Docentes da USP entram em greve e ampliam mobilização nas estaduais paulistas
A greve nas universidades estaduais paulistas ganhou um novo capítulo, nesta semana, com a adesão das e dos docentes da Universidade de São Paulo (USP) ao movimento paredista, na segunda-feira (25). A paralisação se soma às mobilizações já em curso de estudantes e servidoras e servidores técnico-administrativos e docentes de outras universidades estaduais paulistas, ampliando a pressão sobre o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp).
Votação da greve se deu em assembléia simultânea nos diversos campi. Foto: Adusp SSind.
A decisão da categoria docente ocorre em meio ao impasse nas negociações salariais entre o Cruesp e o Fórum das Seis, que reúne entidades representativas da USP, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), além do Centro Paula Souza.
As e os docentes da USP reivindicam a reabertura das negociações entre a Reitoria da instituição e as e os estudantes, bem como entre o Cruesp e o Fórum das Seis; o reajuste salarial de 7,52% — composto pelo IPCA/IBGE de 12 meses, de 4,39%, mais 3% de recomposição salarial pelas perdas acumuladas desde maio de 2012; aumento do valor do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE); garantia de que estudantes grevistas não sejam punidos ou jubilados; além da apuração das responsabilidades pela desocupação violenta da Reitoria da USP pela Polícia Militar, ocorrida na madrugada de 10 de maio.
A assembleia também aprovou a realização de uma vigília durante a reunião do Conselho Universitário da USP, realizada nessa terça-feira (26), para pressionar pela retirada da pauta da proposta de reajuste de apenas 3,47% apresentada pela Reitoria.
As e os estudantes da USP estão em greve há mais de 40 dias e reivindicam, entre outros pontos, aumento de 100% no auxílio permanência.
Segundo Annie Hsiou, 3ª vice-presidenta do ANDES-SN e docente da USP, o movimento grevista ganhou força após a aprovação, pelo Conselho Universitário da instituição, da chamada Gace (Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas), voltada inicialmente a parte da categoria docente e, posteriormente, estendida às servidoras e aos servidores técnico-administrativos. “Após a conquista da gratificação pelos servidores, os estudantes passaram a reivindicar o aumento do valor do PAPFE. A avaliação do movimento estudantil é de que, se duas categorias receberam benefícios, a permanência estudantil também deveria ser fortalecida”, afirma.
A docente explica que as e os estudantes reivindicam que o auxílio alcance o valor equivalente a um salário-mínimo paulista, atualmente em torno de R$ 1.800. Na última reunião da Comissão de Negociação, as e os estudantes apresentaram uma proposta intermediária, sugerindo que o auxílio integral passasse para R$ 1.096. A universidade não aceitou.
Foto: Daniel Garcia / Adusp SSind.
Annie ressalta ainda que, nas reuniões com a Administração da universidade, o reitor manteve uma postura considerada intransigente e recusou reajustar o benefício, o que levou à ocupação da Reitoria no dia 7 de maio e, posteriormente, à entrada da Polícia Militar no local durante a desocupação realizada no Dia das Mães. Ela destaca também que estudantes vêm sofrendo ameaças relacionadas à frequência e ao rendimento acadêmico, o que, segundo a docente, busca enfraquecer o movimento.
Para a diretora do ANDES-SN, a greve docente expressa solidariedade ao movimento estudantil e às servidoras e aos servidores técnico-administrativos. “A categoria docente entrou em greve muito por conta desse acúmulo e também em solidariedade aos estudantes e pela nossa luta pelo reajuste salarial”, conclui.
Unicamp
Na Unicamp, as e os docentes estão em greve desde o dia 18 de maio. O Comando de Greve da Adunicamp SSind. realiza, junto a estudantes, servidoras e servidores, uma agenda unificada de mobilizações, atos públicos, debates, atividades culturais e ações políticas em defesa da educação pública, da universidade e das condições de trabalho.
Unesp
Na Universidade Estadual Paulista, o movimento também avança entre os três segmentos da universidade. Até o momento, docentes de oito campi aprovaram a adesão à greve: Bauru, Marília, Araraquara, Franca, Rio Preto, Rio Claro, Assis e Guaratinguetá. Entre as servidoras e os servidores técnico-administrativos, já aderiram os campi de Bauru, Franca, Marília e Rio Preto. Novas assembleias seguem ocorrendo. As reivindicações da permanência estudantil – isonomia e melhorias nos valores de bolsas e auxílios, entre outras – ainda não foram negociadas.
Segundo a diretora do Sindicato Nacional, para as categorias em greve, a unificação das lutas entre docentes, estudantes, servidoras e servidores fortalece a pressão sobre o Cruesp e amplia o debate público sobre o financiamento das universidades estaduais paulistas.
Fonte: Andes-SN
Docentes da UnB aprovam indicativo de greve contra aumento da “absorção” da URP
As e os docentes da Universidade de Brasília (UnB) se reuniram em assembleia geral nessa quinta-feira (14) para debater os desdobramentos mais recentes envolvendo a absorção da Unidade de Referência de Preços (URP), imposta pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). Ao final da assembleia, a categoria aprovou o indicativo de greve diante do agravamento do cenário e da postura intransigente do governo.
Foto: Adunb SSind.
Em março de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a URP como um direito das professoras e dos professores da UnB, o que sugeria um desfecho favorável à categoria. No entanto, o MGI já implementou, em abril, a absorção de 60% do valor do índice, mesmo sem a conclusão definitiva do processo no Judiciário. A manobra administrativa compromete diretamente os reajustes conquistados pelo movimento docente, incluindo os ganhos da greve de 2024.
Na prática, a chamada “absorção” da URP significa a diminuição ou até anulação de aumentos salariais a partir de abril. Isso ocorre porque reajustes, promoções e progressões passam a ser descontados do valor pago pela URP. Assim, com a absorção de 60%, por exemplo, parte do aumento recebido é abatido da parcela da URP. Já com a absorção de 100%, anunciada em maio, todo o acréscimo salarial é descontado da rubrica, fazendo com que servidoras e servidores deixem de perceber aumento real na remuneração. O objetivo do mecanismo é reduzir gradualmente o valor da URP até sua extinção.
Desde o dia 10 de abril, a Associação dos Docentes da UnB (ADUnB – Seção Sindical do ANDES-SN) está em estado de assembleia permanente diante das constantes atualizações e decisões relacionadas ao processo da URP. Além da negativa do MGI em suspender a absorção até o trânsito em julgado do processo no STF e de abrir um processo efetivo de negociação, o comunicado sobre a ampliação da absorção de 60% para 100% aprofundou o sentimento de insegurança entre as e os docentes.
No dia 12 de maio, o MGI encaminhou um ofício à Reitoria da UnB e a outras instituições informando que, após o Tribunal de Contas da União (TCU) não homologar a cláusula que permitia a extensão automática do acordo firmado com as servidoras e os servidores técnico-administrativos para outras categorias, como a docente, deverá ser aplicada a absorção integral dos reajustes. Durante a assembleia, foi informado que o cenário ainda é incerto sobre a aplicação da nova determinação já na folha de pagamento de maio.
Além das preocupações com a ampliação das absorções, a categoria também demonstrou solidariedade às e aos docentes ingressantes a partir de novembro de 2023, que, sem qualquer justificativa apresentada até o momento, nunca receberam a URP. A situação das aposentadas e dos aposentados também foi debatida, especialmente daquelas e daqueles que já vinham sofrendo cortes determinados pelo TCU e que agora enfrentam também a absorção dos reajustes. As e os docentes reforçaram a necessidade de respostas por parte do MGI diante dessas situações.
Segundo Pedro Gontijo, secretário-geral da ADUnB SSind., a deliberação da assembleia representa mais uma etapa do processo de organização da categoria. “O indicativo de greve é uma das etapas do processo de mobilização da categoria. É uma sinalização de que os docentes poderão entrar em greve, caso a intransigência do MGI continue e não seja estabelecido um processo de negociação”, afirmou.
Também foi aprovado que, nos próximos dias, o Comitê de Mobilização organizará uma série de ações até a convocação de uma nova assembleia. A diretoria da ADUnB SSind. orientou ainda que a comunidade acadêmica acompanhe os canais oficiais de comunicação da entidade para obter informações sobre as próximas atividades e ações da categoria em defesa da URP. Foi reforçado que a participação docente nas atividades realizadas desde o anúncio da absorção tem sido importante para pressionar institucionalmente e garantir avanços nas articulações políticas, administrativas e jurídicas em defesa da URP.
URP
Criada em 1987, durante o governo de José Sarney, a URP reajustava os salários das servidoras e dos servidores públicos federais para repor as perdas inflacionárias. O mecanismo foi revogado pela Lei nº 7.730, de 1989, no âmbito do Plano Verão. Ainda naquele ano, professoras e professores da UnB recorreram à Justiça e obtiveram decisão favorável pela manutenção da URP.
Em 1991, com base nos princípios da isonomia e da autonomia universitária, a Reitoria da UnB estendeu o benefício a todas e todos as servidoras e servidores da instituição, consolidando um direito que se tornaria o centro de uma disputa jurídica de décadas. Apesar da legitimidade histórica, a URP permanece sob constantes ataques de órgãos do governo federal.
Fonte: Andes-SN (com informações da AdunB SSind.)
A assembleia de docentes da Universidade de Campinas (Unicamp), realizada nesta sexta-feira (15), aprovou a deflagração de greve, por tempo indeterminado, a partir de segunda-feira (18). A decisão baseia-se na necessidade de reabertura das negociações entre a comunidade universitária das estaduais paulistas (USP, Unesp e Unicamp) - representadas pelo Fórum das Seis - e o Conselho de Reitores (Cruesp).
Foto: Adunicamp SSind.
As professoras e os professores lutam contra o arrocho salarial e cobram a aplicação de ajustes de 7,39% nos salários - correspondente ao IPCA do período acrescido de 3% para recomposição de perdas anteriores. A categoria defende a pauta unificada do Fórum das Seis, que traz demandas de docentes, estudantes e técnicas e técnicos administrativos. Entre as reivindicações estão ampliação das bolsas permanência - tanto em quantidade quanto em valores -, melhores condições de residência e restaurante estudantis, cotas para estudantes trans e vestibular para estudantes indígenas.
"Fizemos três rodadas e o Cruesp foi irredutível em não aprovar a pauta proposta pelos docentes de reajuste salarial, que é o índice do IPCA mais 3%. Então, a categoria decidiu, na Unicamp, deflagrar a greve hoje porque está cansada do arrocho salarial. Foi uma assembleia expressiva e a greve foi aprovada por ampla maioria”, contou Regina Célia Silva, 2ª vice-presidenta da Regional São Paulo do ANDES-SN e diretora da Associação de Docentes da Unicamp (Adunicamp Seção Sindical do ANDES-SN).
Regina lembrou que com a paralisação docente, as três categorias da universidade estarão em greve, a partir de segunda-feira (18). Técnicas e técnicos administrativos e estudantes já paralisaram as atividades pelo cumprimento da pauta de reivindicações do Fórum das Seis.
Conforme a diretora, também foi aprovada, na assembleia, a realização de um ato, na quarta-feira (20), em frente à Reitoria da Unicamp, pela retomada das negociações. A categoria decidiu ainda por participar do ato público em São Paulo (SP), também no dia 20, organizado por entidades sindicais e estudantis em defesa do serviço público e da educação pública. A assembleia constituiu, ainda, o Comando de Greve da ADunicamp SSind. Novas ações e a agenda de mobilização serão divulgadas em breve.
Repúdio
A assembleia de docentes deliberou por uma “Moção de Repúdio e Alerta à Comunidade Acadêmica” que, além de ser tornada pública, será encaminhada formalmente ao Conselho Universitário da Unicamp e ao Cruesp. A categoria manifesta seu absoluto repúdio ao Projeto de Lei 439/ 2026, que pretende criminalizar movimentos estudantis, greves, ocupações e manifestações políticas nas universidades públicas paulistas, impondo punições autoritárias a estudantes, docentes, reitores, diretores e servidores.
“Trata-se de uma proposta flagrantemente inconstitucional, autoritária e incompatível com os princípios fundamentais do Estado Democrático de Direito estabelecidos pela Constituição Federal de 1988. O projeto viola frontalmente a autonomia universitária, a liberdade de expressão, o direito de manifestação, o direito de greve, a liberdade de organização política e sindical, o devido processo legal e os direitos civis e políticos mais elementares”, afirma a moção. Confira aqui a íntegra do texto.
Fonte: Andes-SN (com informações da Adunicamp SSind.)
Fonasefe articula força-tarefa na Câmara pela aprovação de lei que regulamenta direito à negociação coletiva nos serviços públicos
Entre os dias 11 e 14 de maio, o Fórum das Entidades Nacionais de Servidores Públicos Federais (Fonasefe) articula em Brasília (DF) uma força-tarefa para pressionar os parlamentares. O objetivo é propor a inclusão de emendas e aprovar o Projeto de Lei 1.893/2026, enviado pelo Poder Executivo ao Congresso, que regulamenta o direito à negociação coletiva no serviço público.
Há mais de uma década, o ANDES-SN e as demais entidades que compõem o Fonasefe reivindicam uma lei que garanta a aplicação da Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O Estado Brasileiro validou este Tratado internacional em 2010, e, apesar de ter entrado em vigor em 2011, ainda não existe uma lei específica no Brasil para assegurar sua aplicação.
A Convenção 151 garante a servidoras e servidores públicos — sejam municipais, estaduais ou federais — o direito à liberdade sindical, com garantias básicas de proteção contra atos de discriminação e perseguição que possam prejudicar sua atividade sindical.
Para o Fonasefe, o PL 1.893/2026 é uma resposta à demanda histórica do funcionalismo público. O Fórum busca agora ampliar a mobilização para garantir que pontos cruciais sejam incorporados ao projeto, como o direito de greve regulamentado, e também que avanços já presentes no texto não sejam retirados pelos deputados e pelas deputadas.
Apesar dos limites, o Fonasefe considera o PL 1.893/2026 um avanço e destaca que a luta é pelo projeto completo de implementação da Convenção 151 da OIT. “Agora é hora de pressão total no Congresso Nacional para que, finalmente, possamos ter os mesmos direitos de organização que os trabalhadores do setor privado já possuem”, afirma o Fórum, em nota.
Fonte: Fonasefe (com edição do ANDES-SN)
Greve de servidoras e servidores TAE avança para dois meses diante da recusa do governo em negociar
A greve nacional das servidoras e dos servidores técnico-administrativos em educação (TAE), iniciada em 23 de fevereiro deste ano, chega a dois meses marcada pela recusa do governo federal em abrir negociação com a categoria. Organizado pela Fasubra, o movimento paredista já conta com a adesão de mais de 50 instituições federais de ensino em todo o país.

A principal reivindicação da categoria é o cumprimento integral do acordo firmado com o governo federal ao fim da greve de 2024. As técnicas e os técnicos em educação também cobram a reabertura imediata das mesas de negociação.
De acordo com Tereza Fujii, coordenadora de Aposentados e Assuntos de Aposentadoria da Fasubra, o impasse se agravou após o governo encerrar unilateralmente o diálogo. “Fizemos um acordo em 2024 e o restante da pauta ficou para a mesa de negociação. Infelizmente, o governo fechou as mesas unilateralmente, não nos recebeu mais e disse que não concederia pontos que estavam acordados”, contou.
Acordos descumpridos
Entre os principais pontos de conflito está o não cumprimento de itens que, segundo a Federação, já estavam pactuados. Um dos exemplos é o reposicionamento de aposentadas e aposentados - TAEs que já estavam no fim da carreira quando se aposentaram e foram enquadrados no Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação (PCCTAE) apenas com base no tempo de serviço público -, medida que deveria ser implementada em 2026.
“Agora, disseram que não vão pagar, com argumentos que não procedem, como o de que outras categorias poderiam reivindicar o mesmo. Isso não faz sentido, porque cada carreira tem seu próprio plano”, explicou Tereza Fujii.
Outro problema apontado é a situação de servidoras e servidores que ficaram fora do plano de carreira e, há mais de duas décadas, recebem salários próximos ao mínimo. “São cerca de 200 pessoas no Brasil inteiro que não foram incluídas e que deveriam ter a possibilidade de ingressar agora, como foi acordado. O governo também negou isso”, destacou.
A regulamentação da jornada de 30 horas semanais, uma demanda histórica da categoria, também é alvo de críticas. Segundo a coordenadora da Fasubra, a forma como a medida foi incorporada em projeto de lei acabou gerando distorções. “O governo disse que concederia as 30 horas, mas da maneira como foi feito, piorou. Houve um retrocesso”, avaliou.
A pauta da greve inclui, além do cumprimento do acordo de 2024, a reestruturação da carreira, a regulamentação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) e a recomposição salarial. A exclusão de aposentadas e aposentados de benefícios como o RSC também é alvo de críticas. “Não é justo que os aposentados fiquem fora de todas as pautas, sendo que temos paridade. Estamos lutando por direitos que já foram acordados”, ressaltou.
Para a servidora, a mobilização também está relacionada à valorização do serviço público e à garantia de condições dignas de trabalho nas universidades. “Estamos falando da menor tabela [salarial] do serviço público federal. E, ainda assim, aceitamos um acordo que agora não está sendo cumprido”, completou.
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Falta de diálogo
A ausência de diálogo é apontada como o principal entrave para o avanço das negociações. Segundo a coordenadora de Aposentados e Assuntos de Aposentadoria da entidade, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) não recebeu a categoria em nenhum momento desde o início da greve. “Em nenhuma greve anterior aconteceu isso. O governo pode até dizer que não vai atender, mas precisa receber. Hoje, não há diálogo nenhum”, afirmou.
Fujii relatou ainda episódios de repressão durante mobilizações da categoria em Brasília (DF). “Fomos para a frente do ministério [nesta quinta-feira (23)] e a polícia nos retirou de forma violenta. Mesmo assim, vamos continuar mobilizados para forçar a abertura de negociação”, disse.
Próximos passos
Com a ampliação da adesão, o movimento entra agora em um novo momento, marcado pela intensificação das ações para pressionar o governo. O comando nacional de greve, que reúne atualmente mais de 80 representantes, deve fortalecer as mobilizações nas próximas semanas.
“Vamos continuar com as mobilizações até que o governo abra diálogo”, afirmou Tereza. A expectativa da categoria é de que a pressão leve à retomada das negociações e ao cumprimento dos compromissos assumidos.
Fonte: Andes-SN
ANDES-SN 45 anos: duas décadas de luta nas Federais culminaram em uma greve de fome em 1998
Ao longo de 2026, ano em que celebramos os 45 anos de fundação do ANDES-SN, preparamos uma série de reportagens que resgatam a trajetória do Sindicato, marcada pela resistência ininterrupta em defesa da educação pública e da categoria docente. A cada mês, publicaremos textos que, a partir de um objeto ou acontecimento, refletem momentos importantes dessa construção.
Duas décadas de luta e uma greve de fome
A história da categoria docente, nas décadas de 1980 e 1990, consolidou a greve como o instrumento máximo de luta contra o sucateamento e a retirada de direitos. Esse ciclo iniciou-se com a paralisação de 1980, que resultou na própria criação da Associação dos Docentes de Ensino Superior (ANDES) em 1981.
O movimento docente atravessou a década de 1980 com mobilizações sucessivas em 1982, 1984, 1985 e a marcante greve de 1987, que conquistou o Plano Único de Classificação e Retribuição de Cargos e Empregos (PUCRCE) e a isonomia entre autarquias e fundações.
Nos anos 1990, o desafio deslocou-se para o enfrentamento ao projeto neoliberal, com a histórica greve de 1991 — a maior do Setor das Instituições Federais de Ensino até então, com 107 dias — além dos embates em 1993, 1994 e 1996 contra as contrarreformas administrativa e previdenciária impostas pelos governo de Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso.
Os avanços desse período incluíram a garantia da autonomia universitária, a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, e vitórias na política salarial e de aposentadoria. Contudo, o desafio permanente era enfrentar governos que aplicavam ajustes estruturais recomendados pelo Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), que tinham como alvo as universidades públicas.
Como testemunha e protagonista dessa história, a professora Celi Taffarel, ex-secretária-geral do Sindicato Nacional (gestão 2002-2004), viveu intensamente esse processo. A docente já foi vinculada às universidades federais de Pernambuco (UFPE) e de Alagoas (Ufal) e, atualmente, é professora da Federal da Bahia (UFBA) e da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc).
Foto: Eline Luz/Imprensa ANDES-SN
Ela enfatizou que, naquela época, o movimento docente deliberava pela greve "de dois em dois anos", para enfrentar as sucessivas tentativas de desmonte da educação pública. Para Celi, a docência e o sindicato são instrumentos indissociáveis de um projeto histórico de nação soberana e humanizada.
A docente contou que o momento mais agudo dessa história foi a greve de professores e professoras de 1998. A paralisação reuniu 51 instituições federais, durante 104 dias, contra os ajustes estruturais do governo de Fernando Henrique Cardoso.
1998: Luta por dignidade
O movimento paredista de 1998 destacou-se pela realização da única greve de fome de docentes federais do ANDES-SN. Diante da intransigência do governo de Fernando Henrique Cardoso, que impunha gratificações meritocráticas (como a Gratificação de Estímulo à Docência - GED) e excluía aposentados e aposentadas e professores e professoras de 1º e 2º graus, a categoria radicalizou.
“Em 1998, nós fizemos uma greve, que foi a segunda maior greve do nosso sindicato, até então. Antes de deflagrarmos a greve, a professora Maria Cristina de Morais, que era presidente do ANDES-SN, protocolou, por encaminhamento das assembleias, a nossa pauta de reivindicação do Setor das Federais. E, se vocês lerem esse documento, vocês podem verificar o quanto, desde aquela época, nós tínhamos pautas que continuam em nossa luta até hoje”, comentou Taffarel.
A docente lembrou que as lutas pelo padrão unitário de qualidade, que vincule a universidade à sua função social, pelo desenvolvimento da educação pública, gratuita, laica, de qualidade e socialmente referenciada, por mais financiamento e pela democratização interna das instituições já estavam na pauta da categoria.“Naquela época, nós já lutávamos contra a reforma administrativa. Nós queríamos uma política salarial que realmente recompusesse o nosso salário perante as perdas. E queríamos também que tivéssemos incorporadas as gratificações, que eram penduricalhos, pois quando nos aposentávamos, nós não tínhamos direito a essas gratificações. E os aposentados, portanto, sofriam muito”, acrescentou.
A professora afirmou que o movimento também apresentou uma pauta emergencial, com itens que deveriam ser imediatamente atendidos. “Nessa pauta emergencial estava o reajuste salarial de 48,65%; a não redução do quadro de funcionários, muito pelo contrário, a ampliação de vagas via concurso público; e a retirada da medida provisória, que simplesmente colocava a gratificação como sendo constitutivo do nosso rendimento. E essa gratificação variava de acordo com a capacidade do professor, de acordo com o nível na carreira - se era início de carreira, se era meio, se era o final da carreira. Era uma injustiça enorme”, contou.
Diante da intransigência do governo FHC, foi proposta a intensificação do movimento e encaminhado, às assembleias de base, deliberar pela realização da greve de fome. “Foi uma decisão coletiva, a partir do comando de greve. Foi remetido para as bases, para as seções sindicais. As seções sindicais discutiram e aderiram. Nós fomos 19 professores, que tivemos aprovação das nossas assembleias, para participar da greve de fome. Foi um momento muito crucial e de muita sensibilidade humana”, recordou.
A docente lembrou os debates nas assembleias e a dificuldade que colegas expressavam de apoiar um movimento que poderia colocar em risco a vida de companheiras e companheiros. “Uma plenária, com um número enorme de professores, tinha que decidir. Vamos ou não vamos fazer greve de fome? Era a primeira decisão. Aí, vinham os debates, as discussões. Os colegas sensibilizados. ‘Eu não vou votar para que um colega meu morra de fome’. ‘Eu não quero que meus colegas morram’. E os outros dizendo: ‘mas esse governo não nos respeita’. ‘Esse governo não atende as nossas indicações. Nós vamos ter que radicalizar’. E aí, as plenárias votavam. E, depois de votar: sim, nós vamos participar, vinha o momento seguinte. Quem se dispõe a ir para a greve de fome? Esse é também um momento muito sensível na vida da categoria. Porque não é uma decisão individual. É uma decisão coletiva”, explicou.
Durante a entrevista, Celi reviveu a tensão emocional do período, pois além da decisão junto ao coletivo docente, também foi preciso dialogar no ambiente familiar."Você tem que chegar em casa e conversar com as crianças, com o marido e tem que argumentar: ‘Mas mãe, por que você vai fazer greve de fome?’ ‘Porque eu quero que todos tenham o melhor. Se vocês têm o melhor, todos devem ter o melhor. Todas as crianças, todos os jovens, da creche até a educação de jovens e adultos’. Nesse sentido, era muito, mas muito, muito sensível”, revelou, com os olhos marejados
Celi Taffarel foi uma das e dos 19 docentes que, após deliberação coletiva das assembleias de base, dispuseram seus próprios corpos à luta. ""Privo-me da comida porque me tiram a voz, o salário e tentam tirar-me o respeito", dizia o manifesto dos e das docentes, que ocuparam o auditório Dois Candangos, na Universidade de Brasília (UnB)
O movimento da greve de fome encontrou grande solidariedade no Brasil e internacionalmente. Mensagens chegavam por email (ferramenta recente naquela época), via fax, telegramas. Professores e professoras que não estavam em greve de fome vinham de vários estados visitar as e os colegas.
“Essa coletividade, eu lembro até hoje. Quando nós começamos a greve de fome, professores que não fizeram greve de fome vinham de outros estados conversar com a gente, nos visitar. Vinham nos acalentar, acompanhar de manhã, quando saíamos para tomar banho de sol, que era a maneira com que nós nos alimentávamos, com os raios solares. [Lembro] o quanto eles foram solidários, nesses 17 dias em que nós ficamos na greve de fome”, contou Taffarel.
O grupo era constantemente acompanhado por uma equipe multidisciplinar da área da saúde. O desgaste físico foi severo. Celi, que tinha 47 anos e era muito magra na época, passou a desmaiar já no quarto dia, tendo sua vida colocada em risco e orientada a suspender a greve de fome. Parte do grupo resistiu por 17 dias em privação total de alimentos, bebendo apenas água.
A pressão do parlamento e a solidariedade nacional forçaram o governo a negociar pautas emergenciais e liberar salários retidos. Um acordo negociado, com mediação do então presidente do Congresso Nacional, Antônio Carlos Magalhães, colocou fim à greve histórica.
Luta traz conquistas
Celi Taffarel ressaltou que o ANDES-SN continua sendo o "esteio fundamental" de resistência para garantir uma universidade pública, laica e socialmente referenciada. Ela reforçou que a luta sindical é um instrumento fundamental, que unifica gerações, e conclamou a juventude docente a manter vivo esse legado, construído ao longo de mais de quatro décadas.
A docente rejeitou a visão individualista da docência e lembrou que a lição de 1998 permanece. "A luta que traz as conquistas. Elas não caíram do céu. Elas não são benesses. As conquistas são fruto da luta, por isso a importância desse sindicato”, afirmou.
Durante o 44º Congresso do ANDES-SN, a professora Celi Taffarel foi homenageada pelo Coletivo Democracia e Luta da UFBA por seu papel acadêmico e por sua trajetória de luta na construção e defesa do ANDES-SN como único representante da categoria docente.
Participantes voluntários da greve de fome do ANDES-SN em 1998:
1. Alexis Leite - Universidade Federal do Piauí
2. Antônio Rafael da Silva - Universidade Federal do Maranhão
3. Cândido Medeiros - Universidade Federal do Maranhão
4. Delso Lima Filho - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
5. Durval Cruz Prazeres - Universidade Federal do Maranhão
6. Irenilda Ângela Santos - Universidade Federal de Mato Grosso
7. Maria Luiza Fontenelle - Universidade Federal do Ceará
8. Marcelo Guina Ferreira - Universidade Federal de Goiás
9. Nelson O. Doki - Centro Federal de Educação do Paraná
10. Pedro Rodolpho Jungers Abib - Universidade Federal da Bahia
11. Carlos Adalberto Celedoni - Universidade Federal do Ceará
12. Alexandre Luiz Gonçalves de Resende - Universidade de Brasília
13. Glauco Falcão de Araújo - Universidade de Brasília
14. Jorge Paulo Watrin - Universidade Federal do Pará
15. Raimundo Nonato Nunes - Universidade Federal do Rio Grande do Norte
16. Marcos Lourenço Herter - Universidade Federal de Santa Catarina
17. Valter Pires Pereira - Universidade Federal do Espírito Santo
18. Celi Taffarel - Universidade Federal de Pernambuco
19. Maurício Roberto da Silva - Universidade Federal de Santa Catarina
Fonte: Andes-SN
Docentes participam de atos em defesa da classe trabalhadora e pelo cumprimento dos acordos de greve
Representantes da diretoria nacional, da Comissão Nacional de Mobilização (CNM) e das seções sindicais do ANDES-SN estiveram presentes em atos na capital federal, Brasília, nos últimos dias 15 e 16. As mobilizações cobraram o fim da escala 6x1, a regulamentação da convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o cumprimento integral dos acordos de greve de 2024, entre outros direitos da classe trabalhadora.
Fotos: Thamires Barreto
Pelo fim da escala 6x1
Na quarta-feira (15), as e os docentes participaram da Marcha da Classe Trabalhadora, convocada pelas Centrais Sindicais. A manifestação defendeu a regulamentação da Convenção 151 da OIT, o fim da escala de trabalho 6x1 e apresentou uma plataforma unificada de reivindicações ao governo federal. As e os manifestantes caminharam do Teatro Nacional até o Congresso Nacional, levando bandeiras, cartazes e faixas com as pautas das diferentes categorias presentes.
“No dia 15, estivemos na Marcha da Classe Trabalhadora. Essa atividade foi convocada por várias centrais sindicais, no intuito de pressionar o Congresso Nacional pela aprovação, com urgência, do fim da escala 6x1”, contou Herrmann Muller, 2º secretário do Sindicato Nacional.

O dirigente destacou que a luta pela redução da jornada de trabalho e pelo fim da escala 6x1 é uma pauta do ANDES-SN, à qual a entidade se dedicou profundamente no último período, com a realização, inclusive, do plebiscito nacional. “Nós temos uma deliberação de Congresso, como também de diretoria, de trabalhar na divulgação e na luta pelo fim da escala 6x1, pois entendemos que isso é fundamental para a sociedade como um todo. A redução dessa escala possibilita que os trabalhadores e as trabalhadoras tenham uma melhor qualidade de vida, uma melhor participação familiar, mais espaço de desenvolvimento, como um todo, da vida cotidiana”, explicou Muller.
Pelo cumprimento dos acordos de greve
Na quinta-feira (16), a categoria docente retorno à Esplanada dos Ministérios, em frente ao bloco do Ministério de Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI), para protestar em defesa do cumprimento integral dos acordos de greve das entidades do serviço público federal. O ato foi realizado em conjunto com a Fasubra e o Sinasefe, entidades do Setor da Educação Federal.

A mobilização atendeu à deliberação do 44º Congresso do ANDES-SN, realizado em março, que aprovou a construção de um calendário unificado de paralisações no primeiro semestre de 2026. O calendário tem como objetivo pressionar o governo federal pela integral e imediata implementação dos itens pendentes do Acordo de Greve nº 10/2024, além de denunciar o descumprimento de acordos firmados com diversas categorias do funcionalismo público federal ao longo de 2024 e 2025.
“O ato em frente ao MGI foi importante para demonstrarmos nossa insatisfação e cobrarmos, mais uma vez do governo, o cumprimento integral do nosso acordo de greve. Nesta atividade também estiveram presentes o Comando Nacional de Mobilização, diretores e diretoras e representantes de seções sindicais do ANDES-SN, no sentido de fortalecer a luta com a Fasubra e o Sinasefe, para que os termos firmados pelo governo federal com as entidades sindicais, conquistados com a Greve da Educação Federal em 2024, sejam cumpridos”, afirmou o 2º secretário do ANDES-SN.

Após a manifestação, as e os docentes se reuniram na sede do Sindicato Nacional para avaliar as atividades.
Fonte: Andes-SN | Fotos: Thamires Barreto
ANDES-SN convoca seções sindicais das IFES para ato unificado em 16/04 pelo cumprimento do acordo de greve
Em defesa do cumprimento dos acordos de greve das entidades do serviço público federal, o ANDES Sindicato Nacional convocou a categoria docente do Setor das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), a participar do Ato Unificado da Educação Federal, que será realizado no dia 16/04, em conjunto com o Sinasefe e a Fasubra. A circular foi publicada na terça-feira, (31).
A mobilização atende à deliberação do 44º Congresso do ANDES-SN, que aprovou a construção de um calendário unificado de paralisações no primeiro semestre de 2026. O objetivo é pressionar o governo federal pela integral e imediata implementação dos itens pendentes do Acordo de Greve nº 10/2024, além de denunciar o descumprimento de acordos firmados com diversas categorias do funcionalismo público federal ao longo de 2024 e 2025.
Ainda para as atividades, o ANDES Sindicato Nacional também convocou a Comissão Nacional de Mobilização (CNM) para o período.
Programação
As atividades de mobilização começarão já no 15, data em que as Centrais Sindicais convocaram mobilização a partir das 11 horas, pela regulamentação da Convenção nº 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Ali também será o momento do lançamento de uma plataforma unificada de reivindicações ao governo federal. A diretoria do ANDES-SN participará da atividade, que terá concentração às 10h, em frente ao Teatro Nacional, em Brasília.
No dia 16, a concentração acontece a partir das 9h em frente ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), na esplanada dos Ministérios. A partir das 16h, na sede do ANDES-SN, acontece a reunião de avaliação das mobilizações do dia.
Participação
As seções sindicais devem informar a participação de seus representantes por meio do formulário disponibilizado na circular encaminhada. A diretoria do ANDES-SN reforça o chamado e destaca a importância da unidade das categorias do serviço público federal na luta por direitos e pelo cumprimento dos compromissos assumidos pelo governo, conquistados com a Greve da Educação Federal em 2024.
Acesse aqui a circular que convoca as mobilizações de 15 e 16 de abril.
Fonte: Andes-SN
Deterioração das condições de trabalho nos Hospitais Universitários leva à greve nacional
HUs enfrentam precarização do trabalho, fragmentação da luta da classe trabalhadora, terceirização e quarteirização das contratações e dos serviços
Trabalhadoras e trabalhadores de Hospitais Universitários (HUs) de vários estados entraram em greve na segunda-feira (30), após tentativas frustradas de negociação, sem apresentação de uma proposta por parte da HU Brasil, antiga Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), responsável pela gestão dos hospitais universitários. “A greve aprovada por trabalhadoras e trabalhadores vinculados aos hospitais universitários é mais do que legítima: ela reafirma e evidencia as denúncias historicamente feitas pelo Sindicato Nacional”, destaca Fernanda Mendonça, 1ª vice-presidenta da Regional Sul do ANDES-SN.
Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW-UFPB/Ebserh) - João Pessoa (PB) - Foto: Gustavo Ribeiro/Ascom UFPB
A entidades sindicais representativas das trabalhadoras e dos trabalhadores estão em processo de negociação com a HU Brasil desde a última terça-feira (24) para chegar a um acordo sobre o ACT 2026/2027, cuja data-base está fixada em 1º de junho de 2026. As tratativas vêm sendo mediadas pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST). Trabalhadoras e trabalhadores, entre administrativos, enfermeiros e médicos, cobram o cumprimento de acordos coletivos, com reposição da inflação (INPC) dos últimos anos (até 25% em algumas regiões), melhorias nas condições de trabalho, reajuste salarial e de benefícios.
De acordo com Fernanda, o ANDES-SN, em parceria com a Frente Nacional Contra a Privatização da Saúde (FNCPS), denuncia há anos o avanço do setor privado nos processos de gestão do SUS. Um desses mecanismos de privatização consolidou-se a partir de 2011, por meio da Lei nº 12.550, que criou a EBSERH, empresa pública de direito privado, que agora é a HU Brasil.
“Sob o argumento de resolver o impasse com o Tribunal de Contas da União (TCU) acerca da contratação irregular de trabalhadoras e trabalhadores, por meio de fundações de apoio nos hospitais universitários, a EBSERH tem cumprido o papel de, entre outros aspectos, substituir servidores públicos contratados pelo Regime Jurídico Único (RJU) por profissionais contratados via CLT, aprofundando a precarização das relações de trabalho”, critica.
A professora afirma que os hospitais universitários federais convivem com problemas amplamente denunciados pelo ANDES-SN: assédio moral, precarização do trabalho, fragmentação da luta da classe trabalhadora, perda da autonomia universitária em relação aos HUs, terceirização e quarteirização das contratações e dos serviços, além da imposição de barreiras ao acesso de estudantes e docentes às atividades de ensino, pesquisa e extensão.
“Cabe destacar que alguns hospitais universitários estão sob gestão da EBSERH há mais de uma década, período em que contratos de gestão deveriam passar por processos de avaliação para eventual renovação. Atento a essa realidade, o 44º Congresso do ANDES-SN aprovou resolução que prevê o levantamento, por meio das seções sindicais, da situação dos contratos firmados entre os HUs e a EBSERH, bem como dos processos de sua renovação”, informa.
Além disso, Mendonça reforça que o fechamento, a redução e/ou a abertura de serviços com base em justificativas pautadas pela lógica mercantil, em detrimento da qualidade da assistência e da formação, tornaram-se parte do cotidiano dos hospitais universitários sob gestão da EBSERH. “Soma-se a isso a persistência de infraestrutura deficitária e de insuficiência de força de trabalho”, diz.
Para a 1ª vice-presidenta da Regional Sul, as questões que envolvem a EBSERH evidenciam a necessidade urgente de um debate amplo, democrático e transparente sobre os modelos de gestão em saúde e suas consequências, debate este que segue sendo negligenciado. “A participação de diferentes segmentos da sociedade permanece incipiente, o que contraria, mais uma vez, o princípio da participação social que fundamenta o SUS”, reprova.
Greve segue avançando pelo país
Pelo menos dez estados aderiram à greve: PB, RS, MS, SE, PE, RN, MG, GO, MA e SC. O movimento segue crescendo em todo o país e não compromete os serviços essenciais de urgência e emergência, conforme determina a lei.
Na Paraíba, três hospitais - Lauro Wanderley (HULW), em João Pessoa; Alcides Carneiro (HUAC), em Campina Grande; e Júlio Bandeira (HUJB), em Cajazeiras – paralisaram as atividades, com grandes filas na capital.
No Mato Grosso do Sul, um protesto foi realizado em frente ao Humap (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian), em Campo Grande, logo pela manhã desta segunda (30). O Hospital Universitário da UFGD (HU-UFGD), localizado em Dourados/MS, também paralisou parte das atividades.
No Rio Grande do Sul, a greve atinge o Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Jr. da Universidade Federal do Rio Grande (HU-Furg) e o Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM). Já o Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (HE-UFPEL) está em estado de greve.
Em Sergipe, houve paralisações das trabalhadoras e trabalhadores do Hospital Universitário da UFS (HU-UFS) e do Hospital Universitário de Lagarto.
Em Pernambuco, o HC-UFPE (Recife) e o HU-UNIVASF (Petrolina), aderiram ao movimento.
Já em Santa Catarina, servidoras e servidores do Hospital Universitário Polydoro Ernani de São Thiago, da UFSC, também entraram em greve.
A greve atinge ainda o Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL-UFRN), em Natal/RN.
Em Minas Gerais, o Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HU-UFU) aderiu à greve, além do Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF).
Em Goiás, o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HU-UFG) também aderiu à paralisação.
No Rio de Janeiro, os(as) trabalhadores(as) do Hospital Antônio Pedro, em Niterói, realizaram um ato em frente ao hospital, dando início à greve.
No Maranhão, os(as) trabalhadores(as) do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (HU-UFMA) aderiram ao movimento nesta terça-feira (31).
A HU Brasil é responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 estados.
Fonte: Andes-SN (com informações de agências)
Docentes da UnDF deflagram greve por valorização da carreira e mais democracia na universidade
As e os docentes da Universidade do Distrito Federal (UnDF) entrarão em greve a partir da próxima sexta-feira (20). A decisão foi tomada em assembleia convocada pelo Sindicato de Docentes da UnDF (SindUnDF – Seção Sindical do ANDES-SN), realizada no dia 12 de março.

A deliberação pelo movimento paredista ocorre após sucessivas tentativas de diálogo com a administração da universidade. De acordo com Louis Blanchet, presidente do SindUnDF SSind., as professoras e os professores estão há mais de um ano em negociação sobre as condições de trabalho na instituição sem obter respostas efetivas. “Todos os grupos de trabalho e mesas de negociação são interrompidos quando os e as docentes não aceitam o que é imposto pela Reitoria”, denunciou o dirigente.
Entre os principais pontos da pauta de reivindicações estão o reajuste de 10% no salário-base, o aumento da gratificação por magistério superior para 60% do salário-base, a instituição do regime de Dedicação Exclusiva, com gratificação correspondente de 50%, e a redução do tempo necessário para alcançar o topo da carreira, passando de 25 para 15 anos. Em outras universidades estaduais esse tempo varia, em média, entre 15 e 20 anos.
Blanchet explica que a carreira do magistério superior no Distrito Federal está entre as mais defasadas do país. Além disso, as gratificações por titulação estão entre as menores do governo do Distrito Federal (GDF), mesmo com um corpo docente composto majoritariamente por docentes com titulação de mestrado e doutorado.
“O Magistério Superior do DF é a carreira com um dos menores salários do ensino superior e ocupa o penúltimo lugar entre as carreiras do GDF. Isso provoca a evasão de servidores qualificados. As atividades administrativas, como coordenações, não possuem gratificações, o que gera acúmulo de funções sem remuneração”, afirmou Blanchet.
Além da lentidão na progressão e da desvalorização da titulação, a categoria aponta a sobrecarga de trabalho como um dos fatores que contribuem para o processo de precarização. As e os docentes da UnDF também denunciam a ausência de limites para a carga de trabalho e uma exigência mínima de regência de aulas superior à prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), o que compromete o equilíbrio entre ensino, pesquisa, extensão e gestão acadêmica.
Conselhos da UnDF
Kíssila Mendes, vice-presidenta da SindUnDF. SSind., ressalta que, desde sua criação, a UnDF foi pensada de uma forma muito fisiológica, como órgão do GDF e não como uma universidade pública. “Foi passado para todos nós como se isso fosse algo transitório. A nossa primeira pauta, que levou à criação do sindicato, foi a gestão democrática. Não existiam, e como não existem ainda, conselhos. Então, todas as deliberações ainda vêm de cima para baixo, todas as decisões, porque não têm deliberações. E isso ainda é uma luta. A gente, inclusive, precisou judicializar a compreensão do que é ser professor. Então esse é o tamanho do nosso problema”, relatou.
A professora ressaltou que, embora a pauta salarial seja importante, a falta de diálogo, que também é resultado da ausência dos Conselhos e de eleição para reitoria, foi o que levou à deliberação da greve. “A gente não tem o reconhecimento de que a nossa carreira é que deve ocupar os espaços de gestão, os cargos que são administrativos e acadêmicos, como reitoria e pró-reitorias. Nenhum desses espaços é ocupado por professores da carreira. Tudo isso cria uma situação trabalhista bastante ruim, bastante complicada. Não é só o salário. É claro que isso é muito ruim, é a nossa principal reivindicação, mas também [reivindicamos] o acesso à administração da universidade”, acrescentou a vice-presidenta da seção sindical do ANDES-SN na UnDF.
Mesmo com decisão favorável da Justiça, a Reitoria pro tempore mantém o edital considerado irregular para composição dos órgãos colegiados da UnDF, sem contemplar os 70% das vagas destinadas a docentes, conforme determina o artigo 56 da LDB. A medida descumpre o acórdão, que determinou a correção da composição, de modo a garantir o percentual mínimo de 70% das vagas para a carreira docente do quadro permanente.
“Esperamos que o GDF avance na direção de instalar os Conselhos com a nomeação de docentes efetivos e pela instalação de uma eleição para reitor que seja democrática. Até o momento, só nos ofereceu intervenções no sentido contrário, estabelecendo a lista tríplice por meio de decreto, já que não estava prevista em Lei, e prorrogando o mandato da atual reitora”, criticou Louis Blanchet, presidente do SindUnDF SSind.
ANDES-SN apoia a greve
Diante do movimento grevista, a diretoria do ANDES-SN divulgou, na última sexta-feira (13), uma nota de apoio e solidariedade às e aos docentes da UnDF, destacando a legitimidade da mobilização e a importância da luta por melhores condições de trabalho e pela consolidação de uma universidade pública forte e socialmente referenciada. Leia aqui.
Segundo Sérgio Barroso, 1º tesoureiro do Sindicato Nacional e da coordenação do Setor das Instituições Estaduais, Municipais e Distrital de Ensino Superior (Iees, Imes e Ides), a categoria docente da UnDF enfrenta dificuldades desde a criação da universidade em 2021. “A UnDF é uma universidade relativamente nova e a comunidade acadêmica enfrenta uma série de dificuldades relacionadas ao autoritarismo do governo do Distrito Federal e à falta de respeito aos processos democráticos. Há pessoas indicadas para cargos de gestão pelo governo que sequer pertencem à carreira da universidade. Além disso, os conselhos superiores têm dificuldade para funcionar e muitas vezes nem chegam a se reunir. Também há problemas de assédio institucional. Docentes em estágio probatório, por exemplo, são pressionados a assumir cargas horárias superiores às permitidas por lei ou a desempenhar funções que não deveriam exercer”, reforçou o diretor do Sindicato Nacional.
Kíssila reforçou que a greve foi a última alternativa da categoria, na expectativa de conseguir algum avanço nas negociações. “A gente aposta na greve como a nossa maior alternativa, talvez a última alternativa enquanto mobilização. E foi muito legal, porque foi a maior assembleia que a gente já teve, foram 60 pessoas. Hoje, a nossa categoria tem em torno de 100 docentes. Então, muita gente esteve presente e foi quase unânime a decisão pela greve. E é mesmo a nossa aposta, pela abertura de diálogo para melhoria das nossas condições de trabalho e para implementação da gestão democrática na universidade. Embora o GDF tenha um histórico de muita violência em resposta às greves, a gente acha que é um momento muito fundamental, com a chegada dos novos professores, de mobilização na nossa categoria”, concluiu a vice-presidenta do SindUnDF SSind.
Fonte: Andes-SN












