Quarta, 06 Maio 2020 17:16

 

****

Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
****

 
 
Por Althen Teixeira Filho e José Domingues de Godoi Filho*

 

Frente a atual pandemia, a iniciativa do secretário geral da ONU de propor um cessar-fogo de conflitos bélicos no planeta é imprescindível para milhões de necessitados e demonstra um mínimo de senso humanitário.

Guerras são travadas por egoísmos, arrogâncias ou, pela falta de princípios éticos e morais que, há muito, deveriam ser a referência principal nas relações da espécie humana.

Entretanto, bem ao contrário, vive-se outra “guerra”, tão ou mais desumana das que roubam vidas no trovão de um míssil, no sibilo de um projetil ou na agonia de armas químicas.

Essa “guerra” não mata num súbito, mas amargura povos, tortura pela fome, aflige na incerteza do amanhã. Seus “generais”, longe dos campos de batalhas, refestelam-se em caros festins e em luxuosos escritórios urbanos de instituições financeiras. As táticas não visam a morte, mas calculam o domínio subliminar e como converter a energia do trabalho alheio em dividendos pessoais. Nela, botões são gatilhos que digitam cálculos bizarros, transmutando dívidas em repastos de insaciável ganância monetária. O aniquilamento não se faz sobre prédios, mas na desolação da cultura, na ausência do ensino e em profundas trincheiras de obscurantismo. As ordens do dia desvirtuam processos civilizatórios, impedem o progresso, propalam o engodo de promessas jamais cumpridas, jurando um futuro que jamais virá. Os espólios provêm desde vidas intrauterinas, mas também de crianças que choram medo, desesperançadas e degradadas em vidas sem rumo.  A estratégia não usa o impacto do balaço, mas a sutileza de dependência monetária infinda, a artimanha da interferência indevida, a política enquanto arma de corrupção. Essa “guerra” algema em grilhões de falsa moral, exigindo pagamentos não mais devidos, retirando o que não mais se pode cumprir, arrancando o que os povos não mais têm condições de oferecer.

A exploração da força de trabalho e dos recursos naturais pelo “capital” atingiu níveis impensáveis que geraram por questões do tipo, levantadas nos anos 90: - “É preciso merecer viver para ter esse direito? Será útil viver quando não se é lucrativo ao lucro?”

A riqueza mundial produzida é desfrute de ínfimo número de poderosos, nada restando para imensa parcela de miseráveis. Crescem mais o acúmulo das riquezas do que os salários, provocando um sem número de desvalidos. Surgem, sempre exponenciais, o lucro de empresas (bancos, indústria armamentista, de agrotóxicos, farmacêutica, outras), enquanto proventos rareiam ao ponto de não permitir o saciar da fome. Geram-se guetos, favelas, marginalidades sem água, sem esgoto, sem qualidade de vida (se é que podem ser nominadas “vidas”)!

A humanidade está obcecada no egoísmo do acúmulo de bens, na exploração insana da natureza, na financeirização de tudo e de todos.

A pandemia que ora vivemos fere de morte um sistema de especulações, de rendimentos em bolsas de valores, de juros obscenos, de agiotagem, de consumismo desenfreado, de ímpios cálculos que precificam vidas, da primazia de capitais sobre interesses da humanidade.

Então, assim como exigir o fim dos conflitos bélicos, deve-se imediatamente libertar, de uma vez por todas e para sempre, os países dos tentáculos de “dívidas” que sugam energias financeiras, as quais seriam empregadas para o progresso e proteção de cidadãos. A proposta apresentada de simples “suspensão” da dívida por seis meses é grotesca e só atesta falta de dignidade e excelência.

Esta “alforria” seria um marco civilizatório regido por lucidez, bom senso, humanidade, benevolência, amparo, caridade...

Nosso planeta precisa e merece ser, minimamente, mais humano!
 

*Althen Teixeira Filho – Professor da Universidade Federal de Pelotas/Instituto de Biologia – O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.
 José Domingues de Godoi Filho – Professor da Universidade Federal de Mato Grosso/Faculdade de Geociências – O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.
 

Terça, 05 Maio 2020 14:21

 

****

Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
****

 
 


Por Fernando Nogueira de Lima*
 

Por aqui, o dia amanheceu ensolarado e agradável, propício para se dedicar às amenidades da vida. Já nos noticiários, ao contrário, o clima está ruim por conta da intempérie que caiu no tabuleiro da política nacional, prenunciando que muita água ainda irá rolar e cabeças também. Minha expectativa é que a correnteza arraste máscaras e desnude a face oculta da verdade sobre tantas inverdades, maquiadas de dissimulações e de falsos discursos.

Devido à excessiva repetição, desviei, por um instante, a atenção das informações e comentários sobre o atual cenário político, lá no planalto central do país. De repente, me veio à mente a letra da cantiga infantil “Pomar” do grupo Palavra Cantada, composta com o propósito de ensinar à criançada a origem das frutas, cujos versos eu transcrevo a seguir:

“Banana, bananeira/ goiaba, goiabeira/ laranja, laranjeira/ maçã, macieira/ mamão, mamoeiro/ abacate, abacateiro/ limão, limoeiro/ tomate, tomateiro/ caju, cajueiro/ umbu, umbuzeiro/ manga, mangueira/ pêra, pereira/ amora, amoreira/ pitanga, pitangueira/ figo, figueira/ mexerica, mexeriqueira/ açaí, açaizeiro/ sapoti, sapotizeiro/ mangaba, mangabeira/ uva, parreira/ coco, coqueiro/ ingá, ingazeiro/ jambo, jambeiro/ jabuticaba, jabuticabeira”.

Pois é, minha mente tem disso. Como se tivesse vontade própria me mostra, vez por outra, como entender melhor o que meus olhos e ouvidos estão a ver e a ouvir. Desta feita, a mensagem esclarece que não há porque eu ficar surpreso com esse temporal aí, pois ele era previsível. E cá pra nós, a forma que ele desabou e suas especificidades também estão dentro do espectro da previsibilidade. A equação não é complicada, pois, também na natureza humana “laranja, laranjeira/ limão, limoeiro/ mexerica, mexeriqueira...  

Nessa linha de raciocínio, acrescento uma frase que também reflete o óbvio: “ninguém dá o que não tem”. Por isso, conforme disse Abraham Lincoln: “você pode enganar uma pessoa por muito tempo; algumas por algum tempo; mas não consegue enganar todas por todo o tempo”. Porém, nada mudará se a sociedade continuar aceitando ser enganada: inconscientemente - por ignorância ou ingenuidade; conscientemente - por comodidade ou escassez de indignação; deliberadamente - por conveniências pessoais ou coletivas.

O que pensar de uma república em que a carta magna pode sofrer - no âmbito de poderes constituídos, investidas com o fito de desrespeitá-la ou de desfigurá-la. E o que aguardar de uma sociedade em que a pretexto de defender o regime democrático, clama-se - à luz do dia e no breu de interesses nada republicanos-, por medidas que contraditoriamente negam a democracia e que, não importando a forma ou os argumentos postos, rasgam a Constituição. 

O que dizer de uma coletividade que submete o seu futuro a inútil disputa em que sairá vencedor os responsáveis pelo panelaço que fizer mais barulho ou que seja mais divulgado na mídia. E, nesse agir, aceita invadir ruas e avenidas, em dias e horários pré-definidos, e amplamente divulgados, empunhando bandeiras de causas que contemplam os mais diversos propósitos, nem todos democráticos. Para, depois, uns comemorarem a tática levada a efeito e outros ficarem pensando que contribuíram para salvaguardar a liberdade.

O que esperar de um povo que vive à mercê de heróis, forjados em períodos de calamidades, em momentos de descontentamento coletivo, em tempos de total perda de credibilidade na classe política e em temporadas de muitos escândalos, vindo à tona. A narrativa tem sido trivial: basta dar conta da sua ocupação, causar polêmica e ter holofotes à sua disposição, que pronto! Eis o nosso herói, desta sexta feira, deste mês de primavera sem cheiro de alecrim para anunciar que, em breve, nada será como antes tem sido, ou já foi. 

E assim, vamos produzindo heróis de araque e tendo fé neles como se fossem mortais divinizados, semideuses, mas, que não resistem a uma chuva com trovoada. Além disso, insistimos em negligenciar o significado da palavra herói e continuamos desconhecendo pessoas notáveis da nossa história real, imersos que estamos neste cotidiano em que o número de indivíduos crentes de que a realidade acontece nas redes sociais, só aumenta.

Nesta conjuntura, no exercício da cidadania, mesmo descrente, é imperativo ter atitudes que contribuam para a construção de um país próspero e de uma sociedade livre, justa e solidária. Até lá, além do isolamento responsável e do uso obrigatório de máscaras é preciso se vacinar contra a mesmice, a ignorância, os falsos profetas e a má política. E mais, é inadiável se deixar contaminar pela curiosidade, pela leitura, pelos fatos e pela boa política.


*Fernando Nogueira de Lima é engenheiro eletricista e foi reitor da UFMT.

Terça, 05 Maio 2020 14:16

 

****

Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
****
 

 

Por Roberto de Barros Freire*

 

O atual ministro da saúde que foge da imprensa, dos governadores, dos compromissos com a sociedade, é apenas um fantoche. É visível até seu constrangimento diante das câmeras de televisão, por ter que fazer um esforço gigantesco para não mencionar o isolamento social como prática necessária diante do crescimento da doença. Um exercício de contorcionismo para fugir da verdade dos fatos.


Afirmou na semana passada que a pandemia estava diminuindo no país, e hoje vemos que ela está aumentando, e muito, não é pouco não, milhares de vezes mais do que gostariam as autoridades. Muito mais do que previa o atrasado Osmar Terra, conselheiro do presidente, que olha a medicina com olhos moralistas ao invés de científicos.


Diante do enorme crescimento dos números, o que o ministro (sic!) faz? Diz que os números são diferentes em diferentes lugares do país, um tratado geral do óbvio. E o que recomenda? Nada, silêncio absoluto. Não pode dizer para mantermos o isolamento social ou o ampliemos, como seria o recomendado pela medicina e ciência, pois isso desagradaria o chefe, e ele está lá para servir ao chefe, não o país. Não diz o que fazer, nem ao menos recomenda que usemos máscara e higienizemos as mãos. Enfim, ele está lá para constatar a praga e nada fazer, e desconversar com a nação sobre as atitudes a serem tomadas. Nada a recomendar, nada a defender, nada a dizer nem ao menos para as famílias das vítimas que não tiveram uma UTI e que agora nem têm onde serem enterrados seus mortos. Fica dizendo que precisa melhorar os números, mas nem melhora a testagem, nem toma atitude com os números desagradáveis que já temos, e que se melhorar a amostragem, vai piorar ainda mais o quadro de infecção, o que deveria obrigar, se fosse sensato e não um capacho de Bolsonaro, a pensar em alguma instrução para a ampliação do isolamento social, para educar os bolsonaristas a não agirem contra o país em suas manifestações.


É uma vergonha ver um adulto prestar um serviço tão servil, tão medíocre, com atitudes mais de um servo ou escravo do que de uma pessoa livre e autônoma. Pode ser médico de formação, mas é um office boy do presidente. Tenho dúvidas se ele sabe a gravidade que vivemos, tão encantado está em agradar e servir seu dono, digo chefe.


Nossa saúde que nunca foi uma prioridade das autoridades governamentais, nem teve muitos recursos para consertar seus gargalos históricos, está acéfala, doente, incapaz de ser uma liderança e a indicar as recomendações necessárias para atravessar a pandemia. A troca de Mandeta foi uma aposta na doença, pois a doença talvez sirva a Bolsonaro para dar uma desculpa pelos resultados pífios que tem a oferecer com seu governo errático e criminoso. A doença parece servir aos interesses inconfessáveis do presidente, que como mostram as manchetes, apenas tem sarcasmos para aqueles que lhe indagam: “E daí? ... quer que faça o quê?”, diz o presidente desaforado diante do número de mortos. Queremos que ele tome uma atitude de gente grande e razoável. Temos que torcer que os governadores mais sensatos melhorem a saúde, pois a depender do governo federal, estamos em péssimas mãos. Nossa saúde caminha para o coma.


Temo que o mesmo ocorrerá agora na Justiça e na Polícia Federal, com pessoas que estarão a serviço do presidente, não do país. O presidente cerca-se de capachos e aduladores, como o ministro da saúde, que lá está para fazer a vontade do líder, não o que obriga a lei.
 
*Roberto de Barros Freire
Professor do Departamento de Filosofia/UFMT
O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.
 

Segunda, 04 Maio 2020 12:00

 

****

Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
****

 
 

JUACY DA SILVA*
 

A recentissima decisão do STF – Supremo Tribunal Federal, na última sexta feira, 24/04/2020, em Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) sobre uma lei Municipal que amordaçava a liberdade de pensamento e expressão em uma escola de Goiás, que, se não fosse constestada poderia ou poderá  virar moda, considerando o nivel de autoritarismo, obscurantismo e preconceito que caracteriza o atual ministro da Educação e vários integrantes do Governo Bolsonaro e seus aliados de extrema direita espalhados pelos estados e municipios, nesta matéria.

Precisamos ficar alertas, vigilantes e não permitir que o retrocesso possa se abater ainda mais sobre a educação brasileira, muito pois o sucateamento da mesma já ocorre a olhos vistos, vilipendiada nos últimos tempos, com o avanço da extrema direita que tenta, desesperadamente, descontruir e abolir todas as vitórias e conquistas alcançadas pela educação brasileira nas últmas decadas!

Esta decisão histórica do STF não pode passar desapercebida para educadores, estudantes, enfim, a sociedade brasileira, pois é uma vitória da liberdade de pensamento, de expressão e do livre debate de idéias nas escolas, contra o arbítrio, o obscutantismo e o autoritarismo dos partidários da extrema direita no Brasil.

A escola só cumpre seu papel se possibilitar os espaços necessários para que a educação seja, realmente, crítica, criadora e liberdadora, como tanto enfatizaram educadores como Anísio Teixeira, Paulo Freire ,Darcy Ribeiro, Rubem Alves e tantos outros que sempre propugnaram e lutaram por uma educação que seja o apanágio da liberdade e dos direitos humanos!

Em lugar da censura, que é um dos piores instrumentos e uma das características mais perversas de todas as ditaduras, civis ou militares, de esquerda ou de direita, viva a Liberdade, vida longa para a democracia, para a pluralidade de idéias e para a separação entre a Igreja, as religiões e o Estado laico que, representa a liberdade de culto e de expressão e se contrapõe ao totalitarismo das Teocracias, não importa qual o grupo religioso hegemônico na sociedade. A hegemonia do pensamento único é o caminho para a tirania, para a prepotência e para os abusos que silenciam, torturam e matam não apenas as pessoas, mas as idéias e a esperança de uma sociedade justa, inclusiva e um mundo melhor.

A laicidade do Estado e o respeito `a diversidade de pensamento são as grandes conquistas do mundo ocidental ao longo de séculos e as únicas garantias do avanço da ciência, a partir da liberdade de pensamento e de investigação nas escolas, em todos os niveis, da mais tenra idade até as universidades.

Sem liberdade de pensamento e de expressão as pessoas se tornam escravas dos donos do poder, das classes dominantes e dos eternos “donos da verdade”.  Liberdade sim, escravidão, Jamais!



*Juacy da Silva, professor universitário, fundador, titular e aposentado Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em sociologia, colaborador de alguns veiculos de comunicação. Email O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. Twitter@profjuacy

Segunda, 04 Maio 2020 11:58

 

****

Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
****

  

 

Roberto Boaventura da Silva Sá

Prof. de Literatura/UFMT; Dr. em Jornalismo/USP

O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

 

Há poucos dias, Sérgio Moro, ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro, pediu demissão, após saber da exoneração do diretor-geral (delegado Maurício Valeixo) da Polícia Federal (PF), que, por conta de investigações em andamento, não deveria livrar o presidente e três de seus filhos de constrangimentos, que poderão advir da eventual confirmação de alguns crimes; por isso, Bolsonaro tentou intervir politicamente na PF.

Nesse panorama, lembrei do delegado Chaves da “Ópera do Malandro”, de Chico Buarque e Ruy Guerra, escrita em 1978, baseada em adaptação à “Ópera dos Mendigos”, de John Gay, e à “Ópera dos Três Vinténs”, de Brecht e Kurt Weill.

No que tange ao seu tempo cronológico, tudo se passa na década dos anos 40, cujo pano de fundo era a legalidade de contravenções, como o jogo do bicho, a prostituição e o contrabando.

O enredo da ópera de Chico gira em torno da cafetinagem de Duran e de sua mulher Vitória. A filha desse casal apaixona-se por Max Overseas, que vive de golpes e da contravenção, tudo feito em conchavos com o chefe de política, o delegado Chaves, amigo de infância de Max.

Nesse universo da malandragem, surgem outras personagens, como os camaradas e as amantes de Max, as prostitutas (“Las muchachas de Copacabana”) e Geni, a travesti que “é feita pra apanhar...”.

Mas por que dessas lembranças?

Por conta da foto em que estão juntos – no réveillon 2019 – Carlos Bolsonaro e Alexandre Ramagem, ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência, e que chefiou a segurança de Bolsonaro na campanha/2018. O delegado Ramagem é o amigo íntimo da família que Bolsonaro nomeou (depois foi obrigado a desfazer o ato) para a direção-geral da PF.

Como item complementar, a Folha diz que “a investigação da PF, conduzida pelo Supremo Tribunal Federal, aponta Carlos Bolsonaro como o mentor das fake news contra os ministros da Suprema Corte”.

Aqui, vale lembrar da aproximação dos Bolsonaro com milicianos. Dessa amizade, eclodem as rachadinhas de Flávio Bolsonaro; por consequência, surgem outras contravenções, como a que noticiou o The Intercept Brasil (25/04/2020):

Rachadinhas de Flávio financiaram prédios da milícia”.

Para os investigadores, os dados mostrariam que o senador receberia o lucro do investimento.

Saindo dessa perspectiva de contravenções concretas e observando as de obsessão ideológica, mais crimes cometidos pelo clã Bolsonaro, como os ataques à democracia, toda vez que invocam o retorno da ditadura/AI-5. Desses crimes, Jair Bolsonaro chegou a fazer discurso em ato público no dia 19.

Insanidade?

Não. Ousadia, testando os limites da democracia, mesclada com esforços que podem estar visando, por algum tipo de “arte maligna”, se perpetuar no poder. O clã já tem ciência dos imensos problemas que enfrentarão. Afastamento e/ou impeachment do presidente já estão no horizonte, uma vez que dificilmente haveria a nobreza da renúncia.

Para encerrar, de novo, Chico Buarque. Desta vez, em sua “Homenagem ao malandro”, eis a constatação de que aquela saudável malandragem da Lapa, “Agora já não é normal”, pois, ela dera lugar ao “...malandro regular, profissional/ Malandro com aparato de malandro oficial/ Malandro candidato a malandro federal/ Malandro com retrato na coluna social/ Malandro com contrato, com gravata e capital/ Que nunca se dá mal…”.

Sem saudosismos dos governos anteriores, torço para que o último verso transcrito esteja errado, pois espero ver muitos brasileiros “ ir se acostumando” com a ideia de um “tchau, querido”.

Segunda, 04 Maio 2020 11:27

 

****

Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
****

 

Por Roberto de Barros Freire*

 

Demorou mais tempo do que esperava, mas o lado tirânico e golpista de Bolsonaro não conseguiu ficar escondido, ele não consegue mais se conter e apareceu esplendoroso na sua briga com Sergio Moro, querendo que o ministro usasse a polícia federal para obstruir a justiça, para esconder fatos relacionados a sua família, ou ainda ter informações sigilosas de outros. Durante toda sua vida política, Bolsonaro sempre se colocou favorável a ditaduras militares, a favor da tortura, da pena de morte, enfim, considerava que a ditadura brasileira tinha matado pouco, que deveria ter matado uns 30.000. Ele sempre foi favorável a que o Estado controlasse a sociedade civil, que deve ser tutelada por militares, segundo ele, os únicos capazes de controlar o povo. Sempre foi favorável a censura e perseguição dos inimigos políticos, e nunca teve outra intensão, senão utilizar o Estado a seu favor, como sempre fez nos seus mandatos como deputado federal. Sempre defendeu os milicianos e até distribuiu medalhas para eles, ele e os perversos filhos que sempre mamaram nas tetas do Estado.


Sempre teve uma visão totalitária do Estado, considerando que o governante deve ser capaz de tudo, até agir contra as leis, se for do interesse do ocupante do poder, e se esse ocupante for um militar. As leis, as instituições sociais, os diversos poderes todos devem estar submetidos a ele, e não suporta dividir o poder: ele é a constituição, afirmação dele digna de um absolutista, nunca de um republicano, que é servo das leis, não seu senhor. Se finge obedecer às leis e os demais poderes não é por convicção, mas porque não tem força suficiente para obrigar os demais a se submeterem. Seu intuito, cada vez mais visível, é destituir todos que tenham alguma competência e possam ofuscar sua baixa estatura, ou impeçam de usar o Estado a seu favor, e assim impor um caos na sociedade, para que possa justificar o uso de força e dar um golpe. Se há um golpista em Brasília, não está no congresso (ainda que também haja muitos por lá), está antes no palácio do planalto, um golpe contra a constituição, as instituições e o povo.


Ele não quer que seus subalternos e subordinados hajam de acordo com a lei e sua competência, ele quer utilizá-los para retirar vantagem de tudo, da polícia federal ao procurador da república, do ministro da saúde, aos órgãos de informação, tudo deve estar direcionado para legitimar suas loucuras, seus gostos pessoais, suas mediocridades, suas ousadias de tentar passar por cima de tudo e de todos, em particular do Congresso e do STF. Ele quer usar a polícia federal para investigar seus desafetos políticos.


O discurso da escolha dos ministros por competência é uma falácia; escolhe os mais serviçais, os que menos possam ofuscar sua figura, aqueles que mais adulam seu ego minúsculo. Quer pessoas que combatam os diversos setores sociais que tenham uma visão distinta da dele. Ele não quer um chanceler, ele quer um capacho que se engaje nas suas lutas ideológicas. Ele não quer um médico no ministério da saúde, mas alguém que defenda sua loucura. Ele não quer um juiz no ministério da justiça, mas alguém que o favoreça em qualquer contenda contra seus inimigos, que é a grande maioria da população.


Tanto o Congresso como o STF têm obrigação de investigarem as graves acusações de Moro, de tomar uma posição sobre os procedimentos presidenciais. Da saída e discurso para um movimento antidemocrático e terrorista há poucos dias, querendo derrubar instituições republicanas, à forma como ele procede com seus subordinados querendo não apenas fidelidade, mas cumplicidade em atitudes pouco republicanas, tudo tem que ser esclarecido. Não faltam motivos para o impeachment, falta coragem e discernimento dos deputados e senadores. Nós temos um governante que age contra a nação e é preciso que tomemos uma atitude digna e de maturidade. Ele tira força e dinheiro de um Estado empobrecido, e fica jogando a população contra si mesmo, induzido seus seguidores a atitudes ilegais e imorais. Ele presta um desserviço a todos nós. O ideal seria que renunciasse, que não tivéssemos que gastar energia num processo de impeachment, mas não devemos esperar grandeza de alguém pequeno, minúsculo, miúdo e desonesto.


 
*Roberto de Barros Freire
Professor do Departamento de Filosofia/UFMT
O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.
 

 

Terça, 28 Abril 2020 18:41


***


Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
**** 


Por Clark Mangabeira*

Enfim, sobrou tempo. Muito tempo. Em meio ao necessário e fundamental isolamento social, o tempo tornou-se, por um lado, filho pródigo que retornou com ânsia de permanência quando achávamos que já o tínhamos perdido para sempre, condenados a procurá-lo. Por outro lado, ironicamente, agora impõe sua vontade à nossa revelia: o que fazer com esse montante inesperado, aparentemente exagerado, dessa coisa chamada tempo que agora escorre como se inesgotável por entre nossos dedos?

 

Isolados, acabamos nos tornando os corpos que sempre fomos. Corpos que se movem, comem, defecam, bebem, dançam, dormem, pensam. Corpos: carne, mente e alma, trindade una flutuando entre o futuro do presente e o do passado. E, como corpos que sempre fomos, percebemos que esbarramos naquele tempo. Andamos com ele. Por dentro dele. Independente de qualquer variação filosófica, fiquemos com o óbvio – um exercício que hodiernamente parece excelente: temos tempo, queremos fazer algo com ele, mas nossos corpos=mentes=almas se escoram no antigo hábito de nunca o ter, de sempre persegui-lo, cachorros correndo atrás do próprio rabo.

Corpos e tempos. Tempos que subjetivamente variam de corpo a corpo. É comicamente triste ver publicações nas mídias em geral que encerram piadas sobre a quantidade de tempo, corpos prostrados e desesperados pelo excesso. Porém, é triste também fingirmos nunca nos termos dado conta da falta, de quanta falta o tempo fazia: na aclamada lucrativa correria do dia a dia, durante a qual muitos ansiavam pelo fim de semana ou alguma atividade qualquer, faltavam horas e dias. Esvaíamo-nos.

Então, veio o agora e mudou tudo. O agora mesmo, inescapável. Presos em um agora elástico, o que fazer? Como fazer? Que tempo, dentre todas as antes maravilhosas possibilidades, queremos usufruir? Nunca se fez tão necessária as Artes em nossos corpos=tempos. “Sempre” e “nunca” se fundiram em uma encruzilhada na qual a desgastada imaginação bamboleia-se em torno do próprio eixo, sem a necessidade do tempo futuro na qual viria a fincar-se, já que o agora, bem, é agora, e as Artes dão o tom dos começos e finais dos tempos.

Paralelamente, não nos esqueçamos, Artes e corpos=tempos inscrevem-se politicamente. Quais tempos são passíveis de serem usufruídos artisticamente e artesanalmente, ou não? Quais corpos podem usufruir de quais tempos e Artes? Quais corpos=tempos devem ser excluídos? Estes e muitos outros questionamentos delimitam a lógica objetiva mais ampla – cruel – de estabelecimento de tempos específicos para corpos específicos, em uma agonia da qual resvalam gritos dos excluídos, e às favas com as qualidades subjetivas artísticas e corpo=temporais. Corpos desolados. “Corpos matáveis”, nas palavras da filósofa Judith Butler, mas também tempos matáveis, cruéis, açougueiros a retirar a carne das mentes e almas para servir de alimento a outros. Corpos=tempos esvaziados.

No inefável desse momento-instante atípico, enfim, o que nos resta? Volta-se ao “tudo” e ao “nada”, unificados. Não faço a menor ideia do que fazer e/ou viver. Sobra tempo? Inegavelmente. Mas que outros pensem sobre ele. Estou (estamos?) com o corpo cansado e, infelizmente, sem tempo. Defender o óbvio – que clichê! –, de fato, cansa. Mas, por favor, fiquem em casa. 

Texto publicado anteriormente na Revista Matapacos (do Coletivo Coma A Fronteira) e  site iMato Grosso.   

*Clark Mangabeira,  escritor e Prof. Dr. do Departamento de Antropologia da UFMT

Terça, 28 Abril 2020 18:29


****


Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
****

 

Compartilhamos, a pedido do professor Reinaldo Gaspar Mota, o MANIFESTO DO FÓRUM PERMANENTE DE SAÚDE DE MATO GROSSO 

 

O Fórum Permanente de Saúde e a Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares em MT vem, por meio deste, externalizar suas preocupações em relação a pandemia causada pelo novo coronavírus(SARS-Cov2).

Neste momento, o mundo registra aproximadamente 3 milhões de casos notificados de COVID-19 e mais de 200 mil mortes, tendo como principal país atingido os EUA, com quase 1 milhão de casos e 50 mil óbitos. Neste ranking o Brasil aparece no 11º lugar com uma das maiores taxas de letalidade (6,8%).

O Ministério da Saúde registrou cerca de 60 mil casos confirmados, mais de 4000 óbitos, com 346 novas mortes nas últimas 24 horas (26/04/20). Em Mato Grosso, até o presente momento (27/04/20) existem aproximadamente 241 casos com a notificação de 10 óbitos. Lembramos que o número de testes disponibilizados é insuficiente para atender a população e confirmar os dados estatísticos. Os testes são preconizados para os casos graves.

Em Cuiabá, conforme os últimos boletins o número de casos suspeitos vêm aumentando: até o momento foram notificados 415 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave, com aproximadamente 135 casos positivos para COVID. ALERTAMOS QUE ESTES NÚMEROS NÃO REPRESENTAM A REALIDADE LOCAL, FAZEMOS UM IMPORTANTE APELO: FIQUE EM CASA! 

Em caso de real necessidade procure o serviço de saúde. Nosso País possui o maior sistema de SAÚDE PÚBLICO e GRATUITO do mundo, que atende 100% da população, sendo que 75% dos brasileiros tem acesso somente ao SUS. Portanto o Sistema Público e gratuito deveria ter maior aporte financeiro, entretanto, não é o que ocorre: os governos vem reduzindo drasticamente asverbas da saúde, que 

perdeu mais de 20 bilhões pela EC 095. Por outro lado, o governo  injeta dinheiro nos bancos e grandes empresas, como foi amplamente noticiado no dia 23/03 o Banco Central liberou, preventivamente, um pacote de medidas para garantir a liquidez ao "mercado" num valor estimado em mais de 1,2 trilhão de reais. Por outro lado, o pagamento do auxílio emergencial de 600 reais aos cidadãos, não custará nem 60 bilhões aos cofres públicos e representa menos de 5% da verba destinada aos bancos.

Não bastasse a gravidade do cenário político de ameaças à democracia e o descaso pela vida,alertamos que os recursos para o controle da maior pandemia já registrada neste século são escassos e insuficientes. Assim é fundamental que as medidas de controle sejam adequadas e seguidas rigorosamente de acordo com os critérios científicos estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Somente se consegue interromper a cadeia de transmissão do vírus com o DISTANCIAMENTO SOCIAL HORIZONTAL; TESTAGEM ABRANGENTE PARA A POPULAÇÃO; ISOLAMENTO DAS PESSOAS ACOMETIDAS; USO DE EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL PARA TODOS OS TRABALHADORES DA SAÚDE E PRODUTOS DE HIGIENE ELIMPEZA.

Alertamos que ainda não é o momento de flexibilizarmos o isolamento social. 

Nada tem mais valor que a vida!  

A doença ceifa a cada dia grande número de vidas, empurra muitas famílias para a pobreza extrema, coloca à prova valores e princípios da sociedade que já tem se mobilizado de forma solidária para ajudar os que mais necessitam.

Ante a flexibilização do isolamento social e a retomada, ainda que gradativa, das atividades comerciais, especialmente para os grandes comércios propostas pelo Governador Mauro Mendes, pela Prefeita Lucimar Campos e agora também pelo Prefeito Emanuel Pinheiro, o Fórum Permanente de Saúde vem alertar a população para os verdadeiros riscos e CONVOCAR todos para lutar contra essas medidas. Lembramos que a estrutura de saúde em MT é bastante fragilizada pela terceirização dos Hospitais, que nunca supriram a demanda de UTIs, muito menos agora, diante da real ameaça de expansão dessa pandemia em MT: não existe vacina para esta doença, os profissionais de saúde não dispõem de Equipamentos de Proteção Individualn - EPI em quantidade e qualidade necessárias, a quantidade de respiradores e leitos de UTI em caso de expansão da pandemia será insuficientes. Defendemos que todos os leitos públicos e privados de UTIs estejam disponíveis aos usuários do SUS.

O Fórum Permanente de Saúde defende o pleno direito à saúde e à vida. As reformas aprovadas nos últimos governos só pioraram os salários, jornadas, garantias e expectativas para o trabalhador .

Mais uma vez nossos governantes demonstram descaso com a saúde. Grandes empresários, para manter seus negócios e lucros, colocam em risco a vida de milhares de trabalhadores, numa política genocida criticada por cientistas, lideres e governantes em todo o mundo. Infelizmente estamos na contra-mão da história.

É nesse cenário caótico de morte e miséria que propomos unir forças para:

-  Que sejam revogados os decretos do Governador e Prefeitos que flexibilizam o isolamento social até que a pandemia seja controlada;

-  Máxima agilidade e maior amplitude de politicas sociais governamentais de proteção à população de maior vulnerabilidade e de menor renda;

-  Revogação da Emenda Constitucional (095) do Teto de Gastos;

-  Ampliação de leitos do SUS e fornecimento adequado de medicamentos e EPIs aos trabalhadores que enfrentam diretamente a COVID 19;

-  Taxação do Agronegócio e revisão da isenção fiscal de grandes empresas e dos agrotóxicos ( Reforma Tributária);

-  Suspensão do pagamento da Dívida Pública em todas as esferas.

Por fim, parabenizamos todos os trabalhadores, especialmente os da saúde, que colocam sua vida à serviço dos doentes nesta pandemia. Reafirmamos nosso compromisso de estar, como sempre, na luta por melhores condições de trabalho e na defesa intransigente do SUS público e de qualidade que defende a vida de todos os brasileiros.

Sigam-nos no Facebook: www.facebook.com/ForumSaudeMT/ No Instagram.com/forumsaudemt.
Participe do Manifesto Virtual: Em Defesa da Vida.
Envie por whatsApp seu Vídeo Manifesto, de no máximo 59 segundos, Estaremos recebendo a partir desta terça feira, dia 28 para 65 992250866.

CLIQUE AQUI E FAÇA DOWNLOAD DESTE ARTIGO NA ÍNTEGRA ...

 

 

Sexta, 24 Abril 2020 18:56

 

****

Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
****



 
JUACY DA SILVA*

 

Hoje é sexta feira, mas não e sexta feira 13, todavia está em curso um verdadeiro terremoto politico e institucional em Brasilia. As "placas tectônicas" da politica nacional estão entrando em choques e os "sismógrafos" dos meios de comunicação e dos meios politicos e econômico/financeiros ja estão captando que está em curso um grande terremoto que podera abalar profundamente as estruturas dos poderes e alterar a dinâmica politica e institucional, como aconteceu com o suicidio de Vargas, a renuncia de Jânio Quadros, o golpe militar que derrubou João Goulart, os impeachment de Collor de Melo e de Dilma Roussef.
 
Esses sinais passaram a ser sentidos com o rompimento de Bolsonaro com aliados de primeira hora, o abandono do Presidente em relacao ao seu proprio partido  - PSL e de forma mais explícita, quando do acirramento de opiniões e rumos em relação `as estrategias para conduzir a "guerra" contra a pandemia do coronavirus, culminando, depois de muito bate boca entre o Presidente e seu ministro da saúde, com a demissáo do então ministro Mandeta, que na época tinha um prestigio e avaliacao positiva junto a opinião pública equivalente a mais do que o dobro do auferido pelo Presidente Bolsonaro, que não passa de 35% em todas as pesquisas, enquanto a avaliação negativa é bem maior.
 
Como Bolsonaro não pode viver sem inimigos e sem sua "guerrazinha" particular, mesmo que isto signifique sucessivas derrotas tanto junto a opinião pública, pela avaliação negativa que costumeiramente tem; seja por estar sempre na contra-mão do bom senso, das orientações das comunidades médica e cientifica, além dos poderes legislativo e judiciario e a quase totalidade dos governadores e prefeitos das grandes cidades, principalmente das capitais.
 
Concluida a operação mandeta, Bolsonaro e sua "troupe" precisava de escalar um inimigo de plantão contra o qual suas baterias deveriam ser voltadas.  A escolha foi imediata, os governadores e prefeitos que pregavam e ainda pregam o isolamento e o distanciamento social como a única estratégia eficiente para evitar que o Brasil se transforme no que outros paises passaram ou ainda estão  passando como Europa e Estados Unidos, em relacao `a pandemia do coronavirus.
 
Mas o inimigo mais temido por Bolsonaro continua sendo o presidente da Camara dos Deputados, Rodrigo Maia, também do DEM, que detém o poder de pautar ou engavetar mais de 20 pedidos de impeachment de Bolsonaro, que poderia signficar o afastamento do Presidente do cargo,por seis meses ou até a conclusao do processo.
 
O clima vem azedando rapidamente e tem tudo para explodir e colocar Bolsonaro na defensiva e batida em retirada como fazem os comandantes de tropas quando percebem que a derrota esta bem proxima.
 
Neste contexto, basta a gente relembrar como foi o desenlace no caso do impeachment de Dilma, que ao confrontar e escalar o então Presidente da Camara Eduardo Cunha, que também acabou perdendo o mandato, condenado e preso desde então.É bom relembrar que em 30 de março de 2017, Eduardo Cunha foi condenado, no âmbito da Operação Lava Jato, pelo juiz Sérgio Moro, a 15 anos e 4 meses de reclusão pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
 
Neste mesmo contexto, outro sinal de que as “placas tectônicas” politicas e institucionais estão se movendo, antes lentamente, ultimamente de forma mais rápida, o sinal mais recente foi a intervenção do Ministro mais antigo do STF Celso de Mello, que enviou expediente ao presidente da Camara instando-o quanto a um pedido de impeachment de Bolsonaro feito por dois advogados, um dos quais ja foi assessor especial da ministra do STF Rosa Weber.
 
Além desta presença do Ministro Celso de Melo neste terremoto, cabe destacar também os seguintes fatos: a) CPI e investigações sobre a questao das “FAKE NEWS”, que estão se aproximando dos gabinetes dos filhos do Presidente e inclusive do chamada “gabinete do ódio”, com participação de pessoas que estão bem próximas de Bolsonaro e do Palacio do Planalto; essas investigações estao sendo conduzidas pelo Ministro Alexandre de Moraes do STF; b) pedido de abertura de inquérito policial/criminal feito pelo Procurador Geral da República ao Supremo Tribunal Federal, que foi acatado e tendo sido sorteado o Ministro Alexandre de Moraes para conduzi-lo, para investigar as manifestações anti-democráticas ocorridas em varias cidades do país, onde o fato mais importante foi a participação do Presidente Bolsonaro com seu discurso populista e incendiário.
 
Recorda-se que naquela manifestação apareciam faixas e cartazes pedindo o fechamento do Congresso Nacional, do STF, a volta do AI-5 e a intervenção militar com a permanência de Bolsonaro, como presidente/ditador, ou seja, um golpe de Estado e um atentado contra a Constituição e contra a ordem democrática.
 
Agora, nesta manhã de sexta feira, dia 24 de abril de 2020, o mundo politico e os meios de comunicação e a opinião pública foram surpreendidos com a demissão “a pedido” do Diretor Geral da Policia Federal.
Apesar do ato constar “a pedido” e ter sido “assinado” tanto por Bolsonaro quanto Moro, causou estranheza o fato de que tanto dirigentes de entidades representativas dos Policiais Federais e o próprio ministro Sérgio Moro informaram que foram “pegos de surpresa”.
 
Este capítulo do terremoto esta prestes a ser concluido nesta manhã com a entrevista coletiva do Ministro Sérgio Moro, que poderá informar que vai deixar o cargo ou então contemporizar e desmoralizar-se perante a opinião publica, ao permanecer no governo totalmente desprestigiado e desautorizado.
 
Pois, se ficar como ministro estará sendo “enquadrado” por Bolsonaro que não gosta de ministros que tenham melhor avaliação e “brilhem” mais do ele próprio, não tolera super ministro e faz questão de sempre dizer “quem manda sou eu”, “quem tem a caneta sou eu”,  “médico não abandona pacientes, mas pacientes podem trocar de médico quando bem entender”, “não sou um presidente banana” e, finalmente, a grande paranoia quando disse recentemente “a Constituição sou eu”, insuando que esteja acima da Carta Magna, aprovado democraticamente por uma Assembléia Nacional Constituite, constituicao esta que Bolsonaro jurou publicamente cumprir e faze-la ser cumprida.
 
Terminado o capitulo Moro, com certeza o próximo choque das “placas tectônicas” da politica em Brasilia, será no “enquadramento” do ministro da economia, também até recentemente considerado outro super ministro, ao lado de Sérgio Moro, que com o Plano Pró Brasil, que representa a proposta do Governo Bolsonaro para a saida econômica e social após a pandemia do coronavirus, anunciado em entrevista coletiva no Palácio do Planalto sem a presença do ministro da Economia, pelo , agora sim, ministro todo poderoso, o General Braga Neto, chefe da Casa Civil, mesmo cargo ocupado por outro general durante os governos militares, Golbery, o grande articulador da abertura lenta e gradual realizada por Geisel e continuada pelo último general presidente João Figueiredo, que possibilitou a saida dos militares do governo ou o que muitos estudiosos consideram o fim da ditadura.
 
Este Plano Pró Brasil, isola e retira boa parte do protagonismo do minstro Paulo Guedes, o Famoso “posto ipiranga” de Bolsonaro, que passará a ser apenas um “puxadinho” da Casa Civil, coordenado pelo General Braga Neto, espécie de eminência, não muito parda, ou quase um primeiro ministro.
Enfim, não bastassem o tormento, o medo, a angustia, o sofrimento, a dor e as mortes, as consequências humanas, sociais, econômicas e politicas provocadas pelo coronavirus, o país ainda tem que conviver com um governo que está se deteriorando a olhos vistos e de um presidente que age de forma intempestiva, emocional, miope pelo virus ideológico e que não mede as consequências de seus Atos e pronunciamentos. Prova disso é o que esta acontecendo com o câmbio nos ultimos dois meses.
 
Vamos aguardar os novos capítulos desta novela ou as movimentações dessas placas tectônicas da vida institucional do país, tudo, claro, dependendo dos humores de Bolsonaro e do andamento das investigações da policia federal sobre fake news e atos atentatórios `a democracia e as instituições, ao andamento dos pedidos de impeachment de Bolsonaro que dormem nas gavetas de Rodrigo Maia e do protagonismo do STF em meio a esta crise.
 
Quem viver verá!
 
*JUACY DA SILVA, professor universitário, fundador, titular e aposentado Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em sociologia, colaborador de alguns veiculos de comunicação. Email O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. Twitter@profjuacy
 

Sexta, 24 Abril 2020 18:34

 

****

Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
****

 

Prof. Maelison Silva Neves[2]

 

A pandemia da COVID-19 tem provocado inúmeros desafios à humanidade, assolada com o risco de perda de milhões de pessoas por uma doença que levou ao colapso os sistemas de saúde do mundo por onde passou. Ninguém estava nem está preparado, mas estamos lutando o quanto podemos para preservar o maior número de vidas e a Universidade tem mostrado toda sua imensurável importância e valor nessa batalha, em todas as frentes, com todas as suas especialidades. Aliás, tem ficado claro que não podemos prescindir de nenhuma ciência, seja pura ou aplicada: exatas, biológicas, humanas, sociais, artes e filosofia têm contribuído, cada uma a seu modo, para o esforço conjunto em defesa da vida.

Nesse contexto, surge também o debate da educação, seus meios, fins e sentidos. Se nenhum de nós estava preparado para lidar com a pandemia e suas consequências, nos perguntamos o que devemos fazer para nos preparar, considerando que seus efeitos ainda não são conhecidos por completo e não sabemos até quando iremos conviver com essa ameaça. Essa é uma tarefa da Educação que inclui a Universidade, mas a transcende (envolve desde a aprender a não tocar o rosto com as mãos sujas, lavando-as adequadamente com água e sabão, a aprender a encarar as transformações complexas do cotidiano da vida, ressignificar nossas relações sociais, visto que mesmo que queiramos elas não serão as mesmas). Essa transcendência e as incertezas da Covid-19 necessitam integrar nossos debates sobre o calendário acadêmico, seu adiamento e o momento e forma de sua retomada.

Recentemente, tal debate tem girado em torno de ofertar disciplinas por meio da Educação a Distância (EAD). Ele é legítimo e na UFMT temos o privilégio de ter desenvolvido expertise por meio de profissionais dedicados a estudar a temática com seriedade no Núcleo de Educação Aberta e a Distância (NEAD) – além de outras experiências formativas na UFMT-, apresentando as potencialidades da EAD para mediação do processo educativo e temos a excelente equipe da Secretaria de Tecnologia Educacional. A partir do meu contato com as produções dessas profissionais, tenho aprendido que não se pode fazer um debate maniqueísta e dicotômico: “EAD sim!” ou “EAD jamais!”. Há críticas às formas estandardizadas que não levam em consideração as especificidades do processo ensino-aprendizagem nem que sua base são as relações humanas. Assim, o uso de tecnologias não pode prescindir desse elemento fundamental para a garantia do processo pedagógico e por isso a EAD não pode ser um produto feito em série, uma educação em linha de montagem, ou pior, um subterfúgio, um improviso. Assim como a arte, a educação, em todas as suas formas, tem sua auricidade[3]: uma relação humana atravessada por inúmeros afetos com uma finalidade formativa ampla.

Além da importante contribuição do NEAD-UFMT, há outros grupos de pesquisa no Brasil que também se dedicam a essa temática, de modo que temos muito acúmulo, a ponto de termos ofertado cursos de graduação a “distância” via Universidade Aberta do Brasil (UAB), desde 2006[4]. Em outra frente, o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN) tem se debruçado sobre o debate, com participação de sindicalistas com larga experiência na Educação[5], incluindo na EAD, tendo inclusive aprovado uma seção sindical específica de Docentes tutores, contratados pela Fundação Cecierj / Consórcio Cederj[6]. Como se vê, as reflexões sobre as potencialidades, limites e contradições do Ensino a Distância tem sido feito tanto no âmbito da Educação e sua interface com as tecnologias quanto nas implicações para as condições de trabalho dos profissionais e seguem em curso.

Assim, não é sobre a EAD em si que me manifesto nesse artigo de opinião, não pretendo inserir-me no debate referido no parágrafo anterior. Antes, discuto a pertinência do retorno das aulas mediante essa modalidade como ferramenta de mediação do processo educacional em tempos de isolamento social motivado por uma pandemia de um vírus mortal, que tem dizimado milhares de pessoas no Brasil e no mundo e cujo fim ainda é incerto. Isso aterroriza todos nós, com impactos sociais amplos ainda impossíveis de medir. Nesse cenário, é compreensível o recurso psicológico de busca de retomada da normalidade: A negação (ou a busca romântica por um cotidiano perdido) é uma estratégia de fuga/esquiva que utilizamos diante de situações estressoras (como o luto) cuja eficiência é limitada, com consequências nem sempre ponderadas e às vezes mais impactantes que o enfrentamento do estressor. Nesse caso, o estressor do qual se quer fugir parece ser a morte do cotidiano ao qual estávamos acostumados antes de sermos tomados pelo redemoinho da Covid-19. Nesse redemoinho, ficamos tontos, nos afastamos do ponto de referência (calendário acadêmico em sentido amplo) e a ele tentamos voltar, na esperança de que ainda esteja onde deixamos. Mas está?

Assim, defendo que a retomada do calendário acadêmico mediado pela EAD enquanto durar as orientações de isolamento social não é uma boa alternativa – e isso nada tem a ver com juízo de valor da EAD em si- e apresento dois argumentos principais:

1)    Desigualdades das condições de trabalho e estudo: Por um lado, não sabemos as reais condições de todos nossos estudantes em termos de acesso às condições necessárias para o processo ensino-aprendizagem mediado pelas TIC (tecnologias da informação e comunicação). Não sabemos se todos tem computadores em suas casas (muitos estão longe de casa e usam o computador dos laboratórios da universidade); não sabemos se todos tem acesso à internet em velocidade suficiente para assistir às lives, os vídeos e baixar os materiais disponibilizados; não sabemos se há uma ambiente propício a estudar: mesa, cadeira, silêncio, ou se o estudante divide o espaço com outras pessoas com quem vive. Por outro lado, não conhecemos se todos nossos colegas tem condições de trabalhar a partir de casa. Pode-se dizer que com nosso salário e a biblioteca pessoal de casa temos a infraestrutura necessária para preparar aulas e mediá-las via ambiente virtual de aprendizagem. Porém, ignoramos os pais e mães de crianças pequenas, dos colegas que necessitam passar mais tempo com familiares idosos ou que necessitam administrar o cuidado com os que estão em outros lugares. Os tempos são outros, a relação com o lar, com a biblioteca pessoal são outros, com o computador também.

2)   Limites humanos e psicológicos: há um motivo para a suspensão das aulas presenciais e citá-lo pode ser desnecessário, mas quero sublinhar que isso significa que um dos nosso estudantes pode estar com Covid-19; pode ser que um familiar seu esteja com sintomas, esteja hospitalizado, ou mesmo na UTI; pode ser que um vizinho seu ou pessoa conhecida esteja; pode ser que nossos estudantes estejam bastante preocupados com sua contaminação ou das pessoas que ama. E nós professores? Podemos estar na mesma situação: como humanos temos o direito de sermos afetados, de nos entristecer e perder o rumo quando somos obrigados a ficar trancados em casa por causa de uma pandemia mortal. Pode ser que a última coisa com que nossos estudantes queiram se preocupar (e com razão!) seja com a prova daquela matéria difícil, com o risco de reprovação porque não está conseguindo render o suficiente. Nós professores precisamos refletir também em nossas limitações psicológicas de preparar as aulas com a qualidade e riqueza que isso exige, enquanto estamos preocupados com nossa segurança e das pessoas que amamos (e também das que não conhecemos, por nossa conexão com o gênero humano, ao ver todos os dias as estatísticas crescentes de mortes). Baseado em sua experiência pessoal, alguém pode objetar que estou sendo dramático, mas pare e pense: você pode assegurar que todos estão reagindo do mesmo modo que você? Você pode assegurar que essa seja a melhor forma de reagir diante do que está acontecendo e ainda nos aguarda?

O que é ensinar?

O processo de ensino-aprendizagem, matéria prima e finalidade do trabalho docente nos contextos formais (escola, universidade) é fundamentalmente uma relação humana: seja ela presencial ou mediada por instrumentos tecnológicos. Nesse caso, necessita do engajamento de quem ensina e de quem aprende (pode-se até admitir que esses papéis são intercambiados entre docente e discente). Esse engajamento envolve a utilização dos recursos físicos, fisiológicos, cognitivos, emocionais. Tais recursos são reconfigurados à medida que a experiência educativa se desenrola (o professor pode ficar rouco por falar bastante diante de uma turma barulhenta; o sinal da internet pode cair; a preocupação com perda do próprio emprego ou de quem o sustenta pode interferir na concentração diante das videoaulas), exigindo ações de renormatividade (uma adaptação ativa) do professor e dos estudantes para garantir que se atinja os objetivos, recuperando os sentidos dessa experiência.

A pergunta é: quais as possibilidades de engajamento em aulas, mesmo que mediadas por TIC, diante do embate cotidiano com o isolamento social? Pode-se argumentar que o retorno das aulas seja até favorecedor da saúde mental de docentes e estudantes, ao produzir uma distração ou preenchimento do vazio da quarentena. Mas, e se isso agravar o sofrimento? O próprio uso das aulas como forma de preenchimento do vazio da quarentena é um deslocamento perigoso da finalidade do processo educativo. Notem que nem toquei ainda nos desvios perigosos que isso possa representar como forma de substituição de contratação de mais professores e construção de espaços físicos.

Minha defesa não significa que a universidade paralise. Ela não está paralisada e é uma instituição fundamental para a sociedade brasileira. Nesses tempos extraordinários, defendo um funcionamento de nossas atividades de pesquisa e extensão, respeitando as condições e limitações de professores, pesquisadores e técnicos, com foco no direcionamento ao enfrentamento da pandemia. Não significa uma mudança dos projetos de pesquisa/extensão em curso, mas uma pausa no que não disser respeito ao essencial suporte à sociedade brasileira para enfrentamento da pandemia. E, acima de tudo, o respeito àqueles que, pelos argumentos expostos acima, não puderem se engajar nessa força tarefa, mas que já dá uma grande contribuição em preservar sua vida e a dos seus.

Por fim, é preciso refletir eticamente se a decisão de dar aulas em meio ao isolamento social, baseando-se na AVAliação[7] de que temos condições técnicas e psicológicas para fazê-lo pode ser tomada em igualdade de condições por todos docentes e estudantes. Mais do que nunca, é o momento de pensarmos coletivamente, é momento de solidariedade. A pandemia expôs as entranhas da brutal desigualdade de condições de vida da população mundial, mais especificamente da brasileira. Qual lição mais importante a universidade dará a seus professores e estudantes em relação aos rumos de nossas vidas e sociedade diante dessa pandemia? Acrescentaremos mais um capítulo a essa tragédia?

 



[1] Esse texto é um posicionamento pessoal, aberto ao necessário debate junto à comunidade universitária.

[2] Docente do departamento de Psicologia e doutorando em Saúde Coletiva na UFMT – Campus Cuiabá.

[3] Parafraseando Benjamin em “A Obra de Arte na Era de Sua Reprodutibilidade Técnica”, publicada em Benjamin, W. Magia e técnica, arte e política. 3ª edição. São Paulo – SP: Brasiliense, 1987.

[4] A UFMT, via NEAD, o faz desde a década de 90.

[5] Verificar em https://bit.ly/2Xxfb9i

[6] Verificar em https://bit.ly/2K20UJJ

[7] Desculpe, não resisti ao trocadilho.

...