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Quarta, 25 Março 2026 11:56

Vitória: denúncia sobre inefetividade das nomeações por cotas leva UFMT a mudar edital em 2026 Destaque

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Manifestação durante 44º Congresso da categoria docente em Salvador reivindica reparação histórica
Foto: Eline Luz/ Assessoria do Andes-SN 



A publicação do edital nº 01/2026 de concurso docente, publicado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em 26 de fevereiro deste ano, traz uma mudança história: o fim do modelo de sorteio de vagas destinadas à política de ações afirmativas da instituição, mecanismo que vinha comprometendo a efetividade da política de cotas raciais. A medida representa uma vitória importante da Associação dos Docentes da UFMT (Adufmat-Ssind) que, junto ao Observatório Opará, denunciou as distorções desse sistema no ano passado (leia aqui).

 

Na ocasião, o Observatório apontou que o modelo adotado pela UFMT – assim como outras dezenas de universidades - resultava na inefetividade nas nomeações por cotas; no caso da UFMT, em mais de 90%. Na prática, mesmo com vagas reservadas, a lógica do sorteio impedia que candidatos cotistas fossem efetivamente nomeados, esvaziando a política pública e contrariando o objetivo da legislação de promoção da igualdade racial.

 

Na avaliação da professora Ana Luisa Oliveira, da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) e uma das coordenadoras da pesquisa realizada pelo Opará, a mudança significou um avanço, mas outras ações ainda são necessárias. “Avançamos para o fim do sorteio nos editais de concursos docentes da UFMT, mas é preciso o monitoramento em relação a outros vieses do racismo institucional que podem afetar a efetividade da política pública como a diversidade na composição das bancas examinadoras, a transparência em critérios de correção de provas, especialmente as subjetivas. Além disso, é fundamental a UFMT propor a reparação das vagas que não foram devidamente ocupadas por pessoas negras por causa da reprodução do sorteio.”

 

“Eu avalio que esse foi um avanço importante, fruto da luta sindical e da campanha ‘Sou Docente Antirrascista’ do Andes-Sindicato Nacional, que foi fortalecida no 44º Congresso com a parceria firmada entre o sindicato e o observatório Opará. O próximo passo deve ser a elaboração, por parte da UFMT, de um plano concreto e de curto prazo para a reparação de todas as vagas não preenchidas por conta do sistema fraudulento do sorteio. Precisamos do compromisso da UFMT nesse sentido”, afirmou o diretor geral da Adufmat-Seção Sindical do Andes-SN.

 

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

 

Ler 68 vezes Última modificação em Quarta, 25 Março 2026 13:04
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