Sexta, 12 Março 2021 12:26

Brasil enfrenta o pior momento da pandemia após um ano de declaração da OMS Destaque

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País enfrenta colapso do sistema de saúde com crise econômica e política e já ultrapassa a marca de 270 mil mortos

 

Há um ano a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou oficialmente a pandemia de Covid-19, após o vírus se espalhar por todo o planeta. Nessa sexta-feira, 12/03, faz um ano que o Brasil registrou a primeira morte em decorrência do vírus. Naquele momento, boa parte da população não imaginava que a pandemia tomaria proporções tão grandes mundialmente e que, um ano depois, o país enfrentaria a fase mais crítica da doença, se tornando o novo epicentro mundial e somando mais de 270 mil mortes.

 

Na contramão de outros países, o Brasil ultrapassa o pior momento da crise quando já existe a vacina e outros países estão à frente na vacinação da população. Além da crise econômica, o desafio é enfrentar novas variantes do coronavírus, inclusive uma brasileira, fruto do desrespeito ao isolamento social da população e dos seus governantes.

 

Ao analisar que um ano atrás causava espanto acompanhar os números de países da Europa, com cerca de mil mortes por dia, o Brasil registrou nesta quarta-feira (10) a maior taxa de mortes em 24 horas: 2.349. A média vem batendo recordes a cada semana.

 

Em Mato Grosso, a taxa de ocupação a taxa de ocupação dos leitos de UTI, assim como na maioria dos estados brasileiros, é de 99,9%.

 

A professora Rosa Lúcia Ribeiro, do departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) afirma que a classe mais afetada pelos efeitos da pandemia são a dos profissionais de saúde, especialmente as enfermeiras. “A maioria das profissionais da nossa área são mulheres, em sua maioria mulheres negras e com péssimas condições de trabalho. Além disso, existe a tripla jornada de trabalho dessas profissionais que precisam cuidar dos seus lares e acompanhar os filhos no ensino totalmente à distância.”

 

Segundo a professora, a previsão da OMS é que o Brasil chegue à margem de três mil mortes por dia se nenhuma providência for tomada por parte das autoridades. “O balanço após um ano de pandemia é péssimo. Na minha última contagem já foram mais de 40 óbitos de profissionais da saúde no estado. A nossa única esperança é a vacina e não sabemos se vamos conseguir com essa gestão do Ministério da Saúde completamente incompetente e genocida”.

 

Corte do Auxílio Emergencial e falta de oportunidades

 

O jornalista Everaldo Galdino, que ficou desempregado no início da pandemia está sentindo na pele, como milhões de brasileiros, os efeitos do corte do auxílio emergencial de R$600, que foi a fonte de renda de muitas famílias e o que segurou um pouco os efeitos da crise no ano que passou. “Com esse dinheiro ainda dava para pagar algumas contas básicas, mesmo cortando gastos não necessários. Agora não tem mais auxílio e as oportunidades de trabalho não aparecem, não há outra possibilidade a não ser alugar minha casa e voltar para a casa da minha mãe até isso tudo acabar”.

 

No entanto, o jornalista se diz preocupado com a decisão por temer pelos pais que já são idosos. A família já sofreu duas perdas para a doença no ano passado. “Perdi uma prima de 30 anos, jovem, mãe de três filhas e uma tia-avó de 87 anos, muito querida por todos da família, além de amigos e conhecidos. Foram muitas perdas emocionais e econômicas. Estava planejando realizar um projeto, mas tive que adiar os planos”.

 

Naturalização das mortes

 

A diretora de Comunicação do Adufmat-Ssind, Lélica Lacerda, afirma que essas consequências eram a esperadas, pois o Governo Federal seguiu a risca o projeto neoliberal. “Há um ano discutimos isso, que só havia dois caminhos a serem tomados: o Governo deveria mudar de postura e colocar as universidades para trabalharem diretamente no enfrentamento da pandemia, na produção de equipamentos de proteção individual (EPIs), testes e vacinas, fornecendo todos os equipamentos para o trabalho, além de fornecer o auxílio e dar condições para a população ficar em casa”.

 

Além disso, explica a docente, seria necessária a suspensão temporária das cobranças de aluguéis e que o governo subsidiasse pequenas empresas que poderiam fechar. “Mas infelizmente o governo decidiu manter a postura neoliberal, provocando um verdadeiro genocídio pautado na naturalização das mortes”, lamenta.

 

A diretora também aponta que há um alinhamento da política do Governo Federal com os governos estadual e municipal, que optaram por priorizar a economia em vez de a vida da população, quando a ocupação dos leitos do estado já chega a 100% e o lockdown é uma medida urgente. “Nós estamos em uma situação ridícula com dois homens querendo medir quem é mais poderoso, enquanto a população está sem leitos, sem respiradores, com o SUS totalmente despreparado”.

 

Apesar de o momento ser considerado pior do que nunca, Lélica considera que foi um ano de perdas para que vitórias venham pela frente. “É uma derrota parcial porque o resultado dessa derrota está aparecendo. A classe trabalhadora está sofrendo e desesperançada e isso tudo mostra que o caminho que pegamos está equivocado. As pessoas estão se dando conta e a popularidade do presidente Jair Bolsonaro está caindo”.

 

Letícia Corrêa

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

Imagem: Ong Rio da Paz

Ler 277 vezes Última modificação em Sexta, 12 Março 2021 14:53