Sexta, 12 Junho 2020 12:07

 

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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
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Programa de Pós-Graduação em História – PPGHis/UFMT


O Programa de Pós-Graduação em História vem a público lamentar profundamente os fatos ocorridos durante as transmissões do I Ciclo de Palestras do Vivarium perpetrados por marginais que agrediram covardemente a todos e todas o/as participantes com palavras de baixo calão, compartilhamento de imagens de teor pornográfico, forçando a interrupção momentânea dessa atividade. Tudo leva a crer que tal ataque tenha sido motivado pelo tema abordado por um dos participantes, relacionado à História da África, fato que, infelizmente, tem sido recorrente em outras Instituições. Outro ponto que chamou a atenção foram as “palavras de ordem” dirigidas às pessoas presentes exaltando o simulacro de líder, fascista, cegamente seguido por esses terroristas. O Vivarium - Laboratório de Estudos da Antiguidade e do Medievo é um importante Grupo de Pesquisa da UFMT, referência internacional em sua área, criado e coordenado por docentes ligados ao PPGHis e composto por pesquisadore/as de Instituições de diferentes partes do mundo. O Ciclo de palestras levado adiante nesse momento, é parte das atividades que regularmente são levadas a público por esse grupo. As atividades on line vêm sendo desenvolvidas pelo Programa de Pós-Graduação em História, Departamento de História e pelos Grupos de Pesquisa ao qual pertencem esse/as docentes, como uma alternativa ao isolamento social. Esses ataques terroristas de cunho fascista demonstram o quanto incomodam as atividades regulares em áreas como a educação e a saúde. A “live” do presidente da república em 11 de junho de 2020 incitando seus seguidores a invadirem hospitais é uma demonstração disso. Não existem diálogos ou argumentos, mesmo porque para que assim o fosse, seria preciso um mínimo de capacidade racional; apenas palavras ofensivas, acusações vazias, balbúrdia, para usar um termo caro a esses grupos. Como disse Russel “idiotas cheio de certezas”. Não temos alternativa a não ser repudiar tais atos e resistir. A crescente presença de atividades fascistas visando a destruição das bases do conhecimento, produzindo incertezas e caos social, tem tido no Brasil um terreno fértil e há de ser uma preocupação pessoal para cada um/a de nós. Se nos negarmos a isso, nenhum outro plano futuro fará sentido.
 

 

Segunda, 04 Novembro 2019 08:51

 

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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
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Publicamos a pedido da Congregação do Instituto de Linguagens/UFMT

  

A Congregação do Instituto de Linguagens (IL) da Universidade Federal de Mato Grosso, reunida no dia 01 de novembro de 2019, repudia, com veemência, as declarações do deputado federal Eduardo Bolsonaro, em recente entrevista, na qual desrespeita a Constituição brasileira e ameaça a democracia supondo a possível volta do Ato Institucional nº 5 (AI-5), caso grupos políticos de oposição ao atual governo radicalizem suas ações.

Ao bem da verdade, a verbalização dessa gravíssima ameaça não é a primeira manifestação enunciada pelo referido deputado, menos ainda, isolada. Como sabemos, o AI-5, do conjunto dos dezessete atos institucionais, entrou em vigor no dia 13 de dezembro de 1968.

Com base no AI-5, de imediato, o Congresso Nacional foi fechado por quase um ano. As Assembleias Legislativas dos estados, com exceção de São Paulo, idem; concomitantemente, intervenções federais foram designadas para dirigir os estados e muitos municípios do país.

Além da tortura, prática iniciada desde o anúncio do golpe militar, na virada de 31 de março para 01 de abril de 1964, a censura foi uma das principais marcas desse período de chumbo. Todas as diferentes manifestações artísticas, bem como a imprensa foram cerceadas diuturnamente. Na esteira disso, além de diversos toques de recolher, eram consideradas ilegais as reuniões políticas não autorizadas pela polícia do regime. Um simples pedido de habeas corpus por motivação política foi suspenso.

O mesmo ato ainda dava ao presidente da República poderes de destituir sumariamente qualquer funcionário público, caso fossem considerados subversivos ou não-cooperativos com o regime. Nesse cenário, muitos brasileiros tiveram seus direitos políticos suspensos.

As universidades brasileiras passaram a conviver com agentes infiltrados a serviço da ditadura. Muitos de seus quadros (docentes, discentes e técnico-administrativos) foram censurados, quando não torturados.

Dessa forma, os motivos pelos quais repudiamos as declarações do deputado Eduardo Bolsonaro consistem no respeito pela Constituição, na defesa intransigentemente do regime democrático e na recusa de qualquer ameaça de retorno ao autoritarismo.

 

Congregação do IL/UFMT