Sexta, 01 Maio 2015 09:56

Hospital psiquiátrico 


Em 1957 foi inaugurada em Cuiabá uma ala do futuro hospital psiquiátrico - único no Estado não dividido, no distrito do Coxipó da Ponte, com o nome de Hospital Colônia de Alienados. 
Houve parcos recursos federais para o início da obra, ficando o custeio e a gestão por conta do pobre Estado de mais de um milhão de quilômetros quadrados. 
Em 1966 o hospital era um imenso depósito de doentes mentais, muitos acorrentados, isolados em celas fortes, vivendo como todos os demais internos em condições sub-humanas. 
Faltava tudo para o funcionamento do manicômio: equipe especializada de saúde, medicamentos, leitos, alimentação e segurança. 
A promiscuidade entre homens, mulheres e crianças, maltratava a sensibilidade dos médicos, especialmente os mais jovens, e afastava a sociedade daquele hospital mal assombrado pelo terror. 
Com o apoio decisivo e incondicional do jovem governador da época, Pedro Pedrossian, e do seu Secretário de Saúde Clóvis Pitaluga de Moura, recursos e autonomia foram ofertados para a recuperação da chamada vergonha mato-grosensse. 
Naquela ocasião Pedrossian sancionou uma lei estadual dando o nome de Hospital Adauto Botelho à casa desumanizada. 
O velho depósito de pacientes irá fechar por força de lei federal e seus infelizes pacientes jogados nas ruas, já que os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) não funcionam na prática. 
Falar que esses pacientes irão para hospitais da rede pública é uma falácia, pois não há hospital público para atender a demanda atual, e novos estabelecimentos ainda estão nas pranchetas de municípios sem recursos. 
A própria coordenadora de saúde mental do município, reconhece que “não foi feito nenhum planejamento na época do fechamento do Pronto Atendimento do Adauto junto ao Estado para lidar com a questão”. 
Hoje a gestão é do falido município, mas, o Estado e o governo federal têm responsabilidades no funcionamento desse importante setor especializado, tão carente de equipe multidisciplinar para suas atividades. 
A situação do doente mental em nosso estado é gravíssima! 
Seria possível o surgimento de um contemporâneo Pinel por estas bandas?
Gabriel Novis Neves
09-04-2015 

Segunda, 27 Abril 2015 13:59

JUACY DA SILVA
 

Durante décadas a Petrobrás foi um símbolo da soberania e sonho do povo brasileiro, um verdadeiro orgulho nacional. Desde  a memorável  campanha de O PETRÓLEO É NOSSO, nos anos cinquenta, ate o descobrimento do pré-sal, a história da estatal  tinha sido de glória e eficiência.
Todavia,  este círculo virtuoso de crescimento, eficiêcia e posicionamento entre  as 10  maiores companhias petrolíferas no mundo, foi quebrado de forma vergonhosa  com a chegada do PT ao poder e o aparelhamento  das estatais, fundos de pensão e administação direta, que passou a fazer parte de seu projeto de poder. Para tanto, o Presidente Lula nomeou alguns diretores corruptos, que acabaram formando verdadeiras quadrilhas  que  assaltaram e dilapidaram bilhões de dólares da Petrobrás.
Dilma que participou com ministra das Minas e Energia e posteriormente como Ministra-Chefe da Casa Civil, e, nesta  condição, Presidente do Conselho de Administração da maior companhia brasileira, e ultimamente como Presidente da Repúlica , mesmo tendo ao seu dispor uma série de organismos  de controle interno e externo, da mesma forma que Lula, nunca soube de nada, nunca viu nada, nunca ouviu nada. A corrupção correu solto durante doze anos e envolvia gente importante do Governo e empresários de peso, que também tinham livre acesso aos gabinetes  ministeriais e ao Palácio do Planalto   e participavam dos banquetes do poder, vários dos quais deixaram seus  gabinetes de luxo e mordomias  e hoje estão no xilindró em Curitiba, graças as decisões do juiz federal Moro.
Coube a este Juiz que até o momento tem conseguido manter sua espinha vertebral ereta  e não tem se curvado `as ameacas  e encantos do poder, com a colaboração do Ministério Público Federal  e da  Polícia  Federal, bem como dados e informações levantados e trazidos a público pelos meios de comunição de massa, TCU  e uma  vaga contribuição do Congresso Nacional, que na maioria das investigacões  através de CPIS  tem  se comportado como um anexo ou   puxadinho do Palácio do Planalto, graças a uma maioria parlamentar composta pelos partidos da base de apoio ao Governo, extremamente subserviente aos interesses dos donos do poder, desvendar  o que até agora tem sido considerado o maior escândalo de corrupção do Brasil e do mundo, talvez em breve possa ser ultrapassado pelo que uma próxima CPI do BNDES.
Nesta   última quarta  feira, 22 de Abril, deve  passar para  história brasileira como a data da vergonha nacional, quando   a PETROBRÁS,  depois de muitas relutâncias  divulgou seu balanço  anual de 2014 e, de forma clara e cristalina informou que teve um prejuizo de R$ 21,6 bilhões de reais, dos quais nada menos do que R$6,2 bilhões de reais, ou seja, 3% do faturamento bruto da estatal , foi devido a corrupção. Todavia, todos sabem que a corrupção em alguns casos chega até a 10%  dos contratos,  e se for aplicado  o  percentual de 5%, ao invés de 3%,  o rombo provocado pela corrupção chega a R$10,3  bilhões e as “perdas” totais podem chegar a R$25,7 bilhões em 2014.
Como a roubalheira das quadrilhas comandadas pelos diretores que até o momento já foram idenfiicados,  agia abertamente  ha doze anos e não apenas em 2014, quando o escândalo ganhou  os meios de comunicação de massa, o montante  das perdas da PETROBRÁS  pode  chegar  a mais de R$150  bilhões de reais.  Estudos  do Grupo de economia e soluções ambientais  da Fundação Getúlio Vargas avaliou que as perdas da PETROBÁS  chegaria a R$87  bihões de reais, e que o patrimônio  da empresa perdeu 80% de seu valor em doze anos, além de que seu endividamento poderá chegar a R$300  bilhões  no final de 2015.
Os impactos da quedra de investimentos, o mais baixo nível em 20 anos, em 2014 representou  20%  a menos do que a média histórica, ou seja, a Estatal por problemas da corrupção, falta de caixa e rompimento de contratos, reduziu  seus investimentos em R$ 27,5  bilhões de reais.  No momento existe  uma pressão muito grande para que a estatal corte custos, inclusive os deocorrentes  da   ineficiência e da corrupção,  caso isto não  ocorra a mesma  terá que se desfazer de parte de seu patrimônio  e com baixa capacidade de investimentos,  agravada pela queda  do preco internacional do petróleo, existe  uma grande probabilidade de  que o pré-sal  tenha que revisar  suas metas e calendário.
Por ultimo, a divulgação do balanço da PETROBRÁS  e a confissão pública da existência da corrupção e o montante da roubalheira, ganharam as manchetes dos principais jornais de vários países europeus, Estados Unidos, Canadá e América Latina e do Brasil. Além disso, o maior fundo de pensõo Suécia que é um investidor da PETROBRÁS  está  entrando na Justiça internacional, da mesma forma que nos EUA, devem representar mais uma pedra  no sapato da estatal  e uma mancha indelével  na imagem da empresa, do país e , principalmente, do governo petista, já considerado um dos governos mais corruptos na história brasileira.
A novela  corrupção na PETROBRÁS  , no  governo Dilma  e o envolvimento de partidos e políticos  da base  aliada, tendem  a se  agravar nos próximos meses `a medida que os políticos constantes  da Lista do Procurador Geral do MPF, Janot comecem  a  ser innvestigados e denunciados  vai ser mais gasolina na fogueira e uma  pressão muito grande para o impeachment  ou renúncia de Dilma. Os gritos FORA DILMAFORA PT, FORA CORRUPTOS vão ecoar  com mais vigor nas  próximas manifestações  populares.
JUACY DA SILVA, professor universitário, fundador, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia,  articulista de A Gazeta.  Email O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.  Blog  www.professorjuacy.blogspot.com  Twitter@profjuacy

Segunda, 20 Abril 2015 16:15

É pauta obrigatória para os veículos de comunicação de massa uma ampla cobertura sobre o aniversário de Cuiabá, que completou no dia 8 de abril duzentos e noventa e seis anos.
As indagações são as mais oportunas e interessantes. De um modo geral, todos os jornalistas procuram os mais idosos para saber suas opiniões sobre o progresso da aniversariante.
Temos de ter cuidado com as respostas para não cairmos no pessimismo patológico nem na euforia inconsequente.
Considerando a população do ano que nasci, há oitenta anos, a população da cidade pelo senso do IBGE de 2013 aumentou, aproximadamente, trinta vezes.
Surgiram os arranha céus, avenidas duplas com canteiros centrais, trincheiras, viadutos, pontes sobre o Rio Cuiabá e até uma Arena que sediou jogos da Copa dos 7X1.
O número de veículos e motos aumentou assustadoramente, inviabilizando o trânsito em muitos setores da cidade.
O ensino superior é uma realidade. Hospedamos duas universidades, uma federal e outra particular, além de inúmeros cursos superiores em centros universitários e escolas isoladas.
É evidente que Cuiabá não é mais aquela de conversas pelas calçadas, encontros sociais nas praças e jardins, nascimentos, casamentos, morte e velório em casa.
Tenho saudades daquela pequena aldeia em que despreocupadamente vivíamos.
Cuiabá absorveu tudo de ruim que uma cidade grande tem, sendo que o pior foi o aumento da violência.
A expectativa de vida aumentou entre seus habitantes, mas perderam em qualidade.
A cumplicidade entre seus habitantes e a solidariedade são peças raras hoje em dia.
O medo tomou conta dos moradores e até carros blindados temos - exatamente como em outros grandes centros.
A segurança pessoal foi incorporada aos mais visados na escala social.
A corrupção acampou por aqui com a sua inseparável impunidade produzindo verdadeiras devastações nos nossos sonhos de cidade com oportunidade para todos.
Novos ricos assumiram o poder e os valores adquiridos pela educação caseira antiga estão sendo exterminados.
É o preço alto que pagamos pelo progresso não planejado.
Esperamos que Cuiabá procure a estrada do desenvolvimento social e volte a ser uma cidade mais justa e humana.
Gabriel Novis Neves

Quinta, 16 Abril 2015 08:42

Roberto Boaventura da Silva Sá

Dr. Jornalismo/USP; Prof. Literatura/UFMT 

Há algumas semanas, na mesma linha do artigo “Lixo acadêmico, causas e prevenções”, publicado pelo professor Rogério Cezar de Cerqueira Leite, no dia 06/03/15, na Folha de São Paulo, escrevi um artigo intitulado “Porcarias das Universidades”. Nele, tratei do ambiente corrupto patrocinado pela maioria dos colegas que atuam nas pós-graduações brasileiras.

Hoje, enveredo por trilhas opostas dessas porcarias que abundam no meio acadêmico como as pragas do Egito. Assim, mesmo tendo uma pauta política forte e tensa, como, p. ex., o necessário debate e a luta contra a aprovação do PL 4330, que surge para “regulamentar” as terceirizações no país, bem como o momento de plena consciência de que o Brasil foi mesmo vítima de um estelionato eleitoral, falarei um pouco da importância da arte que é feita nas universidades.

Antes de tudo, registro que, para mim, a arte, mesmo aquelas aparentemente mais fugidias do real concreto, serve como tonificante necessário para o enfrentamento dos problemas sociais, que não são poucos e tampouco suaves. Na verdade, muito do universo artístico é verdadeira arma para tantos enfrentamentos diários.

Mas por que estou fazendo esse recorte hoje?

Porque no final da semana que se foi, tive a oportunidade de apreciar na UFMT a apresentação de nossa Orquestra Sinfônica. Com o Teatro Universitário lotado por pessoas de diferentes idades, acompanhando-a esteve o músico Flávio Venturini, um dos mais fecundos participantes do movimento Clube da Esquina de Minas Gerais.

Da bela apresentação, destaco três momentos marcantes. O primeiro foi a execução da música “Fantasia barroca”. Apenas instrumentalizada, a peça nos possibilitou regressar a tantos acontecimentos do período colonial, ou seja, um tempo em que profundas tensões sociais se faziam presentes no cotidiano de nossas ancestrais, destacadamente os vivenciados no século 17.

O outro momento marcante ficou por conta do coro que se formou junto com os artistas quando foi cantada a música “Linda juventude”: “Zabelê, zumbi, besouro, vespa fabricando mel// Guardo teu tesouro, joia marrom, raça como nossa cor// Nossa linda juventude, página de um livro bom// Canta que te quero cais e calor,// Claro como o sol raiou...”

Essa saudação a nossa juventude se faz cada vez mais necessária, pois temos um futuro difícil pela frente. E só mesmo uma juventude, de muita raça, superando “fados e sinas”, poderá fazer valer esse porvir; poderá escrever as páginas de um livro bom, insistentemente rasgadas por agentes políticos despreocupados com a vigência da ética e do próprio futuro de nosso país.

O terceiro momento impactante da apresentação foi ouvir “Caçador de mim”, canção imortalizada por Milton Nascimento. Solenemente posto como um tenor à frente da Orquestra, Venturini emocionou a plateia já nos primeiros versos do texto: “Por tanta emoção// A vida me fez assim// Doce ou atroz// Manso ou feroz// Eu, caçador de mim”.

Dessa música, absolutamente forte no processo de descoberto do próprio “eu” de cada um de nós, surge uma lição, quiçá uma das mais significativas: “Nada a temer senão o correr da luta// Nada a fazer senão esquecer o medo// Abrir o peito a força, numa procura// Fugir às armadilhas da mata escura”.

E assim, um pouco da arte musical, sustentada por canções que são verdadeiros poemas que nos chamam à atuação constante na vida, nos reanima nessa “caminhadura”, nessa verdadeira “cama de tatame”, isso para lembrar agora o poema “Drão” de Gilberto Gil.

Terça, 07 Abril 2015 13:05

JUACY DA SILVA

A  cada ano morrem mais  de dois milhões de  pessoas, principalmente  crianças  e idosas, em decorrência de doenças relaionadas com o consumo de alimentos contaminados por agrotóxicos, herbicidas, fungicidas, antibióticos  ou em estado de conservação impróprios ao consumo humano por conterem bactérias,virus, parasitas ou outros  vetores patogênicos.
Em  sua edição de março último  a Revista National  Geographic, destacou em uma matéria que mais  de dois milhões de pessoas nos EUA ficam doentes  a cada ano por consumirem alimentos de origem  animal (principalmente bovinos, suinos e aves)  impróprios, os quais  contém altas doses de antibioticos, tornando  as  bactérias  altamente resistentes. Em 2014  ocorreram 23 mil  mortes devido a doenças vinculadas  ao consumo de alimentos que não  estavam de acordo com os padrões e normas,  internacionais e dos EUA. O custo dessas doenças para  o Sistema  de saúde nos EUA   foi  entre 21  e 34  bilhões de dólares. Informa  também a reportagem  que 80%  de todos os antibióticos consumidos/comerializados no país  são utilizados na  criação  de animais voltados `a produção alimentar.
Em 1948, na primeira Assembléia da OMS (Organização Mundial de Saúde), organismo  especializado da ONU para  esta área, foi aprovada uma  Resolução instituindo o DIA MUNDIAL  DA SAÚDE, a  ser “comemorado” em 07  de Abril  de cada ano.  O primeiro DIA MUNDIAL  DA SAÚDE  foi em 1950 e  desde então, nesses 65  anos, a OMS  tem estimulado a  reflexão, análise e debates sobre  temas fundamentais para  a saúde.
O tema do DIA MUNDIAL DA SAÚDE  em  2015 é “Segurança  dos alimenntos”, e envolve  a discusão desde a produção,  `a industrialização, o armazenamento, o transporte, a distribuição ou comercialização e o consumo. Mais  de 200 tipos de doenças  são  causadas por alimentos que são produzidos ou comercializados  e consumidos fora  dos padrões  estabelecidos pela “ Codex  Alimentarius” uma  instância  da OMS  em parceria  com a FAO  e participação da União Européia, mais 49 organizações  inter-governamentais, 16 organismos  especializados da ONU, 150 ONGs  de vários países. Em  2015 nada menos que 186 países  haviam aderido a CODEX ALIMENTARIUS  e   a  mesma  desde 2012  tem o reconhecimento da Organização Mundial do Comércio  com instância para dirimir conflitos entre paises em relação as questões de alimentos e  também  o poder  de estabelecer normas  e padrões internacionais que todos os países  devem seguir para resguardar  a saúde  dos consumidores.
No momento em que o Brasil experimenta uma  verdadeira explosão na produção de “commodities”, sem que, todavia, muitas dessas normas sejam respeitadas, principalmente quanto ao uso de agrotóxicos, herbicidas, fungicidas, antibióticos e outros produtos nocivos `a  saude humana, é mais do que oportuno que possamos discutir este tema.
Outro aspecto  também importante nesta discussão é o papel da agricultura  orgânica ou agricultura sustentável ou agroecologia,  incluindo também pecuária  e os horti-fruti,  como alternativa ao Sistema mercantilista de produção.
Este é um grande desafio que todos os governos e também entidades não governamentais, incluindo as que representm  a agricultura familiar, a  economia solidária e também dos consumidores  devem  enfrentar. Os custos  para  os sistemas de saúde  e também para a qualidade de vida da  população estão diretamente relacionados com a qualidade e segurança dos alimentos, cabendo aos organismos publicos, nas tres  esferas de governo, fiscalizarem para que os alimentos consumidos  pela população atendam  a  essas normas estabelecidas pela OMS e objeto deste DIA MUNDIAL DA SAÚDE.
JUACY DA SILVA, professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, EmailO endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.  Blog  www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy

Quarta, 01 Abril 2015 13:33

Roberto Boaventura da Silva Sá

Dr. Jornalismo/USP; Prof. Literatura/UFMT 

Engana-se quem pensa que há paixão sem preço. A cada paixão, um custo, seja ele objetivo ou subjetivo. Logo, quanto mais paixão, mais gastos. E o preço de uma paixão pode atingir cifras inimagináveis.

Agora, sem mais delongas, vamos ao ponto central deste artigo, que sai publicado um dia antes da Paixão de Cristo, relembrada a cada sexta-feira santa, conforme os preceitos do catolicismo.

Dias atrás, li que o governo de MT – assim como governos de outros estados da Federação e o do Distrito Federal – não realizará o Auto da Paixão de Cristo este ano.

Em matéria jornalística, expedida pela assessoria de comunicação da Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social (Setas), é dito que “a decisão fundamenta-se na necessidade de contenção de gastos com vistas ao saneamento das finanças públicas, priorizando os setores essenciais”.

Antes de falar dos detalhes mais importantes daquele texto, uma dúvida: por que a captação de recursos para a encenação da Paixão de Cristo, em MT, tem sido feita pela secretaria acima mencionada (Trabalho e Assistência Social), e não pelas de Cultura/Turismo, como poderia parecer mais óbvio?

Claro que minha pergunta não pressupõe que eu esteja defendendo a realização desse evento; ao contrário.

Agora, volto ao corpo da matéria jornalística. Ali, a assessoria da Setas teve a responsabilidade social de mostrar os gastos com esse evento nos últimos quatro anos. De 2011 a 2014 saíram dos cofres públicos R$ 11.249.391,51 para a Paixão.

Sim, caro leitor. Estamos falando de “milhões”. É grana com força!

Em 2011, conforme levantamento feito no setor de aquisições, a Paixão de Cristo – personagem bíblica que optou pelos pobres – custou aos cofres públicos a fortuna de R$ 3.224.733,00. Em 2012, mais R$ 2.355.532,00. Em 2013, outros R$ 2.024.275,00. Por fim, em 2014, arrebentaram a boca do balão: R$ 3.644.851,51.

Que paixão dolorida!

Diante desses números, várias dúvidas. Sintetizo-as em duas perguntas: 1ª) por que em 2014 foram gastos 1.620,546,51 a mais em relação ao ano anterior?; 2ª) só a inflação do período explicaria isso? 

A essa altura do artigo, já deve ter leitor bem irado comigo, prejulgando-me, obviamente. Os mais enfurecidos, quiçá, desejando-me o fogo do inferno.

Calma! Como diz uma amiga minha, “sem ódio no coração”.

Pense comigo: Cristo nasceu numa manjedoura e morreu numa cruz. Logo, poderia ficar escandalizado e com olhos ofuscados com tantos telões de led e atores globais por perto; não acha isso tudo bem desnecessário, leitor? Ou por trás dessa Paixão há outras paixões mundanas em jogo?

Outra pergunta: cristãmente falando, não é mais importante que o Estado invista, de fato, recursos na “expansão do Sine no interior, na promoção da inclusão produtiva por meio da qualificação profissional e ampliação de vagas aos trabalhadores em condição de vulnerabilidade (pessoas com deficiência, egressos do trabalho escravo e mulheres) e também na assistência ao jovem no processo de transição escola-trabalho?”

Ademais, não seria mais pertinente e respeitoso que a Paixão de Cristo fosse celebrada apenas dentro dos templos afins? Por que o Estado, que somos todos nós, inclusive os ateus, tem de pagar por eventos assim?

Logo, meus cumprimentos aos agentes do Estado responsáveis por esse corte, ou por essa chicotada no lombo de alguns vendilhões dos templos contemporâneos. Só lamento que tais agentes não tenham dito a coragem devida de dizer mais uma verdade: que o Estado é laico, e que, por isso, não deve pagar por esse tipo de conta.