GT da Adufmat-Ssind convida para mesa sobre o protagonismo das mulheres no enfrentamento à Ditadura Militar na próxima terça-feira, 14 de abril
No mês em alusão aos 62 anos do golpe empresarial-militar, a Adufmat-Ssind convida para mais uma atividade a fim de relembrar e nunca mais permitir que essa história se repita: a mesa “O protagonismo das mulheres no enfrentamento à Ditadura Militar de 1964” será na próxima terça-feira, 14 de abril, às 19h, no auditório do sindicato.
A atividade está sendo organizada pelo Grupo de Trabalho Política de Classe para questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS), e terá a contribuição dos docentes Irenilda Santos (Departamento de Serviço Social e integrante do GTPCEGDS, como mediadora), Ana Carolina Borges (Departamento de História, como convidada) e Ary Cavalcanti Junior (Departamento de História, também convidado).
A professora Lélica Lacerda, também integrante do GTPCEGDS, lembra que o cenário atual é de ascensão do imperialismo. “São tempos neocoloniais, em que os Estados Unidos da América voltaram a ameaçar o mundo e invadir territórios conforme seus interesses. Neste momento há, inclusive, candidato à Presidência defendendo a entrega do nosso país e brasileiros que apoiam o pedido de intervenção militar dos EUA no Brasil. Precisamos relembrar os horrores da ditadura militar de 1964 e do que nos custou para recobrar a democracia. Ditadura Nunca mais!”
O evento será gratuito e aberto a toda a comunidade acadêmica e demais interessados.
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
Adufmat-Ssind marca retorno à sede com café da manhã e debate sobre fundação do sindicato em plena ditadura militar
Docentes da UFMT sindicalizados a Associação dos Docentes (Adufmat-Ssind) desfrutaram de um café da manhã - tchá com bolo - nesta sexta-feira, 10/04, marcando a reocupação da sede após um longo período de reforma, com debate sobre um tema que está diretamente ligado a sua fundação: ditadura militar. A Adufmat-Ssind nasceu em 1978, em meio a um dos períodos mais nefastos da história nacional, quando aqueles que discordavam e se manifestavam contra o autoritarismo eram perseguidos, torturados e assassinados.
O professor Waldir Betúlio, diretor geral de Aposentadoria e Assuntos de Seguridade Social e um dos fundadores da entidade que completará 48 anos em dezembro de 2026 foi o convidado para contar essa história. Ele saudou os companheiros da época, Iraci Galvão Sales, Sérgio Dalati, Sergio Bressan, Regina Beatriz, além dos presentes, Carlos Sanches e Vanderlei Pignati, também viveram esse momento.
Betúlio contou como foi demitido, em fevereiro de 1980, depois que o sindicato agiu em defesa do estudante José Carlos, que havia sido torturado.
Diretor geral da Adufmat-Ssind, o professor Breno Santos afirmou sentir felicidade e emoção por ter, entre seus companheiros, lutadores do período da ditadura militar, que ironicamente teve início em 01 de abril. “Embora tentem puxar o início do golpe para 31 de março, a data real é primeiro de abril, um dia de muitas mentiras”, afirmou.
O diretor também falou das ações do sindicato que seguem até hoje, na luta por verdade, justiça e reparação. Entre elas estão a participação na Comissão da Verdade da própria UFMT e o acompanhamento do processo do professor Felinto da Costa Ribeiro Neto, também perseguido e demitido na época.
Os professores Carlos Sanches e Vanderlei Pignati também contribuíram com o debate, destacando o papel da universidade nesse contexto, e o próprio desenvolvimento da instituição, já a partir dos interesses da própria ditadura - agente do capital. Assim, ficou claro que, para universidade, tão importante quanto produzir ciência e tecnologia em nome dos avanços sociais, é explicar e desvendar as relações que estão explícitas e implícitas neste caminho.
Ao final, os presentes concordaram que o espaço foi introdutório para um debate tão grande e relevante, e decidiram que o sindicato deve organizar, já para os próximos dias, um debate mais amplo sobre o mesmo tema.
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Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
CONVITE | Tchá com bolo: Adufmat-Ssind na luta contra a ditadura militar
Na próxima sexta, 10 de abril de 2026, convidamos todas e todos os professores sindicalizados para um “tchá com bolo” com o propósito de: lembrar, reconhecer nossa história e fortalecer os laços que nos movem.
Local: Largo Pedro Casaldáliga (embaixo da mangueira da sede da ADUFMAT-Ssind)
Data: Sexta-feira, 10/04
Horário: 08h
Tema: ADUFMAT na luta contra a ditadura militar
Contaremos com a presença do diretor de Assuntos de Aposentadoria e Seguridade Social, Waldir Bertúlio, que trará reflexões sobre a luta histórica da ADUFMAT em defesa da democracia e contra a ditadura militar.
É no encontro que a gente se fortalece.
Esperamos você! ✊✨
Adufmat-Ssind
MEMÓRIAS DOS IDOS DE 1964 - Juacy da Silva
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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
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Juacy da Silva*
Por coincidência, 31 de março e 1º de abril de 1964 “caíram” em uma terça e quarta-feira, igual ao calendário deste ano de 2026. Lá se vão 62 anos e muitas lembranças de meus tempos de juventude, calouro, estudante de sociologia e política em São Paulo.
A vida só vale a pena quando temos a capacidade de sonhar e a coragem de nos indignar contra a injustiça, contra a exploração, contra a discriminação, contra o racismo e contra todas as formas de opressão.
I Encontro Nacional de Alfabetização e Cultura Popular, realizado em setembro de 1963, no Recife.
Eu participei deste Encontro histórico da trajetória da Cultura Popular e da Alfabetização de Adultos no Brasil, tive a honra e satisfação de hospedar-me na residência de Paulo Freire, no bairro Casa Amarela, na capital pernambucana. Na época eu tinha apenas 21 anos de idade e era calouro universitário em São Paulo.
Eu estava no primeiro ano do curso de Sociologia, na Escola de Sociologia e Política de São Paulo, e fazia parte da equipe de estudantes da UEE (União Estadual de Estudantes), que foi responsável pela implantação da primeira experiência de alfabetização de adultos, utilizando o Método Paulo Freire, no bairro Helena Maria, em Osasco, São Paulo.
Após havermos absorvido (treinados) o Método Paulo Freire, fizemos a escolha do bairro e, através de visitas, por amostragem, realizamos o levantamento do universo vocabular, que contou com todas as especificidades da língua portuguesa e, a partir deste universo vocabular, utilizando diafilmes que eram projetados através de projetores importados da Checoslováquia e financiados pelo Ministério da Educação e Cultura, partimos para a ação. Foi uma experiência fantástica, realizada como um sonho de jovens universitários e uns poucos professores.
O processo de alfabetização consistia em estimularmos os educandos, através do diálogo, um diálogo sempre “provocador”, em círculos, sobre a realidade vivida pelos alfabetizandos, todos trabalhadores e donas de casa, pessoas pobres e marginalizadas, principalmente por serem analfabetas.
Lembro de um trabalhador da construção civil, de meia-idade, mas que, pelo sofrimento do trabalho que lhe era imposto, parecia bem mais velho do que seu registro de nascimento. Um dia, quando ele já conseguia ler algumas palavras e dar sentido ao que lia, foi-lhe perguntado o que saber ler e escrever significava para ele. A resposta ficou em minha memória como se a experiência fosse hoje e não há 62 ou 63 anos atrás. Disse ele: “antes eu era cego e nada sabia de por que somos pobres e explorados, hoje enxergo sem precisar usar óculos” (sentido figurado do despertar da consciência política e de cidadania).
Lembro que uma das palavras geradoras era TIJOLO, a partir da qual a discussão ocorria na forma de descobertas, a partir das perguntas/provocações, tipo, por exemplo, “como se faz o tijolo”, “para que serve o tijolo”, “quem é o dono dos tijolos”, “quem constrói as casas e os prédios”? Quem mora nos prédios que os trabalhadores constroem?
O diálogo sobre esta realidade ensejava a discussão sobre propriedade privada, economia, moradia, transporte, alimentação, saúde, política nacional de habitação, favelas, os “porquês” das pessoas pobres morarem em casebres enquanto os próprios trabalhadores da construção civil, a grande maioria migrantes nordestinos (aí surgia também a discussão sobre as migrações) do Nordeste para São Paulo; as migrações das áreas rurais para as cidades.
As aulas eram à noite, com duração de duas horas, às vezes se prolongavam um pouco mais. O bairro Helena Maria era uma região bem pobre, com problemas de iluminação pública, falta de saneamento, falta de moradia, ruas de terra batida, pobreza generalizada, como ainda hoje são as periferias urbanas da grande maioria das cidades brasileiras.
O processo de alfabetização, além dos “alunos” aprenderem a ler e a escrever, também despertava a consciência política (conscientização) para as causas da marginalização e exploração em que viviam os trabalhadores e trabalhadoras, tanto em Helena Maria quanto no Brasil inteiro.
A alfabetização, as discussões e os diálogos possibilitavam a expansão do universo mental dos participantes, partiam da realidade local para a regional, para a nacional e para a internacional. Percebiam as inter-relações entre esses diferentes níveis de realidade, de espaços, territórios. Este era um processo libertador.
Os estudantes/monitores eram rapazes e moças, na faixa de 18, 19, 20 ou no máximo 23 anos, todos bem jovens, de vários cursos, de diferentes entidades universitárias, principalmente da USP, e havia também pessoas com diferentes tendências políticas e ideológicas, mas todos e todas se identificavam como sendo de “esquerda”, incluindo estudantes católicos da JUC – Juventude Universitária Católica, depois AP (Ação Popular), evangélicos e alguns que não professavam religião e também do “partidão” (antigo Partido Comunista Brasileiro) e outros grupos políticos e ideológicos.
Com a derrubada do governo Goulart pelos militares, Paulo Freire passou a ser perseguido, veio para São Paulo e depois foi para o exílio. Quanto ao grupo de jovens estudantes universitários que realizaram a experiência de alfabetização de adultos, em 40 horas, com o Método Paulo Freire, no bairro Helena Maria, em Osasco, houve uma dispersão e muitos foram para outras experiências, alguns “caíram” na clandestinidade e de outros nunca mais se ouviu falar; com certeza a grande maioria já partiu para o “andar de cima”.
Conciliar vida universitária, de estudante pobre, que precisava trabalhar (fui cobrador de lojas, vendedor ambulante de bugigangas e, depois, bancário), com participação na política estudantil, no movimento comunitário e na política partidária, toda desfigurada pelos militares, donos do poder, não era nada fácil.
Além da experiência de Helena Maria, também aventurei-me pela política partidária, na luta pela emancipação do pequeno distrito de Jandira, que pertencia ao município de Cotia, na Grande São Paulo. Como secretário da União Pró-Jandira, entidade comunitária, possibilitou-me ser candidato a vereador, sendo eleito e escolhido como primeiro secretário da Mesa Diretora da primeira legislatura do recém-instalado município.
Mesmo desempenhando o mandato de vereador, o movimento estudantil continuava sendo também um foco de minhas ações, mesmo em tempos sombrios como viviam os movimentos políticos que continuavam sonhando com um país desenvolvido, com justiça e igualdade.
Hoje, prestes a completar meus 84 anos, olho (mentalmente) para um passado distante (62 anos), para um Brasil ainda pouco urbanizado, pouco industrializado e pouco soberano, onde trabalhadores urbanos e rurais, donas de casa, estudantes, intelectuais e uma minoria de políticos com mandatos sonhavam com mudanças, com transformações profundas nas estruturas arcaicas, quase coloniais e altamente discriminatórias que marcavam o Brasil naquela época.
Muitos daqueles jovens estudantes, entre os quais eu me incluo e que eram os grandes sonhadores, poucos ainda estão por aí nutrindo e cultivando suas memórias, seus sonhos e suas experiências na luta por um país que imaginávamos fosse melhor do que este Brasil que temos hoje.
Cada pessoa carrega sua própria história, marcada por sonhos, ilusões, decepções, enfim, experiências que marcaram a trajetória percorrida. Quanto mais longa é a vida, a caminhada, mais fugidias vão ficando as memórias, às vezes vislumbradas como uma bruma em um amanhecer que se perdeu no tempo e que não volta mais. Esses são alguns fragmentos de algumas memórias que ainda guardo de um tempo sofrido, de lutas, mas lindo por fazer parte de minha juventude estudantil.
*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, ativista social, articulador da Pastoral da Ecologia Integral Região Centro Oeste.
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Nesta quarta-feira, 01 de Abril, o Brasil relembra um dos períodos mais nefastos da sua história: há 62 anos, militares e grupos empresariais impunham uma ditadura em nome da família tradicional, do moralismo e de uma ordem obscura.
Ninguém passou ileso. Mesmo quem não foi diretamente torturado ou teve amigos e parentes assassinados, pode considerar que ainda hoje sofre as consequências. Nos serviços públicos, por exemplos, heranças estruturais, culturais e legais dificultam o funcionamento em diversos aspectos, porque a ditadura empresarial-militar deixou como rastro a corrupção, o autoritarismo e o patrimonialismo.
Foram 20 anos de perseguição, tortura, terror e morte para a população, especialmente aqueles que ousaram questionar. Em Mato Grosso também houve resistência. O professor aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Waldir Bertúlio, um dos fundadores e atual diretor de Seguridade Social e Assuntos de Aposentadoria da Associação dos Docentes (Adufmat-Ssind) conta um pouco sobre como foi o processo que resultou na demissão de vários docentes. Muitos deles lutam até hoje pelo reconhecimento de seus direitos e por reparação.
Assista a seguir:
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
Adufmat-Ssind se reúne com Reitoria da UFMT para dialogar sobre ações de reconhecimento e reparação a ex-professor perseguido pela ditadura militar
A Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adufmat-Ssind) se reuniu nesta quinta-feira, 23/10, com a reitora da instituição, Marluce Souza e Silva, para tratar do caso do professor aposentado Felinto da Costa Ribeiro Neto, que busca o reconhecimento e a reparação judicial por perseguição política durante a ditadura militar.
O docente, que atuou como professor horista na instituição entre 1976 e 1978, teve seu contrato não renovado em 1979, apesar de ter seu trabalho elogiado. Documentos indicam que ele foi monitorado e perseguido por militares, sob a acusação de envolvimento em atividades sindicais ligadas, inclusive, à fundação da Adufmat-Ssind.
O professor, que trabalhava nas Engenharias, também foi vigiado em 1978, durante uma visita a Diamantino para a cerimônia de dois anos da morte do padre João Bosco Penido Burnier - assassinado por policiais enquanto acompanhava o então bispo Dom Pedro Casaldáliga em uma delegacia, com o objetivo de interceder por três pessoas presas ilegalmente e torturadas.
No encontro desta quinta-feira, a Reitoria se comprometeu a emitir um documento em defesa da realização de uma diligência adequada por parte da Comissão de Anistia, que se negou a fazer o pedido de reconhecimento protocolado pelo professor em 2023. A administração se comprometeu, também, a subsidiar o processo de reconhecimento e reparação do ex-professor, que hoje enfrenta problemas de saúde e depende de auxílio de colegas para custear medicamentos e tratamentos.
Vale lembrar que a Adufmat-Ssind aprovou, em março deste ano, a formação da Comissão da Memória, Justiça, Verdade e Reparação, que tem como objetivo levantar informações sobre docentes que foram perseguidos, presos, torturados, punidos de alguma forma pela ditadura militar, criar espaços de memória dentro da universidade e, diante desses dados, reivindicar a implementação de políticas de reparação, inclusive financeira.
Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
A multinacional Volkswagen foi condenada pela Justiça do Trabalho por exploração de trabalho análogo à escravidão no Pará, entre os anos de 1974 e 1986. O crime ocorreu durante a ditadura empresarial-militar e os primeiros anos da redemocratização, na Fazenda Vale do Rio Cristalino, de produção agropecuária, também conhecida como Fazenda Volkswagen, e localizada em Santana do Araguaia, no sudeste do Pará.
A companhia de capital alemão deverá pagar R$ 165 milhões de indenização por dano moral coletivo. O recurso deverá ser repassado ao Fundo Estadual de Promoção do Trabalho Digno e de Erradicação do Trabalho em Condições Análogas à de Escravo no Pará (Funtrad/PA).
“As provas dos autos demonstram que a empresa Volkswagen do Brasil não apenas investiu na Companhia Vale do Rio Cristalino, como também participou ativamente de sua condução estratégica, beneficiando-se diretamente da exploração ilícita da mão de obra”, explicou o juiz Otavio Bruno da Silva Ferreira, da Vara do Trabalho de Redenção (PA).
Na decisão, o magistrado ainda descreve que “relatórios oficiais, testemunhos de trabalhadores e documentos de órgãos públicos evidenciam que o modelo de produção adotado incluía práticas de servidão por dívida, violência e submissão a condições degradantes, configurando o núcleo do trabalho escravo contemporâneo”.
Servidão e doença
Em nota, o Ministério Público do Trabalho (MPT) afirma que centenas de trabalhadoras e trabalhadores da Fazenda Vale do Rio Cristalino foram submetidos a condições degradantes, com vigilância armada, alojamentos precários, alimentação insuficiente, servidão por dívida e ausência de assistência médica, especialmente aos acometidos por malária.
A decisão da Justiça foi provocada por ação civil pública ajuizada pelo MPT em dezembro de 2024, baseada em denúncias da Comissão Pastoral da Terra (CPT), apresentadas em 2019 pelo padre Ricardo Rezende Figueira.
De acordo com o MPT, ele recolheu documentação sobre situações de submissão de trabalhadores a condições degradantes de trabalho na propriedade da Volkswagen. O MPT conseguiu acesso a ações judiciais, inquéritos policiais e certidões e depoimentos prestados em cartório que comprovam a ocorrência dos fatos denunciados.
Pedido de desculpas
Além da indenização milionária, o MPT informa que a Volkswagen deverá “reconhecer publicamente a sua responsabilidade” e “pedir desculpas” às trabalhadoras e aos trabalhadores atingidos e à toda sociedade.
A companhia também terá de adotar “Política de Direitos Humanos e Trabalho Decente”; incluir cláusulas específicas em todos os contratos com fornecedores proibindo práticas análogas à escravidão; permitir auditorias independentes das suas relações contratuais, entre outras medidas.
O empreendimento agropecuário da Volkswagen teve financiamento público da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), no período da ditadura empresarial-militar (1964-1985). Em 2020, a multinacional alemã firmou, em acordo judicial com o Ministério Público, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), reconhecendo sua atuação em apoio ao período ditatorial e violações a direitos humanos.
A Volkswagen está instalada no Brasil desde a década de 1950, período de industrialização nacional e início da produção de veículos no país.
ANDES-SN na luta
O ANDES-SN mantém firme o compromisso com a memória, a reparação e a justiça, promovendo encontros, seminários e produzindo materiais que resgatam e denunciam as violências do período da ditadura empresarial-militar no Brasil. Em 2013, durante seu 32º Congresso, o Sindicato Nacional instituiu a Comissão da Verdade, com a tarefa de investigar as perseguições sofridas por docentes universitários entre 1964 e 1985. Como resultado desse trabalho, foi lançado, em 2016, o Caderno 27 – Luta por Justiça e Resgate da Memória, reunindo levantamentos e reflexões construídas ao longo das atividades da comissão.
Diversas universidades, entidades e sindicatos também criaram comissões locais para apurar os crimes cometidos pelo regime. Dentro das instituições de ensino, foram montados sistemas de vigilância e espionagem contra docentes, estudantes e técnicos, que resultaram em prisões, mortes, desaparecimentos, cassações, demissões, proibição de matrículas e interrupção de pesquisas acadêmicas.
Fonte: Agência Brasil (com edição e acréscimo de informações do ANDES-SN)
DITADURA NUNCA MAIS | Nos 61 anos do golpe empresarial-militar, nossa luta é por memória, verdade, justiça e reparação
A ditadura empresarial-militar, instalada no Brasil em 1964 - abrindo o mais sangrento, obscuro e tenebrosos 25 anos da história do País - não se contentou em proibir o que podia ser lido, pensado ou ensinado. Seu regime autoritário optou por intensificar sem limites a repressão, transformando as universidades em palco de violações sistemáticas. Perseguições políticas, prisões arbitrárias, demissões sumárias, censura a livros e a interdição de debates foram práticas comuns em espaços que, por essência, deveriam ser territórios de conhecimento e liberdade.
Além da censura, o controle sobre as instituições de ensino era absoluto: reitores eram nomeados conforme os interesses do regime, enquanto assessorias de órgãos repressivos infiltravam-se nos campi para monitorar e delatar estudantes, professores e técnicos-administrativos. Essa estrutura, somada aos atos institucionais e decretos dos ditadores, consolidou um ambiente de terror e silenciamento nas universidades brasileiras e respinga até os dias atuais.
Diante de décadas de omissão do Estado, a pressão popular levou à criação da Comissão Nacional da Verdade (CNV) em 2012, responsável por investigar violações de direitos humanos entre 1946 e 1988, com ênfase no período ditatorial (1964-1985). O relatório final, publicado em 2014, expôs em mais de 3 mil páginas os crimes cometidos pelo regime.
Em 2013, o ANDES-SN criou sua própria Comissão da Verdade, dedicada a apurar as perseguições sofridas por professores universitários durante a ditadura. O resultado desse trabalho foi publicado em 2016 no Caderno 27 – Luta por Justiça e Resgate da Memória, um documento essencial para confrontar o apagamento histórico.
CLIQUE AQUI E CONFIRA O VÍDEO FEITO PELO ANDES-SN SOBRE O ASSUNTO
Hoje e sempre: por memória, verdade, justiça e reparação.
Ditadura nunca mais!
Sem anistia para golpista.
Fonte: Andes-SN
Conselho Universitário da Ufes aprova cassação de títulos de Doutor Honoris Causa concedidos a membros da ditadura
O Conselho Universitário (CUN) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) decidiu, na quinta-feira (27), pela cassação dos títulos de Doutor Honoris Causa concedidos pela universidade a Humberto de Alencar Castelo Branco, Emílio Garrastazu Médici e Rubem Carlos Ludwig, membros da ditadura empresarial-militar do Brasil. Foi definida, também, a realização de uma sessão solene no dia 1 de abril de 2025, data que marca o golpe de 1964, que registrará simbolicamente a cassação já efetivada.
O documento aprovado é uma resposta a um procedimento administrativo do Ministério Público Federal (MPF) de 2024, que solicitou que a Ufes efetuasse a cassação dos títulos e tomasse outras providências sugeridas pela Comissão da Verdade. A questão estava sob responsabilidade da Comissão de Assuntos Didáticos, Científicos e Culturais do Conselho Universitário, que escolheu o professor Maurício Abdalla, representante docente no CUN, para relatar a matéria.
Em seu parecer, Abdalla explicou que o relatório da Comissão da Verdade da Ufes já havia sugerido, em 2017, que a universidade efetivasse a cassação, como uma das medidas a serem tomadas a partir das revelações que o documento trouxe das diversas violências e perseguições a estudantes, docentes e técnicos. A recomendação nunca havia sido acatada pela universidade.
“Em um momento em que se atiça, mais uma vez no país, a sanha golpista e autoritária, inclusive com tentativa recente de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023, reconhecida e denunciada pela Procuradoria Geral da República ao Supremo Tribunal Federal em 18 de fevereiro deste ano, é preciso que se envidem todos os esforços para concretizar a Justiça de Transição, recuperando a memória e reparando os erros dos períodos de exceção”, afirma o docente no parecer.
Clique aqui e confira o relatório aprovado pelo CUN.
ANDES-SN na luta por verdade, memória, justiça e reparação
A luta por verdade, memória, justiça e reparação foi tema de diversas deliberações do 43º Congresso do ANDES-SN, realizado no final de janeiro, na própria Ufes. Uma das resoluções aprovadas foi dar continuidade às ações pelas desomenagens a figuras apoiadoras da ditadura, nas instituições de ensino.
O 43º Congresso deliberou, ainda, assumir como tema prioritário para o ano de 2025 o debate sobre Anistia e Impunidade, tanto relativos à ditadura quanto aos intentos golpistas recentes. Para isso, foi incluída a indicação da realização de um painel específico sobre a temática na reunião do GTHMD no primeiro semestre, além de uma atividade sobre a História do Movimento Docente, como parte integrante do Curso de Formação Sindical do GTPFS, com o tema “Democracia, Memória, Verdade, Justiça e Reparação, na luta por direitos!”.
Outra decisão das e dos docentes foi cobrar do governo federal o fortalecimento e garantia de condições de trabalho para a Comissão de Mortos e Desaparecidos, além da reivindicação de um lugar de memória que acolha as diferentes vozes de resistência à ditadura.
Fonte: Adufes SSind. (com edição e inclusão de informações do ANDES-SN)
Seminário Nacional ‘60 anos do Golpe de 1964’ encerra com homenagem e ato político em Porto Alegre
Após três dias, o Seminário Nacional “60 anos do Golpe de 1964 - Memória, Verdade, Justiça e Reparação”, realizado na Faculdade de Educação (Faced), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre (RS), encerrou no último sábado (23) com uma homenagem e um ato político na capital.
Foto: Eline Luz/ANDES-SNAs e os participantes do seminário puderam assistir a homenagem ao historiador e pesquisador Enrique Serra Padrós, docente do Departamento de História e do Programa de Pós-graduação (PPG-História) da UFRGS, falecido em 2021, aos 61 anos, vítima de câncer.
Nascido no Uruguai, Padrós dedicou sua carreira acadêmica à denúncia das violações de direitos humanos, especialmente durante as ditaduras militares na América Latina. Seu legado se estende por suas pesquisas, artigos, publicações e a formação de alunas e alunos que continuam a manter vivo seu compromisso com a verdade histórica.
“É essencial, enquanto Sindicato Nacional, reconhecer as múltiplas dimensões de militância, ética e princípios que marcaram a trajetória do professor Enrique Serra Padrós”, afirmou Gilberto Calil, 1º vice-presidente da Regional Sul e integrante da coordenação do Grupo de Trabalho de História do Movimento Docente (GTHMD) do ANDES-SN, ao conduzir a homenagem.
A cerimônia incluiu a emocionante exibição da música "Por que cantamos", com a poesia do escritor Mario Benedetti, interpretada por Daniel Viglietti, além de trechos do "Seminário Nacional da Comissão da Verdade", realizado em 2015, no mesmo auditório, onde Padrós contribuiu para a caracterização do golpe como empresarial-militar, entre outras lembranças.
Durante a homenagem, colegas, estudantes e familiares compartilharam relatos sobre o impacto que Enrique teve como professor, pesquisador e amigo. Seus ensinamentos, baseados em um rigor teórico e um compromisso profundo com a justiça social, continuam a inspirar gerações.
Foto: Eline Luz/ANDES-SNClaudia Bruno, professora da rede municipal de Porto Alegre e viúva de Padrós, lembrou seu encontro com Enrique durante uma greve, destacando o quanto o movimento de luta também possibilitou o estabelecimento de afetos duradouros. “Eu e o Enrique nos conhecemos numa greve, e aí começamos a nossa trajetória juntos. Então na greve, além de ser um movimento de luta, a gente pode, sim, conhecer os afetos, estabelecer eles ao longo tempo da vida”, relembrou.
Lilián Celiberti, integrante do coletivo feminista "Cotidiano Mujer", enfatizou a importância da homenagem ao professor e sua contribuição tanto intelectual quanto afetiva na luta por memória e justiça.
“É difícil expressar o que sinto neste momento, mas gostaria de começar com uma reflexão. Esta homenagem a Enrique começou com o seminário, que conseguiu reunir tudo: investigações, trabalhos, reflexões e olhares atentos sobre temas tão profundos. Ao trazer a memória de um companheiro para o presente, estamos fortalecendo e ampliando as dimensões da vida”, destacou a professora e feminista uruguaia.
Celiberti foi prisioneira política da ditadura militar em seu país e viveu, de 1974 a 1978, exilada na Itália. Em 1978, foi sequestrada em uma ação articulada pela Operação Condor, em Porto Alegre, junto com seu marido e dois filhos. O casal veio ao Brasil para denunciar ações da repressão uruguaia. O sequestro, que quase resultou na morte dos militantes, foi impedido graças a denúncias feitas por organizações de direitos humanos. Ambos ficaram presos por cinco anos.
Foto: Eline Luz/ANDES-SN
Ato público
Após a homenagem, as e os participantes seguiram em passeata pelo Parque da Redenção, em Porto Alegre, para o Ato Público “Memória, Verdade, Justiça e Reparação”, com destino ao Arco da Redenção para denunciar as sequelas deixadas pela ditadura, especialmente as opressões enfrentadas pelas negras e negros escravizados.
O bloco "Cuidado que já nos viram", liderado pelo Mestre Edu Nascimento (Quilombo do Sopapo), trouxe tambores de sopapo, instrumentos típicos da cultura afro-gaúcha feito originalmente com troncos de árvore e couro de cavalo
Caroline Lima, 1ª secretária do ANDES-SN, destacou o 22 de novembro como um marco de combate ao racismo nas instituições de ensino, ressaltando a importância das lideranças negras e outros grupos marginalizados na luta pela democracia. Ela também enfatizou a necessidade de enfrentar as opressões e desigualdades estruturais que ainda persistem, incluindo o racismo, feminicídio e LGBTI+fobia. A memória de figuras como Carlos Marighella foi destacada, lembrando a importância de resistir ao medo e aos ataques à democracia.
A diretora do Sindicato Nacional, que também é da coordenação do Grupo de Trabalho de Políticas de Classe para as Questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCGEDS) do ANDES-SN, ainda ressaltou a importância dos debates sobre as opressões enfrentadas por negros, indígenas, quilombolas, LGBTI+ e outros grupos durante a ditadura militar, reafirmando a necessidade de enfrentar o racismo, o feminicídio, a LGBTI+fobia e outras formas de violência estrutural.
“Vamos sair às ruas na defesa de uma educação antirracista, diversa, feminista, popular e socialista. Ser radical é ir na raiz do problema, é pensar em um programa alternativo ao que tanto nos oprime", afirmou Lima, concluindo com o lema: "Ditadura nunca mais!".
Fonte: Andes-SN












