A Adufmat-Ssind realizou, nesta sexta-feira, 26/06, assembleia geral ordinária para debater, conforme convocação, além os informes e da análise de conjuntura, comissão da Unimed, campanha de sindicalização 2026, comissão para o Baile 2026 em Sinop e caderno de textos do 69º CONAD. A pedido dos docentes sindicalizados lotados em Sinop, foi incluído o ponto de pauta sobre informes e leitura da Carta do II Territórios Amazônicos, realizado entre os dias 18 e 21/05.
Durante os informes da diretoria, o professor Breno Santos falou sobre a preparação da festa julina da resistência e da sindicalização, que simbolicamente fechará o semestre e deverá ser realizada no 17/07. O docente também falou sobre a participação no Grupo de Trabalho Política Educacional (GTPE), em Brasília.
Comissão Unimed
Sobre o ponto de pauta que debateu a questão dos planos da Unimed, referentes aos contratos coletivos 6890 a 6893, 6900 a 6903 e 6910 a 6912, o professor Carlos Emílio explicou que a sinistralidade (o uso) da categoria é alta, mas o lucro para a Unimed também tem sido muito grande. A ideia é formar uma comissão que trabalhe para conseguir reduzir o valor das mensalidades, em conjunto com trabalhadores técnicos administrativos (por meio do Sintuf-MT) e também do Tribunal de Justiça (TJMT), que também têm grande número de usuários nestes contratos.
Os presentes concordaram que precisam fazer um estudo amplo e para além do financeiro, incluindo docentes da base e da diretoria, para conseguir fazer uma negociação que não prejudique os trabalhadores.
Após o debate, se disponibilizaram para compor a comissão, além do professor Carlos Emílio, o professor Claudio Vieira (de Sinop) e dois membros da diretoria - a serem definidos conforme agenda.
Análise de conjuntura
O imperialismo que sustenta a extrema direita ao redor do mundo voltou a abrir a análise de conjuntura desta sexta-feira. “Talvez no que diz respeito aos índices eleitorais, o avanço da extrema direita não pareça tão evidente, mas nas sociabilidades ele ainda é muito presente, especialmente a partir do aumento das violências contra imigrantes, contra as mulheres e contra a classe como um todo”, apontou o professor Breno Santos.
A professora Lélica Lacerda afirmou que o momento é de barbárie explicita. “Não é apenas uma avaliação da esquerda, é discurso oficial. Os Estados Unidos defendem publicamente os absurdos que fazem. O Trump falou com todas as letras que o Brasil será o próximo teste. Eu estou muito preocupada. O fascismo destrói os instrumentos da classe trabalhadora para implementar ditadura sem resistência e nós estamos vendo esse processo”, afirmou.
Outras intervenções trouxeram críticas a inação do sindicato nacional, que não vai para a rua denunciar, por exemplo, o não cumprimento do acordo de greve assinado em 2024, mas propõe campanha de apoio à reeleição de Lula já no primeiro turno.
Os presentes destacaram que o governo Lula 3 pode até ter tido ações tímidas na política internacional, em apoio a Cuba e à Palestina, mas internamente tem assumido políticas neoliberais, como a de transferência de riqueza da população (como o Desenrola), não realizou a recomposição do orçamento das universidades e, recentemente, congelou parte desses recursos ainda escassos e falou abertamente, acordando com Fundo Monetário Internacional (FMI) de que nunca teve posição de “esquerdista”.
Diante disso, os presentes destacaram que aqueles que deveriam orientar a classe trabalhadora, boa parte das entidades de trabalhadores organizados, têm falhado nesse sentido.
Também houve críticas a intervenção direta de parlamentares na UFMT, por meio de promessas de emendas parlamentares para o seu funcionamento, que deveria estar sendo garantido por recursos públicos via Ministério da Educação, e não ações de políticos.
Campanha de sindicalização
Neste ponto de pauta, a Diretoria da Adufmat-Ssind afirmou que há uma campanha de sindicalização elaborada pelo Andes-SN, mas a Adufmat-Ssind sentiu necessidade de imprimir a própria identidade ao material. A ideia central e o conceito da campanha foram apresentados com auxílio da equipe de Comunicação.
Em seguida, a diretor geral, Breno dos Santos, complementou: “não queremos atrair novos sindicalizados por vaidade, mas porque a análise de conjuntura que acabamos de fazer indica que é fundamental fortalecer o sindicato para atuar contra esse cenário de retirada de direitos e avanço da extrema direita.”
A Diretoria seguiu afirmando que para manter um sindicato forte é preciso levar o sindicato para o cotidiano dos trabalhadores – neste caso, professores. A ideia foi apresentar a parte visual e já algumas ações, como participação nas agendas de reuniões de colegiados, fazer uma campanha que abarque o conjunto da universidade, com artes em Sinop, Cuiabá e Araguaia, montar uma banquinha da Adufmat-Ssind, demonstrando as lutas em defesa da recomposição orçamentária, contra as opressões, por salário e carreira dignos, além de participação em reuniões e espaços diversos da universidade e construir debates com grandes nomes nacionais. Entre os primeiros produtos pensados estão panfleto, camisetas, botons, faixas e banners.
O professor José Domingues de Godoi Filho sugeriu que a campanha faça, também denúncias públicas dos ataques sofridos pelas universidades, utilizando outdoors, por exemplo.
Os presentes reivindicaram também cores mais vivas nas artes, com as imagens das lutas e pessoas reais (e não geradas por IA).
Comissão do Baile Docente em Sinop
Para a comissão do Baile Docente em Sinop, se colocaram à disposição e foram aprovados pela assembleia os nomes dos professores Mauro Dresch, Daniel Simoes e Jhonny Maciel.
Caderno de textos do 69º Conselho do Andes-SN
Sobre o Caderno de Textos do 69º Conselho do Andes, que será realizado entre os dias 03 e 05/07 em São Luiz do Maranhão, os docentes que representarão o sindicato, indicados na assembleia do dia 06/05 (leia aqui), apresentaram os textos resolução (TRs), isto é, as propostas que serão debatidas no evento, destacaram pontos que consideraram polêmicos de alguma forma – como as já citadas defesas pela reeleição de Lula no primeiro turno -, e afinaram quais serão os encaminhamentos e votos da Adufmat-Ssind no evento.
Nesse sentido, os representantes devem atuar no sentido de não deixar o sindicato nacional estreitar o conceito de democracia a mera participação eleitoral. “Uma coisa é decidir, de forma crítica, votar no Lula para defender a permanência do regime democrático. Outra coisa é trazer a ideia acrítica, de que este é um governo que defende a pauta dos trabalhadores. Isso é absurdo, deseduca a classe”, afirmou a professora Alair Silveira.
A participação do Andes-SN no Fórum Nacional da Educação (FNE) também é um ponto polêmico, já que o fórum defende os interesses governamentais. Dessa forma, a presença do Andes-SN neste espaço só se justifica se for para garantir a presença das lutas históricas da categoria de forma muito firme.
Além disso, também foram problematizadas propostas que podem reduzir as dinâmicas de debate e tomada de decisões dentro do Andes-SN, como o de número 38, que propõe a formação de uma comissão para pensar alteração na metodologia atual.
O Caderno de textos do 69º Conselho do Andes-SN (Conad) tem 40 propostas (textos resolução) e está disponível para leitura aqui.
Informe qualificado e leitura da Carta do II Territórios Amazônicos
Devido ao avanço do horário, este ponto de pauta foi remetido para a próxima assembleia.
Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
O ANDES-SN publicou, nessa quarta-feira (24), a Circular 256/26, que dá continuidade ao levantamento nacional sobre universidades públicas, institutos federais e cefets, da base do Sindicato Nacional, que possuem estruturas multicampi e/ou estão localizados em regiões de fronteira. O prazo para envio das informações vai até 4 de setembro de 2026.

Desenvolvida pelo Grupo de Trabalho Multicampia e Fronteira (GT-MultiFront), a iniciativa tem o objetivo de ampliar o conhecimento sobre a realidade dessas instituições e subsidiar a atuação sindical. Atende, ainda, a deliberações congressuais do ANDES-SN.
Realizado pela última vez em 2025, o levantamento será atualizado após registrar baixo índice de participação. Por isso, o Sindicato Nacional reforça o chamado para que as seções sindicais e as instituições da base preencham o formulário disponível em https://forms.gle/6pL9KDzTSL9LtuxR7.
O documento também orienta que as solicitações de informações às reitorias sejam realizadas com base na Lei de Acesso à Informação (LAI) - Lei 12.527/2011. A legislação estabelece que os órgãos e entidades públicas devem conceder acesso imediato às informações disponíveis e, quando isso não for possível, têm prazo de até 20 dias para responder à solicitação.
Acesse aqui a Circular 256/26
Fonte: Andes-SN
A diretoria do ANDES-SN divulgou, nessa quarta-feira (24), uma nota de repúdio aos cortes promovidos pelo governo federal no orçamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A medida integra o bloqueio orçamentário anunciado por meio do Decreto nº 12.990, de 29 de maio de 2026, que elevou para R$ 23,6 bilhões o total de recursos contingenciados no Orçamento da União.
O bloqueio já havia atingido outras áreas, como o Ministério da Educação (MEC), que teve R$ 1,6 bilhão contingenciado. O orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) sofreu o bloqueio de R$ 490,1 milhões. Desse total, cerca de R$ 300 milhões correspondem ao CNPq, órgão vinculado ao MCTI.
De acordo com a nota do ANDES-SN, os cortes atingem diretamente o financiamento da pesquisa científica e tecnológica no país. Para a entidade, o bloqueio orçamentário "não só coloca em risco o financiamento de pesquisas fundamentais para o desenvolvimento social, humano e tecnológico brasileiro, mas serve como gasolina na fogueira neofascista".
O Sindicato Nacional também destacou que o contingenciamento ocorre em um contexto de sucessivos ataques à ciência e às instituições públicas de ensino. "Mais do que nunca, fortalecer nossas instituições é fundamental para enfrentar o escalonamento de ações de ódio contra a comunidade acadêmica", afirmou a nota.
Na avaliação do ANDES-SN, é imperativo que a decisão seja revertida. "É fundamental que o governo Lula reverta tal decisão imediatamente, visto que tal bloqueio pode afetar mais de 80% das bolsas, como tem alertado a presidência do CNPq", ressaltou.
O Sindicato Nacional cobrou a recomposição imediata dos recursos destinados à ciência e à tecnologia e defendeu a construção de políticas permanentes de financiamento, que garantam estabilidade às atividades de ensino, pesquisa e extensão, sem submissão às políticas de austeridade fiscal.
Impactos na Educação
Além dos impactos sobre a pesquisa, o bloqueio orçamentário já afeta o funcionamento das instituições federais de ensino. Após a publicação do decreto, o MEC suspendeu os repasses financeiros semanais às universidades, institutos federais e cefets na primeira quinzena de junho. Embora os recursos tenham voltado a ser liberados posteriormente, os valores disponibilizados são considerados insuficientes para atender às demandas das instituições.
Bolsas e projetos científicos
A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) manifestou preocupação com os efeitos do bloqueio. Em nota, a entidade afirmou que a ciência deve ser tratada como investimento estratégico e alertou para os impactos que o bloqueio pode provocar no sistema nacional de pesquisa.
Segundo a ANPG, além de possíveis atrasos no pagamento de bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado financiadas pelo CNPq, a medida pode comprometer a contratação e a execução de projetos científicos estratégicos, chamadas públicas de fomento, convênios, manutenção de laboratórios e unidades de pesquisa. "O enfraquecimento desses instrumentos significa menor capacidade nacional de produzir conhecimento, desenvolver tecnologias e responder aos desafios econômicos, sociais, sanitários, ambientais e produtivos do país", destacou a entidade.
Fonte: Andes-SN
Devido ao jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo de Futebol na próxima segunda-feira, 29/06, informamos que não haverá expediente na sede e subsedes da Adufmat-Ssind.
Retomaremos o atendimento normalmente na terça-feira, 30/06.
A Adufmat-Ssind vem a público alertar, mais uma vez, sobre uma tentativa de fraude identificada nesta quinta-feira, 25/06, envolvendo supostas liberações de pagamentos judiciais. Criminosos estão utilizando documentos falsos e o nome da associação para tentar enganar os docentes, apresentando informações que buscam dar aparência de legitimidade ao crime.
Como funciona a fraude atual: A mensagem fraudulenta enviada a sindicalizados apresenta um "Ofício de Comunicação e Orientação Processual" referente aos índices de 3,17% e 28,86%. O documento falso cita nomes de advogados e solicita contato urgente via telefone, incluindo dados pessoais como o CPF da vítima para pressionar o docente a realizar procedimentos indevidos.
A Adufmat-Ssind reafirma com veemência:
- O sindicato NUNCA realiza abordagens individuais por aplicativos de mensagens ou telefone para tratar de liberações de pagamentos, alvarás ou solicitar dados pessoais.
- Toda e qualquer informação jurídica legítima é transmitida exclusivamente durante assembleias gerais, reuniões presenciais com a assessoria jurídica ou por meio do site oficial da entidade.
- Os golpistas utilizam nomes de advogados reais, termos técnicos e logos da entidade para criar uma falsa sensação de urgência e veracidade.
O que fazer se você for alvo da tentativa de golpe:
- Não responda e não forneça dados: Jamais envie fotos de documentos, dados bancários ou realize pagamentos de supostas "taxas de cartório" ou custas processuais.
- Cuidado com áudios: Não envie mensagens de voz, pois estas podem ser manipuladas por criminosos usando Inteligência Artificial.
- Bloqueie e denuncie: Reporte o número de origem no próprio aplicativo de mensagens e informe imediatamente o sindicato sobre o ocorrido.
- Registre um Boletim de Ocorrência: A orientação da Assessoria Jurídica é que cada docente registre individualmente um BO, o que pode ser feito pela Delegacia Virtual (DEVIR).
Canais Oficiais de Contato: Na dúvida, ignore contatos suspeitos e utilize apenas os meios oficiais da Adufmat-Ssind para confirmar qualquer informação:
- Site oficial: www.adufmat.org.br
- E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.
- Telefones: (65) 99686-8732 e (65) 99696-9293
Imprensa Adufmat-Ssind
Ocorreu entre os dias 19 e 21 de junho, na unidade Maracanã do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ), o Seminário Memória, Verdade, Justiça e Reparação. Organizado pelo Grupo de Trabalho de História do Movimento Docente (GTHMD) e pela Comissão da Verdade do ANDES-SN, o evento reuniu docentes, pesquisadores, pesquisadoras e representantes de movimentos sociais para debater o enfrentamento ao golpismo, à violência de gênero, ao racismo estrutural e às violações de direitos humanos.
A mesa de abertura, realizada na manhã de sexta-feira (19), contou com representantes da diretoria do ANDES-SN, da Comissão da Verdade do Sindicato, da Associação de Docentes do Cefet-RJ (Adcefet-RJ SSind.) e do Diretório Central dos Estudantes (DCE).
O tom inicial foi de solidariedade à comunidade do Cefet-RJ devido aos feminicídios de Allane de Souza Pedrotti Matos, diretora e coordenadora da equipe pedagógica, e Layse Costa Pinheiro, psicóloga da instituição. Ambas foram assassinadas, dentro do Cefet-RJ, por um colega de trabalho que não aceitava ser chefiado por mulheres, ocorridos em 2025.

Golpe, anistia e violência de gênero
Na sequência, a mesa 1 "Golpe é Crime: Sem perdão, nem anistia aos golpistas de 8 de janeiro" debateu a seletividade do sistema penal brasileiro. O historiador Marcelo Badaró analisou o peso da anistia de 1979, classificando-a como um acordo que garantiu a impunidade de torturadores e construiu uma narrativa de "benevolência" militar. O docente questionou ainda a pressão dos setores da extrema direita pela anistia das pessoas envolvidas na tentativa de golpe de 2023.
“Nós estamos com essa disposição, de ceder à chantagem e anistiar os golpistas de 8 de janeiro de 2023? O processo de apuração da tentativa de golpe colocou generais no banco dos réus e condenou à prisão alguns golpistas. Mas, o processo corre numa linha de repactuação, a partir dos movimentos do congresso inimigo do povo”, afirmou.
Fernanda Vieira, secretária-geral do ANDES-SN, complementou que a defesa da punição dos golpistas de 2023 não é um apoio ao punitivismo cego, mas um combate à seletividade da justiça, que historicamente encarcera corpos negros enquanto protege articuladores fascistas. “Precisamos combater a chantagem e a forma que o fascismo no Brasil tenta nos impor a legitimidade das ações violentas que marcaram o início de 2023”, acrescentou.
“O seminário foi extremamente importante por abordar temas atuais e urgentes, que demandam nossa atenção e mobilização permanente. Um dos destaques foi o debate sobre a dosimetria das penas relacionadas aos atos golpistas de 8 de janeiro, especialmente diante da derrubada, pelo Congresso Nacional, do veto do presidente Lula às vésperas do Dia do Trabalhador. Trata-se de uma questão que suscita reflexões importantes sobre democracia, justiça e responsabilização”, avaliou Fernanda Mendonça, diretora do ANDES-SN e da coordenação do GTHMD.
A parte da tarde foi dedicada à Mesa 2, que discutiu o feminicídio, a misoginia e a ascensão da cultura "red pill", com a participação de Raquel Garcia, Camila Galleti e Tarcila Formiga. Segundo Fernanda Mendonça, esse foi um tema central, devido à crescente violência contra as mulheres, que tem alcançado níveis alarmantes e se manifestado de forma cada vez mais brutal no cotidiano.

“Discutir essa temática no Cefet-RJ foi particularmente marcante e emocionante, considerando que a instituição foi palco de um dos episódios mais trágicos de violência contra as mulheres recentemente. Foi possível perceber que docentes, estudantes e servidores ainda se encontram profundamente abalados pelos acontecimentos. Nossa presença naquele espaço teve um significado político e simbólico importante, ao reafirmar que o enfrentamento à violência de gênero também é uma pauta do ANDES-SN e integra as lutas da categoria docente”, acrescentou.
Após o debate, foi realizado um ato em memória às vítimas de feminicídio no Cefet-RJ e às vítimas de chacinas estaduais. “O primeiro dia foi encerrado com um ato de grande relevância. Além de homenagearmos Layse e Allane, tivemos a oportunidade de nos dirigir à diretoria do Cefet-RJ para dialogar sobre os encaminhamentos institucionais relacionados ao caso. Contudo, fomos informados de que o diretor havia deixado o local ao tomar conhecimento de nossa intenção de procurá-lo, o que gerou indignação entre os e as participantes”, relatou a diretora do ANDES-SN.
Lutas camponesas, indígenas e antirracistas
O sábado (20) iniciou com a Mesa 3 “A luta dos movimentos por Memória, Verdade, Justiça e Reparação”. Em sua fala, Leonilde Servolo de Medeiros ressaltou que a democracia no campo permanece um desafio inacabado. A docente destacou que a repressão ao campesinato muitas vezes não passou por mecanismos formais, sendo o medo um fator que dificultou a preservação dessa memória. Leonilde criticou o relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV) e questionou onde está, de fato, a redemocratização do país diante da permanência da violência estatal e do apoio a grandes empresas em territórios tradicionais.

Já a representante do grupo Rio Tortura Nunca Mais, Lívia Salgado, criticou a Lei de Anistia de 1979, por instituir uma "política de esquecimento" que não atendeu às demandas sociais. Lívia pontuou que, embora legislações posteriores tenham reconhecido mortes e desaparecimentos, os critérios eram restritivos e não contemplavam todas as vítimas. Salgado avaliou que, mesmo com os avanços da CNV impulsionados por condenações internacionais ao Brasil, a Comissão apresentou limitações, como o registro de apenas 434 vítimas e o não reconhecimento de testemunhas como vítimas de repressão.
Paulino Montejo, coordenador da Associação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), abordou a exclusão sistemática dos povos indígenas da categoria de vítimas políticas. Ele denunciou que, no relatório da CNV, os indígenas foram tratados apenas como mortos em decorrência da ditadura, e não como alvos diretos de perseguição política. O representante da Apib defendeu também a criação de uma Comissão Nacional da Verdade Indígena e relatou oficinas em territórios para resgatar memórias de violações que persistem com a expansão do agronegócio e do garimpo.
Ao concluir, Paulino mencionou ainda a criação de um fórum com mais de 60 instituições, incluindo o ANDES-SN. Nesse espaço, foram constituídos grupos de trabalho voltados à investigação de casos, à análise de aspectos jurídicos e à articulação com organismos internacionais. Segundo Montejo, existe respaldo internacional para o avanço dessa agenda.
A tarde de sábado foi dedicada ao painel “Racismo e violações continuadas”, que aprofundou a análise sobre como o racismo estrutura as instituições brasileiras. Foram discutidos temas como a violência policial, o encarceramento em massa e a importância de pautar a reparação histórica para a população negra como base para uma democracia real.

As reflexões sobre memória, verdade e reparação constituíram um dos eixos centrais da mesa. Os e as participantes defenderam que o reconhecimento da escravidão como crime contra a humanidade, posição já assumida por organismos internacionais, deve servir de base para a construção de políticas efetivas de reparação. Destacou-se que a abolição da escravidão não representou uma ruptura com as estruturas de desigualdade racial, mas apenas uma mudança formal das condições jurídicas da população negra. Por essa razão, a luta por reparação permanece atual e necessária.
Um dos expositores, Henrique Cunha Júnior apresentou uma profunda reflexão sobre a trajetória histórica das populações negras, sugerindo o uso desse termo em substituição ao conceito de raça para enfatizar a diversidade de experiências desse grupo. Em diálogo com a obra de Clóvis Moura, o docente caracterizou a escravização como um sistema criminoso, baseado na violência, e não apenas em relações econômicas. Cunha Júnior ressaltou o papel de instituições como os quilombos e as Irmandades do Rosário dos Homens Pretos na formação de intelectuais como Luiz Gama e na construção da autonomia negra. Ele criticou duramente o período pós-abolição pela ausência de políticas de reparação e pelo incentivo ao branqueamento populacional.
Caroline Lima, 1ª vice-presidenta do ANDES-SN, analisou as formas contemporâneas do racismo estrutural, destacando como práticas institucionais produzem desigualdades e morte. Ela lembrou que a primeira vítima da Covid-19 no Brasil foi uma trabalhadora doméstica negra, simbolizando a subordinação histórica desse grupo. A diretora do Sindicato Nacional denunciou a lógica do modelo de segurança pública, que foca no controle social de periferias e populações negras, por meio de chacinas e encarceramento em massa, afirmando que a segurança não pode ser dissociada do debate sobre racismo e democracia.

“No segundo dia, as mesas deram visibilidade às múltiplas formas de violência historicamente praticadas contra populações camponesas, indígenas, negras e outros grupos socialmente vulnerabilizados. Os debates evidenciaram o quanto o país ainda avançou pouco nos processos de memória, verdade, reparação e justiça de transição, permanecendo importantes lacunas no reconhecimento das violações cometidas e na responsabilização dos seus autores”, avaliou Fernanda.
Lançamento do Caderno 30 “60 anos do Golpe”
Durante o sábado (20), houve também o lançamento do Caderno 30 do ANDES-SN “Memória, Verdade, Justiça e Reparação - 60 anos do Golpe”, apresentado pela representante da Comissão da Verdade do ANDES-SN, Maria Ceci Misoczky.
“Tivemos a satisfação de realizar o lançamento do caderno “60 Anos do Golpe Militar”, fruto das discussões e reflexões produzidas durante o I Seminário de Memória, Verdade, Justiça e Reparação, realizado em Porto Alegre, em 2024. A publicação representa uma importante contribuição para a preservação da memória histórica e para o fortalecimento das lutas em defesa da democracia”, contou a coordenadora do GTHMD.
Fortalecimento da memória docente e resoluções
O encerramento, no domingo (21), foi dedicado aos informes das seções sindicais e ao encaminhamento das resoluções do 44º Congresso do ANDES-SN. Diversas seções, compartilharam o andamento de seus projetos de preservação de arquivos e recuperação da memória institucional de perseguições durante a ditadura.
Entre os principais encaminhamentos aprovados estão a realização de um módulo de formação sindical sobre violência de Estado e luta antirracista no segundo semestre de 2026; a continuidade do projeto “Memória Viva”, com a produção de registros audiovisuais sobre os 45 anos do ANDES-SN; o apoio político à Comissão Nacional Indígena da Verdade; e o fortalecimento do Centro de Documentação (Cedoc) do ANDES-SN, com a criação de uma nova página institucional para facilitar o acesso público a documentos históricos.
Para Fernanda Mendonça, a presença de representantes de diferentes seções sindicais garantiu um bom resultado ao encontro. “O seminário contou com a participação de quase 20 seções sindicais, o que ampliou a diversidade de experiências compartilhadas e qualificou, significativamente, os debates realizados ao longo dos dois dias de atividades”, concluiu a diretora do ANDES-SN.
Fonte: Andes-SN
Fotos: Eline Luz / Imprensa ANDES-SN
A segunda rodada de negociação, deste ano, entre o Fórum das Entidades Nacionais de Servidores Federais (Fonasefe) e o governo federal ocorrerá nesta quinta-feira (25), em Brasília (DF). A reunião foi confirmada dias após o Fonasefe cobrar, via ofício, urgência na convocação da Mesa Central da Mesa Nacional de Negociação Permanente (MNNP).
Às vésperas da mesa de negociação, o Ministério de Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI) enviou a pauta da reunião dividida em três pontos: Novas Tecnologias de Governo Digital (SGD); Entregas relacionadas às demandas da pauta da Mesa Central; e Demandas da pauta em estudo.
Para o Fonasefe, o governo precisa trazer respostas sobre a reserva de recursos para recomposição salarial, a serem implementada no primeiro semestre de 2027. Estes recursos precisam estar previstos na Lei Orçamentária para, de fato, serem efetivados. Além disso, o Fonasefe espera que o MGI avance na pauta geral de reivindicação dos servidores e das servidoras federais.
A pauta de reivindicação foi protocolada em janeiro deste ano (veja aqui), e a primeira rodada de negociação aconteceu no dia 26 de março.
Fonte: Fonasefe (com edição do ANDES-SN)
Caros(as) docentes,
Seguindo a prática nacional de redução da carga horária de atendimento em dias de jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de Futebol, informamos que, nesta quarta-feira, 24/06, a Adufmat-Ssind encerrará o expediente às 11h30.
O atendimento será retomado normalmente na quinta-feira, 25/06, nos horários habituais: das 7h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h30.
Agradecemos a compreensão.
Adufmat-Ssind
O Ministério de Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI) agendou, para o dia 25 de junho, às 14h30, em Brasília (DF), a segunda rodada de negociação de 2026. A confirmação da reunião ocorreu três dias após o Fórum das Entidades Nacionais de Servidores Públicos Federais (Fonasefe) entregar ofício ao secretário de Relações de Trabalho do MGI, José Lopez Feijóo, cobrando urgência na convocação da Mesa Central da Mesa Nacional de Negociação Permanente (MNNP).
Primeira Mesa Central do ano ocorreu no dia 26 de março (Foto: Thamires Barreto/ANDES-SN)
A pauta da reunião ainda não foi encaminhada pelo MGI, mas as entidades esperam respostas sobre a reserva de recursos para recomposição salarial, no primeiro semestre de 2027, e que precisam estar previstos na Lei Orçamentária para serem efetivados. As entidades que compõem o Fonasefe, entre as quais o ANDES-SN, esperam ainda que a reunião avance também na pauta geral de reivindicação dos servidores e das servidoras, protocolada em janeiro deste ano.
Confira a pauta de reivindicação completa aqui.
Fonte: Fonasefe (com edição do ANDES-SN)
A Diretoria da Adufmat-Ssind, no uso de suas atribuições regimentais, convoca todos os sindicalizados para Assembleia Geral Ordinária PRESENCIAL a ser realizada na sede da Adufmat-Ssind, em Cuiabá, e nas subsedes de Sinop e Araguaia:
Data: 26 de junho de 2026 (sexta-feira)
Horário: 13h30 (Cuiabá) com a presença mínima de 10% dos sindicalizados e às 14h, em segunda chamada, com os presentes.
Pauta:
1. Informes;
2. Análise de conjuntura;
3. Campanha de sindicalização;
4. Comissão de Plano de Saúde;
5. Comissão para o Baile 2026 em Sinop;
6. Caderno de textos do 69º CONAD.
A Assembleia será presencial e ocorrerá simultaneamente no auditório da sede da Adufmat-Ssind, em Cuiabá, e nas subsedes dos campi de Sinop e Araguaia.
Cuiabá, 22 de junho de 2026
Gestão Adufmat é pra lutar!












