores em exercício e aposentadas e aposentados, a circular 493/2025, encaminhada pelo ANDES-SN em 6 de novembro, ressaltou que a diretoria avaliou ser importante que as seções sindicais realizassem consulta às bases sobre a proposta apresentada pelo governo em 22 de outubro, dada a necessidade de construir um posicionamento a ser discutido em conjunto com as entidades que compõem o Fonasefe. 

“Cabe destacar que, em 3 de novembro de 2025, o Fórum protocolou ofício junto ao MGI, apresentando crítica ao modelo de imposição da proposta levado a cabo pelo governo, solicitando prazo para que se fizesse adequada consulta às bases das entidades e para que se acumulasse sobre a possibilidade de apresentação de contraproposta”, informou o documento.

 

Luta contra Reforma Administrativa e pelo cumprimento do Acordo 10/2024


A categoria seguirá, em conjunto com o movimento sindical dos serviços públicos, combatend
o a PEC nº 38/2025 e exigindo posicionamento público, do governo federal, contrário à reforma Administrativa. As assembleias também debateram sobre outras lutas da atualidade, como o “Revogaço”, as perdas salariais históricas, a regulamentação da Convenção 151 da OIT e o combate a medidas antissindicais no serviço público, especialmente no que diz respeito ao direito de greve.

“É fundamental dar prosseguimento à luta e intensificar a pressão pelo integral cumprimento Acordo de Greve nº 10/2024, bem como seguir fortalecendo a articulação unitária junto ao Fonasefe, visando, de imediato, não apenas o cumprimento do nosso acordo, mas, dada a necessária solidariedade sindical, também a efetivação dos demais acordos de greve firmados com 52 categorias do funcionalismo público do Executivo Federal ao longo de 2024”, reforçou a circular

Confira a Circular nº 493/2025 na íntegra.

 

Fonte: Andes-SN | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Quarta, 12 Novembro 2025 15:10

 

Direito à Comunicação, desinformação, novas tecnologias de informação, dependência das plataformas digitais, o papel da arte e cultura como ferramentas de luta foram alguns dos temas abordados no VIII Encontro Nacional de Comunicação e Arte do ANDES-SN, realizado de 6 a 9 de novembro, em Niterói (RJ). A atividade refletiu sobre os desafios para a comunicação sindical e ocorreu simultânea ao III Festival de Cultura e Arte do Sindicato Nacional, na Universidade Federal Fluminense (UFF), sob organização da Associação de Docentes da UFF (Aduff Seção Sindical).

 

 

Durante os três dias de evento, os painéis trouxeram ricos e aprofundados debates sobre temas urgentes na pauta da comunicação e como todas as demais lutas e pautas se encontram no direito à comunicação, uma vez que a ausência de uma comunicação plural, diversa, acessível, livre dos oligopólios favorece os discursos hegemônicos que vilipendiam os demais direitos da classe trabalhadora.

Na sexta-feira (7), as e os mais de 50 participantes, entre jornalistas e docentes das mais diversas seções sindicais, acompanharam a mesa “Redes Sociais, desinformação e comunicação sindical”. Já no segundo dia (8), foram temas “Arte, formação crítica e construção das nossas lutas” e “A urgência da regulação das big techs e a luta pelo direito à comunicação”. No último dia (9), o encontro foi encerrado com um debate sobre “Inteligência Artificial, plataformização e mundo do trabalho”. 

 

 

“Toda a programação desse evento foi feita com profunda conexão com o movimento social da área de comunicação. A perspectiva classista impõe que o nosso sindicato construa cada vez mais lutas em conexão com movimentos sociais, que têm tanta amplitude e tanta centralidade”, observou Diego Marques, encarregado de Imprensa e Divulgação do ANDES-SN. 

O diretor do Sindicato Nacional lembrou que o Sindicato Nacional voltou a construir organicamente o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e convidou as seções sindicais a participarem desse espaço. “O FNDC tem atuação nos estados, tem organização estadual, e é muito importante que as nossas seções sindicais possam se engajar no Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação em todos os estados e participar cada vez mais desse debate”, reforçou.

 

 

Diego ressaltou que todas as pautas da categoria docente vão demandar uma disputa de hegemonia e de consciência na sociedade, na qual a luta pelo direito à comunicação, pela democratização da comunicação é muito central. “Essa não é uma pauta que pode continuar sendo secundarizada no nosso sindicato, e por isso fica esse convite da coordenação para a categoria se integrar cada vez mais nessa luta”, afirmou.

III Festival de Cultura e Arte do Sindicato Nacional

Todas as atividades foram intercaladas por apresentações artísticas que compuseram a programação do III Festival de Cultura e Arte do Sindicato Nacional. “Nós tivemos muitos debates interessantes. Acho que no próximo período, nós vamos avançar muito também em algo que é uma demanda, que é a reflexão sobre o lugar da arte nas nossas lutas sindicais”, acrescentou Marques. 

Além das apresentações de samba, com a roda de samba “Terreiro da Vovó”, charme, com o grupo “André Stheel”, as e os participantes puderam assistir e participar de uma batalha de rimas de hip hop com o grupo “Batalha da UFF” (Buff). 

O grupo de teatro “Laboratório Brecht” apresentou cenas da peça “Ambientes de negócio”, ainda em construção, e trouxe, às e aos presentes, uma reflexão sobre os impactos na mineração predatória no meio ambiente e os dez anos do crime da Vale em Mariana (MG). 

 

 

Também foram exibidos o curta “A multicampia nas universidades amazônicas”, produzido pela Associação de Docentes da Universidade Federal do Amazonas (Adua Seção Sindical), e o primeiro episódio da série “Folha Corrida”, que aborda a colaboração operacional e material do grupo Folha à repressão, durante a ditadura militar-empresarial. Segundo a docente da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Flora Daemon, uma das pesquisadoras responsável pela série documental, o material serviu de base para que o Ministério Público Federal abrisse um inquérito contra o grupo Folha. 

 

 

O festival teve ainda a exposição “Arte urbana e imaginário público - o espanto estético mexicano”, da professora Ceane Simões, da Universidade Estadual do Amazonas, com quadros compostos através da técnica de fotografia térmica e colagem. O encerramento do VIII Encontro de Comunicação e Arte e do III Festival de Cultura e Arte se deu com apresentação do grupo Capoeira Brasil, do Mestre Paulinho Sabiá.

Angélica Miranda, vice-presidenta da Associação de Professores da Universidade Federal do Rio Grande (Aprofurg Seção Sindical do ANDES-SN) destacou a importância do debate sobre a arte, reforçando-a como um instrumento de luta contra-hegemônica. “Para a sociedade, a arte é mostrada como entretenimento, na verdade a história a consolida como uma ferramenta de luta política, como forma de comunicação que fortalece as disputas ideológicas. É possível afirmar que a arte e a política entrelaçam-se no contexto sindical, onde a arte fortalece a comunicação e a mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras”, refletiu a docente.

Para ela, a arte permite que ideias e reivindicações ganhem forma visual, ampliando o alcance das mensagens que chegam na sociedade, bem como aos sindicalizados e às sindicalizadas. “A arte como instrumento de luta, promove a união e denuncia as injustiças e opressões, torna-se assim, um instrumento para fortalecer lutas e conquistas coletivas”, afirmou.

Oficinas


Além das atividades artísticas e dos painéis de debates, as e os docentes e profissionais de comunicação se dividiram e participaram em duas das quatro oficinas oferecidas no evento. Técnicas de vídeo, da concepção à edição, produção de vídeo documentário, audiodescrição para as redes sociais e teatro do oprimido garantiram também, a possibilidade momentos de aprendizagem e troca entre as e os participantes. 

Sabrina de Ramos, que atua como analista de mídias na Associação de Professores da Universidade Federal do Paraná (Apufpr Seção Sindical), avaliou a experiência como bastante produtiva. “As contribuições dos painéis e oficinas desempenham um papel formativo para nós, profissionais da comunicação. Participei das oficinas de vídeo e audiodescrição para redes, que serão muito bem aproveitadas para aprimorar os nossos meios de comunicação na Apufpr SSind.”, disse. 

 

 

A jornalista ressaltou ainda a importância da convivência com profissionais de outras seções sindicais e do Sindicato Nacional. “O encontro foi uma ótima oportunidade para criar vínculos e trocas com jornalistas das outras associações docentes. Foi muito bom ouvir os colegas da área e descobrir como produzem em cada seção. Isso tudo é bem importante para o fortalecimento e unidade da equipe e da comunicação da entidade sindical”, concluiu.

 O Encarregado de Imprensa e Divulgação do ANDES-SN também reforçou que a riqueza e relevância das atividades, que, além de importantes reflexões, trouxeram tarefas para a entidade no próximo período. “Foram três dias de muito afeto, muitas trocas e debates importantíssimos. Tivemos a oportunidade, por exemplo, de acumular sobre algumas das tarefas mais cruciais do nosso tempo. Pensamos sobre a necessidade urgente de regular as grandes corporações digitais, sobre os desafios colocados pela emergência da inteligência artificial, inclusive no que se refere ao avanço da plataformização da educação e as complexidades da incorporação da inteligência artificial nas salas de aula”, avaliou.

“Pudemos também ter um debate riquíssimo sobre o lugar da arte e da cultura, não apenas no nosso sindicato, mas também nas nossas universidades e no conjunto da sociedade. Saímos desse encontro fortalecidos e fortalecidas, com a certeza de que a comunicação e a arte desempenham um papel fundamental nas lutas do nosso sindicato e do conjunto da classe trabalhadora”, concluiu.

 

Fonte: Andes-SN | Fotos: Eline Luz

Terça, 11 Novembro 2025 16:33

 

A Câmara dos Deputados aprovou, na última quarta-feira (5), por 317 votos favoráveis e 11 contrários, o Projeto de Decreto Legislativo (PDL 3/2025), que cancela a Resolução 258/2024 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) e dificulta a realização de abortos em crianças e adolescentes vítimas de estupro. O texto ainda precisa ser votado pelo Senado Federal.

De acordo com o Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (Raseam) divulgado este ano, entre 2013 e 2023, mais de 232 mil meninas de até 14 anos tiveram filhos ou filhas. Pela legislação brasileira, relação sexual com meninas de até 14 anos configura estupro de vulnerável. Apenas em 2023, foram registrados 13.934 casos em que essas meninas engravidaram e pariram.

O ANDES-SN repudia a aprovação do PDL 3/2025, chamado de PDL da Pedofilia e do Estupro, e destaca que, no Brasil, mais de 68% dos responsáveis por estupros de crianças até 9 anos são familiares. O último censo registrou que no Brasil existem 34 mil crianças e adolescentes de até 14 anos vivendo em uniões conjugais.

“Para nós, do ANDES-SN, a violência contra crianças e adolescentes é uma brutal marca, que nos últimos anos, com a ascensão da extrema direita, tem sido intensificada. Tal setor reacionário, no âmbito educacional, é impulsionador da agenda da Escola com Mordaça, que, em nome de um combater a “ideologia de gênero”, contribui de forma decisiva para reforçar a verdadeira ideologia de gênero, que está intimamente ligada a uma cultura machista e misógina. Ao combater a educação sexual na escola, reforçam a cultura do estupro”, afirma o Sindicato Nacional em nota.

Atualmente, o aborto é reconhecido no Brasil para casos de risco à vida da gestante, estupro e anencefalia do feto. “Por mais restritiva que seja essa legislação, ainda aquém da reivindicação dos movimentos feministas sobre o controle de seus corpos, meninas e adolescentes têm sido vítimas de uma dupla violência com exposição e estabelecimento de dificuldades institucionais, via CFM (Conselho Federal de Medicina), que reforçam a cultura do estupro, a não responsabilização dos estupradores e a responsabilização nas vítimas”, avalia o ANDES-SN.

O Sindicato Nacional reforça a necessidade dos movimentos sociais se organizarem em torno do tema e pressionarem para que o Senado Federal rejeite, de forma unânime e rápida, o PDL da Pedofilia e do Estupro. Nesta terça-feira (11), atos estão previstos em diversas capitais e outras cidades do país, para protestar contra a medida e cobrar a rejeição do projeto pelo Senado.

Confira a nota na íntegra.

 

Fonte: Andes-SN

Segunda, 10 Novembro 2025 15:23

 

A Adufmat-Ssind informa que as fotos do Baile dos Professores 2025 já estão disponíveis para visualização. O evento, realizado este no dia 24/10, no Hotel Fazenda MT, celebrou a união e a valorização da categoria, reunindo docentes em uma noite de confraternização marcada por alegria, reencontros e boa música.

Vale lembrar que, em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), as fotos que incluem crianças e adolescentes não serão publicadas. Pais e mães que levaram seus filhos ao evento e desejam ter acesso às imagens devem solicitar diretamente ao sindicato pelo e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo., informando o grau de parentesco com a criança.

As fotos são de Donatto Aquino. 

Clique aqui e confira as imagens do Baile dos Professores 2025

 

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

 

Sexta, 07 Novembro 2025 14:35

 

 

O rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, em Mariana (MG), completou dez anos na quarta-feira (5). O crime socioambiental provocou 19 mortes, deixou centenas de desalojados e liberou mais de 50 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração. A lama tóxica devastou comunidades inteiras, contaminou a bacia do Rio Doce e atingiu os litorais do Espírito Santo e da Bahia, com impactos irreversíveis sobre a fauna, a flora e modos de vida tradicionais.
 

Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil

 

Para o professor da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Gustavo Seferian, o desastre-crime da Samarco (Vale S.A. e BHP) foi a maior violência socioambiental já tida na história do país. “Foram 19 vidas humanas ceifadas, das quais, a maior parte de trabalhadores e trabalhadoras da Samarco - terceirizados -, além do assassinato do Rio Doce e das formas de vida que se desenvolviam em seus arredores. Os efeitos de derrama, para usar da expressão de Gudynas, não ficaram adstritos a Mariana, alcançando a larga faixa que outrora se via repleta de vida e resistência entre Minas Gerais e o Espírito Santo. Esta atrocidade é uma das maiores resultantes - junto ao desastre-crime da Vale em Brumadinho (MG), em 2019 - do processo de intensificação extrativista que toma toda nossa Pátria Grande, e que sob vestes ‘progressistas’, ampara o incremento do lucro, a atuação do capital financeiro, a apropriação de riquezas naturais e a exploração da força de trabalho”, denuncia.

Na avaliação do docente, a conta não fecha. “O que se pretende ver revertido em investimentos sociais com a megaextração mineral, de fato, não se dá: a Lei Kandir exime os capitalistas de arrecadar o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e a CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais) não têm controle popular de sua destinação”, critica Seferian. 

O 1º tesoureiro da Regional Leste do ANDES-SN, Adilson Ricardo, concorda que o crime não foi uma fatalidade, mas sim o resultado direto da negligência e da busca incessante por lucro em prejuízo da vida, da segurança e do meio ambiente. “A Vale e as demais mineradoras sabiam dos riscos estruturais da barragem e, ainda assim, optaram por não interromper as operações. A tragédia de Mariana e, poucos anos depois a de Brumadinho, mostram o mesmo padrão da lógica capitalista: mineração predatória considerando a natureza e as pessoas como meros recursos operacionais”, analisa.

Imunidade segue após dez anos 

Uma década depois, nenhum responsável foi condenado. As famílias atingidas continuam enfrentando a negligência dos governos, a lentidão do Judiciário e a impunidade da mineradora. Os reassentamentos de Bento Rodrigues, praticamente soterrados pela lama, Paracatu de Baixo e Gesteira ainda não foram concluídos.

Em 14 de novembro de 2024, a Justiça Federal absolveu todos os réus do processo criminal, incluindo a Samarco. A juíza federal substituta Patrícia Alencar Teixeira de Carvalho argumentou que não havia “provas suficientes para estabelecer a responsabilidade criminal” e que não foi possível identificar “quais condutas individuais contribuíram para o desastre”. O Ministério Público Federal (MPF) recorreu da decisão, mas o recurso ainda aguarda análise.

 

Distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), atingido pelo rompimento de duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco - Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

 

Manifestações marcaram os 10 anos do crime

Um ato em frente à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em Belo Horizonte, marcou a data. A manifestação contou com as presenças do secretário-geral da Presidência, Guilherme Boulos, e da ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo. O protesto seguiu até o Tribunal Regional Federal da 6ª Região e terminou em frente ao Tribunal de Justiça do estado.

Mobilizações ocorreram também em Mariana (MG) e Belém (PA). No local da barragem, uma solenidade relembrou as vítimas e reafirmou a luta por justiça. Já em Belém, às vésperas da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 30), atingidos e atingidas protestaram na sede da mineradora Vale, denunciando a falta de reparação e criticando a impunidade. 

Os manifestantes exigiram reparação integral, punição aos responsáveis e limpeza da bacia hidrográfica, além de políticas públicas que garantam saúde, renda e dignidade às populações afetadas. “Vítimas ainda esperam justiça e a natureza ainda tenta se recompor, enquanto a impunidade segue como a lama que desceu pelo Rio Doce, sujando pela vergonha a história do país. É preciso lembrar, lamentar, responsabilizar e repensar nosso modo de produção e consumo”, destaca o 1º tesoureiro da Regional Leste do Sindicato Nacional.

“Os atingidos e atingidas seguem se organizando em luta, tendo em conta que os pretensos remédios não foram eficazes na promoção de responsabilização da Samarco (Vale e BHP) ou na reparação das vítimas do rompimento da barragem do Fundão. Os pactos e repactuações promovidos pelas empresas e órgãos de Estado se mostram como arremedos a uma situação aviltante, com potencial de repetição e que, oportunística e perversamente foi conduzida pelas mineradoras para majoração de seus lucros e papéis. O contexto que marcamos a efeméride dos 10 anos é particular, tendo em conta a proximidade da realização da COP30, em que o andar de cima estará reunido para costurar novos arranjos para perpetuação desta lógica guiada pelo imperialismo ecológico e pela financeirização da natureza que tem no rastro de destruição expresso pelo caso de Mariana”, afirma o professor Gustavo. 

Seferian lembra a correlação do tema com a atuação sindical. “A Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal (Funpresp) era uma das maiores investidoras da Samarco. A perspectiva de financeirização das atividades extrativistas minerais no nosso país e no mundo é a mesma que assola a tônica de privatização e corrosão dos investimentos sociais, inclusive levando grande parte da renda do Estado a ser destinada a títulos da dívida, e não à atenção de direitos sociais conduzidos por nós, servidores e servidoras”, reprova. 

 

Foto: Corpo de Bombeiros de Minas Gerais

 

MAB cobra cumprimento de compromissos com o governo

Em carta enviada ao presidente Lula, em outubro, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) cobrou o cumprimento integral da Carta Compromisso assinada em 2023. O movimento denuncia que, mesmo após uma década, mais de 200 mil pedidos de reconhecimento de atingidos seguem negados ou ignorados, e diversos territórios continuam excluídos do acordo de repactuação. O MAB também reivindica a regulamentação da Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens (PNAB) e políticas permanentes de reparação e proteção social.


Fonte: Andes-SN