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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
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Roberto Boaventura da Silva Sá
Dr. em Ciências da Comunicação/USP
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Calma, (e)leitor! O “demos”, do título, de origem grega, refere-se à primeira parte da palavra “demo/cracia”, e significa “povo”. “Cracia”, de “kratos”, indica a forma de “poder”. Na aglutinação, a completude da ideia é a do “poder que emana do povo”.
Essa incrível construção para a convivência regrada dos seres humanos adveio, paradoxalmente, das ações de duas divindades gregas, ambas associadas à fundação e aos debates da democracia em Atenas: 1ª) Zeus Agoraios, protetor da ágora e da assembleia livre. “Ágora” era o coração político, econômico, social e cultural da Grécia Antiga); 2º) Peitho, deusa da persuasão e da retórica. Logo, o título acima poderia ser “Vitória da Democracia”, mas achei isso óbvio e insuficiente para este momento, pois vivemos em um Estado laico, no qual as ações humanas devem prevalecer sobre quaisquer intervenções atribuídas a entes sobrenaturais, sejam quais forem eles. Sempre o “povo”, portanto, o “demos”, é quem deve estar acima de tudo. Nada e ninguém mais.
Isso posto, agora, confesso: com a retumbante, inquestionável e merecida derrota de Flávio/Jair Bolsonaro para os 64.256.232 de eleitores que puderam e foram votar pela manutenção de nossa Democracia, reafirmo que: a) sou um conservador convicto, mas não na perspectiva do vil conservadorismo da violenta e mentirosa extrema-direita, sempre ancorada na cínica “tríade dogmática” Deus/Pátria/Família (DPF); b) sou um conservador da Democracia, à lá ensinamentos da Grécia Antiga, atualizados pela Revolução Francesa (1789), que elaborou as bases teóricas e práticas fundamentais do moderno Estado Democrático de Direito; c) sou um conservador que luta, junto com outros brasileiros – patriotas de verdade, e não estúpidas marionetes de um ardiloso jogo político internacional – pela manutenção do status quo constitucional contra qualquer autoritarismo, seja em nosso país ou alhures; d) sou um conservador que abomina aquelas criaturas ignorantes até a raiz do cabelo que clamam, em vias públicas e em redes sociais, por intervenção dos EUA em “Terras Brasilis”.
E para sustentar esse tipo de conservadorismo que sempre abracei, há de se fazer de tudo e um pouco mais do que for necessário. Fazer apenas o possível, diante de tantos e explícitos riscos, pode ser pouco. Mas por que, na contramão do que optou a maioria, o clã bolsonarista, preterindo todos os aliados, tentou voltar ao topo do poder por meio de um dos filhotes do mito golpista, ora condenado e presidiário, ainda que em domicílio?
Antes de uma resposta, vale relembrar que o lema DPF foi trazido à nossa “pauta política” por Jair Bolsonaro, que o encontrou nos ensinamentos antidemocráticos de Giuseppe Mazzini (final do séc. 19), e, posteriormente, apropriada pelo fascismo italiano, sob comando de Benito Mussolini, no início do séc. 20. No Brasil, Plínio Salgado, em outubro de 1932, também o utilizou como lema da Ação Integralista Brasileira, um movimento de extrema-direita inspirado no fascismo europeu.
Agora, sim, começo respondendo à lá Lula, único presidente eleito democraticamente quatro vezes para presidir um dos países mais complexos do planeta, conforme já registrava Roger Bastides em seu livro “Brasil, terra de contrastes”: “nunca como antes na história deste país”, faz-se necessário recorrer a cada instante à história, mas não sem observar um detalhe crucial: a “sincronia” – visão focalizada e descontextualizada de tudo – será sempre insuficiente para nossas reflexões hodiernas, que demandam embasamentos na “diacronia”, ou seja, na perspectiva que não desconsidera o passado em relação a um determinado foco/recorte a ser pensado no presente, tampouco se exime de reflexionar (e não especular/palpitar) sobre o porvir.
Isso posto, para a indagação que propus há pouco, vale saber que o lema DPF encontra-se na mesma linha ideológica da Tradição/Família/Propriedade (TFP), onde, de fato, estão os camuflados objetivos dos Bolsonaro; aliás, foi com base na TFP – que Jair pôde conhecê-la desde a infância – que houve a reatualização política do lema DPF.
A título de contextualizar, a TFP nasceu em São Paulo/1960, amparada nos estatutos da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade, sob comando de Plínio Corrêa de Oliveira, próximo de um grupo católico responsável pelo O Legionário, jornal que se propunha ser a voz do anticomunismo. Para isso, envolto a contornos quase paramilitares, a TFP cooptava jovens, principalmente das periferias, internando-os na organização, sob rigoroso controle ideológico. Em tais espaços, que nos remetem às clausuras medievais, eram treinados em artes marciais para a luta contrarrevolucionária, anticomunista e inimiga da reforma agrária.
Assim, das siglas DPF e TFP, por mais irônico que possa ser, apenas o “F”, de Família, encontra-se em ambas, desobrigando-nos de qualquer exercício de reflexão. Contudo, as demais letras estão em correspondência direta entre si: o “D”, de Deus, é proporcional ao “T”, de Tradição, posto que a religiosidade do bolsonarismo raiz, ou seja, do que cheira a enxofre, é o que se vincula à lógica do Antigo Testamento, em nada cristão; ao invés do “amai-vos uns aos outros”, reafirma-se a apologia do “dente por dente, olho por olho”. Em suma, é a prevalência do ódio, tal como o reconhecemos no comportamento desumano da maioria dos bolsonaristas assumidos. “Vade-retro”.
Já o “P”, de Pátria, está em correspondência ideológica com o “P”, mas de Propriedade. E é este “P” que é o “X” da questão. Quando Jair perde para Lula (2022) e se recusa a passar a faixa presidencial ao vencedor, orquestrando e incentivando um golpe militar no país, ele nos dá a certeza de querer se apropriar (ser proprietário) do Estado, que embute, pelo menos no imaginário popular, a ideia do “P”, de Pátria.
Nas eleições de agora, Flávio, cujo intelecto pouco se alarga em relação ao do pai, já havia dado a senha para um golpe, mas por dentro: mudar a Constituição em diversos pontos. Com um Congresso e um Senado, que receberão muitos agentes do crime organizado e das milícias como nunca antes na história deste país, nossa condição democrática seria aniquilada em tempo recorde. Contudo, a maioria do “demos” brasileiro entendeu isso, e muitos, dentre os quais me incluo, mesmo tendo críticas ao lulopetismo, não teve dúvidas e votou em Lula/13, que apenas corporificou uma coletividade que se deu conta de que não podia abrir mão de tudo que a democracia nos oferece e, na contramão, o autoritarismo nos subtrai.
Mas dias difíceis virão. As adversidades serão imensas. Em nome da Democracia, precisamos permanecer vigilantes. Aquela adesão às redes e, principalmente, às ruas deverá ter continuidade, pois ganhamos a batalha, não a luta, que, assim como o show, deve continuar.
Parabéns, “demos” brasileiro! Orgulhosamente, acabamos de ofertar a mais linda, emocionante e brava lição aos mais diferentes países do mundo, inclusive e principalmente aos EUA: como um povo, em pouquíssimo tempo, pode se reorganizar para barrar a chegada de um líder da extrema-direita ao poder máximo de uma República.
Camaradas,
Na nossa última nota política, publicada imediatamente após o resultado do primeiro turno, dissemos que a classe trabalhadora estava diante da tarefa histórica de disputar o futuro frente à ameaça existencial representada pela extrema-direita miliciana, que havia saído na dianteira naquele momento eleitoral. No último dia 25, ao final da apuração do segundo turno, assistimos, emocionados(as), ao sucesso histórico de parte dessa tarefa. Derrotamos, nas ruas e nas urnas, parte da ofensiva do setor mais violento e atrasado da história política brasileira! Vencemos, pois foi o povo, com os pés nas ruas e as mãos nas redes, que garantiu essa vitória histórica!
Os trabalhadores e trabalhadoras em Mato Grosso, em especial a sua juventude trabalhadora, lotaram as ruas, disputaram as redes e não arredaram o pé da disputa da consciência até que nos sagrássemos vencedores em uma virada antológica contra as forças do atraso. A Diretoria da Adufmat-Ssind gostaria de saudar os e as fazedoras de história pela generosidade com nosso passado, nosso presente e nosso futuro!
Nas últimas três semanas, a classe trabalhadora brasileira agarrou o futuro com as duas mãos e bradou, de punhos cerrados e com o sorriso no rosto, que não aceitaria mais um governo de retrocessos democráticos, de negacionismo científico, de ataque à educação e aos direitos sociais e de violência miliciana - violência esta que se expressa na escalada de ataques, agressões e assassinatos cometidos pelos fascistas após o resultado das urnas, que reclamam não apenas nossa denúncia, mas também nossa organização e vigilância.
Que o contundente recado dos milhões de brasileiros e brasileiras nas ruas todos os dias em todo o país seja apenas um ensaio inicial da necessária conformação de uma nova maioria engajada, fundamental para enfrentar o difícil e tenebroso inverno congressual que teremos nos próximos quatro anos e da difícil tarefa de garantir a nossa soberania popular diante do avanço do neofascismo e do imperialismo, que certamente tentarão, de todas as formas, fazer com que o governo que o povo reelegeu se conforme à posição de vassalagem. Mas se o povo elegeu, o povo é quem mais ordena, já dizia a canção. Então, que não esqueçamos o caminho das ruas! A Adufmat certamente não irá esquecer e estará ombro a ombro com o conjunto da nossa classe para fazer valer a vontade popular e sua necessária soberania.
Viva a classe trabalhadora!
Por soberania e direitos sociais, é povo na rua e nas redes!
Venceremos!
Cuiabá, 27 de outubro de 2026
Diretoria Colegiada da Adufmat-Ssind: “Adufmat é pra lutar!” (2025-2027)
Atualizada às 14h50 de 27/10/26 para alteração do horário de funcionamento na subsede de Sinop*
A Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adufmat-Ssind) informa à categoria que, em razão da suspensão das atividades da UFMT, por decisão do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe), nos dias 23, 26 e 28/10, haverá alterações no funcionamento das sedes da entidade.
Nesta sexta-feira, 23/10, o expediente na sede de Cuiabá será mantido até as 11h30, para encaminhamento das questões relacionadas à mobilização prevista para o período da tarde e para a retirada de ingressos do Baile da Adufmat-Ssind.
Na segunda-feira, 26/10, e na quarta-feira, 28/10, não haverá expediente na sede, em Cuiabá, e na subsede do Araguaia. Na subsede de Sinop haverá expediente normal.
Na quinta e sexta-feira, dias 29 e 30/10, o expediente será normal, das 7h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h30.
A Adufmat-Ssind agradece a compreensão de todos e todas.
Entidades protestam em frente à Meta contra interferência eleitoral e em defesa da soberania digital
O ANDES-SN esteve presente, ao lado do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) — do qual o Sindicato Nacional é entidade filiada — e de diversas organizações da sociedade civil, em uma manifestação realizada na tarde de segunda-feira (19) em frente à sede da multinacional Meta, no bairro Itaim Bibi, na zona sul de São Paulo (SP).
Foto: Sergio Borelli
O protesto reuniu cerca de 500 manifestantes sob o slogan “Meta, não se meta na nossa eleição”. A mobilização denunciou o uso do poder econômico, técnico e tecnológico da gigante das redes sociais — proprietária do Facebook, Instagram e WhatsApp — para manipular o debate público e favorecer candidaturas da extrema direita, prejudicando de forma direta o alcance da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de diversas entidades populares. Para o Sindicato Nacional, a defesa da integridade democrática e da soberania nacional está diretamente atrelada ao pleno direito à comunicação e ao enfrentamento da manipulação promovida pelas grandes corporações de tecnologia.
“A presença do ANDES-SN nessa mobilização é coerente com a luta que o Sindicato Nacional vem desenvolvendo em defesa da soberania digital, da autonomia universitária e da educação, da ciência e da tecnologia públicas. O poder das grandes empresas de tecnologia ultrapassa o controle das plataformas de comunicação: envolve a apropriação e o processamento de dados, o domínio das infraestruturas digitais e a capacidade de interferir na circulação de informações e no debate público. Quando esse poder alcança os processos eleitorais, está em jogo também a soberania política do país e o direito da população de decidir democraticamente seus rumos”, afirma Regina Célia da Silva, 2ª vice-presidenta da Regional São Paulo, que esteve na manifestação.
A docente destaca que essa disputa tem implicações diretas para as universidades públicas. Segundo Regina, que também é da coordenação do Grupo de Trabalho de Ciência e Tecnologia do ANDES-SN (GTC&T), a produção científica e tecnológica brasileira depende cada vez mais de plataformas, serviços de nuvem e sistemas controlados por corporações estrangeiras. “O acesso, o armazenamento e o processamento de dados produzidos nas instituições públicas não podem ficar subordinados aos interesses privados de grandes empresas transnacionais. Defender a soberania digital significa fortalecer a capacidade tecnológica nacional, as infraestruturas públicas, o software livre e as redes públicas de dados e repositórios, assegurando autonomia científica e universitária”, alerta.
Foto: Arquivo Pessoal
A coordenadora do GTC&T lembra que o ANDES-SN vem discutindo criticamente esse modelo de desenvolvimento, seus impactos socioambientais e a dependência tecnológica que aprofunda a posição subordinada do Brasil na divisão internacional do trabalho. Em defesa da soberania, o Sindicato Nacional também tem questionado as políticas de incentivo a essas infraestruturas quando não estão subordinadas ao interesse público, à proteção ambiental e ao desenvolvimento de capacidades tecnológicas próprias.
“Por isso, a participação do ANDES-SN no ato contra a Meta não constitui uma pauta isolada: expressa o compromisso do movimento docente com a luta antimperialista, a defesa da democracia e a construção de um projeto de país soberano. É necessário enfrentar a concentração de poder das big techs, proteger os dados e os direitos da população e fortalecer uma política pública de ciência e tecnologia orientada pelas necessidades sociais, e não pela acumulação de lucros das grandes corporações”, conclui.
A atividade foi articulada por diversas entidades como CTRL+Z, DiraCom, Artigo 19 e Sleeping Giants Brasil, contando também com a participação da União Nacional dos Estudantes (UNE) e de outros movimentos sociais e populares. Durante o ato, manifestantes exigiram o fim imediato dos banimentos e suspensões arbitrárias de contas, transparência total sobre o funcionamento dos algoritmos e reparação pelos prejuízos causados na reta final do segundo turno.
Demonstrando o controle exercido sobre o debate público, ativistas denunciaram ainda que a própria Meta dificultou a busca pela hashtag oficial do ato (#MetaNãoSeMeta) em suas ferramentas ao longo do dia da manifestação. Em nota enviada à imprensa, a corporação negou favorecimento político e afirmou que suas regras e algoritmos seriam aplicados de forma isonômica a todos os usuários.
“O que ocorre hoje nas eleições brasileiras expõe ao mundo inteiro a centralidade do enfrentamento à concentração econômica e de poder em torno das plataformas digitais. Muito longe de serem espaços neutros, na verdade, esses são agentes que funcionam a serviço do imperialismo, que fazem parte do projeto imperialista e que têm utilizado novas formas de manipulação social, como a censura, a criação de bolhas, para impedir que o debate público aconteça de uma maneira mais transparente”, avalia Helena Martins, 2ª secretária da Regional Nordeste 1 do Sindicato Nacional e do Grupo de Trabalho de Comunicação e Arte (GTCA).
ONU cobra Meta por interferência na eleição
As diversas denúncias da sociedade civil em relação à interferência da Meta nas eleições brasileiras tiveram forte repercussão e respaldo internacional. Em comunicado oficial divulgado nessa quarta-feira (21), um grupo de especialistas independentes da Organização das Nações Unidas (ONU) cobrou formalmente a Meta pela imposição de restrições desproporcionais e injustificadas contra a expressão política legítima no Brasil durante o período eleitoral.
O documento foi assinado por relatores especiais do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que manifestaram profunda preocupação com relatórios de monitoramento que comprovam a suspensão de contas, redução drástica de alcance e limitações de compartilhamento impostas a jornalistas, defensores de direitos humanos, lideranças sociais e perfis vinculados à campanha de Luiz Inácio Lula da Silva. Ressaltaram, ainda, que algoritmos e sistemas de moderação privatizados não podem atuar como "árbitros invisíveis" da discussão política nacional, sublinhando que reparações tardias tomadas durante o período eleitoral provocam danos irreversíveis à democracia.
Para Helena Martins, o fato de a ONU manifestar preocupação com a atuação das plataformas no Brasil durante o período eleitoral é algo inédito e sinaliza o quão grave é a situação. “Em outros momentos históricos, como no caso do Brexit ou das eleições dos Estados Unidos de 2016, demorou-se muito tempo para se confirmar a atuação manipuladora das plataformas digitais, a utilização de dados de forma criminosa e outras práticas nocivas ao debate público e à própria democracia. Agora, o que a gente está vivendo realmente é uma explicitação dessa utilização, o que na verdade pode ser interpretado como uma expressão do grau da disputa imperialista no tempo presente”, avalia a diretora do ANDES-SN.
Fonte: Andes-SN
O ANDES-SN divulgou, esta semana, a carta pública “Cientistas brasileiros se manifestam em defesa da democracia e do futuro do Brasil”, que reúne pesquisadoras e pesquisadores, docentes, estudantes, técnicas e técnicos em defesa da democracia, da soberania nacional e do sistema público de educação, ciência e tecnologia. A iniciativa ocorre na semana decisiva do segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Por meio da Circular nº 429/2026, o Sindicato Nacional orienta que as seções sindicais assinem a carta, ampliem a sua divulgação e convoquem a categoria a subscrever o documento, que foi construído por entidades representativas da educação e da ciência no Brasil, entre elas o ANDES-SN.
“Defendemos a Constituição de 1988: o pacto que assegura eleições livres, imprensa sem censura, autonomia universitária, direito de greve, educação, Sistema Único de Saúde e limites ao poder de quem governa. Nenhuma dessas conquistas caiu do céu — cada uma tem uma história, resulta de lutas concretas e foi construída com mobilização e resistência. Por isso nenhum grupo, partido ou família é dono da nação, nem pode monopolizar valores como pátria, família, liberdade e fé, que pertencem a milhões de brasileiros honestos e trabalhadores”, diz um trecho da carta.
O texto também alerta para os riscos do autoritarismo e critica ataques às universidades, à produção científica e às instituições democráticas. As signatárias e os signatários relembram episódios ocorridos na gestão de Jair Bolsonaro (2019-2022), como a desqualificação de dados científicos sobre o desmatamento, a promoção de tratamentos sem eficácia comprovada durante a pandemia de Covid-19, os cortes e bloqueios de recursos para a educação e a ciência e os ataques à credibilidade das urnas eletrônicas. O documento menciona, ainda, os atos de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas.
A defesa da democracia, segundo a carta, está diretamente relacionada à garantia de direitos, ao combate às desigualdades e à valorização dos serviços públicos. O texto destaca a importância da ciência e da tecnologia para o desenvolvimento nacional e para a construção da soberania brasileira. “Nosso compromisso permanece sendo com a democracia, com a população brasileira e com o futuro do país”, aponta o documento.
Leia e assine a carta pública:
Carta dos 10 mil
Fonte: Andes-SN
A essa altura, já não há mais dúvidas de que o bolsonarismo é uma expressão do fascismo à brasileira no século XXI e, como tal, busca se impor pelo pânico moral, medo e intimidação.
Nesta quinta-feira, dia 22 de outubro de 2026, tomamos conhecimento de prints de um grupo de bolsonaristas que, frustrados com o esvaziamento do ato da extrema direita realizado na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) na última semana, e com o levante estudantil em defesa da democracia e contra a extrema-direita que tomou o Brasil, prometeram vir armados à Universidade para intimidar estudantes e professores, colocando a vida da comunidade acadêmica em risco.
Quando se naturaliza o fascismo, ele avança. Nós não iremos nos intimidar, não iremos naturalizar as ameaças e muito menos nos calar diante da escalada de violência autoritária que os fascistas propõem.
A Associação dos Docentes da UFMT (Adufmat-Ssind) sempre lutou pela democracia e pluralidade, desde a ditadura, e vai seguir cumprindo sua missão.
Tomaremos todas as medidas cabíveis para a responsabilização das pessoas envolvidas e clamamos à comunidade acadêmica que tomem as ruas amanhã, dia 23 de outubro, a partir das 16 horas na praça Ipiranga para nosso ato em defesa da educação e da democracia.
Façamos da intervenção popular o freio à ascensão do horror fascista nas urnas e nas ruas!
Mato Grosso, 22 de outubro de 2026
Associação dos Docentes da UFMT (Adufmat-Ssind)
Gestão Adufmat é pra Lutar!
Comunidade também convocou um ato público para a sexta-feira, 23/10, às 16h, na Praça Ipiranga, em Cuiabá
Estudantes, docentes e técnicos administrativos da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) se reuniram em assembleia geral unificada nesta terça-feira, 20/10, no ginásio de esportes da UFMT, para debater e encaminhar ações contra o avanço da extrema-direita, em defesa da democracia e da educação pública.
Durante o debate, dirigentes das entidades representativas das categorias falaram sobre a experiência do Governo Bolsonaro para a Educação e dos riscos de um eventual segundo mandato na mesma perspectiva.
Estavam presentes na mesa a Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o Sindicato dos Trabalhadores Técnicos Administrativos em Educação da UFMT (Sintuf-MT), o Sindicato Nacional dos(as) Servidores(as) Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), a Associação de Pós-graduandos da UFMT (APG-UFMT) e o Diretório Central dos Estudantes (DCE-UFMT), além da União Estadual dos Estudantes (UEE) e da Federação Nacional dos Estudantes do Ensino Técnico (Fenet).
O diretor-geral da Adufmat-Ssind, Breno Santos, abriu a assembleia dando boas-vindas aos presentes. “Gostaria de saudar o conjunto de lutadoras e lutadores que, de forma aguerrida, generosa como o povo brasileiro, hoje se organiza para dar um recado enfático: não aceitaremos ataques à educação, não aceitaremos retrocesso, não aceitaremos ditadura e autoritarismo, e defenderemos, sim, a educação pública gratuita e de qualidade”, pontuou.
Os representantes discentes Rafael Ribeiro, coordenador-geral do DCE, e Layan Moura (UEE) lembraram dos ataques ideológicos às universidades, que ainda continuam ocorrendo por parte da extrema-direita, e que o Governo Bolsonaro foi marcado pelo desmonte da educação. “Nós devemos eleger quem investe na universidade pública, como o Lula”, disse Moura.
Somente no ensino superior, os cortes orçamentários realizados por Bolsonaro entre 2019 e 2022 chegaram a R$ 8 bilhões. Na Educação, em geral, entre cortes de recursos, contingenciamento e cancelamentos destinados ao Ministério da Educação (MEC), a redução ultrapassou R$ 113 bilhões. Além de dizer que seguirá com as políticas realizadas pelo pai, Flávio Bolsonaro propõe retirar as universidades do MEC e inseri-las no Ministério da Ciência e Tecnologia, o que inevitavelmente levará à redução do orçamento que, muito embora o Governo Lula tenha aumentado o aporte nos últimos quatro anos, ainda não voltou ao patamar de 2018 — já era considerado insuficiente.
A coordenadora-geral do Sintuf-MT, Marilin Castro, afirmou que a luta da educação federal, para além de derrotar o fascismo nas ruas, será para reavivar o papel social da universidade. “Nós temos que reacender o papel que essa universidade tem para acabar com o fascismo. A gente vai enterrar o fascismo nesse país. Fascismo aqui não se cria”.
Outras entidades que não fazem parte diretamente da comunidade universitária contribuíram com o debate, destacando, no mesmo sentido, que a tarefa da classe trabalhadora será educar a sociedade para que, nos próximos anos, a ideia de um projeto de sociedade que representa o autoritarismo e ataques aos direitos não consiga repercutir.
Ao final, foi aprovada uma moção de solidariedade a um estudante que está sendo ameaçado por bolsonaristas que entraram na universidade para retirar cartazes e a todos que sofram perseguição por parte da extrema-direita.
O encaminhamento aprovado na assembleia foi: para derrotar o fascismo, defender a educação pública e as liberdades democráticas, a educação federal de Mato Grosso vota Lula 13!
Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
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Roberto Boaventura da Silva Sá
Dr. em Ciências da Comunicação/USP
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“Me engana que eu gosto”.
Quem nunca ouviu a frase feita acima, que expressa, ou pelo menos expressava, antes de tudo, e de forma subjacente, um tom de ironia, diante de algo sabidamente falso? Em tese, e dentro de qualquer espaço da lógica, ninguém gosta de ser enganado.
Dentro do arcabouço da ironia, em relação ao engano, à mentira, os compositores Marquinhos Satã, Nivaldo Duarte e Serginho do Cavaco, em 1986, compuseram o samba “Me engana que eu gosto”. Nele, dentre diversos relatos, praticamente todos impensáveis, é dito que “...Quem é carioca está satisfeito...// Se é bom o governo, é bom o prefeito// Cidade tranquila como essa não há// O meu capital está sempre sobrando...”. Com ironia, “me engana que eu gosto”, diria qualquer ouvinte que descarta, de chofre, a mentira vista a olhos nus.
Todavia, com o passar do tempo, tenho percebido que a ironia desse enunciado possa estar perdendo a força que jamais deveria perder, pelo menos para um grande contingente de pessoas de nosso país, para as quais, a mentira pode ter perna longa, e não curta, como ouvíamos de nossos pais. Um exemplo dessa vertente, também na esfera musical, vem de Eduardo Costa que, em “Me engana” (2006), lembrando práticas de bolhas das redes sociais, suplica à amada que “...Diga simplesmente aquilo que eu (o eu-poético da canção) preciso ouvir... Me ama, me engana, que eu gosto”.
Se minha observação intuitiva estiver correta, e acredito que esteja, a ausência da inerente ironia do enunciado em pauta pode estar cedendo espaço a outra figura, quiçá, ao paradoxo, que não requer a ironia como um de seus pilares no processo de juntar ideias que possam se contradizer diretamente na intencionalidade do que se está a, ou mesmo do que se quer ouvir; assim, podemos – por meio da aceitação real do que é irreal, ou seja, da mentira/fake – estar aprofundando o labirinto de nossas existências, também por esse viés, que pode mudar rumos inclusive no plano de uma coletividade. Detalhe: não tomem a metáfora do “labirinto” como recorte da hipérbole, ou seja, do exagero, pois pode não ser.
Mas por que estou fazendo essas reflexões neste momento?
Porque estamos a um passo de votar para a presidência da República, ou seja, da “res publica”, termo latino que significa “coisa pública”, “coisa do povo”.
Que haja compatriotas que queiram se enganar em decisões que lhes sejam restritamente individuais, como, p. ex., tomar cloroquina para curar a Covid, ou dar três pulinhos para trás, como solução a um soluço, pouco me importa. Que sejam felizes, quando sobrevivem. Todavia, quando decidem, por estupidez deliberada, viver fechados em bolhas das redes sociais, aceitar mentiras descaradas de candidato que outra coisa não faz além de mentir, aí, sim, me importa, pois me atingirão, assim como atingirão a tantos outros brasileiros, por conta desse gostinho de ser completa e vergonhosamente enganado.
Mas a quem tinha alguma dúvida, o debate da Band (18/10) desnudou um dos maiores mentirosos de nosso quadro de políticos. Lula, que também mentiu pelo menos em uma vez, e em outras duas ou três, não teve a devida precisão de alguma fala, afirmou que Flávio havia mentido 43 vezes só no conjunto do caso Vorcaro. Duvidei. Fui à busca. Achei. Creiam: era verdadeira a fala de Lula sobre as mentiras de Flávio!!!
Aliás, em minha busca, encontrei a importante matéria “Estadão Verifica” que, junto com a própria Band, fez checagem de todas as referências daquele debate. É impressionante como Flávio consegue mentir em comparação direta com Lula. Logo, em dizer mentiras, Lula, mesmo que não seja o pai da verdade, já perdeu feio para Flávio, que se ganhar, derrotará um país inteiro, pois comete uma mentira atrás da outra. É impressionante. É inacreditável. A quem estiver duvidando de minhas palavras, leia a matéria que citei. Ou outra sobre o debate, como a do Portal Aos Fatos. Leia, leitor. Veja você mesmo. Se estiver, pule fora da bolha. Vamos! Atitude!
Assim, como cidadão, espero estar contribuindo para a chamada de atenção que todos devemos ter neste momento muito significativo de nossa história tão arduamente construída até aqui. Mais: aos que colocam a Família naquela tríade junto com Deus e Pátria, que pelo menos saibam respeitar os seus próprios pais, quando diziam que a mentira tem pernas curtas. Não deixem, pois, que as pernas da mentira continuem se alongando tanto, até porque tomaremos, juntos, uma passada de pernas sem precedentes em nossa história.
O preço de uma única mentira/corrupção pode ser grande, mas pode ser quantificada, como, p. ex. os 134 milhões recebidos e não explicados de um banqueiro absolutamente canalha. As rachadinhas e outras práticas de corrupção também podem ser quantificadas. Já o preço de um conjunto de mentiras que se sucedem sem fim no horizonte pode ser a tragédia de uma nação inteira, que poderá se atolar no mais profundo labirinto que um país contemporâneo estará experimentando. Aqui, novamente, a metáfora do “labirinto” não é um recorte da “hipérbole”.
Companheiras(os),
Convocamos a reunião do Grupo de Trabalho de Política e Formação Sindical (GTPFS), que ocorrerá na sede do ANDES-SN, em Brasília (DF), nos dias 27 e 28 de novembro de 2026, com início às 9h do dia 27/11 (sexta-feira) e término às 18h do dia 28/11 (sábado).
A confirmação da participação, de até duas representações por seção sindical, deverá ser feita por meio do preenchimento do formulário disponível no link enviado para as Secretarias até o dia 10 de novembro de 2026 (terça-feira).
As seções sindicais que quiserem socializar seus Informes deverão enviá-los, exclusivamente por meio do formulário disponível no link também enviado para as secretarias até o dia 10 de novembro de 2026 (terça-feira), para serem publicados junto ao relatório da reunião.
A pauta será enviada posteriormente por meio de circular.
Sem mais para o momento, aproveitamos a oportunidade para renovar nossas mais cordiais saudações sindicais.
Prof.ª Fernanda Maria da Costa Vieira
Secretária-Geral
A Diretoria Nacional do ANDES-SN expediu a Circular nº 424/2026, na qual alerta as seções sindicais, secretarias regionais e docentes sobre as ações judiciais movidas pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e pelo Partido Novo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As iniciativas judiciais miram a chapa presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva, além de entidades e dirigentes sindicais, buscando restringir a mobilização do movimento sindical, social e estudantil no processo eleitoral de 2026.
Diante do pedido de medidas liminares de amplo alcance contra diversas entidades, o Corregedor-Geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, indeferiu os pedidos de proibição genérica e resguardou a liberdade de expressão e a organização sindical nos ambientes universitários.
De acordo com a Circular nº 424/2026, divulgada nessa quinta-feira (16), as acusações formuladas no TSE alegam supostas irregularidades eleitorais para questionar a atuação sindical legitimamente desenvolvida dentro das instituições públicas de ensino. Para o ANDES-SN, essas ações tentam coagir o posicionamento de entidades que se contrapõem ao avanço da extrema direita.
O Sindicato Nacional destacou que as investidas violam frontalmente o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) fixado na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 548. A referida decisão, de maio de 2020, garantiu a livre manifestação de ideias, a autonomia universitária e a liberdade de pensamento nos ambientes acadêmicos.
Na circular, a entidade ressaltou ainda que as tentativas de cerceamento remetem às práticas de perseguição e censura registradas durante a ditadura empresarial-militar (1964–1985). "Censurar quem luta não é defender a democracia. É atacar a própria democracia!", reafirma o ANDES-SN no documento.
Corregedor rejeita pedidos de censura
Ao examinar os pedidos de tutela de urgência formulados nas Ações de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE nº 0602767-45.2026.6.00.0000 e AIJE nº 0602923-33.2026.6.00.0000), o Corregedor-Geral Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, negou ordens genéricas de abstenção ou censura prévia dirigidas aos sindicatos e entidades estudantes.
Entre os principais pontos fixados pelas decisões do Corregedor, destacam-se a proteção às garantias constitucionais e à ADPF 548. O ministro frisou que a legislação eleitoral não pode converter-se em restrição abstrata ao debate político e à manifestação de ideias promovida por docentes, discentes e entidades representativas.
Cueva salientou que impor uma proibição genérica e prospectiva sobre manifestações institucionais futuras equivaleria a mecanismo de censura prévia, inibindo o exercício legítimo da liberdade de associação e expressão. A decisão reconheceu, ainda, que manifestações de apoio político e a defesa de pautas institucionais das categorias por entidades sindicais não autorizam, por si só, a conclusão de que houve atividade irregular com finalidade eleitoral.
Sobre o pedido para restringir a atuação da UNE nas universidades, o ministro lembrou que o STF já assegurou a liberdade de manifestação política e que não pode haver restrições genéricas. “Não se mostra adequado, portanto, substituir a apuração de condutas individualizadas pela imposição de um dever genérico de orientação, sobretudo em matéria que envolve o exercício de liberdades constitucionalmente protegidas”, pontuou.
Fonte: Andes-SN











