Sexta, 28 Agosto 2026 17:43

 

A Comissão Permanente de Avaliação de Documentos (CPAD) da Adufmat-Ssind concluiu, em julho deste ano, o trabalho de organização, classificação e digitalização de seu acervo fotográfico. O procedimento, realizado em parceria com o Grupo de Pesquisa Educação e Memória (GEM) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) permitirá, agora, o lançamento de dois catálogos inéditos que contam a história do sindicato por meio de 2.650 fotografias impressas, produzidas entre os anos de 1978 e 2016.

 

A coordenadora do CPAD, professora Maria Adenir Peraro, explica que, até então, o portal público de Gestão Documental da ADUFMAT (acesse aqui) tinha disponibilizado o Plano de Gestão Documental de 2019, resultado do acondicionamento de 388 caixas de documentos físicos em papel no Arquivo Central. A grande inovação é o tratamento arquivístico especificamente voltado à memória visual do movimento docente.

 

“A realização deste trabalho veio culminar em dois formatos de digitalização do acervo fotográfico e na elaboração de dois catálogos:  um sumário e o outro mais explicativo/analítico. O sumário resultou na digitalização das fotos com a ficha catalográfica manual, e segue o mesmo formato das fotos que se encontram nas pastas suspensas do armário de aço do Arquivo Central da Adufmat-Ssind; o analítico resultou na digitalização do acervo de fotos com uso de verbetes próprios, gerados pelo programa TROPY”, explica a docente.


Riqueza do Acervo e etapas de preservação


O Acervo da Adufmat-Ssind retrata momentos fundamentais dos 48 anos de lutas do sindicato. Entre os registros recuperados e agora acessíveis estão imagens das assembleias, congressos do Andes-SN (como os realizados em Cuiabá em 1992 e 2017), comandos de greve, posses das primeiras diretorias, da construção da sede (a famosa oca), festas, comemorações, entre outros.

 

Para garantir a longevidade física das imagens originais, a equipe seguiu uma metodologia rigorosa, indicada pelo próprio Manual de Gestão de Documentos Andes – Sindicato Nacional. As fotos foram cuidadosamente removidas de álbuns antigos e realocadas em envelopes individuais de papel pardo, e o processo contou com a colaboração de funcionários e professores, tanto da ativa quanto aposentados, cujos depoimentos ajudaram a identificar dezenas de imagens das décadas de 1980 e 1990 que estavam sem qualquer tipo de legenda ou data.

 

Devido ao grande volume de dados e para facilitar a consulta dos pesquisadores, os catálogos foram estruturados e divididos em partes, em formato PDF, e organizadas por ordem alfabética dos eventos. Com a publicação digital do material, a CPAD espera expandir as pesquisas sobre a história e as conquistas do movimento docente local e nacional. No entanto, a comissão destaca que a reprodução das imagens só poderá ser feita mediante a assinatura prévia do Termo de Direitos de Uso e Reprodução de Imagem.

 

Recentemente, o sindicato adquiriu um scanner de mesa superior, indicado para a digitalização de fotografias, livros, documentos e materiais encadernados. O equipamento, de nome CZUR ET18 Pro, permite realizar digitalizações de forma rápida, sem a necessidade de desmontar ou pressionar os documentos, além de oferecer recursos de correção automática de páginas, corte, reconhecimento de texto (OCR) e diferentes formatos de arquivo. Para o acervo fotográfico, a ferramenta vai facilitar, ainda, a produção de cópias digitais para preservação e consulta, contribuindo para a organização, catalogação e acesso ao patrimônio documental da Adufmat-Ssind.


Além da professora Maria Adenir, também fazem parte da CPAD os docentes Adriana Queiroz do Nascimento Pinhorati (GEO/UFMT), Einstein Lemos de Aguiar (FACC/UFMT), Maria Clara Vieira Weiss (ISC/UFMT), Nilza de Oliveira Sguarezzi (IE/UFMT) e Iva Ferreira Gonçalves (ICHS/UFMT), além da arquivista Daniely Durão Moura e da estagiária Giovana Oliveira.

 

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

Quinta, 20 Agosto 2026 11:41

 

 

No calendário das lutas sociais do Brasil, o mês de agosto traz a celebração do Dia do e da Estudante, em 11 de agosto. Mais do que uma efeméride festiva, a data corresponde à criação dos primeiros cursos superiores do Brasil, ao aniversário da Organização Continental Latino-Americana e Caribenha dos Estudantes (OCLAE) e à fundação da União Nacional dos Estudantes (UNE). Por isso, no marco das comemorações dos 45 anos do ANDES-SN, a reportagem especial de agosto resgata a relação histórica entre o movimento estudantil e o movimento sindical docente.

Docentes e estudantes em ato da greve de 2012. Foto: Renata Maffezoli / Imprensa ANDES-SN


De acordo com registros do ANDES-SN, essa trajetória mútua consolidou-se desde o período da ditadura empresarial-militar, quando as ações de oposição docente e estudantil começaram a se unificar para fazer frente ao autoritarismo e à violência governamental e ao esmagamento das liberdades constitucionais. A Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes) nasceu sob o peso do regime ditatorial. Conforme o Caderno 18 da entidade, já na histórica primeira greve nacional docente, em 1980, e nas mobilizações subsequentes de 1981, que levaram à fundação da Andes, o movimento estudantil esteve lado a lado do movimento docente, demonstrando que a luta por condições dignas de trabalho estava umbilicalmente ligada ao direito de acesso democrático ao ensino superior. 


“Alguns dos representantes ou associados de Ads, que lá se encontravam para apresentar trabalhos científicos, traziam, na bagagem, o patrimônio político forjado nas lutas do movimento estudantil (ME), o qual, tradicionalmente, constitui a escola formadora e a origem de quadros dirigentes para as mais diversas atividades sociais. Esse era o nosso caso, Valmir Martins e eu, que participamos da reunião e nos propusemos a levar suas conclusões aos docentes da UFSC”, contou, no Caderno 18, Osvaldo de Oliveira Maciel, 1º presidente do ANDES-SN, sobre a primeira reunião que culminou na criação da entidade. A fala exemplifica a relevância que o movimento estudantil teve (e ainda tem), inclusive para a formação de quadros do movimento sindical docente.


Essa unidade tática consolidou-se nas ruas durante a campanha das Diretas Já, em 1984, quando as bandeiras estudantis e docentes se fundiram na exigência da redemocratização do país. Docentes e estudantes também atuaram em conjunto na construção das propostas educacionais para a Constituinte de 1988 e na elaboração das diretrizes para a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Da mesma forma, lutaram para exigir o impeachment do presidente Fernando Collor e o fim das políticas de desmonte do Estado, em 1992.


As mobilizações docentes, no auge do avanço neoliberal do governo Fernando Henrique Cardoso (FHC), também contaram com apoio do movimento estudantil. Da mesma forma, a unidade de ação entre professoras, professores e estudantes se fez presente durante os governos de conciliação de classe da esquerda, na luta por 10% do PIB para a Educação pública, contra a reforma do Ensino Médio (2016) e contra a reforma da Previdência (2017) e na defesa das instituições públicas de ensino e de sua autonomia durante o governo Bolsonaro.

Ato Tsunami da Educação em Brasília, em maio de 2019. Foto: Bruna Yunes / Imprensa ANDES-SN


Forjado na luta


A história de lutas coletivas atravessa e molda trajetórias individuais, como a do professor Rodrigo da Silva Pereira, hoje docente na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Nascido na periferia de São Bernardo do Campo (SP), sua consciência política despertou ainda na militância estudantil secundarista. “Eu era um menino da periferia de São Bernardo, muito indignado com as coisas que aconteciam, com a pobreza generalizada e sempre fui uma pessoa que queria fazer alguma coisa para mudar a situação, primeiro da minha família. Mas eu encontrei no movimento social essa possibilidade de mudança coletiva. E foi no movimento estudantil que eu vi isso. Eu participei do grêmio da minha escola e participei do movimento estudantil no ensino médio, 96, 97, na União Municipal de Estudantes Secundaristas de São Bernardo e, a partir daí, comecei a militar, não só na cidade, mas também no estado, e acompanhar o movimento estudantil nacional”, conta.


A partir do ano 2000, já enquanto estudante de graduação em Ciências Sociais, na Fundação Santo André (FSA), ele aprofundou a atuação militante. Segundo Pereira, a Fundação era uma universidade municipal, mas que tinha uma perspectiva regional e que, por muito tempo, foi financiada pelas prefeituras e por entidades do movimento social. “Ela tinha um perfil de acolher os filhos e as filhas dos trabalhadores da região. Era subsidiada, então era uma universidade de baixo custo, uma fundação municipal que depois se transformou num centro universitário”, acrescenta. 


Segundo ele, na época, não havia universidade pública no ABC Paulista, só na capital São Paulo. “Havia uma grande luta pela federalização da Fundação Santo André. Ela não foi federalizada, mas acabou que essas lutas deram origem à reivindicação da Universidade Federal e que, enfim, impulsionou a criação da UFABC”, relata.


O docente lembra que, no ano em que ingressou na FSA (2000), aconteceu uma greve das universidades federais. “A gente não era uma Federal, mas como a gente participava do movimento nacional, começamos a contribuir para os debates da greve. E daí veio a primeira contribuição do ANDES-SN na minha militância. O ANDES-SN lutava pela recomposição salarial dos professores, além de um projeto de universidade onde a interiorização das universidades federais estava na pauta. Então, vimos na greve um instrumento que poderia ajudar no processo de federalização”, recorda.

Rodrigo Pereira durante o 44º Congresso do ANDES-SN. Foto: Eline Luz / Imprensa ANDES-SN


Rodrigo destaca que, em 2000, os movimentos estavam no auge do enfrentamento com o governo FHC, contra a proposta de reforma do Estado brasileiro que buscava também transformar a universidade pública. Já em 2001, ele passou a integrar o bloco "Rompendo Amarras", oposição de esquerda da UNE, e ajudou a construir a greve de 2001 nas universidades federais. Essa foi uma das maiores paralisações do movimento docente, que contou com um apoio importantíssimo do movimento estudantil, sobretudo do bloco de oposição da UNE.


“A nossa participação foi muito importante. A gente promovia várias atividades com o ANDES-SN. O comando de greve durou 120 dias. A gente tinha um comando de greve dos estudantes e tinha o comando de greve do próprio ANDES-SN, que fazia um conjunto de atividades. A nossa relação [do movimento estudantil] com o ANDES-SN, na realidade, se estreitou aí, sobretudo nos debates do GTPE [Grupo de Trabalho de Política Educacional], que tinha uma contribuição muito grande, a partir do Caderno 2 do ANDES-SN, que nos ajudava a pensar a política educacional”, relembra.


Entre os anos de 2003 e 2005, Pereira ocupou a diretoria de Políticas Educacionais da UNE, em um período de profundas contradições durante os anos iniciais do primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva. À época, sob a gestão do ministro Tarso Genro no Ministério da Educação, o governo federal lançou a proposta do programa ProUni, gerando um debate tenso e divergente nas entidades do Setor da Educação. Enquanto a direção majoritária da UNE apoiava a medida, o GTPE do ANDES-SN liderou, em parceria com a oposição de esquerda estudantil, uma profunda e rigorosa crítica ao projeto.


O docente lembra que, durante esse período, travou debates memoráveis contra a implementação do programa ProUni, criticando o direcionamento de recursos públicos para o setor privado, definindo o programa que garantia vagas remanescentes em instituições particulares como a oferta de "vagas pobres para estudantes pobres". Ele defendia, assim como o ANDES-SN, a expansão imediata de vagas públicas, gratuitas e de qualidade para a classe trabalhadora. “O ANDES-SN, para mim, ele sempre foi uma referência na discussão do projeto de universidade”, acrescenta.


Rodrigo conta que a influência foi tanta que, ao retornar à FSA em 2006, após dois anos afastado para atuar no movimento estudantil nacional, escolheu fazer seu trabalho de conclusão de curso (TCC) sobre o tema da política de financiamento da educação, com o acúmulo que aprendeu com o ANDES-SN e com a atuação no movimento estudantil. Depois, fez mestrado e doutorado na Educação, na área de Política Educacional. E hoje é professor da cadeira de Política Educacional na UFBA e coordena o grupo de trabalho de pesquisadores da área de Política Educacional no Brasil, o GT5 de Estado e Política Educacional da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped).


“Eu diria que a minha trajetória, o professor que eu sou hoje, o professor pesquisador militante da base do ANDES-SN, tem a ver com as contribuições que o Sindicato Nacional deu na minha formação e na minha militância”, avalia. “Hoje, eu entendo que há um conjunto de, digamos assim, projetos diferentes para o ANDES-SN, que disputam o sindicato, que são projetos legítimos, mas o meu compromisso com o ANDES-SN tem a ver com o que ele foi, historicamente, e o que ele é no presente”, pondera.

Rodrigo integra o Coletivo Democracia e Luta da UFBA - oposição sindical que luta em defesa do ANDES-SN na universidade. Foto: Eline Luz / Imprensa ANDES-SN


O docente destaca a relação que a entidade estabelece com o movimento estudantil, não sob uma perspectiva de superioridade, como é traduzido muitas das vezes na academia na relação professor/estudante, mas numa perspectiva de companheirismo, do ponto de vista da formação, assim como do apoio estrutural à luta do movimento estudantil. “É o que me faz entender que o ANDES-SN é um sindicato muito importante, não só para mim como docente, não só para as universidades, do ponto de vista da sua estrutura, mas também para um projeto de futuro”, acrescenta, afirmando que não se vê militando em outro espaço sindical que não o ANDES-SN.


Unidade na luta contra a extrema direita


Questionado sobre como vê o movimento estudantil, agora na posição de professor e base do movimento sindical docente, Pereira ressalta que a conjuntura mudou muito da época em que era estudante. “Há um avanço da extrema direita no Brasil e no mundo, e as entidades também não são estáticas, lineares. O ANDES-SN mudou e a UNE também mudou. E a conjuntura nos exige unidade, mesmo que seja unidade tática, para enfrentar um inimigo maior que é a extrema direita. Eu acho que tanto o ANDES-SN quanto a UNE têm dado demonstrações muito importantes de unidade na diversidade”, avalia.


O professor da UFBA destaca que os movimentos seguem com pautas em comum, como a defesa da educação pública, das universidades, da ciência e da tecnologia, da valorização docente e da permanência estudantil. “Isso nunca ficou de fora das pautas do movimento estudantil e da UNE, assim como da pauta do ANDES-SN. Ocorre que, nesse momento, essa unidade é mais necessária ainda, porque a extrema direita ameaça o conjunto dessas conquistas, sejam elas docentes ou do movimento estudantil”, reflete. 


A aliança forjada no cotidiano das mobilizações em defesa da educação e da universidade pública, gratuita, laica, de qualidade e socialmente referenciada, demonstra que as conquistas da educação brasileira não foram concessões do Estado, mas frutos de lutas unificadas que atravessam décadas de resistência. Para Rodrigo, duas questões são fundamentais e devem continuar na ordem do dia para ambos os movimentos, sobretudo com o avanço da extrema direita: a defesa intransigente da política de cotas nas universidades públicas - na formação de estudantes e nos concursos públicos  - e a recomposição orçamentária das instituições. 


“A política de cotas é uma conquista não só do movimento negro, mas da sociedade brasileira, tanto para ingresso quanto para permanência nas universidades. Depois que a extrema direita avançou, proliferaram os casos de contestação da política de cotas, dos resultados dos concursos públicos para ingresso docente. Também há inúmeros processos contra a lei de cotas no ingresso a cursos considerados de elite, medicina, direito, entre outros. Então, a defesa intransigente da política de cotas para o acesso dos estudantes e dos professores, e também da permanência dos estudantes, é fundamental porque, se a gente for pensar do ponto de vista do racismo estrutural, o estudante precisa entrar na universidade, mas ele precisa permanecer. E a permanência não tem a ver só com o financiamento, ele precisa se ver reconhecido na universidade. [...] Faz parte da permanência estudantil também ter professores e professoras negras na universidade”, detalha. 

Rodrigo Pereira durante o 44º Congresso do ANDES-SN. Foto: Eline Luz / Imprensa ANDES-SN


Outro ponto fundamental, conforme Rodrigo, é a recomposição do orçamento das universidades, pauta histórica de docentes e estudantes. O professor da UFBA lembra que há uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) tramitando no Congresso Nacional, a PEC 96/2019, que retira a Educação do processo de contingenciamento de recursos da União. A PEC já foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara em 2022, mas está parada desde então. O texto ainda precisa ser apreciado e votado em dois turnos nos Plenários da Câmara e do Senado. Para ele, é fundamental retomar a luta pela aprovação desta proposta e pela recomposição orçamentária das instituições federais de ensino.


“Não deveria haver contingenciamento de recursos, e é fundamental a recomposição dos orçamentos das universidades. As universidades não podem viver de emenda pix, porque, senão, elas vivem com o pires na mão diante de um  Congresso Nacionalconservador. Direcionar o orçamento das universidades, um setor estratégico do serviço público brasileiro, para as mãos desse Congresso Nacional é um elemento temerário. Por isso, acho que a luta do próximo período precisa estar centrada nesses dois pontos: a recomposição dos orçamentos da universidade e a luta pela manutenção e ampliação da política de cotas, para o ingresso e a permanência de estudantes e  de professores e professoras”, conclui.

 

Fonte: Andes-SN 

Quinta, 11 Junho 2026 16:25

 

Seções sindicais têm até 18 de junho para enviar as informações sobre seus acervos


O ANDES-SN, por meio do Centro de Documentação Professor Osvaldo de Oliveira Maciel (Cedoc/ANDES-SN), realiza um levantamento nacional dos arquivos e acervos das seções sindicais e convida as entidades de base a contribuírem com a iniciativa. O objetivo é reunir informações que subsidiem a elaboração do Guia dos Arquivos e Acervos das Seções Sindicais do ANDES-SN, fortalecendo a preservação da memória das lutas docentes em todo o país.

De acordo com a Circular nº 227/2026, a proposta vai além de um simples mapeamento técnico. A iniciativa integra um esforço político e histórico para preservar a trajetória do movimento docente brasileiro, marcada por mobilizações, greves, campanhas salariais, debates e processos organizativos construídos coletivamente ao longo das décadas. "Em tempos de ataques à educação pública, ao sindicalismo, à universidade e aos direitos sociais, preservar nossa memória é também fortalecer as lutas do presente e preparar as lutas do futuro", destacou o documento.

O Cedoc elaborou um formulário com questões sobre os acervos existentes nas seções sindicais, contemplando aspectos relacionados à organização, conservação, acesso e divulgação dos materiais preservados. As contribuições devem ser enviadas até 18 de junho, por meio de formulário. Acesse aqui.

Para auxiliar o preenchimento, o Cedoc também disponibilizou um documento com as perguntas do formulário. Leia aqui o documento.

O Sindicato Nacional ressalta que a participação é importante, independentemente das condições atuais dos acervos. As informações reunidas poderão contribuir para a construção de instrumentos de apoio às seções sindicais no trabalho de preservação documental e da memória institucional.

Em caso de dúvidas ou necessidade de auxílio no preenchimento do formulário, entre em contato com o Cedoc pelo e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo..

 

Fonte: Andes-SN 

Sexta, 20 Fevereiro 2026 11:03

 

 

Entre os dias 30 de março e 2 de abril, o ANDES-SN promove a Semana de Memória de Lutas, com o tema “Democracia, Autonomia e Luta Antirracista”.

De acordo com a Circular 55/2026, a iniciativa tem como objetivo dar visibilidade às lutas históricas do Sindicato Nacional, acumuladas ao longo de seus 45 anos de existência, e reafirmar seu compromisso com a defesa da democracia, da autonomia universitária, dos direitos trabalhistas e do enfrentamento ao racismo estrutural. A proposta é fortalecer a memória coletiva do movimento docente como ferramenta política para a resistência a projetos autoritários e de defesa das liberdades públicas.

Segundo Fernanda Mendonça, 1ª vice-presidenta da Regional Sul e da coordenação do Grupo de Trabalho de História do Movimento Docente (GTHMD) do ANDES-SN, a definição do período para a realização da Semana de Memória de Lutas tem um contexto político por estar inserida no marco temporal do golpe empresarial-militar de 1964. “A rememoração desse acontecimento constitui um exercício de reflexão crítica sobre os impactos autoritários que ainda incidem sobre as instituições, os direitos sociais e a vida democrática brasileira”, afirmou. 

Ao longo da semana, o ANDES-SN orienta que as seções sindicais realizem atividades políticas, formativas e de mobilização, além de promoverem a produção e a divulgação de materiais relacionados ao tema. A defesa da autonomia universitária e a luta antirracista aparecem como eixos centrais da programação, entendidas como dimensões indissociáveis da defesa da democracia e da missão pública das instituições de ensino superior.

A Circular 55 reforça ainda a importância de que as seções sindicais enviem à Secretaria do ANDES-SN registros das atividades realizadas, bem como materiais que sistematizem as lutas desenvolvidas durante a semana em defesa da democracia, da autonomia universitária e do enfrentamento ao racismo nas universidades, institutos federais e cefets. As contribuições podem ser enviadas até o dia 6 de abril, por meio de formulário eletrônico.

Além disso, o Sindicato também indica o envio de levantamentos sobre os trabalhos das Comissões da Verdade nas instituições de ensino superior, assim como registros de iniciativas de desomenagem e de revogação de títulos honoríficos concedidos a agentes e apoiadores da ditadura, com o objetivo de contribuir para a construção de uma memória institucional comprometida com a justiça, a verdade e a reparação histórica.

Por fim, a diretora do Sindicato Nacional enfatiza a relevância da constituição de GTHMD nas seções sindicais para o “acúmulo e a reflexão crítica sobre as trajetórias de luta do ANDES-SN, fortalecendo a identidade sindical e assegurando a transmissão intergeracional da memória do movimento docente”.

Acesse aqui a Circular 55/2026 para mais informações

 

Fonte: Andes-SN 

Sexta, 12 Setembro 2025 16:57

Arte da capa: Andes-Sindicato Nacional

 

Durante esta semana, enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) julgava os acusados de armarem uma trama golpista para tomar o poder após a derrota de Jair Bolsonaro nas urnas, o Brasil teve a oportunidade de refletir sobre a sua história. Menções à obra “Utopia Autoritária Brasileira”, do historiador e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Carlos Fico, circularam entre matérias e redes sociais, relacionando ao menos 13 planos de intervenções desde a Proclamação da República, em 1889, cujos resultados foram, sempre, a anistia dos envolvidos. Dessa vez, a história foi outra.

 

“O que há de inédito na presente ação penal, é que, nela, pulsa o Brasil que me dói. A presente ação penal é quase um encontro do Brasil com seu passado, seu presente e seu futuro, numa área especificamente das políticas públicas, dos órgãos de Estado”, disse a ministra Carmen Lúcia ao iniciar suas considerações, minutos antes de confirmar seu voto pela condenação – o que definiu a decisão da maioria do pleno. Suas primeiras palavras demonstraram que não se tratava do julgamento de um fato isolado, mas de uma ação inicial, necessária para minar uma prática recorrente desta terra: a tomada do poder, por determinados grupos políticos e econômicos, por meio da força.

 

Não que tenha sido a intenção da ministra ou que o STF seja um espaço preocupado com isso, mas a  referência a “políticas públicas” e “órgãos do Estado” permite a interpretação de que esse tipo de “tomada” de poder não afeta apenas os Poderes, de forma institucional, mas a vida de cada um dos integrantes da sociedade brasileira, quando, por exemplo, sofrem os efeitos das chamadas “reformas”: da Previdência, trabalhista, administrativa, ou quando os recursos para políticas públicas são congelados por 20 anos. Em outras palavras, quando alguns usurpam o poder em nome dos interesses de determinados e restritos grupos, a grande maioria perde os poucos direitos que conseguiram conquistar até ali.     

 

A condenação chamou a atenção, especialmente, por responsabilizar e punir militares, inclusive de alta patente - como Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto, que são generais de quatro estrelas, e Almir Garnier, que é almirante da Marinha (equivalente ao general, no Exército). A patente de tenente-coronel de Mauro Cid também é considerada relativamente alta. Justamente o maior beneficiário do plano (se fosse concretizado), o capitão reformado Jair Bolsonaro, possui patente considerada intermediária. Mas o cerne da questão e que parece também ser desconhecido pelos brasileiros é que, de acordo com o professor Carlos Fico, nestes 135 anos de República, os militares estiveram envolvidos em todas as tentativas de golpe – frustradas, como a de Bolsonaro, ou não.

 

Com a condenação, quase todos eles podem perder suas patentes, se o Tribunal Superior Militar (TSM) assim decidir; Cid escapou do julgamento por conta da condenação reduzida pelo acordo de delação.

 

Nenhum dos militares acusados recebeu pena inferior a 21 anos, em regime fechado, exceto Mauro Cid, cuja delação premiada - aceita por unanimidade pelos ministros – resultou na condenação a apenas mais dois anos de prisão em regime aberto. Como as etapas do processo ainda não foram concluídas, ou seja, ele não transitou em julgado, ainda cabem recursos e as defesas já anunciaram que devem solicitar, no mínimo, prisão domiciliar aos seus clientes, o que significa que, embora a decisão deste 11 de setembro tenha sido um importante passo, a batalha ainda não acabou.   

 

“A despeito dessa derrota histórica da extrema-direita, é importante registrar que se trata de uma derrota jurídica; a derrota política da extrema-direita ainda virá, pelas mãos da classe trabalhadora organizada. Nossa tarefa mais do que urgente, agora, é tentar recuperar a consciência de parte da classe, que foi capturada, nos últimos anos, pelo ascenso da extrema-direita. Nós precisamos, enquanto sindicatos, continuar na luta por essa reorganização e aproveitar esse momento histórico como uma brecha para que a gente possa incidir, mais fortemente, nessa consciência. É importante que a classe trabalhadora não seja convocada à luta apenas no processo eleitoral, como os campos liberal e da social democracia têm feito nas últimas décadas. Não podemos insistir mais no projeto falido do social-liberalismo, representado pelo campo democrático popular, que tem jogado, em grande parte, a classe trabalhadora nos braços da extrema-direita, ao fragilizar os direitos sociais, os serviços públicos, e as nossas conquistas históricas nos processos de negociatas no Congresso Nacional e no fato de o Governo ceder constantemente aos interesses da burguesia e dos setores reacionários do Congresso em pautas que nos são tão caras. É importante que a gente insista e invista no processo de reorganização da classe, para que essa não seja apenas uma vitória pontual, mas uma vitória duradora frente à ameaça da extrema-direita e pela garantia dos direitos sociais e das liberdades democráticas”, avaliou o diretor-geral da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adufmat-Ssind), Breno Santos.  

 

Vale lembrar que além dos militares, o delegado da Polícia Federal e deputado federal pelo Partido Liberal (PL) do Rio de Janeiro, Alexandre Ramagem, também foi condenado nesta quinta-feira histórica. A sentença foi de 16 anos de prisão e perda do mandato eletivo. Todos os condenados também deverão pagar multas que somam cerca de R$ 1,15 milhão, que deve ser revertido em benefícios à população brasileira.

 

Com este julgamento, Jair Bolsonaro inaugura mais um ineditismo na história política brasileira: além de ter sido o primeiro ex-presidente a perder uma candidatura à reeleição, será lembrado, também, por ser o primeiro ex-presidente e militar a ser condenado por conspirar contra a ordem.  

 

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

 

 

Terça, 26 Novembro 2024 17:18

 

 

O ANDES-SN inaugurou em sua sede, em Brasília (DF), o espaço "Memorial da Resistência Docente", para lembrar e honrar docentes vítimas da ditadura empresarial-militar. Neste ano de 2024, o golpe que completou 60 anos em abril.

 

Foto: Eline Luz / Imprensa ANDES-SN

 

O espaço é resultado de um trabalho coletivo, que envolveu o Centro de Documentação do ANDES-SN (Cedoc) e as seções sindicais, para recuperação das lutas da categoria durante esse período sombrio do passado recente do Brasil. Além de resgatar e preservar a história do movimento docente, o memorial homenageia as lutadoras e lutadores que enfrentaram a repressão e também reforça a resistência atual contra os legados autoritários da ditadura. 

O "Memorial da Resistência Docente" integra o Espaço Memória do ANDES-SN, localizado no Setor Comercial Sul, Quadra 2, Edifício Cedro 2, no terceiro andar, e pode ser visitado mediante agendamento pelo telefone 61 3962.8400.

Confira, clicando aqui, o vídeo com Gisvaldo Oliveira e José Sávio Maia, diretores do Sindicato Nacional. 

 

“60 anos do Golpe de 1964 - Memória, Verdade, Justiça e Reparação”

Entre os dias 21 e 23 de novembro de 2024, o ANDES-SN realiza o Seminário Nacional “60 anos do Golpe de 1964 - Memória, Verdade, Justiça e Reparação”, na Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre (RS). O evento, que teve início nesta quinta-feira (21), é promovido pelos Grupos de Trabalho de História do Movimento Docente (GTHMD) e de Política de Formação Sindical (GTPFS), em parceria com a Comissão da Verdade do ANDES-SN. Dentro da programação do seminário ocorrerá o módulo nacional do Curso de Formação Sindical “60 anos da ditadura empresarial-militar e o movimento docente”.

 

Fonte: Andes-SN

Sexta, 23 Agosto 2024 16:57

 

A Universidade de São Paulo (USP) realizará, na próxima segunda-feira (26), cerimônia especial para conceder diplomas honoríficos de graduação a 15 estudantes mortos durante a ditadura empresarial-militar, que completou 60 anos em 1º de abril. A homenagem é promovida pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e busca reparar a violência de tortura, de morte e de desaparecimento das e dos estudantes. A cerimônia será às 15h, no Auditório Nicolau Sevcenko, e terá transmissão online pelo link: https://www.youtube.com/@uspfflch.

 

 

A iniciativa tem o objetivo de resgatar a trajetória desses e dessas estudantes, contribuindo para a correção de injustiças, a preservação da memória coletiva e a afirmação dos direitos humanos na sociedade brasileira. Intitulado “Diplomação da Resistência”, o projeto teve como primeiros homenageados Alexandre Vannucchi Leme e Ronaldo Queiroz, alunos do Instituto de Geociências (IGc), em cerimônia realizada em dezembro de 2023. Ao todo, a iniciativa irá homenagear 31 estudantes da USP.

Os 15 estudantes que serão diplomados pela FFLCH são: Antonio Benetazzo - Filosofia; Carlos Eduardo Pires Fleury – Filosofia; Catarina Helena Abi-Eçab – Filosofia; Fernando Borges de Paula Ferreira - Ciências Sociais; Francisco José de Oliveira - Ciências Sociais; Helenira Resende de Souza Nazareth – Letras; Ísis Dias de Oliveira - Ciências Sociais; Jane Vanini - Ciências Sociais; João Antônio Santos Abi-Eçab – Filosofia; Luiz Eduardo da Rocha Merlino – História; Maria Regina Marcondes Pinto - Ciências Sociais; Sérgio Roberto Corrêa - Ciências Sociais; Ruy Carlos Vieira Berbert – Letras; Tito de Alencar Lima - Ciências Sociais e Suely Yumiko Kanayama – Letras.

Seminário e curso de formação sindical sobre os 60 anos do golpe empresarial-militar 

Nos 60 anos do golpe empresarial-militar, que durou 21 anos, o ANDES-SN reafirma seu compromisso de luta por memória, verdade, justiça e reparação às vítimas. Para fortalecer o debate sobre o impacto da ditadura empresarial-militar no Brasil, o Grupo de Trabalho História do Movimento Docente (GTHMD) e a Comissão da Verdade do Sindicato Nacional, em articulação com o Grupo de Trabalho de Formação Sindical (GTPFS), realizarão entre os dias 21 e 23 de novembro, em Porto Alegre (RS), o Seminário Nacional “60 anos do Golpe de Estado de 1964 – Memória, Verdade, Justiça e Reparação”. O seminário será, também, o módulo nacional do Curso de Formação Sindical.

Saiba mais: ANDES-SN realiza seminário e curso nacional de formação sindical sobre os 60 anos do golpe empresarial-militar no Brasil em novembro

Fonte: Andes-SN (com informações do Jornal da USP. Foto: Acervo FFLCH/USP)

Segunda, 19 Agosto 2024 15:18

 

Na última sexta-feira, 16/08, a Comissão Permanente de Avaliação de Documentos (CPAD) da Adufmat-Ssind se reuniu para debater algumas questões pertinentes ao setor.

 

As professoras Iva Gonçalves, Maria Clara Weiss, Maria Adenir Peraro e Nilza Sguarezi encaminharam, junto a estagiária Sara Souza, uma série de demandas, como a aquisição de novos equipamentos, atualização de contrato de trabalho, as primeiras ações referentes à eleição da próxima CPAD e o cronograma de acompanhamento do trabalho da equipe conforme metas definidas.

 

A ideia é que o Plano de Classificação dos Documentos da Adufmat-Ssind, voltado para gestão de pessoas e também para as gestões contábil, orçamentária e financeira, seja aplicado dentro do prazo de seis meses. Além disso, a Comissão planeja iniciar a digitalização dos documentos inseridos no grupo de gestão funcional e organizacional do sindicato, bem como disponibilizar o acervo de mais de três mil imagens já digitalizado.

 

O Arquivo da Adufmat-Ssind, que este ano completará 46 anos de história, está sendo organizado desde 2018, sob a coordenação da professora e historiadora Maria Adenir Peraro. Clique aqui para saber mais sobre o Arquivo.      

 

 

Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind 

 

Sexta, 26 Julho 2024 18:09

 

  

O Arquivo da Adufmat-Ssind iniciou esta semana uma nova fase de trabalho. Depois de cerca de seis anos dedicados ao tratamento de todo o material voltado para os 45 anos de história do sindicato, a equipe se debruça ao conteúdo relacionado à parte contábil, também muito importante para a entidade. A Gestão Documental da Adufmat-Ssind é uma iniciativa voluntária da historiadora e professora aposentada Maria Adenir Peraro, que ainda coordena o trabalho cotidiano da equipe.     

 

“Nós estamos perto de concluir o trabalho com os arquivos catalogados como históricos, mas se viu uma necessidade de iniciar o tratamento do material contábil para encontrar documentos com maior facilidade”, explica Daniely Durão, uma das estagiárias do setor. A documentação relacionada ao setor contábil também reúne todas as informações dos trabalhadores que estão ou passaram pela Adufmat-Ssind.

 

Como não poderia deixar de ser, após mais de quatro décadas de atuação, o material é vasto. Apenas os documentos contábeis ocupam cerca de 248 caixas. O número só fica abaixo das caixas destinadas ao Jurídico - por conta dos documentos relacionados aos 28,86% - e do próprio conteúdo histórico - que reúne jornais, imagens, atas, entre outros; este, mobilizou seis anos de dedicação, a partir do tratamento de cerca de 800 caixas de arquivos.

 

Segundo a estudante do último semestre do curso de História da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), nesta fase, de classificação, é possível fazer descartes, dentro de uma série de critérios que passam, inclusive, pela Comissão Permanente de Arquivo, formada por docentes. Até agora, com menos de uma semana de tratamento, já foram contabilizados mais de 2kg de descarte, a maioria cópias de orçamentos. Apenas a totalidade dos documentos gerados nos últimos cinco anos está sendo preservada, como preconiza a gestão de documentos.

 

Após a fase de classificação, haverá a fase de organização (separação por data e série documental), a fase de catalogação (onde também ocorre a conservação do material para evitar muita exposição, além da inclusão de todas as informações pertinentes – descrição, quantas páginas, etc.) e, por fim, a fase de digitalização, que anda a passos lentos neste momento porque o sindicato ainda não tem os equipamentos apropriados: computador, máquina de scanner e o programa (software).

  

A expectativa é que a fase de classificação possa demorar um ano ou até mais, considerando que é a fase de maior necessidade de detalhamento, demandando a leitura de todos os documentos encontrados.

 

 

Imagens

 

Dando continuidade ao tratamento do material histórico, que chegou a fase de digitalização, a alternativa encontrada devido à falta de scanner apropriado foi solicitar uma parceria com laboratórios da universidade. Nesse sentido, o Instituto de Educação socializa o Scanner de Pêndulo, ideal para a digitalização das imagens.

   

A estagiária Sara Santos, estudante do 5º semestre do curso de História, é quem realiza esse trabalho. Desde meados de junho, ela iniciou a digitalização das 2600 fotos que registram a história do sindicato desde sua fundação, em 1978, até 2016. Além das fotos da Adufmat-Ssind, também há registros da UFMT neste período. De lá para cá, as imagens passaram a ser natu digitais, isto é, já são geradas na forma digital. Ela explica que já realizou o escaneamento das imagens e agora está utilizando o computador do laboratório para fazer as fichas de identificação das mesmas.

 

O material organizado pelo Arquivo da Adufmat-Ssind já está começando a ser disponibilizado no site. Clique aqui para acessar e saber mais sobre o Arquivo.  

 

 

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

 

 

 

Quarta, 03 Abril 2024 17:12

 

Homenagens foram concedidas pela universidade entre 1964 e 1981

Na segunda-feira (1), o Conselho Universitário (COUN) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) se reuniu para uma sessão extraordinária com uma pauta única: a cassação dos títulos “Honoris Causa” concedidos pela instituição aos ex-presidentes da república durante a ditadura empresarial-militar, Humberto Castelo Branco, Artur Costa e Silva e Ernesto Geisel.

De acordo com a Secretaria dos Órgãos Colegiados a UFPR havia concedido os títulos de doutor "Honoris Causa" aos ex-presidentes militares durante o período ditatorial: a Humberto de Alencar Castelo Branco em 31 de julho de 1964, a Artur Costa e Silva em 18 de setembro de 1968 e a Ernesto Geisel em 13 de janeiro de 1976. Com 40 votos favoráveis e três contrários, o Conselho Universitário revogou as homenagens.

Em 5 de março deste ano, o Conselho Universitário (Consun) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) decidiu, por unanimidade, cassar os títulos de Doutor Honoris Causa dos ditadores Jarbas Gonçalves Passarinho e Emílio Garrastazu Médici. A cassação foi resultado do trabalho da Comissão para Implementação de Medidas de Memória, Verdade e Justiça (CMVJ) da UFPel e representa uma reparação histórica e mais um passo para estabelecer a verdade e a memória sobre o impacto do regime ditatorial nas universidades federais.

Diversas universidades do país passaram a criar Comissões da Verdade, a partir do trabalho da Comissão Nacional da Verdade (2012 a 2014), o que já resultou na revogação de outros títulos Honoris Causa concedidos a ditadores, como é o caso da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que também cassaram o título dado ao coronel Passarinho.

ANDES-SN na luta por verdade, memória, justiça e reparação

Dando continuidade à luta por verdade, memória, justiça e reparação – especialmente nos espaços acadêmicos -, o 42º Congresso do ANDES-SN, realizado de 26 de fevereiro a 1º de março, aprovou que o Grupo de Trabalho História do Movimento Docente (GTHMD) do ANDES-SN realize, em junho deste ano, o seminário "60 anos do Golpe de Estado de 1964 - Memória, Verdade, Justiça e Reparação". Em parceria com o Grupo de Trabalho de Política e Formação Sindical (GTPFS), também organizará um módulo do Curso Nacional de Formação Sindical, marcando as seis décadas da ditadura empresarial-militar no país, no primeiro semestre de 2024. 

A categoria docente irá também reivindicar, do governo federal e das Reitorias, a criação de um lugar de memória sobre a ditadura, assim como a criação de um local de homenagem dentro do Espaço de Memória do ANDES-SN, na sede do Sindicato, para aprofundar os estudos e debates para a criação de um Memorial em homenagem às e aos docentes e todas e todos os exilados, presos, assassinados e desaparecidos pelo regime ditatorial e as e os vitimados pelas inúmeras formas de violência e repressão, com destaque às e aos docentes negros, indígenas, ciganos, LGBTQIA+.


Fonte: Andes-SN (com informações do Brasil de Fato)