Segunda, 07 Novembro 2016 18:22

Docentes da UPE, Unifal e UFVJM deflagram greve

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Em todo o país, estudantes já ocupam mais de 150 campi de instituições federais e estaduais de ensino superior e de uma confessional

Mais três universidades iniciaram a semana com greve da categoria docente: a Universidade de Pernambuco (UPE), a Universidade Federal de Alfenas (Unifal) e a Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, em Minas Gerais. Além das universidades estaduais do Paraná – Unicentro, Unioeste, Unespar, UEM, UEPG – já paralisadas, na semana passada, também deflagraram greve os docentes das universidades federais de Uberlândia (UFU), também em Minas, e Pelotas (Ufpel), no Rio Grande do Sul. Além de pautas locais, as greves protestam contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241/2016, que tramita agora no Senado como PEC 55/2016, e a Medida Provisória 746/2016, que promove a reforma do Ensino Médio. 

Na UPE, os docentes decretaram greve da categoria em assembleia realizada no dia 28 de outubro. A categoria reivindica a implementação da Dedicação Exclusiva (DE) como regime de trabalho, conforme acordo firmado com o governo do estado em março, e também por reposição de perdas salariais acumuladas nos últimos três anos, que já somam 20,18%, e 3,5% ganho real, totalizando 24,38% de reajuste. Os docentes também protestam contra a PEC55/2016 e a MP 746. O movimento paredista já tem adesão de várias unidades de ensino.  A UPE é uma universidade descentralizada com campi desde Recife, litoral, até Petrolina, sertão do estado. Os estudantes também estão em greve e ocupam prédios da instituição em diversos campi.

Nessa quinta (3), o comando de greve se reuniu com o reitor da UPE e depois com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação para apresentar a pauta de reivindicações. De acordo com vice-presidente da Associação dos Docentes da UPE (Adupe Seção Sindical do ANDES-SN), Luiz Oscar Cardoso Ferreira, a secretária do governo, Lúcia Melo, reconheceu a defasagem salarial dos docentes e também o compromisso firmado e não cumprido em relação ao regime de DE e se comprometeu em buscar canal de diálogo com a Secretaria de Administração, órgão responsável por questões orçamentárias, para que a categoria tenha uma resposta antes do dia 11 de novembro, quando está agendada a próxima assembleia para avaliar o movimento. 

O diretor da Adupe SSind acrescentou que a seção sindical está realizando atividades e reuniões nos diversos campi, para manter e ampliar a mobilização e também dialogar com os docentes sobre os motivos da greve. “Desde que deflagramos o movimento grevista, temos aumentado a nossa adesão, pois temos conversado com os professores, que estão insatisfeitos tanto com os ataques do governo federal e também com as questões específicas da UPE”, disse Luiz Oscar. 

Na Unifal, os docentes decidiram pela greve em assembleia no dia 27 de outubro. Técnico-administrativos e estudantes também estão paralisados, o que levou à decisão da pró-reitoria de Graduação de suspender o calendário acadêmico no início da semana. A principal pauta da greve unificada é a luta conta a PEC 241 (atual PEC 55), que limita os gastos públicos, atingindo áreas sociais como educação e saúde, segundo informação do jornal Alfenas Hoje.

Em entrevista ao jornal, o professor Adriano Santos, integrante da comissão de comunicação do Comando de Greve, disse que a PEC dos gastos públicos é, na avaliação de Santos, um “abre alas” para um conjunto de medidas contra os direitos sociais, como as reformas da Previdência e Trabalhista.

O movimento vem realizando várias atividades de mobilização, com o intuito de divulgar para a população as razões que levaram a paralisação. Uma das ações é demonstrar o impacto negativo da PEC no orçamento da Unifal, o que significará redução de auxílios aos estudantes, de cortes em programas estudantis e impactará também no atendimentos na clínica odontológica da universidade. 

Na UFVJM, os docentes iniciaram a greve na segunda-feira (31). Já os técnico-administrativos devem deflagrar o movimento na próxima segunda (7). A paralisação dos docentes tem também como pauta a luta contra a PEC 241 e ainda a uma reivindicação local: o cumprimento, por parte do Ministério da Educação (MEC), da pactuação orçamentária com a universidade. 

De acordo com Aline Weber Sulzdather, tesoureira da Associação dos Docentes da UFVJM (Adufvjm Seção Sindical do ANDES-SN), o ministério não vem cumprindo com o repasse de recursos para a universidade e outros compromissos, que inviabilizam o funcionamento da instituição. “A gente tinha previsto, para o ano, passado a liberação, por exemplo, de 80 vagas de docentes para um campus avançado, que não foram liberadas. Isso compromete a viabilidade desse campus”, comenta.

Segundo Aline Weber, já foi iniciado diálogo coma a reitoria nessa quinta (3), quando os docentes apresentaram a pauta de reivindicações. Nessa sexta (4), ocorre uma audiência pública na cidade de Janaúba, onde está um campus avançado da UFVJM, para discutir a condição do campus. Na próxima semana, devem ocorrer na segunda uma audiência pública na Câmara de Vereadores de Diamantina para discutir os impactos da PEC 241 na UFVJM, além de passeata na cidade e também caravana pelas cidades dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. 

“Cerca de 50% da renda da cidade de Diamantina é de transferência federal, em função da universidade. Se a pactuação não for cumprida, há grande chance de não conseguirmos manter a universidade. A UFVJM foi uma demanda das prefeituras e movimentos sociais da região dos Vales, então a ideia é fazer essa articulação para expor para a população qual a nossa situação”, comentou Aline.

UFU e Ufpel em greve
Os docentes da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) entraram em greve na segunda-feira (24), em conjunto com servidores técnico-administrativos em educação e estudantes das instituições, para lutar contra a retirada de direitos – expressa em medidas como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241/16, a Medida Provisória (MP) 746 da Reforma do Ensino Médio, a Reforma da Previdência, a Reforma Trabalhista e o Projeto de Escola Sem Partido.  A paralisação segue com ampla participação dos três segmentos e uma série de atividades de diálogo com a população. 

Universidades ocupadas


Já são mais 60 universidades federais e estaduais ocupadas em todas as regiões, além de mais de 1100 escolas e institutos federais. Com a aprovação da PEC 241/16 na Câmara, e seu envio ao Senado, como PEC 55, os estudantes universitários intensificaram as ações. As ocupações contam com apoio das seções sindicais do ANDES-SN.

Além das universidades já divulgadas, entre quinta e sexta-feira (3 e 4), estudantes da Universidade Federal do Ceará (UFC), do Amapá (Unifap), Oeste do Pará (Ufopa), Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) e da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais decidiram por ocupar campi das instituições.

 

Fonte: ANDES-SN (com imagem das seções sindicais)



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