O ANDES-SN divulgou, esta semana, a carta pública “Cientistas brasileiros se manifestam em defesa da democracia e do futuro do Brasil”, que reúne pesquisadoras e pesquisadores, docentes, estudantes, técnicas e técnicos em defesa da democracia, da soberania nacional e do sistema público de educação, ciência e tecnologia. A iniciativa ocorre na semana decisiva do segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Por meio da Circular nº 429/2026, o Sindicato Nacional orienta que as seções sindicais assinem a carta, ampliem a sua divulgação e convoquem a categoria a subscrever o documento, que foi construído por entidades representativas da educação e da ciência no Brasil, entre elas o ANDES-SN.
“Defendemos a Constituição de 1988: o pacto que assegura eleições livres, imprensa sem censura, autonomia universitária, direito de greve, educação, Sistema Único de Saúde e limites ao poder de quem governa. Nenhuma dessas conquistas caiu do céu — cada uma tem uma história, resulta de lutas concretas e foi construída com mobilização e resistência. Por isso nenhum grupo, partido ou família é dono da nação, nem pode monopolizar valores como pátria, família, liberdade e fé, que pertencem a milhões de brasileiros honestos e trabalhadores”, diz um trecho da carta.
O texto também alerta para os riscos do autoritarismo e critica ataques às universidades, à produção científica e às instituições democráticas. As signatárias e os signatários relembram episódios ocorridos na gestão de Jair Bolsonaro (2019-2022), como a desqualificação de dados científicos sobre o desmatamento, a promoção de tratamentos sem eficácia comprovada durante a pandemia de Covid-19, os cortes e bloqueios de recursos para a educação e a ciência e os ataques à credibilidade das urnas eletrônicas. O documento menciona, ainda, os atos de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas.
A defesa da democracia, segundo a carta, está diretamente relacionada à garantia de direitos, ao combate às desigualdades e à valorização dos serviços públicos. O texto destaca a importância da ciência e da tecnologia para o desenvolvimento nacional e para a construção da soberania brasileira. “Nosso compromisso permanece sendo com a democracia, com a população brasileira e com o futuro do país”, aponta o documento.
Leia e assine a carta pública:
Carta dos 10 mil
Fonte: Andes-SN
A essa altura, já não há mais dúvidas de que o bolsonarismo é uma expressão do fascismo à brasileira no século XXI e, como tal, busca se impor pelo pânico moral, medo e intimidação.
Nesta quinta-feira, dia 22 de outubro de 2026, tomamos conhecimento de prints de um grupo de bolsonaristas que, frustrados com o esvaziamento do ato da extrema direita realizado na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) na última semana, e com o levante estudantil em defesa da democracia e contra a extrema-direita que tomou o Brasil, prometeram vir armados à Universidade para intimidar estudantes e professores, colocando a vida da comunidade acadêmica em risco.
Quando se naturaliza o fascismo, ele avança. Nós não iremos nos intimidar, não iremos naturalizar as ameaças e muito menos nos calar diante da escalada de violência autoritária que os fascistas propõem.
A Associação dos Docentes da UFMT (Adufmat-Ssind) sempre lutou pela democracia e pluralidade, desde a ditadura, e vai seguir cumprindo sua missão.
Tomaremos todas as medidas cabíveis para a responsabilização das pessoas envolvidas e clamamos à comunidade acadêmica que tomem as ruas amanhã, dia 23 de outubro, a partir das 16 horas na praça Ipiranga para nosso ato em defesa da educação e da democracia.
Façamos da intervenção popular o freio à ascensão do horror fascista nas urnas e nas ruas!
Mato Grosso, 22 de outubro de 2026
Associação dos Docentes da UFMT (Adufmat-Ssind)
Gestão Adufmat é pra Lutar!
Comunidade também convocou um ato público para a sexta-feira, 23/10, às 16h, na Praça Ipiranga, em Cuiabá
Estudantes, docentes e técnicos administrativos da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) se reuniram em assembleia geral unificada nesta terça-feira, 20/10, no ginásio de esportes da UFMT, para debater e encaminhar ações contra o avanço da extrema-direita, em defesa da democracia e da educação pública.
Durante o debate, dirigentes das entidades representativas das categorias falaram sobre a experiência do Governo Bolsonaro para a Educação e dos riscos de um eventual segundo mandato na mesma perspectiva.
Estavam presentes na mesa a Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o Sindicato dos Trabalhadores Técnicos Administrativos em Educação da UFMT (Sintuf-MT), o Sindicato Nacional dos(as) Servidores(as) Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), a Associação de Pós-graduandos da UFMT (APG-UFMT) e o Diretório Central dos Estudantes (DCE-UFMT), além da União Estadual dos Estudantes (UEE) e da Federação Nacional dos Estudantes do Ensino Técnico (Fenet).
O diretor-geral da Adufmat-Ssind, Breno Santos, abriu a assembleia dando boas-vindas aos presentes. “Gostaria de saudar o conjunto de lutadoras e lutadores que, de forma aguerrida, generosa como o povo brasileiro, hoje se organiza para dar um recado enfático: não aceitaremos ataques à educação, não aceitaremos retrocesso, não aceitaremos ditadura e autoritarismo, e defenderemos, sim, a educação pública gratuita e de qualidade”, pontuou.
Os representantes discentes Rafael Ribeiro, coordenador-geral do DCE, e Layan Moura (UEE) lembraram dos ataques ideológicos às universidades, que ainda continuam ocorrendo por parte da extrema-direita, e que o Governo Bolsonaro foi marcado pelo desmonte da educação. “Nós devemos eleger quem investe na universidade pública, como o Lula”, disse Moura.
Somente no ensino superior, os cortes orçamentários realizados por Bolsonaro entre 2019 e 2022 chegaram a R$ 8 bilhões. Na Educação, em geral, entre cortes de recursos, contingenciamento e cancelamentos destinados ao Ministério da Educação (MEC), a redução ultrapassou R$ 113 bilhões. Além de dizer que seguirá com as políticas realizadas pelo pai, Flávio Bolsonaro propõe retirar as universidades do MEC e inseri-las no Ministério da Ciência e Tecnologia, o que inevitavelmente levará à redução do orçamento que, muito embora o Governo Lula tenha aumentado o aporte nos últimos quatro anos, ainda não voltou ao patamar de 2018 — já era considerado insuficiente.
A coordenadora-geral do Sintuf-MT, Marilin Castro, afirmou que a luta da educação federal, para além de derrotar o fascismo nas ruas, será para reavivar o papel social da universidade. “Nós temos que reacender o papel que essa universidade tem para acabar com o fascismo. A gente vai enterrar o fascismo nesse país. Fascismo aqui não se cria”.
Outras entidades que não fazem parte diretamente da comunidade universitária contribuíram com o debate, destacando, no mesmo sentido, que a tarefa da classe trabalhadora será educar a sociedade para que, nos próximos anos, a ideia de um projeto de sociedade que representa o autoritarismo e ataques aos direitos não consiga repercutir.
Ao final, foi aprovada uma moção de solidariedade a um estudante que está sendo ameaçado por bolsonaristas que entraram na universidade para retirar cartazes e a todos que sofram perseguição por parte da extrema-direita.
O encaminhamento aprovado na assembleia foi: para derrotar o fascismo, defender a educação pública e as liberdades democráticas, a educação federal de Mato Grosso vota Lula 13!
Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
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para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
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Roberto Boaventura da Silva Sá
Dr. em Ciências da Comunicação/USP
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“Me engana que eu gosto”.
Quem nunca ouviu a frase feita acima, que expressa, ou pelo menos expressava, antes de tudo, e de forma subjacente, um tom de ironia, diante de algo sabidamente falso? Em tese, e dentro de qualquer espaço da lógica, ninguém gosta de ser enganado.
Dentro do arcabouço da ironia, em relação ao engano, à mentira, os compositores Marquinhos Satã, Nivaldo Duarte e Serginho do Cavaco, em 1986, compuseram o samba “Me engana que eu gosto”. Nele, dentre diversos relatos, praticamente todos impensáveis, é dito que “...Quem é carioca está satisfeito...// Se é bom o governo, é bom o prefeito// Cidade tranquila como essa não há// O meu capital está sempre sobrando...”. Com ironia, “me engana que eu gosto”, diria qualquer ouvinte que descarta, de chofre, a mentira vista a olhos nus.
Todavia, com o passar do tempo, tenho percebido que a ironia desse enunciado possa estar perdendo a força que jamais deveria perder, pelo menos para um grande contingente de pessoas de nosso país, para as quais, a mentira pode ter perna longa, e não curta, como ouvíamos de nossos pais. Um exemplo dessa vertente, também na esfera musical, vem de Eduardo Costa que, em “Me engana” (2006), lembrando práticas de bolhas das redes sociais, suplica à amada que “...Diga simplesmente aquilo que eu (o eu-poético da canção) preciso ouvir... Me ama, me engana, que eu gosto”.
Se minha observação intuitiva estiver correta, e acredito que esteja, a ausência da inerente ironia do enunciado em pauta pode estar cedendo espaço a outra figura, quiçá, ao paradoxo, que não requer a ironia como um de seus pilares no processo de juntar ideias que possam se contradizer diretamente na intencionalidade do que se está a, ou mesmo do que se quer ouvir; assim, podemos – por meio da aceitação real do que é irreal, ou seja, da mentira/fake – estar aprofundando o labirinto de nossas existências, também por esse viés, que pode mudar rumos inclusive no plano de uma coletividade. Detalhe: não tomem a metáfora do “labirinto” como recorte da hipérbole, ou seja, do exagero, pois pode não ser.
Mas por que estou fazendo essas reflexões neste momento?
Porque estamos a um passo de votar para a presidência da República, ou seja, da “res publica”, termo latino que significa “coisa pública”, “coisa do povo”.
Que haja compatriotas que queiram se enganar em decisões que lhes sejam restritamente individuais, como, p. ex., tomar cloroquina para curar a Covid, ou dar três pulinhos para trás, como solução a um soluço, pouco me importa. Que sejam felizes, quando sobrevivem. Todavia, quando decidem, por estupidez deliberada, viver fechados em bolhas das redes sociais, aceitar mentiras descaradas de candidato que outra coisa não faz além de mentir, aí, sim, me importa, pois me atingirão, assim como atingirão a tantos outros brasileiros, por conta desse gostinho de ser completa e vergonhosamente enganado.
Mas a quem tinha alguma dúvida, o debate da Band (18/10) desnudou um dos maiores mentirosos de nosso quadro de políticos. Lula, que também mentiu pelo menos em uma vez, e em outras duas ou três, não teve a devida precisão de alguma fala, afirmou que Flávio havia mentido 43 vezes só no conjunto do caso Vorcaro. Duvidei. Fui à busca. Achei. Creiam: era verdadeira a fala de Lula sobre as mentiras de Flávio!!!
Aliás, em minha busca, encontrei a importante matéria “Estadão Verifica” que, junto com a própria Band, fez checagem de todas as referências daquele debate. É impressionante como Flávio consegue mentir em comparação direta com Lula. Logo, em dizer mentiras, Lula, mesmo que não seja o pai da verdade, já perdeu feio para Flávio, que se ganhar, derrotará um país inteiro, pois comete uma mentira atrás da outra. É impressionante. É inacreditável. A quem estiver duvidando de minhas palavras, leia a matéria que citei. Ou outra sobre o debate, como a do Portal Aos Fatos. Leia, leitor. Veja você mesmo. Se estiver, pule fora da bolha. Vamos! Atitude!
Assim, como cidadão, espero estar contribuindo para a chamada de atenção que todos devemos ter neste momento muito significativo de nossa história tão arduamente construída até aqui. Mais: aos que colocam a Família naquela tríade junto com Deus e Pátria, que pelo menos saibam respeitar os seus próprios pais, quando diziam que a mentira tem pernas curtas. Não deixem, pois, que as pernas da mentira continuem se alongando tanto, até porque tomaremos, juntos, uma passada de pernas sem precedentes em nossa história.
O preço de uma única mentira/corrupção pode ser grande, mas pode ser quantificada, como, p. ex. os 134 milhões recebidos e não explicados de um banqueiro absolutamente canalha. As rachadinhas e outras práticas de corrupção também podem ser quantificadas. Já o preço de um conjunto de mentiras que se sucedem sem fim no horizonte pode ser a tragédia de uma nação inteira, que poderá se atolar no mais profundo labirinto que um país contemporâneo estará experimentando. Aqui, novamente, a metáfora do “labirinto” não é um recorte da “hipérbole”.
Companheiras(os),
Convocamos a reunião do Grupo de Trabalho de Política e Formação Sindical (GTPFS), que ocorrerá na sede do ANDES-SN, em Brasília (DF), nos dias 27 e 28 de novembro de 2026, com início às 9h do dia 27/11 (sexta-feira) e término às 18h do dia 28/11 (sábado).
A confirmação da participação, de até duas representações por seção sindical, deverá ser feita por meio do preenchimento do formulário disponível no link enviado para as Secretarias até o dia 10 de novembro de 2026 (terça-feira).
As seções sindicais que quiserem socializar seus Informes deverão enviá-los, exclusivamente por meio do formulário disponível no link também enviado para as secretarias até o dia 10 de novembro de 2026 (terça-feira), para serem publicados junto ao relatório da reunião.
A pauta será enviada posteriormente por meio de circular.
Sem mais para o momento, aproveitamos a oportunidade para renovar nossas mais cordiais saudações sindicais.
Prof.ª Fernanda Maria da Costa Vieira
Secretária-Geral
A Diretoria Nacional do ANDES-SN expediu a Circular nº 424/2026, na qual alerta as seções sindicais, secretarias regionais e docentes sobre as ações judiciais movidas pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e pelo Partido Novo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As iniciativas judiciais miram a chapa presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva, além de entidades e dirigentes sindicais, buscando restringir a mobilização do movimento sindical, social e estudantil no processo eleitoral de 2026.
Diante do pedido de medidas liminares de amplo alcance contra diversas entidades, o Corregedor-Geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, indeferiu os pedidos de proibição genérica e resguardou a liberdade de expressão e a organização sindical nos ambientes universitários.
De acordo com a Circular nº 424/2026, divulgada nessa quinta-feira (16), as acusações formuladas no TSE alegam supostas irregularidades eleitorais para questionar a atuação sindical legitimamente desenvolvida dentro das instituições públicas de ensino. Para o ANDES-SN, essas ações tentam coagir o posicionamento de entidades que se contrapõem ao avanço da extrema direita.
O Sindicato Nacional destacou que as investidas violam frontalmente o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) fixado na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 548. A referida decisão, de maio de 2020, garantiu a livre manifestação de ideias, a autonomia universitária e a liberdade de pensamento nos ambientes acadêmicos.
Na circular, a entidade ressaltou ainda que as tentativas de cerceamento remetem às práticas de perseguição e censura registradas durante a ditadura empresarial-militar (1964–1985). "Censurar quem luta não é defender a democracia. É atacar a própria democracia!", reafirma o ANDES-SN no documento.
Corregedor rejeita pedidos de censura
Ao examinar os pedidos de tutela de urgência formulados nas Ações de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE nº 0602767-45.2026.6.00.0000 e AIJE nº 0602923-33.2026.6.00.0000), o Corregedor-Geral Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, negou ordens genéricas de abstenção ou censura prévia dirigidas aos sindicatos e entidades estudantes.
Entre os principais pontos fixados pelas decisões do Corregedor, destacam-se a proteção às garantias constitucionais e à ADPF 548. O ministro frisou que a legislação eleitoral não pode converter-se em restrição abstrata ao debate político e à manifestação de ideias promovida por docentes, discentes e entidades representativas.
Cueva salientou que impor uma proibição genérica e prospectiva sobre manifestações institucionais futuras equivaleria a mecanismo de censura prévia, inibindo o exercício legítimo da liberdade de associação e expressão. A decisão reconheceu, ainda, que manifestações de apoio político e a defesa de pautas institucionais das categorias por entidades sindicais não autorizam, por si só, a conclusão de que houve atividade irregular com finalidade eleitoral.
Sobre o pedido para restringir a atuação da UNE nas universidades, o ministro lembrou que o STF já assegurou a liberdade de manifestação política e que não pode haver restrições genéricas. “Não se mostra adequado, portanto, substituir a apuração de condutas individualizadas pela imposição de um dever genérico de orientação, sobretudo em matéria que envolve o exercício de liberdades constitucionalmente protegidas”, pontuou.
Fonte: Andes-SN
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Roberto Boaventura da Silva Sá
Dr. em Ciências da Comunicação/USP
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Mesmo já acostumado a ver, pela imprensa, a Polícia Federal agindo sem parar em nosso país, a operação do último dia 15 – “Unha e Carne” – teve algo difícil de ser adjetivado.
Por uma reportagem do G1, fiquei sabendo que “Márcio Canella, 2º deputado estadual mais votado do RJ, e Marcus Amim, ex-chefe da Polícia Civil...” haviam sido presos pela PF.
Pois bem. Os dois apostos explicativos acima são complexos para a compreensão, mas o primeiro deles, ou seja, o que destaca que o “2º deputado estadual mais votado do RJ” fora um dos alvos da PF, é desconcertante. Tanto que, para entender como isso pôde acontecer, recorri a outras matérias do jornalismo profissional; dentre elas, uma do UOL:
“Preso pela PF, Canella (União Brasil) recebeu 83% dos votos em áreas de facção ou milícia” (https://noticias.uol.com.br/eleicoes/2026/10/15/preso-pela-pf-canella-recebeu-83-dos-votos-em-areas-de-faccao-ou-milicia.htm?shem=dsdf,sharefoc,agadiscoversdl,,sh/x/discover/m1/4).
Para a exposição desse e de outros dados, os jornalistas da matéria recorreram a um levantamento de Bruno Pantaleão, pesquisador do Centro de Segurança Pública e Analytic e do Centro de Economia e Política do Setor Público, ambos da FGV.
Resumidamente, o UOL destaca que, “Entre os votos de Canella, 32,7% vieram de regiões dominadas por milicianos, 32,7% de áreas controladas pelo CV (Comando Vermelho) e 17,6% em localidades do TCP (Terceiro Comando Puro)”.
Como não tenho experiência de como seja conviver em espaços explicitamente dominados pelo crime organizado, a primeira pergunta que me fiz foi se as urnas eletrônicas, confiáveis e recomendáveis a qualquer país democrático, não seriam dispositivos suficientes para proteger o voto e a vida de quem se opusesse a esse tipo de domínio territorial. Antes delas, o voto era manual/papel; logo, era facilmente controlado.
Quem nunca conheceu ou ouviu falar de “curral eleitoral”? Aliás, não nos esqueçamos de que, não sem interesses do retorno dos currais, há políticos que ainda peçam pela volta do processo manual de voto, sempre sujeito a fraudes e coações.
A outra pergunta que me fiz foi: afinal, quem é esse político?
Na mesma matéria, li a resposta: “Canella foi preso pela segunda vez em três meses”. Sua base eleitoral: “Belford Roxo, onde fora prefeito entre 2025/26”. Em 2024, apoiou Jair Bolsonaro (PL). Ah!!! O clã não estaria longe disso e desse também, tanto que “Canella foi cotado ao posto de sucessor de Cláudio Castro (PL) para o governo do Rio. Depois, se tornou pré-candidato ao Senado, apoiado por Flávio Bolsonaro (PL). A suplente dele seria a mãe de Flávio, Rogéria Bolsonaro (PL)”.
Na mesma matéria, é dito que, após a junção de Canella com Cláudio Castro, “...ações letais começaram a ocorrer no Complexo do Roseiral [em Belford Roxo]”. De sua parte, o professor José Cláudio Souza Alves, da Universidade Federal Rural do Rio, afirma que esses políticos ‘transformaram o conflito do CV com a milícia num grande projeto de pacificação".
Sobre a primeira prisão de Canella, a matéria do UOL registra que “Em julho deste ano, ele fora detido em flagrante pela PF. Havia contra ele um mandado de busca, momento em que foi encontrado um fuzil Colt, de calibre 5.56, de uso restrito, em seu carro”. O fornecedor da arma seria Jorge Canella (União), “um coronel da reserva da PM e vereador do Rio”. Vejam que interessante: esse coronel usaria o mesmo sobrenome do outro, não por parentesco, mas para identificar proximidade política e outras mais.
Detalhe: nada disso era surpresa para ninguém que fosse do Rio de Janeiro, tampouco aos eleitores que deram sua “canellada” nas urnas, pois, diz o UOL:
“Para tentar barrar o registro da candidatura de Canella, neste ano, a PRE apontou que existe "vinculação político-administrativa eleitoral" entre ele e dois chefes de organizações paramilitares e milícias privadas. Também apontou que Canella já era investigado no STF (Supremo Tribunal Federal).
Agora, pasmem. Isso que ocorreu no Rio pode ser reproduzido no país inteiro, caso o candidato da extrema direita seja eleito. Se o compreensível ódio ao lulopetismo for maior do que racionalidade demanda neste momento, ninguém poderá alegar ignorância de tudo que já foi divulgado pela parte séria do nosso jornalismo profissional.
Pelo noticiário nosso de cada dia, vimos, p. ex,, que, numa ligação de celular a seu “irmão” Vorccaro, o candidato do PL pediu, em dólar, o equivalente a 134 milhões de reais para o filme “Dark Horse” sobre a vida de seu pai. Todavia, a PF está checando se, na verdade, muito dessa montanha de dinheiro não teria sido para bancar o irmão, agora de sangue mesmo, que fugiu para os EUA por conta de crimes cometidos no Brasil.
Esse mesmo candidato, que se faz passar pelo exemplo da honestidade, imita seu pai, que homenageou o coronel Ustra, um dos mais cruéis dos ditadores brasileiros, condecorando criaturas que são irrefutáveis erros da natureza, como, p. ex., aqueles dois policiais que foram apontados pelo MP-RJ como chefes e integrantes de milícias e grupos de extermínio, e que estiveram envolvidos também no assassinato de Marielle Franco. Intrigantemente, um deles foi morto dentro de um presídio da Bahia. Filme conhecido.
Em linha próxima disso, recursos de emendas parlamentares indicados pelo candidato do PL foram direcionados a entidades investigadas por irregularidades, fraudes fiscais e ligações com milícia, conforme destemidas apurações jornalísticas divulgadas recentemente. Dúvida minha: como investir contra facções criminosas, como é proposto pelo candidato da extrema direita, se o crime organizado trabalha, há anos, na lógica co-existencial da “narcomilícia”, ou seja, de tudo e todos juntos e misturados?
E há outras questiúnculas, do tipo “chocolate pequeno”, como a prática das rachadinhas, o nebuloso mundo contábil de uma loja de... chocolate, e, é claro, a aquisição de uma mansão de aproximadamente 6 milhões: uma bagatela três vezes o valor de um famoso triplex no Guarujá.
Diante desse quadro resumido de crimes de colarinho branco, me inquieta, p. ex., a pequenez do eleitor que replica o ódio ao ladrão pé-de-chinelo de celular. Me impressiona o descaramento do candidato em falar de pena de oito anos a esses crimes, que devem ser coibidos, mas que são, aí, sim, “chocolate” pequeno perto do tamanho da corrupção já exposta contra esse candidato.
Termino, esperando que meu país não chancele o arcabouço político daquilo que mundialmente se tem chamado de projeto neonazifascismo, ou seja, a adaptação contemporânea das ideologias fascista (de Mussolini, na Itália) e nazista (de Hitler, na Alemanha), ambas do século passado.
Aqui, vale dizer que, nessa linhagem ideológica, que olha para trás e não para frente, está a força do ultranacionalismo radical, do autoritarismo generalizado, da violência multifacetada, principalmente, contra a classe trabalhadora, e da intolerância; em suma, da negação da humanidade, que deveria fazer parte ontológica de todos nós que ajudamos a compor a nossa complexa e desafiante espécie.
Todavia, esse atraso político e existencial da humanidade se modernizou, como, aliás, fazem as variações do crime organizado, de mãos dadas com as milícias, para atuar por dentro das democracias liberais, assim como no ambiente digital, quase sempre tóxico, principalmente aos incautos, que abundam alhures, vivendo e inflando a vida das bolhas das redes sociais, verdadeiras pragas deste tempo já bastante e, por si, sombrio.
Que o tipo de voto inconsequente no Rio não se repita nas eleições presidenciais.
A defesa da educação pública, dos direitos sociais e da democracia esteve no centro do café da manhã Docentes em Luta, realizado pela Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso – Seção Sindical do ANDES-SN (Adufmat-Ssind) nesta sexta-feira, 16/10. A atividade, em homenagem aos professores que comemoraram a profissão neste 15 de Outubro, também foi um espaço de diálogo sobre a conjuntura política nacional e internacional e os desafios impostos à classe trabalhadora.
Durante o encontro, as professoras Lelica Lacerda e Alair Silveira chamaram a atenção para o avanço de projetos políticos de extrema direita na América Latina e para os impactos que essas propostas podem produzir sobre os direitos dos trabalhadores, a autonomia das universidades e as condições de vida da população.
Para a professora Lelica Lacerda, o compromisso histórico da Adufmat-Ssind e do ANDES-Sindicato Nacional com a Educação e os direitos sociais exige atenção ao cenário eleitoral brasileiro. A docente avaliou que as propostas associadas ao campo político de Flávio Bolsonaro representam uma ameaça a conquistas históricas e afirmou que a disputa eleitoral tem caráter decisivo para o futuro da sociedade.
Lacerda também alertou para a influência de interesses econômicos e políticos internacionais, inclusive sobre setores religiosos, no fortalecimento de projetos conservadores.
América Latina: o avanço da extrema direita e o enfraquecimento do Estado
A professora Alair Silveira estabeleceu um paralelo entre o cenário brasileiro e a experiência argentina sob o governo de Javier Milei, marcada pela defesa de uma agenda econômica ultraliberal e por medidas de ajuste fiscal, redução de gastos públicos e ataque às políticas sociais.
Em sua análise, o que está em jogo não é apenas a escolha de um candidato, mas a preservação de direitos fundamentais, como a separação entre os Poderes, a liberdade de manifestação e a tolerância diante das divergências políticas.
“O libertarianismo defendido por Milei aponta para o afastamento do Estado de suas responsabilidades sociais”, afirmou a docente, relatando diversas situações de retiradas de direitos e precarização na Argentina. Silveira também criticou o discurso de endurecimento político e a naturalização da crueldade como instrumento de governo. “Hay que ser cruel; é preciso ser cruel, ele diz, sem nenhum pudor”.
A docente chamou a atenção para a velocidade e a amplitude dos ataques a direitos que ocorreram de maneira gradual pelos governos neoliberais, mas que agora são apresentados de forma mais aberta e explícita. Diante do histórico de luta e resistência dos povos da América Latina, ficou ainda uma reflexão: como sociedades latino-americanas apoiam projetos políticos que ameaçam direitos de forma tão explícita, considerando que outros países latinos como Chile e El Salvador também elegeram representantes da extrema-direita.
Direitos trabalhistas e serviço público em debate
Outro eixo da conversa foi o conjunto de reformas que, nas últimas décadas, alteraram as relações de trabalho e a organização do Estado brasileiro. As reformas Trabalhista, da Previdência e as propostas de Reforma Administrativa representam a redução de direitos e de precarização das condições de trabalho.
Na perspectiva dos projetos da extrema-direita elas significam sempre o enfraquecimento da estabilidade dos servidores públicos, o congelamento salarial, as mudanças nas regras de aposentadoria e a possibilidade de desvinculação de benefícios previdenciários do salário mínimo.
Vale destacar que a estabilidade no serviço público protege não apenas os servidores, mas a própria sociedade, ao contribuir para a continuidade das políticas públicas e para a atuação profissional sem submissão a interesses políticos.
O candidato do PL já sinalizou que pretende aumentar a idade mínima para aposentadoria para 67 anos, utilizando como referência justamente a experiência argentina. A Colômbia também foi apresentada como alerta para os efeitos que sistemas de avaliação e pagamento por desempenho podem produzir sobre os trabalhadores. “Na Colômbia há professores que ganham por produtividade, não há um salário fixo”, afirmou a professora Lélica Lacerda.
A universidade pública sob ameaça
Como não poderia deixar de ser, a situação das universidades públicas também recebeu destaque. A professora Lélica Lacerda chamou a atenção para as propostas de financiamento e para as medidas que podem afetar a autonomia universitária, a carreira docente e a permanência estudantil.
Citando a experiência com o Governo Bolsonaro, que apresentou o Projeto Future-se, as convidadas manifestaram preocupação com possibilidades de novas investidas para a privatização do ensino superior, cobrança de mensalidades, redução da assistência estudantil, congelamento de salários, enfraquecimento da carreira docente e mudanças nos mecanismos de escolha dos dirigentes universitários, que atualmente é feita pela comunidade acadêmica, mas o candidato do PL defende que volte a ser escolha do presidente da República.
Também é proposta de Flávio Bolsonaro transferir a gestão das universidades federais do Ministério da Educação (MEC) para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o que reduzirá ainda mais o orçamento das instituições, já reduzidos nos últimos anos.
Ao final, os participantes fizeram intervenções relatando suas preocupações e perspectivas de ações em defesa da educação e da universidade.
Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
Entidades convocam Assembleia Unificada da Educação Federal para a próxima terça-feira, 20/10, às 8h
A Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adufmat-Ssind), o Sindicato dos Trabalhadores Técnicos Administrativos em Educação da UFMT (Sintuf-MT), o Sindicato Nacional dos(as) Servidores(as) Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), a Associação de Pós-graduandos da UFMT (APG-UFMT) e o Diretório Central dos Estudantes (DCE-UFMT) realizam, na próxima terça-feira, 20/10, às 8h, uma Assembleia Unificada da Educação Federal para debater os ataques da extrema-direita às universidades e institutos federais.
Diante de diversos ataques em âmbito nacional e local, a comunidade escolar e universitária de Mato Grosso se reunirá para se posicionar enfaticamente em defesa do seu compromisso histórico com a democracia e a educação pública.
A plenária será realizada no ginásio de esportes da Universidade Federal de Mato Grosso.
O que: Assembleia Unificada da Educação Federal
Data: 20 de outubro | terça-feira
Horário: 8h
Local: Ginásio da UFMT
O Senado Federal aprovou, na noite dessa quarta-feira (14), em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que acaba com a escala de trabalho 6x1, na qual a trabalhadora e o trabalhador cumprem seis dias de trabalho com apenas um de descanso. A PEC também limita a jornada de trabalho semanal a 40 horas, sem redução salarial.
A proposta recebeu 75 votos favoráveis e um contrário, em ambas as votações, e segue para promulgação pelo Congresso Nacional. A aprovação ocorreu após ampla mobilização popular em defesa da redução da escala e da jornada de trabalho e às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais.
Com a mudança, além da jornada máxima semanal passar de 44 para 40 horas, sem redução salarial, e serão garantidos dois dias de descanso remunerado por semana, um deles preferencialmente aos domingos. A implementação será gradual: dois meses após a publicação da emenda, a jornada máxima passará a 42 horas semanais. Após um ano e dois meses da publicação, o limite chegará a 40 horas semanais, com jornada diária de até oito horas.
A PEC permite que acordos e convenções coletivas estabeleçam formas diferentes de distribuição dos dias de descanso, desde que respeitados os limites previstos no texto. A PEC também prevê regulamentações específicas para determinadas categorias e situações, além de disposições diferenciadas para trabalhadores e trabalhadoras com nível superior e remuneração elevada.
A proposta teve como primeiro signatário o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) e foi relatada no Senado pelo senador Omar Aziz (PSD-AM). Após aprovação na Câmara dos Deputados, em maio, e na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, em setembro, o texto foi levado ao Plenário com calendário especial. Como não houve alteração de mérito em relação à versão aprovada pela Câmara, a matéria segue para promulgação.
O único voto contrário foi do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). Entre os parlamentares que não registraram voto estão Ciro Nogueira (PP-PI), Marcio Bittar (PL-AC), Rogério Marinho (PL-RN) e Sergio Moro (PL-PR).
Pressão popular e disputa política
A aprovação da PEC ocorre após meses de mobilização de movimentos sociais, organizações sindicais e parlamentares em defesa do fim da escala 6x1. A pressão popular também pesou na posição de setores da oposição, que passaram a apoiar a proposta diante da ampla adesão à pauta entre a população.
A discussão no Senado durou mais de cinco horas. Parlamentares de diferentes partidos declararam apoio à proposta, embora representantes da direita e extrema direita tenham defendido mudanças posteriores.
Apesar do voto remoto favorável de Flávio Bolsonaro, há sinais de que a disputa em torno da jornada de trabalho continuará. O senador não participou presencialmente da sessão, pois estava no Rio Grande do Sul.
O candidato à Presidência da República já afirmou que pretende rever pontos da proposta caso seja eleito. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua campanha, também defende uma alternativa que prevê maior flexibilidade na relação entre jornada e remuneração.
A PEC 12/2026, apresentada por Marinho, propõe um regime flexível baseado em horas trabalhadas. Na prática, a redução da jornada poderá resultar em redução proporcional da remuneração, diferentemente da PEC 221/2019, que assegura a manutenção dos salários.
Para Cláudio Mendonça, presidente do ANDES-SN, a aprovação do texto no Senado representa um avanço histórico, em um cenário internacional marcado por décadas de retirada de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários. “Trata-se de uma conquista que resulta, em grande medida, da capacidade de mobilização de diversos setores da sociedade, movimentos sociais, sindicatos e partidos, que pautaram a urgência dessa reivindicação. Também é fruto da decisão acertada do governo Lula de acolher essa bandeira e colocar todo o governo a serviço dessa reivindicação civilizatória. Nosso sindicato esteve presente nessa luta desde o primeiro momento, com resoluções aprovadas em nossas instâncias, com o documentário “Vida Além do Trabalho”, com participação importante no Plebiscito Popular do ano passado e com a mobilização de nossa base”, afirma.
O presidente do Sindicato Nacional ressalta, contudo, que a aprovação não encerra a disputa em torno do tema e que será necessário acompanhar os próximos passos para garantir a efetivação do direito. “Agora, é hora de comemorar, mas também de manter o estado de alerta máximo, pois a bancada reacionária da extrema direita já se mobiliza para, caso seu candidato, Flávio Bolsonaro, seja eleito, reverter essa conquista em favor dos patrões”, alerta.
Fonte: Andes-SN











