Quarta, 12 Agosto 2026 11:32

 

 

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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 

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Por Danilo de Souza*
 

A história energética do século XX foi marcada por sucessivas transformações. O carvão sustentou a industrialização e a expansão das ferrovias; o petróleo ganhou protagonismo com a difusão do automóvel, da aviação e dos motores de combustão interna; e a eletrificação ampliou o aproveitamento da energia hidrelétrica e dos combustíveis fósseis. Após a Segunda Guerra Mundial, a energia nuclear acrescentou uma nova dimensão a essa trajetória. O programa Atoms for Peace, anunciado pelos Estados Unidos em 1953, impulsionou as aplicações civis da tecnologia atômica. A usina de Obninsk, na então União Soviética, entrou em operação em 1954 e, posteriormente, Reino Unido, Estados Unidos, França, Canadá e Japão desenvolveram programas nacionais. A energia nuclear passou a simbolizar modernização industrial, soberania tecnológica e segurança de suprimento, sobretudo após os choques do petróleo (IAEA, 2009).

Essa trajetória, contudo, não foi linear. Os acidentes de Three Mile Island, em 1979, Chernobyl, em 1986, e Fukushima Daiichi, em 2011, ampliaram as preocupações com a segurança, os resíduos radioativos e a capacidade institucional. O IPCC reconhece que esses eventos reduziram o apoio público à energia nuclear, embora seus efeitos tenham variado conforme a experiência nacional, a confiança nos reguladores e a percepção dos riscos. Não houve, portanto, abandono mundial uniforme: parte da Europa e da América do Norte desacelerou os investimentos ou adotou políticas de saída, enquanto países asiáticos continuaram a expandir seus programas (IPCC, 2022; IAEA, 2009).

Fukushima representou a ruptura mais profunda desse período recente. O Japão suspendeu todos os seus reatores e passou a depender mais de combustíveis fósseis importados. Em outras economias do Atlântico Norte principalmente, grandes projetos nucleares enfrentaram atrasos, custos crescentes e dificuldades de financiamento. Paralelamente, a liderança construtiva deslocou-se para a China e a Rússia: entre os 52 reatores cuja construção começou em 2017, 48 utilizavam projetos de ambos os países. A retração ocidental não significou, neste caso, um declínio energético; significou a redistribuição geográfica das capacidades industriais (IEA, 2025).

A crise energética iniciada em 2022 tornou essa transformação mais visível. O conflito da Ucrânia e as interrupções no comércio de energia expuseram a vulnerabilidade europeia ao gás importado e recolocaram a segurança de suprimento no centro das decisões. No Japão, a dependência de combustíveis importados reforçou o interesse no retorno gradual dos reatores, aprovados conforme os novos requisitos de segurança. Em diferentes países, a discussão passou a considerar, além do custo da eletricidade, a diversidade da matriz, a disponibilidade contínua, a estabilidade de preços e a resiliência a choques externos (IEA, 2022).

Essa mudança tem sido construída sobretudo no cenário europeu, no sentido de que não há contradição entre a ampliação do parque de energia nuclear e as “renováveis” de baixo carbono”. O IPCC projeta participação crescente da energia solar e eólica, mas ressalta que sistemas com elevada presença de fontes variáveis precisam combinar redes ampliadas, armazenamento, gerenciamento da demanda, integração regional e geração firme ou despachável. A eletrificação dos transportes, edifícios, centros de dados e de partes da indústria aumenta simultaneamente o consumo e a importância da confiabilidade. Nesse contexto, a energia nuclear pode complementar as renováveis ao fornecer eletricidade e calor de baixo carbono de forma contínua, além de contribuir para a adequação de capacidade e a estabilidade do sistema (IPCC, 2022; IEA, 2022).

É nesse sentido que a IEA identifica sinais de uma nova era nuclear. Seu relatório de 2025 registrou quase 420 reatores em operação, responsáveis por pouco menos de 10% da eletricidade mundial e pela segunda maior parcela de geração de baixa emissão, depois da hidrelétrica. Havia ainda 63 reatores em construção, totalizando mais de 70 GW, enquanto mais de 40 países planejavam novos projetos ou avaliavam essa possibilidade. Como mostra a Figura, entre 2020 e 2023, os investimentos anuais em novos reatores e em extensões da vida útil das instalações existentes cresceram em quase 50%, atingindo aproximadamente USD 65 bilhões. Os valores são expressos em dólares constantes de 2023 e foram convertidos para a moeda norte-americana com base nas taxas de câmbio de mercado. Segundo a IEA, eventuais sobrecustos responderam por apenas uma parcela marginal desse aumento, impulsionado principalmente pela implantação de nova capacidade nuclear. Apesar dessa retomada, o movimento permanece geograficamente desigual e concentra-se cada vez mais na Ásia (IEA, 2025).


 
Figura 1 - Investimento global em energia nuclear por tipo, 2000–2023. Fonte: IEA (2025).

 

Na Europa, a inflexão tornou-se visível nos âmbitos regulatório e industrial. Em 2022, o Ato Delegado Complementar da Taxonomia da União Europeia classificou determinadas atividades nucleares como de transição, sujeitas a critérios rigorosos de segurança, de gestão de resíduos, de financiamento do descomissionamento e de prazos de autorização. A decisão não tornou toda a atividade nuclear automaticamente “sustentável”, mas abriu espaço para seu financiamento no contexto da transição climática. Em 2023, a audaciosa proposta do Net-Zero Industry Act incluiu reatores nucleares modulares pequenos e tecnologias nucleares avançadas entre as tecnologias de impacto zero; o regulamento entrou em vigor em 2024. Nesse mesmo ano, foi criada a European Industrial Alliance on Small Modular Reactors, voltada à preparação de projetos para a década de 2030 (European Commission, 2022, 2023; IEA, 2025).

O movimento também ocorre fora da Europa. Até 2024, o Japão havia religado 14 dos 54 reatores comerciais desligados em 2011, sob requisitos adicionais de segurança contra terremotos, tsunamis, perda de resfriamento e outros riscos. Os Estados Unidos ampliaram o apoio às extensões de vida útil e aos reatores avançados; a Coreia do Sul preservou um papel relevante para a energia nuclear. A China colocou em operação comercial, em 2023, o reator de alta temperatura HTR-PM e mantém a maior carteira mundial de novas construções. Índia, Turquia e Emirados Árabes Unidos também incorporaram projetos nucleares às suas estratégias energéticas (IEA, 2025).

Os Small Modular Reactors ocupam posição central nessa expectativa de renovação. Com menor potência, fabricação modular e maior padronização, eles podem reduzir o investimento de cada projeto, permitir a implantação gradual e atender a redes menores e a instalações industriais. Alguns projetos também incorporam sistemas passivos de segurança e maior capacidade de monitoramento de carga. Alianças europeias, programas de demonstração nos Estados Unidos e iniciativas na China, no Reino Unido, na França, no Canadá e na Índia mostram que esse interesse já se materializou em políticas industriais e projetos concretos (IEA, 2022, 2025).


Entretanto, modularidade não garante eletricidade mais barata. O IPCC observa que o investimento total de um SMR pode ser menor, mas o custo por unidade de potência pode superar o de grandes reatores, sobretudo nos primeiros projetos. Os ganhos esperados dependem de fabricação em série, da padronização, da estabilidade regulatória, de fornecedores maduros e da aprendizagem entre unidades sucessivas. A própria IEA condiciona uma expansão acelerada à redução dos custos de construção, ao controle dos atrasos e à mobilização de financiamento. Os SMRs devem, portanto, ser apresentados como uma possibilidade promissora ainda sujeita à demonstração comercial, e não como solução de custo e prazo já comprovada (IPCC, 2022; IEA, 2025).


A dimensão geopolítica também exige equilíbrio. Tecnologias renováveis, redes, baterias, eletrônica de potência e motores de alto desempenho dependem de cadeias de minerais críticos frequentemente concentradas. A energia nuclear utiliza volumes relativamente menores de material por unidade de energia, mas sua cadeia também apresenta vulnerabilidades. Segundo a IEA, quatro países respondem por mais de três quartos da mineração de urânio, enquanto mais de 99% da capacidade de enriquecimento está concentrada em quatro fornecedores, com a Rússia representando cerca de 40%. A segurança nuclear requer, assim, diversificação da mineração, conversão, enriquecimento, fabricação de combustível e tecnologia de reatores, além de estoques e de cooperação internacional (IPCC, 2022; IEA, 2025).


Até 2040, não haverá uma combinação tecnológica única para todos os países. Recursos naturais, infraestrutura, capacidade financeira, aceitação pública e prioridades nacionais continuarão a definir trajetórias distintas. Entretanto, observa-se um entendimento crescente de que a energia nuclear poderá ampliar sua participação nas estratégias de descarbonização, especialmente nos países que focam em geração firme, contínua e de baixa emissão. Nesse contexto, ela não substitui as fontes de baixo carbono, mas pode atuar de forma complementar à eficiência energética, à eletrificação, às redes, ao armazenamento e à expansão da geração solar, eólica e hidráulica. Essa perspectiva não elimina os desafios relacionados à segurança, aos custos, aos resíduos radioativos e à governança, mas indica que a fonte nuclear voltou a ocupar um espaço relevante no planejamento dos sistemas elétricos de baixo carbono.


REFERÊNCIAS

[1] INTERNATIONAL ATOMIC ENERGY AGENCY. Status and Trends of Nuclear Technologies: Report of the International Project on Innovative Nuclear Reactors and Fuel Cycles (INPRO). IAEA-TECDOC-1622. Vienna: IAEA, 2009.

[2] CLARKE, L. et al. Energy Systems. In: IPCC. Climate Change 2022: Mitigation of Climate Change. Contribution of Working Group III to the Sixth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change. Cambridge: Cambridge University Press, 2022. Chapter 6, p. 613–746. DOI: 10.1017/9781009157926.008.
[3] INTERNATIONAL ENERGY AGENCY. The Path to a New Era for Nuclear Energy. Paris: IEA, 2025.
[4] INTERNATIONAL ENERGY AGENCY. Nuclear Power and Secure Energy Transitions: From Today’s Challenges to Tomorrow’s Clean Energy Systems. Paris: IEA, 2022.
[5] EUROPEAN COMMISSION. EU Taxonomy: Complementary Climate Delegated Act on Certain Nuclear and Gas Activities: Accelerating Sustainable Investments. Brussels: European Commission, 2022.
[6] COMISSÃO EUROPEIA. Proposta de Regulamento do Parlamento Europeu e do Conselho que estabelece um quadro de medidas para reforçar o ecossistema europeu de fabrico de produtos com tecnologia de impacto zero (Regulamento Indústria de Impacto Zero). COM(2023) 161 final. Bruxelas, 16 mar. 2023.


 OBS: Coluna publicada mensalmente na revista - "O Setor Elétrico".


*Danilo de Souza é professor na FAET/UFMT, pesquisador no NIEPE/FE/UFMT e no Instituto de Energia e Ambiente (IEE/USP).

Sexta, 07 Agosto 2026 14:48



A Diretoria da Adufmat-Ssind, no uso de suas atribuições regimentais, convoca todos os sindicalizados para Assembleia Geral Ordinária PRESENCIAL a ser realizada na sede da Adufmat-Ssind, em Cuiabá, e nas subsedes de Sinop e Araguaia:

 

Data: 12 de agosto de 2026 (quarta-feira)

Horário: 13h30 (Cuiabá) com a presença mínima de 10% dos sindicalizados e às 14h, em segunda chamada, com os presentes.

 

Pauta:


1. Informes;
2. Informes qualificados sobre o processo dos 28,86%;
3. Análise de Conjuntura; 
4. Comissão do Orçamento UFMT de 2027;
5. XVIII Encontro da Regional Pantanal.



A Assembleia será presencial e ocorrerá simultaneamente no auditório da sede da Adufmat-Ssind, em Cuiabá, e nas subsedes dos campi de Sinop e Araguaia.

 

 

Cuiabá, 07 de agosto de 2026

Gestão Adufmat é pra lutar!

Sexta, 07 Agosto 2026 14:24

 

Foto: CTERA

  

Nessa segunda-feira (3), sindicatos de docentes da educação superior e básica da Argentina realizaram uma paralisação nacional de 24 horas, acompanhada de mobilizações em todo o país. O protesto aconteceu no reinício das aulas, após o recesso de inverno, e denunciou o desfinanciamento da educação pública, o descumprimento da Lei de Financiamento Universitário e a política de arrocho salarial imposta pelo governo de Javier Milei.

A paralisação contou com a adesão da Confederação de Trabalhadores da Educação (CTERA), da Federação Nacional de Docentes Universitários (Conadu) e da Conadu Histórica, além de diversas outras organizações sindicais. As professoras e os professores exigem a recomposição dos salários — fortemente corroídos pela inflação — e a restituição do Fundo Nacional de Incentivo Docente (Fonid), um aporte estatal que compunha parte essencial dos vencimentos e foi eliminado pela atual gestão federal.


Para o movimento docente, a situação é agravada pelo que classificam como "lawfare educativo": uma ofensiva sistemática que utiliza ameaças legais e administrativas para punir sindicatos e desestimular a participação em greves legítimas. O governo federal tem tentado impor a "essencialidade" do serviço educativo para limitar o direito de greve, prevendo inclusive multas milionárias e a perda da personalidade jurídica para as entidades que não garantirem uma prestação mínima de 75% das atividades durante os protestos.


As entidades sindicais reforçaram, durante a manifestação, que "não há educação pública de qualidade sem liberdade sindical". O clima de hostilidade aos sindicatos levou a Argentina a figurar, pela primeira vez, entre os dez piores países do mundo para os direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras, segundo o Índice Global de Direitos da Confederação Sindical Internacional (CSI).


"Com uma contundente Greve Nacional, docentes de todo o país marchamos rumo ao Ministério da Economia para exigir o cumprimento da Lei de Financiamento Universitário, salários dignos e condições de trabalho condizentes com a importância da universidade pública", destacou a Conadu Histórica, em rede social. 


Segundo a entidade, o governo descumpre a lei, aprofunda o ajuste e tenta avançar contra o direito de greve, uma conquista histórica das trabalhadoras e dos trabalhadores. Frente ao ajuste e à perseguição, a categoria docente responde com unidade, organização e luta.


"O governo mente e não cumpre decisões da Suprema Corte de Justiça em relação à Lei de Financiamento Universitário (...) Este governo vai descumprir expressamente todos os processos democráticos previstos em nossa Constituição”, afirmou Oscar Vallejos, secretário-adjunto da Conadu Histórica.


Crise diplomática com o Brasil


A tensão política na Argentina transborda as fronteiras e atinge as relações com o principal parceiro comercial da região. Recentemente, o governo brasileiro retirou o seu embaixador em Buenos Aires e rebaixou o nível da relação diplomática com o país vizinho. A medida foi uma resposta direta às ofensas proferidas por Javier Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aprofundando o isolamento regional da administração argentina.


Violência de gênero e desproteção social


Além dos cortes na educação e ataques aos demais direitos sociais, o país enfrenta uma crise social alarmante. Organizações de direitos humanos denunciam um cenário de desproteção que estimula o aumento da violência contra a mulher.


Em 2026, a Argentina já registra 150 casos de feminicídio, com crimes ocorrendo a cada 35 horas. O aumento nas estatísticas é atribuído pelas entidades ao esvaziamento de programas públicos, ao corte de recursos para prevenção e ao discurso oficial que nega a existência da violência de gênero.


Fonte: Andes-SN (com informações da TeleSur e Agência Brasil)

Sexta, 07 Agosto 2026 13:59

 

 

Seguir o princípio constitucional da isonomia no contexto dos direitos do funcionalismo federal é fundamental para impedir privilégios e proteger os servidores e as servidoras. No entanto, o que se vê na prática são distorções profundas nos benefícios pagos a servidoras e servidores do Executivo em relação aos assegurados para aqueles e aquelas que são vinculados ao Legislativo e Judiciário, denuncia o Fórum das Entidades Nacionais de Servidores Públicos Federais (Fonasefe).


A maior diferença é no auxílio-saúde. A defasagem atinge a expressiva marca de 182,63% para servidoras e servidores do Executivo. No suporte à assistência pré-escolar para os filhos dos servidores do Executivo, o auxílio-creche, a distorção é de 59,18%.  Já para o auxílio-alimentação a defasagem chega a 35,9%.


Este abismo entre os três Poderes tende a aumentar com as diretrizes do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) 2027, enviado ao Congresso em abril, e que deve ser votado após o recesso parlamentar. O texto veda qualquer reajuste nos benefícios de auxílio-alimentação e refeição acima do IPCA acumulado desde abril de 2026, impedindo concretamente qualquer tentativa de equiparação entre os benefícios.


Para o Fonasefe, é preciso intensificar a luta pela retirada das travas do PLDO 2027 para que as categorias consigam avançar na reivindicação de equiparação dos benefícios entre os Poderes. “O serviço público é estratégico para o desenvolvimento do Brasil e deve ser tratado como investimento social, e não como mero corte de gastos”, afirma o Fórum.


Fonte: Fonasefe (com edição do ANDES-SN)

Sexta, 07 Agosto 2026 13:56

 

Em uma decisão considerada histórica, a 2ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro condenou o sargento reformado do Exército, Antônio Waneir Pinheiro de Lima, conhecido como "Camarão”, pelos crimes de sequestro, cárcere privado qualificado e estupro cometidos durante a ditadura empresarial-militar. Os crimes foram perpetrados em 1971 contra a historiadora e militante política Inês Etienne Romeu nas dependências da "Casa da Morte", um centro clandestino de tortura, em Petrópolis (RJ).

A “Casa da Morte”, centro de torturas, desaparecimentos e assassinatos durante a ditadura. Foto: Paula Franco/MDHC


A pena fixada pela juíza federal Maria Isadora Tiveron Frizão foi de 12 anos, 11 meses e 25 dias de reclusão em regime inicial fechado. A sentença também determinou a perda do cargo público militar ocupado pelo réu. 


Relato histórico


Inês Etienne morreu em abril de 2015, aos 72 anos, por insuficiência respiratória, em sua casa, em Niterói, na região metropolitana do Rio. Ela é reconhecida como a única sobrevivente da “Casa da Morte”.


A ex-guerrilheira fez um relato histórico ao Conselho Federal da OAB, em 1979, revelando detalhes das torturas físicas e psicológicas a que foi submetida por agentes do Centro de Informações do Exército (CIE), na chamada Casa da Morte de Petropólis, um local de tortura e desaparecimento durante a ditadura empresarial-militar.


Crimes contra a humanidade


A condenação fundamentou-se em precedentes internacionais e no entendimento de que o estupro e o cárcere privado, praticados em um contexto de ataque estatal sistemático, constituem crimes contra a humanidade. Por essa razão, a magistrada reconheceu que tais atos são imprescritíveis e não passíveis de aplicação da Lei de Anistia de 1979.


Em sua decisão, a juíza destacou que a perseguição penal não reflete "revanchismo histórico", mas sim o compromisso do Estado brasileiro em tutelar a dignidade da pessoa humana e garantir um futuro livre de violações intoleráveis.  “Aludido discurso se lastreia na mesma perspectiva ideológica que imperou durante o regime militar que ainda grassa: por meio dele se reduz a sociedade a dois grupos antagônicos, em polarização extrema; desacreditam-se as instituições – em especial, o funcionamento imparcial do sistema de justiça –; e, por último, subestima-se o valor humano, que é preterido por outros princípios e objetivos. Mas não há desforra, tampouco outros interesses, senão fazer valer o compromisso assumido pela ordem estatal brasileira em, de forma indeclinável, incondicional e atemporal, tutelar a dignidade da pessoa humana, em prol de um futuro livre de violações intoleráveis”, pontuou a magistrada. 


ANDES-SN na luta


A luta por Memória, Verdade, Justiça e Reparação tem sido uma pauta central para o ANDES-SN, que realizou, entre os dias 19 e 21 de junho de 2026, o Seminário Memória, Verdade, Justiça e Reparação na unidade Maracanã do Cefet-RJ. O evento, organizado pelo Grupo de Trabalho de História do Movimento Docente (GTHMD) e pela Comissão da Verdade do Sindicato Nacional, debateu justamente o enfrentamento ao golpismo e as violações de direitos humanos.


Durante o seminário, no dia 20 de junho, foi lançado o Caderno 30 do ANDES-SN: “Memória, Verdade, Justiça e Reparação - 60 anos do Golpe”. A publicação é fruto das reflexões acumuladas pela categoria e representa uma contribuição essencial para a preservação da memória histórica e o fortalecimento das lutas em defesa da democracia.


Acesse aqui a publicação.

 

Fonte: Andes-SN (com informações do TRF2-RJ e Agência Brasil)

Sexta, 07 Agosto 2026 08:21

 

 

O ANDES-SN conclama suas seções sindicais e o conjunto da categoria docente a construírem, no dia 13 de agosto, um Dia de Solidariedade Internacionalista com Cuba. A mobilização visa reafirmar a solidariedade internacionalista à luta do povo cubano e enfrentar o bloqueio e as agressões imperialistas, especialmente dos Estados Unidos, que ameaçam a soberania dos povos da América Latina.


A realização desta agenda é uma resolução do 69º Conad, realizado em julho deste ano em São Luís (MA). Essa decisão intensifica as políticas de apoio e solidariedade à Cuba que já haviam sido aprovadas pela categoria no 68º Conad, ocorrido em 2025, e no 44º Congresso, no início de 2026.


Através da Circular nº 293/2026, o Sindicato Nacional orienta que as seções sindicais organizem ações políticas, acadêmicas e culturais em suas Instituições de Ensino Superior (IES). O documento destaca a relevância de pautar a resistência cubana e enfrentar as políticas de desestabilização internacional.


O presidente do ANDES-SN, Claudio Mendonça, reforçou a importância da unidade na construção desta data. "Convocamos cada seção sindical, cada docente desse país a, junto com outras entidades sindicais, movimentos sociais, juventudes, construirmos atos, debates, mobilizações, reafirmando a nossa solidariedade à luta internacional do povo cubano e contra as agressões imperialistas", conclamou.


Mendonça ressaltou ainda que, na atual conjuntura, defender Cuba significa se colocar ao lado de quem se levanta mundialmente contra a extrema direita e contra as máquinas de destruição de povos e países. Para o Sindicato Nacional, ataques à soberania de qualquer país latino-americano representam uma ameaça direta à democracia e soberania brasileira.


Orientações às Seções Sindicais


As seções sindicais devem informar as atividades planejadas para o dia 13 de agosto através do preenchimento de um formulário online. O ANDES-SN também enviará materiais de mídia e artes complementares para fortalecer as mobilizações locais.


Missão à Cuba


Entre final de abril e início de maio deste ano, uma delegação do ANDES-SN, composta por duas representações da diretoria nacional e por representantes das seções sindicais Adufop SSind., Adufmat SSind., Adufes SSind. e Adufu SSind., participou ativamente das celebrações do 1º de Maio em Cuba. As e os docentes realizaram uma intensa agenda de formação política, intercâmbio sindical e ações de solidariedade humanitária. 


A missão, composta por 11 docentes brasileiros e brasileiras, cumpriu uma deliberação aprovada no 44º Congresso do Sindicato Nacional, para fortalecer o apoio internacionalista ao povo cubano frente ao bloqueio econômico. 


Bloqueio gera novo apagão


Cuba sofreu, no último domingo (2), um novo apagão nacional em sua rede elétrica, afetada pela escassez de combustível devido ao bloqueio petrolífero dos Estados Unidos. A União Elétrica de Cuba (UNE) anunciou, na rede social X, uma “desconexão total” do Sistema Eletroenergético Nacional (SEN) por volta das 22h43 (horário local), o que voltou a deixar o país no escuro. O governo cubano anunciou posteriormente que medidas foram adotadas para restabelecer o serviço.


É o segundo apagão consecutivo enfrentado pela ilha, em meio ao que Havana denuncia como um “cerco energético” e um bloqueio por parte dos EUA que classifica como “genocídio”.

 

Fonte: Andes-SN 

Quinta, 06 Agosto 2026 14:27

 

Para provocar o debate sobre a defesa da soberania dos povos e fortalecimento das organizações políticas de trabalhadores da América Latina, a Adufmat-Ssind realiza, na próxima quinta-feira, 13/08, às 19h, a mesa de debate "Em Defesa de Cuba e da Soberania dos Povos: 100 anos com Fidel". O evento, gratuito e aberto a todos os interessados, será realizado no auditório da Adufmat-Ssind.

A atividade integra a iniciativa do Andes - Sindicato Nacional e suas seções sindicais, de incentivar a reflexão sobre os processos históricos e políticos que marcaram a luta dos povos latino-americanos por autodeterminação e independência frente ao avanço das intervenções imperialistas no Dia de Solidariedade Internacionalista. A data foi escolhida em homenagem ao centenário de nascimento de Fidel Castro (13/08/1926), uma das principais lideranças da Revolução Cubana e ex-presidente de Cuba, que chegou a comparecer ao 38º Conselho do Andes (Conad), em 1999.


A mesa contará com a participação do diretor-geral da Adufmat-Ssind, Breno Santos, e da professora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Lélica Lacerda, que representaram a Adufmat-Ssind no 1º de Maio Cubano este ano, além do integrante da Coordenação Estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Vanderly Scarabeli. Os convidados irão abordar diferentes perspectivas sobre a experiência cubana, a soberania dos povos e os desafios impostos à América Latina.


Além do debate, a programação inclui, ainda, música ao vivo e comida típica cubana.


A Adufmat-Ssind convida toda a comunidade acadêmica e os movimentos sociais a participarem da atividade, fortalecendo um espaço de diálogo, formação política e defesa da solidariedade entre os povos.



Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

Quarta, 05 Agosto 2026 16:12

 

A Adufmat-Ssind informa que o atendimento presencial na sede do sindicato, em Cuiabá, foi restabelecido após a conclusão do conserto do sistema de abastecimento de água, que havia motivado a suspensão temporária das atividades presenciais.

A partir da tarde desta quarta-feira, 05/08, docentes já podem voltar a procurar a sede para atendimento e encaminhamento de suas demandas.

O horário de funcionamento da Adufmat-Ssind permanece o mesmo, de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h30.

O sinicato agradece a compreensão de todas e todos durante o período de suspensão temporária do atendimento presencial.

Quarta, 05 Agosto 2026 12:17

 

O ANDES-SN reafirmou seu compromisso com a defesa do direito à comunicação ao participar da 27ª Plenária Nacional do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), realizada no último sábado (1), em São Paulo e em formato híbrido. A entidade foi representada pelo 2º vice-presidente da Regional Sul, Edmilson da Silva,que também compõe a coordenação do Grupo de Trabalho de Comunicação e Artes (GTCA) do Sindicato Nacional.


A presença do ANDES-SN na plenária é um desdobramento direto das resoluções do 69º Conad, realizado em julho de 2026, em São Luís (MA). Durante o evento, a categoria docente aprovou a retomada da integração permanente do Sindicato Nacional ao FNDC, bem como o engajamento das seções sindicais nos comitês estaduais do Fórum. Essa decisão visa fortalecer a disputa de hegemonia e de consciência na sociedade, pauta considerada central para o avanço de todas as reivindicações da classe trabalhadora.


“No nosso último Conad, a categoria deliberou pelo retorno do ANDES-SN ao FNDC. E a nossa participação nessa 27ª Plenária foi de extrema importância exatamente para deixar evidente nosso alinhamento com as posições do FNDC e de que a gente pode avançar muito, tanto na área da comunicação como na área da cultura. Essa aproximação com movimentos e coletivos defendem o direito à comunicação é de extrema importância para o ANDES-SN exatamente porque fortalece e cria essa sinergia tão importante para a nossa comunicação, que é uma das áreas de maior relevância dentro da atividade sindical”, explicou o diretor do Sindicato Nacional. 



Plataforma de 20 Pontos e Balanço de Gestão


A abertura da plenária contou com uma mesa de análise de conjuntura, que abordou o papel das tecnologias da informação, comunicação e da internet.  A secretária-geral do FNDC e também integrante da diretoria do ANDES-SN, Helena Martins, destacou durante a mesa que a comunicação é um campo estruturante do capitalismo contemporâneo, e que movimentos populares, sociais e sindicais devem incorporá-la como dimensão central de suas lutas para garantir a soberania digital, o direito à comunicação e outros direitos sociais.


Na sequência, foi aprovado o balanço do primeiro ano da atual gestão do FNDC, que destacou avanços na incidência política no Congresso Nacional, a expansão da comunicação institucional. Outra ação relevante em andamento é a Caravana pela Democratização da Comunicação e Soberania Digital, que já aconteceu em quatro capitais, envolvendo comitês de seis estados e mais de 300 participantes. 


“É importante ressaltar que foi um momento de grande aprendizado, de troca de informações e de muito alinhamento e de crescimento pessoal também, e que pretendo levar para a diretoria um pouco desse momento de todo o aprendizado vivido durante essa plenária”, contou Edmilson.


No períoro da tarde, a plenária discutiu e aprovou a Plataforma Política 20 Pontos para uma Comunicação Democrática, voltada para as eleições de 2026. O documento, uma carta-compromisso a ser assinada por candidaturas aos executivos e legsslativos federal, estadual e distrital, reúne propostas como a atualização da legislação para combater monopólios midiáticos, a regulação democrática da inteligência artificial e o fortalecimento da comunicação pública. 


Para o ANDES-SN, os pontos elencados na plataforma são fundamentais para enfrentar a ascensão da extrema direita e defender a autonomia universitária frente ao avanço das tecnologias de controle das grandes corporações. “Um momento importante também foi o da entrega da carta de intenções para candidatos e seus representantes. Carta essa que aponta vários eixos importantíssimos para os próximos quatro anos e que se baseia, praticamente, também na questão da regulação das redes sociais, de uma comunicação mais popular e que garanta recursos para que a comunicação seja o mais democrática possível”, afirmou o 2º vice-presidente da Regional Sul do Sindicato Nacional.


Acesse aqui Plataforma Política 20 Pontos para uma Comunicação Democrática

 

Fonte: Andes-SN  

Quarta, 05 Agosto 2026 12:14

 

O ANDES-SN participou, na manhã da última sexta-feira (31), da reunião de instalação do Grupo de Trabalho (GT) para aprimoramento dos mecanismos de participação e gestão democrática nas Instituições Federais de Ensino Superior (IFE). A atividade ocorreu presencialmente, na sede do Ministério da Educação (MEC), em Brasília (DF), no âmbito da Mesa Setorial de Negociação Permanente e contou com a participação de outras entidades ligadas à Educação.

Foto: Eline Luz / Imprensa ANDES-SN


Instituído pela Portaria 549, de 15 de junho de 2026, o GT tem como objetivo elaborar subsídios e propostas para fortalecer os mecanismos de participação e gestão democrática nas IFE. A Portaria 614, de 14 de julho deste ano, formalizou a composição dos membros titulares e suplentes do grupo.


O ANDES-SN foi representado pela secretária-geral do Sindicato Nacional, Fernanda Maria Vieira, e pela 1ª vice-presidenta da Regional Planalto, Lívia Santos.


A reunião se iniciou com a apresentação oficial das e dos integrantes do GT, da metodologia de trabalho e do cronograma de atividades, que será desenvolvido ao longo de 90 dias. A previsão é de que o relatório final seja entregue em 20 de outubro e sirva de base para a construção de novos marcos regulatórios voltados à democratização das instituições federais de ensino superior.


Segundo Fernanda Maria Vieira, o encontro teve caráter organizativo e definiu as próximas etapas dos trabalhos. "A reunião do GT Democratização foi muito objetiva e operativa. Ela debateu a metodologia das reuniões e o seu calendário. Por isso, inclusive, foi uma reunião célere, por conta do papel que ela estava desempenhando", informou.


A secretária-geral do ANDES-SN destacou que as duas primeiras reuniões, previstas para os dias 13 e 27 de agosto, ocorrerão de forma virtual e serão dedicadas à apresentação, pelas entidades participantes, de diagnósticos sobre a situação da gestão democrática nas instituições e sobre a forma como vêm sendo realizados os processos eleitorais.


Na sequência, serão realizadas três reuniões presenciais, em setembro e outubro, destinadas ao debate de propostas e à elaboração de novos marcos regulatórios voltados ao fortalecimento da gestão democrática nas instituições federais de ensino.


Para a diretora do ANDES-SN, é fundamental que o cronograma seja cumprido, uma vez que diversas universidades já iniciaram a organização de seus processos eleitorais ainda sob as regras estabelecidas pela Lei 9.192/1995, que mantém a composição desigual dos colegiados responsáveis pela escolha de dirigentes, ao estabelecer o mínimo de 70% de representantes do corpo docente.


“O ANDES-SN defende que esse calendário seja cumprido, principalmente porque uma série de universidades já está organizando as suas eleições ainda sob a égide da Lei 9.192, de 1995. A divulgação deste relatório poderá subsidiar essas universidades a já ingressarem em novas regras, garantindo uma maior democratização das nossas instituições", ressaltou.


Fernanda também avaliou como positiva a iniciativa do MEC em constituir o GT e reconhecer sua importância na formulação de uma nova regulamentação para o tema. A docente acrescentou que a construção coletiva das propostas poderá contribuir para superar aspectos autoritários ainda presentes na legislação vigente.


"O governo compreendeu que essa produção dialógica, a partir do GT, de discussão sobre o que é uma real e concreta democracia, vai nos permitir superar muitas das permanências autoritárias presentes na Lei 9.192/95. Embora ela tenha representado um avanço em relação ao marco normativo da ditadura empresarial-militar, manteve uma leitura autoritária ao reduzir a importância da participação de estudantes e de técnico-administrativos na vida política das nossas universidades", afirmou.


Próximas reuniões


O cronograma aprovado pelo GT prevê encontros quinzenais até a conclusão dos trabalhos:

13 de agosto – reunião virtual: apresentação dos diagnósticos das entidades;

27 de agosto – reunião virtual: continuidade dos diagnósticos;

10 de setembro – reunião presencial no MEC: debate das propostas;

24 de setembro – reunião presencial no MEC: debate;

8 de outubro – reunião presencial no MEC: debate;

20 de outubro – reunião presencial no MEC: apresentação e entrega do relatório final.

 

Fonte: Andes-SN