Sexta, 30 Outubro 2026 14:03

 

 

Na semana que marcou o Dia da Servidora e do Servidor Público (28), o ANDES-SN, em conjunto com a Fasubra e o Sinasefe, realizou a Jornada de Lutas da Educação Federal. Entre os dias 26 e 30 de outubro, foram realizadas diversas atividades em Brasília (DF). A mobilização teve como eixos a defesa do sindicalismo classista, a cobrança pelo cumprimento integral dos acordos de greve firmados com o governo federal em 2024 e a pressão sobre o Congresso Nacional por pautas da categoria.

 

Durante a Jornada, docentes foram ao Congresso dialogar com parlamentares. Foto: Eline Luz/ Imprensa ANDES-SN

 

A programação teve início na segunda-feira (26) com a reunião da Comissão Nacional de Mobilização (CNM) no Auditório Marielle Franco, na sede do ANDES-SN. Na ocasião, a comissão organizou as ações da semana e debateu a articulação pela aprovação do Projeto de Lei de Conversão (PLV) nº 12/2026, derivado da Medida Provisória (MP) nº 1.375/2026, referente à indenização de fronteira para o funcionalismo público.

 

Maria do Céu de Lima, 3ª tesoureira do ANDES-SN, destacou que a Jornada de Lutas teve como preocupação demandas importantes para as bases da Educação Federal. “Reafirmamos a necessidade do cumprimento dos acordos e a importância da valorização dos servidores e servidoras públicas da Educação Federal”, disse.

 

Ato no MGI

 

Na manhã de terça-feira (27), as trabalhadoras e os trabalhadores da educação realizaram um ato em frente ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). A manifestação cobrou o cumprimento integral do Termo de Acordo nº 10/2024, relativo à carreira docente, e do Termo de Acordo nº 11/2024, referente às e aos servidores técnico-administrativos em educação.

 

Docentes cobraram o cumprimento integral do Acordo de Greve de 2024. Foto: Isa RT / Imprensa ANDES-SN

 

Liberdade sindical

 

Como marco do Dia de Luta do Sindicalismo Classista, na terça-feira (27), às 18h, as entidades promoveram o painel “Em Defesa do Sindicalismo Classista”, no Auditório Marielle Franco na sede do Sindicato Nacional, com transmissão ao vivo pelo canal do ANDES-SN no YouTube.

 

Durante o painel foram denunciadas tentativas de cerceamento da organização dos trabalhadores e das trabalhadoras, especialmente no âmbito do serviço público. Em sua fala, Caroline Lima, 1ª vice-presidenta do ANDES-SN, destacou as ameaças e violências de grupos da extrema direita, contra as comunidades acadêmicas, que se intensificaram no período eleitoral.

 

A diretora do ANDES-SN denunciou que a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e o Partido Novo acionaram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a chapa de Lula, entidades e dirigentes sindicais. Sob o pretexto de irregularidades eleitorais, tais ações questionam a atuação sindical nas universidades públicas, ameaçando a liberdade de expressão, a autonomia das entidades e o direito de organização da categoria. 

 

Durante a atividade, foi anunciado o trânsito em julgado da decisão judicial que anulou o registro sindical da Federação Proifes. A assessoria jurídica do ANDES-SN informou que a União desistiu do recurso, tornando definitiva a anulação da entidade cartorial que atuava para enfraquecer as greves e assinar acordos ilegítimos à revelia das assembleias de base.

 

"Tomar partido não é rifar o sindicato para partido político, governos ou reitorias. Tomar partido é uma decisão política, uma ousadia para defender tanto a universidade pública, os serviços públicos, o funcionalismo público e a nossa liberdade democrática que estava correndo um risco muito grande", ressaltou Caroline. 

 

Assista aqui ao painel

 

Avanço no Congresso

 

No Congresso Nacional, a mobilização contou atuação da Comissão Nacional de Mobilização e da diretoria do ANDES-SN. As e os docentes visitaram gabinetes de parlamentares, para pressionar pela aprovação de pautas de interesse das categorias. 

 

Foto: Eline Luz / Imprensa ANDES-SN

 

Durante as atividades, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal aprovaram a MP nº 1.375/2026 (PLV nº 12/2026), que amplia a indenização por atuação em localidades estratégicas de fronteira e na Amazônia Legal de R$ 91 para R$ 191 por dia de trabalho. A medida atende a uma reivindicação histórica do ANDES-SN e do seu Grupo de Trabalho de Multicampia e Fronteira (GT Multi-Front), contemplando docentes e técnico-administrativos em educação. O texto segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

“Nesta semana, tivemos a conquista da indenização de fronteira, fruto do esforço do ANDES-SN, da sua Comissão Nacional de Mobilização e das seções sindicais que vieram à Brasília, atendendo o nosso chamado. Essa conquista é fundamental para a fixação de professoras e professores nas regiões de fronteira e na Amazônia Legal. E o trabalho que fizemos durante essa semana foi pressionar o Congresso Nacional, para que a gente conseguisse garantir a vitória, tanto na Câmara Federal quanto no Senado da República. Agora, esperamos a sanção do presidente da República para poder, a partir de 2027, usufruir do direito da indenização de fronteira”, contou André Martins, 2º vice-presidente da Regional Rio Grande do Sul e da coordenação do GT Multicampia e Fronteira do ANDES-SN.

 

ANDES-SN, Fasubra e Sinasefe em reunião no MEC. Foto: Eline Luz / Imprensa ANDES-SN

 

Na tarde de quinta-feira (29), dirigentes do ANDES-SN, Fasubra e Sinasefe se reuniram com representantes do Ministério da Educação, para cobrar que o MEC pressione a Casa Civil e o MGI para a sanção e imediata aplicação das novas regras da indenização de fronteira. “Nós nos preocupamos também em dialogar com o governo, porque nós entendemos que é importante a contribuição do MEC para a implementação da medida provisória”, explicou Maria do Céu. A diretora acrescentou que é fundamental que a categoria siga acompanhando a pauta para que essa conquista se traduza em direitos efetivos. 

 

A Jornada de Lutas encerrou-se nesta sexta-feira (30), com reunião de avaliação e entrega de relatório da Comissão Nacional de Mobilização.

 

Fonte: Andes-SN 

Sexta, 30 Outubro 2026 12:07

 

 

O 45º Congresso do ANDES-SN será realizado entre os dias 25 e 29 de janeiro de 2027, em Curitiba (PR). Com o tema central “Nas escadarias com o pulsar das resistências coletivas: o ANDES-SN na luta contra a extrema direita e a austeridade neoliberal”, o encontro ocorrerá no Setor de Educação Profissional e Tecnológica da Universidade Federal do Paraná (SEPT/UFPR). A convocação foi divulgada pela diretoria do Sindicato Nacional nesta quinta-feira (29), por meio da Circular nº 442/2026.

 

 

Instância máxima de deliberação da categoria docente organizada no ANDES-SN, o Congresso reunirá representantes das seções sindicais de todo o país para debater a conjuntura política, os desafios da educação pública e as estratégias de organização e luta do movimento docente. O evento será organizado pela Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná (APUFPR – Seção Sindical do ANDES-SN).

 

Durante os cinco dias, as e os participantes se reunirão em plenárias e grupos de trabalho para discutir quatro temas: I – Conjuntura e Movimento Docente; II – Planos de Lutas dos Setores; III – Plano Geral de Lutas; e IV – Questões Organizativas e Financeiras.

 

Caderno de Textos

 

As seções sindicais e docentes sindicalizados e sindicalizadas poderão encaminhar contribuições para o Caderno de Textos do 45º Congresso até o dia 15 de dezembro de 2026. Os materiais deverão ser enviados exclusivamente para o e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.">'+addy_text22560+'<\/a>'; //--> .

 

O Caderno de Textos reúne propostas e análises que subsidiam os debates e as deliberações do Congresso, contribuindo para a construção coletiva das políticas e dos planos de luta do Sindicato Nacional.

 

Credenciamento

 

O credenciamento para o 45º Congresso será realizado previamente, de forma digital, entre 29 de outubro e 28 de dezembro de 2026. A documentação deverá ser encaminhada exclusivamente por meio de formulário eletrônico enviado às Secretarias. 

 

Materiais de divulgação

 

O ANDES-SN também disponibilizou, às seções sindicais, as artes digitais do 45º Congresso. O material será atualizado continuamente, conforme novos formatos forem produzidos, e poderá ser utilizado na divulgação do evento.

Não haverá produção de cópias impressas dos materiais pelo Sindicato Nacional para distribuição às seções sindicais.

Para mais informações sobre o Congresso, consulte a Circular nº 442/2026.

 

Fonte: Andes-SN 

Sexta, 30 Outubro 2026 08:53

 

 

Embora o texto ainda precise de definições do MGI e sanção da Presidência da República, a expectativa é que docentes e servidores técnicos-administrativos de Mato Grosso possam obter o direito

 

A Câmara dos Deputados e o Senado Federal aprovaram, nos dias 28 e 29/10, respectivamente, a Medida Provisória (MP) nº 1.375/2026, que amplia o número de categorias do serviço público federal contempladas com a indenização por atuação em localidades estratégicas de fronteira, incluindo as carreiras das universidades federais. De acordo com o texto, o benefício também terá o valor reajustado de R$ 91 para R$ 191 por dia efetivo de trabalho e poderá ser estendido a servidores lotados em municípios da Amazônia Legal.

 

Além de uma reivindicação histórica da categoria, a movimentação é fruto de organização e mobilização dos servidores, que têm grande acúmulo em torno deste debate e esta semana cumprem uma intensa agenda de atividades em Brasília.

 

Apesar de necessitar, ainda, de algumas definições, que serão feitas pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), além da sanção da Presidência da República para se tornar lei, a expectativa é de que docentes e servidores técnico-administrativos de Mato Grosso também sejam beneficiados.

 

A coordenadora do GT Multicampia e Fronteira da Adufmat-Ssind, Ana Paula Sacco, acredita que a inclusão de Mato Grosso é legítima. “A ideia não é colocar o estado em disputa com regiões como o interior do Amazonas, que claramente enfrenta isolamentos muito mais severos, nem priorizar uma região sobre a outra, mas garantir a isonomia e o direito territorial. Mato Grosso integra a Amazônia Legal e possui uma ampla faixa de fronteira. Como o objetivo da indenização é enfrentar as distorções regionais, contemplar o nosso estado é uma questão justa”, destaca.

 

Para Sacco, a reivindicação reflete o fato de que a interiorização pelo Reuni não se consolidou estruturalmente, por isso a realidade dos campi fora de sede é de precarização e isolamento, distância de grandes centros de saúde e educação e, muitas vezes, longe da rede de apoio familiar.

 

“Além do impacto individual e da fixação do professor nessas localidades, precisamos pensar no papel político, social, ambiental e cultural da universidade pública no interior de Mato Grosso. Ter uma universidade pública no interior é ter um polo de resistência. Ela contrapõe o avanço de setores hegemônicos que promovem a degradação ambiental e humana, atuando em defesa da soberania, do desenvolvimento humano e da proteção dos povos originários e das comunidades tradicionais, podendo estabelecer uma parceria com esses povos para trocar saberes e cumprir seu papel social”, afirma.

 

A docente destacou ainda a importância da existência de sindicatos fortes nos interiores, junto às categorias de trabalhadores, para organizar a categoria e a própria classe. “Fortalecer a classe trabalhadora também significa construir uma universidade popular, com uma educação voltada para os trabalhadores e seus filhos”.

 

Mobilização

 

Para a professora Gleyva Simões, que está na mobilização em Brasília esta semana, a agenda teve fundamental importância para o avanço da demanda. “O trabalho realizado foi de sensibilização dos parlamentares, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado. Houve uma organização para visitar, no dia 27, os parlamentares da Câmara e, no dia 28, os senadores. Essa mobilização é resultado de um trabalho anterior, que começou com os grupos de trabalho, a organização dos sindicatos e as discussões sobre o direito à indenização de fronteira. O tema foi debatido internamente nas seções sindicais e em espaços promovidos pelo ANDES-Sindicato Nacional, inclusive em Dourados, durante o último encontro da Regional Pantanal”, afirma.

 

De acordo com Simões, a organização e mobilização permitiu uma discussão permanente sobre o tema e contribuiu para o alcance dessa conquista, inclusive em diálogos realizados com outras categorias do serviço público federal, além do próprio governo e parlamentares.

 

“O que percebemos nesta semana no Congresso foi que não havia polarização em torno da aprovação do Projeto de Lei de Conversão 12/2026 (PLV), originado pela MP 1.375/2026. Bancadas e lideranças partidárias de direita, de esquerda, da oposição ao governo e da própria base governista trabalharam pela aprovação. Havia uma preocupação, porque o artigo 1º, parágrafo 5º, especificava os tipos de trabalho que poderiam receber a indenização de fronteira, mas não explicitava a categoria docente e as categorias da educação. Inicialmente, consideramos necessário solicitar a supressão da segunda parte desse parágrafo. Conseguimos que a deputada Talíria Petrone levasse o destaque à sessão na Câmara, por meio da liderança do PSOL. Embora o destaque não tenha sido aprovado, isso não teve tanto impacto, porque o mais importante era a aprovação do PLV.

 

Enquanto isso, afirma Simões, o sindicato seguirá mobilizado, mantendo uma estrutura capaz de dar continuidade ao trabalho. “A ideia é que, no próximo Congresso do ANDES-SN, por meio de um texto resolução (TR), seja discutida a possibilidade de criação de uma comissão permanente para acompanhar os desdobramentos da lei e as demais pautas do grupo de trabalho, como o adicional de atividades penosas e a progressão diferenciada”.

 

“A mobilização tem o sentido de garantir direitos, e tivemos êxito com a aprovação do projeto de lei, que agora precisa ser sancionado pela Presidência da República. Os desdobramentos incluem o retorno às bases e a continuidade do trabalho para incentivar mais docentes a se sindicalizarem, conhecerem seus direitos e participarem da organização e da mobilização necessárias para conquistar novas reivindicações”, acrescenta a professora.

 

Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

Quinta, 29 Outubro 2026 16:56

 

Docentes, técnicos-administrativos e estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) avaliaram, na última terça-feira, 27/10, o resultado das eleições presidenciais. A partir de dados concretos, baseados nas propostas de Flávio Bolsonaro e na experiência do mandato de seu pai, Jair Bolsonaro, que retirou R$ 8 bilhões das Instituições de Ensino Superior e R$ 113 bilhões da pasta do Ministério da Educação ao longo de seu mandato, a comunidade aprovou apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (saiba mais aqui).

 

O clima da reunião foi de alívio, no sentido de que os ideais de democracia e de humanidade prevaleceram, mas também de certeza de que muitos desafios ainda estão por vir. Isso se deve, em grande parte, ao fato de o orçamento destinado às instituições, prejudicado pela gestão de Bolsonaro, ainda não ter sido totalmente restabelecido.

 

“A mobilização deste ano mostrou que nós temos força para cobrar a consolidação das nossas conquistas, inclusive nas ruas. Isso porque nós teremos um parlamento muito conservador, que não está interessado em investir na universidade. Será difícil recompor o orçamento e até receber emendas parlamentares”, disse a pró-reitora de Assistência Estudantil, Liliane Capilé.

 

Para o diretor-geral da Adufmat-Ssind, Breno Santos, a universidade cumpriu sua tarefa de derrotar um projeto violento, financiado por interesses imperialistas. “As primeiras manifestações logo após o primeiro turno foram de universidades. Derrotamos lindamente o fascismo com a força das ruas, dizendo que a gente não aceita retrocesso. Essa angústia é real, nós vivíamos antes mesmo das eleições. Nós cumprimos nossa tarefa ao derrotar esse projeto violento, financiado pelo imperialismo, uma tarefa mundial, transcontinental. Esse é o papel da universidade, enquanto docentes, técnicos e estudantes nós devemos fazer essa disputa desde aqui, com os trabalhadores”, afirmou.

 

Santos ressaltou, ainda, que lutar pelo orçamento da universidade é o que vai definir seu futuro. “Após derrotar a besta fera num dos países mais importantes das américas, nós vamos lidar com as contradições desse Governo. Vamos disputar o orçamento, porque isso é disputar o futuro da universidade, a nossa estrutura de funcionamento. Nós não podemos ficar reféns de emendas parlamentares”, concluiu.

 

O representante do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Rafael Ribeiro, lembrou da importância das universidades para a história do país, citando nomes de estudantes que foram assassinados enquanto lutavam pela democracia durante momentos de intensa mobilização política, como a ditadura militar. Além disso, exaltou a organização popular que, dentre outras conquistas, conseguiu driblar as ações da empresa multinacional norte-americana Meta, que claramente tentou privilegiar a campanha da extrema-direita.

 

A coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-administrativos em Educação (Sintuf-MT), Marilin Castro, afirmou que a comunidade foi para a luta porque entendeu que a existência da universidade estava em perigo. “Foi um momento histórico. As universidades estavam nas ruas, porque era tudo ou nada, a eleição da extrema-direita poderia ser o fim da universidade, e a proporção da mobilização foi muito maior do que o esperado. As pessoas sentiram essa necessidade pelos ataques aos direitos, às mulheres, aos negros, aos indígenas e à população LGBTQIAPN+. E a sociedade tem que vir para dentro da universidade. Nos últimos anos a gente se fechou, e esse muro tem que cair, porque nós não formamos apenas profissionais, nós formamos cidadãos do mundo, então precisamos debater política, sim”.

 

Sobre a batalha das universidades públicas pela recomposição do orçamento, a Adufmat-Ssind realizará, ainda este ano, um debate com a contribuição de especialista convidado.

 

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

Quinta, 29 Outubro 2026 11:01

 

 

Por Juacy da Silva*

 

O povo nas ruas em defesa da democracia e da soberania nacional

 

Para alguns, foi um verdadeiro milagre; para outros, nada mais do que o despertar das massas diante da possibilidade de um grande retrocesso político, institucional e até mesmo da ameaça e possibilidade de um golpe de Estado. Foram às ruas e às “redes sociais” para garantir a nossa soberania e a estabilidade das instituições democráticas em nosso país.


Diante de uma vitória do candidato Flávio Bolsonaro, representando boa parte do “centrão”, da direita tradicional e, o pior de todos os cenários, de uma extrema direita raivosa, revanchista, subserviente aos interesses de grandes potências e de grandes corporações econômicas e financeiras, principalmente das “big techs”, que descaradamente interferiram no processo eleitoral, parece que esses fatos e a possibilidade de um governo direitista, autoritário e corrupto se instalar no Brasil acordaram milhões de brasileiros.


Aconteceu o que muitos, tanto da esquerda quanto do centrão e também da extrema direita, jamais acreditavam que seria possível: uma “virada” no 2º turno. Jamais, na história política recente ou passada do Brasil, um candidato a presidente derrotado, que tivesse ficado em 2º lugar no primeiro turno, venceu no 2º turno. Isto era algo inimaginável, mas acabou acontecendo.


A euforia no entorno de Flávio Bolsonaro era enorme, principalmente após uma grande vitória da direita, da extrema direita e do bolsonarismo ao eleger a maior bancada no Senado da República e na Câmara Federal, e de governadores. A euforia era tanta que só falavam na composição do ministério, em “tesouraço”, com certeza nos direitos dos trabalhadores, dos aposentados, de milhões que passaram a ter um pouquinho de dignidade através das políticas e programas sociais do Governo Lula, da entrega de nossos recursos naturais, terras raras e minerais estratégicos a grupos econômicos internacionais, para os quais estavam planejando “vender” a soberania e o futuro de nosso país.


Do lado do centro e da esquerda, também a sensação, com raras exceções, como para o Deputado Janones e a jovem deputada negra mineira Ana Elisa e para milhões de defensores de um projeto de país soberano, democrático, justo, digno e inclusivo, não era de tristeza e espírito derrotista.


Foi aí que, em menos de três semanas, tempo entre o 1º e o 2º turnos, aparentemente muito curto para uma virada, mesmo que apertada, com uma vitória de Lula com uma margem muito pequena de votos, esses eram os temas em discussão nas hostes democratas de “esquerda” e das massas.


Foi aí, repito, que surgiu uma grande ONDA VERMELHA, que passou a ocupar as praças, as ruas, avenidas e estradas do Brasil, e também a mesma ONDA VERMELHA ganhou as redes sociais, antes território bolsonarista, da extrema direita e da direita adesista a um projeto autoritário e elitista de governo, enfim, de um projeto antidemoníaco de poder, prestes a se instalar no Brasil. Um verdadeiro retrocesso democrático.


O surgimento do “EXÉRCITO” DE LULA, iniciativa do Deputado Janones, da Rede de Minas Gerais, deu um novo e grande ânimo à campanha de Lula, e a certeza da virada, da vitória de Lula, já era antevista, apesar da manipulação dos institutos de pesquisa, dos grandes grupos empresariais de comunicação, do famoso e famigerado “mercado”, a “Faria Lima”, todas as forças conservadoras e retrógradas apostando abertamente em um governo de direita e extrema direita.


A adesão dos candidatos “nanicos”, mas que, em seu conjunto, abocanharam mais de 7,58% dos votos válidos (do total de 120 milhões de votos válidos no 1º turno), ou seja, somando essa votação desses candidatos da chamada Terceira Via, atingiram pouco mais de 9 milhões de votos.


Como Flávio Bolsonaro conseguiu, no primeiro turno, 56,1 milhões de votos (47,03%) e Lula, 53,8 milhões de votos (45,15%), a diferença percentual foi “pequena”, mas a diferença numérica, de mais de 2,3 milhões de votos, era enorme.


Além dessa diferença entre os dois candidatos, a adesão de três candidatos da “terceira” via, com seus mais de 9 milhões de votos, alimentava a sensação de que Flávio Bolsonaro já estava eleito.


Ledo engano: a extrema direita “raivosa” e revanchista, que só falava nas promessas e mentiras do seu candidato, não contava com esta virada eleitoral histórica. A campanha de Lula conseguiu “reverter” a derrota no 1º turno e, neste 2º turno histórico, tornar-se vitoriosa em 213 municípios onde havia perdido, inclusive vários de grande porte em termos eleitorais. Além disso, mesmo nos demais municípios e em todos os estados, Lula conseguiu, tanto onde venceu quanto onde foi derrotado no 1º turno, abocanhar mais de 11 milhões de votos, inclusive revertendo o resultado no Estado de Minas Gerais.


Resumindo, Lula ampliou a votação no 2º turno em todas as 27 Unidades da Federação e em 5.410 municípios, ampliando em mais de 11 milhões de votos entre os dois turnos, e Flávio Bolsonaro, que já só pensava na instalação de seu governo, com quem iria subir a rampa do Palácio do Planalto, mesmo com a adesão oportunista dos três candidatos nanicos (Caiado, Zema e Cury), aumentou a votação entre os dois turnos em apenas três milhões de votos.


Isto significa que milhões de eleitores que votaram nesses candidatos da 3ª via não seguiram a opção de adesismo de seus candidatos e, inclusive, segundo algumas estimativas, diante das mentiras e do desempenho pífio de Flávio Bolsonaro nos dois debates (Rede Band e Rede Globo), acabaram migrando para Lula, o que explica a vitória de Lula no 2º turno, com mais de 4,4 milhões de votos, passando de um quase derrotado para o maior vitorioso na história política brasileira desde a redemocratização e a vigência da Constituição de 1988.


Depois de amargar uma derrota acachapante no 2º turno, no último domingo, com mais de 4,4 milhões de votos de diferença e com medo desta grande ONDA VERMELHA que coloriu o Brasil e de investigações que tramitam na Justiça, o candidato Flávio Bolsonaro, que dizia a todo momento que subiria a rampa do Palácio do Planalto com o pai, condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, a quem iria conceder perdão e de quem “receberia” a faixa presidencial, simplesmente amarelou e, na surdina, deixando seus correligionários mais próximos e quase 60 milhões de eleitores que acreditaram em suas bravatas, mentiras e “fake news” a verem nuvens que se dissiparam, simplesmente fugiu do Brasil.


Líder de verdade não foge, não abandona seus seguidores e liderados para salvar a própria pele. O que Flávio Bolsonaro fez assemelha-se ao que faria um general que, diante de inimigos poderosos, simplesmente abandona o campo de batalha, o teatro de operações, deixando seus soldados e comandados entregues à própria sorte, abandonados, sem direção.


A pergunta que não quer calar: por que Flávio Bolsonaro, o “herdeiro” político e ungido pelo chefe do clã Bolsonaro, ao perceber que, a partir de fevereiro de 2027, pela primeira vez em mais de 20 anos, não vai ter mais a proteção do manto da imunidade/impunidade parlamentar, por não ter mais “foro privilegiado”, poderia responder na Justiça, correndo o risco de ser condenado e preso, igual ao pai, diante de alguns processos que investigam práticas de corrupção e outros crimes, simplesmente, na surdina, abandonou o país?


Ao invés de utilizar todas as garantias constitucionais e legais existentes no ordenamento jurídico brasileiro, da “ampla defesa”, da presunção de inocência, e provar sua inocência, acabou passando recibo de culpa antecipada.


Existe um provérbio (sabedoria popular) que diz: “quem não deve não teme”. Assim fizeram líderes verdadeiros, como Mahatma Gandhi, que liderou o movimento da não violência diante da opressão colonialista da Inglaterra e lutou como ninguém pela libertação da Índia, ou Nelson Mandela, que, mesmo tendo sido preso por mais de 28 anos injustamente pelo governo racista e opressor da África do Sul, saiu da prisão para tornar-se presidente e devolver os direitos e a dignidade à população negra daquele país e acabar com um regime racista, desumano e autoritário, implantando uma democracia que reconheceu os direitos humanos e fundamentais de todas as raças e pessoas, ou mesmo o exemplo de Lula, que, mesmo tendo amargado 518 dias de prisão ilegal e injusta, resistiu bravamente, voltando a ocupar pela 3ª vez o cargo de presidente da República e, novamente, sendo consagrado por mais de 64 milhões de votos soberanos para um feito histórico em nosso país: ser reeleito para um quarto mandato à frente dos destinos de nosso país.


Diante de todos esses acontecimentos e da expectativa da posse dos eleitos em primeiro ou no segundo turno das eleições gerais de 2026, incluindo presidente e vice-presidente da República, governadores/governadoras de Estado, deputados federais e estaduais e dois terços dos senadores, o que o Brasil espera e precisa é de paz, de justiça, de diálogo, reconciliação, novas e renovadas políticas públicas, programas de desenvolvimento econômico e socioambientais para construirmos um país justo, inclusivo, solidário, sustentável, onde todos e todas possamos viver com liberdade, segurança e sob a égide da democracia, da harmonia institucional e da soberania nacional.


Que os derrotados, sejam de esquerda, de centro, de direita, de extrema direita, inclusive os bolsonaristas, aceitem e respeitem a decisão dos eleitores que, de forma soberana e democrática, através das urnas eletrônicas, demonstram sua vontade através do voto, o instrumento da democracia.


Neste particular, vale a pena refletir sobre uma parte do pronunciamento de Lula na Avenida Paulista, diante de milhões de apoiadores, ao dizer: “Não fui eu quem elegeu o Congresso, foi o povo e vou governar com este novo Congresso eleito, com muito diálogo e respeito”.


Aos vencedores, que governem para todos. Afinal, é o povo quem paga os impostos que “alimentam” os cofres públicos e a “máquina” governamental, tendo como parâmetros as necessidades, os anseios e as aspirações do povo, principalmente dos pobres e excluídos, com ética, que a corrupção seja banida para sempre do exercício das funções governamentais e empresariais, e que o Estado brasileiro volte ou continue voltando suas atenções e ações principalmente para os pobres, excluídos, famintos, desempregados, cuidando de nossos territórios, combatendo a violência e o domínio do crime organizado, defendendo o meio ambiente e as populações, inclusive os povos originários, e não apenas as elites e os donos do poder!

 

*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, ativista social, articulador da Pastoral da Ecologia Integral Região Centro Oeste. E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.; Instagram @profjuacy

 

Terça, 27 Outubro 2026 16:23

 

 

O ANDES-SN convoca professoras e professores a participar da Jornada de Lutas das servidoras e dos servidores da Educação Federal, que será realizada em Brasília (DF), de 26 a 30 de outubro. A programação inclui atividades em defesa do sindicalismo classista, cobrança pelo cumprimento integral dos acordos firmados com o governo federal e mobilizações no Congresso Nacional. O dia 27 de outubro, Dia de Luta do Sindicalismo Classista, contará com atividades organizadas pelo ANDES-SN, pela Fasubra e pelo Sinasefe.

A convocação foi encaminhada às seções sindicais, às secretarias regionais e às Oposições Pró-ANDES-SN, por meio da Circular nº 431/2026, divulgada nessa terça-feira (20). O Sindicato Nacional orienta as seções a enviarem representantes para as atividades na capital federal.


Programação


Na próxima segunda-feira (26), às 14h, a Comissão Nacional de Mobilização (CNM) se reunirá, no Auditório Marielle Franco, na sede do ANDES-SN, para organizar as atividades do Dia de Luta em Defesa do Sindicalismo Classista e discutir a campanha pela aprovação do Projeto de Lei de Conversão (PLV) nº 12/2026, originado da Medida Provisória nº 1.375/2026, que trata do adicional de fronteira para servidoras e servidores.


Na terça-feira (27), às 9h, haverá uma atividade em frente ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) para cobrar o cumprimento integral dos Termos de Acordo nº 10/2024, referente à carreira docente, e nº 11/2024, relativo às servidoras e aos servidores técnico-administrativos em educação. Às 18h, será realizado o painel “Em Defesa do Sindicalismo Classista”, no auditório do ANDES-SN, com transmissão ao vivo e participação das entidades organizadoras da Jornada.


Atos no Congresso


A Jornada de Lutas também prevê mobilizações em frente aos anexos da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Na quarta-feira (28), às 9h, será realizado um ato em frente ao Anexo II da Câmara. Na quinta-feira (29), também às 9h, a mobilização ocorrerá em frente ao Anexo do Senado. Nas duas datas, estão previstas visitas a gabinetes parlamentares no período da tarde.


Na sexta-feira (30), às 9h, serão realizadas visitas a gabinetes parlamentares. Após a atividade, a CNM se reunirá para avaliar os resultados da Jornada de Lutas e fazer um balanço da mobilização. De acordo com a Circular 431, a programação poderá sofrer alterações de acordo com a pauta do Congresso Nacional.


O ANDES-SN reforça a importância da participação da categoria docente na Jornada de Lutas, em defesa dos direitos das servidoras e dos servidores públicos federais e do sindicalismo classista.


Confira a programação

26 de outubro (segunda-feira)

  • 14h – Reunião da Comissão Nacional de Mobilização, no Auditório Marielle Franco, na sede do ANDES-SN.

27 de outubro (terça-feira)

  • 9h – Atividade em frente ao MGI pelo cumprimento integral dos Termos de Acordo nº 10/2024 e nº 11/2024.

  • 14h – Visita a gabinetes parlamentares (CNM + SSIND que enviarem representantes).

  • 18h – Painel em Defesa do Sindicalismo Classista, no Auditório Marielle Franco, na sede do ANDES-SN, com transmissão ao vivo.

28 de outubro (quarta-feira)

  • 9h – Ato em frente ao Anexo da Câmara dos Deputados.

  • 14h – Visitas a gabinetes parlamentares.

29 de outubro (quinta-feira)

  • 9h – Ato em frente ao Anexo do Senado Federal.

  • 14h – Visitas a gabinetes parlamentares.

30 de outubro (sexta-feira)

  • 9h – Visitas a gabinetes parlamentares e, em seguida, reunião da CNM para avaliação e encerramento das atividades.

Terça, 27 Outubro 2026 16:20

 

 

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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
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Roberto Boaventura da Silva Sá

Dr. em Ciências da Comunicação/USP

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Calma, (e)leitor! O “demos”, do título, de origem grega, refere-se à primeira parte da palavra “demo/cracia”, e significa “povo”. “Cracia”, de “kratos”, indica a forma de “poder”. Na aglutinação, a completude da ideia é a do “poder que emana do povo”.

Essa incrível construção para a convivência regrada dos seres humanos adveio, paradoxalmente, das ações de duas divindades gregas, ambas associadas à fundação e aos debates da democracia em Atenas: 1ª) Zeus Agoraios, protetor da ágora e da assembleia livre. “Ágora” era o coração político, econômico, social e cultural da Grécia Antiga); 2º) Peitho, deusa da persuasão e da retórica. Logo, o título acima poderia ser “Vitória da Democracia”, mas achei isso óbvio e insuficiente para este momento, pois vivemos em um Estado laico, no qual as ações humanas devem prevalecer sobre quaisquer intervenções atribuídas a entes sobrenaturais, sejam quais forem eles. Sempre o “povo”, portanto, o “demos”, é quem deve estar acima de tudo. Nada e ninguém mais.
  

Isso posto, agora, confesso: com a retumbante, inquestionável e merecida derrota de Flávio/Jair Bolsonaro para os 64.256.232 de eleitores que puderam e foram votar pela manutenção de nossa Democracia, reafirmo que: a) sou um conservador convicto, mas não na perspectiva do vil conservadorismo da violenta e mentirosa extrema-direita, sempre ancorada na cínica “tríade dogmática” Deus/Pátria/Família (DPF); b) sou um conservador da Democracia, à lá ensinamentos da Grécia Antiga, atualizados pela Revolução Francesa (1789), que elaborou as bases teóricas e práticas fundamentais do moderno Estado Democrático de Direito; c) sou um conservador que luta, junto com outros brasileiros – patriotas de verdade, e não estúpidas marionetes de um ardiloso jogo político internacional – pela manutenção do status quo constitucional contra qualquer autoritarismo, seja em nosso país ou alhures; d) sou um conservador que abomina aquelas criaturas ignorantes até a raiz do cabelo que clamam, em vias públicas e em redes sociais, por intervenção dos EUA em “Terras Brasilis”.

E para sustentar esse tipo de conservadorismo que sempre abracei, há de se fazer de tudo e um pouco mais do que for necessário. Fazer apenas o possível, diante de tantos e explícitos riscos, pode ser pouco. Mas por que, na contramão do que optou a maioria, o clã bolsonarista, preterindo todos os aliados, tentou voltar ao topo do poder por meio de um dos filhotes do mito golpista, ora condenado e presidiário, ainda que em domicílio?

Antes de uma resposta, vale relembrar que o lema DPF foi trazido à nossa “pauta política” por Jair Bolsonaro, que o encontrou nos ensinamentos antidemocráticos de Giuseppe Mazzini (final do séc. 19), e, posteriormente, apropriada pelo fascismo italiano, sob comando de Benito Mussolini, no início do séc. 20. No Brasil, Plínio Salgado, em outubro de 1932, também o utilizou como lema da Ação Integralista Brasileira, um movimento de extrema-direita inspirado no fascismo europeu.

Agora, sim, começo respondendo à lá Lula, único presidente eleito democraticamente quatro vezes para presidir um dos países mais complexos do planeta, conforme já registrava Roger Bastides em seu livro “Brasil, terra de contrastes”: “nunca como antes na história deste país”, faz-se necessário recorrer a cada instante à história, mas não sem observar um detalhe crucial: a “sincronia” – visão focalizada e descontextualizada de tudo – será sempre insuficiente para nossas reflexões hodiernas, que demandam embasamentos na “diacronia”, ou seja, na perspectiva que não desconsidera o passado em relação a um determinado foco/recorte a ser pensado no presente, tampouco se exime de reflexionar (e não especular/palpitar) sobre o porvir.

Isso posto, para a indagação que propus há pouco, vale saber que o lema DPF encontra-se na mesma linha ideológica da Tradição/Família/Propriedade (TFP), onde, de fato, estão os camuflados objetivos dos Bolsonaro; aliás, foi com base na TFP – que Jair pôde conhecê-la desde a infância – que houve a reatualização política do lema DPF.

A título de contextualizar, a TFP nasceu em São Paulo/1960, amparada nos estatutos da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade, sob comando de Plínio Corrêa de Oliveira, próximo de um grupo católico responsável pelo O Legionário, jornal que se propunha ser a voz do anticomunismo. Para isso, envolto a contornos quase paramilitares, a TFP cooptava jovens, principalmente das periferias, internando-os na organização, sob rigoroso controle ideológico. Em tais espaços, que nos remetem às clausuras medievais, eram treinados em artes marciais para a luta contrarrevolucionária, anticomunista e inimiga da reforma agrária.

Assim, das siglas DPF e TFP, por mais irônico que possa ser, apenas o “F”, de Família, encontra-se em ambas, desobrigando-nos de qualquer exercício de reflexão. Contudo, as demais letras estão em correspondência direta entre si: o “D”, de Deus, é proporcional ao “T”, de Tradição, posto que a religiosidade do bolsonarismo raiz, ou seja, do que cheira a enxofre, é o que se vincula à lógica do Antigo Testamento, em nada cristão; ao invés do “amai-vos uns aos outros”, reafirma-se a apologia do “dente por dente, olho por olho”. Em suma, é a prevalência do ódio, tal como o reconhecemos no comportamento desumano da maioria dos bolsonaristas assumidos. “Vade-retro”.

Já o “P”, de Pátria, está em correspondência ideológica com o “P”, mas de Propriedade. E é este “P” que é o “X” da questão. Quando Jair perde para Lula (2022) e se recusa a passar a faixa presidencial ao vencedor, orquestrando e incentivando um golpe militar no país, ele nos dá a certeza de querer se apropriar (ser proprietário) do Estado, que embute, pelo menos no imaginário popular, a ideia do “P”, de Pátria.

Nas eleições de agora, Flávio, cujo intelecto pouco se alarga em relação ao do pai, já havia dado a senha para um golpe, mas por dentro: mudar a Constituição em diversos pontos. Com um Congresso e um Senado, que receberão muitos agentes do crime organizado e das milícias como nunca antes na história deste país, nossa condição democrática seria aniquilada em tempo recorde. Contudo, a maioria do “demos” brasileiro entendeu isso, e muitos, dentre os quais me incluo, mesmo tendo críticas ao lulopetismo, não teve dúvidas e votou em Lula/13, que apenas corporificou uma coletividade que se deu conta de que não podia abrir mão de tudo que a democracia nos oferece e, na contramão, o autoritarismo nos subtrai.

Mas dias difíceis virão. As adversidades serão imensas. Em nome da Democracia, precisamos permanecer vigilantes. Aquela adesão às redes e, principalmente, às ruas deverá ter continuidade, pois ganhamos a batalha, não a luta, que, assim como o show, deve continuar.

Parabéns, “demos” brasileiro! Orgulhosamente, acabamos de ofertar a mais linda, emocionante e brava lição aos mais diferentes países do mundo, inclusive e principalmente aos EUA: como um povo, em pouquíssimo tempo, pode se reorganizar para barrar a chegada de um líder da extrema-direita ao poder máximo de uma República.  

Terça, 27 Outubro 2026 14:01

 

 

Camaradas,

Na nossa última nota política, publicada imediatamente após o resultado do primeiro turno, dissemos que a classe trabalhadora estava diante da tarefa histórica de disputar o futuro frente à ameaça existencial representada pela extrema-direita miliciana, que havia saído na dianteira naquele momento eleitoral. No último dia 25, ao final da apuração do segundo turno, assistimos, emocionados(as), ao sucesso histórico de parte dessa tarefa. Derrotamos, nas ruas e nas urnas, parte da ofensiva do setor mais violento e atrasado da história política brasileira! Vencemos, pois foi o povo, com os pés nas ruas e as mãos nas redes, que garantiu essa vitória histórica!

Os trabalhadores e trabalhadoras em Mato Grosso, em especial a sua juventude trabalhadora, lotaram as ruas, disputaram as redes e não arredaram o pé da disputa da consciência até que nos sagrássemos vencedores em uma virada antológica contra as forças do atraso. A Diretoria da Adufmat-Ssind gostaria de saudar os e as fazedoras de história pela generosidade com nosso passado, nosso presente e nosso futuro!

Nas últimas três semanas, a classe trabalhadora brasileira agarrou o futuro com as duas mãos e bradou, de punhos cerrados e com o sorriso no rosto, que não aceitaria mais um governo de retrocessos democráticos, de negacionismo científico, de ataque à educação e aos direitos sociais e de violência miliciana - violência esta que se expressa na escalada de ataques, agressões e assassinatos cometidos pelos fascistas após o resultado das urnas, que reclamam não apenas nossa denúncia, mas também nossa organização e vigilância.

Que o contundente recado dos milhões de brasileiros e brasileiras nas ruas todos os dias em todo o país seja apenas um ensaio inicial da necessária conformação de uma nova maioria engajada, fundamental para enfrentar o difícil e tenebroso inverno congressual que teremos nos próximos quatro anos e da difícil tarefa de garantir a nossa soberania popular diante do avanço do neofascismo e do imperialismo, que certamente tentarão, de todas as formas, fazer com que o governo que o povo reelegeu se conforme à posição de vassalagem. Mas se o povo elegeu, o povo é quem mais ordena, já dizia a canção. Então, que não esqueçamos o caminho das ruas! A Adufmat certamente não irá esquecer e estará ombro a ombro com o conjunto da nossa classe para fazer valer a vontade popular e sua necessária soberania.

Viva a classe trabalhadora!
Por soberania e direitos sociais, é povo na rua e nas redes!
Venceremos!

 


Cuiabá, 27 de outubro de 2026
Diretoria Colegiada da Adufmat-Ssind: “Adufmat é pra lutar!” (2025-2027)

Sexta, 23 Outubro 2026 10:11

 

Atualizada às 14h50 de 27/10/26 para alteração do horário de funcionamento na subsede de Sinop*

A Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adufmat-Ssind) informa à categoria que, em razão da suspensão das atividades da UFMT, por decisão do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe), nos dias 23, 26 e 28/10, haverá alterações no funcionamento das sedes da entidade.

Nesta sexta-feira, 23/10, o expediente na sede de Cuiabá será mantido até as 11h30, para encaminhamento das questões relacionadas à mobilização prevista para o período da tarde e para a retirada de ingressos do Baile da Adufmat-Ssind.


Na segunda-feira, 26/10, e na quarta-feira, 28/10, não haverá expediente na sede, em Cuiabá, e na subsede do Araguaia. Na subsede de Sinop haverá expediente normal. 

Na quinta e sexta-feira, dias 29 e 30/10, o expediente será normal, das 7h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h30.   


A Adufmat-Ssind agradece a compreensão de todos e todas.

Sexta, 23 Outubro 2026 10:07

 

O ANDES-SN esteve presente, ao lado do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) — do qual o Sindicato Nacional é entidade filiada — e de diversas organizações da sociedade civil, em uma manifestação realizada na tarde de segunda-feira (19) em frente à sede da multinacional Meta, no bairro Itaim Bibi, na zona sul de São Paulo (SP).

 

Foto: Sergio Borelli

 

O protesto reuniu cerca de 500 manifestantes sob o slogan “Meta, não se meta na nossa eleição”. A mobilização denunciou o uso do poder econômico, técnico e tecnológico da gigante das redes sociais — proprietária do Facebook, Instagram e WhatsApp — para manipular o debate público e favorecer candidaturas da extrema direita, prejudicando de forma direta o alcance da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de diversas entidades populares. Para o Sindicato Nacional, a defesa da integridade democrática e da soberania nacional está diretamente atrelada ao pleno direito à comunicação e ao enfrentamento da manipulação promovida pelas grandes corporações de tecnologia.

 

“A presença do ANDES-SN nessa mobilização é coerente com a luta que o Sindicato Nacional vem desenvolvendo em defesa da soberania digital, da autonomia universitária e da educação, da ciência e da tecnologia públicas. O poder das grandes empresas de tecnologia ultrapassa o controle das plataformas de comunicação: envolve a apropriação e o processamento de dados, o domínio das infraestruturas digitais e a capacidade de interferir na circulação de informações e no debate público. Quando esse poder alcança os processos eleitorais, está em jogo também a soberania política do país e o direito da população de decidir democraticamente seus rumos”, afirma Regina Célia da Silva, 2ª vice-presidenta da Regional São Paulo, que esteve na manifestação.

 

A docente destaca que essa disputa tem implicações diretas para as universidades públicas. Segundo Regina, que também é da coordenação do Grupo de Trabalho de Ciência e Tecnologia do ANDES-SN (GTC&T), a produção científica e tecnológica brasileira depende cada vez mais de plataformas, serviços de nuvem e sistemas controlados por corporações estrangeiras. “O acesso, o armazenamento e o processamento de dados produzidos nas instituições públicas não podem ficar subordinados aos interesses privados de grandes empresas transnacionais. Defender a soberania digital significa fortalecer a capacidade tecnológica nacional, as infraestruturas públicas, o software livre e as redes públicas de dados e repositórios, assegurando autonomia científica e universitária”, alerta.

 

Foto: Arquivo Pessoal

 

A coordenadora do GTC&T lembra que o ANDES-SN vem discutindo criticamente esse modelo de desenvolvimento, seus impactos socioambientais e a dependência tecnológica que aprofunda a posição subordinada do Brasil na divisão internacional do trabalho. Em defesa da soberania, o Sindicato Nacional também tem questionado as políticas de incentivo a essas infraestruturas quando não estão subordinadas ao interesse público, à proteção ambiental e ao desenvolvimento de capacidades tecnológicas próprias.

 

“Por isso, a participação do ANDES-SN no ato contra a Meta não constitui uma pauta isolada: expressa o compromisso do movimento docente com a luta antimperialista, a defesa da democracia e a construção de um projeto de país soberano. É necessário enfrentar a concentração de poder das big techs, proteger os dados e os direitos da população e fortalecer uma política pública de ciência e tecnologia orientada pelas necessidades sociais, e não pela acumulação de lucros das grandes corporações”, conclui.

 

A atividade foi articulada por diversas entidades como CTRL+Z, DiraCom, Artigo 19 e Sleeping Giants Brasil, contando também com a participação da União Nacional dos Estudantes (UNE) e de outros movimentos sociais e populares. Durante o ato, manifestantes exigiram o fim imediato dos banimentos e suspensões arbitrárias de contas, transparência total sobre o funcionamento dos algoritmos e reparação pelos prejuízos causados na reta final do segundo turno.

 

Demonstrando o controle exercido sobre o debate público, ativistas denunciaram ainda que a própria Meta dificultou a busca pela hashtag oficial do ato (#MetaNãoSeMeta) em suas ferramentas ao longo do dia da manifestação. Em nota enviada à imprensa, a corporação negou favorecimento político e afirmou que suas regras e algoritmos seriam aplicados de forma isonômica a todos os usuários.

 

“O que ocorre hoje nas eleições brasileiras expõe ao mundo inteiro a centralidade do enfrentamento à concentração econômica e de poder em torno das plataformas digitais. Muito longe de serem espaços neutros, na verdade, esses são agentes que funcionam a serviço do imperialismo, que fazem parte do projeto imperialista e que têm utilizado novas formas de manipulação social, como a censura, a criação de bolhas, para impedir que o debate público aconteça de uma maneira mais transparente”, avalia Helena Martins, 2ª secretária da Regional Nordeste 1 do Sindicato Nacional e do Grupo de Trabalho de Comunicação e Arte (GTCA).

 

ONU cobra Meta por interferência na eleição

As diversas denúncias da sociedade civil em relação à interferência da Meta nas eleições brasileiras tiveram forte repercussão e respaldo internacional. Em comunicado oficial divulgado nessa quarta-feira (21), um grupo de especialistas independentes da Organização das Nações Unidas (ONU) cobrou formalmente a Meta pela imposição de restrições desproporcionais e injustificadas contra a expressão política legítima no Brasil durante o período eleitoral.

 

O documento foi assinado por relatores especiais do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que manifestaram profunda preocupação com relatórios de monitoramento que comprovam a suspensão de contas, redução drástica de alcance e limitações de compartilhamento impostas a jornalistas, defensores de direitos humanos, lideranças sociais e perfis vinculados à campanha de Luiz Inácio Lula da Silva. Ressaltaram, ainda, que algoritmos e sistemas de moderação privatizados não podem atuar como "árbitros invisíveis" da discussão política nacional, sublinhando que reparações tardias tomadas durante o período eleitoral provocam danos irreversíveis à democracia.

 

Para Helena Martins, o fato de a ONU manifestar preocupação com a atuação das plataformas no Brasil durante o período eleitoral é algo inédito e sinaliza o quão grave é a situação. “Em outros momentos históricos, como no caso do Brexit ou das eleições dos Estados Unidos de 2016, demorou-se muito tempo para se confirmar a atuação manipuladora das plataformas digitais, a utilização de dados de forma criminosa e outras práticas nocivas ao debate público e à própria democracia. Agora, o que a gente está vivendo realmente é uma explicitação dessa utilização, o que na verdade pode ser interpretado como uma expressão do grau da disputa imperialista no tempo presente”, avalia a diretora do ANDES-SN.

 

Fonte: Andes-SN