Quarta, 05 Agosto 2020 23:48

Nessa sexta-feira, 07/08, a Adufmat-Ssind convida para uma análise de conjuntura voltada para o estado de Mato Grosso. As participantes, Tipuici Manoki (cientista social e liderança indígena) e Alair Silveira (cientista política e professora da UFMT), serão responsáveis por provocar o debate a partir do tema "Para quem governa Mauro Mendes?". 

A Live da Adufmat-Ssind será às 19h, na página oficial do sindicato no Facebook. Os participantes poderão enviar perguntas às convidadas pelos comentários. 

 

Participe! 

 

Link direto para a página oficial da Adufmat-Ssind: https://www.facebook.com/ADUFMAT-SSIND-211669182221828/

Quarta, 05 Agosto 2020 23:35

Imagem: O Livre/ Mauro Mendes em evento com empresários de MT 

 

Há alguns anos, pairava entre a população a ideia de que os representantes políticos deveriam ser obrigados a frequentar os mesmos espaços públicos que administram, junto à população. A ilusão da liberdade capitalista, por óbvio, tratou de abafar rapidamente a proposta, pois o público e o privado só podem se encontrar quando a proposta é administrar o bem público, mas quando o assunto é desfrutar dos resultados dessa administração, a coisa muda.

 

Poucos dias depois de tentar desqualificar análises científicas sobre a Covid-19 em Mato Grosso e liberar a reabertura do comércio em todo o estado, alegando que é preciso “aprender a conviver com o vírus”, o governador Mauro Mendes foi internado em um Hospital de São Paulo. Segundo a imprensa, a causa é uma pneumonia, provavelmente consequência da própria Covid-19, que contraiu um junho.

 

Ao mesmo tempo em o político era atendido por uma equipe de profissionais do Sírio Libanês, um dos melhores hospitais particulares do país, servidoras da Saúde Pública administrada por ele retiraram a própria vida, no município mato-grossense de Rondonópolis. Para o sindicato dos servidores públicos da saúde do estado, a pressão do atendimento direito a pacientes com Covid-19 e a perda de colegas para a doença é agravada pela falta de condições de trabalho que perdura há anos. Não só a Covid-19, mas as doenças que comprometem a saúde mental ameaçam os trabalhadores da saúde.

  

Nessa quarta-feira, 05/08, Mato Grosso atingiu a triste marca de duas mil mortes atribuídas ao coronavírus. No Brasil, a gripezinha de Bolsonaro já matou mais de 97 mil pessoas. Enquanto isso, tanto Mauro Mendes quanto Bolsonaro, representantes do capital na administração pública, seguem rifando a vida dos trabalhadores para que empresários garantam seus lucros, pois a melhor forma de tomar péssimas decisões é justamente não sofrer suas consequências.

 

“Os governantes brasileiros sucateiam o Sistema Único de Saúde para abrir mercado para o setor privado, mas quando adoecem, voam com jatinhos particulares aos hospitais privados. Já vimos outros políticos de Mato Grosso fazendo a mesma coisa nessa pandemia. A linha de corte do ‘salve-se quem puder’ pelo mercado é muito alta e significa o genocídio dos pobres, negros, quilombolas e indígenas”, destaca a diretora de Imprensa da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adufmat-Ssind.), Lélica Lacerda.

 

A diretora critica os ataques recentes proferidos pelo governador aos pesquisadores da UFMT. "Pelas políticas implementadas pelo governo de Mato Grosso, não precisa ser mãe Dináh nem cientista para saber o que vai acontecer. Quem vai sofrer é a população, porque quem tem dinheiro pode ter a tranquilidade de se internar no Sírio Libanês”, destaca.

 

Os sindicatos de trabalhadores comprometidos com a vida continuam na luta, realizando atividades para arrecadar doações e distribuir entre os desempregados e desamparados pelo Estado, fazer debates que ajudem a classe trabalhadora a se proteger e reorganizar, e denunciar a irresponsabilidade dos governos que se mostram genocidas durante a pandemia.

 

A Adufmat-Ssind, organizada, junto a outras entidades, na Frente Popular em Defesa do Serviço Público e de Solidariedade ao Enfrentamento à Covid-19, arrecadou mais de mil cestas básicas na última semana, que serão distribuídas em bairros da periferia de Cuiabá. Desde abril, o grupo já garantiu cerca de 35 toneladas de alimentos, além de material de limpeza e higiene para trabalhadores que não têm com quem contar nesse momento.  

 

As entidades reafirmam que a única alternativa para a classe trabalhadora é a luta coletiva por políticas públicas capazes de superar a crise econômica, ambiental e sanitária. Nesse sentido, a construção da greve geral se mantém no horizonte, como passo fundamental da virada da correlação de forças em favor dos trabalhadores.

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

Quinta, 23 Julho 2020 14:01

 

Para muitos governantes, o menosprezo pelo conhecimento e pela pesquisa é a forma fácil para justificar suas (in)ações como primeiros-mandatários. Alguns “receitam” remédios milagrosos à revelia de opinião médica, outros apegam-se aos preceitos místicos. Como a ciência exige método, disciplina e rigor, o desrespeito desses governantes ao conhecimento científico somente revela sua pequenez diante da responsabilidade do cargo que ocupam.

 

As manifestações do governador Mauro Mendes (DEM) sobre o estudo nomeado “Evolução da Covid-19 em Mato Grosso: panorama atual e projeções para as regiões de saúde”, realizado por professores-pesquisadores dos departamentos de Matemática, Saúde Coletiva e Geografia da UFMT, são deploráveis sob todos os aspectos.

 

Ao questionar a credibilidade do estudo científico, comparando-o às previsões da vidente Mãe Dináh, o Governador não somente expôs seus limites como homem público, mas revelou desconhecer o conteúdo do trabalho (se leu, não compreendeu), assim como dos Boletins que a própria Secretaria Estadual de Saúde divulga regularmente. Primeiro porque a aplicação do modelo matemático foi feita a partir dos dados da Secretaria sob a responsabilidade do Governo Mauro Mendes, e, como alertaram os próprios pesquisadores, “a confiabilidade de tais modelos depende fortemente da confiabilidade das fontes de informação”. Não bastasse isso, como qualquer graduando mediano sabe, pesquisas trabalham com evidências, não com vidências, portanto, traduzem tendências que “são aproximações da realidade” e servem aos governantes qualificados como recursos excelentes para prover políticas públicas adequadas à preservação da vida e da saúde pública.

 

Em segundo lugar, porque levantamento feito pelo Olhar Direto (21/07/2020) corrobora a proximidade dos estudos realizados pelo Informe Epidemiológico da UFMT com os números divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde, em que pese esses números, muitas vezes, apresentarem discrepâncias incompreensíveis, como no caso comparado dos dias 10 e 15 de julho, quando o número de óbitos foi reduzido em 16 municípios, apresentando subtração de 24 mortes no total. Parece-nos que nem o espírito de Mãe Dinah explicaria essas discrepâncias por parte da Secretaria subordinada ao Governador Mauro Mendes.

 

Desta maneira, a Associação dos Docentes da UFMT – Seção Sindical do ANDES Sindicato Nacional não somente parabeniza aos professores-pesquisadores que produziram este Estudo e repudia as declarações de Mauro Mendes, mas sugere ao Governador mais respeito pelo conhecimento científico e, se possível, um pouco de sabedoria para utilizar-se das pesquisas que a Universidade Pública tão competente e gentilmente coloca à sua disposição para ajudá-lo na sua gestão.

 

 

Associação dos Docentes da UFMT

Cuiabá, 22/07/2020