Terça, 21 Julho 2026 14:42

 

 

Como parte das celebrações dos 45 anos do ANDES-SN, uma série mensal de reportagens resgata a trajetória da categoria e do movimento sindical docente. Neste mês, que marca o Julho das Pretas no Brasil, destacamos a atuação do Sindicato Nacional na pauta antirracista e a participação de docentes negras e negros dentro da entidade. 

 

Ancestralidade e a resistência como ferramentas de luta. Fotos: Eline Luz / Imprensa ANDES-SN​​​​​

 

A história do ANDES-SN, fundado em 19 de fevereiro de 1981, é indissociável da luta pela democratização da universidade e da sociedade brasileira. Ao longo dessas quatro décadas e meia, o sindicato transitou da invisibilidade para a consolidação de uma pauta antirracista estruturante, que incorpora o combate às opressões como parte da defesa da educação pública de qualidade e socialmente referenciada.

Para a professora Jacyara Paiva, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), a militância sindical e a antirracista são indissociáveis. “Minha trajetória no movimento docente não começou quando ingressei na universidade. Ela começou muito antes, nos movimentos populares, na defesa dos direitos de crianças e adolescentes em situação de rua, no movimento negro e na compreensão de que educação, justiça social e racial caminham juntas”, afirma.


Trajetória da luta antirracista no Sindicato Nacional


A organização interna da pauta racial no ANDES-SN avançou, especialmente, a partir dos anos 2000, com a institucionalização do combate às opressões no plano de lutas do Sindicato. Um marco foi a criação do Grupo de Trabalho Etnia, Gênero e Classe (GTEGC), em 2007, que depois foi expandido para o atual GT de Política de Classe para as Questões Étnico-Raciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS). Com o GT, o debate sobre como o racismo estrutura as relações de trabalho e o acesso ao ensino superior passou a ser pautado nos espaços deliberativos da entidade. 

Em 2010, no 29º Congresso do ANDES-SN, a categoria docente manifestou posicionamento favorável às cotas como “política transitória para universalização do acesso à educação superior”. Já em 2016, em Cuiabá (MT), durante o 35º Congresso, o sindicato aprovou importantes resoluções relacionadas à questão étnico-racial, que buscavam intensificar a luta contra o racismo, a defesa e a ampliação das ações afirmativas, assim como continuar no engajamento da denúncia do genocídio da juventude negra.

Ainda no mesmo Congresso, importante resolução encaminhou que a Comissão da Verdade do ANDES-SN deveria engajar-se na luta, no registro e na denúncia dos genocídios enfrentados pela população negra, indígena, quilombola, cigana, camponesa, dos sem-teto e dos moradores das periferias. Desde então, o ANDES-SN tem avançado na inclusão, em seu plano de lutas, de ações que combatam o racismo e promovam uma educação e atuação antirracista.

Jacyara Paiva destaca que essa evolução resultou em mudanças na própria composição da diretoria. “Hoje, o ANDES SN tem pela primeira vez um presidente negro à frente da diretoria nacional. Isto não é um dado simbólico, mas é resultado de uma longa caminhada construída por muitas mãos e mentes”, afirma.


Coletivo de Docentes Negras e Negros


A organização de docentes negros e negras no ANDES-SN não foi um processo imediato, mas fruto de uma "reintegração de posse" política e subjetiva, como descrito no artigo “Quilombagem: a organização de docentes negras e negros no ANDES-SN”, publicado na revista Universidade e Sociedade número 78. Conforme o texto, durante décadas, o chamado "Pacto Narcísico da Branquitude" operou sob o manto de uma "unidade de classe" que, na prática, tornava invisíveis as especificidades da população negra na docência.

Em 2018, durante o 37º Congresso do ANDES-SN em Salvador (BA), ocorreu a primeira reunião do Coletivo de Docentes Negras e Negros. O grupo, conforme Jacyara, surgiu por iniciativa das professoras Dalva dos Santos, Rosineide Freitas e Cláudia Durans, motivadas pela baixa representatividade negra nas instâncias deliberativas da entidade. Naquele congresso, dos 500 participantes, menos de 30 eram docentes negros ou negras.

“[o coletivo] Nasceu das ausências, dos silenciamentos e da percepção de que muitas vezes as questões raciais apareciam como temas periféricos, quando, na verdade, estruturam profundamente a sociedade brasileira”, recorda a professora da Ufes. 

Desde então, o coletivo — carinhosamente chamado de Quilombo — cresceu significativamente e hoje conta com cerca de 300 integrantes. “O que nos une é a luta antirracista. Somos um coletivo auto-organizado, horizontalizado, sem presidentes, coordenadores ou hierarquias internas. (...) Talvez seja justamente essa horizontalidade que faça tantas pessoas dizerem que, quando chegam ao Quilombo sentem que encontraram um lugar de pertencimento”, explica a docente.


Combatendo o Epistemicídio


Um dos grandes embates travados pelo movimento negro é contra o epistemicídio — a deslegitimação e o apagamento de formas de conhecimento produzidas por pessoas negras. Historicamente, a intelectual negra e o intelectual negro foram tratados como "objetos de estudo" e não como sujeitos produtores de teoria.

“O epistemicídio não elimina apenas pessoas; ele elimina formas de produzir conhecimento. Durante séculos, intelectuais negros foram invisibilizados, suas contribuições deslegitimadas e suas experiências tratadas como objeto de estudo, nunca como produção de teoria. Não podemos negar que o pacto da branquitude ainda está em nossas seções sindicais, em nosso sindicato, mas hoje estamos aqui com nossos corpos, nossas existências questionando e denunciando este pacto”, conta Jacyara.

Para ela, o coletivo Quilombo não serve apenas para denunciar o racismo, mas também para "produzir conhecimento, formular políticas, escrever documentos (...) e demonstrar que o pensamento negro sempre fez parte da construção da universidade brasileira".

A docente ressalta que esse combate é urgente diante do cenário de branqueamento da docência. Dados indicam que, em muitos espaços universitários, a representação de mulheres negras é quase inexistente. 

Jacyara alerta para o impacto simbólico dessa ausência. “Quando uma jovem negra (...) atravessa toda sua formação sem encontrar uma professora negra, a mensagem transmitida é silenciosa, mas poderosa: aquele lugar talvez não tenha sido pensado para ela”, reflete. Segundo a professora, o sindicato, portanto, assume o papel estratégico de defender ações afirmativas, acompanhar concursos e combater o racismo institucional que adoece e exclui.

 


Perseguição institucional


A luta antirracista tem gerado retaliações, especialmente contra docentes negras e negros em posições de liderança. Casos de perseguição política e processos administrativos infundados atingiram docentes como Ilzver Matos, impedido de tomar posse na Universidade Federal de Sergipe (UFS); Iguatemi Rangel, que sofreu mudanças casuísticas em editais na Ufes; além de Lorena Pinheiro, Dayse Moura e Leonardo Peixoto, entre outras e outros, como denuncia o artigo da revista Universidade e Sociedade.

O caso da própria Jacyara Paiva, que enfrentou uma tentativa de exoneração na Ufes após sua atuação na defesa de cotas, tornou-se símbolo de resistência. A mobilização “Jacy fica!” demonstrou a importância da resposta sindical. “O racismo institucional produz uma violência muito particular: ele tenta transformar quem denuncia um problema, em algoz, em culpado”, revela. 

Para a professora da Ufes, a resposta do sindicato deve ser sempre coletiva, pois "o racismo se alimenta do silêncio". Jacyara aponta a criação de protocolos específicos de enfrentamento ao racismo e a oferta de assistência jurídica especializada como avanços que o ANDES-SN tem buscado consolidar.


“Sou Docente Antirracista”


O combate ao racismo nos marcos do Sindicato Nacional foi reforçado também com a campanha permanente “Sou docente Antirracista”, lançada em julho de 2024. Para Jacyara, a campanha representa uma mudança de paradigma e afirma algo que o movimento negro diz há décadas: “combater o racismo não é responsabilidade exclusiva das pessoas negras.”

A professora lembra que esta campanha nasceu a partir da luta do Coletivo de Negras e Negros e se tornou um marco na construção de uma cultura sindical verdadeiramente antirracista. “Hoje, o ANDES-SN é referência nacional de sindicato que se abre a esta luta”, afirma

Jacyara destaca que a campanha marca uma mudança de postura ao convocar docentes brancos para a responsabilidade ética do combate ao racismo. Para Jacyara, quando um docente se reconhece antirracista, “passa a questionar currículos, práticas institucionais, presença negra nos espaços de poder, concursos, relações de trabalho e formas de produção do conhecimento”.

 


Os próximos 45 anos


Entre as lutas para o próximo período no ANDES-SN está a mobilização contra a Instrução Normativa (IN) que prevê o sorteio de vagas para cotas em concursos públicos, medida considerada um retrocesso pelo Sindicato Nacional. Jacyara reforça que o movimento docente deve seguir em luta para garantir condições de permanência e desenvolvimento para docentes e estudantes negras e negros. “Defender ações afirmativas, defender a luta antirracista é defender uma universidade verdadeiramente pública, democrática e socialmente referenciada”, aponta.

Ao olhar para o futuro, Jacyara lembra que o movimento negro no ANDES-SN reafirma que a luta também se faz pela memória, pela cultura e pela celebração da vida. Conforme a docente, os atos nos congressos, repletos de tambores, danças e poesias, são formas de levar para o sindicato tradições de resistência que humanizam a política.

“O Coletivo Quilombo segue sempre em construção, com a chegada de mais docentes negras e negros às universidades públicas, fruto das políticas afirmativas e da luta histórica do movimento negro, nosso quilombo também cresce e ele cresce dentro de uma perspectiva contra colonial de práxis sindical, isto é absurdamente revolucionário”, afirma.

Para as novas gerações de docentes negras e negros que ingressam na carreira, o recado de Jacyara Paiva é de acolhimento e firmeza. “Cada docente negra e cada docente negro que hoje ocupa uma sala de aula (...) carrega consigo a luta de muitas gerações que sonharam com esse momento”, lembra. 

Ela convoca todos e todas ao aquilombamento. “Não tentem lutar sozinhos, é preciso se organizar (...) O racismo tenta nos isolar porque sabe que a coletividade é a nossa maior força”, afirma.

A professora da Ufes ressalta que os próximos 45 anos do ANDES-SN dependerão da capacidade de compreender que democracia, universidade pública e justiça racial são projetos inseparáveis, que não competem um com o outro, que não dividem o sindicato, ao contrário, fortalece cada vez mais. 

“Quando uma pessoa negra ocupa um espaço e transforma esse espaço para que outras também possam chegar, ela não está apenas construindo uma carreira. Está ampliando os horizontes da democracia brasileira. “Aquilombar é o caminho, o amanhã será nossa insubmissão”, conclui.

 

Fonte: Andes-SN 

Quinta, 09 Julho 2026 14:35

 

O ANDES-SN iniciou um levantamento sobre a implementação do “Protocolo de combate, prevenção, enfrentamento e apuração de assédio moral e sexual, racismo, Lgbtfobia e qualquer discriminação e violência”, nas universidades, institutos federais e cefets. A solicitação foi encaminhada às seções sindicais, através da Circular nº 268/2026, nessa terça-feira (7).

O documento foi elaborado pela entidade e aprovado no 43º Congresso do Sindicato Nacional, em 2025. O material tem como objetivo, entre outras as ações, fortalecer as ações de prevenção, enfrentamento e apuração do aumento da violência contra mulheres, meninas e menines.

A entidade pede que as seções sindicais informem se já apresentaram a proposta de protocolo às administrações instituições e/ou se já existe alguma política institucional em curso que dialogue com a proposta. Solicita, também, informações sobre presença de militares ou de políticas a partir da militarização, sob a justificativa de garantir a segurança nas universidades, nos IFs e nos cefets.

Os dados devem ser encaminhados, até o dia 26 de agosto, por meio do formulário online (acesse aqui). O protocolo também foi encaminhado via circular e pode ser lido aqui.

O levantamento é resultado de deliberação do 69º Conad, realizado entre os dias 3 e 5 de julho, em São Luís (MA). Na atualização do plano de lutas geral, a categoria aprovou resolução para que o Sindicato Nacional e as seções sindicais intensifiquem as cobranças às administrações das Universidades, IFs e cefets por medidas que evitem feminicídios, agressões e qualquer tipo de violência contra trabalhadoras. A decisão também trata de investimentos em espaços formativos e da garantia de acolhimento às vítimas, preservando a autonomia universitária e a não militarização dos espaços das instituições.

Leia a Circular nº 268/2026.

Acesse aqui o “Protocolo de combate, prevenção, enfrentamento e apuração de assédio moral e sexual, racismo, Lgbtfobia e qualquer discriminação e violência”.

Confira a cobertura do 69º Conad

 

Fonte: Andes-SN 

Segunda, 13 Abril 2026 12:21

 

No mês em alusão aos 62 anos do golpe empresarial-militar, a Adufmat-Ssind convida para mais uma atividade a fim de relembrar e nunca mais permitir que essa história se repita: a mesa “O protagonismo das mulheres no enfrentamento à Ditadura Militar de 1964” será na próxima terça-feira, 14 de abril, às 19h, no auditório do sindicato.

A atividade está sendo organizada pelo Grupo de Trabalho Política de Classe para questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS), e terá a contribuição dos docentes Irenilda Santos (Departamento de Serviço Social e integrante do GTPCEGDS, como mediadora), Ana Carolina Borges (Departamento de História, como convidada) e Ary Cavalcanti Junior (Departamento de História, também convidado).

A professora Lélica Lacerda, também integrante do GTPCEGDS, lembra que o cenário atual é de ascensão do imperialismo. “São tempos neocoloniais, em que os Estados Unidos da América voltaram a ameaçar o mundo e invadir territórios conforme seus interesses. Neste momento há, inclusive, candidato à Presidência defendendo a entrega do nosso país e brasileiros que apoiam o pedido de intervenção militar dos EUA no Brasil. Precisamos relembrar os horrores da ditadura militar de 1964 e do que nos custou para recobrar a democracia. Ditadura Nunca mais!”

O evento será gratuito e aberto a toda a comunidade acadêmica e demais interessados.

 

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

Sexta, 30 Janeiro 2026 14:34

 

 

Circular nº 029/2026

Brasília, 28 de janeiro de 2026.

 

Às Seções Sindicais, Secretarias Regionais e às(aos) Diretoras(es) do ANDES-SN

 

Assunto: Convoca reunião do Grupo de Trabalho de Política de Classe para as Questões Étnico-raciais, Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS).

 

 

Companheiras(os),

 

Convocamos reunião do Grupo de Trabalho de Política de Classe para as Questões Étnico-raciais, Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS), para os dias 24 e 25 de abril de 2026, a ser realizada em Brasília (DF), na sede do ANDES-SN, com início às 16h do dia 24 de abril (sexta-feira) e previsão de término às 17h do dia 25 de abril (sábado). A pauta será enviada via circular posteriormente.

 

As seções sindicais podem indicar inscrição das(os) representantes para a reunião do GTPCEGDS até o dia 17 de abril de 2026 (sexta-feira), através do formulário enviado às secretarias.

 

As seções sindicais que desejam enviar seus informes para constar no relatório da reunião do GTPCEGDS devem fazê-lo até o dia 22 de abril de 2026 (quarta-feira), por meio do formulário enviado às secretarias. 

 

Sem mais para o momento, renovamos nossas cordiais saudações sindicais e universitárias.

 

Prof.ª Jacqueline Rodrigues de Lima

1ª Secretária

Quarta, 22 Outubro 2025 15:24

 

 

O Laboratório “Nenhuma a menos” e a Adufmat-Ssind já têm duas datas marcadas o lançamento do Caderno “Relatos sobre violência política contra mulheres em Mato Grosso”. Serão nos dias 30/10, no auditório do sindicato, e 19/11, na Casa das Pretas (região central de Cuiabá), sempre às 19h. Outras duas datas ainda serão definidas para lançamento nos Institutos Federais de Mato Grosso, campus Octayde Jorge da Silva e Bela Vista.

 

Os eventos têm por objetivo mobilizar o Poder Público e a sociedade civil organizada para o 2º “Encontro sobre Violência Política Contra Mulheres em Mato Grosso”, que ocorrerá nos dias 04 e 05/12, no auditório do Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS) da Universidade Federal de Mato Grosso.

 

O Caderno, organizado por docentes que fazem parte do Grupo de Trabalho Política de Classe para Questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS) da Adufmat-Ssind, traz relatos de mulheres organizadas nos movimentos docente, negro, indígena e quilombola no estado, destacando a importância e as dificuldades das lutas. A versão online da obra já está disponível para download no site da Adufmat-Ssind (clique aqui).

 

O "Laboratório Nenhuma a Menos" é um projeto de pesquisa e ação feminista e antirracista, que se concentra no enfrentamento das violências contra mulheres e meninas. Saiba mais na página do Instagram (clique aqui).

 

 

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

 

  

Sexta, 17 Outubro 2025 10:26

 

O avanço da pejotização, modelo em que trabalhadoras e trabalhadores são contratados como Pessoas Jurídicas (PJ), tem aprofundado a precarização das relações de trabalho, reduzido a arrecadação pública e colocado em risco o sistema de Previdência Social no Brasil. Essa é a principal conclusão do estudo técnico “Notas para avaliação dos impactos econômicos da pejotização irrestrita”, divulgado pelo Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit/IE/Unicamp).

A pesquisa aponta que, embora a pejotização reduza custos para as empresas, ela provoca uma perda significativa de renda direta e indireta para as trabalhadoras e os trabalhadores, incluindo direitos como 13º salário, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), adicional de férias e benefícios previdenciários. Também afeta a progressão de carreira e o valor das aposentadorias futuras. 

De acordo com a análise, a pejotização irrestrita levaria a uma economia mais fraca, volátil e desigual, com queda na renda, aumento do desemprego estrutural e perda de arrecadação para o Estado. O estudo do Cesit simulou os efeitos de uma possível ampliação generalizada da pejotização no país, substituindo os vínculos formais regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) por contratos entre empresas. 

O modelo de simulação baseado em agentes (ABM) considerou inclusive as premissas mais otimistas dos defensores da medida, como a redução de custos e o aumento da competitividade. Mesmo assim, os resultados apontam para um cenário de instabilidade econômica, queda na produtividade e ampliação da desigualdade.

A análise destacou que a pejotização não representa um ganho de eficiência, mas sim uma transferência de custos e riscos às trabalhadoras e aos trabalhadores, além de comprometer os estabilizadores automáticos da economia como o seguro-desemprego e a multa rescisória, o que torna as crises mais severas e recorrentes.

Perdas na arrecadação

Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), publicado em 2024, estimou que a substituição de vínculos celetistas por contratos PJs já custou cerca de R$ 89 bilhões aos cofres públicos desde a Reforma Trabalhista de 2017. Desde então, mais de R$ 15 bilhões deixaram de ser recolhidos ao FGTS, afetando políticas públicas como programas habitacionais.

O levantamento também simulou um cenário em que metade das trabalhadoras e dos trabalhadores do setor privado migrassem para o regime PJ. Nesse caso, as perdas anuais ultrapassariam R$ 384 bilhões, o equivalente a 16,6% da arrecadação federal de 2023.

PJ e Previdência Social

O tema também foi debatido recentemente em audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), convocada pelo ministro Gilmar Mendes, relator de uma ação que discute a pejotização. Durante o encontro, Adroaldo da Cunha, secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, alertou que a expansão desse modelo “é o fim da Previdência Social como conhecemos”.

Segundo ele, 73% da Previdência é financiada pela folha de pagamento das trabalhadoras e dos trabalhadores celetistas, e a substituição de apenas 10% desse contingente por PJs representaria uma perda anual de R$ 47 bilhões.

Acesse o estudo completo do Cesit/Unicamp e o relatório da FGV

 

Fonte: Andes-SN (com informações da Agência Brasil)

Quinta, 02 Outubro 2025 10:56

 

Circular nº 417/2025

Brasília (DF), 1º de outubro de 2025.

 

Às Seções Sindicais, Secretarias Regionais e às(aos) Diretoras(es) do ANDES-SN

Assunto: Convoca reunião do Grupo de Trabalho de Política de Classe para as Questões Étnico-raciais, Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS).

 

 

Companheiras(os),

 

Convocamos reunião do Grupo de Trabalho de Política de Classe para as Questões Étnico-raciais, Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS), para os dias 22, 23 e 24 de novembro de 2025, a ser realizada em Brasília (DF), na sede do ANDES-SN, com início às 16h do dia 22 de novembro (sábado) e previsão de término às 13h do dia 24 de novembro (segunda-feira). A pauta será enviada via circular posteriormente.

Aproveitamos para convocar as(os) membras(os) do GTPCEGDS a permanecerem em Brasília e participarem da II Marcha Nacional de Mulheres Negras, que ocorrerá dia 25 de novembro de 2025 (terça-feira), a programação da marcha enviaremos a posteriori. O ANDES-SN é uma das entidades organizadoras da Marcha; logo, a presença da nossa base será fundamental para colocarmos 1 milhão de mulheres nas ruas do DF.

As seções sindicais podem indicar inscrição das(os) representantes para a reunião do GTPCEGDS até o dia 18 de novembro de 2025 (terça-feira), através do formulário enviado para as ADs.  

As seções sindicais que desejam enviar seus informes para constar no relatório da reunião do GTPCEGDS devem fazê-lo até o dia 18 de novembro de 2025 (terça-feira), por meio do formulário também enviado para as ADs.   

 

Sem mais para o momento, renovamos nossas cordiais saudações sindicais e universitárias.

 

 

Prof.ª Jacqueline Rodrigues de Lima

1ª Secretária

Sexta, 11 Outubro 2024 16:22

 

 

Os debates sobre etnia, gênero e classe dentro do Andes-Sindicato Nacional ocorrem, de forma sistematizada, desde 2007, com a criação do Grupo de Trabalho Etnia, Gênero e Classe (GTEGC). Nos anos seguintes, a categoria docente entendeu que precisava ampliar o campo de análise e transformou o GT em Grupo de Trabalho Política de Classe para questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS). Este é mais um debate essencial, que atravessa o cotidiano de todas as pessoas e, como não poderia deixar de ser, estápresente no sindicato.  

  

De acordo com o Sindicato Nacional, o GT tem a intenção de refletir, produzir e elaborar sobre - e para - os debates relacionados a gênero, questões étnicorraciais, sexualidade e pautas da população LGBTQIAP+, articulado ações e políticas sindicais que garantam espaços de formação e elaboração de materiais sobre esses temas e outros, como a luta contra o capacitismo, assédio sexual, violências contra mulheres e às populações negra, indígenas e LGBTQIAP+. Em outras palavras, o GT está voltado para a defesa da garantia das políticas de combate às opressões dentro e fora do sindicato, assim como para a construção de uma agenda que dialogue com os movimentos sociais.

 

Em âmbito nacional, uma das ações mais recentes do GT é a campanha “Sou Docente Antirracista!”, lançada em julho, durante o 67º Conselho do Andes (Conad). A intenção da campanha é conscientizar as comunidades das universidades públicas, institutos federais e cefets sobre a necessidade da luta antirracista e combate ao racismo nestas instituições.  

 

GTPCEGDS na Adufmat-Ssind 

 

Com relação ao GTPCEGDS, a Adufmat-Ssind segue a tradição classista, conforme orientação do Andes-SN. “Na nossa compreensão, a leitura classista parte do ponto de vista de que a história das sociedades é a história da luta de classes. O desafio do militante classista é conseguir dar a resposta necessária ao seu tempo histórico, aos conflitos de classe que estão acontecendo naquele contexto. Nesse sentido, se torna uma leitura mecanicista e parcial desconsiderar que os corpos que trabalham, que sofrem exploração, são corpos marcados por marcadores sociais de raça e de gênero, que contribuem para a hierarquização humana, que é um pré-requisito para viabilizar a exploração de classe; quando a gente fala das questões de gênero, machismo, racismo, nós estamos considerando que essas dinâmicas se atrelam à dinâmica de exploração de classe. Existem leituras mecanicistas do marxismo que separam o econômico, a exploração de classe, da raça e gênero, e existem visões identitaristas, que separam raça e gênero de classe, e esse não é o nosso caso”, explica a professora Lélica Lacerda, diretora geral adjunta da Adufmat-Ssind e integrante do GT.   

 

Ela avalia que, atualmente, em âmbito local, o GT tem se dedicado, em sua maioria, a demandas do movimento de mulheres, especialmente a partir de atos para marcar datas históricas de lutas, como o 08 Março - Dia Internacional de Luta das Mulheres Trabalhadoras, 25 de Junho - Dia da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha, além dos dias contra a exploração da mulher e pela eliminação da violência contra a mulheres, ambos dia 25, de outubro e de novembro, respectivamente. Outros fatos também geraram mobilizações e ações nesse sentido, como o chamado “PL do estuprador”, que pretendia condenar mulheres que realizassem aborto em caso de estupro. “A gente fez atos de rua e atropelou o Lira, acho que foi a primeira e única derrota do Lira até agora, nesse governo, e foi o movimento de mulheres que colocou fim nesse golpe, nessa ação. Nós construímos esse ato também”, destaca. 

 

Outro momento de intensa mobilização que envolveu o GT foi quando o deputado Gilberto Cattani (PL) comparou as mulheres a vacas em 2023. Os coletivos de mulheres se organizaram para protestar na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e, desde então, segundo a docente, o deputado ficou intimidado e não deu outras declarações do tipo. As mulheres organizadas reclamam que a comparação do deputado reforça a ideia da mulher como objeto, mercadoria, o que resulta na autorização da exploração de seus corpos - sendo pelo abuso físico, sexual ou mesmo pelo trabalho precarizado -, ou até mesmo na eliminação dos mesmos, pelo feminicídio. Infelizmente, a própria filha de Cattani foi vítima desta lógica em julho deste ano.   

 

Mulheres ocuparam a Assembleia Legislativa de Mato Grosso em julho de 2023 para protestar contra as declarações do deputado Gilberto Cattani (PL), que comparou a gravidez de mulheres a gravidez de vacas.  

 

Assim, a dinâmica do grupo não tem sido por meio de reuniões ordinárias, mas por demanda. “A gente chama reunião em situações em que existem demandas a serem providenciadas. Temos um grupo de mensagens, e as pessoas interessadas em construir essas agendas estão lá; dali a gente propõe as datas de reunião, encaminhamentos, é um grupo tem tido uma vida orgânica, porque nós temos tido muitos ataques às mulheres, isso tem demandado da gente várias tarefas. E a partir dessas demandas temos ações conjuntas com Instituto Federal (IFMT), Universidade do estado (Unemat), de tal forma que nós fundamos um Laboratório de Enfrentamento a Violências contra Mulheres, com professoras dessas instituições, e esse laboratório tem se reunido na terceira sexta-feira de cada mês para deliberar ações de pesquisa, extensão, intervenção, seminários sobre violências contras as mulheres. A gente atua em três eixos: violências contra mulheres, financiamento de políticas públicas para mulheres, e violência política de gênero”, aponta Lacerda.  

 

Ela lembra, ainda, que o 8 de Março, como ato de rua, tem sido uma atividade regular de participação da Adufmat-Ssind desde 2017, como forma de massificação da data. Além disso, o GT já esteve envolvido na realização do primeiro encontro para tratar de violência política de gênero, em dezembro do ano passado. “Como este ano está tendo eleições, e ela foi bastante violenta para as mulheres, muitas mulheres foram alvejadas por tiros, sofreram ameaças, a gente entendeu que não daria para fazer o segundo encontro logo em novembro, porque está muito recente. Então, a gente vai fazer em fevereiro”, comenta.

 

O grupo também está construindo, junto a outras entidades da comunidade acadêmica da UFMT, uma política contra violências raciais e de gênero. A ideia é construir uma minuta, a partir de debates, que queremos fazer ainda este ano,e entregar à Reitoria da universidade, para que seja adotada como política da instituição. 

 

Nos direitos trabalhistas, o debate também tem contribuído. “Para construir a minuta da Progressão Funcional, nós fizemos todo um debate em torno da violência institucional contra mulheres, o que a progressão funcional significa, a violência contra as pessoas com deficiência - mesmo as ocultas, como o autismo, demonstrando que a progressão via meritocracia acaba prejudicando esses segmentos que são minorizados pela sociedade”, ressalta. 

 

A docente observa, no entanto, que a proposta do GT é muito mais abrangente, mas assim como em outros GTs, faltam pessoas para construir a luta. “Nós estamos num estado que conta com mais de 40 povos indígenas, mais de 70 comunidades remanescentes de quilombos, e essa população compõe não só o estado de Mato Grosso - com os problemas de Mato Grosso que a universidade precisa, enquanto uma instituição socialmente referenciada, dialogar e buscar resolver -, mas também, essa população compõe a comunidade acadêmica. E a ideia do GTPCEGDS é lidar não apenas com questões de gênero, como tem acontecido, não é só movimento de mulheres, muito embora dentro do movimento de mulheres nós tenhamos uma leitura interseccional com raça e capacitismo, e temos promovido debates, encontros sobre isso; mas é importante que outros militantes venham para a Adufmat-Ssind para construir esse GT, com outros perfis, professores negros, quilombolas, enfim, da diversidade do perfil que compoe a comunidade acadêmica e o estado. A gente sabe que existe uma tradição dos sindicatos classistas, de uma visão mecanicista, que desconsidera raça e classe como pautas classistas, e isso gera uma resistência de professores negros e que atuam em outras pautas de virem, de se reconhecerem no sindicato, mas esse GT tem por objetivo mudar esse perfil de sindicato mecanicista e reducionista, que acaba servindo só para homens brancos, para a gente poder construir um sindicato efetivamente combativo, que responda as questões concretas do cotidiano de luta; então seria muito importante, fica aqui um convite, a professoras e professores que constroem essas pautas nas suas pesquisas, nas suas leituras, até mesmo em coletivos, que possam fortalecer conosco o GTPCEGDS, porque essas são pautas que nós estamos tentando trazer como essenciais para a luta de classes”, finaliza.        

 

Os Grupos de Trabalho (GTs) da Adufmat-Ssind, assim como os do Andes-SN, são compostos por docentes sindicalizados que voluntariamente atendem à convocação do sindicato nacional e se agregam em torno de uma temática para discutir pautas de interesse dos docentes das IFES ou da sociedade local e nacional, tais como: Carreira, Verbas, Política Educacional (GTPE), Seguridade Social e Assuntos de Aposentadoria (GTSSA), Formação Política Sindical (GTPFS), Ciência e Tecnologia (GTC&T), Fundações, Política Agrária, Urbana e Ambiental (GTPAUA), História do Movimento Docente (GTHMD), Multicampia, Comunicação e Artes (GTCA) e Organização Sindical das Oposições.

 

Para participar do GTC&T ou qualquer outro GT da Adufmat-Ssind basta demonstrar disposição por meio dos contatos da Secretaria da Adufmat-Ssind: e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo., ou pelos telefones com aplicativo de mensagens: (65) 99686-8732 ou (65) 99696-9293.

 

 

Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind 



     

 

Quarta, 11 Setembro 2024 09:32

Para marcar o mês da Visibilidade Lésbica, a Adufmat-Ssind preparou um debate com professoras e pesquisadoras da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) que se dedicam não só à produção de conhecimento, mas à transformação deste modelo de sociedade.

O programa "Sapabonde da UFMT: as Contribuições das Professoras Lésbicas", foi gravado no auditório do sindicato no dia 27/08, dois dias antes da data comemorativa oficial, 29/08, e já está disponível para visualização no Youtube (assista abaixo ou clique aqui).

O encontro, mediado pela diretora geral adjunta da Adufmat-Ssind, Lélica Lacerda, contou com a participação de duas convidadas: a professora Ana Luisa Cordeiro, do Departamento de Teoria e Fundamentos da Educação e do Programa de Pós-graduação em Educação, coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Relações Raciais e Educação, e membro de outros grupos como o Centro de Estudos e Pesquisas de Gênero da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), Flores Raras - Grupo de Pesquisa Educação, Comunicação e Feminismos da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora) e integrante da área científica de feminismos negros da Associação Brasileira de Pesquisadoras Negras (ABPN); também contribuiu com as provocações a professora Bruna Irineu, do Departamento de Serviço Social e dos programas de pós-graduação em Política Social e Saúde Coletiva da UFMT, e coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Relações de Gênero, o NUEPOM - grupo que tem 32 anos de atuação.

Este foi o primeiro de uma série deprogramas que a Adufmat-Ssind pretende gravar com pesquisadores da universidade, para demonstrar como os temas que mobilizam a academia têm relação direta com as questões sociais que perpassam por todas as pessoas, cotidianamente.

Assista a seguir:


Assessoria de Comunicação da Adufmat-Ssind

Terça, 30 Julho 2024 14:39

 

O Armazém do Campo de Belo Horizonte (MG) foi palco, na noite dessa quinta-feira (25), do lançamento da campanha “Sou Docente Antirracista” do ANDES-SN. A capital mineira também sedia o 67º Conad do Sindicato Nacional, que tem início na manhã desta sexta-feira (26) e segue até domingo (28), no Cefet/MG.

 

 

Docentes da diretoria e da base do ANDES-SN, participantes do 67º Conad, e, ainda, frequentadores e frequentadoras do Armazém do Campo participaram da atividade de lançamento. A campanha tem por objetivo conscientizar as comunidades das universidades públicas, institutos federais e cefets sobre a necessidade da luta antirracista e, ainda, do combate ao racismo nessas instituições de ensino. A realização da campanha é uma deliberação do 42º Congresso do ANDES-SN, que ocorreu no início deste ano em Fortaleza (CE).

Letícia Nascimento, 2ª vice-presidenta da Regional Nordeste 1 e da coordenação do Grupo de Trabalho de Políticas de Classe, Étnico-raciais, Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS), abriu a atividade falando a relevância do lançamento acontecer no Julho das Pretas. “É fundamental marcarmos essa data exatamente por conta dessa intersecção, de estar num lugar de vulnerabilidade enquanto mulher, enquanto pessoa negra. E o Julho das Pretas vem para chamar a atenção para esse fator interseccional de opressão. E o ANDES Sindicato Nacional, historicamente, tem marcado presença na luta antirracista”, afirmou.

O lançamento da campanha também celebrou o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela, ambos comemorados nesse dia 25 de julho. 

 

Foto: Eline Luz / Imprensa ANDES-SN

 

Gisvaldo Oliveira, 3º tesoureiro do ANDES-SN e também da coordenação do GTPCEGDS, falou sobre o papel do Sindicato Nacional na luta por políticas de reparação e ações afirmativas. “O ANDES Sindicato Nacional sempre colocou na centralidade a pauta antirracista. E, dentro dessa luta, temos intensificado as ações pelas políticas de ações afirmativas e de reparação, porque compreendemos que, não é possível construir uma universidade socialmente referenciada, sem luta antirracista. Nesse sentido, a campanha nacional 'Sou Docente Antirracista' vem para construir essa consciência junto à nossa categoria, de que é preciso enfrentar o racismo e todas as suas formas de expressão”, ressaltou. "Nós precisamos aquilombar as nossas universidades, nossos institutos federais e nossos cefets", acrescentou Gisvaldo.

 

Foto: Eline Luz / Imprensa ANDES-SN

 

Caroline Lima, 1ª secretária do ANDES-SN, apresentou os materiais da campanha, suas etapas e estratégias. De acordo com a diretora, a ação é fruto do processo de reflexão da categoria, e também de várias construções que vêm sendo feitas há mais de uma década, desde o momento que o ANDES-SN aprovou, em suas instâncias deliberativas, a luta em defesa das cotas raciais nas universidades. 

“Essa campanha também é resultado da nossa defesa das políticas de ações afirmativas, inclusive relacionadas à cota no concurso público, que é uma disputa muito importante para nossa categoria. Hoje, nós estamos lançando a identidade visual da nossa campanha 'Sou Docente Antirracista'. A próxima etapa será a distribuição dos materiais. Hoje, estamos distribuindo os botons e os adesivos. Ainda vamos produzir camisetas, pulseiras, entre outros materiais”, contou a também coordenadora do GTPCEGDS.

Conforme Caroline, a campanha também incluirá a publicação, através da parceria do Sindicato Nacional com a editora Expressão Popular, de livros de intelectuais negros e negras. “Precisamos fazer a disputa dessa concepção de universidade, para que se divulgue o trabalho desses intelectuais, que foram marginalizados nas nossas instituições de ensino. Também vamos produzir materiais formativos, informativos, atualizar a Cartilha de Combate ao Racismo. Vamos, desde o Conad Extraordinário até o próximo Congresso, apresentar para a categoria os materiais e, inclusive, solicitar que as seções sindicais também os reproduzam e divulguem”, destacou.

 

Foto: Eline Luz / Imprensa ANDES-SN

 

Além disso, a campanha também prevê a segunda edição do documentário “Narrativas docentes: negros e negras do ANDES-SN”. “Acho que vai ser um momento importante, considerando que, quando nós o produzimos em 2017, a gente não tinha avançado tanto em relação à luta por um projeto antirracista nas universidades, IFs e Cefets”, comentou a docente. “Essa campanha veio para disputar corações e mentes, para colocar na pauta do Sindicato e da categoria a necessidade de sermos antirracistas”, concluiu.

Para Susana Maia, da Seção Sindical do ANDES-SN na Universidade Federal Fluminense (Aduff SSind.), a campanha será importante para unificar também as ações das seções sindicais e destacar a urgência da luta antirracista nas instituições de ensino. “Nós já temos avançado, enquanto ANDES-SN, nesse debate da pauta antirracista, não só com atividades nacionais, mas também no conjunto das seções sindicais e universidades. Mas ainda têm muitas lacunas. A gente tem indicado o quanto que ainda é um desafio e o quanto que ainda se fazem presentes várias práticas de assédio, de opressões, no âmbito das instituições de ensino. Então, a campanha tem um papel central para unificar o conjunto dessas estratégias, que já vêm sendo construídas pela base da categoria, inclusive de fazer acontecer onde isso ainda não é uma temática central. O lançamento, junto com o Conad, também tem um papel muito simbólico porque é um espaço de atualização do nosso Plano de Lutas. E, com certeza, isso dá uma perspectiva de que possamos inserir a pauta antirracista no conjunto das nossas lutas, no conjunto das pautas, no âmbito do sindicato”, avaliou a docente da UFF.

O evento foi encerrado com uma festa e uma roda de samba com o grupo Samba da Januário. O grupo é liderado por Fran Januário, uma das vozes mais renomadas na cena do samba na capital mineira.

 

Foto: Eline Luz / Imprensa ANDES-SN

 

67º Conad

Entre os dias 26 e 28 de julho (sexta a domingo), as e os docentes da base do ANDES-SN se reúnem, no Cefet de Belo Horizonte (MG), para o 67º Conad, organizado pelo Sindicato de Docentes do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Sindcefet/MG - Seção Sindical do ANDES-SN).

Com tema central "Fortalecer o ANDES-SN nas lutas por mais verbas para a educação, salários e em defesa da natureza", o evento atualizará os planos de lutas geral e dos setores do Sindicato Nacional e aprovará as contas da entidade, entre outras deliberações.

 

Fonte: Andes-SN