Quinta, 20 Fevereiro 2020 18:07

 

A Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso – Seção Sindical do ANDES – SN (Adufmat-Ssind) recebeu o historiador argentino Osvaldo Coggiola nos dias 14 e 17/02, para dialogar com a comunidade no ciclo de debates “América Latina Insurgente: um panorama da luta de classes”.

 

O professor, vinculado ao Departamento de História da Universidade de São Paulo (USP) desde 1984, iniciou sua intervenção já no primeiro dia afirmando: “quem não se interessa pela história do capitalismo não se interessa por si mesmo”. 

 

No dia 14/02, durante o lançamento do seu livro intitulado Do Moderno ao Contemporâneo: uma história do mundo na Era do Capital”, Coggiola falou sobre a sua obra, explicando que foi com o capitalismo que as sociedades tomaram proporção mundial, e que o papel deste modo de produção é lidar com as forças produtivas até que não haja limites.

 

“A sociedade capitalista se caracteriza pela revolução constante dos meios de produção. Tudo está em perpétua transformação. Por isso é necessário traçar sua história, porque ela nunca é conclusiva. É um processo inacabado. O passado vai ser sempre objeto de novas aproximações”, disse.

 

Para o docente, o debate histórico, inclusive entre marxistas, é repleto de contradições e, por isso, muito rico, assim a disciplina História. Como exemplos, citou a história dos países árabes e islâmicos – objeto de uma de suas obras -, assim como as de povos latinos que tiveram sua história contada pelos colonizadores.

 

Com relação à situação crítica do Brasil, apontou que ainda haverá muita dificuldade para os trabalhadores. “As sociedades só se conscientizam de suas contradições quando entram em declínio. A coruja da sapiência só levanta voo no crepúsculo”, concluiu, acrescentando que a classe trabalhadora deve estar mobilizada e organizada para enfrentar e superar as adversidades.

 

América Latina Insurgente

 

Na segunda-feira, 17/02, segundo dia de debates, Coggiola desmistificou um pouco da história da chamada “esquerda” na América Latina, especialmente os governos tidos progressistas, reafirmando sempre a complexidade dos períodos históricos. “Nós tivemos governos nos quais as reivindicações econômicas se transformaram rapidamente reivindicações políticas. Por exemplo, os governos petistas podem ser considerados neoliberais na economia e sociais na política? Ora, não se pode fatiar um governo como um salame!”, ironizou.  

 

“A América Latina teve um dos maiores planos de toda a história da humanidade para tirar milhares de pessoas do nível de pobreza absoluta. Só que não por distribuição de renda, mas por aproveitamento de uma situação econômica. No Brasil, um quarto da população recebeu o Bolsa Família, cerca de 150 milhões de pessoas. A pobreza diminuiu, mas a criminalidade aumentou. O que houve? O que houve é que as pessoas ficaram menos pobres, mas sem emprego. Continuaram sem perspectivas. Os planos sociais foram burocratizados, delegados à Ongs”, criticou Coggiola.

 

Assim, um dos grandes erros dos partidos considerados de esquerda no Brasil foi a adoção de políticas clientelistas, em vez de criar as condições para inserir efetivamente a classe trabalhadora no trabalho. “A esquerda tem de participar da política para defender outra política”, afirmou o docente.

 

A Educação, no entanto, apareceu no debate como um importante papel na construção das condições para a insurgência de movimentos sociais no Brasil. Segundo o professor, isso se deve à enorme expansão do setor nos últimos 40 anos, superior a qualquer outro país da América Latina.

 

Por esse motivo é grande a disputa das classes pelo formato da Educação. Enquanto o neoliberalismo apoia o empreendedorismo, retirando as disciplinas históricas das grades curriculares, os movimentos sociais apontam a imprescindibilidade do conteúdo crítico. “Não precisa de história para abrir uma empresa. Mas a esquerda está perdida justamente porque não tem o referencial histórico que deveria”, disse o convidado.

  

A história é viva

 

“Não está nada morto”, defendeu Coggiola com relação ao pessimismo de algumas análises políticas. “O capitalismo não está morto, o PT não está morto, muito menos os movimentos sociais estão mortos, ou os trabalhadores estão mortos. Lutar contra o capitalismo faz a classe trabalhadora ser capaz de governar. E se o capitalismo cai sozinho, nasce qualquer outra coisa pior. A saída para o capitalismo por si mesmo é algo que pode acabar com a humanidade. É socialismo ou barbárie, como disse Rosa Luxemburgo. E para construir o socialismo é necessário planejamento e a classe operária consciente e organizada. Sem isso vamos para a barbárie”, garantiu. 

 

Graves crises ecológicas e o desaparecimento de parte do planeta foram algumas das consequências listadas pelo historiador caso os trabalhadores não reivindiquem as forças produtivas para si com o objetivo de construir o socialismo. 

 

O debate realizado com o professor Osvaldo Coggiola será disponibilizado no canal da Adufmat-Ssind e redes sociais, assim como uma entrevista aberta também realizada na sede do sindicato.  

 

 

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

Sexta, 07 Fevereiro 2020 15:34

A Adufmat-Ssind e o Fórum de Luta por Direitos e Liberdades Democráticas convidam toda a comunidade acadêmica para o ciclo de debates “América Latina Insurgente: um panorama da luta de classes”, que será realizado nos dias 14 e 17/02, sempre às 19h, no auditório do sindicato. Serão dois dias de reflexões a partir das provocações do professor convidado, Osvaldo Coggiola, da Universidade de São Paulo - USP.

 

Doutor em História, Coggiola lecionou na Universidade Nacional de Córdoba até junho de 1976, quando foi expulso por intervenção militar devido à sua atuação política. Foi reincorporado por meio de resolução do decano normalizador em 1984, mas em 1985 iniciou seu vínculo ao Departamento de História da USP. Em seu currículo são registrados trabalhos e conferências em diversos países do mundo, que o tornaram referência internacional para debates acerca dos temas Capitalismo, América Latina e Educação, sempre inspirado pela metodologia de análise marxista.

 

Na sexta-feira, dia 14/02, o professor fará um diálogo sobre as transformações das relações humanas na história das sociedades, tema do seu livro “Do Moderno ao Contemporâneo: uma história do mundo na Era do Capital” (2019), que será lançado na Adufmat-Ssind na ocasião.

 

Também são de autoria de Coggiola os títulos “Marx e Engels na História”, “América Latina: encruzilhadas da História Contemporânea”, “O Capital contra a História”, “Governos Militares na América Latina”, entre outros.  

 

Na segunda-feira, 17/02, o diálogo será sobre o tema do ciclo de debates - “América Latina Insurgente: um panorama da luta de classes”.

 

O evento é gratuito e aberto a todos os interessados. Haverá certificação.   

 

 

 

 

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

Quinta, 05 Dezembro 2019 17:29

 

A América Latina está em chamas e há um motivo central: os trabalhadores não suportam mais as condições de vida estabelecidas pelo neoliberalismo. Nos últimos meses, os protestos populares que nunca deixaram de existir se transformaram em verdadeiras rebeliões no Equador, Chile, Haiti, Bolívia, Colômbia, Venezuela, Paraguai, Peru, entre outros. A América Latina está no limite.   

  

Para refletir sobre esse contexto, a Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adufmat – Seção Sindical do ANDES-SN) convidou os estudiosos da América Latina Alair Silveira e Plínio Sampaio de Arruda Jr. Na noite de segunda-feira, 02/12, a cientista política, docente da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), e o economista, livre docente da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), dialogaram sobre o tema “Golpes de Estado na América Latina”.

 

Na arena do sindicato, professores, estudantes e trabalhadores - organizados ou não - interessados em compreender a movimentação internacional e pensar as perspectivas de mobilização no Brasil, em meio a um governo conservador econômica e politicamente, que todos os dias lança um novo ataque contra a população. Menos de um ano depois da eleição de Bolsonaro, os brasileiros já se vêm sem garantias de saúde, educação e previdência públicas, sem direitos trabalhistas, sem emprego, e agora assistem ao aumento dos preços de alimentos e outros itens básicos.

 

“Os países da América Latina têm suas particularidades, mas trazem em comum o processo de colonização, de concentração de renda e terra, de controle do Estado por meio de autoritarismos e ditaduras, que provocaram uma série de questões sociais. Os trabalhadores sempre tentaram se organizar para resolver esses problemas. A direita, ao contrário, se organiza para barrar as transformações políticas e econômicas necessárias para resolução desses problemas. Isso é o que polariza: há um grupo organizado pela revolução, ou seja, pela superação desses problemas sociais, e outro, conservador, pela contrarrevolução, que não quer mudar nada”, afirmou Plínio ao iniciar o debate.

 

Segundo o professor, as crises econômicas do capitalismo estão sempre presentes nos países de economia periférica, como os da América Latina. São crises latentes, que atingem cotidianamente a população mais pobre. Nesse momento, no entanto, quando a crise inerente ao capital se agrava em todo o mundo, manifesta nesses mesmos países o seu perfil agudo, precarizando ainda mais as condições de vida a partir da destruição de tudo o que os trabalhadores conseguiram conquistar. “Todo o esforço da classe trabalhadora é para deixar de ser colônia, e o impacto da crise é que ela aborta o processo de libertação. É como um parafuso reverso, retrocede, volta”, exemplificou.

 

Assim, chegamos à situação de saturação absoluta das condições de existência. A saída, para Sampaio, seria a definição e ampla defesa de um projeto político socialista, que questione o histórico de segregação e colonialismo, além do próprio capital. “A América Latina está numa encruzilhada. Ou nós fazemos a revolução, ou nós vamos virar uma neocolônia”, afirmou o docente.

 

 

Para Alair Silveira, essa é a grande questão das rebeliões atuais nos países latinos: são fortes, demonstram indignação, mas não são orgânicas. Não há direção, nem a defesa objetiva de um projeto político.

 

Nesse sentido, para a docente, é preciso encarar a discussão acerca do que foram as experiências dos governos progressistas que não enfrentaram o capital. A chamada “onda rosa” - que também é um ponto em comum entre os países da América Latina - deve ser problematizada, pois serviram de porta de entrada para a dinâmica de desestabilização atual que se deu, segundo a docente, sobre três eixos de crise: econômica, moral e política.

 

“A crise econômica, de recursos, neoliberal, incide na esfera política, atingindo diretamente o modelo de democracia constituído. A insatisfação abre espaço para manifestações de apelo moral, no qual discursos como o combate à corrupção aparecem de forma seletiva, localizada, ocultando práticas históricas. Dessa forma, o prejuízo político se estabelece no esforço de desqualificar os governos anteriores, progressistas, criminalizando movimentos sociais e as demandas da classe trabalhadora”, disse Silveira.

 

Com relação à Bolívia e ao Brasil, países nos quais concentrou as discussões da sua tese de doutorado, a professora considera que os processos políticos que resultaram na retirada dos presidentes foram distintos. “É preciso entender e expor que o governo Evo errou ao insistir num terceiro mandato depois de perder o plebiscito. O bom democrata é aquele que também sabe perder. No entanto, é inegável o que o governo fez naquele país, mantendo as taxas de crescimento do PIB em torno de 5% e efetiva inclusão social. A Constituição plurinacional, reconhecendo os povos originários, foi com certeza um dos maiores avanços, e o que enfrentou oposição mais violenta, porque o preconceito com a população indígena na Bolívia é imenso. E essa é uma configuração importante que diferencia o que ocorreu na Bolívia e o que ocorreu no Brasil: na Bolívia houve um golpe, com pressão das forças militares e desrespeito aos procedimentos institucionais para destituição do cargo. No Brasil, não”, avaliou.

 

A professora também destacou a diferença na defesa dos governos por parte da população. Na Bolívia, o processo foi radicalizado; já no Brasil, embora tenham mobilizado muitas pessoas, foram mobilizações pontuais e pacíficas. “Na Bolívia, a população foi para a rua radicalizada porque entendeu que o projeto do governo MAS era o seu projeto de sociedade. No Brasil as pessoas até entenderam que o governo eleito tinha legitimidade, mas não reconheciam o projeto como seu, ou seja, não havia hegemonia. O PT trabalhou pela manutenção do neoliberalismo, e as ruas estão cheias de pessoas insatisfeitas com o neoliberalismo”, afirmou a docente.

 

Após as diversas perguntas, Silveira e Sampaio encerraram o debate reforçando que a classe trabalhadora precisa de unidade em torno de um projeto político e não de nomes. “Defender um nome é deseducar a classe trabalhadora. Nós temos que pensar em projeto político e numa direção capaz de indicar os caminhos para esse projeto”, destacou Silveira.

 

Sampaio finalizou afirmando que somente por meio de intervenções populares será possível sair das mobilizações de forma vitoriosa, transformando de fato as relações existentes. Para isso, a classe trabalhadora terá de estar organizada e unida em torno de um projeto socialista.      

 

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

Terça, 26 Novembro 2019 09:29

 

 

 

Após quatro dias consecutivos de manifestações na Colômbia, a população organiza, para essa semana, mais uma série de protestos contra o governo de Iván Duque e a repressão policial contra os manifestantes e a população indignada em geral.

 

Na última quinta-feira (21), foi realizada uma forte greve geral com participação massiva de diversos setores do país todo.

 

Assim como ocorreu no Chile e na Bolívia, mesmo sob forte repressão os panelaços e os protestos de rua seguem com irredutível disposição.

 

Para essa segunda-feira (25), uma grande marcha foi organizada para denunciar a violência contra as mulheres, em virtude da data 25 de novembro, que traz o tema para debate.

 

Por dignidade e direito de viver – O setor de educação tem construído boa parte das mobilizações. Os movimentos de povos originários também participam ativamente dos atos, denunciando que, desde o início do governo de Duque, 134 indígenas já foram assassinados.

 

Lideranças de movimentos sociais também são alvos. Entre janeiro de 2016 e maio de 2019, de acordo com levantamento divulgado pela Defensoria Pública, 486 ativistas foram mortos.

 

Os protestos também mostram insatisfação popular com relação aos serviços públicos e aos projetos de reformas trabalhista e previdenciária.

 

Violência – Assim como ocorre no Chile, o presidente decretou toque de recolher e as polícias têm usado força desmedida e repressiva contra a população.

 

 

Um jovem de 18 anos, Dilan Cruz, foi internado em estado grave devido a lesão craniana.

 

Até esta segunda (25), oficialmente, o governo informou que há registro de três pessoas mortas. Organizações alertam que líderes comunitários, sobretudo nas zonas rurais, têm sido ameaçados e assassinados.

 

Fonte: CSP-Conlutas

 

Terça, 12 Novembro 2019 12:11

 

O aprofundamento do processo de polarização social que, em última instância, tem raízes na crise estrutural do capital, tem se manifestado de forma cada vez mais explícita. As últimas semanas mostraram uma aceleração assustadora dos eventos e uma agudização dos conflitos sociais na América Latina. De um lado, em alguns países latino-americanos, as lutas massivas e pequenas vitórias da classe trabalhadora, dos povos indígenas e de diversos setores oprimidos mandaram um recado para a extrema-direita e para o imperialismo. O caso mais emblemático é o do Chile e suas manifestações massivas repudiando o neoliberalismo e as políticas que fazem a classe trabalhadora pagar a conta de uma crise que ela não criou. Por outro, vimos como as intervenções imperialistas, o golpismo e a extrema-direita estão profundamente vivos em nosso subcontinente.

Os últimos eventos na Bolívia são alarmantes, devem ser acompanhados de perto e repudiados por todas as organizações da classe trabalhadora no Brasil. Trata- se do mais grave avanço da direita no subcontinente latino-americano. É um golpe de extrema-direita conformado por agentes imperialistas, militaristas e fundamentalistas que não esconderam seu racismo contra os povos indígenas ou sua agenda reacionária. Por isso, o ANDES-SN presta irrestrita solidariedade a todas e todos que lutam por direitos sociais e liberdades democráticas na Bolívia hoje.

O golpe na Bolívia não é apenas produto do esgotamento da política de conciliação de classes empreendida por Evo Morales, apesar de suas diversas
concessões à elite agroindustrial atuante no país, assim como a pacificação e cooptação de dirigentes sindicais e populares serem elementos que devem ser considerados na análise da vitória dos setores golpistas.

Ao vermos sindicatos sendo incendiados, bandos paramilitares agindo livremente contra líderes e comunidades camponesas e indígenas, a violência sexista contra a prefeita de Vinto, Patricia Arce, ou a bíblia sendo aberta sobre a bandeira boliviana no Palácio do Governo pelo líder dos setores mais reacionários da Bolívia, Luis Fernando Camacho; percebemos que o golpe de Estado é um avanço do imperialismo e das classes dominantes contra a classe trabalhadora, as mulheres e os povos indígenas. A vitória deste golpe certamente polarizará ainda mais as lutas em nossa região e pode servir como uma inspiração para os setores de extrema-direita no Brasil, que já sinalizam sua vontade de romper definitivamente com as liberdades democráticas asseguradas por nossa Constituição Federal.

O golpe ganha importância, também, porque na Bolívia atuam os diversos fatores que têm marcado a conjuntura internacional e que podem ser decisivos no desdobramento das lutas sociais no Brasil: com o aprofundamento da crise capitalista, as classes dominantes e o imperialismo têm efetivado sua agenda de austeridade por meio de forças de extrema-direita contra direitos das classes trabalhadoras e quaisquer conquistas de grupos oprimidos. A articulação de uma aliança entre fundamentalistas, militares, banqueiros, latifundiários e empresários tem resultado em situações políticas que são marcadas pelo método do confronto, violando liberdades democráticas e empregando a violência política com o apoio de grupos paramilitares.
Finalmente, a extrema-direita parece encontrar um ambiente mais favorável para a sua atuação: países em que os anos de conciliação de classes desarmaram a classe trabalhadora e os movimentos sociais para enfrentarem um período de crises e de neoliberalismo extremados.

O golpe na Bolívia, ainda, demonstra a importância do ANDES-SN aprofundar a construção de uma rede internacional de solidariedade e unidade com
outras entidades no subcontinente latino-americano. Os primeiros esforços começaram com o Seminário Internacional do ANDES-SN Universidade, Ciência e Classe em uma era de Crises, realizado nos dias 10 e 11 de abril; e apresentaremos para o nosso 39o Congresso outras medidas que possibilitarão avançarmos na construção de uma rede que possibilite ações mais concretas para fortalecer a luta internacional contra o golpismo e o imperialismo.

O aprofundamento da crise do capital tem mostrado a centralidade de envidar esforços para que a classe trabalhadora fortaleça suas organizações e derrote, nas ruas, os setores reacionários e conservadores, apoiados pelo imperialismo e patrões. O golpe na Bolívia deve ser visto por nós como um aviso sobre a necessidade de se avançar na construção de frentes unitárias, classistas e democráticas. É cada vez mais urgente que nos preparemos para enfrentar os ataques da extrema-direita. Nossa capacidade de nos organizarmos para a luta será fundamental na definição se seguiremos um caminho chileno ou um caminho boliviano, caso a polarização social se aprofunde no próximo período.

O ANDES-SN repudia o golpe de estado na Bolívia e se solidariza com todas e todos que hoje estão construindo a resistência contra a direita golpista, serva do imperialismo.

Pela unidade e soberania dos povos latino-americanos!


Contra o golpismo e o imperialismo!


Em defesa dos direitos sociais e das liberdades democráticas no Brasil, na Bolívia e no mundo!

 

Brasília (DF), 11 de novembro de 2019

Diretoria Nacional do ANDES-SN

Sexta, 25 Outubro 2019 18:18

 

Em vários países latino-americanos o povo está nas ruas demonstrando sua insatisfação. Na Bolívia, Equador, Haiti, Chile e Uruguai, manifestações tiveram como estopim motivos específicos, mas refletem a insatisfação de trabalhadores e da juventude com a situação geral de seus países.

Chile

Com um histórico de manifestações nos últimos anos em defesa da Educação e pela reestatização da Previdência Social, a população chilena voltou às ruas do país no último dia 18 de outubro contra o reajuste na tarifa do metrô de Santiago.

O presidente Sebastián Piñera recuou do aumento no dia 19. E decretou estado de emergência pela primeira vez desde o fim da ditadura militar de Augusto Pinochet, em 1990. O exército na rua, o toque de recolher e a violenta repressão não intimidaram a população. Os chilenos protestam contra os baixos salários, as tarifas elevadas, por melhorias no sistema de saúde e previdência e contra o alto custo de vida no país, que coloca hoje grande parcela da população em situação de miséria.

Mais de 1500 manifestantes já foram detidos e o governo confirmou a morte de 15 pessoas, sendo um dos mortos uma criança de 4 anos que foi atropelada. O Instituto Nacional de Direitos Humanos no Chile (INDH) confirmou relatos de casos de tortura de manifestantes por agentes do Estado.

Agressão física, moral e sexual, além da demora em encaminhar os detidos às delegacias, foram denunciados pelo INDH. A ONG também acredita que as 15 mortes confirmadas até o momento foram causadas pelas forças armadas chilenas.

Bolívia

O país começou a ter protestos durante a apuração das eleições presidenciais. Inicialmente, os resultados apontavam um segundo turno, e depois passaram a indicar mais uma reeleição de Evo Morales, a quarta em seguida. Os partidários do segundo colocado, Carlos Mesa, tomaram as ruas. Morales qualificou os atos como um golpe e decretou estado de emergência. A população que apoia Evo Morales também foi às ruas em defesa do presidente. Nessa quinta-feira (24), com 98,42% dos votos apurados, Morales anunciou sua vitória em primeiro turno.

Haiti

Desde o início do ano, os haitianos estão protestando contra as denúncias de corrupção que envolvem o presidente Jovenel Moïse. Além disso, a população vive uma situação de extrema pobreza, agravada em 2018, com elevada inflação somada à crise de eletricidade relacionada à escassez de gasolina.

Após uma pausa nos protestos, os manifestantes retornaram às ruas no mês passado e, desde então, milhares pedem a renúncia de Moise. Pelo menos 17 pessoas já morreram e 189 ficaram feridas nos confrontos, segundo a Rede Nacional de Defesa dos Direitos Humanos.

Equador

Nesse mês de outubro, o país enfrentou mais de 10 dias de protestos e estradas bloqueadas, depois que o presidente Lenín Moreno anunciou o fim do subsídio aos combustíveis, o qual existe há 40 anos. Com isso, houve uma alta de até 123% nos preços. A medida faz parte de um pacote de metas impostas pelo FMI.

O governo reprimiu com violência as manifestações, decretou "estado de exceção" e, depois, transferiu a sede do governo de Quito para a cidade de Guayaquil. A repressão deixou 7 mortos, 1.340 feridos e 1.152 presos, de acordo com a Defensoria Pública do Equador.

No dia 14, Moreno se reuniu com lideranças indígenas e anunciou que iria revogar a medida que cortava o subsídio.

Costa Rica

Na Costa Rica, um projeto de privatização e desmonte total das universidades públicas está sendo colocado em prática, o que motivou um levante dos estudantes que, com apoio de professores e reitorias, ocuparam os prédios das instituições. Atualmente, a universidade é pública, gerida pelo Estado, mas não é gratuita. Os estudantes pagam o que é denominado de taxa simbólica de manutenção e lutam pelo retorno da gratuidade.

O governo já sinalizou a intenção de cortar o Fundo Especial para Ensino Superior (FEES), utilizado para manutenção das instituições. O FEES tem aproximadamente 70 milhões de cólon costa-riquenhos (quase R$ 500 mil) e o ministério da Fazenda já determinou que o montante seja utilizado apenas com infraestrutura e vetou a destinação de recursos para ensino, pesquisa e extensão.

Segundo relato de docentes, o presidente tem feito reuniões com proprietários dos maiores grupos de ensino privado do país e não esconde a vontade de entregar as universidades públicas para a iniciativa privada.

Uruguai

No próximo domingo, além de eleger o presidente do Uruguai, a população irá se posicionar sobre uma proposta de reforma constitucional que visa endurecer a legislação criminal do país. Contra o plebiscito, milhares de uruguaios tomaram as ruas nessa terça (22).

A reforma prevê aumentar as penas de prisão para crimes graves, incluindo a adoção da "prisão perpétua" para os gravíssimos, a criação de uma guarda policial com efetivos militares, a permissão para batidas noturnas com autorização judicial e o cumprimento efetivo das condenações.

Insatisfação ecoa no continente

Além desses, outros países foram palcos de manifestações desde o início de 2019, como a Venezuela, o Peru, a Argentina e o Paraguai. No Brasil, a população foi às ruas em defesa da Educação Pública e contra os cortes promovidos pelo governo.

Após ameaçar o funcionamento das instituições federais de ensino, com a suspensão do repasse de recursos, o governo recuou após pressão das manifestações e greves estudantis, e garantiu a liberação de mais verbas. Porém, diversas instituições já anunciaram que não serão suficientes para o pleno funcionamento até o final do ano.

 

Fonte: ANDES-SN

Quinta, 24 Outubro 2019 17:33

 

 

 

Para ampliar e contribuir com o debate sobre a educação pública, gratuita e socialmente referenciada em âmbito internacional, o ANDES-SN lança a edição especial da Revista Universidade & Sociedade (U&S) – América Latina, com o tema: Educação Superior na América Latina.

No mês das professoras e dos professores, o Sindicato Nacional afirma que "em tempos de tantos retrocessos no Brasil, com tão grandes ataques à Educação, aos serviços e servidores (as) públicos (as), com a iminência de mais uma contrarreforma da educação superior, diante do nefasto programa Future-se, a revista traz o desafio de fazer os nexos entre o que se apresenta de forma imediata e o projeto que estrutura esses ataques. Por isso, é de fundamental importância analisar essa que é a operacionalização do projeto do capital para a educação superior na América Latina".

A Revista Universidade e Sociedade é uma publicação semestral, cujo intuito é fomentar as pesquisas, debates e experiências no âmbito da pesquisa acadêmica oriundas das experiências sindicais e sociais acerca de temas de relevância para as lutas empreendidas pelos docentes em busca de uma universidade pública, gratuita e de qualidade, em âmbito nacional e internacional.

Segundo Eblin Farage, secretária-geral do Sindicato Nacional, a revista especial é uma forma de expor a conjuntura de desmonte que a educação superior vem sendo alvo em vários países. "O ANDES-SN construiu essa revista especial para mostrar um pouco da realidade da educação superior na América Latina, a partir das imposições dos organismos internacionais e para possibilitar que a categoria identifique que, os ataques que nós estamos sofrendo no Brasil, fazem parte de um projeto internacional. E, que em alguns países, esse projeto já avançou muito, inclusive com a cobrança de mensalidades, desestruturação da carreira docente e desestruturação do sistema público e gratuito de educação superior. Então, é importante que reconheçamos esse projeto internacional que está sendo imposto na América Latina e que possamos construir formas de resistir para manter o atual sistema público, e melhorá-lo a ponto dele se tornar universal", afirma.

A edição impressa da edição especial da Revista será lançada no 39º Congresso Nacional do ANDES-SN, que será realizado em São Paulo, de 04 a 08 de fevereiro de 2020.

Clique aqui e leia. 

 

Fonte: ANDES-SN

Quinta, 26 Julho 2018 17:07

 


Não é apenas no Brasil que a educação pública e os docentes são atacados por governos e seus projetos de ajuste fiscal. Na Argentina e no Uruguai, há problemas semelhantes, e os docentes e servidores das universidades estão preparando paralisações e mobilizações para lutar por maiores investimentos públicos em educação e por reajustes salariais.

Na Argentina, a Conadu Histórica, sindicato de docentes universitários, anunciou que os professores não iniciarão as aulas do segundo quadrimestre, no dia 6 de agosto, devido à falta de respostas do governo às reivindicações da categoria. Os professores das universidades nacionais reivindicam 30% de reajuste para combater as perdas salariais geradas pela alta inflação no país. A manutenção da paralisação será avaliada em reunião no dia 10 de agosto.

Já no Uruguai, os sindicatos de docentes e servidores da Universidade da República (Udelar), junto com a Federação Estudantil, realizarão uma paralisação de 24h no dia 25 de julho, reivindicando o investimento de 6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país na educação pública.

 

Fonte: ANDES-SN (com informações da Conadu Histórica e Affur)