Sexta, 07 Abril 2017 21:57

Debate sobre democracia marca posse da diretoria da Adufmat-Ssind em assembleia realizada nessa sexta-feira, 07/04 Destaque

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 *Atualizada às 07h50 do dia 10/04/17 para correção de nomes e inclusão de informações sobre a prestação de contas

 

Uma mesa bastante simbólica abriu a assembleia geral da Adufmat-Seção Sindical do ANDES nessa sexta-feira, 07/04. Diante da disputa clara de concepção de sindicato registrada no processo eleitoral para diretoria da entidade, a mesa composta por ex-presidentes, militantes históricos, toda nas cores vermelho e branco, remeteu imediatamente ao resultado do pleito: o caráter classista, pautado na luta dos trabalhadores, foi evidenciado pelos docentes da UFMT como o ideal para garantir os interesses da categoria.

 

 

A disputa eleitoral acabou, mas o clima das últimas semanas permaneceu na assembleia de posse da gestão “Adufmat de Luta, Autônoma e Democrática”. A disposição para o debate e respeito às regras estabelecidas coletivamente, exercícios fundamentais à prática democrática, foram pontos centrais de muitas intervenções, durante todos os pontos de pauta. Não só pela disputa, mas também por duas manifestações fervorosas feitas no início da assembleia, cujos autores pontuaram divergências, mas se recusaram a permanecer no espaço para realizar qualquer debate.   

 

Durante a apresentação dos resultados do processo eleitoral de 2017, a Comissão realizou informe qualificado, apresentando os resultados de cada urna, as ações realizadas durante o pleito para divulgar as propostas e promover os debates, e as dificuldades enfrentadas.

 

A Comissão retificou o número de votos do campus do Araguaia. Foram 50 votos para a chapa 1, e não 30, como divulgado. Assim, a Chapa 1 teve o total de 407 votos, e a Chapa 2, 213.

 

De acordo com a Comissão Eleitoral, no dia da eleição, foram registrados muito atos de violência verbal contra a Comissão Eleitoral, funcionários da Adufmat-Ssind e mesários. Esses atos vão refletir numa nota pública de denúncia, aprovada pela assembleia.

 

Uma dessas manifestações de violência gerou custos, inclusive, ao sindicato. O carro de um dos candidatos da chapa 1, vencedora do pleito, foi arranhado dos dois lados. Um dos riscos forma o número 2. Além disso, uma das lanternas do veículo foi quebrada. Após discussão, a plenária decidiu que o sindicato deve arcar com o conserto, pelo fato ter ocorrido nas imediações do sindicato, justamente num dia de disputa intensa na entidade, configurando uma clara demonstração de intolerância por parte de alguma pessoa ligada ao processo.      

 

Os docentes presentes repudiaram esse e outros atos, e fizeram algumas avaliações sobre as eleições. A professora Lélica Lacerda sugeriu que o direito ao voto não seja restrito aos docentes adimplentes. Uma questão que a categoria precisa amadurecer, já que essa decisão é fruto de discussões que balizaram o Regimento Eleitoral praticado nos últimos anos, e aprovado em assembleia no início do pleito de 2017.

 

O professor Reginaldo Araújo destacou a dificuldade de dialogar, e o constrangimento em lidar com a insistente problematização das decisões tomadas em assembleia, ou até mesmo acordadas entre as chapas.

 

Para o professor José Domingues, essas ações são fruto do recrudescimento do pensamento conservador, que assombra diversas partes do mundo.

 

A professora Alair Silveira, diretora tesoureira da nova gestão, afirmou que a eleição em si possibilitou a realização de um debate necessário que, inclusive, motivou um salto no número de votantes. Mas lamentou as ações de intolerância e destacou o sindicato como espaço de exercício democrático. “É essa a arena onde nós exercitamos democracia combatendo ideias, não pessoas. Tem gente que pessoaliza o embate de ideias. Nós já perdemos várias vezes aqui, mas acatamos e o sindicato sempre deu andamento ao que foi decidido nas assembleias. Nem sempre é o que nós defendemos, mas nem por isso nós nos retiramos”, disse.  

 

Para o professor Paulo Wescley, apesar de todos os entraves, o processo eleitoral evidenciou uma consciência latente da categoria diante da clara diferença de projetos colocada, com resultado expressivo.

 

 

Posse

 

A Comissão Eleitoral formou a mesa de posse por volta das 17h20, e convidou as entidades que representam a comunidade acadêmica da UFMT para receber a nova diretoria da Adufmat-Ssind, eleita para o biênio 2017-2019.

 

O reitor em exercício, Evandro Silva, ressaltou o valor do sindicato na defesa dos trabalhadores, o processo democrático de escolha de representantes, e parabenizou a chapa vencedora pela vitória e pela luta.

 

Vinícius Brasilino, coordenador geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE) afirmou que a vitória da Chapa 1 demonstra que há esperança no fortalecimento da luta dos trabalhadores, principalmente nesse momento, de profundos ataques aos direitos sociais.

 

A presidente do Sindicato dos Servidores Técnicos Administrativos (Sintuf/MT), Leia de Souza, apontou a conjuntura desafiadora, parabenizou os membros da chapa pela disposição, e reafirmou a parceria do sindicato dos técnicos com o sindicato dos docentes.

 

Em seu discurso, o presidente eleito para o segundo mandato, Reginaldo Araújo, agradeceu os diretores da última gestão, falou sobre os desafios, a conjuntura difícil, e a solidariedade de classe. “Esse sindicato tem uma concepção classista e emancipatória. Isso significa que a luta dos trabalhadores rurais sem terra é nossa; que a luta dos indígenas é nossa. Nós não vamos admitir a retirada de direitos de qualquer trabalhador, assim como não vamos admitir a privatização das universidades públicas, a imposição da terceirização”, afirmou.

 

Em seguida, garantiu a autonomia como princípio do sindicato, e destacou o desafio de mobilizar a categoria. “Por vários momentos, teremos enfrentamento com a Reitoria, como foi na gestão anterior, e como é na atual. Temos a clareza de que nossas ações refletem e também beneficiam os docentes não sindicalizados. Temos a disposição de dialogar com esses colegas, na perspectiva de que todos assumam, junto conosco, a responsabilidade de fazer esse sindicato cada vez mais forte. Agradecemos o apoio escrito de entidades como o MST, Movimento Mulheres em Luta, inúmeros colegas docentes da UFMT e de outras universidades, PET Conexões de Saberes, Conselho Missionário Indigenista (CIMI), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Movimentos que têm clareza da sua posição na luta”, disse o presidente.

 

Por fim, Araújo agradeceu os docentes que participaram do processo e destacou a expressividade da votação: “dois terços da nossa base apontou qual sindicato querem: de luta, autônomo e democrático”.

 

Os representantes do sindicato no interior também foram empossados na assembleia dessa sexta-feira. No Araguaia, foram eleitos os docentes Eliel Ferreira, Márcia Pascotto, Maurício Guedes e Deyvisson da Costa. No campus de Sinop, os docentes eleitos são Clariana Silva, Lorenna Rezende, Ricardo Santana e Gustavo Canale.

 

Para o Conselho Fiscal, biênio 2017-2019, foram eleitos os docentes Juliana Ghisolfi, Dorival Gonçalves e Sinthia Batista.    

 

Prestação de Contas

 

O Conselho Fiscal, biênio 2015-2017, solicitou ampliação do prazo para entregar o parecer sobre as contas do sindicato. Após debate, ficou decidido que a Adufmat-Ssind chamará uma assembleia para discutir esse ponto de pauta na primeira quinzena de maio.  

 

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

Ler 748 vezes Última modificação em Segunda, 10 Abril 2017 07:49