Terça, 14 Abril 2026 09:59

 

 

A cidade de Porto Alegre (RS) ocupou papel central na articulação da resistência global com a realização da I Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos, entre os dias 26 e 29 de março. O evento foi um marco na articulação contra a ascensão da extrema direita e do neofascismo não só no país, mas em todo o mundo.

 

 

A Conferência, que contou com o apoio central e a participação do ANDES Sindicato Nacional, reuniu mais de 4,5 mil ativistas, lideranças políticas, intelectuais e representantes de movimentos sociais, sindicais e estudantis, vindos de mais de 40 países de cinco continentes.

O início da jornada foi marcado pela força das ruas. Na noite do dia 26, milhares de pessoas marcharam pelo Centro Histórico da capital gaúcha com palavras de ordem contra o imperialismo, pela autodeterminação dos povos indígenas, além de cartazes que denunciavam o genocídio na Palestina e o autoritarismo na América Latina. 

 

 

Mais cedo, na Assembleia Legislativa do Estado, o Fórum de Autoridades Antifascistas debateu o papel e os limites da ação institucional, destacando que o fascismo contemporâneo se alimenta da desigualdade, do ódio e da desinformação, exigindo não só a defesa da democracia formal, mas a construção de uma democracia econômica.

Crise do capitalismo

No dia 27, a 1ª Conferência “A Ofensiva da Extrema Direita no Mundo: Causas, Consequências e Desafios” analisou que a escalada neofascista está ligada à crise do capitalismo e ao esgotamento de décadas de políticas neoliberais. A precarização das condições de vida, o aumento das desigualdades e a disseminação da desesperança criaram um terreno fértil para discursos autoritários.

 

 

A 2ª Conferência destacou a experiência argentina sob o governo de extrema direita de Javier Milei, apontando o país como um “laboratório” de reorganização capitalista. Foi ressaltado o protagonismo das mulheres nas mobilizações de 24 de março, que levaram 1 milhão de pessoas às ruas, e a importância da unidade entre diferentes forças políticas para construir alternativas populares.

Já a 3ª Conferência do dia tratou da resistência sindical e da organização da classe trabalhadora frente ao neoliberalismo, enquanto a 4ª Conferência abordou o caso brasileiro, destacando o bolsonarismo como expressão local de um fenômeno global. As análises indicaram a permanência de estruturas autoritárias herdadas da ditadura empresarial-militar e a articulação entre extrema direita, milícias e interesses imperialistas.

Encerrando o dia, a 5ª Conferência reforçou a centralidade da solidariedade entre os povos e da luta anti-imperialista. Foram denunciadas as intervenções militares, sanções econômicas e tentativas de desestabilização de países que buscam caminhos soberanos. Nesse contexto, Cuba, Irã e Venezuela foram citados como exemplos de resistência.

Atividades autogestionadas

No dia 28, pela manhã, o ANDES-SN promoveu atividades em sua sede na Regional do Rio Grande do Sul. Os debates abordaram temas como feminicídio, transfeminicídio e os impactos do imperialismo na América Latina, reforçando a importância de compreender as múltiplas dimensões da violência da extrema direita.

 

 

A mesa “Feminicídio e Transfeminicídio como resultado do projeto da extrema direita no Brasil e na América Latina”, contou com a participação das diretoras do ANDES-SN, Letícia Carolina Nascimento, 2ª vice-presidenta, e Emanuela Rútila, 2ª vice-presidenta da Regional Nordeste II, ambas do Grupo de Trabalho de Política de Classe para as Questões Étnico-raciais, Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS) do Sindicato.

Em suas falas, as docentes situaram a violência contra a mulher nas esferas doméstica e institucional, denunciando a "pedagogia da agressão" da machosfera e o papel das big techs na monetização do ódio. Complementando a análise, foi criticado o silenciamento das pautas de gênero e raça sob a pecha de "identitarismo" e as táticas globais como o pânico moral, além do "pinkwashing", entendido como uso instrumental de pautas LGBTI+ por agendas geopolíticas e pelo mercado.

“As discussões ressaltaram os desafios nas instituições educativas, exemplificados por casos de misoginia organizada em institutos federais e pela violência institucional, o que exige a criação de redes de autodefesa e protocolos rígidos contra assédios. A atividade definiu o fortalecimento do GTPCEGDS nas seções sindicais e a luta pela regulamentação das plataformas digitais, reafirmando que a unidade da classe trabalhadora deve ser construída como uma síntese viva das diferenças, fundamental para o enfrentamento ao fascismo e a superação das opressões”, avaliou Luciana Henrique da Silva, 1ª vice-presidenta da Regional Pantanal, que esteve na mesa. 

 

 

Já no segundo debate “Os ataques imperialistas na Venezuela e os impactos na América Latina”, houve a participação de Maria de La Luz, da Rede Social para a Educação Pública nas Américas (Rede Sepa), que dividiu a mesa com o professor Osvaldo Coggiola, 2º tesoureiro da Regional São Paulo do Sindicato Nacional. A discussão se expandiu para além da fronteira venezuelana, abrangendo o bloqueio a Cuba, a ascensão da extrema direita no continente e os ataques aos direitos sociais em países como Argentina e Chile.

"Realizamos um debate qualificado com a categoria, culminando em contribuições diretas para a Carta de Porto Alegre. Saímos com o sentimento de missão cumprida e com o ANDES-SN consolidado na vanguarda da luta internacionalista e antifascista”, disse Caroline Lima, 1ª vice-presidenta e encarregada de Relações Internacionais do Sindicato. 

Resistência palestina

Ainda no dia 28, a 6ª Conferência “A Resistência Palestina ao Genocídio e à Opressão do Estado de Israel” destacou essa luta como símbolo global contra o colonialismo e o fascismo. Foi denunciado o “educocídio” em Gaza e defendido o fortalecimento de campanhas internacionais de boicote.

 

 

Segundo Muna Muhammad Odeh, 2ª vice-presidenta da Regional Planalto do ANDES-SN e uma das palestrantes, a destruição deliberada de escolas e universidades em Gaza (o “educocídio”) é uma tentativa de apagar o futuro do povo palestino.

"A luta do povo palestino é o epicentro da luta contra o imperialismo. As universidades devem romper com a neutralidade cúmplice. Não há como falar em democracia e direitos humanos sem defender o fortalecimento de campanhas de pressão internacional e o BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções) contra as políticas de ocupação", afirmou.  

Já a 7ª Conferência debateu o combate ao fascismo nas Américas, destacando as conexões entre lideranças da extrema direita e enfatizando a necessidade de organização popular permanente.

Negacionismo climático

No dia 28, a 8ª Conferência “A Luta Contra o Negacionismo Climático e Pela Reforma Agrária no Contexto da Crise Ambiental” conectou a ecologia à luta de classes, reunindo intelectuais, militantes e ecossocialistas, que destacaram a urgência de um modelo econômico alternativo. Para as e os palestrantes, o capitalismo mostra-se incompatível com a sustentação da vida no planeta, aprofundando as desigualdades socioambientais e acelerando a crise climática. 

 

 

“O debate afirmou um posicionamento político claro ao articular o combate ao fascismo com a denúncia do negacionismo climático e a defesa dos territórios e dos movimentos de luta pela terra. Além da necessidade de construção de uma sociedade ecossocialista, reafirmando que o enfrentamento ao fascismo passa, necessariamente, pela transformação estrutural das relações entre sociedade, economia e natureza”, declarou Annie Hsiou, 3ª vice-presidenta do ANDES-SN, debatedora da conferência.

Luta contra o fascismo

A 9ª Conferência “Antirracismo, Feminismo e Direitos Civis na Luta contra o Fascismo”, realizada na manhã do dia 29, debateu como o machismo, o racismo e a xenofobia são elementos estruturantes do projeto neofascista.

 


Foto: Júlia Rosa / Imprensa Sindoif SSind.

 

Letícia Carolina Nascimento, uma das debatedoras da mesa, denunciou o uso de "pânicos morais" — como a ideologia de gênero — para cooptar as massas. “O pânico moral é o laboratório do fascismo contemporâneo. Eles agitam espantalhos morais contra mulheres, negras/os e a população LGBTI+ para ocultar a real exploração do grande capital e o desmonte dos direitos sociais. O ataque a essas existências não é uma ‘pauta cultural’ secundária, mas o cerne de um projeto que violenta quem historicamente sustenta a base da classe trabalhadora”. 

Educação, Ciência e Tecnologia

Os debates da 10ª Conferência “Educação, Ciência e Tecnologia para Soberania dos Povos” centraram na disputa pelo saber e como a extrema direita ataca a escola pública e a autonomia universitária para impor um modelo de obediência, exclusão e mercantilização do conhecimento

 

 

Cláudio Mendonça, presidente do ANDES-SN e um dos palestrantes, reafirmou o orgulho de dirigir um sindicato cuja luta pela educação pública é indissociável da defesa dos interesses da classe trabalhadora.

Utilizando referências de Milton Santos, Mendonça criticou a forma como as big techs e os oligopólios de comunicação utilizam a tecnologia como instrumento de dominação e para instrumentalizar a violência contra as universidades. Ele enfatizou que derrotar o neofascismo exige o fortalecimento do orçamento das universidades públicas e a valorização das e dos trabalhadores.

Além disso, Mendonça defendeu que as instituições de ensino brasileiras rompam parcerias com o "Estado sionista de Israel", mantenham a solidariedade internacional e enfrentem a lógica neocolonial e racista do imperialismo.

“O ANDES-SN defende que só iremos evitar essa catastrófica com muita luta, muita mobilização, respeitando as entidades legítimas da classe trabalhadora fruto da organização na base, mas, fortalecendo com orçamento e condições de trabalho nossas instituições de ensino”, disse.

A 11ª Conferência “Resistências, Articulações e Alternativas Democráticas” focou na construção de estratégias globais de resistência. A experiência colombiana, elegendo o presidente Gustavo Petro, foi citada como exemplo de unidade entre movimentos e partidos, sem abandonar a mobilização popular.

Lideranças europeias também aproveitaram para denunciar a cumplicidade da União Europeia com o genocídio em Gaza. O consenso foi de que a esquerda deve apresentar alternativas concretas e não temer a polarização.

Carta de Porto Alegre

A Carta de Porto Alegre, aprovada ao final da Conferência, afirmou a necessidade de unidade internacional diante do avanço do fascismo, da extrema direita e do imperialismo em um cenário de crise do capitalismo.

O documento denuncia ataques a direitos, à democracia e à soberania dos povos, além da intensificação de guerras, desigualdades e da desinformação. Como resposta, defende a articulação global das lutas, a ampliação dos direitos democráticos, a valorização do trabalho, a reforma agrária e a defesa do meio ambiente.

Entre as propostas, estão a criação de uma articulação internacional antifascista, a realização de conferências regionais, o apoio à causa palestina, à soberania de países como Cuba e Venezuela, o combate à OTAN e o fortalecimento de iniciativas como o Fórum Social Mundial.

Caravana do FNDC

Paralelamente, o ANDES-SN participou dos debates da Caravana do Fórum Nacional pelo Direito à Comunicação (FNDC), no dia 28. O enfrentamento às big techs e ao monopólio midiático, apontados como pilares da desinformação, foi tema das atividades “O papel da comunicação hegemônica a serviço do fascismo” e “Propostas para soberania nas comunicações”. 

 

 

Diego Marques, encarregado de Imprensa e Divulgação do Sindicato Nacional, destacou como o avanço das plataformas digitais e o monopólio da informação impactam diretamente a categoria docente e a produção de conhecimento, alertando que a luta pela democratização da comunicação é indissociável da luta sindical. 

Já na mesa “Propostas para soberania nas comunicações”, Helena Martins, 1ª secretária da Regional Nordeste I do ANDES-SN, destacou que o alcance das pautas depende do contexto histórico, lembrando que já se defendeu até a nacionalização das comunicações. Ela criticou o avanço da privatização e defendeu a construção de novos modelos. 

 

Fonte: Andes-SN | Fotos: Eline Luz

Segunda, 06 Abril 2026 14:30

 

 

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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
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Alair Silveira

Profa. SOCIP/PPGPS. Pesquisadora MERQO/CNPq.

Membro GTPFS/ADUFMAT/ANDES-SN

 

 

            Entre os dias 26 e 29 de março/2026 foi realizada a I Conferência Internacional Antifascista, em Porto Alegre/RS. Em tempos tão assustadoramente sombrios, marcados pelo imperialismo bélico e pelo ascenso de movimentos e governos neofascistas, as guerras tradicionais de destruição e barbárie têm substituído quaisquer aparências de mediação através das relações diplomáticas, geridas pelo direito internacional. Como no estado de natureza hobbesiano, a lei do mais forte tem dominado as relações internacionais. E como lobos cruéis, Donald Trump e Benjamin Netanyahu têm se mostrado os mais eficientes e ignóbeis.

            Assim, se em 2022, os conflitos entre Rússia e Ucrânia-OTAN inaugurou a guerra na Europa, em 2023 ela escalou para genocídio contra o povo palestino e avançou para os ataques sionistas e norte-americanos contra o Irã. Neste processo, o imperialismo estadunidense, capitaneado por Trump, tem atuado sem qualquer parâmetro de legalidade, respeito à autodeterminação dos povos e prurido com relação aos interesses que o move. Como uma avalanche que destrói tudo que encontra pela frente, o imperialismo norte-americano e seus parceiros de destruição (por parceria ou omissão e conivência) agora voltam suas energias bélicas, também, para a América Latina.

Da histórica e inaceitável tentativa de inviabilizar a existência de Cuba (tentativas de assassinato, bloqueio econômico, satanização do comunismo cubano e guerras híbridas/psicológicas), os ataques escalaram para o estrangulamento total da Ilha, o sequestro do presidente venezuelano Nicolas Maduro e da sua esposa e deputada Cilia Flores, as intervenções nas eleições hondurenhas, as ameaças ao governo colombiano de Gustavo Petros, os ataques às embarcações no mar do Caribe etc. e ao desenvolvimento da operação nomeada Escudo das Américas que, sob a justificativa de combate ao terrorismo e ao tráfico de drogas, combate a livre-determinação dos povos ao mesmo tempo em que explicita os interesses econômicos aos quais serve.

Não casualmente, neste esforço para assegurar o pseudo combate ao terrorismo e às drogas, dentre os principais convidados para a reunião dedicada a articular a coalizão militar estavam Javier Milei (Argentina), Nayib Bukele (El Salvador), Daniel Noboa (Equador), José Antonio Kast (Chile) e líderes de países como Paraguai, Bolívia, Costa Rica, Honduras, Guiana e Trinidad e Tobago. Deixados de fora pelo primeiro-mandatário norte-americano, Brasil, Colômbia e México, isto é, países que têm atuado de forma mais independente em relação aos interesses dos EUA.

Se na América Latina e no Oriente Médio o quadro é revelador quanto à política imperial que move os governos dos EUA e de Israel, na Europa a situação também é preocupante, não apenas em virtude da inação da OTAN e da maioria dos governos europeus - excetuando-se as posições do governo espanhol -, mas, também, pelo impressionante crescimento da representação política de reacionários e neofascistas nos Parlamentos.

Neste mapa geral, o neofascismo expande-se como forma reacionária de controle e barbárie, entranhando-se nos poros da vida social e dos poderes institucionalizados, corroendo avanços societários e subtraindo direitos consolidados

Foi sob este conjunto de relatos e experiências históricas que a I Conferência Internacional Antifascista consagrou a resistência mundial e, através de delegações de mais de 40 países, latino-americanos, africanos, europeus, estadunidenses e representantes do Oriente Médio fizeram-se presentes.

Com Mesas formadas pela diversidade internacional, análises que conjugaram a realidade mundial com as especificidades nacionais dos palestrantes convergiram para a gravidade destes tempos, assim como para a necessidade de enfrentamento ao neofascismo, ao neoliberalismo, ao imperialismo e à barbárie. Neste sentido, diversas foram as intervenções que apontaram para o equívoco da priorização dos processos eleitorais e ressaltaram a urgência de resgatar o socialismo como alternativa civilizatória.

De modo geral, também comungaram quanto à importância de assegurar governos popular-democráticos para fazer tais enfrentamentos. Daí a importância destacada por muitos dos palestrantes quanto à eleição de Iván Cepeda, na Colômbia, e de Lula, no Brasil, em 2026.

Por fim, cabe registrar a relevância da iniciativa de Porto Alegre que, tal qual há 25 anos atrás, quando inaugurou o Fórum Mundial Social e tornou-se o berço dos militantes por um ‘outro mundo possível’, agora recepcionou delegações de várias partes do mundo para articular o enfrentamento ao neofascismo. De outra parte, também cabe o registro quanto a algumas ausências sensíveis de análises sobre Bolívia, Equador, El Salvador, Paraguai e Peru. De igual maneira, a quase inexistência de referência à ‘classe trabalhadora’, substituída nas intervenções e agitações políticas por “povo”. Paradoxalmente, apesar das muitas intervenções quanto à contraface do neofascismo - isto é, o capital -, o encerramento da I Conferência Internacional Antifascista foi a conclamação: “Povos do mundo, uni-vos!”, olvidando que os ‘povos’ também compõem a classe trabalhadora.

 

 

Quinta, 19 Março 2026 14:20

 

De 26 a 29 de março, Porto Alegre (RS) sediará a I Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos. O encontro reúne mais de 100 organizações e movimentos comprometidos com o enfrentamento ao avanço da extrema direita e à escalada autoritária, que ameaçam direitos sociais, liberdades democráticas e a própria democracia em diferentes países.

A abertura ocorrerá na quinta-feira (26), às 14h, com o Fórum de Autoridades Antifascistas, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul. Às 18h, será realizada a Marcha de Abertura da Conferência, com concentração no Largo Glênio Peres, em frente ao Mercado Público.

A programação inclui ainda conferências e painéis temáticos, construídos de forma plural e participativa, que abordarão temas como o avanço da extrema direita no mundo, o enfrentamento ao neoliberalismo e ao imperialismo, a solidariedade entre os povos, além de pautas como feminismo, antirracismo, defesa da educação pública, direito à comunicação e combate ao negacionismo climático.

A conferência contará também com atividades autogestionadas, com o objetivo de fortalecer a articulação entre organizações, movimentos sociais, juventudes e militâncias populares. O ANDES-SN está entre as entidades que irão realizar essas atividades ao longo do encontro.

No sábado (28), na sede da Secretaria Regional RS do Sindicato Nacional, ocorrerão dois debates organizados pelo sindicato. Das 8h30 às 10h30, será realizada a atividade “Feminicídio e Transfeminicídio como resultado do projeto da extrema direita no Brasil e na América Latina”, com a participação das diretoras do ANDES-SN, Letícia Carolina Nascimento e Emanuela Rútila.

Na sequência, das 11h às 13h, ocorrerá o debate “Os ataques imperialistas na Venezuela e os impactos na América Latina”, com Luis Bonilla-Molina, professor visitante da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e integrante da organização Otras Voces en Educación, e Osvaldo Coggiola, diretor do Sindicato Nacional.

Caravana do FNDC

O ANDES-SN também está apoiando a atividade autogestionada do Fórum Nacional pelo Direito à Comunicação (FNDC). A Caravana do FNDC pelo Direito à Comunicação terá sua primeira parada na I Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos, também no dia 28 de março.

Serão duas atividades autogestionadas, a partir das 14h, na sede do Sindicato de Jornalistas do Rio Grande do Sul. O primeiro debate “O papel da comunicação hegemônica a serviço do fascismo”, contará com a participação do Encarregado de Imprensa e Divulgação do Sindicato Nacional, Diego Marques. O diretor do ANDES-SN dividirá a mesa com Katia Marko, coordenadora-geral do FNDC, Letícia Cesarino, professora da UFSC, Federico Pita, editor de Negrx e do jornal Página 12 da Argentina, e Sérgio Amadeu, professor da UFABC.

A segunda atividade, “Propostas para soberania nas comunicações”, ocorrerá a partir das 16h. Estarão na mesa Helena Martins, Ergon Cugler, Admirson Ferro Júnior (Greg), Mateus Azevedo, José Nunes e Walter Lippold. A inscrição para as mesas do FNDC pode ser feita aqui.

Encerramento

A conferência será encerrada no dia 29 de março, com uma Assembleia Geral, que deve aprovar a “Carta de Porto Alegre”. O documento pretende consolidar uma articulação internacionalista em defesa da democracia e da soberania dos povos.

A programação completa pode ser acessada aqui.

 

Fonte: Andes-SN  

Terça, 24 Fevereiro 2026 14:35

 

O ANDES-SN convoca suas seções sindicais a participarem da I Conferência Internacional Antifascista, que será realizada em Porto Alegre (RS), entre os dias 26 e 29 de março de 2026. As pré-inscrições estão abertas até o próximo sábado (28).

A iniciativa reúne mais de 100 organizações e movimentos comprometidos com o enfrentamento ao avanço da extrema direita e à escalada autoritária que ameaça direitos sociais, liberdades democráticas e a própria democracia em diferentes países.

Segundo a organização do evento, a conferência nasce como um ato político urgente de resistência coletiva. A programação inclui um grande ato de rua de abertura, painéis temáticos construídos de forma plural e participativa e atividades autogestionadas, com o objetivo de fortalecer a articulação entre organizações, movimentos sociais, juventudes e militâncias populares.

Para Claudio Mendonça, presidente do ANDES-SN, o cenário internacional impõe desafios que exigem respostas articuladas e solidárias. “O Brasil e o mundo vivem um processo de intensificação dos ataques da extrema direita, que se expressa de forma escancarada no governo Trump, que bombardeia países, ataca a soberania, sequestra governantes legitimamente eleitos e patrocina o extermínio de povos, como acontece com a Palestina. As ações sobre a América Latina, tentando desestabilizar governos autônomos e soberanos, com o recente sequestro de Maduro e Cilia, e a intensificação do bloqueio econômico criminoso contra Cuba, exigem muita unidade, muita disposição de luta e muita mobilização. O ANDES-SN se coloca no bojo da luta para derrotar a extrema direita nacional e mundial”, afirmou.

Luta Antifascista

De acordo com a Circular 52/26, ao longo de seus 45 anos de trajetória, o Sindicato Nacional tem atuado de forma permanente no enfrentamento à extrema direita e no combate aos ataques dirigidos às universidades públicas, aos Institutos Federais (IFs) e aos Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets).

A Comissão Nacional de Enfrentamento à Criminalização e Perseguição Política a Docentes, criada no 37º Congresso do Sindicato, é um dos principais instrumentos de resistência diante de tentativas de intimidação, censura e criminalização da luta docente.

Soma-se a isso, a luta histórica encampada pelo Sindicato contra as intervenções nas Instituições Federais de Ensino (IFE), que resultou na aprovação, na Câmara dos Deputados, do projeto de lei que extingue a lista tríplice.

Diante desse cenário, o presidente do ANDES-SN afirmou que a participação da categoria docente é central no enfrentamento à extrema direita e na defesa da democracia. “A educação, a ciência e o conjunto da classe trabalhadora da educação têm sido alvos de grupos neofascistas. Universidades, institutos federais e cefets têm sido atacados. A intolerância e o ódio contra a população negra, mulheres, pessoas LGBTI+, pessoas com deficiência, imigrantes e nordestinos, somados ao aumento da violência policial nas periferias do país, exigem da categoria uma resposta à altura”, acrescentou Mendonça.

Programação

A I Conferência Internacional Antifascista terá início no dia 26 de março com um fórum de parlamentares, seguido por uma marcha de abertura. Nos dias seguintes, serão realizadas conferências e painéis temáticos, que abordarão temas como a resistência palestina, o combate ao negacionismo climático, feminismo, antirracismo e a defesa da educação pública, entre outros eixos estratégicos.

A agenda também prevê espaços para atividades autogestionadas, fortalecendo a participação plural das organizações presentes. A conferência será encerrada no dia 29 com uma Assembleia Geral destinada à aprovação da “Carta de Porto Alegre”, documento que pretende consolidar uma articulação internacionalista em defesa da democracia e da soberania dos povos.

A programação completa pode ser acessada aqui

Inscrições

As pré-inscrições podem ser realizadas até o dia 28 de fevereiro, AQUI

Para mais informações sobre o evento, acesse AQUI

 

Fonte: Andes-SN