Terça, 09 Março 2021 12:34

Imagens: Heitor Gomes/ Adufmat-Ssind

 

Avenidas Marielle Franco e Olga Benário. Rua Sônia Guajajara. Praças Patrícia Galvão (Pagu) e Elza Soares. Quem passou pelo centro de Cuiabá nessa segunda-feira, 8 de março, teve a honra de transitar por esses locais. Praças, ruas e avenidas da cidade tiveram, pelo menos por algumas horas, nomes de mulheres revolucionárias que fizeram história no estado, no país e no mundo.

 

Essa foi a intervenção de coletivos feministas organizados para marcar o Dia Internacional de Luta das Mulheres Trabalhadoras - apesar da pandemia. O ato "Pela Vida das Mulheres: por auxílio emergencial, vacinação em massa, empregos e vida digna", que teve início às 8h na Praça Maria Taquara e terminou na Praça rebatizada Tereza de Benguela (até então, Alencastro), reivindicou vacina para todos e pelo SUS, a volta imediata do auxílio emergencial e vida digna.

 

“Hoje foi um dia muito importante, em que nós reunimos representantes de diversas entidades e coletivos de mulheres e rebatizamos os espaços públicos. Praticamente todas as ruas de Cuiabá têm nomes de homens, alguns deles militares, ditadores. Então, o 8 de Março promoveu simbolicamente a tomada de poder das mulheres, rebatizando a avenida Getulio Vargas, que virou Olga Benário [uma vítima do Getúlio, entregue aos nazistas em 1936], a Praça Alencastro virou Praça Tereza de Benguela [líder quilombola no estado, no século XVIII], e assim por diante. Por fim, substituímos os bustos das personalidades históricas de Mato Grosso que estão na Praça Alencastro por fotos de mulheres revolucionárias e camisetas do nosso ato, representando a tomada do poder das mulheres para uma sociedade radicalmente diferente, em que a vida seja a preponderância das nossas preocupações e investimento dos nossos recursos, e não os interesses de meia dúzia de homens ricos e mimados, acostumados com privilégios e a regerem a vida de uma nação inteira submetida aos seus interesses mais mesquinhos e vis”, explicou a diretora de Comunicação da Adufmat-Ssind, Lélica Lacerda.      

 

Para a docente, a data tem ganhado muita força pela internacionalização, e atraído a classe trabalhadora para a luta organizada até mais que do que o primeiro de maio. “É muito potente esse ato, porque a gente está na rua lutando e tem certeza de que, em todas as partes do mundo, há mulheres nas ruas lutando por causas importantes, que convergem. A gente bota nossa vida em risco para agitar essa data, porque a gente entende que precisa de uma mudança radical da sociedade, e são as mulheres que mais sofrem com a forma como essa sociedade está hoje”, acrescenta.

 

As políticas genocidas adotadas pelos governos brasileiros têm demonstrado a banalização da vida. Chegando a registrar quase duas mil mortes diárias por mais de uma vez, o Brasil continua a promover um extermínio interno, e a representar uma ameaça externa. Um ano após o anúncio da pandemia pela Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 266 mil pessoas já perderam a vida no país oficialmente – sem contar os casos não confirmados -, e o chefe de Estado brasileiro além de não investir na política de vacinas, considera que o pavor da morte e a dor de quem perdeu familiares são, em suas palavras, “mimimi”.  

 

Nesse momento, não há vagas na nas Unidades de Tratamento Intensivo em praticamente todas as regiões do país, a precarização sistemática do SUS reflete sobre a enorme demanda por atendimento, e o Governo Federal resiste em garantir o auxílio emergencial para milhares de desempregados. São as mulheres, especialmente as chefes de família, que mais sofrem com este cenário. Em setembro de 2020, a taxa de desemprego entre as mulheres era de 16,9%, enquanto entre os homens era de 11, 8%. Boa parte das mulheres empregadas trabalha na área da Saúde – chegaram a ser 65% no ano passado, segundo o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS). Ou seja, as mulheres estão mais expostas à doença, considerando também que são a maioria da força de trabalho na área da limpeza e alimentação. Além de tudo isso, os números de feminicídio e violência doméstica aumentaram expressivamente – em Mato Grosso, aumentou em 300% os casos de estupro, que alguns jornais denominaram “atos sexuais sem permissão”.

 

São as mulheres que mais estão sofrendo com a pandemia. São as mulheres que se organizam, historicamente, para reivindicar profundas mudanças sociais. As mulheres fizeram e fazem história no Brasil e no mundo, demonstrando que suas demandas não são “mimimi”. No 8 de Março de 2021, num mundo arrasado por questões sanitárias, mais uma vez, as mulheres apontam a necessidade de construir um outro percurso para a história.     

 

GALERIA DE IMAGENS 

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

Segunda, 08 Março 2021 10:21

 

 

 

FORA BOLSONARO E MOURÃO!

 

Em todo mundo as mulheres irão cerrar seus punhos e gritar contra a opressão e a exploração capitalista. No Brasil não será diferente. Neste 8 de março de 2021 as máscaras, que nos protegem da contaminação da Covid 19, não irão abafar a nossa voz e a nossa luta. Mulheres trabalhadoras de diferentes raças, etnias, orientação sexual e territórios estarão mobilizadas nas redes sociais e nas ruas (onde for sanitariamente possível) para exigir o Fora Bolsonaro e Mourão, já!

 

Sabemos que para nossa classe sobreviver é necessário e urgente derrubar este governo e a sua política capitalista de morte. O projeto socioeconômico planejado e consciente de Bolsonaro e sua corja combina, de forma violenta, o ataque aos direitos historicamente conquistados pela luta e a negação da ciência. Sua aliança com os setores fundamentalistas e conservadores que mercantilizam a fé do povo e se fazem presente, especialmente no parlamente brasileiro, ameaçam e ferem a existência dos segmentos mais explorados e oprimidos da nossa classe, especialmente as mulheres negras e pobres. O Estado mostra, sem máscaras, a sua face burguesa priorizando o lucro e não as vidas.

 

Os dados científicos e a “vida como ela é” escancaram o agravamento das desigualdades sociais, raciais, regionais e de gênero em um país que desde a invasão europeia, em 1500, foi se constituindo com estruturantes pilares racistas, machistas, xenófobos e LGBTfóbicos. A crise sanitária acirrou a crise econômica, política e social. As notícias falam do aumento da pobreza, do desemprego, do trabalho informal sem proteção social, sem direitos, da violência policial que assassina crianças e jovens negros/as da periferia. Falam do aumento do feminicídio, da violência contra as mulheres, falam de cerca de 260 mil vidas ceifadas, negligenciadas pelo Estado. Na vida real, cotidiana, sentimos na pele o rebaixamento dos salários, a perda da renda, o aumento do gás, da comida, do adoecimento, do horror.

 

A violência obstétrica e a falta de investimentos públicos na política de atenção à saúde mulher fazem com que faltem leitos, medicação gratuita, acompanhamento pré-natal, vacinas. E fazem com que o Brasil lidere em número de óbitos de mulheres gestantes e puérperas pela Covid-19. Enquanto isso, o governo persegue o direito mínimo de aborto legal existente no país, condenando milhares de mulheres à prisão e à morte.

O país também lidera o ranking mundial em assassinatos de mulheres trans e travestis, com aumento dos crimes de ódios contra a população LGBTQIA+, assim como o crescimento da violência policial e encarceramento da população negra. Na política genocida desse governo, os povos indígenas e quilombolas seguem sendo exterminados, com a expulsão de seus territórios, crimes ambientais, o assassinato de suas lideranças e a deteriorização das suas condições de vida.

 

A crise sanitária também colocou no centro do debate a necessidade de sempre defendermos os serviços públicos (saúde, educação, previdência, assistência social, dentre outros). Nossa luta exige a revogação da Emenda Constitucional nº95, que ao congelar os recursos das políticas sociais por 20 anos, impede a população de ser atendida com qualidade e na perspectiva do direito. É urgente a revogação das reformas trabalhista e da previdenciária se queremos nos manter vivas e em marcha na construção de dias melhores. É urgente também barrarmos a proposta de reforma administrativa que se configura na total destruição dos serviços e dos servidores/as públicos/as. Derrotar o projeto privatista é questão de vida ou morte para nossa classe.

 

As mulheres também são aos maiores usuárias dos serviços sociais públicos, especialmente dos programas/projetos da assistência social. Nesse sentido, a volta do auxílio emergencial é fundamental para garantir comida nas mesas das famílias brasileiras, sobretudo, daquelas chefiadas pelas mulheres. Mesmo sendo uma renda aquém das necessidades básicas da população, o fim do auxílio emergencial levou um terço da população para a pobreza.

 

O contexto da pandemia tornou mais evidente a importância do Sistema Único de Saúde (SUS). Embora o maior número de mortes pela Covid 19 tenha sido de homens, é fato, que são as mulheres que mais sentiram os impactos da pandemia ao terem intensificado o seu trabalho, o trabalho doméstico não remunerado e o trabalho com os cuidados de crianças, idosos, e familiares doentes. São as mulheres que estão na linha de frente do combate à Covid. As mulheres estão em maior número dentre os trabalhadores da saúde e seguem se arriscando todos os dias à negação dos seus direitos, à violência machista, ao vírus.

 

Assim, as bandeiras pela popularização da vacina, pela quebra das patentes, pelo investimento público no SUS e na pesquisa científica serão erguidas neste 8 de março. Também levantaremos a bandeira de que o retorno presencial das aulas ocorra somente após a vacinação de todas/os. A escola é lugar de vida e não de morte.

 

Por tudo isso, é que devemos construir esse 8 de Março com muito peso e muita luta, de norte a sul do país, com o conjunto das trabalhadoras à frente, mas convocando os homens trabalhadores a também se somarem na luta contra o machismo, contra o governo e contra o capitalismo!

 

Acesse em PDF (Manifesto Mulheres – 8M2021 – CSP Conlutas)

 

 

 

Fonte: CSP-Conlutas

Segunda, 01 Março 2021 14:58

 

Quinta-feira, 04/03, às 19h, a Live da Adufmat-Ssind será uma preparação para o 8M de 2021. Sob a mediação da professora Lélica Lacerda, as convidadas Patrícia Acs (coletivo Mulheres Resistem) e Clarianna Martins (Coletivo Sinop para Elas) debatem sobre o tema "Pela Vida das Mulheres: por auxílio emergencial, vacinação em massa, empregos e vida digna".

 

O debate será transmitido pelos canais oficiais da Adufmat-Ssind no Youtube e Facebook.

 

Não percam! Participem da Live enviando perguntas e comentários. Pela vida das mulheres!

 

Link para o Facebook: https://www.facebook.com/adufmat/videos/486272192546772

Link para o Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=wC9rBPpGDlU

 

Confira abaixo o manifesto do movimento Mulheres na Luta

 

Após um ano de pandemia, além do grande saldo de mortes que nos deixa consternadas e em luto, nós mulheres ainda vivenciamos as diversas consequências da vida em pandemia e de uma série de políticas genocidas. Em nome de lucros e de um Estado administrado em favor de outros interesses que não os da população mais carente, nossas vidas foram colocadas em perigo e a miséria e a precarização de nossos trabalhos e salários tomam conta da realidade brasileira. Nós mulheres estamos enfrentando os ataques de um governo genocida, além de nos virarmos para dar conta de todas as demandas que vieram com a pandemia e o isolamento social necessário para a proteção da vida.


Sem dúvidas, fomos nós mulheres as mais atingidas por toda essa série de dificuldades: o número de feminicídios e da violência contra a mulher aumentaram assustadoramente durante o isolamento social; estamos vivendo jornadas duplas e triplas, com o trabalho, as tarefas relacionadas ao acompanhamento das/dos filhas/os, os cuidados com os familiares acometidos pela COVID19; estamos nos arriscando mais nas linhas de frente na saúde e nos trabalhos que não puderam ser remotos, assim como nos viramos em mil para dar conta do teletrabalho; somos as mais ameaçadas pelo abandono dos povos indígenas e quilombolas em meio à pandemia ou pelos ataques e retiradas de suas terras; fomos as mais demitidas ou as que mais precisaram recorrer ao trabalho informal; somos as mais atingidas com as reformas que retiram verbas e políticas de proteção social – como a reforma administrativa ou a PEC Emergencial, que afeta a Saúde e a Educação; somos as mais atingidas com a miséria que estamos passando – com aumento dos preços dos alimentos, energia, gás. Tudo isso atinge diretamente nossas vidas!


Por isso, não poderíamos deixar de manifestar nossas vozes neste 8 de março! Pela vida das mulheres, auxílio emergencial, pois estamos sobrevivendo sem o básico para garantir nossa subsistência! Pela vida das mulheres, vacinação em massa, pois a população mais pobre, preta e periférica está morrendo de COVID19 todos os dias! Pela vida das mulheres, empregos que garantam condições de trabalho e salários dignos! Pela vida das mulheres, merecemos vida digna: com renda justa, educação de qualidade – não ao fechamento de nossas escolas –, SUS fortalecido para a população, comida para todas/os, direitos trabalhistas garantidos, previdência e aposentadoria dignas, direitos de andarmos livremente pelas ruas, direito de não sermos assassinadas por sermos mulheres, direito de não sermos estupradas – seja na rua, seja em casa –, direito sobre nossos corpos!


Convocamos coletivos, organizações e as mulheres de Mato Grosso para somar forças nesta luta que é de todas nós! Venha participar do 8M e das lutas da mulheres!

Mulheres na Luta – 8M Mato Grosso

Sexta, 06 Março 2020 16:52

 

O Ato será às 16h, na Praça Ulisses Guimarães (em frente ao shopping Pantanal), e contará com diversas atrações culturais locais  

 

O 8 de Março tem se consolidado como Dia Internacional de Luta das Mulheres, e não apenas um dia especial para as mulheres. Em todo o mundo, as manifestações têm sido cada vez mais politizadas, conscientes de que ainda há muita coisa a mudar. As vitórias femininas são, sim, motivos de orgulho. No entanto, sobreviver aos altos índices de feminicídio, à objetificação, ao mercado de trabalho desigual e às jornadas triplas não são vitórias a serem comemoradas, tal qual um jogo. Esses obstáculos, definitivamente, não devem mais existir na vida das mulheres.

 

Para denunciar a persistência desse cenário, agravado pela atuação desastrosa de um governo de ideias retrógradas, as mulheres de Cuiabá irão às ruas neste domingo, junto a milhares de outras trabalhadoras do mundo. A organização local é do coletivo Mulheres na Luta, que constrói cotidianamente atividades para pautar temas feministas em diferentes espaços, além de mobilizações. A Adufmat-Ssind é uma das entidades que contribui com a organização do 8 de Março, junto ao coletivo.

 

“O local foi escolhido pela simbologia. A Praça Ulisses Guimarães leva o nome de quem promulgou a Constituição Federal de 1988, que é diariamente rasgada pelos governos, massacrando direitos, e essa mesma praça foi o local do ato “Ele Não”, realizado em 2018. Ocupar essa praça vai ser uma demonstração de que as mulheres não cederão ao militarismo e à violência”, explica a diretora da Adufmat-Ssind, Lélica Lacerda.

 

“Este ano, nós, mulheres aqui de Mato Grosso, iremos participar do 8M internacional. Como a gente não poderia deixar de fazer, vamos pisar o pé na rua, levar nossa voz à rua. Porque depois da Reforma da Previdência, Reforma Trabalhista e agora Reforma Administrativa, nós não poderíamos deixar de ir às ruas dizer que nós queremos a revogação das reformas, somos contra a Reforma Administrativa, que têm atingido a vida dos trabalhadores, mas diretamente a vida das mulheres. Além disso, as taxas de feminicídio têm crescido assustadoramente de 2018 a 2020, e isso a gente precisa mostrar, a gente precisa dizer para todos”, afirmou Patrícia Acs, do Mulheres na Luta.

 

Acs destacou ainda a importância da atividade nos últimos anos, sua capacidade de agregar mulheres de todo o mundo e movimentar politicamente a partir das pautas e discussões dos últimos 8 de março. “O 8M 2020 vem com toda a força, toda a resistência que nós mulheres temos mantido nessa luta”, acrescentou.  

 

Agenda

 

A programação do chamado 8M já começou. Nessa sexta-feira, 06/03, mulheres foram ao Posto de Saúde do bairro Jardim Renascer para uma Roda de Conversa sobre o protagonismo das mulheres.

 

Também na sexta e na quinta-feira foi realizado o Encontro de Mulheres pela Vida: discussão sobre feminicídio e violência contra a mulher, no auditório do Museu Rondon/UFMT, às 18h.

 

No sábado, 07/03, às 8h, haverá a Marcha Rosa – MT Mama, com o tema “Quem tem câncer não pode esperar”, justamente num momento em que o Hospital do Câncer anuncia que não atenderá mais pacientes por falta de recursos. A concentração será na Praça Alencastro.

 

Dia 08/03, Ato às 16h, na Praça Ulisses Guimarães, com diversas atrações culturais.

 

Entre as atrações culturais, devem se apresentar Nay Silva, Lua Brandão, Nega K. Bulosa, Luisa Lamar, Karola Nunes, Josi Crispim, Carla Vecchia, Hend, Aline Fauth, Anne Duarte, Renata Crizanto e Cena Livre.

 

Ainda no dia 08/03, também às 16h, a Adufmat-Ssind expõe o painel “Não somos números”, na edição desse ano do Samba das Pretas. Serão exibidas imagens de mulheres conhecidas pelo trabalho na arte, na ciência, na política, entre outros, além de mulheres que foram vítimas de feminicídio no estado.  

 

No dia seguinte, 09/03, as mulheres se reunirão no Auditório da Adufmat-Ssind, às 19h, para avaliar o ato e continuar a organizar as próximas atividades.

 

Para marcar mais um ano sem respostas sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e Anderson Gomes, as mulheres programam um evento no dia 14/03. O ato “Quem Matou Marielle Franco e Anderson Gomes?” ainda tem local e horário a definir.

 

No dia 27/03, haverá nova Roda de Conversa sobre o protagonismo das mulheres, dessa vez no Posto de Saúde do bairro Pedregal.

 

Manifesto

 

Para marcar o 8M 2020, o coletivo Mulheres na Luta divulgou um manifesto, disponível abaixo na íntegra.

 

MANIFESTO PELA VIDA DAS MULHERES


No dia 8 de março, voltaremos às ruas mais uma vez!

Nas pequenas vilas, distritos, municípios e grandes metrópoles; nas casas, nas fábricas, locais de estudo, nas vielas e ruas, onde houver uma mulher, haverá, como sempre, luta, resistência e reivindicação! Os tons de nossas vozes, mais uma vez, se erguerão contra os retrocessos do conservadorismo e reacionarismo que mais se sub-servem do sistema patriarcal para nos retirar direitos políticos, sociais, culturais e econômicos, expondo nossa frágil democracia. Estamos no estado do agronegócio, e este é um dos estados que mais matam mulheres. O estado do agro atinge a vida das mulheres quando o dinheiro público, que deveria ser investido em serviço público para melhor atender à população, escorre pelo ralo das isenções fiscais bilionárias dadas ao agronegócio; o estado do agronegócio mata mulheres quando privilegia o agrotóxico em detrimento da vida de mulheres e crianças; mais mata mulheres quando o poder público ignora nossas vidas e não investe seriamente em políticas públicas contra violência às mulheres e os feminicídios.

Como nos anos anteriores, no dia 8 de março, também comemoraremos as conquistas que se consolidam com sufrágio, participação política, com a relativa autonomia sexual e reprodutiva, com acesso ao trabalho. Mas, buscaremos, sobretudo, fazer deste dia um grande dia de mobilização e articulação de mulheres de todas as idades, regionalidades, sexualidades, raças e identidades de gênero/ sexual e de diferentes setores da sociedade em torno de pautas comuns e que nos são muito caras.

Nossas bandeiras se levantam pela luta contra a violência doméstica, de gênero e estrutural, que nos têm feito “alvos” em nossos próprios lares; pela legalização e descriminalização do aborto, que, a cada 1 minuto, é feito de forma clandestina e é o 5º maior causador de mortes  maternas no Brasil; pela equiparação e equidade salarial que, dada a desigualdade, precariza nossas condições de trabalho, emprego e renda; pela aposentadoria digna e justa, pois, no ciclo de vida que exige maior cuidado e intervenção do Estado, somos expostas à marginalização social e econômica, que através das jornadas contínuas e ininterruptas  de trabalho, associadas ao cuidado/doméstico, ou seja, trabalho não remunerado, imputa-nos uma redução na qualidade e expectativa de vida. Assim, lutamos pela revogação da reforma da previdência e trabalhista e nos posicionamos contra a reforma administrativa, que fragilizará ainda mais os direitos sociais que, hoje, sucateados, são, equivocadamente, apresentados como “benefícios”. Lutamos por uma vida digna, cada vez mais difícil com o aumento do custo de vida; vivenciamos o aumento da comida, do gás, da carne, energia, da água, do aluguel, daquilo que é necessidade básica na vida das mulheres mais vulneráveis economicamente. Uma vida digna significa uma vida sem as grandes dívidas feitas para manter o básico do dia a dia, dívidas geradas por um mercado que visa ao lucro acima das vidas humanas; uma vida digna é ter garantidos os direitos à Saúde e Educação públicas e de qualidade; ter uma vida digna é ter acesso às creches públicas, uma vez que, em Mato Grosso, apenas 30% da demanda é contemplada pelo poder público; ter uma vida digna é ter resguardado o direito a salários que não estejam desgastados, a uma previdência mais justa e condições de trabalho mais humanas – o que não nos é oferecido, principalmente, no setor das empresas terceirizadas, em que as mulheres são maioria e os salários e direitos são os mais precarizados.  

Temos o direito de viver uma vida livre de qualquer tipo de violência, agressão física, violação e abusos sexuais, mas o Estado Brasileiro, através do atual governo (Jair Bolsonaro), e sua prática machista, racista, misógina e LGBTfóbica, nos expõem e nos colocam num “lugar frágil” e, por isso, vulnerável. A recente fala misógina do presidente em relação à denúncia de uma jornalista de um jornal de grande circulação nacional o coloca como nosso inimigo número 1. Temos um governo que, com seu discurso, justifica e incentiva a violência contra as mulheres, uma vez que prega o machismo em seus pronunciamentos e o aplica em suas políticas de redução de direitos – “mulheres devem ganhar menos porque engravidam”; “mulheres podem ser estupradas”; “homens de outros países podem vir ao Brasil fazer sexo com as brasileiras”, como se fôssemos apenas carne, objeto, sexual. E é nessa mesma linha que se colocam as arbitrariedades da ministra Damares, que, por meio de discursos que querem se fazer de alucinantes, aliena toda a população daquilo pelo que verdadeiramente lutam os movimentos feministas e de mulheres. Embora os índices de feminicídios e violência contra as mulheres estejam aumentando de modo assustador, temos uma ministra que tenta negar essa violência e a nossa necessidade de igualdade; temos um governo que tenta destruir os direitos que conquistamos com muita luta.

Nossa saída é nossa organização e nossa luta! E é isso que queremos mostrar neste 8 de março!

Não podemos mais esperar! Contra a violência mantida pelo estado patriarcal! Por direitos! Por uma vida digna! Pela vida de todas nós!

“Pela vida das mulheres: contra a violência e autoritarismo, por direitos e uma vida digna!”

                                                                                                        

Cuiabá, 8M 2020

Mulheres de Mato Grosso na Luta!

 

 

 

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

             

Terça, 03 Março 2020 12:16

 

 

 

Ao longo de todo o ano de 2019 as mulheres participaram ativamente das manifestações da classe trabalhadora, cumprindo papel de destaque no enfrentamento dos governos e da repressão.

 

Foi assim no movimento dos coletes amarelos na França, nos diversos dias de luta contra os ataques de Bolsonaro no Brasil, nas mobilizações dos países do Oriente Médio e na América Latina, com destaque para as manifestações no Chile.

 

As mulheres também participaram de lutas para denunciar a crescente violência machista e os casos de feminicídio como aconteceu no México e na Argentina. Em vários idiomas e com a mesma performance, gritaram bem alto que “o violador é o Estado, a polícia e são os governos” ecoando a realidade de mulheres estupradas pela polícia de Piñera, no Chile, mas deixando evidente que essa situação é naturalizada em todos os países.

 

No Brasil, os números de assassinato de mulheres triplicarem em algumas cidades e o governo reduziu a zero os investimentos nas políticas de atenção às vítimas de violência. De 2015, ano em que foi criada a Lei do Feminicídio, a 2018, esse aumento foi ainda maior: 62,7%. A maior parte das vítimas (61%) são mulheres negras.

 

As políticas apresentadas pela ministra da família, mulher e direitos humanos – Damares Alves – deixam evidente que o governo Bolsonaoro não tem nenhuma responsabilidade com a vida das mulheres. A secretaria da mulher, que é parte do ministério de Damares, teve uma redução de R$119 milhões para 5,3 milhões em seu orçamento. A campanha de abstinência sexual na adolescência significa, por um lado, reproduzir um discurso conservador que não se configura como política pública, uma vez que se exime de garantir o acesso a informação e a educação sexual a milhares de jovens, e por outro reforça a responsabilização das vítimas pela violência que sofrem, já que aproximadamente 54% das vítimas de violência sexual no Brasil têm até 13 anos, portanto elas não são consultadas quanto ao interesse em iniciar a vida sexual.

 

Além disso, o governo segue aprofundando ataques aos direitos trabalhistas e às liberdades democráticas. A Reforma da Previdência colocou as mulheres em uma condição de maior desigualdade e vulnerabilidade, enquanto que a crise no funcionamento do INSS tem deixado milhares de trabalhadoras sem acesso ao salário-maternidade.

 

Da mesma forma que o discurso de ódio, misógino, racista e LGBTfóbico do presidente e seus aliados, assim como os atos de censura e restrição das liberdades têm exposto as mulheres negras, indígenas, imigrantes, lésbicas, bissexuais e transexuais a um maior grau de violência e discriminação.

 

Os governos estaduais e municipais seguem o mesmo caminho de Bolsonaro, aplicando reformas previdenciárias tão ou mais nefastas que a do presidente. Inclusive, os projetos estão sendo encaminhados mesmo por governantes de partidos que se apresentam como oposição ao governo Federal. É o caso do governo de Rui Costa, na Bahia, e de Fátima Bezerra, do Rio Grande Norte, ambos do PT, além de Flávio Dino do PCdoB no Maranhão.

 

Em diversos países o movimento de mulheres e entidades representativas da classe trabalhadora já se manifestou pela convocação de uma Greve Geral alusiva ao 8 de março pela vida, pelos direitos das mulheres e pela legalização do aborto.

 

É necessário combater o machismo para unificar a classe e que, nesse sentido, precisamos ter política para mobilizar as mulheres a se organizarem contra a opressão e política para convencer os homens trabalhadores a se colocarem ao lado das mulheres, rompendo com seus privilégios machistas e assumindo as demandas das mulheres trabalhadoras como tarefa de toda a classe.

 

No Brasil, o ano teve início com algumas categorias se colocando em movimento para enfrentar os ataques do governo Federal e dos demais governos, como a greve em curso de petroleiros, da educação de MG e PI, do Dataprev e a greve de 48 horas dos servidores do Rio Grande do Norte, a forte greve dos servidores do RS, da Casa da Moeda e as campanhas em curso contra as privatizações, como a dos Correios. Além disso, tem o chamado para o dia nacional de luta pelo funcionalismo público federal e Greve Geral da Educação no dia 18 de Março.

 

Neste sentido, as mulheres organizadas na CSP-Conlutas defendem um chamado internacional de Greve Geral pela vida e pelos direitos das mulheres.

 

As entidades sindicais e os movimentos de nossa central devem assumir papel ativo na luta contra o machismo.

 

Para isso, a orientação é para que  os sindicatos e movimentos sociais a realizarem atividades nas suas bases, dentro do calendário entre 6 a 9 de março, como assembleias, atrasos de troca de turnos, paralisações parciais ou totais, palestras e rodas de conversa sobre a condição das mulheres trabalhadoras na sociedade capitalista.

 

Participar das reuniões preparatórias e dos atos do 8 de Março que já estão em curso em todo o país, o dia de luta das mulheres pode e deve servir de alavanca para as lutas que se organizam, as entidades devem disponibilizar toda sua estrutura para isso, dando uma batalha para resgatar o caráter classista da data, batalhando pela visibilidade das mulheres trabalhadoras mais precarizadas, em especial as periféricas, evitando que as manifestações se reduzam a palanque eleitoral.

 

Apesar de o 8 de Março deste ano ser no domingo, é fundamental que  essa data seja um dia de luta e enfrentamento de todos os governos que oprimem e exploram, seguindo a tradição de sua origem, visto que nada há para  comemorar. É preciso não deixar de mobilizar o conjunto das mulheres da classe para se juntar ao calendário de lutas que o ano de 2020 exige.

 

Resolução aprovada na Coordenação Nacional da CSP-Conlutas sobre o 8 de Março

 

Fonte: CSP-Conlutas

Segunda, 12 Março 2018 11:47

 

Milhões de mulheres saíram às ruas de todo o mundo na quinta-feira (8), Dia Internacional de Luta das Mulheres Trabalhadoras, para exigir o fim da violência e do machismo, contra a desigualdade, entre outras reivindicações.

 

Entre as maiores manifestações do mundo estiveram as das mulheres da Espanha, da Argentina, da Turquia e do Uruguai. Na Espanha, as centrais sindicais convocaram um dia de greve e mais de seis milhões de pessoas cruzaram os braços. Gigantescas manifestações foram realizadas em cidades como a capital Madrid, Barcelona, Sevilha, Bilbao, entre outras. Na capital argentina, Buenos Aires, meio milhão de pessoas marcharam até o Congresso Nacional, onde essa semana foi apresentado um projeto de lei que busca legalizar o aborto. Grandes marchas também ocorreram em cidades do interior, como Mendoza, Córdoba e Rosário.

 

Na Turquia, centenas de milhares se manifestaram mesmo com a repressão do governo de Recep Erdogan. Cercadas por forças policiais turcas, as mulheres do Curdistão também realizaram grandes manifestações. Em Montevidéu, capital do Uruguai, a marcha tomou conta das ruas do centro da cidade, e houve greve de trabalhadores da educação e de servidores municipais. Outros países, como México, Chile, Estados Unidos e França também registraram grandes manifestações.

 

No Brasil, houve manifestações em mais de 50 cidades. As seções sindicais do ANDES-SN participaram dos atos e organizaram atividades alusivas à data. Além de exigir direitos, as mulheres brasileiras que se manifestaram no 8M também criticaram ações do governo, como a Contrarreforma Trabalhista e a Lei das Terceirizações, que aumentam a precarização do trabalho e atingem, de maneira mais dura, as mulheres. Críticas à intervenção militar no Rio de Janeiro também foram ouvidas nos atos de norte a sul do país.

 

Caroline Lima, 1ª vice-presidente da Regional Nordeste III do ANDES-SN e da coordenação do Grupo de Trabalho de Política de Classe para questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS), avalia que o saldo do 8 de Março foi positivo e ressalta que as manifestações chegaram, no Brasil, a cidades menores de interior. “Esse ano tivemos um maior número de municípios com mobilizações, muitas delas com presença de seções sindicais do ANDES-SN”, afirma a docente.

 

“O crescimento mundial das mobilizações de 8 de Março é resultado do avanço da presença de feministas nos espaços políticos, no movimento sindical, nos movimentos sociais. O avanço do conservadorismo deu mais combustível para a mobilização das mulheres do mundo todo”, comenta Caroline. A diretora do ANDES-SN destaca, ainda, a presença de mulheres de diversas gerações nos atos de 8M, o que demonstra a importância da construção da unidade de ação entre os diversos movimentos.

 

Leia também

Mulheres vão às ruas contra a violência, o machismo e os ataques dos governos 

  

Fonte: ANDES-SN

Sábado, 10 Março 2018 13:15

 

A historiadora Virgínia Fontes, professora da Universidade Federal Fluminense, encerrou as atividades do Dia Internacional de Luta das Mulheres em Cuiabá, 08/03, com o debate “Capital Imperialismo e Atual Conjuntura”, a convite da Associação dos Docentes da UFMT (Adufmat – Seção Sindical do ANDES-SN). Depois de um dia inteiro de mobilização das mulheres trabalhadoras em todo o mundo, as reflexões sobre as estratégias de organização e resistência à retirada de direitos amarraram uma ideia cada vez mais evidente nos movimentos sindical e popular: não há alternativa que não a luta autônoma e classista.

 

Para analisar a conjuntura, o debate considerou elementos que proporcionaram a expansão do capitalismo, em especial, nas décadas de 1950, 1960 e 1970. “Nesse período, a partir de movimentações internas e externas favorecidas pela Segunda Guerra Mundial, o Capital desenvolve uma escala enorme de centralização e concentração”, explicou a docente.

 

Esse processo significou uma verdadeira tragédia para os países de economia dependente, como o Brasil, uma vez que o capitalismo se solidifica em sua versão mais avançada e violenta, por meio do projeto neoliberal. A profunda desigualdade social e as dificuldades de organização da classe trabalhadora sofrem influência direta desse histórico.

 

Nesse sentido, as ferramentas desenvolvidas para controlar as sociedades em diferentes aspectos aparecem de forma incisiva. “Por exemplo, a Globo é conhecida como empresa de comunicação, mas ela é só uma parte. O mesmo grupo detém a Fundação Roberto Marinho, que integra a Associação Brasileira do Agronegócio, possui terras, faz pesquisas na área rural, realiza produções culturais, enfim, controla uma série de outras empresas em diversas áreas. Essa fundação também atua diretamente nos locais onde os movimentos populares se formam para evitar que as lutas se tornem classistas. No Rio de Janeiro, se aliou ao então governador Sérgio Cabral para desenvolver um projeto na educação pública, alijando uma parte dos estudantes com dificuldades - colocados em turmas não numeradas, para aumentar o Índice Brasileiro de Educação Básica e conseguir mais recursos públicos. Eles fizeram isso para implantar sistema gerencial privado nas escolas públicas, contratando professores sem direitos, entre outras coisas”, afirmou Fontes.

 

A docente destacou que essa não é uma relação casual ou despropositada. “Nós temos hoje, pelo menos 70 entidades empresariais atuando diretamente na educação pública, devastando as conquistas dos trabalhadores”.

 

Dessa forma, a relação entre Estado e Capital evidencia que o discurso voltado para o “estado mínimo” não é real. O Estado pensado pela social democracia, que desenvolveu políticas universais, apenas transfere o foco do público para o privado, privilegiando políticas que favoreçam a iniciativa privada e a lógica de mercado. Portanto, não diminui.

 

Essas experiências de conciliação de classes também apresentam, de acordo com as ideias apresentadas no debate, outra questão essencial. Embora tenham atendido as populações em determinados momentos históricos, a não ruptura com todas as esferas do Capital acabou dando espaço para investidas violentas para a retirada dos direitos conquistados. “A social democracia levou ao fascismo; uma nova social democracia desembocou no neoliberalismo, e agora, o que virá depois do que chamam social liberalismo? É possível evitar o fascismo, a gente já aprendeu isso, mas pode surgir uma nova configuração”, provocou a debatedora.

 

O advento da financeirização, que não se manifesta apenas no setor econômico, também foi abordado. “Financeirização é a fusão de propriedades de origem de capital diversa – comércio, banco e indústria –, unificadas numa malha em que você não consegue mais distinguir quem é quem. Isso significa a expansão das formas de industrialização da vida. Todos aqueles elementos do Capital contemporâneo que as lutas conseguiram frear vêm sendo expropriados - direitos universais, sociais, do trabalho -, e no lugar entra uma atividade industrial de educação, de saúde e outro”, ressaltou.

 

Assim, a organização e luta dos trabalhadores são e serão sempre fundamentais. De maneira contraditória, o capitalismo só pode se realizar a partir da exploração do trabalho, para a produção de mais valia. Os trabalhadores podem construir um outro sistema de produção e distribuição da riqueza, mas o capitalismo não é possível sem os trabalhadores.

 

“A concentração da riqueza hoje é tamanha, que apenas cinco pessoas detém 50% da riqueza mundial. No entanto, a classe trabalhadora nunca foi tão grande no mundo. As condições de luta são piores, mas eu sou otimista. E nós temos de fazer com que toda essa geração seja de intelectuais orgânicos, estudando, pesquisando e enfrentando todos os desdobramentos do Capital”, concluiu Fontes.

 

GALERIA DE IMAGENS 8M 2018

 

O vídeo do debate "Capital Imperialismo e a Atual Conjuntura" será disponibilizado no canal da Adufmat-Ssind no Youtube nos próximos dias. 

 

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Luana Soutos

Assessoria de imprensa da Adufmat-Ssind

      

 

 

Sexta, 09 Março 2018 11:41

 

Em todo o Brasil e em mais de 40 países, as mulheres saem às ruas contra a violência, o machismo e os ataques dos governos.

 

Neste dia 8 de março, Dia Internacional de Luta das Mulheres Trabalhadoras, as mulheres de todo o país saem às ruas para protestar contras as desigualdades e a violência de gênero, contra o recrudescimento do conservadorismo no mundo todo e, em especial, contra as reformas que atingem em cheio a população feminina do país. O ANDES-SN, por meio da Circular 31/18, reafirmou a importância de participação da categoria docente nas mobilizações deste dia 8 de março.

 

No Rio de Janeiro, as seções sindicais o ANDES-SN participarão do ato em protesto que terá início às 16h, na Cinelândia, região central da capital. Em Niterói, uma das concentrações para ida conjunta ao ato será na Praça Araribóia, às 15h, quando haverá um lanche colaborativo antes de seguir para a manifestação que dirá não à intervenção federal, à reforma da previdência e às formas de violência.

 

Mais cedo, cerca de 800 mulheres de diversos movimentos populares realizaram, um protesto no parque gráfico das organizações Globo, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, onde estenderam uma enorme faixa com os dizeres: “A Globo promove intervenção para dar golpe na eleição”.

 

Em Goiás, manifestantes ocuparam na quarta-feira (7) a Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) para reforçar direitos da mulher camponesa, conscientizar sobre os direitos da mulher, luta por combate ao feminicídio e a Reforma da Previdência.  Na manhã desta quinta, as mulheres da ocupação se dirigiram à Avenida Anhanguera, no centro da capital para somar com o ato público do Dia Internacional da Mulher.

 

Em São Paulo, o ato organizado pela CSP-Conlutas será independente dos patrões e dos governos e acontece no Theatro Municipal, com concentração a partir das 15h e saída às 17h. Estão previstas caravanas de mulheres do campo, vindas do interior de São Paulo, assim como operárias de São José dos Campos e região. Na Ufabc, como no ano anterior, as mulheres que compõem a Universidade se uniram para realizar uma semana especial. Desde o dia 6 , os campi de São Bernardo do Campo e Santo André contam com apresentações, mesas, rodas de conversa e, acima de tudo, um ambiente para valorizar e expor as grandes mulheres que estruturam a universidade. Nesta quinta-feira (8), a comunidade acadêmica participou do ato “Por Direitos, Democracia e Soberania. Aposentadoria fica! Temer sai!", com concentração na praça Lauro Gomes e caminhada até a Matriz em São Bernardo do Campo.

 

Na manhã dessa quinta (8), Mulheres Sem Terra e da Marcha Mundial das Mulheres, ocuparam e paralisaram a produção da empresa do Grupo Guararapes, em Extremoz (RN). Cerca de 800 mulheres, vindas de vários municípios do estado que, com muita ousadia, denunciaram a articulação empresarial que patrocina o conjunto de ataques à classe trabalhadora. O Grupo é dono da marca Riachuelo, que recentemente foi denunciada por submeter seus trabalhadores e trabalhadoras a condições análogas à escravidão. Em Natal (RN), as atividades referentes ao Dia Internacional da Mulheres iniciaram no dia 7, quarta-feira, com o Encontro das Mulheres da UERN, com uma mesa de debate que teve como tema “Mulheres resistem nas universidades” e ato público em seguida na Praça do Pax. Nesta quinta (8), as docentes se unem às 18h na praça dos esportes.

 

No estado do Amazonas, em Manaus, a concentração irá ocorrer às 15h, na Praça Heliodoro Balbi (Praça da Polícia), no Centro. Na Paraíba, a Aduepb iniciou uma campanha "Vítima de Feminicídio", em que conta as histórias de mulheres, docentes e estudantes da Uepb que foram vítimas de feminicídio.  Nas cidades de João Pessoa, Lagoa de Roça, Patos e Cajazeiras, as mulheres participaram pela manhã de uma marcha pela vida das mulheres, em defesa dos seus direitos e da democracia. No dia 9 de Março, no campus de Campina Grande ocorre a mesa redonda “O feminicídio e a violência doméstica”. No Piauí, a Seção Sindical do ANDES-SN na Uespi (Adcesp SSind.) fez um chamamento para a comunidade acadêmica da Uespi participar do ato público, às 16h, na av. Frei Serafim, em frente ao Hiper Bom Preço.

 

Em Santa Maria (RS), haverá manifestação a partir das 15h na Praça Saldanha Marinho. Em Pelotas (RS), mulheres representantes do grupo “Mulheres em Luta”, que congrega movimentos sociais, coletivos e entidades sindicais, dentre elas a Associação dos Docentes da Universidade Federal de Pelotas (ADUFPel-SSind), entregaram uma carta de reivindicações relacionada aos direitos da mulher para a prefeita de Pelotas, Paula Mascarenhas, no período da manhã. Às 17h inicia a concentração para a marcha, no Largo do Mercado Público.

 

Em Cuiabá (MT), a Associação dos Docentes da Universidade Federal do Mato Grosso (Adufmat – Seção Sindical do ANDES-SN) organiza, às 19h, debate sobre “Capital Imperialismo e a Atual Conjuntura”, com a professora Virgínia Fontes, da Universidade Federal Fluminense (UFF). Em Brasília (DF) manifestação unificada tem concentração marcada para às 17h no Museu da República. Em Belém (PA) a concentração do ato será também às 17h, na Avenida Ceará em São Brás.

 

Outros países

 

A CSP-Conlutas fez o chamado para que mulheres e homens da classe trabalhadora construam um forte 8 de março. Diversas categorias confirmaram atos, atrasos na produção, paralisações e assembleias.

 

Até o momento, conforme página nas redes sociais que tem centralizado os eventos do dia, em ao menos 44 países devem ocorrer atos e greves, como Argentina, Alemanha, Austrália, Bolívia, Canadá, Chile, Espanha, Estados Unidos, França, Inglaterra, Portugal, Turquia, Ucrânia, Venezuela e outros. Na Argentina a data marca a apresentação oficial de um projeto de lei que visa legalizar o aborto.

 

Na Espanha, o Dia Internacional da Mulher , começou marcado por uma série de greves parciais e manifestações em muitas cidades em favor de uma efetiva igualdade de direitos entre mulheres e homens.

 

Na França, atos devem ocorrer em Bordeaux, Lille, Lorient, Marselha, Paris, Toulouse e outros locais. A União Sindical Solidaires convocou as entidades a participarem das ações do 8M, declarando que esta não é uma data a ser “comemorada”, mas que é momento de lutar “pelos direitos das mulheres em convergência com todas as lutas, das mulheres de todo o mundo”.

 

Na Índia, em 2012, as mobilizações contra a violência sexual tiveram forte repercussão. Em 2016, as mulheres na Polônia se vestiram de preto e realizaram um dia de greve geral contra a criminalização do aborto. Em 2017, as mulheres na Coreia do Sul protestaram contra o endurecimento nas leis para médicos que realizavam abortos. No mesmo ano, na Argentina e em outros países da América Latina, incluindo o Brasil, ocorreram diversos atos contra o feminicídio e os ataques dos governos neoliberais. Nos Estados Unidos, a luta contra Trump e a marcha de mulheres no 8 de março, orientadas por importantes lideranças do movimento como Angela Davis e Nancy Fraser, ganhou importância histórica.

 

37º Congresso do ANDES-SN

 

Durante o 37º Congresso do ANDES-SN, realizado em janeiro de 2018 em Salvador (BA), os docentes deliberaram por lutar pela legalização do aborto, assim como pelo fortalecimento de oferta de políticas públicas de saúde direcionadas aos direitos sexuais e reprodutivos parar atender as mulheres. Além disso, irão intensificar a luta contra a PEC 181/15.

 

Definiram, também, que as seções sindicais, em articulação com movimentos, lutem nas instituições de ensino para criar espaços que recebam denúncias e acolham vítimas de assédio sexual e moral, de machismo, e de outras formas de opressão, assim como apurem as denúncias com transparência, entre outras deliberações.

 

Dossiê da Violência

 

O Instituto Patrícia Galvão publicou o Dossiê Violência contra as Mulheres, que reúne informações sistematizadas de dados oficiais e pesquisas de percepção sobre a realidade do problema no Brasil, e apontou números alarmantes. 1 estupro ocorre a cada 11 minutos, 1 mulher é assassinada a cada duas horas, 503 mulheres são vítimas de agressão a cada hora, ocorrem 5 espancamentos a cada 2 minutos.

 

Dia Internacional de Luta

 

O dia 8 de março foi fixado a partir de uma greve iniciada nessa data em 1917 (em 23 de fevereiro no calendário juliano), na Rússia. Uma manifestação organizada por tecelãs e costureiras de São Petersburgo foi o estopim da primeira fase da Revolução Russa. Militantes socialistas, como Clara Zetkin e Alexandra Kollontai, propuseram a construção de um dia internacional de luta das mulheres.

 

Saiba Mais

 

ANDES-SN reforça chamado para mobilizações em 8 de Março

 

Com informações das seções sindicais do ANDES-SN e CSP-Conlutas

 

Fonte: ANDES-SN

 

Quinta, 08 Março 2018 20:27

 

Nenhum nome será esquecido ou ignorado. Assédio, desemprego, desigualdade e outros abusos não serão mais tolerados. A cada ano, os movimentos organizados de mulheres se tornam mais fortes para denunciar e resistir às inúmeras manifestações violentas de gênero. Em 2018, mais uma vez, elas foram às ruas dizer que estão fartas de flores e homenagens vazias, e que o desejo real é por respeito em todos os sentidos.      

 

Em Mato Grosso, o 08 de Março começou com manifestação radicalizada. Dezenas de mulheres trancaram a garagem de uma empresa de ônibus, impedindo a saída dos veículos. O ato teve o objetivo de chamar a atenção para o número crescente de feminicídios no estado, entre outras violências, mas as manifestantes destacaram uma outra questão central: a desvalorização da mão de obra feminina no sistema capitalista.

 

 

“Entre as diversas atividades que nós planejamos para o dia, dialogando com movimentos internacionais que pautaram a parada da produção, nós realizamos o trancaço numa das maiores garagens de transporte público em Cuiabá para mostrar que só o fato dessas mulheres atrasarem algumas horas já demonstra o quanto elas são necessárias nesse processo. E se nós somos maioria, se somos nós mulheres que produzimos, nós queremos receber o justo e o legítimo por essa produção”, explicou a professora e militante do movimento feminista, Patrícia Acs.

 

Foram duas horas de atraso. Em seguida, o grupo seguiu para a região central da cidade para distribuir panfletos com as principais reivindicações. Entre as violências relatadas, os efeitos da Contrarreforma Trabalhista e da Contrarreforma da Previdência para as mulheres aparecem entre os mais nefastos.

 

Enquanto isso, cerca de 300 mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra ocupavam a Fazenda Entre Rios, no município de Jaciara, a 142 km de Cuiabá. A propriedade acumula diversos processos trabalhistas e está penhorada por sonegação de impostos. A ocupação foi uma das atividades da Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem Terra 2018, intitulada “quem não se movimenta, não sente as correntes que a prendem”, em referência à militante comunista Rosa Luxemburgo.

 

 

Mas a reivindicação pelo direito à terra, por meio dos programas de reforma agrária previstos na legislação, esbarrou na prática cotidiana e violenta do campo: o dono da fazenda, munido da sua influência econômica e política, ameaçou e coagiu as mulheres, que deixaram a terra por volta das 16h. (Leia aqui a nota divulgada pelo MST)   

 

Em Sinop, as mulheres foram para as ruas para exigir a implementação da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) e, na região do Araguaia, se reuniram no 1º Encontro de Mulheres para discutir diversas questões de interesse, como o acesso à Justiça e violência obstétrica.   

  

 

 

O 8 de Março de 2018 foi marcado também por diversas matérias na imprensa local e nacional denunciando a violência contra as mulheres. O dia começou com a denúncia de 18 casos de feminicídio em Mato Grosso nos primeiros dois meses do ano, e terminou com 20. Em média, 12 mulheres perdem a vida diariamente no Brasil por serem consideradas um tipo de propriedade por seus algozes. Provas não faltam de que a luta é real e cotidiana e, por mais que instituições públicas tentem negar ou mascarar os dados alarmantes, já subnotificados, o movimento feminista segue crescendo e afirmando que nenhum nome será esquecido ou ignorado até que não haja mais nenhuma mulher vítima de violência de gênero.      

 

GALERIA DE IMAGENS 8M 2018

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

Quarta, 07 Março 2018 14:41

 

O 8 de março deixou de ser um dia de festas e se transformou num dia de luta em todo o mundo. Mobilizadas, as mulheres estão cada vez mais fortes para reivindicar igualdade de direitos e denunciar práticas abusivas, discriminatórias e violentas, que pelas imposições do modo de produção capitalista se tornaram ainda mais profundas.

 

Em Mato Grosso, os registros dessas violências são alarmantes. De acordo com a Secretaria de Segurança do estado, 18 mulheres foram brutalmente assassinadas nos dois primeiros meses desse ano. Na maioria das vezes, o autor do crime tem alguma relação com a vítima, evidenciando um sentimento de posse/ propriedade do homem que se considera provedor. Dezoito casos registrados de feminicídio em apenas dois meses. Vale destacar que nem sempre os casos não registrados.  

 

Assim, a luta das mulheres, legítima e necessária, alcança proporções internacionais.    

 

Confira abaixo as programações dessa quinta-feira, 08/03, Dia Internacional de Luta das Mulheres, nas quais a Adufmat-Seção Sindical do ANDES estará envolvida nas regiões da capital mato-grossense, Araguaia e Sinop.   

 

ARAGUAIA

 

Nessa quinta-feira, as mulheres do Araguaia terão o 1º Encontro organizado para debater temas que englobam diversos assuntos de interesse, como acesso à Justiça, lutas e conquistas, religiosidade, entre outros. O evento será às 19h, no Anfiteatro da Prefeitura de Barra d Garças.

 

 

 

 

 

 SINOP

 

Em Sinop, as mulheres estão organizadas para reivindicar a criação da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM). Depois de inúmeras atividades realizadas nos últimos meses, o 8 de Março será marcado por uma Caminhada Pelos Direitos das Mulheres. A concentração será às 8h, na Praça da Bíblia.

 

  

 

CUIABÁ

 

Na capital mato-grossense, diversos movimentos organizam atividades específicas e conjuntas.

 

Ainda na quarta-feira, 07/03 o Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso realiza uma Roda de Conversa Sobre Feminicídio, às 19h, na sede do Sindjor/MT. As convidadas são a defensora pública e coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher, Rosana Leite de Barros, a presidente do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial, Antonieta Luisa Costa, e a professora do Departamento de Serviço Social da UFMT, Lélica Lacerda.

 

No dia 08/03, os coletivos de mulheres distribuirão panfletos a partir das 10h na Praça Alencastro, e as trabalhadoras sem terra iniciarão a Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra, inspiradas na frase de Rosa Luxemburgo: “Quem não se movimenta, não sente as correntes que o prendem”.

 

Às 19h, a historiadora Virgínia Fontes provocará um debate a partir do tema “Capital Imperialismo e a Atual Conjuntura” no Auditório da Adufmat-Seção Sindical do ANDES (UFMT), evento promovido em parceria pelos GT's de Política e Formação Sindical e Políticas de Classe para Questões Étnico-raciais, Gênero e Diversidade Sexual da Adufmat-Ssind.  

 

No dia 10/03, o alerta será para os problemas de saúde da mulher, com a 5ª Marcha Rosa MTmamma. A concentração será às 7h na Praça da República, região central de Cuiabá. 

 

 

 

  

 

 

 

 

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind