Segunda, 13 Outubro 2025 14:05

VAMOS REFLETIR E CELEBRAR - Juacy da Silva

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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
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JUACY DA SILVA*

 

“Sonhemos com um mundo mais justo e mais humano, sem vencidos e nem vencedores, sem oprimidos e nem opressores, um mundo onde a paz esteja sempre presente.” — Dom Helder Câmara.

Esta semana é muito importante, pois estaremos celebrando seis eventos significativos para a sustentabilidade em nosso país e no mundo. Ontem, 12, além de ter sido o Dia de Nossa Senhora Aparecida, figura central da fé católica e Padroeira do Brasil, também foi o Dia do Engenheiro Agrônomo e da Engenheira Agrônoma, profissionais que, ao longo das últimas décadas ou século, no mundo inteiro, mas principalmente no Brasil, vêm encabeçando e conduzindo uma verdadeira revolução no sistema agrícola brasileiro, possibilitando que nosso país se tornasse o maior produtor de grãos, de proteína animal e de commodities, e também em tantas outras culturas e práticas sustentáveis em nosso país.

Na quarta-feira, 15 de outubro, é dedicado à luta de milhões de professoras e professores, mesmo não sendo devidamente reconhecidos, mal pagos e trabalhando em condições adversas — inclusive enfrentando violência dentro das salas de aula ou violência por parte de instituições públicas que deveriam oferecer-lhes condições adequadas de trabalho digno —, continuam fazendo da educação um instrumento de libertação de educandos e, ao mesmo tempo, ensejando uma jornada criativa, contribuindo sobremaneira para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, únicas condições para, verdadeiramente, garantir nossa soberania popular e nacional, nossa independência e fortalecer nossas instituições, nossa democracia e nosso Estado Democrático de Direito, colocando o Brasil em uma posição de destaque no cenário internacional.

Aqui cabe um destaque: todos os países que hoje são potências mundiais, como China, EUA, Alemanha, ou já ocuparam esta posição, como Reino Unido, Japão, França e outros mais, durante décadas a fio, decidiram que a Educação, a Ciência e a Tecnologia fossem — ou continuem sendo — suas prioridades máximas, suas estratégias para conquistar e manter objetivos nacionais que as colocassem no topo do “ranking” mundial do desenvolvimento e da qualidade de vida. O que, lamentavelmente, nossos governantes, nas três esferas de governo, com raras exceções, ainda não entenderam e, por isso, não valorizam os profissionais que se dedicam a esta jornada e, muito menos, uma educação pública de qualidade e universal.

Ao estabelecer os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável em 2015 — mesmo ano em que foi firmado o Acordo de Paris, para o combate efetivo das mudanças climáticas, e também da publicação da Encíclica Laudato Si', sobre a Ecologia Integral, pelo Papa Francisco —, a ONU enfatiza o papel da Educação e da Igualdade de Gênero em todas as sociedades e nações, como podemos ver nos ODS 4 e 5, que estabelecem a necessidade de: assegurar uma educação inclusiva, equitativa e de qualidade de aprendizagem ao longo da vida para todos, e, alcançar a igualdade de gênero e empoderar as mulheres e meninas.

Também neste 15 de outubro é o Dia do Educador e da Educadora Ambiental, outra missão fundamental para, através de uma educação ambiental/ecológica crítica, estimular as pessoas — tanto nas escolas, universidades e centros de ensino superior quanto em todos os demais setores, como igrejas, clubes de serviço, associações profissionais, empresariais, instituições públicas, movimentos sindicais e comunitários —, repito, a missão de educadores e educadoras ambientais é estimular as pessoas a mudarem suas formas de produzir e consumir, transformarem hábitos e estilos de vida que impactam negativamente o princípio da sustentabilidade ambiental.

Todas as formas de degradação dos biomas, de destruição da biodiversidade, de poluição das águas, dos solos e do ar; o desmatamento, as queimadas, que direta ou indiretamente impactam negativamente a vida no planeta, bem como tantas outras, como o consumismo, o desperdício e a obsolescência, geram impactos negativos sobre o meio ambiente, representando o que o Papa Francisco sempre enfatiza: que a degradação e destruição de nossa Casa Comum, o Planeta Terra, decorrem de hábitos e estilos de vida que representam os paradigmas de uma Economia da Morte, paradigmas esses que precisam ser substituídos por outros que nos conduzam a uma Economia da Vida (agroecologia e economia solidária, por exemplo).

Para substituir tais paradigmas, é fundamental que haja uma mudança profunda de hábitos e estilos de vida, como a própria ONU insiste ao definir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, com destaque para o ODS 12, que estabelece: “Garantir padrões de consumo e de produção sustentáveis”.

Finalmente, na quinta-feira, 16 de outubro, é o Dia Mundial da Alimentação (fome zero, desperdício zero), outro objetivo estabelecido pela ONU no contexto do ODS 2: “Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar, melhorar a nutrição e promover a agricultura sustentável”.

O Dia Mundial da Alimentação foi estabelecido em 1979, na 20ª Conferência da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). A primeira celebração ocorreu em 1981, e a data é comemorada anualmente em 16 de outubro para marcar o aniversário de fundação da FAO em 1945, que neste ano completa 80 anos e uma grande história de realizações voltadas para a sustentabilidade do planeta, para a Justiça Social e a Equidade.

O tema do Dia Mundial da Alimentação em 2025 é: "De Mãos Dadas por Alimentos Melhores e um Futuro Melhor". A celebração global, organizada pela FAO, destaca a necessidade de colaboração entre governos, organizações públicas e privadas e as comunidades para criar sistemas agroalimentares mais justos, sustentáveis e saudáveis. Outro tema localmente utilizado é: “Alimentação, territórios e resistência”, focando nos diferentes modos de produzir alimentos, de comer e viver no Brasil, valorizando, inclusive, os saberes e estilos de vida ancestrais.

Neste contexto das comemorações do Dia Mundial da Alimentação em 2025, ao longo da próxima semana serão realizados diversos eventos em Roma, sede da FAO, para celebrar esses 80 anos da FAO, refletir sobre a caminhada que vem sendo feita para tanto combater a fome e a miséria quanto desenvolver sistemas de produção agropecuária que respeitem a sustentabilidade, os limites e direitos do planeta e, ao mesmo tempo, produzam alimentos — em quantidade e qualidade — saudáveis, orgânicos, tão importantes para a saúde humana. Enfim, para uma população mundial que já supera 8,2 bilhões de pessoas e deverá ultrapassar 8,5 bilhões de bocas em 2030, podendo atingir 9,8 bilhões de habitantes em 2050.

Para que isso seja possível, é fundamental o apoio dos diversos governos, inclusive do Brasil, tanto à agricultura capitalista, voltada para o mercado internacional quanto, e principalmente, à agricultura familiar, de base agroecológica, que cumpre um grande papel tanto no que concerne à geração de oportunidades de trabalho e renda, quanto voltada, fundamentalmente, para o mercado interno. E, neste particular, é importante que os temas da reforma agrária e da economia solidária sejam recolocados, com a importância que lhes cabe na agenda nacional e na definição das políticas públicas nacionais, estaduais e locais.

Outros dois temas, assuntos importantes a serem celebrados nesta semana, são o Dia da Agricultura e o Dia Mundial da Erradicação da Pobreza.

O Dia da Agricultura é celebrado anualmente em 17 de outubro, constituindo-se em uma ótima oportunidade para refletirmos sobre a evolução dos sistemas produtivos e também sobre como algumas práticas agropecuárias são nocivas para o meio ambiente, para a vida e a saúde humanas, como, por exemplo, as questões da degradação dos solos, do desmatamento, da poluição do ar e das águas, o uso abusivo e indiscriminado de agrotóxicos e o uso da alimentação como arma de guerra, como tem acontecido no caso das guerras em Gaza, na Ucrânia, no Sudão e Sudão do Sul, e em tantas outras guerras e conflitos armados.

O Dia Mundial da Erradicação da Pobreza é celebrado anualmente em 17 de outubro. Este dia foi estabelecido pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1992 e serve para lembrar a mobilização de 100.000 pessoas contra a pobreza e a fome que aconteceu em Paris, em 1987. O dia é um convite à reflexão sobre as desigualdades e à busca por ações que garantam que todos tenham a oportunidade de viver com dignidade.

Além disso, a erradicação da pobreza é um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, como parte da Agenda 2030 da ONU, na busca de um mundo melhor, com justiça, paz desarmada (como tem enfatizado o Papa Leão), equidade e sustentabilidade.

Pelo que vemos, esta é uma semana superimportante, com diversos temas fundamentais para redefinirmos os rumos de nosso desenvolvimento nacional, através de um PROJETO DE PAÍS, com justiça em todas as dimensões, principalmente: Justiça Ambiental, Justiça Climática, Justiça de Gênero, Justiça Social, Justiça Racial e, nunca — jamais — nos esquecermos da Justiça Intergeracional, como resposta à indagação: “Qual o futuro, qual a herança vamos deixar para as próximas gerações?”

 

*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro Oeste. E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.; Instagram @profjuacy 

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