Terça, 24 Novembro 2020 14:41

 

 

Como parte da campanha de solidariedade SOS Amapá, uma delegação da CSP-Conlutas e entidades filiadas chega à Macapá nesta quarta-feira (25) para uma série de atividades que visam debater propostas para enfrentar a crise no estado em defesa dos trabalhadores e da população mais pobre.

 

A partir de amanhã, a programação prevê uma reunião com a Defensoria Pública, a realização de uma plenária sindical e popular com sindicatos e movimentos sociais locais e visitas em comunidades.

 

As entidades pretendem ainda uma reunião com os candidatos a prefeito de Macapá para debater a crise sanitária e social, agravada pelo apagão, e também solicitaram uma audiência com o governador Waldez Góes (PDT).

 

O objetivo da delegação é apresentar e debater o Programa Emergencial dos Trabalhadores para combater a crise no Amapá, elaborado pela CSP-Conlutas juntamente com outras entidades como o Andes-SN, Adufpa, Sindufap, Sindicato dos Rodoviários do Amapá, Sindicato dos Servidores do Ministério Público Estadual, entre outras.

 

“Precisamos debater propostas diante da grave crise instalada no estado. E não se trata apenas de reestabelecer o fornecimento de energia que é mais do que obrigação dos governantes. É preciso discutir a raiz dos problemas que levaram esse caos à população que é a privatização do setor energético e a destruição dos serviços públicos. Para por fim à crise são necessárias medidas efetivas em defesa dos trabalhadores e do povo pobre”, explica o dirigente da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas Atnágoras Lopes.

 

“Não há saída da crise no Amapá sem falarmos da reestatização do setor energético em todo o estado; sem garantir indenização às famílias que perderam tudo com o apagão; sem garantir um auxilio emergencial para os trabalhadores, mais pobres e pequenos comerciantes; sem garantir isenção de tarifa de energia a todas as famílias com renda de até três salário mínimos, por pelo menos seis meses, entre outras reivindicações”, afirmou.

 

Confira aqui o Programa Emergencial dos Trabalhadores para sair da crise no Amapá e os materiais da campanha

 

Apagão e crise social

Neste final de semana, o estado sofreu com fortes chuvas que alagaram vários pontos da capital. Houve explosão e curto circuito na rede elétrica no bairro Brasil Novo, na zona norte de Macapá, o que deixou a população apavorada.

 

No sábado (21), Bolsonaro foi ao estado para ligar geradores termoelétricos. Tentou capitalizar a iniciativa, mas foi vaiado e hostilizado em vários momentos, ainda no aeroporto e depois quando teve a cara de pau de desfilar em carreata com o corpo para fora do veículo pelas ruas da cidade. Ouviu xingamentos como “Fora Bolsonaro”, “Miliciano”, entre outros.

 

 

Nesta terça-feira (24), a empresa de energia do Amapá e os governos federal e estadual anunciaram que o fornecimento será normalizado com o início do funcionamento de um segundo transformador na subestação de Macapá. Contudo, além de não haver nenhuma confiança nos governos quanto à volta da energia 100%, a crise energética e social no estado é muito mais grave e profunda.

 

“Já são 22 dias do apagão que virou a vida dos amapaenses de cabeça pra baixo. O estado já sofria gravemente com os efeitos da pandemia do Covid-19 e com o apagão instalou-se a barbárie: falta de energia, água, combustíveis, alimentos e enorme carestia em itens essenciais. O reestabelecimento do fornecimento de energia não vai resolver a gravidade da crise social enfrentada pelos trabalhadores e o povo pobre, muito menos, atacar a raiz do problema que levou a essa situação”, avalia Elton Corrêa da CSP-Conlutas do Amapá e membro da Federação Nacional dos Servidores dos Ministérios Públicos Estaduais e do Sindsemp-AP, que também integra a delegação.

 

“Precisamos unir forças e ir à luta contra o descaso do governo, a ganância e a impunidade das empresas e exigir medidas em favor da classe trabalhadores e dos mais pobres”, concluiu o dirigente.

 

Programação da delegação SOS Amapá (atividades ainda poderão sofrer ajustes):

 

25/11 – quarta-feira:
16h – Reunião de movimentos sindical e social com a Defensoria Pública

 

26/11 – quinta-feira:
10h – Movimentos Sindical e Popular convidam os candidatos a Prefeito de Macapá para debater crise sanitária e energética
16h- Atividades no conjunto habitacional Macapaba

 

27/11 – sexta-feira:
17h – Plenária Sindical e Popular “SOS Amapá – Um programa dos trabalhadores para combater a crise sanitária e do apagão no Amapá”, no Sinjap (Sindicato dos Serventuários da Justiça do Estado do Amapá)

Obs: pedido de audiência com o governador Waldez Góes (PDT)

 

Fonte: CSP-Conlutas

Quarta, 18 Novembro 2020 16:13

Energia pública é direito básico! Energia pública não é mercadoria!

 

Amapá enfrenta desabastecimento de energia elétrica desde 3 de novembro, quando incêndio em subestação gerou um apagão em 14 dos 16 municípios do estado, incluindo a capital Macapá – Divulgação/Ministério das Minas e Energia

 

O Amapá segue há quase 15 dias sem distribuição de energia regular em 14 das 16 cidades do estado.

 

Desde que uma subestação de energia em Macapá pegou fogo, a população amapaense vive um verdadeiro caos, com falta total ou parcial de energia, água, internet, alimentos, combustível e outros itens de necessidade básica.

 

Conforme já publicado pela CSP-Conlutas, “os governos de Bolsonaro, Waldez e Clécio mentem alardeando que o fornecimento já foi normalizado entre 70% e 80% no estado. Mas a verdade é que a situação é crítica em todos os municípios com um agravante: o pouco que foi normalizado tem sido para atender regiões ricas que concentram os ricos e poderosos”.

 

 

Energia elétrica, bem público

Embora haja a cobrança da conta de energia e várias empresas privadas que se estabeleceram nesse setor, é preciso dizer que a energia é um bem público. As empresas não são “donas” de toda a cadeia que integra a produção de energia.

 

Isto porque a energia é extraída da natureza. Para chegar à residência, passa pela geração – produção -, transmissão, distribuição e, por fim, comercialização da energia elétrica.

 

Quem regulamenta todo esse processo é um órgão governamental, chamado ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica). Também é pública a Eletrobras, empresa que responde hoje a cerca de 70% do abastecimento do país, de acordo com informações da Rede Brasil Atual.

 

No entanto, no Amapá, o incêndio ocorreu em subestação de uma empresa privada do setor. Esse processo de privatização teve início no país nos anos 90 e foi mantido pelos diversos governos.

 

No Governo Temer, a privatização da Eletrobrás foi iniciada. Hoje é umas principais empresas na mira de projetos de privatização de Paulo Guedes e do governo Bolsonaro. Mas é preciso barrar este plano, porque a regra de sempre é a mesma: para gerar lucros para os ricos, os serviços pioram, os preços aumentam e o povo paga a conta.

 

Defender os serviços

A CSP-Conlutas mantém campanha contra a Reforma Administrativa e atua ativamente no Fonasefe (Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais) para denunciar os efeitos deste ataque do governo de Bolsonaro/Mourão e Paulo Guedes, que pretende acabar com os serviços públicos e os servidores.

 

Além disso, é via a reforma que as privatizações serão aprofundadas e setores que deveriam ter responsabilidade social, dentro deste modelo, servirão apenas aos empresários que se preocupam unicamente com seus próprios lucros.

 

No Amapá, vimos que a concessionária espanhola Isolux, responsável pela subestação incendiada, não é nenhum exemplo de boa qualidade na distribuição dos serviços só por ser privada.

 

Ao contrário do discurso de que a privatização melhora os serviços públicos, o que se vê é a total precarização em favor dos lucros.

 

“Aliás, foi a própria Eletrobras que ficou encarregada de buscar as soluções que a empresa espanhola não deu conta de oferecer. Essa é a realidade das privatizações: quando há lucro, vai para um pequeno setor, quando há prejuízo ou causa danos irreparáveis à população, compete ao setor público consertar. Situação similar aconteceu com os desastres em Brumadinho e Mariana. Desastres ocorridos pela Vale, empresa que era pública e foi privatizada”, resgata Adriana Stella, integrante da CSP-Conlutas e dirigente da Fasubra.

 

E a tragédia já era anunciada. Há 11 meses, o ONS (Operador Nacional do Sistema) foi notificado que a subestação atingida não teria capacidade de religar imediatamente em caso de apagão e que já operava no limite de sua capacidade há cerca de dois anos.

 

Ato realizado no bairro do Buritizal, na noite do dia 10 de novembro, sétimo dia de apagão. – Maksuel Martins/Secom/GEA

 

Acesso básico

Além de alertarmos para o fato de que a privatização do serviço é um dos fatores para a precariedade do sistema – e que está previsto com a reforma administrativa -, vale destacar que o problema de abastecimento tem como origem a dificuldade alarmante de acesso aos serviços públicos na região norte do país que, com a pandemia, piorou ainda mais.

 

Para Adriana, “a presença do funcionalismo, que tem função social e que possibilita acesso aos serviços nas cidades, é fundamental para evitar tais problemas ou para atender a população afetada”. Segundo a dirigente, “somente assim é possível garantir o abastecimento e as necessidades da população, o que o governo não tem feito”.

 

“Se no Amapá houvesse mais serviço público, mais investimentos e mais servidores, tal como defendemos em nosso programa [programa emergencial da CSP-Conlutas], a situação não seria esta de completo caos”, conclui.

 

Plano emergencial para o Amapá

Após a elaboração do plano nacional emergencial contra a crise lançado pela Central diante da pandemia, a CSP-Conlutas divulga a realização também uma plataforma de reivindicações que responda às necessidades da população amapaense diante da grave situação no estado.

 

Para divulgar o programa emergencial regional da CSP-Conlutas, realizaremos uma ampla campanha, com cartazes, panfletos, spots para rádios e carros de som e iniciativas para organização e mobilização dos trabalhadores e da população pobre para reivindicar os direitos dos amapaenses.

 

A população não aguenta mais essa situação. O estado da região em que as contas são as de valoreis mais elevados do país não deve ser obrigado a lidar com as consequências da falta de energia, de água, de aumento abusivo dos preços dos alimentos sem nenhuma assistência ou reparação ao povo pobre.

 

O que está acontecendo no Amapá, o que já aconteceu em Minas, são pequenas amostras do que pode acontecer no país inteiro se os serviços públicos forem privatizados.

 

Basta! Vamos à luta por nossos direitos! A energia elétrica é um bem público!

 

Vamos lutar contra a Reforma Administrativa, porque somos todos amapaenses e os poderosos políticos e do mercado são todos exploradores do povo pobre.

 

Fonte: CSP-Conlutas

Terça, 10 Novembro 2020 11:53

 

Crise de energia no Amapá, apagão em Macapá (Foto: Rudja Santos/Amazônia Real)

 

No Amapá, a população sofre há 7 dias as duras consequências do apagão, decorrente de incêndio na subestação mais importante do Estado. A falta de energia afetou 13 dos 16 municípios.

 

Em nota enviada pela CSP-Conutas/AP, há o relato de que “nas demais horas, após inúmeras informações desencontradas, o governador Wadez (PTD) foi obrigado a assinar um Decreto de Calamidade Pública, justificando que tal medida seria para amenizar o sofrimento da população que já se arrastava por mais de dois dias”.

 

E o problema foi só crescendo. Depois de enfrentarem dias sem energia elétrica, o abastecimento de água também foi prejudicado. Além disso, alimentos estragaram e diante da alta demanda por água, os preços aumentaram drasticamente.

 

Quem mais sofre com essa situação, é claro, são os mais pobres. E a estabilidade dos serviços também se deu de maneira desigual. Neste domingo (8), teve início um processo de rodízio do abastecimento. Mas, conforme publicado em matéria do jornal Estadão, o restabelecimento parcial atendeu somente os bairros nobres, enquanto as periferias ficaram às escuras.

 

População busca água potável para consumo após fim de abastecimento | Foto: Sul21

 

 

O povo foi às ruas em protestos contra o caos e o abandono do Estado, enquanto no bairro de classe média alta do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM), havia rodízio bem definido, com distribuição de luz  por 7 horas no período da manhã e mais 7 horas à noite.

 

Segundo informe enviado por Clodoaldo Rodrigues, da Executiva da CSP-Conlutas/AP, a situação da região é de completo caos. “É de desespero mesmo. Aqui é muito quente e, mesmo com as chuvas, o calor não foi amenizado. Além disso, estamos perdendo alimentos e outros materiais e ninguém cogita qualquer tipo de reparação à população”, comenta.

 

O dirigente ainda relatou que o aumento dos preços se tornou mais um desafio. Garrafões de água, que antes giravam em torno de 3 a 6 reais a unidade, agora são vendidos por 20 a 30 reais.

 

Solidariedade urgente – A CSP-Conlutas e outras diversas entidades sindicais organizam uma ampla campanha de arrecadação solidária para as famílias do Amapá. Até o momento, além da CSP-Conlutas, campanha inclui o Andes-SN, a Adufpa, o Sindufap e o Sinstaufap. Esta iniciativa seguirá aberta para novas adesões de entidades interessadas em reforçar o trabalho de apoio às população amapaense.

 

 

Caos e pandemia – Clodoaldo avalia que, da parte da empresa, “faltou disposição política quando se deram conta de que o problema era grave”. “A Isolux, empresa espanhola concessionária responsável pela transmissão de energia e que tentou fugir da responsabilidade, já tem uma trajetória extensa de negligência”, pontuou o dirigente.

 

Além disso, uma nova onda da pandemia toma o estado, e o governo tem utilizado a situação para argumentar restrições à população. “Houve decretos limitando circulação, mas aparenta ser mais uma uma farsa. Anteriormente, devido às eleições, foi proibido aglomerações por 7 dias, mas o decreto foi renovado nesta semana, justamente neste momento conturbado para o povo”.

 

Os hospitais, segundo o dirigente, estão com a capacidade máxima, próximos de entrar em colapso. “Há falta de leitos tanto no público quanto nos hospitais privados. É uma situação de pré-barbárie”, definiu Clodoaldo.

 

Contra reforma administrativa e por um programa dos trabalhadores – Essa luta tem urgência de ganhar amplitude nacional. Para a CSP-Conlutas, trabalhar nas ações mais imediatas, como a campanha de solidariedade para arrecadação financeira às famílias, bem como em programas de construção para a classe trabalhadora, é o caminho alternativo para evitar que essas tragédias anunciadas recaiam sobre as costas do povo mais pobre.

 

A Reforma Administrativa de Bolsonaro, Mourão e Paulo Guedes, tem relação direta com o que ocorre no Amapá. Isso porque o projeto estabelece a regra do Estado mínimo, acaba com direitos básicos, o fim dos serviços públicos e dos servidores.

 

A CSP-Conlutas reforça outros pontos de luta alternativa para o combate à crise, que se encaixa à situação vivida no estado do norte do país, como a luta contra o aumento dos preços de alimentos, por exemplo, e os processos de privatização de empresas com responsabilidade pública, como a de energia elétrica incendiada do estado.

 

Vamos à luta contra os efeitos do apagão no Amapá! Sigamos em defesa do Plano Emergencial da CSP-Conlutas para conter os efeitos da crise econômica e dos ataques de Bolsonaro e dos empresários que receberam incentivos mas continuaram demitindo. Chega de pagar como nossos sacrifício, direitos e nossas vidas.

 

 

Fonte: CSP-Conlutas