Terça, 05 Maio 2026 14:14

 

 

Forças navais de Israel interceptaram as embarcações da missão humanitária Flotilha Global Sumud na última quarta-feira (29), nas proximidades da Grécia. O local fica a mais de 900 quilômetros de Gaza. De acordo com os organizadores da flotilha, 177 pessoas foram raptadas e 175 liberadas, sendo que dois ativistas, um deles brasileiro, seguem sequestrados e sob tortura.


Em nota, a organização da Flotilha informou que, além de capturar as embarcações, a Marinha de Israel bloqueou comunicações, canais de socorro e atuou de forma agressiva contra as e os ativistas que buscavam levar ajuda humanitária para Gaza. Cerca de 20 barcos tiveram a viagem interrompida. Mas a Flotilha segue com outras embarcações. 

O brasileiro Thiago Ávila e o palestino-espanhol Saif Abu Keshek, foram detidos e levados para prisão em Askalan, cidade na costa de Israel, próxima à fronteira Norte de Gaza. Os relatos são de que sofreram tortura e espancamentos. Os e as demais desembarcaram na quinta-feira (30), na ilha, e foram escoltados até a capital Heraklion, onde foram liberados. 

Além de Ávilla, os brasileiros Leandro Lanfredi e Mandi Coelho também estavam na Flotilha e chegaram nesta segunda-feira (4) ao Brasil. Diretor do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro (Sindipetro RJ), Leandro Lanfredi falou à Agência Brasil sobre a violência na abordagem das embarcações pelos militares israelenses.

"Tivemos 35 pessoas que foram hospitalizadas, que ficaram na Grécia, duas delas ficaram mais de 24 horas hospitalizadas. Nós temos o Thiago e o Saif que seguem detidos. Nós fomos sequestrados em águas internacionais. Mas foi só uma pequena amostra do que estão sofrendo Thiago e o Saif, e nem falar o que sofre o povo palestino, o que sofre o povo libanês", relatou Lanfredi.

Segundo o dirigente sindical, a ação israelense contou com a conivência das autoridades gregas. "A pior das violências que a gente sofreu aconteceu em águas gregas, quando vários foram espancados e por consequência disso depois hospitalizados. Quando a gente desceu depois desse espancamento, dava para ver a costa. Foi ali e com supervisão de três barcos gregos que diversos camaradas foram espancados. E, sob supervisão dos barcos gregos, avisados que seguiam Thiago e Saif presos, que esse barco pôde seguir rumo a Israel", denunciou.

Em nota conjunta emitida sexta-feira (1), os governos do Brasil e da Espanha condenaram, nos termos mais enérgicos, o sequestro de dois de seus cidadãos em águas internacionais por parte do Governo de Israel.

“Esta ação flagrantemente ilegal das autoridades de Israel, fora de sua jurisdição, é uma afronta ao Direito Internacional, acionável em cortes internacionais, e configura delito em nossas respectivas jurisdições. Os governos do Brasil e da Espanha exigem do governo de Israel o retorno imediato de seus cidadãos, com plenas garantias de segurança, e que se facilite o acesso consular imediato para sua assistência e proteção”, afirma a nota.


No domingo (3), Thiago Ávila e Saif Abu Keshek passaram por uma audiência e tiveram a prisão estendida por mais dois dias, até uma próxima audiência, nesta terça-feira (5). Ambos apresentavam ferimentos e relataram às advogadas terem sido vítimas de violência, ameaças de morte e detenção em condições que violam direitos internacionais. Os dois permanecem em greve de fome há seis dias, consumindo apenas água, em protesto contra o sequestro ilegal por Israel em águas internacionais. 

Conforme vídeo divulgado por Lara Souza, ativista e companheira de Ávila, a embaixada brasileira e a advogada responsável pelo caso informaram que foram apresentadas cinco acusações não formalizadas, colocadas apenas como “suspeitas” de associação ao terrorismo. Segundo a defesa, não foram apresentados embasamentos legais ou evidências que justifiquem tais alegações.

“Thiago é um ativista humanitário que, há mais de 20 anos, luta ao lado do povo palestino por sua emancipação. Ele não é e nunca fez parte de nenhum grupo terrorista. Organizar ações de ajuda humanitária não é colaborar com o inimigo em tempo de guerra: é um direito de um povo que sofre um genocídio há anos. Precisamos nos mobilizar para que o governo brasileiro exija a liberdade de seu cidadão, que foi sequestrado em águas internacionais e segue mantido preso sem qualquer acusação formal”, afirmou Lara.

Segundo estimativas do Ministério da Saúde de Gaza, confirmadas em janeiro por um integrante das Forças de Defesa de Israel, desde de outubro de 2023, mais de 72 mil palestinos e palestinas, sendo milhares crianças, já foram mortos por Israel e mais de 170 mil feridos.

O ANDES-SN repudia veementemente a interceptação ilegal das embarcações da Flotilha Global Sumud por Israel, a violência contra os tripulantes e o sequestro de Thiago Ávila e Saif Abu Keshek. O Sindicato Nacional se soma às demais vozes que exigem a libertação imediata dos dois ativistas, bem como a responsabilização do governo de Israel por mais esta ilegalidade, bem como por todos os crimes de guerra cometidos contra os povos palestino e libanês.

Fonte: Andes-SN (com informações da Agência Brasil e Agência Alma Negra)
Imagens: Flotilha Global Sumud

Sexta, 03 Outubro 2025 16:11

 

Entre os mais de 400 detidos ilegalmente, estão 11 brasileiros e brasileiras. Atos em todo o Brasil cobram ação do governo

 

 

As forças navais israelenses interceptaram ilegalmente, em águas internacionais, mais de 20 navios que compõem a Flotilha Global Sumud. Ao todo, são cerca de 50 embarcações, com mais de 500 pessoas de diversas nacionalidades, que buscam romper o bloqueio de Israel e levar ajuda humanitária ao povo palestino na Faixa de Gaza.

O sequestro de ativistas por Israel, entre os quais estão ao menos 11 brasileiros e brasileiras, foi denunciado pelo Movimento Global a Gaza, que organizou a Flotilha Global Sumud. Conforme comunicado divulgado na manhã desta manhã desta quinta-feira (2), após a interceptação de parte do grupo por forças navais israelenses, cerca de 443 voluntários de 47 países foram capturados pelas forças israelenses. 

 

 

O comunicado destaca ainda que, após a busca por informações sobre integrantes da flotilha junto às autoridades israelenses, a representação jurídica do movimento não teve acesso sobre o paradeiro dos ativistas e se serão encaminhados à cidade de Ashdod.

“Este é um sequestro ilegal, em violação direta ao direito internacional e aos direitos humanos básicos. Interceptar embarcações humanitárias em águas internacionais é um crime de guerra, negar acesso à assessoria jurídica e ocultar o paradeiro dos detidos agrava ainda mais esse crime”, destaca o Movimento Global a Gaza.

Em diferentes embarcações, há um total de 17 brasileiros. Nas redes sociais, o movimento internacional confirmou que entre os capturados estão 11 brasileiros e brasileiras: o ativista Thiago de Ávila e Silva Oliveira, a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) e a vereadora de Campinas, Mariana Conti (PSOL-SP), além de Bruno Gilga, Lisiane Proença Severo, Magno de Carvalho Costa, Ariadne Catarina Cardoso Teles, Mansur Peixoto, Gabrielle Da Silva Tolotti, Mohamad Sami El Kadri, Lucas Farias Gusmão.

O comunicado do Movimento Global a Gaza informa ainda que outras embarcações teriam sido paradas por uma barreira formada em águas internacionais. O navio Mikeno, navegando sob bandeira francesa, está sem contato e pode ter entrado em águas territoriais palestinas, de acordo com dados do sistema de identificação automático - AIS (na sigla em inglês). A embarcação Marinette, navegando sob bandeira polonesa, continua conectado via Starlink e em comunicação, transportando um total de seis passageiros a bordo.

Manifestação do governo

Na noite dessa quarta-feira (1º), o Ministério das Relações Exteriores (MRE) manifestou preocupação com cidadãs e cidadãos brasileiros participantes da flotilha de ajuda humanitária, destacando o princípio da liberdade de navegação em águas internacionais e o caráter pacífico do movimento.

“O governo brasileiro deplora a ação militar do governo de Israel, que viola direitos e põe em risco a integridade física de manifestantes em ação pacífica. No contexto dessa operação militar condenável, passa a ser de responsabilidade de Israel a segurança das pessoas detidas”, declarou em nota o Itamaraty.

O comunicado reitera a exortação pelo levantamento imediato e incondicional de todas as restrições israelenses à entrada e distribuição de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, “em consonância com as obrigações de Israel, como potência ocupante, à luz do direito internacional humanitário”.

“A Embaixada do Brasil em Tel Aviv está em contato permanente com as autoridades israelenses, de modo a prestar a assistência consular cabível aos nacionais, conforme estabelece a Convenção de Viena sobre Relações Consulares”, conclui a nota.

Reunião no Itamaraty

Na manhã desta quinta (2), o Ministro Mauro Vieira recebeu parlamentares e representantes da sociedade civil para tratar do sequestro das brasileiras e brasileiros a bordo das embarcações da "Flotilha Global Sumud", bem como das medidas adotadas junto ao governo de Israel para assegurar a proteção dos brasileiros.

À tarde, após manifestação em frente ao Palácio do Itamaraty em apoio à Flotilha, uma delegação de três representantes foi recebida por uma representação diplomática. A 3ª vice-presidenta do ANDES-SN, Annie Hsiou, participou da reunião que também cobrou uma ação imediata do governo brasileiro para garantir a integridade das brasileiras e brasileiros sequestrados por Israel.

 

 

Conforme a diretora do ANDES-SN, foi demandado ainda o rompimento total de relações diplomáticas, comerciais, institucionais e acadêmicas com Israel. No entanto, o representante do MRE afirmou ser impossível nesse momento que o país adote tais medidas.

“A posição conservadora do governo, que não quer avançar em medidas mais contundentes, num momento em que brasileiros e brasileiras foram sequestrados por Israel, demonstra que os interesses comerciais ainda estão acima da vida do povo palestino. Temos que seguir vigilantes e em apoio total à Flotilha Global Sumud, que ousou desafiar Israel e o imperialismo em uma ação de resistência para levar ajuda à população palestina e denunciar o genocídio promovido por Israel”, afirmou Annie.

Confira nota do ANDES-SN pela liberação imediata das(os) ativistas e militantes da Global Sumud Flotilla

 

 

Flotilhas são resistência histórica

Palestina e docente da Universidade de Brasília, a 2ª vice-presidente da regional Planalto do ANDES-SN, Muna Muhammad Odeh, lembra que utilizar a flotilha de ajuda humanitária para romper o cerco a Gaza pelo apartheid israelense é uma prática que vem sendo já adotada por movimentos de solidariedade ao povo palestino. “Esse atual é a 38ª flotilha internacional com civis, que vem atuando em solidariedade ao povo palestino de Gaza, cercado desde 2008. A violência brutal, desproporcional e totalmente ilegítima de Israel tem sido um marco constante desde o ataque à frota de navios Mavi Marmara, em 2010, que fazia parte da flotilha que tentava romper o embargo imposto por Israel ao território palestino de Gaza e terminou por matar nove ativistas turcos, o que gerou protestos da comunidade internacional, inclusive da ONU”, lembra a docente.

Muna denuncia ainda que tem sido a prática dos governos de Israel deslegitimar as flotilhas, como está sendo feito atualmente no caso da Flotilha Global Sumud. De acordo com a diretora do ANDES-SN, Israel lançou uma ação midiática nas redes sociais, com a contratação de influencers dos Estados Unidos e Europa, com gastos que, segundo a imprensa internacional, passam centenas de milhões de dólares.

“O que nos diz isso?  Primeiro, é de que o povo palestino, heroico e resistente, tem conseguido mobilizar o mundo em solidariedade a sua justa luta pelo fim do colonialismo e do apartheid israelense e pela sua autodeterminação. Estamos na 38ª versão de flotilhas, bem maior desta vez,  levando mais de 500 voluntários e voluntárias de 44 países de todo o globo, continuamente desafiando o embargo imposto à Gaza e enfrentando o colonialismo de Israel e o imperialismo do ocidente”, apontou. 

“As e os integrantes da Flotilha Global Sumud são contrários às políticas de silêncio ou de cumplicidade de seus governos, demonstram sua coragem e reafirmam seus princípios da humanidade, o que nos impõe o dever de seguirmos a seu lado, pela sua libertação e pela denúncia de Israel, no seu total desrespeito às leis internacionais. É urgente uma mobilização contínua e ampla”, acrescentou.

A diretora do Sindicato Nacional ressaltou, ainda, a importância de a categoria docente seguir mobilizada e pressionando as universidades pelo rompimento de relações acadêmicas e científicas com instituições israelenses. “Iremos fortalecer nossa campanha de Boicote, Desinvestimentos e Sanções (BDS) contra o apartheid israelense até a libertação do povo palestino e o fim do colonialismo israelense”, concluiu.

Fonte: Andes-SN | Fotos: Eline Luz

Quinta, 02 Outubro 2025 10:47

 

O ANDES-Sindicato Nacional manifesta seu mais veemente repúdio à ação arbitrária e violenta do Estado de Israel, no 1º de outubro de 2025, que interceptou a Global Sumud Flotilla, impedindo a chegada de ajuda humanitária à população de Gaza.

A Global Sumud Flotilla representa muito mais que uma ação de solidariedade internacional: é um símbolo de coragem e resistência frente ao silêncio cúmplice de diversos países diante do genocídio praticado por Israel contra o povo palestino.

A Flotilla é composta por mais de 40 embarcações e cerca de 500 ativistas de dezenas de países, configurando-se como a maior iniciativa civil desse tipo em décadas. Entre eles(as) estão 17 brasileiros(as), agora sob grave risco, cuja delegação é formada por: Thiago Ávila (Militante Ecosocialista e Internacionalista), Mariana Conti (vereadora de Campinas – PSOL/SP), Gabi Tolloti (presidente do PSOL/RS), Nico Calabrese (Rede Emancipa e tripulante), Luizianne Lins (deputada federal – PT/CE), Mohamed Kadri (dirigente do Fórum Palestino), Bruno Gilga e Magno Carvalho (Sintusp), além de outros(as) ativistas e militantes, como: Ariadne Catarina Cardoso Teles, Bruno Sperb Rocha, Miguel Bastos Viveiros de Castro, Giovanna Martins Vial, Hassan Massoud, Paulo Siqueira Costa, João Leonardo Cavalcanti Aguiar Costa, Nicolas Calabrese (cidadão argentino residente no Brasil) e Lisiane Proença Severo.

O ANDES-SN exige do governo brasileiro a adoção imediata de todas as medidas diplomáticas, consulares e de proteção internacional para assegurar a liberação e a integridade física dos(as) brasileiros(as) sequestrados(as) por Israel.

Reafirmamos que povos e organizações civis têm o direito inalienável de prestar ajuda humanitária e que nenhum ato de violência pode ser cometido contra civis que lutam pela vida e pela dignidade do povo palestino.

O ANDES-Sindicato Nacional, fiel à sua tradição de defesa intransigente dos direitos humanos, da autodeterminação dos povos e da solidariedade internacional, soma-se às vozes que exigem o fim imediato do bloqueio a Gaza e a abertura de corredores humanitários seguros.

Governo Lula: pela liberação imediata das(os) ativistas!
Brasil e suas estatais não devem ser cúmplices do genocídio de Israel contra o povo palestino!
Pelo fim do genocídio do povo palestino!
Pelo desbloqueio de Gaza!
Reafirmamos: não é guerra, é genocídio!

 

 


Brasília (DF), 1º de outubro de 2025.
Diretoria do ANDES - Sindicato Nacional