Quarta, 07 Julho 2021 10:55

Mais corrupção: gravações indicam participação direta de Jair Bolsonaro no esquema das rachadinhas

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Deputado Jair Bolsonaro com seus filhos – Foto: Roberto Jayme/Ascom/TSE

 

Após as manifestações do 3J denunciarem o caráter corrupto do governo, um novo escândalo atinge diretamente Jair Bolsonaro. Áudios divulgados, nesta segunda-feira (5), pelo portal UOL, dão conta de que o presidente participava ativamente do esquema das rachadinhas, enquanto era deputado federal (de 1991 a 2018).

 

A rachadinha, ou crime de peculato, consiste na apropriação indevida de parte do salário de assessores (dinheiro público). No caso, Bolsonaro teria se irritado e demitido um de seus funcionários de gabinete por não devolver a quantia do salário combinada. O assessor era André Siqueira irmão da segunda mulher de Bolsonaro, Ana Cristina Siqueira Valle.

 

“O André deu muito problema porque ele nunca devolveu o dinheiro certo que tinha que ser devolvido, entendeu? Tinha que devolver R$ 6.000, ele devolvia R$ 2.000, R$ 3.000. Foi um tempão assim até que o Jair pegou e falou: ‘Chega. Pode tirar ele porque ele nunca devolve o dinheiro certo”, conta Andrea Siqueira ex cunhada de Bolsonaro em um trecho das gravações.

 

Enquanto era funcionário de Bolsonaro, entre novembro de 2006 e outubro de 2007, André recebia um salário de R$ 6.010,78.  Ele também já havia trabalhado para o filho do presidente Carlos Bolsonaro, em períodos que vão de 2001 a 2006.

 

Esta não é a primeira vez que Jair Bolsonaro é suspeito de praticar as rachadinhas. Em março, o UOL denunciou movimentações financeiras atípicas envolvendo ao menos quatro funcionários de Bolsonaro na Câmara dos Deputados.

 

De 2007 a 2018, os assessores retiraram 72% de seus salários em dinheiro vivo. Juntos, eles receberam R$ 764 mil líquidos, entre salários e benefícios, e sacaram um total de R$ 551 mil. Para especialistas, os saques visam dificultar o rastreio do dinheiro pela fiscalização.

 

A “familícia”

Também é notável que o esquema dos Bolsonaro envolva membros da família e amigos próximos. As investigações indicam que a rachadinha é marca registrada da “familícia” (termo que faz referência à proximidade dos Bolsonaros com milicianos do Rio de Janeiro).

 

Vereador no Rio, o filho do presidente Carlos Bolsonaro é alvo do Ministério Público carioca que também investiga movimentações financeiras suspeitas de seus assessores. Funcionários de Carlos sacaram em espécie, desde 2008, 87% dos seus salários, totalizando R$ 570 mil.

 

Já Flávio é o membro da família que mais apareceu nas páginas policiais. O senador é investigado pelo desvio de R$ 6,1 milhões da Alerj, dos quais R$ 4,23 milhões foram obtidos em dinheiro vivo.

 

As armações de Flávio também tornaram popular o nome de Fabricio Queiroz, ex-policial e amigo íntimo da família Bolsonaro. Ele é suspeito de operar a rachadinha que movimentou mais de R$ 1 milhão e ajudou a financiar, via caixa 2, a campanha de Flavio ao Senado.

 

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Mas quem é o chefe?

Entre as gravações divulgadas pelo UOL, nesta segunda, também estão um diálogo entre a esposa e a filha de Queiroz. Em um trecho, Márcia Aguiar e Nathália Queiroz se referem a Jair Bolsonaro como o “01”.

 

O costume militar de “enumerar” é sempre utilizado pelo presidente para se referir aos filhos: Flávio (01), Carlos (02), Eduardo (03) e Jair Renan (04). No entanto, como indica os áudios, a expressão também pode dar uma ideia sobre quem realmente comanda os negócios.

 

Mesmo foragido e investigado por seus crimes, ao que tudo indica Queiroz continuava a ter relações com o presidente. As gravações apontam que ele estaria tentando negociar uma volta ao seu antigo cargo de assessor de Flávio.

 

“É chato também, concordo. É que ainda não caiu a ficha dele que agora voltar para a política, voltar para o que ele fazia, esquece. Bota anos para ele voltar. Até porque o 01, o Jair, não vai deixar”, afirmou Márcia, em trecho exclusivo.

 

Queiroz passou mais de dois anos fugindo da polícia até ser capturado, em junho do ano passado, na casa de Frederick Wassef, advogado de Jair Bolsonaro. O presidente nega que tenha tido qualquer contato com Queiroz nesse período.

 

Fora Bolsonaro

Os novos fatos carregam ainda mais a imagem de corrupto de Jair Bolsonaro. Na última semana, a denúncia da compra de vacinas superfaturadas em até 1000% e do recebimento de propina para concluir negociações de imunizantes caíram como uma bomba no governo.

 

Diante das novas revelações, a CSP-Conlutas defende a intensificação da luta para derrubar Bolsonaro e sua equipe. Somente com uma Greve Geral Sanitária, os trabalhadores poderão dar um basta neste governo genocida e corrupto.

 

Fonte: CSP-Conlutas

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