Sexta, 22 Maio 2026 19:57

 

 

O terceiro dia do evento Territórios Amazônicos II foi marcado pela escuta. A quarta-feira, 20/05, foi dedicada a ouvir aqueles que estão em Mato Grosso desde muito antes de ele ser um estado, com municípios nomeados por sociedades imobiliárias. Os povos indígenas do estado, presentes no evento, relataram como era a região e como foram as relações com não indígenas desde o primeiro contato até os dias atuais.

 

Após intervenções poéticas e reflexivas dos professores Einstein Aguiar e Alexandra Valentim, sentaram-se à mesa o cacique do povo Kawaiwete (Kaiabi), Tuiaraiup Kaiabi, seu sobrinho, Yapariwa Kaiabi, e a cacica Wisio Kaiabi. Então, a aula começou.

 

Na língua Kawaiwete, o cacique foi relatando, pela primeira vez, como era a vida no território antes de se chamar Sinop. O professor Yapariwa Kaiabi foi traduzindo o relato sobre os lugares onde os Kaiabi faziam suas festas e rituais, de onde retiravam insumos para suas bordunas e cocares, das cachoeiras, rios, do contato traumático e devastador com os seringueiros, que mataram, escravizaram e violentaram os indígenas que encontravam pela frente.

 

“Os seringueiros usavam arma de fogo, e isso foi muito assustador, traumático. Os indígenas começaram a se espelhar desde esse momento”, traduziu o sobrinho do cacique. Em seguida, contaram como foi o processo de convencimento para que deixassem seu território e começassem nova vida no Xingu por intervenção dos irmãos Vilas Boas, em 1949. “Irmãos Vilas Boas fizeram promessa que seria cumprida, porque a vida não tinha mais sossego. Parte de nós nasceu no Xingu, mas ainda tem gente que saiu do território e lembra como era. Eles não esquecem, nossa terra tradicional vive dentro da gente. Foi uma mudança trágica com relação à alimentação, bem-viver, cultura. A riqueza que o meu povo tinha já não era mais a mesma”, disse, explicando que no Xingu não encontram, por exemplo, material tradicional para confecção dos cocares e bordunas.

 

Um dos locais citados no território que hoje chamamos de Sinop foi a região do centro, antiga rodoviária, onde o povo Kawaiwete fazia suas festas.

 

“Nunca viemos cobrar nada apesar de tudo isso. Muitas vezes nós não somos bem-vindos na cidade, mas nós fizemos parte dessa história. Não estamos aqui dizendo que vocês devem para nós, apenas que todos devem ser tratados do mesmo jeito. Não estamos invadindo terras, estamos apenas indo fazer o reconhecimento de onde nasceram nossos antepassados. Tratores estão construindo em cima de túmulos de pessoas importantes para nós. Eu peço que vocês me ouçam, que minha fala chegue às autoridades, e que vocês não falem sobre o que não sabem”, disse o cacique, reivindicando melhorias no atendimento à saúde da população indígena na região, além do direito de realizar as chamadas “expedições de verificação” in loco – onde acabam sendo ameaçados por fazendeiros.  

 

Por fim, num momento emocionante e extremamente importante em meio à disputa política que envolve a UFMT em Sinop – em que o agronegócio e outros setores econômicos se movimentam para desmembrar a universidade e ter maior poder sobre ela – o cacique falou sobre a atualidade na relação com pesquisadores, que tem sido marcada pela troca de saberes e informações, e perguntou: nós poderíamos ter a liberdade de nossos filhos estudarem nessa universidade?    

 




É preciso conhecer o outro

 

No meio da manhã, representantes de outras oito etnias, todos professores, sentaram-se à mesa para compartilhar também um pouco das suas histórias com foco na importância da educação pública. A professora Darlene Yaminalo Taukane (Kurâ-Bakairi), primeira mestra indígena do estado, e talvez do Brasil, também fez um breve histórico de momentos importantes para o Movimento Indígena e destacou que a parceria na educação permitiu que hoje ninguém mais fale em nome da população indígena. Além disso, reforçou que a UFMT deve ser uma das sedes da Faculdade Intercultural Diferenciada (FAIND), assim como a Unemat.

 

O professor Kavisgo Txicão (etnia Ikpeng) destacou que a educação convencional ainda não contempla as necessidades da população indígena, que o Avalia MT, por exemplo, envia questionários com perguntas sobre a Revolução Francesa, o Nazismo, e os avaliadores reclamam, dizendo que a educação indígena está atrasando Mato Grosso.

 

Para Jones Crixí (etnia Munduruku), o incentivo dos pais para que as crianças da etnia estudassem foi fundamental e, além disso, o Projeto Tucum de formação de professores indígenas, que teve início em 1995, representa um grande marco.

 

Sati-i Panará (etnia Panará) ressaltou a importância da educação no processo de demarcação e reconhecimento dos territórios ao longo dos anos. Ele falou também que os primeiros contatos entre seu povo e os seringueiros foram traumáticos, com muitas mortes provocadas por ataques e também doenças. História da qual também partilham os Rikbaktsa, representado no evento pelo professor Huberto Mytsikzi Rikbakta. Ele contou que, na década de 1970, devido aos ataques iniciados 30 anos antes, chegaram a ser cerca de 200 pessoas apenas, mas que hoje conseguiram aumentar a população para cerca de 3.100 pessoas. Há escolas convencionais dentro de dois dos três territórios da etnia no estado e, apesar de isso ser muito importante, o fato de não levarem em consideração as especificidades dos povos indígenas está fazendo as crianças se acostumarem a seguir os horários da cidade, e não do território.

 

Para Mateus Rondon (etnia Terena), o apoio de outros movimentos sociais foi e ainda é importante para a conquista do reconhecimento do território, e ainda há muito a se construir. A professora Ivanete Krixi falou sobre como os povos indígenas se uniram e formaram famílias multiétnicas para sobreviver aos ataques e tentar preservar sua cultura. Ela pediu mais apoio da UFMT às causas indígenas e reforçou a importância de estabelecer, na universidade federal, um campus da Faculdade Intercultural Diferenciada.

 

O representante da etnia Enawenê-Nawê, professor Wahtere Enawenê, falou da importância da preservação da língua, considerando que sua etnia é uma das que teve contato mais recente com não indígenas. Dialogando com os parentes, o representante da etnia Manoki, Edivaldo Mampuche finalizou a mesa afirmando que a educação contribui para que as pessoas conheçam o diferente. “Ninguém respeita aquilo que não conhece, então é preciso conhecer o outro, o diferente”, concluiu.    

 

 

 

Parcerias e compromissos

 

A troca que existe hoje entre as universidades públicas de Sinop (UFMT e Universidade do Estado de Mato Grosso - Unemat) foram expostas na tarde de quarta-feira.  

 

Representantes de projetos como Ação Saberes Indígenas da Escola (valorização das culturas e línguas), UFMT-Xingu (área da Saúde), Gaia (incentivo à produção agroflorestal), Arborecer e outras iniciativas de educação ambiental foram apresentados.

 

O professor Gustavo Canale destacou que o agronegócio afirma que produz ao mesmo tempo que preserva o meio ambiente. No entanto, os mapas de conservação ambiental registram que as únicas áreas preservadas em Mato Grosso são justamente onde estão localizadas as terras indígenas. “Quem preserva 60% das terras em Mato Grosso? As terras indígenas. Se a gente ainda tem floresta em Mato Grosso é por causa das terras indígenas”.

 

O diretor da Adufmat-Ssind, Breno Santos, ressaltou que o papel da universidade não é só para escrever artigos e publicar em revistas; é para estar junto com o povo, ter compromisso político e social. Nesse sentido, todo o trabalho realizado nos três dias do evento resultará num documento que, a princípio, seria elaborado ao final do encontro, mas a pedido do Movimento Indígena será, antes, avaliado em suas comunidades. A ideia é justamente estreitar essa relação com as comunidades.  

 

 

Na quinta-feira pela manhã, dia 21/05, os participantes do evento foram para as ruas defender que a UFMT não seja desmembrada, e sim que fortaleça sua política multicampi. Na Praça da Bíblia, afirmaram que só assim esse compromisso entre os povos tradicionais e originários, isto é, da população em si, poderá ser de fato construído.


Confira as fotos do evento nas redes sociais oficiais da Adufmat-Ssind no instagram e facebook.   

 

Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

Terça, 19 Maio 2026 17:55

 

 


O segundo dia de atividades do evento Territórios Indígenas MT II foi marcado por debates profundos, orientados pelos movimentos sociais de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e de Atingidos por Barragens (MAB). Novamente, o papel da universidade em meio às questões sociais, políticas e econômicas que envolvem as disputas pela terra entre os movimentos sociais e o agronegócio foi o ponto central das reflexões.     

 

A coordenadora estadual do MST, Dê Silva, iniciou sua intervenção com a poesia “A fala da terra”, de Pedro Tierra, que ressalta: a paz no campo tem nome, é Reforma Agrária (leia a íntegra aqui).

 

Em seguida, relatou as dificuldades de falar de Reforma Agrária, uma política realizada em dezenas de países, incluindo Estados Unidos da América e outros europeus, num país que ainda não fez, e da importância da educação neste processo, em parceria com os movimentos sociais de trabalhadores organizados e as comunidades tradicionais, sem as imposições estabelecidas pelo governo – já orientado pelos interesses econômicos.


“A agroecologia é um modelo antagônico ao modelo hegemônico do capital, ela vai contra o capitalismo e o agronegócio. Se a universidade pensa em discutir agroecologia em paridade com o agronegócio, ela está fora da realidade do mundo. É preciso compreender a agroecologia como um modelo de enfrentamento a esse setor e ao capital”, pontuou.

 

Segundo Silva, neste debate, uma informação fundamental é quanto o setor hegemônico e o próprio Governo investem na instituição. “Assim, nós vamos saber que quem sustenta, de fato, a universidade é o povo, não é o agronegócio, porque esse modelo só expropria e explora. Para que de fato nós tenhamos demarcação de terras, os direitos que reivindicamos, a democratização da educação contextualizada será nossa ferramenta. Nós não queremos apenas o acesso à educação clássica e bancária, mas uma educação que enxergue a partir das nossas culturas, etnias, e priorize o fortalecimento das políticas que nós realmente precisamos, que são, de fato, as necessidades do povo – Pronera, Proindi, entre outras. É preciso que a universidade se abra para o povo, e essa é uma decisão política”.  


Marciano da Silva, também do MST, explicou que ser “sem terra” é uma identidade; é muito mais do que lutar pela distribuição de terras, é lutar pela democratização da terra junto à garantia de todos os direitos aos trabalhadores do campo e da cidade. “Todos os direitos que cada um de nós, aqui hoje, tem, foi conquistado com luta, não foi dado por alguém que era bonzinho”, destacou.

 

Além disso, o debatedor apresentou a agroecologia como, além de um modelo de produção, uma ciência que visa produzir pensando nas pessoas, nos animais e no meio ambiente. Um modelo que ajuda no fortalecimento de uma sociedade mais justa e igualitária.  

 

“A Reforma Agrária é uma questão de justiça, e o Brasil é um dos poucos que ainda não fez. Até os Estados Unidos fizeram. Os assentamentos não são a Reforma Agrária ainda, são frutos dessa luta, mas quando houver a Reforma Agrária vai ser bem diferente”, finalizou.

 

A professora Rafaella Felipe falou sobre a experiência no Projeto Gaia, que promove agroecologia em Sinop. Segundo Felipe, houve e ainda há muita resistência dentro e fora da universidade, e ainda não há órgãos institucionais para promover este modelo.

 

A docente falou, ainda, sobre alimentos com agrotóxico (veneno): uva, batata, tomate, pimentão, e destacou uma aparente contradição: um dos menos contaminados, de acordo com as pesquisas oficiais, é a soja. Isso ocorre porque, apesar de a soja ser um dos produtos que mais utiliza agrotóxicos na sua produção, os grandes produtores têm equipamento de milhões, enquanto a agricultura familiar tem apenas a indiferença. “A agricultura familiar está abandonada”, afirmou.

 

A manhã foi encerrada por uma dinâmica de grupos, onde os participantes deveriam destacar ameaças e fortalezas que identificam em suas lutas.

 

Algumas ameaças destacadas foram: o agronegócio, Hidronegócio, alimentos produzidos com alto teor de insumos agrícolas, emissão de carbono, mudanças climáticas, desmatamento, garimpeiros, madeireiros, a lógica do lucro, a naturalização do químico, a pressão dos fazendeiros, individualidade, Congresso inimigo do povo, desinformação, ignorância, mídia, universidade nas mãos dos capitalistas, abuso de poder, feminicídio, racismo, desigualdade no financiamento para produção (agronegócio tem financiamento público, a agricultura familiar não tem), especulação imobiliária, cooptação dos jovens.
  

Entre as fortalezas, foram citadas a solidariedade, a coletividade, unidade na luta, unidade popular, conscientização, movimentos e projetos que visam introduzir a agroecologia no cotidiano, estimular debates sobre meio ambiente, hortas escolares, educação, respeito, educação e sustentabilidade, agroecologia como ferramenta de segurança alimentar, alimentos saudáveis, soberania alimentar, ervas medicinais, emancipação humana, comunicação entre pessoas e comunidades, convívio interculturais.

 

 

Não é preciso degradar para prosperar


No período da tarde, a mesa “Degradação ambiental: ocupação do território, desafios e prioridades” foi conduzida pelos representantes do Movimento de Atingidos por Barragens.

 

A coordenação nacional, Emilly Schwingel, falou sobre a atuação do movimento em mais de 22 estados, onde pessoas foram atingidas por barragens e pelas mudanças climáticas.

 

Ela destacou que os grandes causadores dos crimes ambientais, desastres e mudanças são grandes empresas como a Vale, a Cargill, a Amaggi, entre outras, e não o nosso banho de mais de 5 minutos, como tentam fazer a população pensar. De acordo com Schwingel, os crimes ambientais ocorrem porque as empresas colocam o lucro acima da vida.

 

Após a leitura de um cordel sobre o tema, a professora Keyla Garcia, atingida pela construção da Usina Hidrelétrica de Sinop, também criticou a produção predatória de monocultura – de soja, de milho -, e falou sobre a Gleba Mercedes V, assentamento Wesley Manoel dos Santos, localizado ao norte de Mato Grosso (zona rural de Sinop), que foi colonizado de maneira institucionalizada a partir da década de 1970, orientada por políticas da ditadura militar. Na época, a região ficou conhecida como a última fronteira agrícola (saiba mais aqui).

 

Mais uma vez a grande questão foi: qual o papel da universidade, como ela pode ajudar? As respostas foram desde estimulando a conscientização e escutando os povos que ocupam esses territórios até desenvolvendo conhecimento e tecnologias.

 

A dinâmica da tarde pretendeu, justamente, identificar as degradações ambientais, seus causadores e o que é possível fazer neste cenário. Os participantes falaram sobre irregularidades nas chuvas, riscos às espécies, empobrecimento dos solos, entre outras realidades já vivenciadas nas regiões.   

 

O diretor da Adufmat-Ssind, Einstein Aguiar, representou um dos grupos e apresentou as ideias sobre como as instituições de ensino superior podem atuar. “A universidade tem vários papéis: monitorar (ela poderia ter um laboratório com satélite desenvolvido e mantido pelo governo, por exemplo. Tem isso a serviço do agro); ela pode criar subsistência voltada a desenvolver tecnologias para os pequenos produtores; ela pode agir como viabilizador de conhecimento, promovendo cursos rápidos para identificação das necessidades da comunidade, fazer formação em geoprocessamento, por exemplo; ela pode ter ambiente de prova, de teste, isso é muito comum na academia. Claro que a instituição não vai resolver tudo, ela não é o Estado, mas ela é um veículo que a gente pode usar para pensar, construir e elaborar”, afirmou.

 

 

A professora e também diretora da Adufmat-Ssind, Maria Salete Ribeiro, utilizou o microfone para agradecer. “Nós temos muito a aprender com os povos dos territórios. Saber a situação e, principalmente, as alternativas apontadas pelos povos originários, é fundamental para a produção de conhecimento de ensino superior”.   

 

 

Representantes indígenas de diversas etnias reafirmaram a importância da educação para fortalecer as relações entre as aldeias, garantindo direitos, e também aumentando o poder de reivindicação das populações.  

 

Esses destaques serão sistematizados em um documento, consolidando as potencialidades e desafios apontados pelos grupos.


O dia foi encerrado, novamente, com a exibição de filmes. Desta vez “Vidas Alagadas”, do MAB, e “Bicho Livre Terra Viva”, do Proteção Animal Mundial.

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

Terça, 12 Maio 2026 11:18

 

A Adufmat-Ssind está com inscrições abertas para a segunda edição do evento “Territórios Amazônicos – Educação, Direitos e Resistência”, que será realizado entre os dias 18 e 21/05, em Sinop. A programação reunirá representantes da comunidade acadêmica, movimentos sociais, povos indígenas, agricultores familiares, comunidades tradicionais e demais interessados em debater os desafios enfrentados pelos territórios amazônicos e o papel da educação pública na transformação social.

O encontro propõe reflexões sobre temas centrais para a região amazônica, como reforma agrária, agroecologia, degradação ambiental, justiça social, sustentabilidade, resistência popular e garantia de direitos. Segundo a organização, o evento busca fortalecer espaços democráticos de troca de saberes e construção coletiva diante do avanço das desigualdades sociais, territoriais e socioambientais.

A programação será realizada presencialmente na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus de Sinop, e contará com mesas de debate, atividades culturais, rodas de conversa e participação de diversos segmentos sociais ligados às lutas em defesa dos territórios amazônicos.

O “Territórios Amazônicos II” pretende consolidar um espaço popular de diálogo entre universidade e sociedade, articulando educação pública, direitos humanos e resistência social em defesa da Amazônia e de seus povos.

As inscrições já estão abertas e podem ser realizadas pela plataforma oficial do evento. Haverá certificação para os participantes. 

Faça aqui sua inscrição – Territórios Amazônicos II

Também haverá caravana saindo de Cuiabá no dia 18 de maio.

Interessados devem realizar a inscrição até 15/05 (Sexta-feira) às 13h.

Para fazer sua inscrição na caravana clique aqui

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

Terça, 28 Abril 2026 17:26

 

 

Entre os dias 18 e 21/05, a subsessão da Associação dos Docentes da UFMT (Adufmat-Ssind) em Sinop sediará a segunda edição do Territórios Amazônicos – MT: Educação, Direitos e Resistência. O evento é um importante espaço de reflexão crítica, articulação política e produção coletiva de conhecimento sobre a realidade da região Norte do estado de Mato Grosso.


Num contexto marcado pelo aprofundamento das desigualdades sociais, territoriais e socioambientais, a organização propõe o debate sobre os desafios de acesso e permanência na educação pública, discutindo o papel das instituições de ensino na construção de respostas às demandas históricas da região em meio a temas como reforma agrária, degradação ambiental e justiça social.

 

A programação conta com a participação de representantes da comunidade acadêmica, povos indígenas, comunidades tradicionais, agricultores familiares e movimentos sociais. A proposta é fortalecer a educação pública, gratuita e socialmente referenciada como instrumento estratégico de transformação social.


Mais do que um encontro acadêmico, o Territórios Amazônicos II se apresenta como um espaço de mobilização e construção coletiva, comprometido com a defesa dos territórios, a ampliação de direitos e a promoção do bem viver.


As inscrições serão abertas na próxima segunda-feira, 04/05.


Mais informações por meio do telefone (65) 99686-8668.

 

Terça, 24 Fevereiro 2026 16:35

 

Conforme edital de seleção publicado em 09/02/2026, a Adufmat-Ssind divulga o RESULTADO FINAL do processo seletivo para assistente de subseção em Sinop. 


Nome

Resultado

LARISSA PEREIRA DOS SANTOS

Aprovada

SÂMELA LAUANE BENTES DA SILVA

Classificada 2º

JENNIFER ELAINE GROTH COUTO

Classificada 3º

LUIZE MIRANDA MUNIZ DE AGUIAR CUSTODIO

Classificada 4º

JULIENI BIANCHI MORAIS

Não compareceu

 

 

A candidata Aprovada deverá entrar em contato com o sindicato por meio do telefone (65) 9814-0745 para tratar dos documentos e trâmites para contratação.

 

Cuiabá (MT), 24 de fevereiro de 2026

 

Segunda, 23 Fevereiro 2026 15:51

 

 

Conforme edital de seleção publicado em 09/02/2026, a Adufmat-Ssind divulga as INSCRIÇÕES HOMOLOGADAS E SELECIONADAS PARA ENTREVISTA NESTA TERÇA-FEIRA, DIA 24/04/2026, COMO PARTE DO PROCESSO SELETIVO PARA ASSISTENTE DE SUBSEÇÃO EM SINOP:



SÂMELA LAUANE BENTES DA SILVA

Selecionada para entrevista

08 as 09hs*

LUIZE MIRANDA MUNIZ DE AGUIAR CUSTODIO

Selecionada para entrevista

09 as 10hs*

JENNIFER ELAINE GROTH COUTO

Selecionada para entrevista

10 as 11hs*

JULIENI BIANCHI MORAIS

Selecionada para entrevista

13 as 14hs*

LARISSA PEREIRA DOS SANTOS

Selecionada para entrevista

14 as 15hs*

LEIANE DA SILVA ASSIS

Desclassificado na análise curricular comparativa.

 

POLIANNY GONÇALVES DE LIMA

Desclassificado na análise curricular comparativa.

 

EMANUELE CRISTINA FARIA MENDES

Desclassificado na análise curricular comparativa.

 

LETICIA STEFANIE ARAÚJO TOBIAS DO NASCIMENTO

Desclassificado na análise curricular comparativa.

 

RAYLANDER ALMEIDA DOIA

Desclassificado na análise curricular comparativa.

 

LEANDRO JOSE DE OLIVEIRA

Desclassificado na análise curricular comparativa.

 

AMANDA LOPES MAGALHÃES

Desclassificado na análise curricular comparativa.

 

AARON LIMA CÂMARA DA SILVA

Desclassificado na análise curricular comparativa.

 

GILSON VILACA GAZZIERO

Desclassificado na análise curricular comparativa.

 

THIAGO KAISER THOMAS

Desclassificado na análise curricular comparativa.

 

EDSON LAERTE KOHNLEIN CASADO

Desclassificado na análise curricular comparativa.

 

GUSTAVO HENRIQUE SANTOS FREITAS

Desclassificado na análise curricular comparativa.

 

 

As entrevistas serão realizadas conforme cronograma na sub-sede da Adufmat, no campus da UFMT em Sinop.

 

Cuiabá (MT), 23 de fevereiro de 2026

Segunda, 09 Fevereiro 2026 08:34

 

 

A Diretoria da Adufmat-Ssind, no uso de suas atribuições, torna público o presente Edital para a seleção de 1 (um/uma) Assistente de Subseção para atuar na Subsede Sinop da Adufmat-Ssind.


A vaga se destina a um(a) profissional que desempenhará suas atividades na Subdsede da Adufmat-Ssind, situada na cidade de Sinop (MT), em regime presencial de 40 horas semanais, períodos matutino e vespertino. A vaga será de ampla concorrência, com primazia para perfis de mulheres, pessoas negras, indígenas, LGBTQIA+, quilombolas e/ou com deficiência. As provas e entrevistas serão realizadas na cidade de Sinop (MT).

 

1. DO CARGO E ATRIBUIÇÕES


Cargo: Assistente de Subseção
Modelo de Contrato: CLT
Carga Horária: 40 horas semanais
Horário do Expediente: 7h30 às 11h30; 13h30 às 17h30
Local de atuação: Subsede da Adufmat-Ssind em Sinop (MT)
Remuneração Inicial: R$ 2.651,90 + VT + VA

 

Atribuições:


● Organizar o seu local de trabalho, mantendo-o limpo e funcional;

● Recepcionar visitantes de toda e qualquer natureza e manter contatos de interesse do sindicato, realizando o seu acolhimento tanto nas atividades ordinárias como nos eventos;

● Redigir e distribuir correspondências;

● Digitar e reproduzir correspondências e outros documentos, dentre eles ofícios, informes, relatos de reuniões, de Assembleias Gerais ou de outros eventos de interesse do sindicato;

● Expedir correspondências;

● Receber, selecionar, ordenar, encaminhar e arquivar documentos;

● Preparar e secretariar reuniões e assembleias;

● Controlar entrada e saída de documentos, organizando o seu fluxo;

● Organizar e acompanhar o sistema de recebimento e divulgação das comunicações verbais e não verbais do Sindicato;

● Atender as demandas dos docentes durante reuniões, Assembleias Gerais e votações, atuando ainda na organização de encontros, congressos, colóquios, atos políticos, dentre outros;

● Organizar a agenda do Sindicato;

● Realizar tarefas de comunicação digital;

● Executar outras tarefas para atender necessidades do Sindicato e inerentes à sua função;

● Executar outras tarefas de mesma natureza e mesmo nível de dificuldade.

● Atendimento ao público em geral, seja ele presencial ou virtual.


2. REQUISITOS MÍNIMOS


● Ensino Médio completo;
● Conhecimento de informática;
● Conhecimento de aspectos técnicos de redação de correspondência oficial.

 

3. ETAPAS DO PROCESSO SELETIVO

3.1. Inscrições

Período: 10/02/2026 a 19/02/2026;
Por e-mail, com envio da ficha de inscrição e documentação exigida, para o email: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.;
Documentos necessários:

○ Ficha de Inscrição devidamente preenchida (baixe aqui);
○ Currículo atualizado;
○ Documento de identificação;

 

3.2. Homologação das Inscrições

Divulgação das candidaturas homologadas: 20/02/2026 (no site da Adufmat-Ssind)

3.3. Análise de currículo (Eliminatória)

Resultado: 23/02/2026 (no site da Adufmat-Ssind)

3.4. Prova prática e entrevista, por ordem de inscrição (Eliminatória e classificatória)

Data: 24/02/2026, manhã ou tarde.

● Prova Prática: Elaboração de comunicação formal para docentes com base em um tema fornecido.
● Entrevista
● Local: Subsede Sinop (Campus Sinop da UFMT)

3.5. Resultado Final

Divulgação: 25/02/2026, pelo site da Adufmat-Ssind (https://www.adufmat.org.br/)

4. DISPOSIÇÕES FINAIS

● A(o) candidata(o) aprovada(o) assumirá o cargo imediatamente após a conclusão do processo de admissão.
● A Adufmat-Ssind reserva-se o direito de, a seu critério, alterar o cronograma ou cancelar o processo seletivo, caso necessário.
● Dúvidas e informações adicionais podem ser esclarecidas através do e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.



Segunda, 19 Janeiro 2026 16:18

 

 

A Imprensa de Mato Grosso repercutiu matéria do sindicato indicando a posição do Instituto Raoni e outras entidades indígenas em defesa da universidade pública forte, multicampi, e contrária ao desmembramento da UFMT Sinop.

O conteúdo foi divulgado em meados de dezembro de 2025, e o debate sobre o tema deve voltar à pauta já nos primeiros meses deste ano. 

Clique em cada um dos títulos e confira:

ORIGINAL ADUFMAT-SSIND | Instituto Raoni evoca Convenção Internacional em documento enviado à Presidência da República contra desmembramento do campus da UFMT em Sinop

ÁGUA BOA NEWS | Instituto Raoni evoca Convenção Internacional em documento enviado à Presidência da República contra desmembramento do campus da UFMT em Sinop

GAZETA DIGITAL | Instituto reconhecido internacionalmente é contra a separação do campus de Sinop da UFMT

MATO GROSSO DO NORTE ONLINE | Instituto Raoni evoca Convenção Internacional em documento enviado à Presidência da República contra desmembramento do campus da UFMT em Sinop

SÓ NOTÍCIAS | Instituto Raoni se posiciona contra emancipação do campus de Sinop e defende UFMT multicampi

TOP SINOP | Instituto Raoni se opõe à emancipação do campus da UFMT em Sinop e defende modelo multicampi

NORTÃO NOTÍCIAS | Instituto Raoni evoca Convenção Internacional em documento enviado à Presidência da República contra desmembramento do campus da UFMT em Sinop

ALT NOTÍCIAS | Instituto Raoni evoca Convenção Internacional em documento enviado à Presidência da República contra desmembramento do campus da UFMT em Sinop 

 

 

Adufmat-Ssind

Quarta, 17 Dezembro 2025 11:29

 

Possível Nobel da Paz brasileiro lembra que o Estado deve consultar a população indígena, além de listar prejuízos que eventual desmembramento poderá trazer para seu povo

 

Depois de 16 etnias indígenas que vivem no Xingu se posicionarem publicamente em defesa de uma Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) multicampi e forte - ou seja, contrários à proposta de desmembramento do campus da UFMT Sinop -, o Instituto Raoni, entidade internacionalmente reconhecida, emitiu uma Nota de Posicionamento endereçada à Presidência da República, à Reitoria da UFMT, ao Ministério da Educação, ao senador Carlos Fávaro (um dos autores da proposta de separação) e aos parlamentares mato-grossenses, afirmando o mesmo posicionamento.

 

Um dos elementos principais do texto é o desrespeito à Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que determina que a comunidade indígena deve ser ouvida sobre este processo. O Artigo 6° diz que, “... os governos deverão: a) consultar os povos interessados, mediante procedimentos apropriados e, particularmente, através de suas instituições representativas, cada vez que sejam previstas medidas legislativas ou administrativas suscetíveis de afetá-Ios diretamente;  b) estabelecer os meios através dos quais os povos interessados possam participar livremente, pelo menos na mesma medida que outros setores da população e em todos os níveis, na adoção de decisões em instituições efetivas ou organismos administrativos e de outra natureza responsáveis pelas políticas e programas que lhes sejam concernentes [...]  2. As consultas realizadas na aplicação desta Convenção deverão ser efetuadas com boa fé e de maneira apropriada às circunstâncias, com o objetivo de se chegar a um acordo e conseguir o consentimento acerca das medidas propostas”. 

 

O alerta condiz com as denúncias realizadas pela própria comunidade interna da UFMT, de que o processo está sendo forçado por pressões externas de setores políticos e econômicos interessados não em melhorias, não no desenvolvimento da educação e da pesquisa, mas em benefícios próprios, eleitorais e financeiros, entre outros.  

 

 

Assim, o documento, cuja íntegra está disponível ao final desta matéria, ressalta que a população indígena deve ser consultada e seu posicionamento considerado, pois eventual desmembramento afetará diretamente sua educação, trazendo diversos prejuízos. “A UFMT, na forma de universidade multicampi, é política de Estado e patrimônio público construído com recursos de todo o povo brasileiro. Para nós, povos indígenas, não se trata apenas de estrutura administrativa, mas de um instrumento concreto de acesso à educação superior, à formação de professores indígenas, à pesquisa comprometida com nossos direitos e à extensão que chega até nossas aldeias. Fragmentar esse modelo, criando universidades isoladas e vulneráveis a interesses conjunturais, significa enfraquecer a presença do Estado na garantia do direito à educação pública e indígena em todo o território de Mato Grosso”, afirma o Instituto Raoni logo no início do texto.

 

As manifestações evidenciam, em uma leitura mais ampla, que toda a população brasileira interessada em instituições comprometidas com o bem público será prejudicada, caso a UFMT Sinop seja submetida aos ditames de interesses de grupos privados.

 

Criado em 2001, o Instituto Raoni representa milhares de indígenas das etnias Kayapó, Trumai, Tapayuna e Panará, e sua atuação segue o objetivo de garantir acesso dos povos originários a políticas públicas, como educação e saúde.

 

Mas não para por aí. Pelo seu trabalho, mundialmente conhecido, em defesa da Amazônia e dos direitos dos povos indígenas, o cacique Raoni tem seu nome recorrentemente ligado à candidatura ao Prêmio Nobel da Paz, sendo uma das figuras políticas mais relevantes no cenário internacional.  

 

Clique aqui para saber mais sobre o Instituto Raoni e leia, abaixo, a íntegra da Nota de Posicionamento do Instituto Raoni em Defesa do Modelo Multicampi da UFMT e contra a proposta de emancipação do campus de Sinop:  

 

 

 

 

 

Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

 

Terça, 25 Novembro 2025 11:57

 


Em uma profecia autorrealizável, vinda de Brasília, o desmembramento do campus de Sinop da UFMT é dado, por alguns, como favas contadas. Colocar esse possível desfecho como ponto de partida é um ato que desmobiliza, desorienta e enfraquece a participação da comunidade universitária na construção de seu futuro, privando-a de debates fundamentais como: devemos desmembrar o campus de Sinop dos campi de Araguaia, Cuiabá, Lucas do Rio Verde e Várzea Grande? Quais os impactos sobre a saúde física e mental dos servidores e discentes? Como isso afetará a carga de trabalho das servidoras e servidores administrativos? E, sobretudo, quais as consequências para o Ensino, a Pesquisa e a Extensão em Mato Grosso? Iniciar o processo pelo resultado final desejado deixa o campus sem direcionamento e naturaliza uma ameaça que paira sobre Sinop há anos.

Foi neste contexto que, no dia 14 de novembro, ocorreu, às pressas, uma terceira reunião no campus para discutir o propalado desmembramento. Divulgada com apenas uma semana de antecedência, em um semestre encurtado, de 85 dias letivos, contou com a pífia presença de apenas 47 membros da comunidade acadêmica - sendo, a maioria, apoiadores declarados da chamada “emancipação”, empenhados em demonstrar que o processo seria “democrático”. A falta de divulgação e o curto prazo inviabilizaram uma participação coletiva ampla e restringiram o debate ao mais do mesmo: a dificuldade orçamentária do campus, apresentada como única e eterna justificativa pelos defensores do desmembramento, que se autoproclamam representantes da vontade de todos, sem terem sido formalmente escolhidos para isso.

De fato, os problemas orçamentários existem. Desde 2018, Sinop - assim como toda a UFMT e as demais instituições federais de ensino (IFEs) - vem sendo estrangulado financeiramente. Além disso, no caso deste campus, as últimas administrações da UFMT acumularam antipatia mútua entre setores administrativos e as pró-reitorias, agravando a percepção de desconexão entre sede e campus fora de sede. Essa deterioração de relações gerou pouca comunicação e um déficit de confiança que, no presente, cria um ambiente fértil para que interesses políticos e empresariais externos vicejem internamente. 

Desde 2020, tramitam em Brasília quatro projetos de lei, elaborados por parlamentares articulados com o setor empresarial, que visam “emancipar” o campus de Sinop. Organizações privadas com interesses políticos e econômicos próprios, sem qualquer vínculo ou compromisso com a educação pública, têm pressionado pelo desmembramento por meio de notas na imprensa e reuniões com figuras políticas influentes, movidas por interesses que se alinham apenas à “emancipação”, e não ao futuro da UFMT. É importante registrar que o atual pró-reitor do campus de Sinop integra a nova gestão de uma dessas entidades locais, de forte interferência nas decisões políticas e supostamente dedicada ao desenvolvimento econômico da cidade, mas sem relações com a educação pública. 

Durante a reunião do dia 14, o mesmo pró-reitor informou ter votado contra o orçamento na comissão responsável pela proposta de 2026, alegando distorções na distribuição de recursos e requisitando apoio do campus para sustentar sua posição. Isso nos parece um reflexo claro da ausência de diálogo institucional e do acúmulo de tensões herdadas da gestão anterior. Enquanto isso, o campus de Sinop e sua comunidade permanece no fogo cruzado.

E diante disso, questionamos: emancipar-se de quê? Se o problema é orçamentário, o desmembramento é uma solução excessivamente traumática para algo que pode ser enfrentado por meio de uma discussão ampla, democrática e plural sobre a consolidação da multicampia. É imperativo que o debate sobre financiamento caminhe junto à discussão sobre o modelo multicampi, defendido pela Adufmat-Ssind e pelo ANDES-SN, e que tem respaldo na nova administração da UFMT. É, para nós, a alternativa mais democrática e menos onerosa ao erário público, especialmente quando comparada aos altos custos administrativos e operacionais inerentes à criação de uma nova universidade.

O campus de Sinop ocupa uma posição estratégica no Norte de Mato Grosso, região marcada por disputas em torno de modelos de desenvolvimento e onde a UFMT exerce papel crucial. Sinop não apenas atende sua comunidade interna, mas toda uma região que se estende de Cotriguaçu a Cuiabá, passando por Cláudia, Lucas do Rio Verde, Sorriso, Nova Mutum e vários outros municípios. Essa relação impacta diretamente pesquisas, colaborações nacionais e internacionais, ações de extensão, e o ensino inclusivo, pois se na UFMT Sinop estudam filhos do Agro, também estudam os sem-terrinha, assim como partem serviços essenciais destinados a movimentos sociais, comunidades atingidas por barragens, territórios indígenas, assentamentos e populações vulneráveis ameaçadas por grandes obras de infraestrutura, como a Ferrogrão.

Com relação à defesa do desmembramento, por sua vez, não há sequer um projeto claro que oriente o futuro do campus. Assim, a fragmentação, quando tomada como ponto de partida, rotula precipitadamente uma futura universidade como “do Nortão”, num gesto insensível frente a uma região em que as disputas territoriais continuam pungentes. Isso tornaria mais difícil manter uma postura independente e plural, necessária para harmonizar produção de alimentos e proteção da sociobiodiversidade. O modelo multicampi, por outro lado, fortalece redes de cooperação, evita isolamento institucional e protege a universidade dos pequenos poderes locais que frequentemente distorcem o papel da educação pública.

Defensores do desmembramento alegam que a multicampia “não funcionou”. No entanto, o que existiu até agora foi um campus sede tomando decisões sobre os campi avançados, sem uma política de rede, sem cooperação sistemática e sem diretrizes para desenvolvimento específico e complementar. Não surpreende, portanto, a ausência de integração entre cursos idênticos localizados em diferentes campi, com projetos pedagógicos e ações de extensão desarticulados e esforços individuais que poderiam ser minimizados com investimento institucional adequado. Além disso, o acúmulo de desenvolvimento do campus sede será perdido por Sinop, caso ocorra o desmembramento, dificultando ainda mais os anos iniciais de implantação de uma nova universidade, isolada, empobrecida culturalmente e vulnerável aos interesses econômicos dominantes da região.

Durante a reunião do dia 14, docentes que defenderam a multicampia foram chamados de imaturos, medrosos e acomodados por supostamente temerem a “aventura” da emancipação. Mas não se trata de acomodação: a construção coletiva exige muito trabalho, paciência e frustração, especialmente numa região onde interesses econômicos se impõem com força sobre populações indígenas, florestas e recursos naturais. É justamente por isso que a atuação em rede fortalece e protege a universidade pública.

A profecia do desmembramento se cumpre ao silenciar o debate e disseminar a ideia de que “já está tudo decidido em Brasília”. Assim, corremos o risco de aceitar, passivamente, um projeto apresentado como uma batalha perdida, sem compreender seus impactos profundos para a UFMT e para toda a sociedade que dela depende. Prova disso foi a proposta, feita durante a reunião, de criar uma comissão para elaborar um projeto de universidade; para “deixar pronto” o projeto, caso a emancipação se concretize, antes mesmo de qualquer diálogo amadurecido.

A próxima - e possivelmente última - reunião “coletiva” sobre o tema ocorrerá em 28 de novembro. Por que realizar uma suposta “construção coletiva” em tão pouco tempo, justamente quando a maioria dos servidores enfrenta agendas sobrecarregadas? Processos que alteram profundamente espaço, tempo e futuro institucional exigem responsabilidade, maturação e debate. Prazos curtos não permitem desenvolver propostas ajustadas à realidade do campus; ao contrário, incentivam o uso acrítico de modelos aplicados a outras universidades “super-novas”. Assim, a profecia vai se autorrealizando da pior forma possível.

A Adufmat-Ssind segue comprometida com o debate pela multicampia que queremos! E conclama toda a comunidade a participar dos espaços de debate e deliberativos legitimamente constituídos, onde os rumos da universidade, como um todo, devem ser discutidos por todos, desde as bases até as instâncias superiores. 

 


Mato Grosso, 25 de novembro de 2025
Diretoria da Adufmat-Ssind
Gestão Adufmat é pra lutar!