ATUALIZADO - COMUNICADO: Expediente na Adufmat-Ssind será retomado na tarde desta terça-feira, 26/05
Prezadas(os) professores,
Informamos que o expediente na sede da Adufmmat-Ssind será normalizado a partir da tarde desta terça-feira, 26/05.
Ficamos sem atendimento presencial desde a segunda-feira, 25/05, em razão de problemas no abastecimento de água. No entanto, a administração da UFMT informou que a ligação da rede já foi feita.
Agradecemos a compreensão de todas(os).
Atenciosamente,
Adufmat-Ssind
A Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (ADUFMAT, Seção Sindical do ANDES-SN), o Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação das Instituições Federais de Ensino Superior no Estado de Mato Grosso (SINTUF-MT) e o Diretório Central dos Estudantes (DCE) divulgaram nota oficial de repúdio em resposta aos ataques feitos pela enfermeira Ivina Angélica Ferreira Dodô contra a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e sua comunidade.
No documento, as entidades classificam as declarações como caluniosas e afirmam que as falas representam um ataque à universidade pública, aos serviços públicos e à comunidade formada por estudantes, docentes, técnico-administrativos(as) e trabalhadores(as) que constroem diariamente a instituição.
A nota destaca que a UFMT é patrimônio histórico do povo mato-grossense e tem papel central na produção científica, na formação de profissionais e no desenvolvimento de pesquisas e serviços fundamentais para a sociedade. Para as entidades, tentar desqualificar a universidade pública demonstra desconhecimento sobre a importância da instituição para Mato Grosso.
As entidades também apontam que os ataques à UFMT fazem parte de uma ofensiva recorrente contra a educação pública e os serviços públicos. O texto afirma ainda que a liberdade de expressão não pode ser utilizada como justificativa para declarações ofensivas e defende que a Universidade se posicione de forma firme, inclusive buscando a responsabilização jurídica pelas falas.
Ao final da nota, ADUFMAT, SINTUF-MT e DCE reafirmam a defesa da universidade pública, gratuita, democrática e socialmente referenciada, além do compromisso com a valorização da educação, da ciência e dos serviços públicos.
Confira abaixo a íntegra da nota oficial:


Territórios Amazônicos II: tem início, em Sinop, evento marcado pela resistência e defesa da educação pública
Teve início, na noite desta segunda-feira, 18/05, no campus da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em Sinop, a segunda edição do evento “Territórios Amazônicos – Educação, Direitos e Resistência”. Organizado pela subseção da Adufmat-Ssind, o encontro já é considerado um espaço fundamental para a reflexão crítica e a articulação política sobre a realidade da região que é porta de entrada da Amazônia no estado.
A mesa de abertura teve a presença da professora Luciane de Almeida Gomes, pró-reitora de Ensino de Graduação da UFMT, e do professor Elton Brito Ribeiro, Pró-reitor do Campus de Sinop, do diretor geral da Adufmat-Ssind, Breno Santos, do coordenador-geral da subseção local, Juliano Santos, do representante Estudantil, Kleber Souza, e também dos servidores técnicos-administrativos, Éverton Dente.
“Como diria Che Guevara, a universidade precisa ser pintada de povo, das comunidades, para além dos interesses das diversas burguesias que operam na política aqui nessa cidade. Pintar de povo é estar aqui, junto com os companheiros e companheiras indígenas, com os estudantes, com os companheiros técnicos-administrativos que estão em greve hoje e têm toda a nossa solidariedade para que essa luta seja vitoriosa. É uma satisfação para nós estar realizando o II Territórios Amazônicos, e eu queria agradecer profundamente o trabalho dos companheiros de Sinop, da subseção, aqui na região, para mostrar, sem nenhuma sombra de dúvidas, que a universidade é da comunidade, é dos povos indígenas, porque Mato Grosso é terra indígena, Sinop é terra indígena e a UFMT é terra indígena. Fazer esse evento aqui mostra a potência que a UFMT Sinop tem para dizer, em alto e bom som, que os interesses que devem vigorar nessa universidade são os interesses da classe trabalhadora, dos povos e dos territórios que eles representam. Uma universidade precisa ser para o povo e do povo; se não for assim, é melhor que não tenha universidade, é melhor que a gente se enraíze em outros lugares”, disse o diretor geral da Adufmat-Ssind, Breno Santos.

O professor Juliano Santos falou sobre o objetivo do evento, que vai até quinta-feira, 21/05. “Esse evento foi construído com muito carinho para nos proporcionar um espaço de reflexão sobre a universidade que queremos. Eu sou filho de pais trabalhadores, mãe solo, e consegui chegar na universidade, estou aqui hoje como professor. A universidade que a gente sonha tem essa capacidade de transformar a vida das pessoas para além de atender aos interesses do capital. Nessa perspectiva eu convido a todos para a gente fazer essa reflexão sobre onde nós queremos chegar e de que lado nós queremos estar nesse processo construtivo, desse futuro que a gente espera deste território”.

Dando continuidade às atividades, foi formada uma mesa para refletir a voz dos protagonistas da floresta e do campo, com a participação de representantes indígenas de diversas etnias, como Ikpeng, Panará, Kayabi, Kuikuru, Rikbaktsa, Enawene Nawe, Apiaká, Munduruku e Kamaiurá, além de lideranças de movimentos sociais como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Associação dos Docentes da Universidade do Estado de Mato Grosso (Adunemat-Ssind), Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (FEPOIMT), Associação Terra Indígena do Xingu (ATIX), FUNAI em Juína e Liderança do povo Munduruku, Proteção Animal Mundial e Instituto Ecótono. As discussões centraram-se na defesa dos direitos territoriais, nas trocas possíveis entre as comunidades e a educação, especialmente por meio da universidade pública, além da unidade na resistência ao avanço das desigualdades promovidas por interesses particulares de grupos econômicos que visam apenas explorar.
Em seguida, o professor Waldir Bertúlio, primeiro presidente da Adufmat-Ssind, compartilhou sua trajetória de luta na construção do sindicato e da própria UFMT. A presença de lideranças históricas e movimentos de base reforça o objetivo do evento, de ser um espaço popular de diálogo entre a universidade e a sociedade. Na quarta-feira (20) haverá a exibição do filme “Waldir Bertúlio: Um griô Entre Nós”, que também conta um pouco dessa história.

Por fim, os participantes foram para a parte externa do sindicato e assistiram alguns curtas relacionados aos temas do evento, como alguns curtas da organização Proteção Animal Mundial e o documentário BR 163: Progresso para quem?, que mostra a agressiva expansão agropecuária ao longo da rodovia.
A programação do "Territórios Amazônicos II" segue até quinta-feira, 21/05, com mesas de debate, rodas de conversa e atividades culturais voltadas para a promoção do bem viver e a garantia de direitos nos territórios. O evento reafirma o papel estratégico da universidade pública, gratuita e socialmente referenciada como instrumento de resistência e transformação social.
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Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
Perdeu o Seminário Será o fim do Trabalho? Universidade, IA e Mundo do Trabalho: quais perspectivas? Assista aqui
Para quem perdeu a oportunidade de presenciar o incrível debate sobre trabalho realizado no auditório da Adufmat-Ssind entre os dias 05 e 08/05, organizado pelos Grupos de Trabalho Política e Formação Sindical (GTPFS) e Política de Classe para questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS), uma boa notícia: os vídeos do Seminário "SERÁ O FIM DO TRABALHO? Universidade, IA e Mundo do Trabalho: quais perspectivas?" já estão disponíveis.
Enquanto o capitalismo tenta nos convencer de que a Inteligência Artificial é uma espécie de divindade redentora — e não apenas mais uma ferramenta para espremer o que resta da nossa força de trabalho —, os Grupos de Trabalho e a Adufmat-Ssind reuniram mentes que avaliam vários aspectos deste processo. Abaixo, destacamos alguns pontos do necessário debate realizado em cada um dos dias, que indicam, primeiro, uma "barbárie previsível" e já visível, e segundo, que a saída para tudo isso só pode ser coletiva.
05/05 – Mesa: Análise de Conjuntura
A abertura do seminário refutou categoricamente a tese do "fim do trabalho". A professora Alair Silveira recebeu os convidados e demais participantes afirmando que não se pode pensar no futuro sem compreender o passado.
O professor Breno Santos (UFMT) pontuou que o que testemunhamos são novas formas de exploração sobre velhas relações capitalistas, agravadas pelo neofascismo e pela ofensiva imperialista. Santos provocou a audiência ao traçar paralelos entre o embargo econômico sofrido por Cuba há 65 anos e as "guerras não convencionais" do cotidiano brasileiro, como o arrocho fiscal que naturaliza a perda de direitos.
Em sua análise, a docente Lélica Lacerda (UFMT) trouxe a urgência da interseccionalidade, demonstrando como gênero, raça e classe são marcadores que hierarquizam a vida desde a Grécia Antiga. Citando Mészáros, ela discutiu a crise estrutural do capital iniciada na década de 1970 e como o discurso neoconservador substitui o debate racional pelo "pânico moral" para minar direitos.
Já Rodrigo Castelo (UNIRIO) resgatou autores clássicos para definir o fascismo como um projeto burguês que captura países dependentes, reforçando que a derrota da classe trabalhadora começa na própria organização da produção.
Clique aqui para assistir ao debate do dia 05/05/25
06/05 – Mesa: Mundo do Trabalho, Estado e Sociedade
No segundo dia, a centralidade da categoria Trabalho foi reafirmada.
A professora Patrícia Félix (UFMT) lembrou que a história brasileira não pode ignorar a escravidão e denunciou que mesmo a Inteligência Artificial depende de um "exército de microtarefas", precarizado e residente no sul global. “A Inteligência Artificial depende do trabalho humano precarizado, para testar as tecnologias de aplicativos e softwares, por meio de microtarefas que pagam milésimos de dólares aos trabalhadores do sul global”, afirmou.
O Estado, por sua vez, foi descrito pela convidada Patrícia Acs (Mulheres em Luta), numa perspectiva militantes, não como um mediador neutro, mas como um agente do capital que investe no aparato penal enquanto sucateia serviços públicos e avança na militarização das escolas, disseminando a ideia de que o trabalho deve ser alienado e disciplinado.
A professora Adriana Penna (UFF) aprofundou a análise a respeito da Educação, alertando para a "lógica da parceria público-privada" e a influência de organizações internacionais como o Banco Mundial na modelagem de um trabalhador "adaptável" à barbárie. Penna ironizou a valorização do perfil de "influencer" em detrimento da docência, enquanto o mercado monetiza a pobreza sob o verniz do "desenvolvimento sustentável" e do "empoderamento" individualista.
A docente da Federal Fluminense apresentou uma série de dados em um slide, que está disponível para consultas aqui.
Clique aqui para assistir ao debate do dia 06/05/25
07/05 – Mesa: Universidade, Trabalho e Inteligência Artificial
O debate sobre tecnologia foi introduzido pela docente Josiane Oliveira (UFMT), que definiu a atual posição do Brasil como um "treinador" de IAs para economias centrais — um verdadeiro colonialismo de dados.
O professor Aldi Nestor de Souza (UFMT) reforçou a perspectiva marxista de que tudo o que “não dá no pé” é fruto do trabalho humano, denunciando o uso ideológico da IA para exercer coação e medo sobre os trabalhadores.
Encerrando a mesa, o presidente do IBGE, professor Márcio Pochmann, trouxe dados sobre a reconfiguração do território brasileiro, comparando o cenário atual de falta de planejamento e favelização com a realidade de um século atrás.
Pochmann destacou que a era digital eliminou as fronteiras entre casa e trabalho, fazendo com que o usuário realize, de forma não paga, tarefas que antes eram funções remuneradas, como os serviços bancários. “Nós estamos reproduzindo, nesta nova sociedade, instrumentos e formas do passado, com o aumento da exploração”, disse.
Clique aqui para assistir ao debate do dia 07/05/25
08/05 – Mesa: Quais as perspectivas de futuro se constroem do passado e do presente?
O encerramento contou com a presença emblemática de Waldir Bertúlio, cuja trajetória se confunde com a própria história da UFMT. Como primeiro presidente da Adufmat-Ssind, Bertúlio foi peça central na resistência sindical e na organização docente durante os anos de chumbo da ditadura empresarial-militar.
Neste contexto, a professora Alair Silveira (UFMT) apresentou uma análise contundente sobre o refluxo organizativo da classe, enfatizando a urgência de uma campanha contra a naturalização do trabalho sem direitos, um fenômeno contemporâneo onde a precarização passa a ser aceita como um dado imutável da realidade.
Para a docente, o Movimento Sindical atravessa um momento de estreitamento político, no qual a luta tem se limitado perigosamente aos marcos da legislação, perdendo de vista o enfrentamento direto e a disputa de projeto de sociedade. A classe trabalhadora está, gradualmente, abrindo mão da radicalidade necessária para confrontar o capital, e é preciso recuperar essa radicalidade.
Por fim, Plínio de Arruda Sampaio Jr. (Unicamp) apresentou uma leitura implacável do "capitalismo da barbárie", alertando para o colapso ambiental iminente. Para o docente, o desafio da classe trabalhadora é romper com a lógica de escolher o "menos pior" e buscar uma direção estratégica que vá, efetivamente, além do capital. Sem ilusões, ele reafirmou o horizonte comunista como o único norte capaz de frear a devastação em curso
Clique aqui para assistir ao debate do dia 08/05/25
Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
Inscrições abertas para o evento Territórios Amazônicos - Educação, Direitos e Resistência; clique aqui para se inscrever
A Adufmat-Ssind está com inscrições abertas para a segunda edição do evento “Territórios Amazônicos – Educação, Direitos e Resistência”, que será realizado entre os dias 18 e 21/05, em Sinop. A programação reunirá representantes da comunidade acadêmica, movimentos sociais, povos indígenas, agricultores familiares, comunidades tradicionais e demais interessados em debater os desafios enfrentados pelos territórios amazônicos e o papel da educação pública na transformação social.
O encontro propõe reflexões sobre temas centrais para a região amazônica, como reforma agrária, agroecologia, degradação ambiental, justiça social, sustentabilidade, resistência popular e garantia de direitos. Segundo a organização, o evento busca fortalecer espaços democráticos de troca de saberes e construção coletiva diante do avanço das desigualdades sociais, territoriais e socioambientais.
A programação será realizada presencialmente na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus de Sinop, e contará com mesas de debate, atividades culturais, rodas de conversa e participação de diversos segmentos sociais ligados às lutas em defesa dos territórios amazônicos.
O “Territórios Amazônicos II” pretende consolidar um espaço popular de diálogo entre universidade e sociedade, articulando educação pública, direitos humanos e resistência social em defesa da Amazônia e de seus povos.
As inscrições já estão abertas e podem ser realizadas pela plataforma oficial do evento. Haverá certificação para os participantes.
Faça aqui sua inscrição – Territórios Amazônicos II
Também haverá caravana saindo de Cuiabá no dia 18 de maio.
Interessados devem realizar a inscrição até 15/05 (Sexta-feira) às 13h.
Para fazer sua inscrição na caravana clique aqui.
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
Assembleia da Adufmat-Ssind debate conjuntura, aprova apoio a Cuba e adesão a manifesto, entre outras ações
A Assembleia Geral da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adufmat-Ssind) realizou, nesta quarta-feira, 25/03, um amplo debate sobre a conjuntura nacional e internacional, além de tratar de temas internos da categoria docente e da universidade. Entre os pontos discutidos estiveram informes, avaliação do 44º Congresso do Andes-Sindicato Nacional, estatuinte da UFMT e ações de solidariedade internacional. Também foi incluída na pauta, por iniciativa da Diretoria, a análise sobre a adesão ao manifesto “Queremos as mulheres vivas, livres e no poder”.
Informes destacam atividades e organização de mobilizações
Nos informes da Diretoria, foram destacadas diversas atividades recentes e encaminhamentos do sindicato. A entidade participou da recepção aos calouros e de uma atividade sobre aposentadoria e saúde do aposentado, realizada no Sindicato dos Servidores Técnico-administrativos (Sintuf-MT) na terça-feira – 24/03. A professora Maria Salete, diretora de Comunicação da entidade, está acompanhando o debate sobre violência de gênero e feminicídio, que contará com audiência pública na Assembleia Legislativa sobre o tema.
Também foi informado que o setor administrativo do sindicato retornará à sede (oca), localizada dentro da UFMT. A Diretoria destacou ainda a divulgação de matéria sobre a vitória relacionada ao cumprimento da lei de cotas no serviço público (saiba mais aqui), além de mencionar as próximas reuniões dos Grupos de Trabalho (GTs).
O professor Aldi Nestor de Souza informou que já teve início a organização da Jornada Universitária pela Reforma Agrária (JURA) deste ano, que terá como tema os 30 anos do massacre de Carajás. Também estão sendo preparadas as atividades do 1º de Maio – Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores, com a proposta de realização de debates em espaços públicos, como praças, centro da cidade e bairros, com a divisão de responsabilidades entre as entidades participantes.
A professora Alexandra Valentim, do campus de Sinop, relatou a realização de uma reunião local para discutir a universidade pública para todos e chamou atenção para um abaixo-assinado que começou a circular no campus em apoio à proposta de desmembramento.
Já a professora Valéria Queiroz, do Araguaia, informou sobre reunião em que a reitora da UFMT pautou os 28,86%, entre outras demandas locais. Os presentes lembraram que há decisão de assembleia de que os assuntos relacionados aos 28,86% devem ser tratados oficialmente pelo sindicato, que é parte autora da ação, enquanto a Reitoria figura como ré.
A professora Lélica Lacerda apresentou informes do Grupo de Trabalho Política de Classe para questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS), destacando a exposição “Revolução é uma palavra feminina”, prevista para o samba do mês das mulheres no Trigória, no próximo domingo - 29/03, e o debate sobre a resistência das mulheres em Mato Grosso durante a ditadura militar, programado para 01/04, no auditório da Adufmat-Ssind (local ainda a confirmar).
Análise de conjuntura aborda cenário internacional e condições sociais
A análise de conjuntura aprofundou debates que vêm sendo realizados há meses, com destaque para o agravamento dos ataques imperialistas. O professor Breno Santos avaliou que há uma “janela de oportunidades” para a derrota dos Estados Unidos diante das dificuldades enfrentadas no ataque ao Irã.
O professor Aldi Nestor de Souza analisou dados divulgados pelo governo, que indicam redução do desemprego, aumento da renda e inflação controlada. No entanto, destacou que as condições gerais da população não acompanham diretamente esses indicadores. Segundo ele, persistem problemas como o aumento do trabalho escravo e infantil e a elevação de preços de itens básicos, como o café — que, de acordo com o DIEESE, teve alta entre 7,22% e 36,56% nos últimos 12 meses, dependendo da região.
Para o docente, a população percebe essas dificuldades ao avaliar a administração pública, mas isso não se traduz automaticamente em análises mais profundas. “A exploração está mais sofisticada, não é mais como nas décadas de 1970 e 1980. Chegamos a um ponto em que as pessoas se orgulham do nível de exploração ao qual estão submetidas”, afirmou.
O professor José Domingues de Godoi Filho ressaltou que os ataques dos Estados Unidos a outros países não se limitam à busca por petróleo, abrangendo também outras fontes energéticas, além de água e terras raras. Ele criticou ainda o uso da chamada “guerra às drogas” como justificativa para intervenções e questionou o papel da universidade nesse contexto. “De que adianta produzir 500 artigos, se na prática estamos entregando tudo? Toda a riqueza, todo o conhecimento? A universidade pública é uma mentira, porque não atende ao interesse público”, declarou.
A professora Lélica Lacerda avaliou que as dificuldades enfrentadas pelos Estados Unidos no Irã têm redirecionado sua atenção para a América Latina, incluindo países como Colômbia e Brasil. “Os trabalhadores organizados da Colômbia ainda politizam o debate, envolvem a população e convocam para as ruas. E o Brasil? Nós não temos uma proposta de futuro para apresentar aos trabalhadores”, afirmou. Para ela, a crise civilizatória do capitalismo já não comporta preocupações mínimas com a dignidade humana e o meio ambiente.
O diretor-geral da Adufmat-Ssind, Breno Santos, concordou com as análises. “A vida concreta não se mede pelo quanto a Nasdaq ou a Faria Lima estão satisfeitas com o governo, mas pela degradação a que os trabalhadores estão submetidos. Isso não é apenas número. Estamos diante de uma incapacidade real de promover luta no campo da esquerda classista”, avaliou.
Ainda no debate, a professora Lélica Lacerda destacou que a discussão sobre interseccionalidade da classe, frequentemente utilizada de forma inadequada, para separar, pode, ao contrário, fortalecer a luta, desde que não se desvincule da perspectiva classista.
Congresso do Andes-SN gera avaliações críticas
O debate de conjuntura abriu caminho para as avaliações sobre o 44º Congresso do Andes-SN, realizado em Salvador entre os dias 02 e 06/03. Delegados que participaram do evento consideraram que houve avanços em áreas como inclusão — com ações voltadas a docentes surdos —, fortalecimento da luta antirracista e ampliação do debate educacional, incluindo diálogo com outras entidades e a realização do IV ENE.
Apesar disso, a avaliação predominante foi de frustração, devido à falta de tempo e espaço para debates considerados fundamentais, especialmente sobre questões organizativas.
O tema deverá ser retomado no Conselho Extraordinário do Andes-SN (Conad), previsto para novembro, em Brasília. Na assembleia, foi consensuado que a Adufmat-Ssind deve preparar sua delegação para qualificar o debate e garantir deliberações alinhadas aos interesses da categoria, diante das críticas à condução do congresso.
Estatuinte da UFMT
Sobre a estatuinte da UFMT, o diretor-geral da Adufmat-Ssind, Breno Santos, informou que uma reunião com a Reitoria, destinada à organização dos pontos gerais, foi desmarcada. Ainda assim, o sindicato manteve o tema na pauta para se preparar para o futuro encontro.
Ao final, foi deliberado que a entidade defenderá a realização de amplos debates, em espaços como o teatro universitário, com participação de convidados, como reitores de outras instituições. Também foi apontada a necessidade de discutir a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), garantir que decisões tenham efetividade junto ao Ministério da Educação (MEC) e promover a desburocratização dos espaços de gestão da universidade.
O sindicato também defenderá a atuação conjunta das entidades representativas — Adufmat-Ssind, Sintuf-MT e representações estudantis —, além da realização de debates nas unidades acadêmicas.
Solidariedade a Cuba e adesão a manifesto
No ponto de pauta sobre solidariedade ao povo cubano, a assembleia aprovou a contribuição a campanhas como “Cuba Resiste” e “Remédios para o Povo Cubano”, com a doação total de R$ 10 mil para aquisição de medicamentos e insumos médicos. Também foi aprovado apoio político, com o envio de dois docentes para o 1º de Maio em Cuba, integrando a delegação do Andes-SN. Foram indicados os professores Breno Santos e Lélica Lacerda.
Por fim, a assembleia apreciou e aprovou a adesão ao manifesto “Queremos as mulheres vivas, livres e no poder”, apresentado pela professora Lélica Lacerda, cujo conteúdo pode ser lido aqui.
Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
Vitória: denúncia sobre inefetividade das nomeações por cotas leva UFMT a mudar edital em 2026
Manifestação durante 44º Congresso da categoria docente em Salvador reivindica reparação histórica
Foto: Eline Luz/ Assessoria do Andes-SN
A publicação do edital nº 01/2026 de concurso docente, publicado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em 26 de fevereiro deste ano, traz uma mudança história: o fim do modelo de sorteio de vagas destinadas à política de ações afirmativas da instituição, mecanismo que vinha comprometendo a efetividade da política de cotas raciais. A medida representa uma vitória importante da Associação dos Docentes da UFMT (Adufmat-Ssind) que, junto ao Observatório Opará, denunciou as distorções desse sistema no ano passado (leia aqui).
Na ocasião, o Observatório apontou que o modelo adotado pela UFMT – assim como outras dezenas de universidades - resultava na inefetividade nas nomeações por cotas; no caso da UFMT, em mais de 90%. Na prática, mesmo com vagas reservadas, a lógica do sorteio impedia que candidatos cotistas fossem efetivamente nomeados, esvaziando a política pública e contrariando o objetivo da legislação de promoção da igualdade racial.
Na avaliação da professora Ana Luisa Oliveira, da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) e uma das coordenadoras da pesquisa realizada pelo Opará, a mudança significou um avanço, mas outras ações ainda são necessárias. “Avançamos para o fim do sorteio nos editais de concursos docentes da UFMT, mas é preciso o monitoramento em relação a outros vieses do racismo institucional que podem afetar a efetividade da política pública como a diversidade na composição das bancas examinadoras, a transparência em critérios de correção de provas, especialmente as subjetivas. Além disso, é fundamental a UFMT propor a reparação das vagas que não foram devidamente ocupadas por pessoas negras por causa da reprodução do sorteio.”
“Eu avalio que esse foi um avanço importante, fruto da luta sindical e da campanha ‘Sou Docente Antirrascista’ do Andes-Sindicato Nacional, que foi fortalecida no 44º Congresso com a parceria firmada entre o sindicato e o observatório Opará. O próximo passo deve ser a elaboração, por parte da UFMT, de um plano concreto e de curto prazo para a reparação de todas as vagas não preenchidas por conta do sistema fraudulento do sorteio. Precisamos do compromisso da UFMT nesse sentido”, afirmou o diretor geral da Adufmat-Seção Sindical do Andes-SN.
Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
Adufmat-Ssind entrega carta ao ministro da Educação com reivindicações da categoria docente
Durante a agenda do ministro da Educação, Camilo Santana, em Cuiabá, nesta quarta-feira, 04/02, a Adufmat - Seção Sindical do Andes Sindicato Nacional entregou uma carta, reiterando algumas das principais reivindicações da categoria docente em âmbito nacional e local.
O encontro ocorreu durante a inauguração simbólica do Centro Cultural que funcionará em frente à sede do sindicato, dentro da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
Entre as reivindicações nacionais estão o cumprimento integral do acordo de greve assinado em 2024 – com muitos pontos ainda em aberto, e a recomposição orçamentária real – também não efetivada, considerando os cortes sistemáticos dos últimos anos. A reivindicação local é o fortalecimento do modelo multicampi, para evitar o desmembramento do campus da UFMT Sinop.
“Para a UFMT, é de extrema importância o tema sobre a possibilidade de desmembramento do campus de Sinop. Nós entendemos que o processo, como ocorre hoje, com diálogos que passam ao largo da democracia universitária, da autonomia universitária, que não envolve o debate no seio da universidade, é muito danoso, porque é não é aquilo em que acreditamos como universidade. O que nós temos hoje é a possibilidade de emancipar um campus sem passar pelo diálogo, para atender a interesses de uma elite econômica local. Por isso, é fundamental que o MEC [Ministério da Educação] possa seguir neste processo para que, se houver qualquer discussão sobre o futuro da UFMT, que passe por toda a UFMT, e não seja exclusividade das elites locais do norte de Mato Grosso”, disse o diretor-geral do sindicato, Breno Santos.
Também foram entregues as manifestações dos povos indígenas que vivem em Mato Grosso sobre a possibilidade de desmembramento do campus, encaminhadas pela Assembleia Geral da Associação Terra Indígena Xingu – ATIX (disponível aqui) e Instituto Raoni (leia aqui). Os três documentos foram assinados por Santana como forma de registro de recebimento.
Leia, abaixo, a íntegra da Carta entregue pela Adufmat-Ssind:




Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
ADUFMAT-SSIND ALÉM DOS MUROS | Imprensa repercute matéria sobre a posição dos povos indígenas em defesa da universidade multicampi e contrária ao desmembramento da UFMT Sinop
A Imprensa de Mato Grosso repercutiu matéria do sindicato indicando a posição do Instituto Raoni e outras entidades indígenas em defesa da universidade pública forte, multicampi, e contrária ao desmembramento da UFMT Sinop.
O conteúdo foi divulgado em meados de dezembro de 2025, e o debate sobre o tema deve voltar à pauta já nos primeiros meses deste ano.
Clique em cada um dos títulos e confira:
Adufmat-Ssind
Instituto Raoni evoca Convenção Internacional em documento enviado à Presidência da República contra desmembramento do campus da UFMT em Sinop
Possível Nobel da Paz brasileiro lembra que o Estado deve consultar a população indígena, além de listar prejuízos que eventual desmembramento poderá trazer para seu povo
Depois de 16 etnias indígenas que vivem no Xingu se posicionarem publicamente em defesa de uma Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) multicampi e forte - ou seja, contrários à proposta de desmembramento do campus da UFMT Sinop -, o Instituto Raoni, entidade internacionalmente reconhecida, emitiu uma Nota de Posicionamento endereçada à Presidência da República, à Reitoria da UFMT, ao Ministério da Educação, ao senador Carlos Fávaro (um dos autores da proposta de separação) e aos parlamentares mato-grossenses, afirmando o mesmo posicionamento.
Um dos elementos principais do texto é o desrespeito à Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que determina que a comunidade indígena deve ser ouvida sobre este processo. O Artigo 6° diz que, “... os governos deverão: a) consultar os povos interessados, mediante procedimentos apropriados e, particularmente, através de suas instituições representativas, cada vez que sejam previstas medidas legislativas ou administrativas suscetíveis de afetá-Ios diretamente; b) estabelecer os meios através dos quais os povos interessados possam participar livremente, pelo menos na mesma medida que outros setores da população e em todos os níveis, na adoção de decisões em instituições efetivas ou organismos administrativos e de outra natureza responsáveis pelas políticas e programas que lhes sejam concernentes [...] 2. As consultas realizadas na aplicação desta Convenção deverão ser efetuadas com boa fé e de maneira apropriada às circunstâncias, com o objetivo de se chegar a um acordo e conseguir o consentimento acerca das medidas propostas”.
O alerta condiz com as denúncias realizadas pela própria comunidade interna da UFMT, de que o processo está sendo forçado por pressões externas de setores políticos e econômicos interessados não em melhorias, não no desenvolvimento da educação e da pesquisa, mas em benefícios próprios, eleitorais e financeiros, entre outros.

Assim, o documento, cuja íntegra está disponível ao final desta matéria, ressalta que a população indígena deve ser consultada e seu posicionamento considerado, pois eventual desmembramento afetará diretamente sua educação, trazendo diversos prejuízos. “A UFMT, na forma de universidade multicampi, é política de Estado e patrimônio público construído com recursos de todo o povo brasileiro. Para nós, povos indígenas, não se trata apenas de estrutura administrativa, mas de um instrumento concreto de acesso à educação superior, à formação de professores indígenas, à pesquisa comprometida com nossos direitos e à extensão que chega até nossas aldeias. Fragmentar esse modelo, criando universidades isoladas e vulneráveis a interesses conjunturais, significa enfraquecer a presença do Estado na garantia do direito à educação pública e indígena em todo o território de Mato Grosso”, afirma o Instituto Raoni logo no início do texto.
As manifestações evidenciam, em uma leitura mais ampla, que toda a população brasileira interessada em instituições comprometidas com o bem público será prejudicada, caso a UFMT Sinop seja submetida aos ditames de interesses de grupos privados.
Criado em 2001, o Instituto Raoni representa milhares de indígenas das etnias Kayapó, Trumai, Tapayuna e Panará, e sua atuação segue o objetivo de garantir acesso dos povos originários a políticas públicas, como educação e saúde.
Mas não para por aí. Pelo seu trabalho, mundialmente conhecido, em defesa da Amazônia e dos direitos dos povos indígenas, o cacique Raoni tem seu nome recorrentemente ligado à candidatura ao Prêmio Nobel da Paz, sendo uma das figuras políticas mais relevantes no cenário internacional.
Clique aqui para saber mais sobre o Instituto Raoni e leia, abaixo, a íntegra da Nota de Posicionamento do Instituto Raoni em Defesa do Modelo Multicampi da UFMT e contra a proposta de emancipação do campus de Sinop:


Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind












