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Quinta, 04 Abril 2019 18:02

Desemprego: Bolsonaro prefere questionar pesquisas, em vez de agir para gerar empregos

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O presidente Jair Bolsonaro criticou na última segunda-feira (1), em entrevista exibida pela TV Record, emissora que tem se tornado porta-voz do atual governo, a metodologia utilizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para medir o desemprego no país. Apesar de admitir que o método é realizado internacionalmente, questionou a veracidade dos resultados.

 

Segundo Bolsonaro, que tem mostrado que prefere dar sua visão dos fatos, independente da realidade e do que a história já comprovou, a taxa do IBGE “parece” ter sido feita para “enganar a população”. 

 

No dia 26/3, Mutirão de Emprego atraiu 15.000 pessoas em SP. Pessoas chegaram a dormir na fila para deixar o currículo e conseguir uma entrevista de emprego


É mais fácil negar a realidade

 

Os questionamentos de Bolsonaro ocorrem justamente quando recente pesquisa divulgada pelo IBGE revela o que os trabalhadores e a população mais pobre não têm dúvida por que estão sentindo na pele: os dados sobre emprego no Brasil pioraram.

 

Segundo dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), divulgada no último dia 29, o número de desempregados registrados no trimestre de dezembro de 2018 a fevereiro de 2019 é de 13,1 milhões de pessoas (12,4%). Um total de 800 mil a mais do que o registrado no trimestre anterior.

 

O número de pessoas desalentadas é de 4,8 milhões (4,4% do total), resultado 6% maior que o apresentado um ano atrás. Desalentados são pessoas que desistiram de procurar emprego, pois estão há muito tempo fora do mercado, por não ter experiência ou qualificação, por ser muito jovem ou muito idoso. Ou seja, por que simplesmente não existem vagas para elas.

 

Se somarmos os desempregados, os desalentados e os que trabalham menos horas do que precisariam, o número totaliza 28 milhões de pessoas. Se considerarmos o que os pesquisadores chamam de força de trabalho, ou seja, pessoas em idade de trabalhar, teremos uma população de 65,6 milhões de pessoas fora do mercado.

 

Bolsonaro disse preferir a pesquisa do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho. Coincidentemente, levantamento do Caged demonstrou que, em fevereiro, foram criadas 173.139 vagas com carteira assinada, resultado que obviamente Bolsonaro preferiu destacar e comemorar.

 

A contraposição entre os dois resultados por Bolsonaro como se um fosse verdade (a geração de vagas) e, outro, mentira (a pesquisa do IBGE), é contestada por diversos economistas que afirmam que as pesquisas são complementares, revelando situações e momentos diferentes, e não excludentes ou contraditórias.

 


Medidas de Bolsonaro vão aumentar desemprego e pobreza

 

Para o integrante da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas Paulo Barela, questionar a realidade do desemprego no país chega a ser uma provocação do governo, afinal, os trabalhadores e os mais pobres sentem na pele os efeitos da crise econômica e dos ataques ocorridos nos últimos anos.

 

“Quase toda família tem uma pessoa desempregada ou que não consegue entrar no mercado de trabalho. Essa é a realidade. Esse é o resultado das políticas econômicas aplicadas por todos os governos anteriores e de medidas como a nefasta Reforma Trabalhista aprovada por Temer, que não gerou empregos como prometiam e, ao contrário, aumentou o número de trabalhos precarizados”, afirmou Barela.

 

Ainda segundo dirigente, o fato é que o governo Bolsonaro está prestes a completar 100 dias e até agora não fez nada de concreto para gerar empregos no país.

 

“Bolsonaro está preocupado em ficar nas redes socais, divulgando fake news, e empenhado em aprovar a Reforma da Previdência e fazer uma nova reforma trabalhista com a criação da carteira de trabalho verde e amarela, que terá menos direitos. Essas medidas não vão criar empregos, ao contrário, vão aumentar a pobreza e piorar a economia”, explicou.

 

A CSP-Conlutas defende que é preciso construir uma Greve Geral para derrotar a Reforma da Previdência e todos os ataques do governo Bolsonaro.

 

Fonte: CSP-Conlutas

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