Quinta, 16 Abril 2015 08:42

ÂNIMO NAS UNIVERSIDADES

Roberto Boaventura da Silva Sá

Dr. Jornalismo/USP; Prof. Literatura/UFMT 

Há algumas semanas, na mesma linha do artigo “Lixo acadêmico, causas e prevenções”, publicado pelo professor Rogério Cezar de Cerqueira Leite, no dia 06/03/15, na Folha de São Paulo, escrevi um artigo intitulado “Porcarias das Universidades”. Nele, tratei do ambiente corrupto patrocinado pela maioria dos colegas que atuam nas pós-graduações brasileiras.

Hoje, enveredo por trilhas opostas dessas porcarias que abundam no meio acadêmico como as pragas do Egito. Assim, mesmo tendo uma pauta política forte e tensa, como, p. ex., o necessário debate e a luta contra a aprovação do PL 4330, que surge para “regulamentar” as terceirizações no país, bem como o momento de plena consciência de que o Brasil foi mesmo vítima de um estelionato eleitoral, falarei um pouco da importância da arte que é feita nas universidades.

Antes de tudo, registro que, para mim, a arte, mesmo aquelas aparentemente mais fugidias do real concreto, serve como tonificante necessário para o enfrentamento dos problemas sociais, que não são poucos e tampouco suaves. Na verdade, muito do universo artístico é verdadeira arma para tantos enfrentamentos diários.

Mas por que estou fazendo esse recorte hoje?

Porque no final da semana que se foi, tive a oportunidade de apreciar na UFMT a apresentação de nossa Orquestra Sinfônica. Com o Teatro Universitário lotado por pessoas de diferentes idades, acompanhando-a esteve o músico Flávio Venturini, um dos mais fecundos participantes do movimento Clube da Esquina de Minas Gerais.

Da bela apresentação, destaco três momentos marcantes. O primeiro foi a execução da música “Fantasia barroca”. Apenas instrumentalizada, a peça nos possibilitou regressar a tantos acontecimentos do período colonial, ou seja, um tempo em que profundas tensões sociais se faziam presentes no cotidiano de nossas ancestrais, destacadamente os vivenciados no século 17.

O outro momento marcante ficou por conta do coro que se formou junto com os artistas quando foi cantada a música “Linda juventude”: “Zabelê, zumbi, besouro, vespa fabricando mel// Guardo teu tesouro, joia marrom, raça como nossa cor// Nossa linda juventude, página de um livro bom// Canta que te quero cais e calor,// Claro como o sol raiou...”

Essa saudação a nossa juventude se faz cada vez mais necessária, pois temos um futuro difícil pela frente. E só mesmo uma juventude, de muita raça, superando “fados e sinas”, poderá fazer valer esse porvir; poderá escrever as páginas de um livro bom, insistentemente rasgadas por agentes políticos despreocupados com a vigência da ética e do próprio futuro de nosso país.

O terceiro momento impactante da apresentação foi ouvir “Caçador de mim”, canção imortalizada por Milton Nascimento. Solenemente posto como um tenor à frente da Orquestra, Venturini emocionou a plateia já nos primeiros versos do texto: “Por tanta emoção// A vida me fez assim// Doce ou atroz// Manso ou feroz// Eu, caçador de mim”.

Dessa música, absolutamente forte no processo de descoberto do próprio “eu” de cada um de nós, surge uma lição, quiçá uma das mais significativas: “Nada a temer senão o correr da luta// Nada a fazer senão esquecer o medo// Abrir o peito a força, numa procura// Fugir às armadilhas da mata escura”.

E assim, um pouco da arte musical, sustentada por canções que são verdadeiros poemas que nos chamam à atuação constante na vida, nos reanima nessa “caminhadura”, nessa verdadeira “cama de tatame”, isso para lembrar agora o poema “Drão” de Gilberto Gil.

Terça, 07 Abril 2015 13:05

DIA MUNDIAL DA SAÚDE 2015

JUACY DA SILVA

A  cada ano morrem mais  de dois milhões de  pessoas, principalmente  crianças  e idosas, em decorrência de doenças relaionadas com o consumo de alimentos contaminados por agrotóxicos, herbicidas, fungicidas, antibióticos  ou em estado de conservação impróprios ao consumo humano por conterem bactérias,virus, parasitas ou outros  vetores patogênicos.
Em  sua edição de março último  a Revista National  Geographic, destacou em uma matéria que mais  de dois milhões de pessoas nos EUA ficam doentes  a cada ano por consumirem alimentos de origem  animal (principalmente bovinos, suinos e aves)  impróprios, os quais  contém altas doses de antibioticos, tornando  as  bactérias  altamente resistentes. Em 2014  ocorreram 23 mil  mortes devido a doenças vinculadas  ao consumo de alimentos que não  estavam de acordo com os padrões e normas,  internacionais e dos EUA. O custo dessas doenças para  o Sistema  de saúde nos EUA   foi  entre 21  e 34  bilhões de dólares. Informa  também a reportagem  que 80%  de todos os antibióticos consumidos/comerializados no país  são utilizados na  criação  de animais voltados `a produção alimentar.
Em 1948, na primeira Assembléia da OMS (Organização Mundial de Saúde), organismo  especializado da ONU para  esta área, foi aprovada uma  Resolução instituindo o DIA MUNDIAL  DA SAÚDE, a  ser “comemorado” em 07  de Abril  de cada ano.  O primeiro DIA MUNDIAL  DA SAÚDE  foi em 1950 e  desde então, nesses 65  anos, a OMS  tem estimulado a  reflexão, análise e debates sobre  temas fundamentais para  a saúde.
O tema do DIA MUNDIAL DA SAÚDE  em  2015 é “Segurança  dos alimenntos”, e envolve  a discusão desde a produção,  `a industrialização, o armazenamento, o transporte, a distribuição ou comercialização e o consumo. Mais  de 200 tipos de doenças  são  causadas por alimentos que são produzidos ou comercializados  e consumidos fora  dos padrões  estabelecidos pela “ Codex  Alimentarius” uma  instância  da OMS  em parceria  com a FAO  e participação da União Européia, mais 49 organizações  inter-governamentais, 16 organismos  especializados da ONU, 150 ONGs  de vários países. Em  2015 nada menos que 186 países  haviam aderido a CODEX ALIMENTARIUS  e   a  mesma  desde 2012  tem o reconhecimento da Organização Mundial do Comércio  com instância para dirimir conflitos entre paises em relação as questões de alimentos e  também  o poder  de estabelecer normas  e padrões internacionais que todos os países  devem seguir para resguardar  a saúde  dos consumidores.
No momento em que o Brasil experimenta uma  verdadeira explosão na produção de “commodities”, sem que, todavia, muitas dessas normas sejam respeitadas, principalmente quanto ao uso de agrotóxicos, herbicidas, fungicidas, antibióticos e outros produtos nocivos `a  saude humana, é mais do que oportuno que possamos discutir este tema.
Outro aspecto  também importante nesta discussão é o papel da agricultura  orgânica ou agricultura sustentável ou agroecologia,  incluindo também pecuária  e os horti-fruti,  como alternativa ao Sistema mercantilista de produção.
Este é um grande desafio que todos os governos e também entidades não governamentais, incluindo as que representm  a agricultura familiar, a  economia solidária e também dos consumidores  devem  enfrentar. Os custos  para  os sistemas de saúde  e também para a qualidade de vida da  população estão diretamente relacionados com a qualidade e segurança dos alimentos, cabendo aos organismos publicos, nas tres  esferas de governo, fiscalizarem para que os alimentos consumidos  pela população atendam  a  essas normas estabelecidas pela OMS e objeto deste DIA MUNDIAL DA SAÚDE.
JUACY DA SILVA, professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, EmailO endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.  Blog  www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy

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