Quinta, 26 Novembro 2015 10:45

NOVOS “PULOS” NA PUBLICIDADE

Roberto Boaventura da Silva Sá

Dr. Jornalismo/USP; Prof. Literatura/UFMT 

A publicidade brasileira sabe ser sedutora. Todavia, de forma geral, ela ainda protege velhos conceitos sociais e reforça preconceitos.

Tais proteções e reforços evidenciam-se quando comparamos conteúdos de anúncios – que visam também interferir em comportamentos – com os de telenovelas, que vêm tentando, sob críticas, estabelecer maior aproximação da realidade com a criação ficcional.

Nesse sentido, contemplando liberdades inseridas no arcabouço do “politicamente correto”, e mais especificamente no campo da sexualidade, o SBT exibiu em 2011 o primeiro beijo gay na dramaturgia nacional.

Há pouco, na Globo, outro motivo de polêmica: duas personagens idosas trocaram carícias e beijos.

Para os conservadores, um escândalo. Ao que tudo indicava, o beijo gay não podia ocorrer nunca na dramaturgia de nossa TV, mas ridicularizar gays em programas de humor sempre foi permitido. Lembram-se dos gracejos que a personagem Zacarias ouvia dos demais trapalhões da mesma Globo?

E contra os negros? No mesmo programa, Mussum – de pouco ou nenhum refinamento – vivia embriagado. Os preconceitos atingiam também as mulheres obesas e mais velhas, sempre ridicularizadas quando postas ao lado de alguma jovem magra, loira... 

Enfim, excetuando esse tipo de humor grosseiro, nas telenovelas brasileiras cada vez mais personagens fora do convencional têm ganhado espaço.

E em nossa publicidade?

Bem. Diferentemente de várias propagandas governamentais, que já tencionam a sociedade de forma mais próxima do real dos “pecadores” e mortais da sociedade, a maioria dos anúncios continua vendendo um estilo de vida conservadora. O machismo é a base para muitas das produções publicitárias.

No entanto, eis que, de forma simultânea, alguns anúncios atualíssimos parecem inaugurar uma nova forma de abordar as relações sociais. Aponto três desses trabalhos, a saber.

O primeiro é um anúncio de um automóvel de marca alemã. Nele, um garotinho sonha com o carro como presente de aniversário. Sua jovial mãe, realizando o sonho do filho, lhe apresenta o novo automóvel, mas o faz junto com “uma pessoa”: seu novo companheiro.

Pois bem. Esse anúncio reconhece a força social da mulher, que pode tanto obter um bem material (um carro, no caso), quanto assumir um outro “bem” no plano amoroso.

Em outro anúncio, outro automóvel, mas de marca francesa: dois homens maduros, e não um casal heterossexual, como de costume, estão fazendo um “test drive” do carro. Os dois trocam olhares, sob enunciados dúbios a respeito da “beleza do automóvel”. Ao final, depois de o anúncio reforçar a força/potência do automóvel, surge uma pergunta do narrador em off aos dois rapazes, que se entreolham: “E daí, vai continuar achando só bonito?”

De forma sutil, o anúncio parece inserir como protagonistas no cenário de nossa publicidade um casal homossexual maduro e estabilizado financeiramente. Isso também é novo em nossa publicidade.

O terceiro é um anúncio de uma cerveja, que já havia tido um comercial vetado pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR). Motivo: machismo explícito.

Agora, em outro anúncio da marca, um casal está num bar. De forma insinuante, a personagem Verão é chamada pelo rapaz. No entanto, sua companheira dá o troco: também de forma insinuante, ela chama pelo jovem garçom: direitos iguais.

Acontece que, ao se resguardar tais “direitos”, estabelece-se uma disputa explícita para ver quem é mais infiel. Embora muito velho na vida, isso também parece ser novo no cenário de nossa publicidade.

Quarta, 25 Novembro 2015 19:45

NOVEMBRO AZUL 2015

JUACY DA SILVA
 
Há poucos  dias  foi encerrada a CAMPANHA OUTUBRO ROSA, que  representa um alerta para as mulheres  e seus familiares quanto aos riscos doCANCER DE MAMA e a importância dos  exames  preventivos para diagnosticar  precocemente este  tipo de doença, que a cada ano mata quase 20 mil mulheres   em  nosso país
Agora, com  o estímulo da OMS - Organização Mundial da Saúde,  estamos no início do  NOVEMBRO AZUL, mes  dedicado ao alerta mundial quanto aos perigos  e riscos que  o CÂNCER DE PRÓSTATA oferece  aos homens que, principalmente por machismo ou ignorância, se recusam  a realizar os exames  preventivos, incluindo o famoso,  detestável  e temido TOQUE  RETAL,  fundamental, além  do exame de sangue PSA, para detectar com muita precocidade a existência  de câncer de próstata.  Outro exame  nesta bacteria de prevenção  contra o câncer de próstata e outros mais é a ultrasonografia do abdomem.
Em 2015 estão previstas 245.641 mortes por câncer no Brasil, incluindo todos os tipos  da doença, ambos os sexos  e todas as faixas  etárias. Desse  total pouco mais da  metade , 132.126 das vítimas serão homens, mais do que o dobro de todos os assassinatos que tanta notícia  e  medo  infunde na população brasileira  que vive a mercê da bandidagem.
Isto demonstra que além da violência percebida e denunciada pelos diversos meios de comunicação, também existe uma enorme violência oculta que está vitimando centenas de milhares de pessoas  todos os anos .  Muitas, talvez a grande maioria,  dessas  mortes poderiam ser evitadas, se a saúde pública funcionasse a contento  e não fosse  o caos que atualmente a  caracteriza, principalmente pela incompetência e incúria de nossas autoridades. Em dez  anos o Ministério de saúde deixou de aplicar mais de R$185 bilhões , apesar  de que o  OGU – Orçamento Geral da União contemplasse  recursos para vários programas que  não  funcionam a contento, isto é um crime contra a população perpretado pelos  nossos governantes.
Voltando ao NOVEMBRO AZUL,  neste ano  - 2015 – o câncer  de próstata  deve ser a causa de morte para 18.850 homens, um aumento de 9,5% na mortalidade por este tipo de câncer  em 3 anos, pois em 2012 morrerram 17.218 homens  por  esta causa. As  previsões  do Globocan –organismo de pesquisa e monitoramento de câncer , ligado a OMS,   indica que entre 2015 e 2035, o número de mortes  por câncer de próstata no Brasil deve aumentar em 105,1%, passando de 18.850 mortes  neste ano para 41.469  óbitos  dentro de 20 anos.  O mais alarmante é que a cada ano, devido ao envelhecimento da população  brasileira, o percentual de mortes por câncer  de próstata vai atingir muito mais  homens  com mais de 65 anos  de idade, passando de 89,4%  em  2015  para 92,8%  em  2035.
Segundo dados e estimativas do Globocan,  entre 2012  e 2035  só de câncer  de próstata deverão morrer nada menos do que 658.303  homens no Brasil, número igual a  3,5 vezes  mais do que todas as pessoas mortas  em  Hiroshima e Nagasaki  devido ao bombardeio atômico feito pelos EUA em 1945 e fato que ainda hoje causa tanta  consternação no mundo todo.
Todavia, diante  de tantas mortes por todos os tipos de câncer e principalmente de câncer  de próstata em nosso país, este sofrimento de milhares de pessoas , seus familiares e amig@s, parece nada representar, principalmente para nossas  autoridades públicas que relegam a um plano secundário  as necessidades e o  sofrimento do povo, principalmente as camadas mais pobres,mais humildes e excluidas da sociedade  e que precisam  aguardar meses ou anos nas filas dos  serviços  especializados  do SUS, um Sistema falido pelo descaso de nossos governaantes.  Este descaso é um verdadeiro crime contra o povo e um desrespeito incabível contra os direitos dos pacientes, principalmente os portadores  de câncer, que merecem não  apenas  nossa solidariedade, mas fundamentalmente, terem  seus direitos rconhecidos.
Nossa Constituição, a chamada Constituição Cidadã e a Lei de criação do SUS estabelecem que “saúde é um direito de todos e dever do Estado”. Todavia, como tantos dispositivos legais em nosso país, para milhares de pessoas que sofrem, mesmo  recorrendo `a  justiça para  gaantirem  o direito a vida, acabam sucumbindo, tudo  isto é letra morta ou apenas belas frases de  efeito, longe  da realidade de quem enfrenta esta vergonha que é  a nossa saúde pública.
A burocracia, o descaso de nossas autoridades, a incompetência dos orgnismos públicos, principalmente de saúde e a corrupção estão matando, assassinando milhares de pessoas inocentes no Brasil, diversas vezes mais do que todos os assassinatos e mortes no trânsito que tanto aterrorizam a população.
Que   este  NOVEMBRO  AZUL  sirva para uma reflexão mais profunda sobre esta questão  do câncer de próstata  e a saúde pública em nosso pais  e que, fruto dessas reflexões,  possamos  dar novos rumos `a política  e programas de saúde  pública antes que a  mortalidade aumente  ainda  mais.
JUACY DA SILVA,  professor universitário, fundador, titular e aposentado UFMT, mestre  em  sociologia,articulista  de jornais, sites e blogs. Email O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy

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