Quinta, 20 Fevereiro 2020 18:07

 

A Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso – Seção Sindical do ANDES – SN (Adufmat-Ssind) recebeu o historiador argentino Osvaldo Coggiola nos dias 14 e 17/02, para dialogar com a comunidade no ciclo de debates “América Latina Insurgente: um panorama da luta de classes”.

 

O professor, vinculado ao Departamento de História da Universidade de São Paulo (USP) desde 1984, iniciou sua intervenção já no primeiro dia afirmando: “quem não se interessa pela história do capitalismo não se interessa por si mesmo”. 

 

No dia 14/02, durante o lançamento do seu livro intitulado Do Moderno ao Contemporâneo: uma história do mundo na Era do Capital”, Coggiola falou sobre a sua obra, explicando que foi com o capitalismo que as sociedades tomaram proporção mundial, e que o papel deste modo de produção é lidar com as forças produtivas até que não haja limites.

 

“A sociedade capitalista se caracteriza pela revolução constante dos meios de produção. Tudo está em perpétua transformação. Por isso é necessário traçar sua história, porque ela nunca é conclusiva. É um processo inacabado. O passado vai ser sempre objeto de novas aproximações”, disse.

 

Para o docente, o debate histórico, inclusive entre marxistas, é repleto de contradições e, por isso, muito rico, assim a disciplina História. Como exemplos, citou a história dos países árabes e islâmicos – objeto de uma de suas obras -, assim como as de povos latinos que tiveram sua história contada pelos colonizadores.

 

Com relação à situação crítica do Brasil, apontou que ainda haverá muita dificuldade para os trabalhadores. “As sociedades só se conscientizam de suas contradições quando entram em declínio. A coruja da sapiência só levanta voo no crepúsculo”, concluiu, acrescentando que a classe trabalhadora deve estar mobilizada e organizada para enfrentar e superar as adversidades.

 

América Latina Insurgente

 

Na segunda-feira, 17/02, segundo dia de debates, Coggiola desmistificou um pouco da história da chamada “esquerda” na América Latina, especialmente os governos tidos progressistas, reafirmando sempre a complexidade dos períodos históricos. “Nós tivemos governos nos quais as reivindicações econômicas se transformaram rapidamente reivindicações políticas. Por exemplo, os governos petistas podem ser considerados neoliberais na economia e sociais na política? Ora, não se pode fatiar um governo como um salame!”, ironizou.  

 

“A América Latina teve um dos maiores planos de toda a história da humanidade para tirar milhares de pessoas do nível de pobreza absoluta. Só que não por distribuição de renda, mas por aproveitamento de uma situação econômica. No Brasil, um quarto da população recebeu o Bolsa Família, cerca de 150 milhões de pessoas. A pobreza diminuiu, mas a criminalidade aumentou. O que houve? O que houve é que as pessoas ficaram menos pobres, mas sem emprego. Continuaram sem perspectivas. Os planos sociais foram burocratizados, delegados à Ongs”, criticou Coggiola.

 

Assim, um dos grandes erros dos partidos considerados de esquerda no Brasil foi a adoção de políticas clientelistas, em vez de criar as condições para inserir efetivamente a classe trabalhadora no trabalho. “A esquerda tem de participar da política para defender outra política”, afirmou o docente.

 

A Educação, no entanto, apareceu no debate como um importante papel na construção das condições para a insurgência de movimentos sociais no Brasil. Segundo o professor, isso se deve à enorme expansão do setor nos últimos 40 anos, superior a qualquer outro país da América Latina.

 

Por esse motivo é grande a disputa das classes pelo formato da Educação. Enquanto o neoliberalismo apoia o empreendedorismo, retirando as disciplinas históricas das grades curriculares, os movimentos sociais apontam a imprescindibilidade do conteúdo crítico. “Não precisa de história para abrir uma empresa. Mas a esquerda está perdida justamente porque não tem o referencial histórico que deveria”, disse o convidado.

  

A história é viva

 

“Não está nada morto”, defendeu Coggiola com relação ao pessimismo de algumas análises políticas. “O capitalismo não está morto, o PT não está morto, muito menos os movimentos sociais estão mortos, ou os trabalhadores estão mortos. Lutar contra o capitalismo faz a classe trabalhadora ser capaz de governar. E se o capitalismo cai sozinho, nasce qualquer outra coisa pior. A saída para o capitalismo por si mesmo é algo que pode acabar com a humanidade. É socialismo ou barbárie, como disse Rosa Luxemburgo. E para construir o socialismo é necessário planejamento e a classe operária consciente e organizada. Sem isso vamos para a barbárie”, garantiu. 

 

Graves crises ecológicas e o desaparecimento de parte do planeta foram algumas das consequências listadas pelo historiador caso os trabalhadores não reivindiquem as forças produtivas para si com o objetivo de construir o socialismo. 

 

O debate realizado com o professor Osvaldo Coggiola será disponibilizado no canal da Adufmat-Ssind e redes sociais, assim como uma entrevista aberta também realizada na sede do sindicato.  

 

 

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

Sexta, 07 Fevereiro 2020 15:34

A Adufmat-Ssind e o Fórum de Luta por Direitos e Liberdades Democráticas convidam toda a comunidade acadêmica para o ciclo de debates “América Latina Insurgente: um panorama da luta de classes”, que será realizado nos dias 14 e 17/02, sempre às 19h, no auditório do sindicato. Serão dois dias de reflexões a partir das provocações do professor convidado, Osvaldo Coggiola, da Universidade de São Paulo - USP.

 

Doutor em História, Coggiola lecionou na Universidade Nacional de Córdoba até junho de 1976, quando foi expulso por intervenção militar devido à sua atuação política. Foi reincorporado por meio de resolução do decano normalizador em 1984, mas em 1985 iniciou seu vínculo ao Departamento de História da USP. Em seu currículo são registrados trabalhos e conferências em diversos países do mundo, que o tornaram referência internacional para debates acerca dos temas Capitalismo, América Latina e Educação, sempre inspirado pela metodologia de análise marxista.

 

Na sexta-feira, dia 14/02, o professor fará um diálogo sobre as transformações das relações humanas na história das sociedades, tema do seu livro “Do Moderno ao Contemporâneo: uma história do mundo na Era do Capital” (2019), que será lançado na Adufmat-Ssind na ocasião.

 

Também são de autoria de Coggiola os títulos “Marx e Engels na História”, “América Latina: encruzilhadas da História Contemporânea”, “O Capital contra a História”, “Governos Militares na América Latina”, entre outros.  

 

Na segunda-feira, 17/02, o diálogo será sobre o tema do ciclo de debates - “América Latina Insurgente: um panorama da luta de classes”.

 

O evento é gratuito e aberto a todos os interessados. Haverá certificação.   

 

 

 

 

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

Terça, 03 Dezembro 2019 16:00

 

Mais uma vez, nessa segunda-feira, 02/12, a Adufmat-Ssind participou de uma atividade que deveria ser considerada imprescindível numa instituição pública que prepara profissionais: um debate, dentro da sala de aula, sobre o mundo do trabalho.

 

O encontro, realizado pela segunda vez no curso de Engenharia Florestal como parte da disciplina “Legislação e Ética Profissional”, provocou reflexões acerca do mercado de trabalho que absorverá ou não os futuros engenheiros.

 

Os diretores Aldi Nestor de Souza e Djeison Benetti apresentaram a Adufmat-Ssind aos estudantes e conversaram sobre luta de classes, a história dos sindicatos, sua função política, social e conjuntura.  

 

“Os trabalhadores se organizam desde que o mundo é mundo, por uma questão de sobrevivência. No entanto, os sindicatos, como nós conhecemos hoje, têm origem no Século XVIII, por ocasião da Revolução Industrial na Inglaterra. Naquele período, as condições de trabalho eram extremamente precárias, as jornadas muito extensas, e não havia nenhum direito trabalhista”, disse Souza.

 

Analisando a atual situação dos trabalhadores brasileiros, o sindicalista concluiu rapidamente que, apesar das variadas conquistas históricas, a Reforma Trabalhista de 2017 e outras medidas adotadas em decorrência da chamada crise econômica que assola o país devolveu à população as condições do século XVIII. “Nós vemos a precarização total dos direitos com a uberizacao do trabalho. Dizer que o acordado prevalece sobre o legislado significa que nós estamos desprovidos de direitos. A terceirização irrestrita, o trabalho intermitente, tudo isso sobre uma população sem emprego, sem renda, só agrava ainda mais a situação social e econômica, porque se não há renda, não há consumo”, explicou.  

 

O professor Djeison Benetti alertou para a campanha difamatória contra sindicatos e organizações coletivas. “Há um campo de desinformação grande com relação aos sindicatos e sua representatividade. Mas quando a gente precisa lutar por direitos e trabalho, para recuperar alguma seguridade, não há como resolver sozinho. Essa desconfiança entre os trabalhadores das organizações sindicais é um campo aberto para a perda de direitos e seguridade social”, disse o docente.  

 

Assim, a partir da desmobilização e desorganização da classe, a precarização atinge os trabalhadores de todas as formas, tanto diretamente, com relação às condições materiais e financeiras, quanto indiretamente, na percepção acerca do mundo do trabalho como um todo, para além das questões salariais. Fica ainda mais difícil quando o apelo das sociedades capitalistas é à individualidade em detrimento da coletividade.

 

Nesse sentido, explicaram os diretores, a Adufmat-Ssind se coloca como um sindicato classista, ou seja, além das questões pontuais, cotidianas da categoria docente, o sindicato estuda e discute também as relações de trabalho no sistema capitalista. 

 

“Dessa forma, todas as questões que envolvem trabalho me interessam. Se há pescadores que serão atingidos pela construção de uma hidrelétrica, isso me interessa. A terceirização me interessa, porque traz um punhado de problemas, precarizando ao máximo e amarrando os trabalhadores de todas as formas, inclusive com relação ao voto. Tudo o que acomete qualquer trabalhador acomete à classe intera. Enxergar isso é bom, a solidariedade de classe nos fortalece. Ela nos colocaria num outro patamar nessa disputa”, afirmou Nestor.

 

Um mercado violento

 

Para aproximar a discussão dos estudantes ainda mais, Nestor utilizou um exemplo diretamente ligado aos estudantes das engenharias. “Circulou um meme entre os estudantes de engenharia da Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia (FAET) que dizia o seguinte: ‘em qual engenharia não serei Uber?’ Esse tipo de material é extremamente violento, agressivo. Imaginem que ali há pessoas que se dedicaram para entrar na faculdade, cursar a faculdade até o final. Muitas delas conciliaram o esforço de estudar ao de trabalhar, inclusive como uber”, ilustrou.  

 

A MP 905/19 também apareceu no debate como mais um motivo de preocupação. Sob a justificativa de criar novos postos de trabalho, a proposta do governo é taxar a população mais vulnerável e continuar isentando os ricos. “Vejam se isso não é outra forma de violência? O cara do jatinho fica imune, sua fortuna não é taxada e eu, desempregado, pago essa conta. No Brasil a distribuição de renda é absolutamente desigual, assim como a de terra. Até a Europa e os EUA fizeram reforma agrária, entenderam que era importante para o capitalismo, e o Brasil não faz”, argumentou Souza.

 

O fato, segundo Nestor, é que - sem demérito de nenhum tipo de trabalho -, é impossível ao trabalhador aguentar jornadas de 16/18h e condições estressantes de trabalho, sem qualquer tipo de segurança, por muito tempo. As pessoas querem o mínimo de dignidade para viver. Se não há condições, em algum momento a situação foge ao controle do capital e as revoltas explodem.

 

Aí está o trabalho fundamental dos sindicatos: organizar os trabalhadores para enfrentar esses problemas com lutas, mobilizações e greves. Além disso, as entidades classistas, como a Adufmat-Ssind, atuam pela conscientização de que é preciso edificar outro modelo de sociedade que supere as contradições capitalistas e proporcione, de fato, a distribuição da riqueza entre aqueles que a produzem: os trabalhadores.  

 

Ao final, os diretores reforçaram a satisfação de contribuir com o diálogo tão importante para os estudantes, que lotaram a sala e interagiram bastante, compartilhando também as suas experiências. Os docentes reforçaram, ainda, a disposição para conversar com acadêmicos de todos os cursos.

 

Professores interessados em realizar o debate com suas turmas podem manifestar o interesse por meio do e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. , sugerindo data e horário.

 

 

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind   

Quinta, 28 Novembro 2019 15:17

 

A Adufmat-Ssind convida todos os interessados para o debate "Golpes de Estado na América Latina", que será realizado na próxima segunda-feira, 02/12, às 19h, no auditório do sindicato. 

 

Os convidados para provocar os ouvintes acerca do tema são a cientista política Alair Silveira, professora do Departamento de Sociologia e Ciência Política da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e o economista Plínio de Arruda Sampaio Jr., livre docente da Universidade Estadual de Campinas.

 

O evento é gratuito e aberto à toda sociedade.   

Quinta, 07 Novembro 2019 10:27

 

A Adufmat-Ssind convida todos os interessados para o debate "Trabalho Associado, Trabalho Cooperado e uma Crítica ao Trabalho Terceirizado", que será realizado nessa-quinta-feira, 07/11, às 14h30, no auditório do sindicato. 

 

Os convidados para debater o tema são os professores Laudemir Luiz Zart, da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e Lélica Elis Lacerda, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). 

 

No início da noite, às 19h, os participantes poderão participar ainda do lançamento do livro "Educação e Socioeconomia Solidária: Fundamentos da Produção Social do Conhecimento", de Laudemir Zart. 

Terça, 09 Julho 2019 12:04

 

Nessa segunda-feira, 08/07, docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) se reuniram em assembleia geral convocada pelo sindicato da categoria, a Adufmat- Seção Sindical do ANDES-SN, para discutir e deliberar sobre a conjuntura e outros assuntos relacionados a ela, como auditoria no prédio do sindicato, reajuste dos planos de saúde, manifestações no dia 12/07 e caderno de textos do 64º Conselho do ANDES – Sindicato Nacional (Conad).

 

Um pedido de inversão de pontos de pauta fez a discussão começar pelo tema “auditoria da sede da Adufmat-Ssind”. Como informado em assembleia anterior, a Pró-reitoria de Planejamento (Proplan) da UFMT procurou o sindicato para dizer que, após a realização de uma auditoria na instituição, apenas dois prédios apresentaram irregularidades, coincidentemente os utilizados em regime de comodato pelos sindicatos dos professores e dos técnicos administrativos – Adufmat-Ssind e Sintuf/MT.

 

Por conta disso, a administração solicitou algumas informações sobre quais atividades são realizadas pelos sindicatos e quem participa. Mesmo depois da resposta enviada pelo sindicato, afirmando que a área é pública, as atividades são todas abertas e as informações estão disponíveis nos canais oficiais da entidade, a Proplan orientou a Adufmat-Ssind a modificar a estrutura do site, a fim de facilitar a busca por informações, além de incluir uma cláusula no contrato de comodato para evidenciar o que será feito com o prédio caso o acordo não seja renovado.

 

Durante a discussão, os docentes concordaram que a questão é de ordem política, e formaram uma comissão com os professores Reginaldo Araújo, Aldi Nestor de Souza, Dorival Gonçalves e Gerdine Sanson para organizar a resposta que deve ser enviada pelo sindicato no prazo estabelecido pela administração, entre 100 e 120 dias.

 

Com relação ao reajuste dos planos de saúde, a diretoria apresentou a proposta encaminhada pela Unimed já para o mês de agosto de 2019: 62,88%. O percentual gerou revolta na categoria. Uma das componentes da comissão, Vânia Carvalho, afirmou que o índice foi o mesmo apresentado para os trabalhadores do Tribunal de Justiça do Estado. “Deve ser um percentual padronizado, e lá eles conseguiram chegar a 20%”, disse a servidora.

 

Ao final, os docentes concluíram que, dentro do mercado da saúde, nada poderá ser muito diferente disso. Por isso, dessa vez, além da recomposição da comissão responsável pela negociação do reajuste, a categoria também decidiu elaborar um calendário de discussão sobre saúde pública e privada, convidando pesquisadores da área que atuam no estado e em outras regiões do país. “Nós vamos pagar pela saúde, educação, previdência, e no final vamos comer o quê?”, provocou o professor Carlos Sanches.

 

A comissão formada para negociar os reajustes será composta pelos docentes Maurília Amaral, Carlos Emílio, Vânia Maria Carvalho, José Airton de Paula, Rafael Nunes, Sônia Lima e Tomas Boaventura. Ainda na assembleia os docentes decidiram participar da primeira reunião sobre o tema com os técnicos administrativos, na sede do Sintuf/MT, às 10h dessa terça-feira, 09/07.

 

No debate sobre a conjuntura, os docentes destacaram a correlação dos outros pontos de pauta: perseguição política aos sindicatos – representada pelos questionamentos acerca do uso da sede; privatização da saúde – um direito com acesso cada vez mais difícil; caderno de textos do ANDES-SN – trazendo reflexões sobre os projetos de sociedade que estão em disputa; e a defesa imprescindível da Previdência Pública Social – por meio das mobilizações convocadas para 12/07.

 

Também foi destaque neste ponto de pauta o lançamento do movimento “Docentes Pela Liberdade” (DPL), realizado na última semana. Avaliado como um grupo que defende as políticas do governo Bolsonaro para a Educação - incluindo cortes, tratoramento na nomeação de reitores e representantes em outras esferas, e a defesa do armamento (na imagem divulgada em Mato Grosso algumas pessoas posicionaram as mãos como se empunhassem armas) -, os presentes na assembleia demonstraram temor de que a educação passe a ser ameaçada também por professores e declararam interesse em convidá-los para debater algumas questões centrais relacionadas ao direito à educação.

 

A categoria avaliou, ainda, que é preciso repensar com atenção as principais teses defendidas pelos movimentos sociais desde a redemocratização do país, bem como na maneira como estão sendo apresentadas e defendidas.

 

Os docentes lamentaram ainda, nessa segunda-feira, o que chamaram de “obscurantismo” do governo Bolsonaro, que tem inserido temas polêmicos na imprensa para desviar a atenção da população das suas políticas de desmonte, que prejudicam o todo.

 

Sobre o caderno de textos do 64º Conad, mais especificamente a proposta de uma das teses de inserir a insígnia “Fora Bolsonaro, seu vice Mourão e todos os golpistas. Eleições gerais já!”, os docentes de Mato Grosso, após ampla discussão, decidiram rejeitar.

 

A avaliação foi de que, embora o governo Bolsonaro seja realmente não democrático, extinguindo em apenas seis meses cadeiras em conselhos representativos, criminalizando os movimentos sociais, entre outras ações autoritárias, o presidente é apenas mais um instrumento para efetivação de um projeto de sociedade que retira direitos dos trabalhadores, privilegiando a elite. A luta, portanto, deve ser contra o projeto neoliberal, que o capitão reformado representa. Essa deverá ser a posição da delegação da Adufmat-Ssind no 64º Conad.

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

        

Terça, 02 Julho 2019 17:31

 

Um convite nada convencional, mas absolutamente importante, levou diretores da Adufmat-Seção Sindical do ANDES-SN à sala de aula nessa segunda-feira, 01/07, para conversar com estudantes do 7º semestre de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

 

A intenção foi inserir na disciplina “Legislação e Ética Profissional” as imprescindíveis reflexões sobre o mercado de trabalho que os futuros engenheiros deverão encontrar após a formatura.

 

Entusiasmados com o convite, os diretores Aldi Nestor de Souza e Jdeison Benetti, e o professor do Departamento de Matemática, Vinícius Santos, foram ao encontro da turma.

 

O coordenador geral da Adufmat-Ssind, Aldi Nestor de Souza, iniciou o diálogo falando que os sindicatos surgiram por causa das condições de trabalho extremamente precárias da Europa do século XVIII. Jornadas de trabalho de 14h - inclusive para crianças -, exposição a diversos riscos e ambientes insalubres, além de remunerações minúsculas e sem qualquer critério eram a realidade dos trabalhadores que se organizaram para reivindicar mudanças.  

  

“Nós ficamos muito surpresos com o convite, no bom sentido, porque o sindicato é vital para a vida dos trabalhadores, especialmente nesse momento, justamente pela proximidade que temos com as condições de trabalho dos europeus do século XVII”, afirmou o coordenador da Adufmat-Ssind, referindo-se à Reforma Trabalhista. Aprovada em 2016, a medida fragiliza os direitos dos trabalhadores ao determinar que “o acordado prevalece ao legislado”.

 

O docente também contextualizou o surgimento dos sindicatos no Brasil, país que escravizou oficialmente seus trabalhadores até 1888. Revoltas históricas, como Palmares e Canudos, demonstram que sempre houve, há e haverá resistência, mesmo sem qualquer instituição sindical estabelecida. “A historia dos trabalhadores do Brasil e do mundo é uma historia de muita luta. Muita luta e também muito sangue, porque o Estado se encarregou de trucidar todos esses grupos”, disse o diretor.

 

A estrutura sindical começa a aparecer no Brasil com a importação de imigrantes para servirem de mão de obra nas fábricas, durante o processo de industrialização nas primeiras décadas do século XX, como explicou o professor Vinícius Santos. Foi o Governo Getúlio Vargas, entre 1930 e 1940, que regularizou as entidades sindicais e, ao mesmo tempo, impôs uma série de condições, entre elas a proibição de greves, e a proibição a servidores públicos se associarem a qualquer entidade de classe.

 

A ditadura militar manteve esse modelo, mas, nessa época, muitas categorias começaram a se organizar para reivindicar não só melhores condições de trabalho, mas também contra o regime autoritário. No entanto, como os sindicatos nos setores públicos eram proibidos, várias “associações” de trabalhadores foram criadas com finalidade sindical. “A principal luta sindical é contra a exploração da força de trabalho, não só por direitos e benefícios. Claro que essas demandas também são importantes, mas os sindicatos demarcam um enfrentamento real dos trabalhadores ao capital. E isso é tão forte, os sindicatos são tão importantes nesse sentido, que nos últimos anos foram criados até sindicatos patronais para fazer essa disputa de interesses”, disse Santos.

 

Com a Constituição de 1988, a livre associação foi estabelecida, mas a perseguição velada aos sindicatos continua. A MP 873/19, que caducou no dia 30/06, é um exemplo claro de que o governo Bolsonaro persegue gratuitamente os sindicatos de trabalhadores. A manobra pretendia impedir o desconto em folha da contribuição mensal de sindicalizados, sem alterar em nada a economia do país. Não há nenhuma justificativa que respalde a proposta da Presidência, a não ser a intenção política de fragilizar a estrutura sindical e, consequentemente, os trabalhadores representados por elas.

 

As disputas entre projetos divergentes de sociedade ficam ainda mais evidentes quando propostas como as reformas Trabalhista e da Previdência são apresentadas: de um lado, um grupo econômico interessado em obter mais lucro retirando direitos de milhares de pessoas infinitamente mais pobres; de outro, trabalhadores interessados em obter dignidade, o que renderá menos lucros aos empresários. Há momentos em que, por mais que haja esforço, é impossível conciliar. Não há meio termo. O grupo mais frágil sairá perdendo.

 

“Eu convido vocês para observarem a última página da proposta de Reforma da Previdência. Lá está escrito para quem o Paulo Guedes [banqueiro] vai mandar a conta dessa proposta. Mas já adianto: serão os mais pobres”, provocou Souza. Por isso os sindicatos de trabalhadores se colocam frontalmente contra a proposta de Reforma.

 

O professor Djeison Benetti chamou a atenção, ainda, para os efeitos da Reforma Trabalhista no mercado que os estudantes enfrentarão após concluir o curso. “Nós temos pessoas que encontraram, nos últimos anos, condições de fazer mestrado e doutorado. Essas pessoas vão disputar as vagas de emprego, mas o mercado não está disposto a pagar por isso. As universidades acolheram boa parte dessas pessoas, mas agora não haverá mais isso, e é aí que a necessidade de trabalhar vai fazer o profissional bem qualificado aceitar o acordado sobre o legislado, como a Reforma Trabalhista permite fazer”, disse.  

 

Dados recentes apontam que, no Brasil, cerca de 80% da população assalariada tem rendimento mensal de até R$ 1.700,00. Mais de 14 milhões dessas pessoas têm nível superior.

 

Além disso, também pela abertura que a Reforma Trabalhista ocasionou, o mercado aceita cada vez menos que funcionários fiquem doentes, e acabar com a seguridade social, como propõe a Reforma da Previdência, prejudicará sobremaneira o trabalhador, enquanto o patrão será desresponsabilizado.

 

Os funcionários terceirizados da UFMT têm enfrentado situações como essa. Eles evitam entregar atestado médico aos patrões, porque começam a ser perseguidos em seguida, sendo, entre outras coisas, transferidos de posto, para que o trabalho fique cada vez mais impossível. Dessa forma, eles trabalham mesmo passando mal.

 

Durante toda a conversa, que ocorreu mesmo com a universidade sem energia elétrica, os estudantes interagiram, fazendo várias perguntas, desde como é a constituição de um sindicato, as diferenças concretas entre ele e as associações, até o seu papel político, quem representa ou deixa de representar.

 

Interessados em convidar a diretoria do sindicato para uma conversa como essa, para auxiliar os estudantes a entenderem as relações que vão encontrar quando saírem da universidade podem entrar em contato com a Adufmat-Ssind pelo e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. .

 

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

Quinta, 27 Junho 2019 17:06

 

A convite do Grupo de Trabalho Ciência e Tecnologia (GTC&T) da Adufmat-Ssind, a pró-reitora de Pós-graduação da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), professora Patrícia Osório, esteve no sindicato na manhã dessa terça-feira, 25/06, para dialogar com a categoria sobre as “Dificuldades e Perspectivas de Financiamento Frente a Atual Conjuntura”.

 

Ao abrir a mesa, o professor José Domingues de Godoy Filho, coordenador do GT, lamentou a ausência da categoria, e afirmou que o vazio dos espaços de discussão reflete uma questão política: a diminuição do compromisso com a universidade. “Nos últimos anos, muitos docentes vieram para a universidade pela falta de emprego, não porque queriam ou se interessavam. A essência da atividade de professor vem sendo trocada pelo jogo de ganhar dinheiro, e esse é um anti-pensamento universitário. Essa é uma das maiores dificuldades do GTC&T”, comentou.

 

Para o docente, a lógica do mercado deturpou a percepção social acerca da produção científica, aproximando-a da iniciativa privada e distanciando do serviço público. Na verdade, a pesquisa tem sido colocada a serviço da iniciativa privada, mas ainda é produzida quase que exclusivamente dentro de instituições públicas (mais de 95%), conforme relatório da Clarivate Analytics, elaborado a pedido da CAPES.

 

Entregar ao mercado a produção científica no Brasil tem sido um esforço praticado pelos governos neoliberais, que reduziram drasticamente os recursos públicos destinados à educação e à pesquisa. O Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Informação de 2016 demonstra isso. À época, a então reitora da UFMT, Maria Lúcia Cavalli, chegou a dizer que problematizar a questão do financiamento, como estava fazendo o sindicato, era mera demarcação de posição “ideológica” e “ultrapassada” (relembre aqui).

 

A convidada para a discussão realizada na Adufmat-Ssind nessa terça-feira, no entanto, falou longamente sobre o assunto, destacando as principais instituições de fomento à pesquisa atualmente – CNPq, Capes, Fapemat e Finep -, suas contribuições e atuais limitações, causadas pelos contingenciamentos dos governos.       

 

“Os cortes não são recentes e, ao longo de todos esses anos, seus efeitos se tornaram cada vez mais evidentes. Além disso, novos cortes estão sendo feitos de uma forma ainda mais bruta”, afirmou Osório.

 

De acordo com a pró-reitora, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por exemplo, sofreu um contingenciamento de 42%. A Fundação de Amparo à Pesquisa de Mato Grosso (Fapemat), maior financiadora em número de projetos da UFMT, tem mantido as bolsas – o que outras fundações estaduais já não tem mais conseguido fazer -, mas não lança novos editais desde 2015.

 

Um dos prejuízos do não lançamento de novos editais ocorreu a um projeto de formação de redes da UFMT que envolvia diversos cursos. Com os cortes, o projeto foi prejudicado, levando o grupo de pesquisadores praticamente à estaca zero.

 

Com relação à Finep - maior financiadora da instituição mato-grossense no montante em milhões de reais (especialmente por equipamentos de grande porte e obras), a pesquisadora afirmou que a redução de recursos foi drástica a ponto de os limites de empenho nos editais de 2019 corresponderem a cerca de ¼ dos valores estabelecidos oito anos antes.   

 

“É inquestionável a importância dessa instituição para a consolidação da pesquisa e da tecnologia no Brasil e na UFMT. Apesar dos cortes, nós estamos em um bom patamar com relação a essa financiadora. Gostaríamos que estivéssemos em situação mais confortável, mas temos perspectivas e resultados importantes. Nós concorremos recentemente a alguns editais e conseguimos garantir R$ 1,2 milhão para um projeto que reúne vários cursos da área da saúde, R$ 2,5 milhões para finalização de cinco obras e cerca de R$ 30 mil para um aparelho de grande porte”, pontuou Osório.

 

Os cortes de recursos destinados à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), no entanto, estão causando o que a pró-reitora chamou de “desmantelamento do Sistema Nacional de Pós-graduação” (SNPG). As bolsas “ociosas” dos programas com notas 3, 4 e 5 foram congeladas e o Programa Ciência Sem Fronteira, até o momento, parece condenado. Outros 70% das bolsas dos programas “antigos” (avaliados duas vezes) com nota 3 serão cortados; a partir de julho, também os programas “antigos” com nota 4 terão 30% de bolsas cortadas. Por fim, serão milhares de bolsas cortadas, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, onde as pesquisas tiveram maior desenvolvimento nos últimos anos. 

 

Docentes que participaram do debate relataram que, ao menos na área de Humanas, as financiadoras já declaram aos pesquisadores que pleiteiam financiamento que seus projetos são qualificados por mérito, mas não há recursos para atender à demanda.

 

Como não poderia deixar de ser, as perspectivas apontadas pela mesa são ancoradas na unidade dos trabalhadores para defender seus recursos e direitos. Sem que a comunidade acadêmica e a população, de modo geral, se mobilizem, o financiamento público de pesquisas nas universidades públicas será cada vez mais inviabilizado.

 

“Eu acho que, se tem uma palavra capaz de descrever todo esse processo, a palavra é desmonte. Desmonte da educação, da autonomia, de procedimentos, de projetos de vida, de tudo. Há uma mudança estrutural nas equipes técnicas que causa instabilidade, insegurança. Os canais de diálogo, fóruns, que antes decidiam, agora são informados sobre as ações. Para resistir a isso, nós precisamos no unir em torno dessas instituições para fortalecê-las”, concluiu a docente.

 

O diretor Técnico-científico da Fapemat, Flávio Teles Carvalho da Silva, foi um dos convidados para a mesa, mas não compareceu ao evento. 

 

Quer saber mais sobre a posição do sindicato sobre Ciência e Tecnologia? Clique aqui para baixar a Cartilha GTC&T - Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação: riscos e consequências para as universidades e a produção científica no Brasil.

 

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

 

Terça, 25 Junho 2019 15:25

 

Não é segredo para ninguém que nós vivemos numa sociedade que incentiva o acúmulo e a concentração de renda. Tanto que, para muitos, sinônimo de sucesso na vida é ter propriedade. Quanto mais, melhor. É realmente difícil pensar diferente, já que nós somos educados para isso.  

 

Nós concentramos a tal ponto que, nesse momento, 1% da população mundial detém a mesma riqueza dos 99% restantes. No Brasil, seis pessoas concentram riqueza equivalente a 50% da população mais pobre. Os dados são da Oxfam.

 

A sociedade capitalista vangloria também a iniciativa privada, cujo objetivo principal é acumular. E todos sabem que a finalidade de qualquer empresa é o lucro. Em busca disso, ela precariza as condições de trabalho, os salários dos funcionários, contrata o mínimo possível e apoia propostas que diminuem os impostos e as obrigações patronais. As empresas minimizam todos os custos para lucrar sobre tudo o que puderem. 

 

Os bancos, como grandes instituições financeiras, funcionam do mesmo jeito. Lucram sobre tudo o que for possível: em cima de milhões de pessoas que movimentam suas contas, fazem empréstimos e dívidas infinitas para comprar. Os bancos tendem a ser as empresas muito bem sucedidas no sistema capitalista. Por isso, todos os anos, a imprensa divulga sistematicamente a superação dos seus lucros.

 

A “crise” que tem sido utilizada para justificar a retirada de direitos históricos dos trabalhadores, e que já nos rende o aumento do empobrecimento da população, é a mesma que favorece o aumento do lucro dos bancos. Em 2018, os quatro maiores do país (Brasil, Itaú, Bradesco e Santander) tiveram quase 20% de aumento nos ganhos; “R$ 69 bilhões, maior valor da história, segundo a Economatica, empresa especializada no fornecimento de dados financeiros”, conforme publicou um renomado portal de notícias brasileiro no início do ano.

 

Fazem parecer um motivo para comemorar, mas nós temos aí uma contradição difícil de romper: a dinâmica que empobrece a sociedade é, ao mesmo tempo, exaltada, como um objetivo a ser alcançado. “Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser opressor”, dizia Paulo Freire, com razão.        

 

Deve ser por esse motivo, inclusive, que a dívida pública brasileira, que consome quase 50% dos recursos arrecadados pela União anualmente, que só ganha enquanto toda a população perde com a crise, ainda não é um fato problematizado pela população brasileira.  

 

 

Foi para essa perspectiva que pesquisadores convidados pela Adufmat-Seção Sindical do ANDES-SN chamaram a atenção no dia 13/06, durante o debate “Previdência Pública, Seguridade Social e Endividamento”, realizado no auditório do Mofão/ Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia da Universidade Federal de Mato Grosso. “O objetivo da Reforma [da Previdência] é a capitalização: passar mais dinheiro da população para o capital financeiro”, disse categoricamente um dos convidados, o doutorando da Universidade de Brasília (UnB), Jonas Schmidt.

 

A dívida pública brasileira se arrasta como uma avalanche gigantesca desde quando o Brasil era uma Monarquia. Viramos República, entramos e saímos de ditaduras, governos e mais governos, e a dívida só aumentou, porque a regra é clara: altas taxas e juros flutuantes, cobrança de juros sobre juros (anatocismo), refinanciamento de dívida por rolagem, entre outras manobras, servem exclusivamente para transferir – sistematicamente - dinheiro da população para bancos.

 

Mestranda de Políticas Públicas da UFMT, a pesquisadora Rozimeire Satiko, também palestrante convidada, destacou que a imprensa finge ignorar essa discussão porque, assim como os bancos, é controlada por cerca de seis famílias, ávidas por concentrar. A dinâmica do capital, portanto, as beneficia.

 

Com relação aos credores, isto é, quem recebe todo esse dinheiro público, a União alega que não pode precisar, pois não há controle sobre os títulos revendidos. No entanto, os pesquisadores acreditam que é a União que não tem interesse em divulgar. “Os credores são os mesmos bancos interessados nas reformas da Previdência e Trabalhista”, afirmou Satiko.

 

O terceiro convidado, Willian Rossi, também mestrando em Políticas Públicas na UFMT, demonstrou que a dívida pública de Mato Grosso foi instituída num “complexo sistema de déficits criado pela destruição da infraestrutura econômica do estado, decorrente da sua cisão, em 1977”, seguindo a mesma receita da União.

 

 

Para viabilizar o novo estado, no final da década de 1970, os governantes pegaram dinheiro emprestado. Um “mecanismo político-financeiro-midiático” garantiu, em seguida, que o déficit provocado pelos empréstimos formasse a dívida pública e, quando ela se tornou impagável pelas práticas irregulares (juros, juros e mais juros), os direitos sociais também se tornam alvos para que os recursos fossem transferidos aos credores.

 

Os palestrantes demonstraram, ainda, que a população de diversos países tem reagido e reivindicado a realização de auditorias de suas dívidas públicas. O Equador é um deles. O êxito da auditoria fez o país retomar todo o dinheiro arrecadado pelo estado e reverter em benfeitorias para a população.

 

No Brasil, a Constituição Federal de 1988 prevê a realização de auditoria, e uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) apontou que há diversas irregularidades relacionadas à dívida pública. Ou seja, motivos para a realização da auditoria da dívida pública não faltam. No entanto, a última governante a vetar a ideia foi Dilma Rousseff, em janeiro de 2016.

 

“Quando isso for dito, a população vai se revoltar e ir às ruas”, disse Rossi ao final do debate, animado. Mas será que, mesmo consciente, a população brasileira estaria disposta a nadar contra a corrente?      

 

Saiba mais sobre a Dívida Pública no site da Auditoria Cidadão da Dívida. Clique aqui.

 

 

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind