Quarta, 04 Outubro 2017 18:44

 

 

Roberto Boaventura da Silva Sá

Prof. de Literatura/UFMT; Dr. em Jornalismo/USP

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Em meados de setembro, Aclyse de Mattos, professor universitário e escritor, tomou posse na Cadeira 3 da Academia Mato-grossense de Letras (AML). Infelizmente, só agora estou podendo registrar a importância da presença de Aclyse naquele emblemático espaço.

Durante a cerimônia de sua posse, entre rituais próprios das academias e, ao mesmo tempo, rupturas no cerimonial, quem lá esteve presenciou magnífica aula de literatura, dada a três mãos.

De início, a professora e escritora Marília Beatriz de Figueiredo Leite, embaixatriz dos sentimentos cuiabanos, na condição de sua presidente, tratou do significado da AML. Ouvir os saborosos discursos de Marília é como fazer uma volta no tempo e caminhar entre seres ímpares de nosso passado. Procuro não perder essas oportunidades.

Na sequência, o médico e escritor Ivens Cuiabano Scaff, ao estilo dos melhores teóricos da literatura, “ofertou” aos presentes a obra do homenageado. Uma pérola de discurso! Se quisesse, Ivens teria sido um dos maiores professores de literatura, que são tipos de médicos da alma.

Por fim, a Aclyse coube falar de Rubens de Castro, jornalista e escritor que havia ocupado a Cadeira 3. E Aclyse, também em estilo de grande teórico da literatura, passeou com desenvoltura pela obra de seu antecessor.

Todavia, das profundezas das redes, alguém, ao cumprimentar Aclyse, destacou que, enfim, a AML começava a receber escritores de verdade, e não apenas escritores de “artiguinhos de jornal” ou das lides jurídicas.   

Contrapondo-me a isso, registro a importância das mais recentes presidências da AML que – não sem o carinhoso apoio dos confrades mais antigos – “abriram” as portas da Casa Barão de Melgaço a escritores mais jovens, uns já consolidados, outros em construção.  

Seja como for, manifesto minha solidariedade e respeito àqueles (da AML ou não) que têm opinião, e não se furtam de compartilhá-la com a sociedade por meio de artigos de jornal. Aliás, a quem ignora, essa arte, que já foi a mais utilizada entre intelectuais de peso de nosso país, não é para qualquer um. A falta de habilidade, os afazeres e/ou o culto à individualidade no meio universitário, p. ex., vão retirando do espaço social os docentes que poderiam externar – pelos jornais – opiniões sobre diferentes temas.

Ademais, um artigo de jornal que contenha opinião direcionadora, que seja redigido com elegância, estilo e dentro dos padrões da língua portuguesa, pode valer mais do que quaisquer dissertações, teses e artigos acadêmicos desimportantes e mal escritos, feitos em geral apenas para si, quando muito, aos pares, que podem ser espelhos estilhaçados do “si”. O bom e arriscado é lidar com os ímpares da sociedade.

Dito isso, encerro minhas considerações, resgatando o artigo de opinião “Sobre censuras”, de Sebastião Carlos, membro da AML, publicado no último dia 24/09, na mídia local.

Ali, Sebastião, com estilo e cuidado que a escrita requer, escreveu o necessário e forte artigo. Nele, tratou de mais uma censura artística ocorrida em Cuiabá; desta vez, no Shopping Pantanal, com a obra de Gervane de Paula, que “retrata” os usuários de drogas em nossa capital.

Dos registros de Sebastião, destaco o que segue: “encerrar abruptamente uma exposição de arte, o que equivale a recolher um livro ou impedir uma encenação de teatro, é uma manifestação de obscurantismo”.

Infelizmente, ainda vivemos um tempo de muita censura e preconceito; ambos, frutos da ignorância, que pode não poupar nem o matuto, nem o doutor. 

Sexta, 15 Abril 2016 17:54

 

O dia 30 de abril é o prazo final para a submissão de artigos que irão compor a próxima edição da Revista Universidade & Sociedade, que tem como tema central “Mulheres em movimento nas lutas sociais e sindicais”. Os docentes e demais profissionais interessados em publicar artigos na Revista devem enviar seus textos para O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo., obedecendo ao prazo, ao objetivo e à normatização estabelecida pela comissão editorial.

 

A Revista Universidade e Sociedade é uma publicação semestral, cujo intuito é fomentar as pesquisas, debates e experiências no âmbito da pesquisa acadêmica oriundas das experiências sindicais e sociais acerca de temas de relevância para as lutas empreendidas pelos docentes em busca de uma universidade pública, gratuita e de qualidade, em âmbito nacional.

 

De acordo com Antônio José Vale da Costa, 1º vice-presidente da Regional Norte I do ANDES-SN e membro da Editoria Executiva desta edição, a definição da temática foi embasada na “avaliação da diretoria do ANDES-SN de que esse era um momento importante para ressaltar a luta das mulheres nos últimos anos. Dessa forma, os artigos devem expressar a atual conjuntura de ataques aos direitos das mulheres e a luta feminista pela garantia desses direitos, tanto nas diversas esferas sociais quanto no âmbito sindical. Pautas acerca da desigualdade de gênero e discriminação racial são algumas temáticas que serão abordadas”, conta.

 

A Revista será lançada no 61º Conad do Sindicato Nacional, que será realizado em Boa Vista (RR), em junho de 2016. Acerca do foco dos artigos a serem enviados para compor a Revista, a diretoria do ANDES-SN aponta, na circular nº 19 (abaixo), que os textos devem refletir “os ataques constantes que têm sido perpetrados no âmbito social, político e cultural contra os direitos das mulheres brasileiras, os processos sociais de luta por direitos das mulheres, nos movimentos sociais e sindicais, tais como mulheres indígenas, quilombolas, educadoras, etc. e suas lutas cotidianas pela sobrevivência e contra todas as formas de opressão e violência”.

 

Confira os objetivos e a normatização dos artigos a serem enviados para a 58ª edição da Revista Universidade & Sociedade.

 

Circulares:

Circular nº 088/16 – solicita aos jornalistas das seções sindicais o envio de fotos de seus acervo sobre a temática da Revista a fim de compor o ensaio fotográfico desta edição;

Circular nº 071/16 – aponta o prazo do dia 30 de abril com o final para o envio de artigos para compor a Revista;

Circular nº 19/2016 – encaminha a temática da 58ª edição da Revista Universidade & Sociedade.

 

Fonte: ANDES-SN

 

Sexta, 01 Abril 2016 18:04

 

 

Circular Nº 071/16

Brasília (DF), 1º de abril de 2016

 

Às seções sindicais, secretarias regionais e aos diretores do ANDES-SN

 

Prezados (as) Companheiros (as)

 

Estamos construindo o próximo número da revista Universidade & Sociedade, que será lançado no 61º CONAD do ANDES-SN.

 

Desejamos solicitar o empenho dos diretores dessa Seção Sindical no sentido de ampliar a divulgação do tema central da revista – “Mulheres em movimento nas lutas sociais e sindicais” – e efetuarmos, com brevidade, mais uma vez, a chamada para submissão de artigos. Informamos que o prazo final para o recebimento de artigos é o próximo dia 30 de abril e eles devem obedecer às normas apontadas na Circular nº 19/2016, emitida em 15/2/16 e constante no site do Sindicato.

 

Na expectativa do pronto atendimento, enviamos nossas cordiais saudações sindicais e universitárias.

 

 

Prof. Francisco Jacob Paiva da Silva

1º Secretário

Segunda, 11 Janeiro 2016 12:18

Roberto Boaventura da Silva Sá

Dr. Jornalismo/USP; Prof. Literatura/UFMT 

 

Quando fui aprovado em concurso público para lecionar em uma universidade federal, confesso que senti extrema felicidade. 

Passada a euforia, e já me preparando para os primeiros encontros com os colegas de profissão, metaforicamente, comecei a limpar meus sapatos. Eu os achava sujos demais para pisar em lugar tão especial de uma sociedade. Essa idealizada visão ainda era a de um aluno recém-formado. Aluno que tivera o maior respeito por seus mestres, quase todos exemplares. 

E fiz bem ter aquele cuidado de limpar meus sapatos. No início da carreira, encontrei a maioria de meus colegas cheia de ensinamentos a compartilhá-los com quem quisesse. Sem que nos adoecêssemos ou morrêssemos de trabalhar, trabalhávamos muito, mas sem competições entre nós. Sabíamos que nossa atividade não podia ser quantificada como a de um profissional de loja de departamentos. 

Por isso, tínhamos tempo até para tomar um café em grupo e conversar sobre tudo. Tínhamos, enfim, vidas acadêmica e social saudáveis. Muito saudáveis! Agora, apenas, saudosas. Muito saudosas! 

A saudade que já experimento hoje foi prenunciada – e pouco compreendida, ou pouco aceita por mim – no decorrer do primeiro dos inúmeros encontros de professores universitários dos quais participei. Isso foi lá por 88, durante um evento do Sindicato Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes), ocorrido em Londrina-PR. 

Daquilo que o Andes chamava de “Análise de Conjuntura”, vieram as primeiras leituras sobre os desdobramentos da possível vitória do projeto neoliberal, que nos seria imposto com a chegada de Collor de Mello à presidência da República. Daquele projeto, sobre outras tantas, sobrepunha-se a exacerbação das individualidades, em detrimento de visões e práticas coletivas. 

Seria um absurdo, se aquilo viesse a ocorrer, pensava eu, em minha “debutância” naquele meio de tantos pensadores; aliás, os melhores que conheci até hoje na ambiência universitária. 

Infelizmente, aquela análise estava correta. O projeto neoliberal ganhou as eleições de 89. Depois disso, ao longo dos anos, fomos nos metamorfoseando em seres individualistas por excelência. 

E já no início desse lastimável processo, um muro caiu no meio do caminho da academia ocidental. A necessária queda do Muro de Berlim foi mal compreendida por muitos colegas que se sentiram sem chão. Pior: foi como se tivessem recebido estilhaços do muro em suas cabeças. 

Assim, na mesma cartilha de superficialidades, exposta diuturnamente pela mídia, a maioria dos colegas das universidades leu aquele marco histórico de nossa contemporaneidade como a vitória incontestável do modelo capitalista sobre outros quaisquer. 

Logo, não podendo mais lutar contra o sistema, a ele se aliaram. Como novos aliados do “deus mercado” passaram a contribuir com diferentes governos (Collor, Itamar, e em dose dupla com FHC, Lula e Dilma) na implantação de projetos e programas, tornados legais, para a educação brasileira. 

Desse conjunto legal, o mais recente concretizar-se-á na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), advinda dos Parâmetros Nacionais Curriculares, oriundos da Lei de Diretrizes e Bases. 

Na BNCC, a desqualificação das disciplinas que exigem mais teorização é impressionante. Para sustentar essa desqualificação, em seu lugar entra a “praticidade que os tempos modernos exigem da escola”. 

E assim, vamos formando seres cada vez mais “práticos”. Todavia, paradoxalmente, em nome do agir, do aqui e do agora, vamos perdendo a capacidade de pensar, de elaborar, de sentir a vida como de fato ela é.