Sexta, 13 Dezembro 2019 16:24

Brasil cai em ranking de IDH e os motivos são a desigualdade social e educação estagnada

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Segundo dados divulgados pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), na última segunda-feira (9), o Brasil caiu no ranking de desenvolvimento humano. O país passou da 78ªa posição em 2017 para a 79ª no ano passado.

 

 

O IDH brasileiro é de 0,761, um pequeno aumento em relação ao resultado anterior, de 0,760. Pelo critério da ONU, quanto mais perto de 1, maior é o desenvolvimento humano. Contudo, a evolução de 0,001 foi a pior registrada nos últimos anos. Quando se compara o período de 2013 a 2018, a queda é ainda maior, perdendo três posições.

 

O relatório de 2018 abrange 189 países e territórios. O número é calculado com base em indicadores de saúde, educação e renda. A Noruega lidera o ranking, com 0,954, seguida por Suíça, Irlanda e Alemanha. O mais mal colocado continua sendo o Níger, com 0,377.

 

Desigualdade de renda e educação

 

Mais do que um ranking numérico, contudo, o relatório levanta dados preocupantes. No Brasil, o principal fator por trás da queda registrada é o índice de educação estagnado e a gritante concentração de renda.

 

Em relação à educação, o período esperado para que as pessoas fiquem na escola está parado em 15,4 anos desde 2016. Entre 1990 e 2015, esse dado saltou de 12,2 para 15,3. Já a média de anos de estudo, que compila os anos de estudo da população com 25 anos de idade ou mais, repetiu os 7,8 anos de 2017. Ou seja, abaixo dos nove anos de ensino fundamental, sem contar a educação infantil.

 

Já em relação à desigualdade, o relatório do Pnud destaca que apenas o Catar tem maior concentração de renda que o Brasil . “A parcela dos 10% mais ricos do Brasil concentra 41,9% da renda total do país, e a parcela do 1% mais rico concentra 28,3% da renda”, diz o texto.

 

O IDH ajustado à desigualdade do Brasil é de 0,574, bem abaixo do índice geral de 0,761. Para se entender o impacto do indicador, ele derruba a classificação do país no ranking geral em 23 posições, a maior queda registrada dentre os 150 países avaliados no corte que considera a desigualdade.

 

Especialistas no tema, destacam a gravidade do quadro. Em entrevista ao jornal O Globo, o economista Flavio Comim, professor nas Universidades de Ramon Llull (Barcelona) e de Cambridge, destaca que existe uma “singularidade dramática” do ponto de vista da desigualdade no Brasil.

 

“A concentração de renda é brutal. Desde o início dos anos 2000, quase 30% da renda do país vai para esse 1%, que vai acumulando riqueza. O índice de Gini (que mede a desigualdade de renda) subiu dois pontos. Significa que as classes médias estão encolhendo. Em paralelo, toda a educação está desprestigiada. Do lado humano, estamos assinando um contrato com o atraso”, avaliou.

 

Os dados do IDH são referente o ano de 2018, portanto, antes do início do governo Bolsonaro. Mas analistas apontam que as políticas aplicadas no primeiro ano do governo de ultradireita, longe de seguir no caminho de reverter esta situação, vão agravar a crise.

 

Juliane Furno, doutoranda em Desenvolvimento Econômico, pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), destacou ao site Brasil de Fato: “o Estado brasileiro, ao fazer uma opção por se apequenar e se retirar dos conjuntos das políticas sociais, já é responsável pelo aumento da desigualdade. Mas o governo ainda atua acentuando essa desigualdade quando culpa o problema da crise com o aumento do gasto.”

 

De acordo com ela, o conjunto de reformas aprovadas nos últimos anos, como a trabalhista (2017) e a previdenciária (2019), também contribuem para a precarização da qualidade de vida da classe trabalhadora. “A ideia é rebaixar o custo da força de trabalho e aumentar as margens de lucro, aumentando a desigualdade entre capital e trabalho. Tudo isso ajuda na concentração de renda e tem um peso sobre a pobreza e extrema pobreza significativo”, disse.

 

Chegue de guerra social aos trabalhadores e pobres

 

Para a integrante da Secretatia Executiva Nacional da CSP-Conlutas Renata França esta situação é o resultado da guerra social aberta pelos capitalistas e seus governos contra os trabalhadores. “Estão fazendo de tudo para jogar o custo de crise econômica que eles criaram sobre os mais pobres”, afirmou.

 

“Aqui no Brasil, Bolsonaro está aprofundando e agravando os ataques aplicados por governo anteriores, como a reforma trabalhista. Sem contar os ataques e o desprezo à Educação que seu governo demonstrou ainda nos primeiros meses. Portanto, a perspectiva é piorar ainda mais esse quadro. Por isso, a CSP-Conlutas entende que temos de travar uma forte luta para derrotar Bolsonaro e seus planos de ataque e a construção de uma Greve Geral em 2020 segue sendo uma tarefa urgente para os trabalhadores”, concluiu.

 

 Fonte: CSP-Conlutas (com informações O Globo e Brasil de Fato)

 

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