Quarta, 16 Dezembro 2020 15:42

 

Na reunião do Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão (Consepe) que começou na segunda-feira, 14/12 e terminou na terça-feira, 15/12, os conselheiros da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) aprovaram a obrigatoriedade da flexibilização durante a pandemia. A íntegra do texto da resolução será: “Deverão ser ofertadas pelos Colegiados de Curso as disciplinas/componentes curriculares obrigatórios contidos no PPC [Projeto Político Pedagógico] remotamente por meio de TICs [Tecnologias de Informação e Comunicação], observadas as Diretrizes Curriculares Nacionais e os indicativos da Comissão Covid UFMT”.

 

Contraditoriamente, a reunião que aprovou a obrigatoriedade do ensino remoto, desconsiderando diversas questões humanas e tecnológicas que envolvem a comunicação à distância, foi bastante marcada pelas manifestações de diversos conselheiros que, a todo momento, demonstraram dificuldade de compreender o debate ou votar. Ao não conseguirem votar, acabaram justificando seus votos. A íntegra da reunião está disponível no site da instituição.    

 

Apesar de todos os apelos de estudantes e docentes, reafirmando que muitos discentes, não terão condições de acompanhar as aulas, passou a defesa de que a universidade deve aderir ao “novo normal”, como se nada estivesse acontecendo – isto é, como se houvesse qualquer normalidade numa pandemia.

 

Entre outros argumentos, o representante discente Wesley da Mata alertou que a obrigatoriedade de ofertarem as disciplinas, que aparentemente seria aos docentes, obrigará também a participação de estudantes bolsistas, que poderão perder o benefício caso não consigam acompanhar as aulas. Não adiantou.

 

Diante da leitura da Carta Aberta da Adufmat-Ssind ao Consepe, alguns conselheiros e o reitor se mostraram irritados, dizendo que o sindicato não poderia interferir nas discussões do Consepe. “O sindicato tem um papel importante na defesa do trabalhador, quem vai defender o trabalhador não é o governo, não é o Consepe, não é a universidade, é o sindicato. Mas não é papel do sindicato gerir a universidade. É muito fácil não estar na gestão e pedir para fazer fala toda hora”, reclamou Evandro Soares.  

 

O sindicato, no entanto, mantém sua postura de participar ativamente de todas as discussões que interessam à categoria, à comunidade acadêmica e aos trabalhadores, independente de burocracias e espaços institucionais. Foi assim que, nas últimas semanas, o sindicato conseguiu adiar a discussão sobre a Resolução 158/10, fundamental para os professores, e que exige amplo debate na base, para abril de 2021; foi assim que o direito à progressão não acabou se tornando uma dívida para a categoria; e é assim que a Adufmat-Ssind segue questionando:

 

1. Qual suporte a universidade dará a professores, técnicos e discentes em temos de equipamentos (computadores, acesso à internet, conta de energia, etc.)? Ou o entendimento é o de que professores, técnicos e estudantes terão que arcar de seus bolsos com esta estrutura mesmo num contexto de arrocho salarial?


2. O que a universidade fará com os professores, técnicos e estudantes que não possuírem condições de trabalho ou estudos?

3. Qual será o investimento em equipes de profissionais de informática e comunicação para ofertar suporte na gravação de aulas, bem como disponibilização destas em meio virtual?

4. Qual investimento a universidade está fazendo em sistemas informacionais para que o AVA e demais sistemas suportem o fluxo de informações de todo ensino sendo feito de forma remota?

5. Como serão feitas as disciplinas que demandam atividades presenciais num contexto em que o mundo entra em segunda onda da pandemia?

6. A universidade possui um plano para a oferta de EPIs aos profissionais e estudantes?

7. Qual o plano de reformas estruturais (como instalação de janelas e meios de ventilação de ar) que a Universidade tem para viabilizar atividades presenciais com segurança sanitária?

 

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

 

Terça, 15 Dezembro 2020 08:24

 

Na reunião de hoje os representantes da comunidade acadêmica tomarão sérias decisões em relação ao destino de nossa universidade. Com o calendário escolar aprovado no atropelo, agora o que está em pauta é a oferta de semestre letivo por ensino remoto, de caráter obrigatório para toda a comunidade acadêmica.


Entendemos que a comunidade acadêmica ainda não fez a devida análise da experiência do semestre letivo em ensino remoto que se encerra e, de forma apressada, já aprovou o retorno do ano letivo em fevereiro, de forma remota. Agora entra em pauta a questão da obrigatoriedade do ensino remoto.

Tal decisão é bastante deletéria a relação de ensino e aprendizagem, já que desconsidera que entre 10/08 a 14/12/2020 foram feitas 3.250 solicitações de exclusão de disciplinas, o que denota a dificuldade de adesão dos estudantes ao ensino remoto; e é tomada sem se ter conhecimento do índice de aprovação e desempenho dos estudantes. Em nome da defesa do ensino, podemos estar produzindo um contexto adoecedor de fracasso escolar em massa de nossos estudantes.

Ainda que sejamos contrárias aos rumos que o CONSEPE tem dado a nossa universidade, considerando a decisão de oferta do ensino remoto e obrigatório, vimos por meio desta carta indagar:

1. Qual suporte a universidade dará a professores, técnicos e discentes em temos de equipamentos (computadores, acesso à internet, conta de energia, etc.)? Ou o entendimento é o de que professores, técnicos e estudantes terão que arcar de seus bolsos com esta estrutura mesmo num contexto de arrocho salarial?
2. O que a universidade fará com os professores, técnicos e estudantes que não possuírem condições de trabalho ou estudos?
3. Qual será o investimento em equipes de profissionais de informática e comunicação para ofertar suporte na gravação de aulas, bem como disponibilização destas em meio virtual?
4. Qual investimento a universidade está fazendo em sistemas informacionais para que o AVA e demais sistemas suportem o fluxo de informações de todo ensino sendo feito de forma remota?
5. Como serão feitas as disciplinas que demandam atividades presenciais num contexto em que o mundo entra em segunda onda da pandemia?
6. A universidade possui um plano para a oferta de EPIs aos profissionais e estudantes?
7. Qual o plano de reformas estruturais (como instalação de janelas e meios de ventilação de ar) que a Universidade tem para viabilizar atividades presenciais com segurança sanitária?


Entendemos que toda decisão coloque os custos da educação sobre seus profissionais desresponsabilizando o fundo público significa precarização da educação; e que toda decisão que ponha em risco a vida dos trabalhadores precisa ser lida alinhada a necropolítica do governo federal.
Sendo assim, solicitamos mais uma vez a suspensão do calendário escolar para profunda avaliação da experiência de ensino remoto realizada na UFMT para podermos decidir os nossos rumos em 2021.

 

Mato Grosso, 15 de dezembro de 2020

Diretoria da Adufmat-Ssind

Sexta, 11 Dezembro 2020 15:21

 

A Reitoria da Universidade Federal de Mato Grosso demonstra empenho em colaborar com a agenda genocida, negacionista e ultraliberal do Governo Federal.

Ao aprovar o calendário escolar sem promover o debate entorno do ensino remoto, tenta criar um contexto para tornar "inevitável" a não adesão ao ensino remoto em 2021 (tal como este reitor fez com o processo eleitoral não paritário, entendido pela Adufmat-Ssind como intervenção federal).

Não é possível planejar o futuro sem olhar para o passado. Enquanto a proposta de ensino remoto era apenas uma possibilidade, a Adufmat-Ssind chamou a atenção para a precarização da vida dos estudantes, que inviabilizaria o acesso ao ensino remoto; alertou para a precarização das relações de trabalho, seja pela falta de oferta de equipamentos e suporte técnico por parte da universidade; avisou sobre as relações de ensino-aprendizagem mediadas exclusivamente por meios digitais, distanciando estudantes e professores; e destacou as condições de saúde mental, já abaladas pela situação pandêmica, e que o trabalho remoto intensifica.

Os poucos dados que conseguimos acessar demonstram que nossa análise estava correta. Se compararmos os trancamentos de disciplinas no período de 01/06 a 10/12 dos anos 2019 e 2020, constataremos que houve um aumento de quase 11 vezes (277 trancamento em 2019 e 2987 em 2020).

O Centro Acadêmico do Curso de Medicina Veterinária fez uma avaliação com os estudantes na qual perguntou quais problemas afetavam o seu desempenho no ensino remoto e quase 81% apontou a desmotivação / desânimo em virtude do isolamento social como um dos fatores. Tais dados indicam, no mínimo, que é preciso avaliar com mais cuidado os resultados desta experiência.

E mais: chamamos mais uma vez a atenção para o papel que a universidade deve cumprir neste momento. É uma decisão medíocre restringir a função da universidade no meio da maior pandemia do século, impondo o retorno ao ensino para forjar o "novo normal", naturalizando a condição de barbárie que o capital nos impõe como expressão de sua crise estrutural.

Como a Reitoria tem expressado em suas reuniões, aos mortos um minuto de silêncio e passemos para a próxima pauta. Não para nós! Conforme aprendemos com os movimentos populares, aos nossos mortos nenhum minuto de silêncio, mas toda uma vida de luta!

Entendemos que é papel da universidade, como produtora de Ciência e Tecnologia, e formadora de mão de obra especializada, girar seus esforços para salvar o nosso povo.

Não temos uma proposta concreta, já que esta precisa ser construída em debate com a comunidade acadêmica, mas de antemão reivindicamos que os governos subsidiem insumos para as universidades contribuírem nas testagens em massa; a infraestrutura da universidade esvaziada pela pandemia pode se tornar serviços de acolhimento para a população em situação de rua, em que podem atuar professores e estudantes de diversas áreas de formação; o restaurante universitário precisa assumir a função de garantia de segurança alimentar à comunidade acadêmica e em geral, entre outras possibilidade.

Em suma, a Adufmat-Ssind quer sensibilizar a comunidade acadêmica para que não restrinjamos o horizonte da universidade a um escolão de ensino superior, com base no senso comum. Reivindiquemos nosso papel de produtores de ciência, tecnologias e técnicas. Em meio à pandemia, mais do que formar novas gerações de profissionais, precisamos construir saídas.

Sendo assim, a Adufmat-Ssind requer a abertura de espaços públicos para a avaliação dos resultados do ensino remoto na UFMT, para tomada de decisão amplamente debatida, sem atropelos. Neste sentido, solicitamos a suspensão do calendário escolar até que se esgotem os debates.

 

Diretoria da Adufmat-Ssind

Quarta, 09 Dezembro 2020 17:07

 

A Casa do Estudante do Jd. Itália, de responsabilidade da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), está sem internet desde outubro de 2019. A comunidade acadêmica da maior universidade do estado tem experimentado o ensino remoto por causa da pandemia, mas diante do número de reclamações, docentes, estudantes e técnicos tiveram que organizar um Observatório da Flexibilização, embora a Reitoria continue afirmando que essa tem sido uma experiência exitosa. Será mesmo?

Há controvérsias, mas o debate está aberto. Nessa sexta-feira, 11/12, os professores Gerdine Sanson (Instituto de Ciências da Saúde UFMT/Sinop) e Marcos Cruz (Departamento de História UFMT/Cuiabá), ambos coordenadores de cursos oferecidos pela instituição, conversam sobre o tema "Balanço do Ensino Remoto na UFMT: experiência de êxito ou fracasso?".

Sob a mediação da diretora de Imprensa da Adufmat-Ssind, Lélica Lacerda, o debate terá início às 19h (em Cuiabá), e será exibido nas páginas oficiais do sindicato no Facebook e Youtube. Os interessados podem participar, durante o evento, enviando perguntas e comentários pelo chat. Participe!

Sexta, 04 Dezembro 2020 12:43

 

Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adufmat-Ssind), Diretório Central dos Estudantes (DCE) e Sindicato dos Trabalhadores Técnico-administrativos (Sintuf/MT) da Universidade Federal de Mato Grosso voltaram a se reunir em plenária conjunta, nessa quarta-feira, 02/12, para debater a flexibilização do ensino na instituição.  

 

Ao contrário da Reitoria, que insiste em afirmar que a experiência tem sido exitosa, as entidades representativas apontam diversos problemas. Por isso, no primeiro encontro, realizado uma semana antes, criaram o Observatório da Flexibilização, com representação paritária das três categorias.

 

Nessa quarta-feira, um dos problemas levantados e relatados pelo diretor geral da Adufmat-Ssind, Aldi Nestor de Souza, foi o aumento significativo das exclusões de disciplinas por falta de interessados. Foram 2497 disciplinas excluídas no período de julho de 2020; em 2019, no mesmo período, foram 228. “Nós já sabíamos que seria assim, mas agora temos a experiência realizada. Precisamos demonstrar que esse método não nos serve”, disse o docente.

 

A professora Graziele Pena, representante da subseção do sindicato no Araguaia, relatou dificuldades com relação a compreensão da instituição dos aspectos humanos trazidos pela pandemia. “A instituição costuma achar irrelevante, mas são questões que fazem toda a diferença na relação ensino aprendizagem”, disse a docente.

 

Os participantes também falaram sobre a Portaria 1030/20 do MEC, determinando o retorno presencial das aulas em fevereiro, e voltaram a relatar situações com relação ao acesso dos estudantes ao conteúdo online por falta de internet. A própria Casa dos Estudantes (CEU) do Jardim Itália, responsabilidade da UFMT, está sem internet desde outubro de 2019.  

 

O estudante que representou a CEU na reunião declarou que há ainda outros problemas, como infestação de insetos por falta de dedetização, e até falta frequente de água, que a instituição não resolve.

 

Conforme encaminhamento da plenária anterior, o Sintuf/MT indicou os diretores Silvio Cardoso e Gisele Marques para representarem o sindicato no Observatório. Também houve alteração da representação estudantil. O estudante Tulio Henrique foi substituído por Alex Brian.

 

Nova plenária foi marcada para a quarta-feira, 09/12, às 14h, antes da reunião do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) para discutir a flexibilização na UFMT - agendada para 14/12. Os presentes na plenária deverão iniciar a elaboração de um documento marcando posição para encaminhar ao Conselho.

 

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

Quarta, 02 Dezembro 2020 09:59

 

 
 
Adufmat-Ssind, Sintuf-MT e DCE Cuiabá continuam o debate sobre "os efeitos da flexibilização sobre a comunidade acadêmica da UFMT" em plenária conjunta nessa quarta-feira, 02/12, às 14h.
 
  
O encontro será por meio da Plataforma Google Meet, e será possível participar clicando no link https://meet.google.com/tdr-zbgd-xqw (link atualizado).

Sexta, 27 Novembro 2020 17:59

 

Nessa quarta-feira, 25/11, docentes e estudantes se reuniram em plenária conjunta para debater os problemas da flexibilização do ensino na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) durante a pandemia. A reunião, que começou com diversas denúncias, terminou com uma série de sugestões de ações para enfrentamento nos próximos dias.

 

Entre os principais problemas relatados ainda estão a falta de estrutura adequada aos estudantes e docentes, além das barreiras que prejudicam o aprendizado efetivo à distância. Os presentes lembraram que, durante a campanha, a atual Reitoria prometeu ao menos as condições adequadas, internet, e até dinheiro, mas até o momento, nem isso garantiu.

  

De acordo com os relatos, a Casa do Estudante do Jd. Itália, por exemplo, está sem acesso à internet desde outubro de 2019, e os estudantes não conseguem participar com qualidade das aulas ou mesmo buscar atividades complementares. “Não é justo solicitar aos estudantes que foram para suas casas que retornem com a CEU nessas condições”, defenderam os representantes da Casa, rejeitando qualquer proposta “hibrida” de flexibilização – com aulas presenciais e remotas.  

 

Após o debate, docentes e estudantes decidiram criar um Observatório da Flexibilização para centralizar dados concretos acerca dos problemas relatados, como a evasão e o calendário de flexibilização, - esse último documentado por coordenadores de cursos da universidade no processo 23108087326/2020-92, além de materializar outras denúncias.

 

A ideia é que o Observatório seja um instrumento paritário, com participação igualitária de docentes, estudantes e técnicos administrativos. Matheus Padula, Tulio Henrique e Wesley da Mata são os discentes que se candidataram a representar os estudantes. Lélica Lacerda, Clarianna Silva e Bartolomeu Ribeiro de Souza se disponibilizaram a representar os docentes. O Sindicato dos Trabalhadores Técnico-administrativos (Sintuf-Ssind) será convidado, pois não havia representantes da categoria na plenária no momento da votação.

 

Os participantes também debateram sobre o pedido de vistas do processo que será debatido no Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão, a possibilidade de iniciar campanhas em conjunto, bem como solicitar manifestação das unidades.

 

As reuniões e assembleias unificadas devem ser mantidas até o retorno das atividades presenciais. A próxima já está marcada para quarta-feira, 02/12, às 14h.

 

Alerta docente!

 

Além dos problemas causados pela Flexibilização – até o momento, não obrigatória -, os docentes da UFMT estão em alerta com relação a outras frentes de ataque orquestrados pela Reitoria.

 

A Resolução 158/10 é um dos exemplos. Além de ignorar o debate colocado pela categoria desde 2016, a Administração tem tentado legitimar, por meio de consultas via e-mail, a recusa a direitos conquistados e adquiridos para docentes que não preencherem pontos no Plano Individual de Atividades (PIA). Vale destacar que os docentes que trabalham em Regime de Dedicação Exclusiva têm contrato de 40h semanais, o que, por si só, deve garantir a efetivação dos direitos. A demanda pelo preenchimento superior às 40h no PIA, que partiu da própria categoria, deve servir para demonstrar, além de trabalho extra, que a universidade deve garantir concursos para novos docentes pela alta demanda.  

 

Alerta também às consultas da Pró-reitoria de Ensino de Graduação a coordenadores de cursos sobre a possibilidade de impor a flexibilização do ensino a partir de 2021. Com isso, a Reitoria quer justificar, mais a frente e mais uma vez, que tomou decisões de forma democrática, o que não é verdade.

 

Alerta novamente às discussões sobre os direitos à progressão e aprovação dos relatórios de estágio probatório durante a pandemia. Por uma questão de segurança, a ausência da sala de aula não pode ser motivo de qualquer prejuízo à categoria. Essa tem sido a defesa do sindicato.

 

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind  

 

 

Segunda, 23 Novembro 2020 13:06

 

Pauta: os efeitos da flexibilização sobre a comunidade acadêmica da UFMT.
 
 
DATA: 25/11/2020 – (quarta-feira)
 
HORÁRIO: ÀS 14:00h
 
Pelo google meet
 
Para participar da Plenária, clique neste link: https://meet.google.com/yuj-cdwv-ywy
 

Sexta, 11 Setembro 2020 16:28

 

A pandemia de Covid-19 provocou o maior sentimento de luto da história do país, tirando a vida de mais de 125 mil pessoas até o momento. Mas apesar de, aparentemente, o vírus ter reduzido sua força de contágio, seus efeitos estão longe de acabar. Na Universidade Federal de Mato Grosso, além do adeus a colegas, companheiros, amigos e parentes, as perdas provocadas pela pandemia e pela flexibilização das atividades podem ser também profissionais e financeiras.

 

Por esse motivo, a Associação dos Docentes da Universidade de Mato Grosso (Adufmat-Ssind) solicitou uma reunião com a Reitoria, pois vários docentes relataram dificuldades com relação à finalização do estágio probatório, contagem de pontos para progressão funcional e até mesmo a garantia do emprego, no caso dos professores substitutos.

 

A reunião, realizada na manhã dessa sexta-feira, 11/09, terminou com o encaminhamento de parte das discussões ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe), apesar de todos os apelos da diretoria do sindicato, representada pelo diretor geral, Aldi Nestor de Souza, para que a Reitoria decidisse.

 

“Casos extraordinários são tratados de forma extraordinária. A Reitoria pode resolver essas questões tranquilamente, com uma portaria, como já fez outras vezes”, disse Souza, argumentando que os departamentos, faculdades e institutos tendem a respeitar as orientações da administração.

 

Para a Adufmat-Ssind, a Reitoria poderia determinar, excepcionalmente, que diante de tantos prejuízos causados pela pandemia, ao menos nesse quesito a instituição se mostraria solidária aos trabalhadores, aprovando automaticamente os estágios probatórios, as progressões funcionais e a continuidade dos contratos provisórios, independentemente da adesão desses docentes à flexibilização das atividades.

 

Embora tenha demonstrado compreender as questões trazidas pelo sindicato, o reitor, Evandro Soares – que espera ser nomeado pelo MEC para mais quatro anos de administração - preferiu não assumir posição e remeteu ao Consepe as discussões sobre estágio probatório e progressões funcionais, adiantando que o Conselho deve “ratificar o que já determina a resolução” - ao menos com relação ao estágio probatório.

 

Sobre as dificuldades relatadas

 

Com relação ao Estágio Probatório, as inseguranças dos docentes que estão na fase final do processo dizem respeito, especialmente, a etapa na qual os estudantes se manifestam com relação às suas aulas – a avaliação discente. Essa parte do processo ficou prejudicada para quem aderiu ou não à flexibilização, pois aulas presenciais e online não podem ser comparadas.

 

Quem não aderiu à flexibilização, assegurado pelo Artigo 11 da Resolução 32/2020 do Consepe/UFMT – “A adesão às atividades de que trata esta resolução serão realizadas em caráter voluntário, permitindo-se aos docentes, técnicos e estudantes engajarem-se ou não nessas ações, respeitando-se as condições psicológicas e estruturais de cada servidor e discente, sem prejuízos e/ou penalidades administrativas e/ou financeiras” – relata ainda que há pressão nos departamentos.

 

Domingos Sant’Ana, secretário de Gestão de Pessoas (SGP) e Eralci Therezio, da Comissão Permanente de Pessoal Docente (CPPD), sugeriram que a avaliação discente fosse feita após a retomada das atividades presenciais, com a ressalva anexada ao processo. O sindicato contestou. “É um direito do professor ser aprovado no estágio probatório. Ele fez o concurso, está se dedicando há três anos, e agora tem que esperar até o ano que vem? Ainda mais num momento em que está todo mundo sem emprego, sem garantia de nada. A universidade tem autonomia, por que agir nesse sentido? Os professores não são culpados e não vão ser punidos por conta de uma pandemia que afeta o mundo inteiro”, disse o diretor geral do sindicato, defendendo aprovação automática para todos os docentes que estão finalizando o estágio probatório.  

 

O reitor, no entanto, reafirmou sua preocupação com as resoluções. “A resolução do Estágio Probatório diz que o processo deverá conter avaliação de estudantes que assistiram às aulas, não dos que não assistiram. Para mim está claro nesse sentido. O professor não está em sala de aula, mas nem por isso ele está parado. Pode estar orientando, escrevendo um artigo, um livro, num projeto de extensão, cultura, arte. Não cabe ao Consepe ou à Reitoria medir. Quem tem atribuição de avaliar são os pares, os colegas, esse coletivo”, afirmou.

 

Embora a demanda do sindicato não tenha sido acatada pela Reitoria, a decisão sobre o que fazer nesse sentido, que será tomada pelo Consepe nos próximos dias, poderá incluir a possibilidade de eliminar a avaliação discente para todos em 2020, por ser um ano diferenciado.

 

Progressão funcional

 

Há docentes preocupados, pois, por conta da pandemia, não estão conseguindo contar os pontos para a progressão funcional que têm direito a cada dois anos.

 

Sobre esse assunto, a CPPD se manifestou no sentido de considera dois anos o suficiente para contabilização dos pontos, considerando 2020 ano típico, repleto de possibilidade de atividades para registrar além da sala de aula. A Reitoria seguiu na mesma linha de argumentação.

 

O sindicato, no entanto, relembrou que o debate é sobre um ano atípico. “Não há normalidade. Tem colegas nossos saindo do hospital agora, tem gente lidando com perdas. Nós perdemos professores, estudantes, técnicos. Não tem como fazer curso, como sugere a Reitoria. Essa é uma situação extraordinária em que as pessoas estão morrendo. Todo mundo atribuiu disciplina no início do ano, essa é a garantia para contabilização dos pontos”, defendeu Souza.

 

A CPPD afirmou que se o Plano Individual de Atividades (PIA) estiver homologado, vai contar na progressão funcional, mas a Reitoria optou por levar a discussão ao Consepe alegando que os professores que se dedicam apenas à graduação estão realmente prejudicados nesse sentido.   

 

Nesse sentido, a possibilidade poderá ser elaborar uma nova resolução, exclusiva para o período da pandemia.

 

Professores substitutos

 

Também há registros de professores substitutos que estão sendo pressionados a ministrarem disciplinas online sob a ameaça de ruptura de contrato. “Os professores substitutos, todos sabem, pegam muitas disciplinas nos departamentos e não têm garantia de nada. Com a pandemia, estão sendo pressionados a aderirem à flexibilização. A UFMT pode garantir que nenhum deles seja prejudicado por isso”, disse o diretor sindical.

 

Soares seguiu a linha de que se trata de uma questão legal, pois o que justifica a contratação do substituto é a demanda. “Não tem como sair dessa regra de que a contrapartida do professor justifica a contratação”, afirmou.

 

“Mas no início do ano havia a demanda. Os professores fizeram a seleção e começaram a dar aulas. É uma questão humanitária, eles planejaram dar aulas na UFMT durante o contrato, e por conta da pandemia não devem ser obrigados a fazer qualquer coisa para justificar a existência desse contrato”, respondeu o dirigente sindical.

 

A SGP afirmou que está mantendo os contratos vigentes, independentemente de o professor ter aderido à flexibilização ou não. “Autorizamos a prorrogação de contrato de professores que estão envolvidos em outras atividades, não só disciplinas. Não houve nenhuma recisão de contrato durante a pandemia”, garantiu o secretário.

 

Sendo assim, não houve outras deliberações nesse sentido, apenas que os casos de pressão ou assédio denunciados ao sindicato com relação aos docentes em estágio probatório e professores substitutos que não aderiram à flexibilização deverão ser levados à Comissão de Ética.

 

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

Segunda, 20 Julho 2020 15:31

 

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O Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
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Por Aldi Nestor de Souza*
 

          Apesar das inúmeras questões relativas ao acesso à internet, ao ensino e à aprendizagem, às condições psicológicas em que se encontra toda a sociedade por conta da pandemia, já amplamente debatidas no meio acadêmico, a flexibilização parece que vai avançar, pelo menos aqui na UFMT.
 
         A medida, do ponto de vista econômico, parece muito atraente para o governo federal. E nem estou falando do lobby das poderosas companhias telefônicas que vendem acesso à internet, nem das que vendem pílulas educacionais para a EAD. Falo de algo bem caseiro: da entrega voluntária de mais valia.  É que professores, técnicos administrativos e alunos(aqueles que conseguirem acesso) bancarão do próprio bolso  as contas da flexibilização: pagarão a internet, a energia elétrica, a água, usarão seus próprios computadores e farão a manutenção destes,  usarão, se tiverem, o próprio quartinho de casa, usarão seus próprios banheiros, gastarão sua própria água.  (considere e faça as contas de 8 horas de trabalho por dia, usando a luz, o ventilador ou o ar condicionado, a internet, a água de beber, etc,  tudo da sua própria casa).
 
          São professores, técnicos administrativos e alunos, assim como os entregadores de aplicativos, os motoristas de Uber, os infoproletários em geral, no dizer de Ricardo Antunes em Privilégio da Servidão, pagando pelos custos do trabalho.
 
         Só pra se ter uma ideia, segundo reportagem do circuito MT, de 17/07/2019, a conta de luz da UFMT, em 2019, foi de aproximadamente  21 milhões, o que dá então quase dois milhões por mês. Agora imagine a conta de luz de todas as universidades públicas do país(A conta anual de luz da UFRJ em 2017 foi 53 milhões), de todas as escolas sendo repassadas para os docentes ,os alunos  e os técnicos administrativos de cada instituição. 
 
         A universidade vai economizar também e deixar tudo por conta dos professores, os gastos com pinceis, gizes, apagadores,  xerox, impressões, papel, material de expediente em geral, limpeza e manutenção das salas de aula.
 
        A universidade também economizará com restaurante universitário e os estudantes pobres que dependiam decisivamente dele pra se alimentar, vão ter que arcar também com esse gasto.
 
       Eu falei, mais acima, em 8 horas diárias de trabalho, mas a flexibilização, o trabalho remoto em geral, são apenas variações do trabalho intermitente, nos mesmos moldes do que estabeleceu a contra reforma trabalhista de 2017. Não há hora pra começar, tampouco pra acabar. O martelar do smartphone vai transformar o dia, a noite, a casa, a família, o lazer, a hora de dormir, numa insaciável e indomesticável sala de aula.  Além de aumentar a carga horária, por óbvio aumentará também o estresse, a ansiedade  e os problemas de saúde  mais diversos.
 
        Só a título de ilustração desse, assim como a covid-19,  exponencial adoecimento, na Bahia, segundo pesquisa feita pela Nova Escola e veiculada pelo jornal Diário 24 horas, daquele estado, de 11\07\2020, 50% dos professores estão com problemas de saúde mental por causa do ensino remoto. Com o título “Preciso parar pra vomitar”: professores revelam bastidores da educação à distância,  o jornal exibiu matéria que ilustra, a partir de vários depoimentos de professores, os dramas mais inacreditáveis de um processo dito de ensino e aprendizagem e, mais geralmente, educacional.
 
      O governo federal, por sua vez, responde com desdém aos servidores públicos, em particular aos professores das universidades federais, abusivamente chamados de “parasitas” e de “”zebras gordas,  ameaça colocar uma ‘’ granada em seus bolsos’’ e atenta com medidas provisórias e projetos de Lei que planejam cortes de salários,  fim de concursos públicos, fim de estabilidade, fim de progressões  e até  com extinção da carreira.
 
          As universidades tem muito o que fazer nesse momento. Muito mais do que fazem usualmente nos seus semestres “normais”. Porque a sociedade está imersa numa crise sanitária devastadora e ainda sem previsão de acabar;   as universidades  tem um vasto acúmulo de conhecimento, nas mais diversas áreas,  tem laboratórios, tem estruturas de pesquisas, tem pesquisadores, tem professores, tem técnicos administrativos e tem estudantes. Portanto, tem uma estrutura gigantesca da qual a sociedade não pode abrir mão para fazer o enfrentamento ao problema.  E é disso que a sociedade mais precisa nesse momento. 
 
          Só a título de exemplo. O ginásio de esportes  pode virar um hospital de campanha.  As salas de aula podem se transformar em abrigo pra moradores de rua e pra imigrantes que perambulam em busca de um lugar pra dormir.  Voluntariamente, cada faculdade, cada instituto, junto com seus professores, estudantes e técnicos administrativos, podem , a partir de sua área de conhecimento, montar um plano de enfrentamento à covid. A administração da universidade deve dispor de todos os meios para isso e exigir do governo federal os recursos para bancar tudo isso.  Salvar a vida das pessoas é a palavra de ordem nesse momento e uma forma da universidade sair socialmente referenciada dessa tragédia.
 
          A sociedade não está interessada em respostas do tipo gravar uma vídeo aula, de um conteúdo que era estudado antes da pandemia, portanto, requentado e com chances de não fazer nenhum sentido no momento,  e mandar pra um aluno que a universidade sequer sabe se terá acesso. É importante notar que ninguém sabe que profissões vão sobreviver à pandemia. Ninguém sabe, ao menos , se a vida nas cidades ainda será viável. Uma prova disso é o vai e vem das grandes metrópoles do mundo que vez ou outra retornam com as restrições e quarentenas por conta de novas ondas do vírus.

          A sociedade está exigindo uma resposta, pelo menos, inteligente. Ela tampouco está interessada em saber de professores que assumem os custos do trabalho pra gravar essas vídeo aulas.  Pagar os custos do trabalho, precarizar-se,  os uberizados dos aplicativos lá fora já fazem, não precisa de uma estrutura como uma universidade pública pra ensinar a fazer isso.
 
        É preciso entender que essas aulas remotas na pandemia, seja qual for o meio, atrapalham a sociedade, pois fingem uma normalidade que obviamente não existe e portanto apenas ajudam a legitimar os governantes que minimizam a pandemia, praticam o negacionismo, ridicularizam com a ciência, expõem a sociedade ao vírus, aprofundam e normalizam o genocídio e portanto dificultam as chances de termos uma solução para o problema.

      É preciso parar, pensar e usar a extraordinária estrutura que a sociedade legou às universidades par que elas, universidades, apontem enfrentamentos  concretos e científicos ao problema.

        Se os professores não conseguem entender isso e se submetem a gravar  vídeo aulas para iludir os alunos,  a si mesmos  e pensar que com isso enganam a sociedade, aí as universidades se transformam , de fato, num lugar bastante duvidoso e com,  justificável, pouquíssimo reconhecimento da sociedade.
 
 
*Aldi Nestor de Souza
Departamento de Matemática-ufmt-Cuiabá
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