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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
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Juacy da Silva*
Quando Presidente da República, dentro de suas atribuições constitucionais, Bolsonaro indicou dois ministros para o Supremo Tribunal Federal, um deles por ser “terrivelmente evangélico”, e ambos foram aprovados pelo Senado, sem problemas, diferente do que aconteceu com uma indicação recente do Presidente Lula.
Um deles, o “terrivelmente evangélico”, atual ministro do STF André Mendonça, acabou de autorizar medidas policiais de busca, apreensão e prisão de gente graúda, até ex-ministro do próprio governo Bolsonaro, ex-colega da Esplanada dos Ministérios do ministro do STF.
As investigações apontam ou estão apontando que o início da corrupção bilionária teve início e fortaleceu seus tentáculos exatamente no Governo Bolsonaro, daí a razão de que o Presidente do Senado, com apoio dos partidos de direita e do Centrão, tem impedido a instalação da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito — Senado e Câmara Federal), para investigar este, que tudo leva a crer e tem apontado como o maior escândalo de corrupção da história do Brasil, quem viver verá, dezenas ou centenas de milhões de reais ou muito mais, talvez.
No entanto, essas tentativas de encobrir os meandros da corrupção não têm adiantado, pois Vorcaro, o “master mind” deste escândalo, preso em um hangar particular no Aeroporto Internacional de Guarulhos, prestes a voar com seu jatinho para a ilha de Malta, no Mediterrâneo, quando percebeu o destino que o aguardava na Papuda, onde estão algumas figuras ilustres da República, resolveu colaborar e “abrir o bico”, aceitando fazer a famosa “delação premiada” ou colaboração com as investigações, contando tudo o que sabe, oferecendo provas, como celulares, computadores, pen drives, anotações, gravações de conversas, enfim, está entregando e vai entregar tudo, para salvar a pele, como costumam fazer corruptos e bandidos quando o braço da Justiça aperta.
Aí é que a “porca torce o rabo”, como dizem os matutos, a partir de agora tem muita gente importante no Brasil inteiro, principalmente figuras de destaque na política nacional e em alguns estados, que já estão perdendo o sono e com crises de pânico, alguns que são candidatos já estão preocupados com tudo isso e temem serem impedidos de disputar as próximas eleições.
Sem cargos importantes para blindá-los, com certeza o “caldo” pode entornar.
Nada como um dia depois do outro, por muito tempo a narrativa era de que apenas políticos de esquerda, principalmente do PT, eram corruptos, mesmo que a nossa história, desde o descobrimento, passando pelo Brasil Colônia, Império, República Velha, República Nova e República atual, a corrupção exista, muito antes e depois da criação do PT.
Jânio Quadros fez uma carreira política meteórica usando como símbolo a vassoura e o alvo a corrupção, principalmente de Ademar de Barros, político paulista influente nas décadas de 1950 e 1960, muito antes do PT ser organizado.
O então Presidente Collor de Mello, o “caçador de marajás” das Alagoas, terra de Renan Calheiros e Arthur Lira, acabou cassado por corrupção.
No Rio de Janeiro, que é um caso emblemático, diversos governadores e parlamentares, gestores de alta envergadura, já estiveram e outros ainda estão na cadeia, e a maioria ou quase totalidade nunca foram de esquerda ou do PT.
Em Mato Grosso, da mesma forma, ao longo de décadas, antes mesmo dos governos militares, as estórias de corrupção são pródigas, basta fazer uma busca em jornais de épocas antigas ou em anais do sistema judiciário.
E, ainda em Mato Grosso, há poucos anos, diversas figuras do mundo político, como parlamentares e governadores, e até mesmo integrantes do sistema judiciário, foram alvos de investigações e diversos foram investigados, condenados, presos, usaram tornozeleiras eletrônicas e nenhum desses corruptos pertencia à esquerda ou ao PT.
Enfim, se alguém tiver interesse, basta dedicar um tempo analisando a vida política de todos os estados e milhares de municípios e irá encontrar centenas ou milhares de casos de corrupção, a grande maioria, diga-se de passagem, que “terminaram” na impunidade. Afinal, como diz o jargão popular, uma verdade absoluta até bem pouco tempo: “cadeia foi feita para pobre, preto e bandido pé de chinelo”, gente importante, gente grande, gente graúda, “amigos do Rei”, jamais irão para a prisão.
Só que esta estória parece estar mudando ultimamente e há quem diga ser esta a razão de tantos conflitos institucionais em nossa República, principalmente contra integrantes de Tribunais Superiores.
Compartilho o link de uma notícia de 07 de maio de 2026 (hoje), onde está estampada a matéria sobre o envolvimento de um ex-ministro e presidente nacional de um partido do Centrão que foi alvo dessas medidas judiciais e policiais. Fonte: site MSN/Área Vip.
Após delação de Vorcaro, ex-ministro de Bolsonaro é alvo da PF com mandado de prisão.
*Juacy da Silva, professor fundador, titular, aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, ativista social e articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro Oeste.
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Liquidação do Banco Master ameaça fundos de pensão e direitos de aposentadas, aposentados e pensionistas
O anúncio da liquidação extrajudicial da Master Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Imobiliários (Banco Master) pelo Banco Central, na última terça-feira (18), provocou forte movimentação no mercado financeiro e impactou diretamente a vida de milhares de pessoas, incluindo aposentadas, aposentados e pensionistas de diversos estados e municípios que possuem fundos de pensão que alocaram recursos no banco.
No mesmo dia, a Polícia Federal (PF) prendeu o dono do banco, Daniel Vorcaro, no Aeroporto de Guarulhos (SP), quando ele tentava deixar o país. A prisão ocorreu no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga a emissão de títulos de crédito falsos por instituições do Sistema Financeiro Nacional, além de negociar carteiras de crédito fraudulentas com outras instituições, especialmente o Banco de Brasília (BRB). Segundo a PF, as fraudes podem ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões.
Dados do Ministério da Previdência revelam que Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) de 18 estados e municípios estavam expostos ao Banco Master, somando um montante de R$ 1,86 bilhão. A Polícia Federal investigará a venda de títulos que, segundo apuração, não são cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) - que só protege aplicações de até R$ 250 mil - a esses fundos de previdência, o que agravaria o risco às aposentadorias.
O caso evidencia, mais uma vez, os riscos da aplicação de recursos previdenciários públicos em títulos de instituições financeiras privadas. Entre os entes mais expostos ao Banco Master estão o estado do Rio de Janeiro, por meio do Fundo Único de Previdência Social do RJ (RioPrevidência), com aproximadamente R$ 970 milhões investidos; o estado do Amapá, com cerca de R$ 400 milhões; e os municípios de Maceió (AL), com R$ 97 milhões; de São Roque (SP), R$ 93,15 milhões; entre outros.
Além dos estados e municípios, empresas públicas também sofreram prejuízos. A Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) informou perdas de cerca de R$ 220 milhões devido às aplicações no Banco Master.
Para Raquel Garcia, 1ª vice-presidenta da Regional Rio de Janeiro do ANDES-SN, o cenário exige mobilização e responsabilização imediata. “O que está em jogo é o sustento de quem trabalhou a vida inteira. A aposentadoria de 235 mil servidores e servidoras não pode ser tratada como moeda de troca para interesses políticos. Seguiremos firmes na luta pela responsabilização de quem colocou o dinheiro dos trabalhadores em transações temerárias. A Regional Rio de Janeiro do ANDES-SN participa ativamente das mobilizações e articulações na Alerj para barrar o sequestro dos fundos de aposentadoria, cobrando transparência e proteção ao RioPrevidência”, afirmou a diretora.
RioPrevidência
O fundo do Rio de Janeiro há décadas sofre com má gestão dos recursos. Desde 2024, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), tem adotado medidas que fragilizam ainda mais o fundo previdenciário. A gestão já realizou retiradas bilionárias, justificadas como pagamento de dívidas do estado, mesmo diante de alertas reiterados do Tribunal de Contas do Estado (TCE) sobre riscos ao sistema. Leia mais aqui.
Em 22 de outubro, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou o PL 6035/25, de autoria do Executivo, autorizando o uso de recursos de royalties e participações especiais — hoje destinados ao RioPrevidência — para pagar a dívida do Estado com a União. A medida foi convertida na Lei 11.010/25, publicada em edição extra do Diário Oficial em 27 de outubro. No entanto, uma decisão liminar do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro suspendeu seus efeitos que, mais tarde, foi derrubada.
“Após muita mobilização e a atuação conjunta com a Comissão de Servidores Públicos da Alerj, conseguimos limitar a validade da lei até 31 de dezembro de 2026. Mas a luta continua pela declaração de inconstitucionalidade, diante do grave risco ao pagamento de aposentados e pensionistas e de um possível colapso financeiro do Estado, como ocorreu nos governos Pezão e Cabral [ex-governadores Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão], na chamada Operação Delaware”, criticou Raquel Garcia.
Fonte: Andes-SN (com informações de agências de notícias)












