Assembleia da Adufmat-Ssind encaminha ações para derrotar extrema direita nas urnas
Assembleia geral realizada nesta sexta-feira, 09/10, pela Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adufmat-Ssind) debateu e encaminhou ações, em âmbito local, voltadas à derrota da extrema-direita, nas ruas e nas urnas, conforme deliberação congressual do Andes-Sindicato Nacional.
Diante do resultado do primeiro turno das eleições 2026, para além dos informes, a plenária foi convocada com ponto de pauta único: análise de conjuntura e ações para derrotar a extrema direita. O posicionamento do sindicato se baseia no fato de, historicamente, o projeto de sociedade defendido pela extrema-direita em todo o mundo ser de destruição dos direitos públicos pela via autoritária e também pela experiência recente com o Governo Bolsonaro, cujos prejuízos à Educação ainda não foram superados
Durante os informes, Diretoria e docentes falaram as atividades realizadas recentemente em âmbito nacional e local, como a elaboração da Política de Atenção às e aos Servidores Públicos Aposentados da UFMT, avanço do debate sobre a Resolução 158/2010, debate sobre as Eleições 2026 (Programas de Governo e políticas voltadas às mulheres), atividades do GTMultiFront e algumas novidades do Arquivo da Adufmat-Ssind.
Conjuntura
O diretor geral da Adufmat-Ssind, professor Breno Santos, iniciou o debate de conjuntura afirmando que o resultado do primeiro turno assusta, mas não é uma surpresa, porque há anos o imperialismo se esforça, internacionalmente, para ganhar cada vez mais espaço em diferentes países. Segundo Santos, é o futuro e as condições de vida dos trabalhadores que estão em disputa, e há resistência e mobilizações contra o avanço do imperialismo por todo o mundo neste momento.
Para o docente, a disputa é mais do que civilizatória, mas existencial, e a campanha para derrotar a extrema direita está em movimento, mas a unidade é fundamental para vencer.
A professora Raquel de Brito falou sobre ações necessárias, e lembrou que uma das primeiras ações do Governo Bolsonaro para Educação foi o Projeto Future-se, barrado pela ampla maioria das universidades (relembre aqui).
Em sua análise, a docente Lélica Lacerda destacou que parte dos eleitores de Bolsonaro votam justamente como forma de protesto ao status quo, e que há uma espécie de desconexão com a realidade, que o próprio Partido dos Trabalhadores fomentou, que faz um trabalhador do transporte por aplicativo, por exemplo, pensar como o trilionário Elon Musk. “Mesmo assim, o PT é um partido neoliberal com traços democráticos. Precisa melhorar, sim, as pessoas têm razão de criticar o atual Governo, nós mesmos nos distanciamos das críticas, mas elas são muito necessárias. Precisamos melhorar, mas enquanto o Lula está repassando recursos insuficientes para as universidades, Bolsonaro propõe privatizar; enquanto o Lula está defendendo o fim da escala 6X1 para 5X2 apenas, Bolsonaro defende 7X0, é isso que nós precisamos avaliar”, disse.
Os professores José Domingues de Godoi Filho e Maelison Neves lembraram que o Congresso Nacional já está tomado pela extrema-direita, isso significa que têm muito poder para fazer o que estão ameaçando, mesmo que Flávio Bolsonaro não ganhe o segundo turno. Dessa forma, a classe trabalhadora deve estar organizada e ocupar amplamente as ruas nos próximos anos.
A professora Maria Salete Ribeiro, também diretora da Adufmat-Ssind, defendeu que a mobilização deve incluir atividades de arte e cultura nas ruas, voltada para a formação política, para mostrar, em suas palavras, que o projeto dos trabalhadores organizados é de vida, enquanto o projeto encabeçado pelos Bolsonaro é de morte.
Encaminhamentos
Após o debate de mais de três horas, foi encaminhado que o sindicato organize e realize uma lista extensa de ações, conforme segue:
- Produzir materiais próprios da Adufmat-Ssind sobre a educação pública, com prazo até o meio da próxima semana.
- Produzir um conjunto de materiais para difusão, incluindo material informativo sobre saúde e educação para dialogar com os eleitores indecisos.
- Produzir material específico para as mães trabalhadoras.
- Incluir a questão do PIX na comunicação.
- Reproduzir a camiseta de 2022, com as mensagens “votar em Lula para derrotar Bolsonaro” e em defesa da educação.
- Convidar artistas críticos para contribuir com a agitação e com a elaboração dos materiais.
- Ocupar as redes e as ruas.
- Priorizar a atuação nas redes sociais, com foco no convencimento de quem se absteve no 1º turno e não se identifica com a extrema direita.
- Impulsionar as redes do sindicato na campanha digital.
- Agilizar as ações de comunicação, com foco na juventude e na comunidade em geral.
- Divulgar diariamente para a categoria o calendário de atividades.
- Realizar visitas domiciliares nos bairros com maior índice de abstenção.
- Organizar panfletagem de professores e estudantes nos ônibus, divulgando as propostas e lembrando os cortes na saúde e na educação.
- Mobilizar os colegas docentes e realizar trabalho de base, dialogando nos locais onde os trabalhadores estão.
- Organizar a atuação junto aos estudantes.
- Realizar atividades de formação política junto aos trabalhadores.
- Atuar também no HUJM, com ato na porta do hospital.
- Realizar mobilização na porta, das 18h às 18h30.
- Realizar o “Café com Paulo Freire” na feirinha.
- Intensificar o trabalho de sindicalização para fortalecer o sindicato.
- Convocar a categoria e somar-se a todas as atividades da campanha.
- Chamar um ato massivo em unidade com as demais entidades.
- Ir para as ruas de modo organizado, para levar muita gente e fazer o debate.
- Participar da Plenária Antifascista no domingo, em Cuiabá e em Sinop, e da construção do Comitê Antifascista.
- Alinhar as agendas com os movimentos e entidades do norte de MT.
- Diretoria organizar mais debates como este, com análises de médio e longo prazo.
- Legitimar o sindicato para incidir nas ações políticas, inclusive com uso de recursos financeiros.
- Garantir apoio financeiro e jurídico às ações em Barra do Garças e Sinop.
- Garantir apoio político, financeiro e material da ADUFMAT às ações em Sinop, que será solicitado formalmente.
- Disponibilizar assessoria jurídica para todos os atos.
- Organizar uma vaquinha para apoiar os estudantes que não conseguiram votar.
- Disponibilizar o caixa da Secretaria Regional do ANDES-SN para as ações políticas, inclusive dos estudantes.
- Que o ANDES-SN se posicione para garantir a derrota eleitoral da direita e da extrema direita, chamando a categoria à participação não apenas por meio do voto, mas também da mobilização contra os ataques fascistas aos direitos da classe trabalhadora e contra as políticas de austeridade e de restrição de direitos.
- Que o ANDES-SN promova ações permanentes e campanhas em defesa das universidades, CEFETs e IFEs, para enfrentar e desconstruir as narrativas falsas difundidas principalmente pela extrema direita contra a educação pública e a comunidade universitária, e combater a disseminação de desinformação, discursos de ódio e outras formas de violência política dirigida às instituições de ensino.
- Que as visitas domiciliares sejam assumidas como estratégia do ANDES-SN.
A Comissão de organização das ações será formada pelos professores Breno Santos, Leonardo Santos, Raquel e Brito, Lélica Lacerda, Maelison Neves, Gustavo Canale, Gleyva Sales e Clarianna Silva.
Calendário:
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Data |
Atividade |
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09/10 |
Ato |
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13/10 |
Ato |
Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
Estudantes vão às ruas de todo o país contra a extrema direita e pela reeleição de Lula
Movimento estudantil aponta risco iminente de desmonte da educação pública e convoca a sociedade para barrar o avanço da extrema direita no segundo turno
A juventude brasileira iniciou uma ampla mobilização de rua e de base em defesa da democracia, da educação pública e pela reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. A reação estudantil ganhou força imediatamente após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, motivada pela compreensão de que a candidatura da extrema direita representa ameaça direta de retorno aos cortes orçamentários, ao sufocamento e descrédito da pesquisa científica e ao desmonte das universidades públicas e das políticas sociais no país.
Crédito: reprodução do @estudantesninja
A primeira reação ocorreu já na segunda-feira (5), na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói (RJ), onde estudantes organizados pelo Centro Acadêmico Evaristo da Veiga (CAEV), da Faculdade de Direito, e por outras entidades acadêmicas realizaram passeatas consecutivas pelas ruas da cidade. Sob a palavra de ordem de que "o abalo e o espanto com o resultado de domingo precisam se transformar em movimento", manifestantes estenderam a faixa "UFF Antifascista" e marcharam em defesa da universidade e contra qualquer proposta de anistia a golpistas.
A mobilização surtiu efeito e, em poucos dias, a agenda de lutas estudantis já somava mais de 40 assembleias, plenárias e protestos de rua em diversos estados e no Distrito Federal, abrangendo instituições como Universidade de São Paulo (USP), Federais do Rio de Janeiro (UFRJ), de Minas Gerais (UFMG), do Rio Grande do Sul (UFRGS), da Bahia (UFBA), de Pernambuco (UFPE), do Pará (UFPA), do Amazonas (UFAM) e Brasília (UnB). No Rio de Janeiro, milhares de estudantes de diversas universidades, institutos federais e do Colégio Pedro II ocuparam o trajeto entre a Candelária e a Cinelândia, afirmando que a ocupação das ruas continuará antes e depois do pleito para barrar o fascismo.
Crédito: reprodução do @estudantesninja / foto de @bichocidadao
Em outras regiões, o movimento estudantil articula ações diretas de convencimento e apoio logístico. Na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), a plenária "Vira Voto" tomou o campus de Goiabeiras com trabalho de base de sala em sala. Em Minas Gerais, estudantes da UFMG organizam tendas permanentes e comitês de mobilização. No Paraná, estudantes da UFPR e UTFPR convocaram o ato "Nem o pai, nem o filho: em defesa do Brasil e contra o avanço da extrema direita", enfrentando inclusive a suspensão arbitrária de suas contas institucionais em redes sociais em meio à convocação das assembleias. Em Pernambuco, assembleias gerais na UFPE contaram com o engajamento unificado das entidades estudantis e de apoio docente.
As lideranças estudantis enfatizam que derrotar a eleição do candidato bolsonarista no segundo turno é condição indispensável para garantir a permanência estudantil, a autonomia universitária, a ciência nacional e os direitos da classe trabalhadora. Diversos atos estão previstos para os próximos dias. Confira algumas das mobilizações, já divulgadas, no final da matéria.

ANDES-SN conclama docentes
Em consonância com a mobilização que toma o país, a diretoria do ANDES-SN divulgou a Circular nº 407/2026, conclamando a categoria docente de todas as universidades públicas, institutos federais e cefets a se engajar ativamente na campanha para reeleger Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno.
A orientação cumpre a deliberação do 69º Conad, que definiu como tarefa central da categoria a derrota eleitoral da direita e da extrema direita. O documento do Sindicato Nacional alerta que o projeto político representado pela candidatura bolsonarista significa uma ameaça real à soberania nacional, aos serviços públicos, ao meio ambiente, à ciência e aos direitos sociais.
"Não há escolha possível a não ser rechaçar o projeto político de barbárie social representado pela extrema direita e pelo candidato bolsonarista", destaca trecho da Circular emitida pela entidade. O ANDES-SN reafirma o seu compromisso histórico com a defesa da universidade pública, gratuita, laica e de qualidade, a valorização da carreira docente e a preservação das conquistas democráticas da classe trabalhadora. Leia mais aqui.

Agenda de atos confirmados (Fonte: Estudantes Ninja)
AMAZONAS
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Universidade Federal do Amazonas - Dia 8, 8h, no FCA
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Universidade Estadual do Amazonas - Dia 10, 16h
BAHIA
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Universidade Estadual de Feira de Santana - Dia 13, 16h, em frente ao Colégio Gastão
CEARÁ
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Universidade Regional do Cariri - Dia 7, 19h, no Pátio da Pedagogia
ESPÍRITO SANTO
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Universidade Federal do Espírito Santos, campus Goiabeiras - Dia 13, 16h30, Teatro Ufes Goiabeiras
GOIÁS
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Universidade Federal do Goiás - Dia 7, 18h30, na Praça Universitária
MARANHÃO
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Universidade Federal do Maranhão - Dia 17, 16h, Praça João Lisboa - Centro
MINAS GERAIS
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Universidade Federal de Ouro Preto - Dia 9, 17h, em frente ao R.U. UFOP do Campus e Morro do Cruzeiro às 19h na Assufop
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Universidade Federal de São João del-Rei - Dia 7, 12H, em frente ao campus Dom Bosco
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Universidade Federal de Minas Gerais - Dia 9, 17h, Praça Afonso Arinos
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Universidade Federal de Uberlândia - Dia 8, 18h, entrada da UFU
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Universidade Federal de Juiz de Fora - Dia 8, 19h, Agora da UFJF
PARÁ
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Universidade Federal do Pará - Dia 7, 14h30, Portão 2
PARAIBA
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Universidade Federal de Campo Grande - Dia 8, 15h, Praça da Morgação
PARANÁ
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Universidade Federal do Paraná - Dia 8, 18h, em frente ao Prédio Histórico
PIAUÍ
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Universidade Federal do Delta do Parnaíba - Dia 6, 17h, UFDPAR
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Universidade Federal do Piauí - Dia 8, 7h30, Pórtico da UFPI
RIO DE JANEIRO
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UFRJ, UERJ, UFRRJ - Dia 7, 12h, Candelária
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UERJ Campus Petrópolis - Dia 8, 17h, Campus Petrópolis
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Universidade Federal Fluminense- Dia 6, 19h
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Escola Técnica Estadual de Teatro Martins Penna - Dia 7, 12h, Colégio Pedro II
RIO GRANDE DO NORTE
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Universidade Estadual do Rio Grande do Norte - Dia 13, 9h, em frente à UERN Pau dos Ferros
RIO GRANDE DO SUL
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Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense Campus Pelotas - Dia 13, 12h, Campus Pelotas
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Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Dia 8, 18h30, Sede do DCE UNISINOS Campus, São Leopoldo
SERGIPE
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Universidade Federal de Sergipe - Dia 8, 18h, Porta da UFS
SÃO PAULO
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Universidade Estadual de Campinas - Dia 11, 11h, Largo do Pará
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Universidade Presbiteriana Mackenzie - Dia 8, 19h, em frente ao TUSP
Com informações de Mídia Ninja, Estudantes Ninja e Brasil de Fato.
Fonte: Andes-SN
ANDES-SN conclama categoria a eleger Lula no segundo turno das eleições
O ANDES-SN conclama as e os docentes de todo o país a se mobilizarem para eleger Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições para a Presidência da República. O chamado foi feito pela Diretoria do Sindicato Nacional na Circular nº 407/2026, divulgada nessa terça-feira (6), e orienta a categoria a atuar em articulação com outros sindicatos, movimento estudantil, movimentos sociais e comitês locais.

A iniciativa considera a deliberação do 69º Conad, que indicou a necessidade de “garantir a derrota eleitoral da direita e extrema direita”, com participação da categoria não apenas por meio do voto, mas também por meio da mobilização contra os ataques aos direitos da classe trabalhadora, contra as políticas de austeridade e contra as restrições de direitos.
Conforme a Circular, o cenário eleitoral é marcado por uma ampla presença da extrema direita no Congresso Nacional e representa, na avaliação do Sindicato Nacional, uma ameaça à soberania nacional, aos serviços públicos, aos direitos sociais, ao meio ambiente e à vida.
“Não há escolha possível a não ser rechaçar o projeto político de barbárie social representado pela extrema direita e pelo candidato bolsonarista”, afirma o documento.
O ANDES-SN orienta a realização de mobilizações nas redes sociais e nas ruas, com diálogo direto com a população, buscando alcançar parte das mais de 30 milhões de pessoas que se abstiveram ou votaram em branco ou nulo no primeiro turno. A Circular também indica a organização e participação em atos, mobilizações nos locais de trabalho e atividades de diálogo com a classe trabalhadora em praças, feiras e no transporte coletivo.
Entre as ações sugeridas estão iniciativas como “universidade na praça e nas ruas” e “café vira voto”. O Sindicato Nacional orienta ainda que, onde for necessário, as seções sindicais busquem apoio das Secretarias Regionais para fortalecer as articulações e atividades.
A diretoria do ANDES-SN informa também que está preparando materiais para subsidiar as ações, que serão divulgados posteriormente.
A convocação integra o posicionamento político aprovado no 69º Conad e se soma às iniciativas recentes, do Sindicato Nacional, de articulação em defesa da soberania nacional, da democracia e dos direitos da classe trabalhadora.
Em setembro, o ANDES-SN também orientou suas seções sindicais, Secretarias Regionais e diretoras e diretores a participarem da criação e do fortalecimento de comitês e frentes em defesa da soberania nacional e da democracia.
ANDES-SN na luta
O ANDES-SN defende a educação pública, gratuita, laica e socialmente referenciada, a valorização das professoras e dos professores, a soberania nacional e a democracia. A entidade também se posiciona em defesa dos serviços públicos e dos direitos da classe trabalhadora, contra as políticas de austeridade, a precarização do trabalho e a escala 6x1.
Para o Sindicato Nacional, a defesa desses direitos passa pelo enfrentamento aos projetos que ameaçam as instituições públicas, os direitos sociais, o meio ambiente e a democracia. Nesse sentido, o ANDES-SN chama a categoria a se mobilizar no segundo turno das eleições e a dialogar com a população sobre a importância de derrotar eleitoralmente a direita e a extrema direita.
Acesse aqui a Circular nº 407/2026
Fonte: Andes-SN
Entidades convocam comunidade para ato “Eleger Lula e defender Universidade Pública” na próxima sexta-feira, 09/10
Mobilização será na Guarita I da UFMT às 17h
Não é teoria, é público e notório que as universidades públicas sofreram durante o Governo Bolsonaro, não apenas pelos cortes sucessivos, mas também pelos ataques ideológicos visando esvaziar sua importância social e justificar sua inexistência na forma pública e gratuita.
Por isso, após o resultado do primeiro turno das eleições, mais uma vez, a Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adufmat-Ssind) e o Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação das Instituições Federais de Ensino Superior no Estado de Mato (Sintuf-MT) chamam a atenção para o fato de que a defesa da universidade pública passa pela disputa política nas ruas e nas urnas. Nessa perspectiva, docentes, estudantes, técnico-administrativos e demais integrantes da comunidade acadêmica estão convocados para a mobilização “Eleger Lula e defender a universidade pública!”, que será nesta sexta-feira, 09/10, às 17h, na Guarita I da UFMT.
Vale destacar que a atividade cumpre deliberação nacional do ANDES-SN, de que é necessário enfrentar a extrema direita por meio da mobilização e da unidade da classe trabalhadora, fortalecendo a defesa dos direitos sociais e serviços públicos, que incluem o acesso à educação pública de qualidade, pública, gratuita, laica e socialmente referenciada.
O Sindicato Nacional tem reafirmado ainda a necessidade de reivindicar o financiamento adequado e livre da lógica de privatização e austeridade, conforme Carta-Compromisso entregue às candidaturas do campo da esquerda (lei aqui).
Serviço:
O quê: Mobilização Eleger Lula e defender a universidade pública!
Data: 09 de outubro (sexta-feira)
Horário: 17h
Local: Guarita I – UFMT
ANDES-SN encaminha Carta-Compromisso a candidaturas do campo de esquerda
O ANDES-SN divulgou, nesta sexta-feira (02), e encaminhou aos diretórios nacionais dos partidos políticos do campo da esquerda a “Carta-Compromisso às Candidaturas Democráticas, Antifascistas e Comprometidas com a Educação Pública, a Soberania Nacional e os Direitos Sociais do Brasil”. O documento, formalizado pelo Ofício nº 426/2026, atende a uma deliberação da categoria docente para apresentar uma síntese das pautas centrais do setor às candidaturas majoritárias e proporcionais, enfatizando o combate à extrema direita e a unidade das lutas populares.
Elaborada em um momento decisivo para a educação e para o Estado brasileiro, a carta solicita que as direções partidárias distribuam o texto aos diretórios estaduais, distrital e municipais, estimulando a inclusão das diretrizes propostas em seus planos de governo e atuações parlamentares.Estruturado em oito eixos estratégicos, o manifesto exige o compromisso com a defesa incontornável da educação pública, gratuita, laica e de qualidade, acompanhada pelo fim da lógica de austeridade fiscal e pelo encerramento do financiamento público a instituições privadas.
Entre as reivindicações, destacam-se a revogação do arcabouço fiscal e das contrarreformas trabalhista e previdenciária, a interrupção dos projetos de reforma administrativa, a garantia da autonomia universitária com o fim da lista tríplice para escolha de dirigentes e a valorização das carreiras docentes e técnico-administrativas.
O documento abrange também compromissos com a reversão de privatizações, a defesa integral do Sistema Único de Saúde, a soberania científica e digital com regulamentação das grandes corporações de tecnologia, além do enfrentamento à emergência climática e ao modelo predatório do agronegócio e da mineração. No campo social e de direitos humanos, a carta preconiza uma política de segurança pautada na desmilitarização policial e no desencarceramento, o combate rigoroso a todas as formas de opressão e assédio, e o apoio a uma política externa soberana e internacionalista, expressa na solidariedade ao povo palestino e pelo fim do bloqueio a Cuba.
Ao ressaltar que a disputa política não se encerra no processo eleitoral, o ANDES-SN convoca as candidaturas a assumirem publicamente esses compromissos. A entidade reafirma que continuará mobilizada nas ruas e nos locais de trabalho para acompanhar, cobrar e exigir a efetivação das pautas em defesa dos direitos sociais e da soberania nacional.
Fonte: Andes-SN
Disputar o futuro: nas ruas e nas urnas para derrotar a extrema-direita!
Companheiros e companheiras,
O resultado do primeiro turno das eleições do último domingo, 04 de outubro de 2026, demonstrou, mais uma vez, que não há situação ruim para a classe trabalhadora e seus direitos que não possa piorar. O saldo desse processo eleitoral é trágico para os trabalhadores e trabalhadoras, que há muito já se veem imprensados entre a violência conservadora e neofascista e as políticas de arrocho salarial, austeridade fiscal e cortes orçamentários que, na prática, são cortes de direitos. Um projeto de demolição das liberdades democráticas, do serviço público e dos direitos sociais sagrou-se vitorioso neste domingo - seja pela vitória em inúmeras disputas para os executivos e legislativos em quase todos os estados da federação, seja por ter conseguido levar - com vantagem - a disputa eleitoral nacional ao segundo turno.
Sabemos dos limites das políticas de cunho liberal e de conciliação de classes do atual governo federal que, a despeito das tímidas sinalizações ao conjunto dos trabalhadores e trabalhadoras, seguem servindo ao lucro do rentismo desenfreado que assola o país. Mas sabemos também que não podemos equiparar o Governo Lula 3 à recente experiência de morte de um governo neofascista, que tem na sua conta a perda de, no mínimo, 700 mil vidas de brasileiros e brasileiras durante a pandemia de Covid-19.
Tampouco podemos naturalizar esta como uma disputa eleitoral comum, em paridade de armas. Trata-se de uma eleição marcada, de forma ainda mais intensa, pelo assédio do capital nacional, da mídia de massa e do imperialismo estadunidense, que vê no Brasil sua última fronteira para uma tomada neocolonial da América do Sul, a fim de fazer valer sua ânsia extrativista e exploratória.
O resultado deste dia 04 nos diz, de forma eloquente, que há uma insatisfação sensível no conjunto da classe trabalhadora que, pagando reiteradamente a conta da crise com um dinheiro que não tem, volta-se para discursos fáceis de combate ao sistema, a um estado corrupto, a um judiciário parcial. Nos diz também que a disputa pela consciência da nossa classe precisará passar por lidarmos com essa insatisfação e reconhecermos os limites das políticas cosméticas que seguem mantendo as e os trabalhadores aprisionados no subemprego, na informalidade, nas dívidas e em suas casas, por medo da violência.
Entramos na campanha para o segundo turno com a tarefa de, mais uma vez, impedir a vitória de um projeto de entreguismo nacional, de ampliação da violência (em especial a política e a de gênero), de destruição do serviço público, da ultraprecarização da educação em benefício do interesse privado, de golpismo e de demolição das liberdades democráticas.
Disputar o futuro das nossas escolas, universidades e institutos federais, da nossa juventude, passa por disputar o futuro do Brasil e da sua soberania popular, passa por combater o avanço do neofascismo capacho do imperialismo, passa por eleger Lula e derrotar Flávio Bolsonaro e seu projeto de extrema-direita nas urnas e nas ruas.
Que cada militante sindical, popular e de juventude se organize coletivamente em seus locais de trabalho, de estudo e de moradia. Que o sindicato seja, mais uma vez, uma trincheira fundamental na defesa da democracia!
Para derrotar o neofascismo e construir as lutas que possibilitem à nossa classe e à categoria docente manter e ampliar direitos, todos e todas às ruas e às urnas!
05 de outubro de 2026
Diretoria Colegiada da Adufmat-Ssind, “Adufmat é pra lutar!”
Mato Grosso para quem? Manifesto assinado por 28 entidades contesta discurso de "prosperidade" e coloca demandas da classe trabalhadora no centro do debate eleitoral
Enquanto os discursos eleitorais exaltam o agronegócio e um cenário de prosperidade relegado a poucos no estado de Mato Grosso, 28 entidades sindicais, movimentos sociais e organizações populares se uniram para assinar o Manifesto da Classe Trabalhadora de Mato Grosso Diante das Eleições de 2026. O documento questiona o contraste existente entre as cifras bilionárias das commodities e a dura realidade da população trabalhadora, marcada pela precarização, pela fome e pelo avanço da desigualdade.
A publicação foi uma iniciativa do Grupo de Trabalho Política e Formação Sindical (GTPFS) da Associação dos Docentes da UFMT (Adufmat-Ssind), que após consultar diversas entidades de trabalhadores organizados no estado identificou um questionamento central: Prosperidade para quem? O texto evidencia que a modernização tecnológica do campo e os recordes de produção não eliminaram a pobreza e a violência, pelo contrário, a evidenciam, pois têm como base a concentração fundiária, a degradação ambiental e a exploração.
Por fim, ao projetar o cenário político de 2026, os signatários recusam a ilusão de que o calendário eleitoral seja capaz de garantir algum tipo de transformação desta realidade, e convidam a classe trabalhadora e refletir e se organizar na luta por direitos como a reforma agrária e a proteção dos biomas mato-grossenses, assim como pela valorização dos serviços públicos e o combate à precarização do trabalho.
Leia, abaixo, a íntegra do documento MATO GROSSO PARA QUEM? MANIFESTO DA CLASSE TRABALHADORA DIANTE DAS ELEIÇÕES DE 2026
Nós, trabalhadoras e trabalhadores de Mato Grosso, do campo e da cidade; empregados formais, informais e terceirizados; trabalhadores autônomos e por aplicativos; servidoras e servidores públicos; desempregados, aposentados e estudantes; assentados e acampados; povos indígenas, comunidades quilombolas e tradicionais; população ribeirinha e população em situação de rua, tornamos pública nossa posição diante das eleições de 2026.
Falamos de um estado apresentado ao Brasil como sinônimo de prosperidade. Mato Grosso bate recordes de produção de grãos, ocupa posição central na produção nacional de soja, milho e algodão, reúne um dos maiores rebanhos bovinos do país e exporta anualmente bilhões de dólares em commodities. Soja, milho, algodão, carne e seus derivados atravessam fronteiras e conectam o território mato-grossense às grandes cadeias internacionais de produção e circulação de mercadorias.
Mas é preciso perguntar: prosperidade para quem?
A riqueza que sai em caminhões, trens e navios não se distribui entre aqueles e aquelas que a produzem. No estado celebrado pela força do agronegócio, a “fila do osso”, em Cuiabá, tornou-se uma das imagens mais brutais da fome e da desigualdade. Enquanto cifras bilionárias alimentam o discurso do desenvolvimento, grande parcela da população trabalhadora sobrevive com baixos salários, desemprego, trabalho intermitente e precarizado, ao mesmo tempo em que enfrenta o encarecimento da moradia, da alimentação, do transporte e das condições mais elementares de reprodução da vida.
Não estamos diante de duas realidades independentes — de um lado, um Mato Grosso rico, moderno e integrado ao mercado mundial; de outro, um Mato Grosso pobre, violento, desigual e marcado por formas brutais de exploração. Tampouco estamos diante de uma contradição entre um setor “moderno” e relações “atrasadas” que sobreviveriam à margem dele. Modernização capitalista, concentração fundiária, superexploração do trabalho, violência e expropriação se produziram e se reproduzem historicamente de maneira combinada.
É justamente uma economia altamente mecanizada, financeirizada e integrada às cadeias internacionais de commodities que se articula à concentração da propriedade da terra, à expulsão de populações de seus territórios, aos conflitos fundiários, à pressão sobre povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, ao uso intensivo de agrotóxicos e, no limite, a formas extremas de exploração do trabalho.
Em 2025, Mato Grosso registrou o maior número de trabalhadores e trabalhadoras resgatados de condições análogas à escravidão no Brasil: foram 606 pessoas. No mesmo ano, a Comissão Pastoral da Terra registrou 63 conflitos no campo no estado, envolvendo quase 54 mil pessoas, dos quais 53 estavam relacionados à terra.
Esses números não constituem restos de um passado que o avanço do capitalismo ainda não conseguiu superar. Ao contrário, obrigam-nos a perguntar pelas relações interdependentes que articulam o chamado moderno agronegócio exportador às formas mais violentas de exploração, expropriação e concentração da riqueza: quem controla a terra? quem controla os meios de produção? Quem efetivamente trabalha? quem se apropria da riqueza socialmente produzida? quem suporta seus custos sociais e ambientais? quem possui poder para decidir os rumos desse processo? De que ‘progresso’ e ‘modernização’ estamos falando? E para quem?
A violência das relações de trabalho tem nome e CPF ou CNPJ. A título de ilustração da violência contra a vida e a sobrevivência material dos trabalhadores, em abril de 2024, em Lucas do Rio Verde/MT, uma trabalhadora venezuelana, negra, de 32 anos, grávida de gêmeas e empregada da BRF S.A., passou mal durante o expediente, com fortes dores e tontura. Desumanizada na sua condição de trabalhadora em trabalho de parto, deslocou-se sozinha até a portaria da empresa. Em um banco de ponto de ônibus dentro das dependências do frigorífico, sozinha e totalmente desassistida e desamparada, deu à luz a duas crianças. Mas, como parte de uma tragédia cotidiana de muitos trabalhadores e trabalhadoras, as crianças não sobreviveram à barbárie de um mundo hostil dividido entre aqueles que têm direito à vida e aqueles cuja vida é descartável.
Não se trata apenas de nomear uma empresa. Trata-se de compreender as relações econômicas que o episódio torna visíveis. A BRF era uma das maiores multinacionais brasileiras do setor de alimentos e, posteriormente, foi incorporada pela Marfrig, dando origem à MBRF, um dos maiores conglomerados globais do setor. A trabalhadora imigrante, negra e assalariada, submetida às condições concretas de trabalho dentro de uma unidade frigorífica no interior de Mato Grosso, encontrava-se, assim, na ponta de uma extensa cadeia de produção e acumulação de capital que atravessa fronteiras, articula capitais nacionais e internacionais e movimenta bilhões.
O caso tampouco se mostrou isolado. Investigação posterior do Ministério Público do Trabalho, realizada a partir dos próprios registros empresariais, identificou 144 ocorrências de aborto ou ameaça de aborto envolvendo 116 trabalhadoras e 113 registros de trabalho de parto prematuro envolvendo 94 empregadas da unidade. Ou seja, os corpos são considerados apenas como força de trabalho.
Essa também é a face concreta da inserção de Mato Grosso nas cadeias globais de produção.
No Pantanal, a pulverização aérea de dezenas de substâncias químicas sobre a vegetação, em episódio que ficou conhecido nacionalmente como o caso do “agente laranja”, mostrou igualmente até onde pode chegar a subordinação da natureza aos interesses da propriedade e da acumulação privada.
Vê-se, assim, que o Mato Grosso que produz tanta riqueza é também território de concentração fundiária, exploração intensiva do trabalho, desigualdade, expropriação e violência. E uma coisa não existe apesar da outra: elas fazem parte do mesmo processo histórico.
As transformações recentes do capitalismo não eliminam essas relações: articulam-se a elas e lhes conferem novas formas.
Plataformas digitais, automação, financeirização, terceirização, pejotização, contratos precários e intensificação dos ritmos de trabalho não simplesmente substituem formas anteriores de exploração. Como parte integrada das relações capitalistas de produção e reprodução, no Brasil, o chamado moderno historicamente se alimentou e continua se alimentando daquilo que tantas vezes foi apresentado como atrasado. A tecnologia mais avançada se desenvolve articulada à superexploração do trabalho; grandes conglomerados transnacionais se beneficiam de relações de trabalho profundamente precarizadas; uma agricultura altamente mecanizada pode avançar por meio da concentração fundiária, da expropriação e da violência no campo.
Trabalhadores expulsos ou expropriados no campo engrossam as periferias urbanas; trabalhadores de aplicativos arcam individualmente com custos e riscos de sua atividade; servidores públicos enfrentam ataques aos serviços públicos e às suas condições de trabalho; povos indígenas, quilombolas, assentados, posseiros e comunidades tradicionais seguem obrigados a defenderem – incansável e ininterruptamente - seus territórios diante dos ataques contumazes da expansão dos grandes interesses econômicos.
É desse Mato Grosso que falamos quando as eleições de 2026 se aproximam.
Não alimentamos ilusões de que a transformação dessa realidade possa ser depositada nas urnas ou delegada a candidaturas, partidos, governos e parlamentos.
A história da classe trabalhadora ensina que direitos não surgem simplesmente de calendários eleitorais. Jornada de trabalho, direitos sociais e previdenciários, liberdade sindical, acesso à terra, educação e saúde públicas, direitos das mulheres, da população negra, dos povos indígenas e de tantos outros setores explorados e oprimidos resultaram de organização, resistência, mobilização e luta.
Nenhuma eleição substitui a organização independente da classe trabalhadora. Nenhum mandato substitui a mobilização popular. Nenhum governo dispensa a necessidade de organização nos locais de trabalho, estudo, moradia e nos territórios.
Isso não significa ignorar as eleições ou suas consequências concretas sobre a vida da população. Significa recusar que nosso horizonte político comece e termine nelas.
Diante das eleições de 2026, portanto, apresentamos publicamente reivindicações que consideramos fundamentais para a classe trabalhadora de Mato Grosso.
Defendemos a reforma agrária popular, compreendida não apenas como distribuição de terras, mas como transformação da estrutura fundiária, garantia de permanência no campo, produção de alimentos saudáveis e sem veneno, e fortalecimento da agricultura camponesa e familiar.
Defendemos os territórios indígenas, quilombolas e das comunidades tradicionais e o enfrentamento à violência no campo, à grilagem, à pistolagem e a todas as formas de expulsão e expropriação.
Defendemos a proteção do Pantanal, do Cerrado e da Amazônia. Somos contra a privatização e a mercantilização do Pantanal, de suas paisagens, rios, praias, caminhos e demais espaços de fruição coletiva. A natureza não pode ser convertida em privilégio de quem pode pagar por ela. Defendemos o direito da população ao livre acesso à natureza, ao lazer e aos bens comuns, respeitadas as necessidades de preservação ambiental e os direitos territoriais dos povos e comunidades que historicamente vivem e trabalham nesses espaços.
Defendemos trabalho digno, liberdade de organização coletiva, incluindo o sindicato, combate efetivo ao trabalho análogo à escravidão, proteção aos trabalhadores migrantes e imigrantes e enfrentamento à precarização, à terceirização irrestrita, à pejotização e às formas de exploração promovidas pelas plataformas digitais.
Defendemos salários que assegurem vida decente, que respeitem, no mínimo o salário estabelecido na Constituição Federal de 1988, tendo como referência o salário-mínimo necessário regularmente atualizado pelo DIEESE, conforme preceitos constitucionais.
Defendemos a recuperação e ampliação dos direitos retirados pelas contrarreformas trabalhista e previdenciária e a reconstrução e ampliação dos mecanismos públicos de proteção social.
Defendemos o Sistema Único de Saúde e a educação pública e não militarizada, gratuita, laica, democrática, de qualidade, inclusiva e socialmente referenciada, bem como a valorização de suas trabalhadoras e trabalhadores.
Defendemos os direitos das mulheres, da população negra, dos povos indígenas, das comunidades quilombolas, da população LGBTQIA+ e de todos os grupos historicamente submetidos à exploração, à opressão, à discriminação e à violência.
E afirmamos que discutir Mato Grosso exige discutir qual riqueza é produzida, quem a produz, quem dela se apropria, sob quais relações sociais ela é produzida e a serviço de quais necessidades deve estar organizada a produção social.
As eleições passam. A luta da classe trabalhadora não começa nem termina nelas.
Este manifesto é, por isso, mais do que uma posição diante de uma eleição. É um chamado ao debate, à organização e à ação coletiva. Convidamos sindicatos, movimentos sociais, organizações estudantis e populares, associações, coletivos e demais entidades da classe trabalhadora de Mato Grosso a somarem suas experiências, reivindicações e lutas à construção desta intervenção pública e a fazer aparecer o Mato Grosso que tantas vezes desaparece sob a propaganda dos recordes de produção.
Se Mato Grosso é apresentado como uma potência econômica, cabe perguntar quem constrói essa potência e quem dela se beneficia.
A riqueza deste estado é produzida pelos trabalhadores e trabalhadoras, em sua grande maioria, pessoas pobres que lutam cotidianamente por uma vida melhor.
Que sejam as necessidades, os direitos e as lutas de quem trabalha e verdadeiramente constrói as riquezas deste estado e do país que orientem o futuro que queremos construir.
Cuiabá (MT), 30 de setembro de 2026.
Assinam este Manifesto:
Aliança Nacional LGBTI+
Associação dos Amigos e Amigas do Centro de Formação e Pesquisa Olga Benário Prestes – AAMOBEP.
Associação dos Taboqueanos Extrativistas Ribeirinhos do Araguaia – Atera
Central Única dos Trabalhadores – CUT-MT.
Centro de Direitos Humanos Dom Máximo Biennès – CDHDMB
Centro de Direitos Humanos Henrique Trindade
Centro de Tecnologia Alternativa (CTA)
Comissão Pastoral da Terra – CPT-MT.
Conselho Indigenista Missionário – CIMI-MT
Diretoria da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (ADUFMAT/ANDES-SN)
Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional – FASE Mato Grosso
Federação Sindical dos Servidores Públicos do Estado de Mato Grosso – FESSP-MT.
Fórum Direitos Humanos e da Terra – FDHT-MT
Fórum de Mulheres Negras de Mato Grosso
Fórum de População em Situação de Rua de Cuiabá
Grupo de Estudos Interdisciplinar Pobreza, Trabalho e Lutas Sociais – POPULUS
Instituto Caracol
Instituto Gaia Pantanal
Instituto Nacional Sementes do Bem
MERQO - Grupo de Pesquisa sobre Mundo do Trabalho e subjetividades; Estado e Sociedade; Relações de Poder; Questão Social e Orçamento Público
Movimento Nacional da População de Rua de MT.
Movimento dos Trabalhadores sem Terra – MST-MT
Núcleo de Estudos Ambientais e Saúde do Trabalhador – Neast-UFMT
Observatório Matogrossense de Direitos Humanos
Pactos das Águas
Rede de Comunidades Tradicionais Pantaneira
Rede de Estudos, Pesquisas e Ação Crítica sobre o Trabalho – TRINCHEIRA
Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso – SINTEP-MT
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
ELEIÇÕES 2026: O QUE OS PROGRAMAS DE GOVERNO PROPÕEM SOBRE EDUCAÇÃO, SAÚDE, SEGURANÇA E MEIO-AMBIENTE? – PARTE 2; Alair Silveira, Irenilda Santos, Mateus Addôr, Rebecca Alves e Hannah Párraga
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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
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Profa. Dra. Alair Silveira
(SOCIP; PPGPS - UFMT; MERQO-CNPq; GTPFS/ADUFMAT/ANDES-SN)
Profa. Dra. Irenilda Angela dos Santos
(SES; PPGPS - UFMT; MERQO-CNPq; GTPFS/ADUFMAT/ANDES-SN)
Mateus Felipe Addôr
(Ciências Sociais/UFMT)
Rebecca Lima Alves
(Ciências Sociais/UFMT; MERQO-CNPq)
Hannah V. Moraes Párraga
(Ciências Sociais/UFMT)
No dia 23 de setembro teve continuidade o Seminário Eleições 2026: o que isto tem a ver com você? [1], com a Mesa Está conseguindo respirar? Como educação, saúde, segurança e meio-ambiente impactam na sua vida? Dedicada às políticas sociais, meio ambiente e segurança, a Mesa 2 foi coordenada pela profa. Dra. Irenilda G. dos Santos (SES e PPGPS/ICHS/UFMT; MERQO-CNPq; GTPFS/ADUFMAT/ANDES-SN) e contou com participação dos estudantes de Ciências Sociais (ICHS), Rebecca Alves e Mateus Addôr, responsáveis pela apresentação dos principais resultados da pesquisa.
Transformada em uma das áreas de particular atenção em razão das muitas polêmicas que envolvem o setor, a apresentação das principais propostas sobre segurança pública foi organizada a partir da convergência das proposições extraídas dos programas de governo. Consequentemente, mais uma vez, duas principais vertentes foram cristalizadas: de um lado, a política de segurança como direito humano e, de outro lado, como política de contenção e repressão.
Neste eixo em particular, cabe registrar que em alguns programas, políticas inclusivas para as mulheres restringem-se aos investimentos na contenção e repressão, como incremento às patrulhas Maria da Penha e Pacto pelo fim do feminicídio. Entretanto, de maneira geral, sete foram os partidos que convergiram quanto às Patrulhas Maria da Penha e à urgência de pôr fim ao feminicídio: Democracia Cristã (27); Novo (30); PL (22); PSD (55); PSTU (16); PT (13) e UP (80).
No contexto da ofensiva estadunidense quanto à classificação de organizações criminosas como terroristas (e suas consequências para a soberania nacional), não apenas o PL (22) e o PSD (55) acompanham a posição dos EUA, propondo a criação de lei de combate ao terrorismo doméstico, mas o Missão (14) revitaliza a política de ‘segurança nacional’ com a consequente repressão aos pressupostos ‘inimigos’ internos, nos mesmos moldes em que o Golpe de 1964 justificou a ditadura militar entre 1964-1985.
O combate inteligente ao crime organizado, orientado pela asfixia financeira e patrimonial, uso de recursos tecnológicos, fronteiras inteligentes, monitoramento e rastreamento do dinheiro foram defendidos pelo Avante (70); Democracia Cristã (27); Democrata (35); Missão (14); Novo (30) e PT (13). A cooperação interestadual e/ou internacional foi destacada pelo Democracia Cristã (27); Democrata (35); Novo (30); PL (22) e PSD (55), enquanto o incremento à vigilância de fronteira e fiscalização amazônica foram proposição compartilhadas pelo Democrata (35), Novo (30), PL (22), PSD (55) e PT (13).
Proposições mais estreitamente relacionadas à contenção e repressão, como endurecimento do sistema prisional Democracia Cristã (27), Novo (30) e PL (22); redução da maioridade penal para 16 anos e reforma do Código Penal e endurecimento das penas são defendidas por Novo (30), PL (22) e PSD (55).
Sob outra perspectiva, PCB (21), PCO (29), PSTU (16) e UP (80) defendem a desmilitarização da segurança pública, com o fim da polícia militar e todo aparato repressivo. PCB (21), PSTU (16), PT (13) e UP (80) defendem, explicitamente, política de proteção de grupos vulnerabilizados, mulheres, LGBTQIAPN+, indígenas, quilombolas e violência contra população negra, além de combate à intolerância religiosa.
Para a Educação, o grande divisor de águas entre os programas de governo dos presidenciáveis é a defesa da educação pública versus educação para o mercado. De forma enfática e recorrente, Democrata (35), Novo (30), PL (22) e PSD (55) defendem que a formação de jovens e adolescentes seja dedicada às demandas de mercado, conectada às vocações e demandas regionais, além da insistência com que propõem as parcerias pública-privadas (PPPs) para escolas e universidades.
A crítica à falta de formação escolar adequada de crianças e adolescentes, assim como o compromisso em focar na formação inicial, alfabetização e aprendizagem é compartilhada pelo Missão (14); Novo (30); PSD (55) e PT (13). Esta convergência, entretanto, não representa que o conteúdo da formação proposta seja da mesma natureza, pois há divergências consistentes entre o tipo de educação proposta e para qual finalidade. Neste sentido, a defesa da escola em tempo integral é reivindicada pelo Avante (70), Novo (30) e PL (22).
Em muitos trechos dos programas, o acento na “gestão” e na “liderança” – consequente com a perspectiva gerencial da educação voltada para o mercado –, condiciona o financiamento à educação aos ‘indicadores’, metas e resultados de desempenho, abstraindo a realidade objetiva (material, familiar e psicológica) de estudantes, assim como a ausência de infraestrutura da maioria das escolas e universidades. Comprometidos com os indicadores gerencialistas para a educação para o mercado estão Democrata (35); Novo (30); PL (22) e PSD (55). Ainda mais enfáticos com esta perspectiva estão Avante (70) e Missão (14), que defendem as escolas de empreendedorismo como a grande alternativa para educação e ‘emprego’ de crianças, jovens e adultos.
Imbuídos na promoção da educação privada e para o mercado, Missão (14) e PSD (55) dedicam-se a defender reforma do ensino superior, inclusive com a eliminação das barreiras regulatórias que impeçam e/ou comprometam as parcerias entre universidade e empresas privadas. Missão (14) e Novo (30, entretanto, avançam sobre a autonomia universitária. Enquanto o Missão (14) defende a substituição da autonomia universitária pelo alinhamento estratégico (sem precisar o que exatamente significa isto), o Novo (30) propõe acabar com a eleição dos reitores das universidades pela comunidade acadêmica, substituindo-a pela eleição com a participação de conselhos externos, a partir de‘critérios objetivos de capacidade de gestão, despolitizando universidades e profissionalizando a gestão’.
Por fim, com relação à Educação para o mercado, cabe registrar que políticas de permanência, como o Pé de Meia, segundo Novo (30) e PSD (55) devem ser focalizadas, ou seja, restringirem-se àqueles estudantes em condição de vulnerabilidade econômica, perdendo seu caráter universal. Consequentes com a perspectiva mercantil de educação, Novo (30) e PL (22) são pródigos nas proposições orientadas sobre a lógica meritocrática e mercantil da educação, através de propostas estruturadas sobre a lógica de prêmios, auxílios, remunerações extras etc. a partir dos indicadores gerenciais de desempenho individual.
Em outra perspetiva de educação, PCB (21), PCO (29), PSTU (16) e UP (80) defendem a educação 100% pública (sem nenhum recurso para iniciativa privada); pesquisa voltada aos interesses sociais e não ao mercando; a estatização de todo setor privado e a valorização dos trabalhadores da Educação.
Pela abolição de vestibulares e livre acesso às universidades comprometem-se PCB (21), PCO (29) e UP (80). Por sua, em defesa da política de permanência estudantil manifestam-se PSTU (16) e PT (13).
Com relação às escolas cívico-militares e ao Novo Ensino Médio importa registrar as contraposições radicais. Se as escolas cívico-militares são defendidas pelo Missão (14) e pelo PL (22), pelo seu fim manifestam-se PCB (21) e PSTU (16). Da mesma forma, se Avante (70) e PSD (55) abertamente aderem ao Novo Ensino Médio, em total oposição manifestam-se PSTU (16) e UP (80), defendendo, inclusive, sua revogação.
A Saúde pública constitui outra área de fundamental relevância para analisar as propostas de governo das candidaturas, uma referência assume centralidade nas proposições governativas. Nada menos que oito programas elegem a telemedicina e a utilização ampliada de Inteligência Artificial (IA) como as grandes alternativas para assegurar saúde pública de qualidade. São eles: Avante (70), Democracia Cristã (27), Democrata (35), Missão (14), Novo (30), PL (22), PSD (55) e PT (13).
Convergem quanto à necessidade de criação de um sistema de prontuário nacional interoperável (que permita acompanhamento dos pacientes em quaisquer lugar ou sistema de atendimento à saúde, ou seja, público ou privado) os partidos Missão (14); Novo (30); PL (22); PSD (55) e PT (13). Também favorável a ações preventivas e atenção primária manifestaram-se Democracia Cristã (27), Novo (30), PL (22) e PT (13).
Comprometeram-se com o esporte e atividades físicas como política de saúde Democracia Cristã (27), Novo (30) e PSD (55), e com a atenção à saúde mental, os partidos Novo (30), PL (22) e PSTU (16). O compromisso com a promoção de saúde dos idosos e parcerias com iniciativa privada (EBSERH e outras proposições) é parte dos programas do Novo (30), PL (22) e PT (13).
No caso do Avante (70), ele chama atenção não somente para avançar nas alternativas mercantis da saúde, mas pela proposta de ‘gestão da emoção’ baseada nos sistemas de ‘suporte emocional’ idealizado, comercializado e promovido pelo candidato a presidente.
Na perspectiva da defesa de Saúde exclusivamente pública comprometem-se PCB (21), PSTU (16) e UP (80), inclusive com estatização do setor privado e a integral reversão/revogação dos contratos com Organizações Sociais (OSs). Com pauta de defesa e valorização dos trabalhadores da Saúde, manifestaram-se PCO (29), PSTU (16) e UP (80).
Avançando para políticas para o meio-ambiente, de forma convergente Avante (70), Democrata (35), Missão (14), Novo (30), PL (22) e PSD (55) abordam a questão ambiental como “eventos climáticos extremos” que marcam tempos de “instabilidade climática”. Consequentemente, as proposições caminham no sentido de desenvolver obras públicas para enfrentar os “desastres climáticos”.
Estreitamente comprometidos com a atração de investidores nacionais e internacionais, Avante (70), Novo (30), PL (22) e PSD (55), o desenvolvimento de política nacional de semicondutores e microeletrônica (para produção de chips) assim como para otimização no mercado de carbono e combustíveis limpos, a regulação destes mercados para assegurar “segurança jurídica” constitui demanda recorrente de Avante (70), Missão (14), PL (22). Neste aspecto, o PSD (55), somando-se a estes três partidos, defendem a aplicação integral da Lei Geral de Licenciamento Ambiental, garantindo-se licenciamentos “responsáveis” e “céleres”. Ainda sobre regulação, cabe registrar o compromisso do PT (13) com o avanço na regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões. Em sintonia com este compromisso, o Partido compromete-se a promover uma economia mais sustentável, produtiva e digital.
O desenvolvimento do Nordeste e do Norte comparecem nos programas do Avante (70), Democrata (35), Missão (14) e PL (22), através de proposições que envolvem investimentos em infraestrutura, educação e tecnologia, datacenters, rodovias e, como efeito colateral destes investimentos e atração de investidores, a geração de empregos local.
Comprometidos com o combate ao desmatamento, ao garimpo e às queimadas ilegais, à proteção dos biomas e o combate ao crime ambiental manifestam-se Democrata (35), Novo (30), PL (22) e PSD (55). É imprescindível esclarecer, entretanto, que estes compromissos se inscrevem a partir da implementação de legislação flexibilizada e “equipes responsáveis e céleres” para agilizar os processos de liberação dentro dos marcos regulatórios “adequados”. Como defende o Novo (30), “é preciso promover educação ambiental sem radicalismo”.
Em defesa de investimento na arborização e qualidade ambiental urbana, assim como planejamento das cidades, coincidem Missão (14), Novo (30), PSTU (16) e UP (80). A implementação do novo marco de saneamento está presente nos programas do Democrata (35), Novo (30) e PSD (55).
A articulação de pactos setoriais é uma das características do programa do PSD (55), neste aspecto, o Partido (55) também propõe um Pacto Nacional pelo Desenvolvimento Sustentável, com a promoção de selos que assegurem a ‘rastreabilidade’ do “Brasil Sustentável”. A rastreabilidade agrícola é compromisso, também, do Democrata (35) e do PL (22).
Se como política de segurança hídrica, a expansão de reservatórios, barragens e sistemas de irrigação concordam Novo (30), PSD (55) e PT (13), a agregação de valor às terras raras e minerais estratégicos através da industrialização é política defendida em maior ou menor grau pelo Avante (70) e PSD (55). O turismo rural ou agroturismo (ou turismo sustentável) é defendido tanto pelo Avante (70) quanto pelo Novo (30).
Para viabilizar várias destas propostas, Missão (14) e Democrata (35) comprometem-se a regulamentar a mineração em terras indígenas. O PL (22), por sua vez, defende a autonomia dos povos indígenas e quilombolas, permitindo-lhes decidir sobre atividades produtivas em suas terras.
Em defesa da implementação da Lei AMAR (dedicada ao acolhimento de animais) convergem Democrata (35) e PT (13). Registre-se, neste particular, a centralidade dos direitos dos animais no programa do Democrata (35), cujo candidato é veterinário e, dentre outras coisas, defende o que nomeia de ‘saúde única’, isto é, saúde ambiental, humana e animal.
Coerentes com a promoção da lógica gerencialista dos bônus individualizados, PL (22) e PSD (55) propõem a criação de incentivos econômicos/remuneratórios para produtores, comunidades e proprietários comprometidos com a preservação da natureza e/ou recuperação da vegetação nativa.
O Missão (14), dado o impacto de suas propostas, cabe o registro de três de suas proposições: a) retomada das obras Angra 3 e incentivo à fusão nuclear; b) auditoria de sustentabilidade agrícola nos materiais didáticos do MEC (para ‘demonstrar’ sustentabilidade do agronegócio); c) Iniciativa Sentinela, organizada a partir da adaptação do Sistema de Monitoramento por satélite do INPE (utilizado no combate ao desmatamento) para garantir o monitoramento mensal de áreas urbanas, impedindo invasões e loteamentos irregulares.
Comprometidos com a proteção hídrica e territorial de indígenas, quilombolas e territórios tradicionais estão PCB (21), PCO (29), PSTU (16), PT (13) e UP (80). O impedimento de ocupação do solo pela especulação imobiliária, a garantia de infraestrutura ambiental e a reindustrialização orientada por metas de redução de poluentes, assim como a recuperação de áreas degradadas, são parte das propostas defendidas pelo PSTU (16) e pelo UP (80). De maneira similar, o PCB (21) manifesta-se pelo combate ao desmatamento e à promoção do reflorestamento, pela redução da emissão de gases do efeito estufa e pela proteção de aquíferos e fontes hídricas. A oposição à exploração da margem equatorial é manifesta tanto pelo PCB (21) quanto pelo PSTU (16).
A estatização sem indenização de todas as reservas minerais e refinarias, assim como do extrativismo, além do controle estatal de minerais críticos é compartilhada pelo PCO (29) e PSTU (16). Por fim, cabe o registro de algumas propostas específicas: a) cumprimento da política nacional de resíduos sólidos, transição ecológica, e ampliação de unidades de conservação de todos os biomas - PCB (21); b) não à internacionalização da Amazônia e ao imperialismo - PCO (29); c) desapropriação e expropriação do agronegócio, reconhecimento e reparação das populações atingidas por crimes ambientais, e planos de prevenção contra efeitos do aquecimento global - PSTU (16); por fim, d) proteção da biodiversidade, com a participação das populações que nele vivem, criação de frentes emergenciais de trabalho ambiental, para recuperação e reflorestamento UP (80).
Como já antecipado, estas são algumas das propostas contidas nos programas de governo dos candidatos à presidência. Assim, embora não reflitam a totalidade das proposições governativas, elas permitem identificar qual projeto de sociedade orienta tais programas, estabelecendo convergências entre grupos de partidos que, como bem definia Gramsci, “são nomenclaturas de classe”.
[1] Conforme exposto no artigo (parte 1) dedicado à análise dos programas de governo para a presidência da República sobre ‘trabalho’, o propósito da Pesquisa e Seminário foi identificar os partidos políticos (e eventuais coligações) ao projeto de sociedade que os orienta. Consequentemente, “os partidos foram identificados com seus respectivos números de urna. Desta forma, mais do que destacar nomes, tratou-se de analisar os programas de maneira a superar a distração na aparência de conflitos e presumidas divergências para concentrar nos projetos de sociedade que os unifica”. Neste sentido, a “insistência em associar partido/projeto de sociedade a partir dos programas de governo também pretendeu alcançar as eleições legislativas, na medida em que o Parlamento constitui parte fundamental na estrutura de separação de competências dos Poderes que constitui o Estado”.
ELEIÇÕES 2026: O QUE OS PROGRAMAS DE GOVERNO PROPÕEM SOBRE TRABALHO? – PARTE 1; Alair Silveira, Aldi Nestor de Souza, Vanessa Nascimento e Júlia Machado
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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
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Profa. Dra. Alair Silveira
(SOCIP; PPGPS - UFMT; MERQO-CNPq; GTPFS/ADUFMAT/ANDES-SN)
Prof. Dr. Aldi Nestor de Souza
(IME - UFMT; MERQO-CNPq; GTPFS/ADUFMAT/ANDES-SN)
Vanessa S. Nascimento
(Ciências Sociais/UFMT; MERQO-CNPq)
Júlia Machado
(Ciências Sociais/UFMT; MERQO-CNPq)
No dia 22 de setembro teve início o Seminário Eleições 2026: o que isto tem a ver com você?, com a Mesa Empreendedor/a, trabalhador/a ou influencer? – Trabalho e perspectivas para sua sobrevivência. O Seminário, idealizado por estudantes do Curso de Ciências Sociais, foi dedicado à análise comparativa dos 12 programas de governo dos candidatos à presidência da República, a partir da eleição dos eixos: 1) Trabalho; 2) Educação; 3) Saúde; 4) Segurança; 5) Meio-Ambiente; 6) Políticas de Inclusão e, 7) Estado.
Sob a coordenação do prof. Dr. Aldi Nestor de Souza (IME/UFMT, membro do MERQO-CNPq e Coordenador do GTPFS/ADUFMAT/ANDES-SN), a Mesa sobre o Trabalho contou com apresentação de Vanessa Nascimento e Júlia Machado (estudantes de Ciências Sociais e pesquisadoras do MERQO-CNPq), sobre os principais resultados da pesquisa.
Tendo como objetivo identificar os programas dos presidenciáveis aos respectivos partidos (e eventuais coligações) e, mais do que isto, qual projeto de sociedade os orienta, em todas as aberturas das Mesas, os partidos foram identificados com seus respectivos números de urna. Desta forma, mais do que destacar nomes, tratou-se de analisar os programas de maneira a superar a distração na aparência de conflitos e presumidas divergências para concentrar nos projetos de sociedade que os unifica. Consequentemente, o propósito era concentrar atenção na essência das coisas, não na sua aparência, como observava Marx ao destacar o papel da ciência.
A insistência em associar partido/projeto de sociedade a partir dos programas de governo também pretendeu alcançar as eleições legislativas, na medida em que o Parlamento constitui parte fundamental na estrutura de separação de competências dos Poderes que constitui o Estado. Não por acaso, muitos partidos (sob o argumento de ‘neutralidade’) optaram por não coligar ou lançar candidatura própria, investindo na eleição parlamentar. Afinal, na unidade que estrutura e unifica o Estado, ao Legislativo cabe a prerrogativa de elaborar e aprovar leis.
Abordando mais diretamente o tema da Mesa, duas grandes perspectivas foram assumindo forma claramente antagônica: de um lado, aqueles que apresentam como saída para a sobrevivência material, o empreendedorismo. Compartilham integralmente esta alternativa os partidos: Avante (70); Democracia Cristã (27); Democrata (35); Missão (14); Novo (30); PL (22) e PSD (55). De forma parcial, o PT (13), com ênfase nos autônomos e MEIs.
Para cinco destes partidos (70, 27, 35, 30 e 55), o horizonte de desenvolvimento material dos brasileiros é norteado fundamentalmente nas parcerias público-privadas e nas parcerias com o Sistema S. Neste sentido, a (re)qualificação e reinserção profissional quando aparece como alternativa de empregabilidade, é recorrentemente associada ao Sistema S.
Partidos como Democrata (35), Missão (14), Novo (30) e PL (22) são explícitos quanto à defesa da flexibilização dos direitos trabalhistas que ainda restam após a contrarreforma trabalhista, assim como a desoneração dos custos trabalhistas para o patronato. O PT (13), neste sentido, defende a necessidade de “aprimorar a Legislação Trabalhista”, embora sem precisar como.
De forma bastante explícita, Novo (30) e PL (22) defendem acabar com o “monopólio sindical”, acusando os sindicatos de atuarem corporativamente, além de se constituírem em obstáculos à livre iniciativa, leia-se ‘livre negociação’ entre capital e trabalho.
A referência à “segurança jurídica” é demanda constante por parte dos partidos comprometidos com os interesses do capital (comumente referido como “mercado”), como veremos nos demais eixos apresentados nas Mesas 2 e 3. Neste sentido, PL (22) reivindica um “revogaço” de normas regulatórias consideradas “obsoletas” para garantir segurança aos investidores. Da mesma forma e em total desacordo com os partidos comprometidos com os interesses dos trabalhadores, o PL (22) aposta na manutenção das “oportunidades trazidas pelo trabalho por aplicativos”, sem qualquer crítica à uberização/precarização das relações de trabalho. O PT (13), por sua vez, defende a promoção da economia solidária.
De outro lado, estão aqueles partidos que reivindicam o trabalho formal, amparado por uma rede de direitos protetivos, como Descanso Remunerado; FGTS; 13º Salário; Licença Maternidade e Paternidade; Previdência Social; Salário-mínimo conforme determinação constitucional, ou seja, Salário Necessário DIEESE; Jornada determinada; fim da escala 6x1; Férias remuneradas, com acréscimo de 1/3 etc. Estes partidos são PCB (21); PCO (29); PSTU (16) e UP (80). O PT (13) compartilha algumas destas demandas, porém, não se compromete com boa parte das propostas mais radicalizadas por eles defendidas.
O compromisso com a defesa do fim da escala 6x1 é assumida pelo PCB (21), PCO (29), PSTU (16), UP (80) e PT (13); partido que também incluiu no seu programa a defesa da implementação da Negociação Coletiva no Setor Público, prevista na Convenção 151 da OIT.
À exceção do 29, que não se manifesta sobre o assunto, 21, 16, 80 e 13 defendem a criação de uma rede de direitos protetivos para os trabalhadores da economia digital e de plataformas. Mais radicalizados, 21, 16 e 80 defendem a criação de plataforma pública de transporte sob controle dos trabalhadores, assim como o compromisso de geração de emprego em massa, especialmente através de obras públicas.
A revogação das contrarreformas trabalhista e previdenciária, assim como o fim das terceirizações são propostas compartilhadas pelo PCB (21), PCO (29), PSTU (16) e UP (80).
Esclarecendo que estas são algumas das propostas contidas nos programas de governo das 12 candidaturas à Presidência, cabe registrar que a candidatura encabeçada pela Federação Brasil da Esperança, que reúne PT (13), PcdoB (65) e PV (43), também conta com a participação do PSB (40) – do qual faz parte o candidato a vice-presidente -, PSOL (50), Rede (18) e PDT (12).
Por fim, vale a pena refletir sobre as implicações das propostas que orientam as alternativas para o mundo do trabalho. Primeiramente, à Mesa coube destacar que vivemos sob a égide do modo de produção capitalista, o qual - consequente com sua gênese - constantemente joga parte dos trabalhadores no desemprego, na fome, na falta de moradia, na falta de escola... São os trabalhadores que morrem quando chove e suas casas caem. Nesse sentido, como integrantes da classe trabalhadora, os membros da Mesa destacaram que têm lado na história, em particular no processo eleitoral em curso, pois em qualquer circunstância, têm compromisso com a própria classe.
Apresentadas a síntese das propostas contidas nos programas de governo, a Mesa reafirmou que, claramente, dois blocos de compromissos programáticos (e classistas) foram evidenciados com respeito ao conflito capital x trabalho. Como expressão de governos de “conciliação de classes”, a candidatura encabeçada pelo PT (13) demonstrou a oscilação entre propostas que ora convergiam para políticas de interesse e benefício do capital e, em outros momentos, de propostas que são abertamente comprometidas com os interesses da classe trabalhadora, expressando não somente a aposta na continuidade da política de ‘conciliação de classe’, mas a ampla aliança que sustenta a coligação do qual é protagonista.
Com relação ao trabalho protegido versus o empreendedorismo, um ponto destacado pela Mesa foi o efeito sobre a Previdência Social, amparando-se no estudo da FGV[1], que aponta para o risco de desequilíbrio financeiro no sistema da previdência em razão da alíquota de 5%, paga pelos MEI, sobre o salário-mínimo. Se de um lado essa é uma política importante para a formalização de milhões de trabalhadores que atuam na informalidade; por outro, ao liberar estes microempresários de contrapartida patronal (em torno de 20% do salário-mínimo), a FGV aponta estimativa bilionária do déficit financeiro, em consequência dessa política. Segundo o Estudo, “esse desequilibro, em valor presente, representa um déficit atuarial de R$ 711 bilhões.”
Em virtude de políticas que desequilibram a estrutura de financiamento e solidariedade geracional que organizaram a Previdência Social, a Mesa observou que, muito em breve, uma nova reforma da Previdência será colocada na ordem do dia, forçando os trabalhadores a arcarem com os custos financeiros da política do MEI, além de empurrá-los para os sistemas de capitalização privados.
Outro elemento destacado pela Mesa - ainda com relação ao dueto Empreendedorismo versus Trabalho Protegido - foi o fato de muitos trabalhadores (que estão já formalizados no regime CLT) migrarem para a modalidade MEI (conhecida como ‘pejotização’), por ser essa uma modalidade de alíquota mais barata e por ser, também, uma exigência de muitas empresas, que após demiti-los acenam com contratos terceirizados (e/ou quarteirizados), como prestadores de serviço, ou ‘parcerias’ cujo pressuposto é a liberdade e a autonomia. De uma só vez, o capital se desobriga dos custos sociais do trabalho e esvazia a Legislação e Justiça do Trabalho, remetendo relações trabalhistas para o âmbito do Direito Civil e/ou Comercial.
Nesse sentido, a Mesa destacou de forma enfática – e como uma pauta classista e humanista - a necessidade de se defender o trabalho protegido, o aumento de salário com vistas a acompanhar o custo de vida, a redução da jornada de trabalho, o descanso remunerado, e a proteção social em caso de doença, de acidentes e do envelhecimento.
Programa de governo de Flávio Bolsonaro propõe transferir universidades federais para o MCTI
O programa de governo do candidato de extrema direita do Partido Liberal (PL) à presidência, Flávio Bolsonaro, propõe, entre tantos desmontes e ataques, a transferência da governança das universidades federais do Ministério da Educação (MEC) para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). Para o ANDES-SN, a medida representa uma grave ameaça de privatização e subordinação da educação pública ao mercado.
Segundo Claudio Mendonça, presidente do Sindicato Nacional, a proposta atende à agenda de desmonte das instituições públicas de ensino. "O candidato da extrema direita, Flávio Bolsonaro, inimigo da universidade pública, apresenta uma proposta que, à primeira vista, pode parecer ingênua ou até bem-intencionada, mas que é, na verdade, fruto da sanha privatista do bolsonarismo”, alerta.
Conforme o docente, a tentativa de fatiar e deslocar a gestão do ensino superior revela um profundo desconhecimento sobre o papel indissociável das universidades brasileiras na produção do conhecimento. "Essa proposta, no entanto, revela o nível de ignorância desse setor, que desconhece que, nas nossas universidades, assim como nos Institutos Federais e nos Cefets, não há dicotomia entre ciência e ensino, pois é na academia que também se produz ciência. Somos alicerçados no tripé ensino-pesquisa-extensão e nos orgulhamos de produzir uma parcela significativa da produção científica do nosso país”, explica.
Além da transferência das universidades federais para o MCTI, o programa aponta para uma reorientação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Caps) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para priorizar impactos mercantis e industriais. Propõe também aproximar universidades e empresas, sinalizando que “as instituições de ensino poderão receber recursos em troca da formação dos profissionais de que o país precisa”.
Claudio Mendonça alerta que o programa atual ressuscitar um desastroso projeto do governo anterior. “Registre-se, porém, que, no fundo, o que se tenta é ressuscitar o Future-se, programa do desastroso governo de seu pai, Jair ‘Genocida’ Bolsonaro, que buscava subordinar nossas instituições aos interesses do mercado, atacando sua autonomia e, em uma só tacada, precarizando e destruindo nossas já cambaleadas carreiras”, denuncia.
O presidente do ANDES-SN reafirma que o Sindicato Nacional continuará firme na defesa da universidade pública, gratuita, laica, de qualidade e socialmente referenciada, da autonomia universitária, do tripé ensino-pesquisa-extensão e da carreira docente, combatendo toda iniciativa mercantilista que ameace o futuro da ciência e da educação públicas no Brasil.
Fonte: Andes-SN











