Quinta, 04 Junho 2020 16:09

 

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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
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Por Roberto de Barros Freire*

  

A discussão nacional sobre o Covid tem girado ao redor de três eixos: os problemas de saúde, os problemas econômicos e os problemas políticos, onde há um claro confronto entre o governo federal e os demais entes federados, municípios e estados. Nada ou quase nada se tem debatido sobre os problemas educacionais que a doença está acarretando e irá acarretar ao sistema educacional nacional, seja no nível fundamental e médio, seja no nível superior. Cada instituição de ensino toma as suas decisões, seguindo em parte a política das secretarias de educação, seja municipal, seja estadual, sem uma política nacional do MEC.

O que se assiste é um misto de improviso e falta de percepção dos problemas que temos diante dos nossos olhos, onde sem uma discussão mais profunda, sem inclusive um fórum para a sua realização, cada escola reage da sua forma aos problemas educacionais. Concretamente, o que se avista, são escolas e universidades que fingem que educam, e os alunos parecem fingir que aprendem. Pais de alunos preocupados com o suposto ensino a distância, que depende da participação dos pais ou tutores, que sem tempo e sem acreditarem nesse sistema de ensino improvisado pelas escolas e faculdades, se lamentam da situação. Ora, tirando o ensino à distância que já existia no ensino superior, que tinha uma certa tecnologia e contava com estudantes predispostos a este sistema de ensino, a experiência tem sido lamentável; pais e estudantes reclamando desse improviso, e professores se mostrando incapazes de lecionarem nessa sistemática, por não terem preparo para esse tipo de ensino, ou nem terem computador e acesso à internet também.

Ora, o que esse vírus trouxe à tona, é a grande desigualdade social, e a necessidade de se criar políticas para se atender as necessidades básicas das classes menos privilegiadas. Como se pode propor ensino à distância num país que 30% da população não tem acesso a internet e menos de 50% tem computador para realizar estudos pelas redes sociais? E os que tem acesso à internet, o fato é que a internet nacional é de péssima qualidade, mesmo que bem paga, e a maioria das pessoas só tem o celular para acessar os sites e salas de aula virtual, o que inviabiliza a educação, quando se tem que ver gráficos, mapas ou mesmo ler textos mais extensos.

Enfim, o que ficou claro é que temos que dar condições aos estudantes pobres, fornecendo um computador para todos os estudantes, e melhorar a internet, com internet gratuita nos bairros populares, nas favelas e na periferia. Isso foi o que fez os países que se preocuparam com a escolarização da sua população, o que nunca ocorreu em solo nacional, que trata a educação como um gasto e nunca como um investimento na população.

Na minha opinião, o certo seria cancelar esse ano escolar, fazer dele um preparo e uma discussão das atitudes que se deve tomar para a nova realidade que teremos pela frente, com a convivência com essa pandemia. O ensino que sempre foi precário aqui no Brasil, será nulo nesse ano. Os jovens não estão sendo preparados para entrarem nas universidades e os que ingressaram nas universidades não estão estudando. O ENEM que foi adiado, deveria ser cancelado; sua manutenção excluirá os alunos pobres, 30 % do total dos inscritos.

Naturalmente, há sérias consequências se tomarmos essa decisão. Será necessário dar ajuda financeira às escolas privadas para que possam arcar com suas despesas de pagamento dos funcionários e professores, assim como com os custos do espaço físico. Será necessário a distribuição de computadores para as crianças que não tenham esse instrumento, que já é obrigatório em quase todas as escolas do mundo. Será necessário dar cursos e formação aos professores que só foram treinados para o ensino presencial, além de computador e internet que não possuem.

Mas, ao invés de ficarmos fingindo que estamos educando nossos alunos, devemos nos propor a nos preparar para um novo ensino que deverá surgir após essa pandemia. Ao invés de tamparmos o sol com uma peneira grossa, devemos nos engajar numa preocupação nacional pela formação dos nossos estudantes. Devemos perceber que os materiais de ensino não podem ser apenas merenda e livros ou cadernos, mas também computador e internet, a única forma de ser incluído no mundo contemporâneo.

 

*Roberto de Barros Freire

Professor do Departamento de Filosofia/UFMT

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Segunda, 25 Maio 2020 15:01

 

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Roberto de Barros Freire*

 

Há vários mitos que circulam pela opinião comum, decorrentes fundamentalmente da falta de ilustração das pessoas. O mito só aparece nos discursos a-históricos, ou seja, quando não se conhece como o objeto ou o fenômeno surgiu e se desenvolveu, e se atribui causas e efeitos fantásticos para explicar o evento. Assim, os mitos são originários da fantasia dos homens, que quando não sabem da explicação real ou verdadeira, apela ao fantástico para justificar a ocorrência. É algo que se originou em tempos primitivos, quando os homens não sabiam distinguir o imaginário do real, e permanece até hoje nas mentes pouco instruídas, que acabam acreditando em tudo que dizem, quando o dito corrobora suas crenças pessoais.

Um dos mitos recorrentes em solo nacional é que as Forças Armadas são eficientes, capazes e honestas. Eficiência nunca comprovada, capacidade nunca testada e honestidade nunca avistada. Recentemente, inclusive, segundo a imprensa, milhares de militares acabaram recebendo R$ 600,00 de ajuda aos mais pobres, enganando os organismos estatais que distribuem tais recursos, tirando recursos dos necessitados. Na época da ditadura, ainda que houvesse censura, sabe-se dos custos astronômicos de suas obras, em particular em Itaipu, na ponte Rio-Niterói e na Transamazônica, todas obras faraônicas e superfaturadas, mas como na época não se podia noticiar, ficou escondido da população comum, sendo que essas informações só eram visíveis em certos meios. Mesmos com os jornais censurados, dava-se um jeito de avisar do problema, por vezes, como fazia o Estadão, colocando receita de bolo, para mostrar que o jornal havia sofrido censura.

A formação dos militares é muito fraca, basta ver o que disseram os generais palacianos na semana passada, pegando números errados, fazendo comparações de coisas incomensuráveis e atacando todos os entes civis, para preservar os militares e o presidente. A imprensa, o judiciário, o legislativo estão todos errados e só os militares estão certos, eis o discurso dos militares, o típico discurso infantil e autoritário, que busca mais culpados do que contribuir com a sociedade. Quando informaram nossos números da Covid, omitiram que há uma subnotificação, que varia de 5 a 15, dependendo do cálculo que se faça, ou seja, de cada caso notificado pode haver de 5 a 15 casos a mais não notificados. Falaram da Suécia, mas não informaram que ela tem números piores do que todos os estados escandinavos vizinhos que tiveram a política de distanciamento social, para compararmos com Estados equivalentes em condições de saúde e assistência social, o que não é o caso de se comparar com o Brasil, como erroneamente fizeram, que tem um péssimo serviço de saúde ou de assistência social. E o que é pior, os militares, que são portadores de recursos e meios para ajudar na saúde, pouco disponibilizam tais meios para a sociedade civil, ficando subutilizados apenas para militares. Não vejo os médicos e hospitais militares engajados na luta contra a pandemia. Não vejo eles utilizarem seus recursos de transportes para transportar a população ou técnicos. Não vejo montarem seus hospitais de campo em todo país, em particular no Amazonas que está um caos.

E mais ainda, não têm formação humanística, sendo preparados para matar homens, não para salvá-los. Uma formação arcaica, atrasada, sem perceberem que a vida humana é mais importante que a formação bélica, cada vez mais algo que o mundo precisa menos, visto que não há mais guerras de anexação, algo que acabou ao fim da segunda guerra.

As forças armadas são mais uma ameaça à sociedade civil do que uma garantia constitucional, como falsamente alardeiam; elas obedecem mais ao superior que a lei, que é o ordenador máximo da nação. Os militares estão tomando todos os postos civis e as coisas estão piorando. Piorou as derrubadas e queimadas nas nossas florestas. A saúde, as estradas, os minérios, enfim onde estão, pouco ou mesmo nada melhorou. Muitos acham que eles são capazes de tudo, mas na verdade são pouco capazes na maior parte das coisas que dizem respeito a vida civil.

Além disso, são dos funcionários públicos os mais privilegiados. Trabalham pouco, recebem muito e se aposentam cedo, e com altas aposentadorias, mais do que recebiam na ativa. Hoje em dia, tomando os postos do Estado, estão cada vez mais ameaçando a sociedade civil e a política, querendo transformar problemas políticos em questões técnicas, nada mais falso e a forma mais segura de acabar com a política. O exército é a maior ameaça à paz civil que sofremos atualmente, pois como mostra a história, eles inventam pretextos para darem seus golpes, como ocorreu em 64. Em nome de “inimigos” imaginários, derrubam os civis e impõe sua tirania. É um mito que os militares estão do lado da sociedade civil; seus altos custos operacionais retiram recursos fundamentais da educação, da saúde e da segurança, em detrimento de todos. Se há alguém que está praticando a desobediência civil é Bolsonaro, que quer passar por cima da autoridade dos governadores, do STF e do Congresso. Quer impor suas idiossincrasias e não respeita as esferas de decisões cívicas.
 
 
*Roberto de Barros Freire
Professor do Departamento de Filosofia/UFMT
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Sexta, 15 Maio 2020 14:12

 

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Por Roberto de Barros Freire*

Bolsonaro não se cansa de afirmar que o povo está com ele. Será? Estatisticamente isso não é verdadeiro. Seus seguidores são no máximo 30% da população, e com tendência crescente de baixa. Cada vez mais as pessoas estão percebendo o despreparo do governo. Se teve mais eleitores, esses hoje estão arrependidos, e abandonando o presidente.


70% não concordam com ele, nem confiam, nem acreditam, nem o querem. Há meia dúzia de gatos pingados, financiados sabe-se lá por quem, que vão adulá-lo nos seus passeios pela capital, atrapalhando a vida do cidadão, ameaçando a todos, a imprensa, ao STF, ao Congresso, e ele acha que essa parcela insignificante é o povo; é parte, e a parte ruim da população, que é uma pequeníssima parte.


Golpistas, terroristas, pessoas que agem contra a lei, e que representam uma ameaça às instituições republicanas e ao cidadão comum. Clamam por um golpe de estado, por uma quartelada, pela morte da esquerda, dos juízes, dos deputados e senadores. Esse é o povo do Bolsonaro. A maior parte da população está em casa, distante dessas atividades antidemocráticas, antirrepublicanas, atrasadas, contra a ciência e o bom senso.


Esses maus cidadãos sequestraram a bandeira e as cores nacionais, como Collor em idos passado também o fez. Como os militares também fizeram na ditadura. Na verdade, envergonham a nação perante o mundo civilizado, como Collor e os militares fizeram no passado, utilizando um símbolo para aparentarem algum tipo de patriotismo que desconhecem o verdadeiro sentido. Patriotismo não é carregar bandeiras ou vestir verde e amarelo, isso é coisa de torcedor da seleção. Patriotismo é atuar para a melhoria das instituições nacionais, não contra elas. Esses supostos patriotas levam também bandeiras de Israel e dos EUA, contra a vontade de ambos, que se sentem ofendidos de serem associados com essas manifestações antidemocráticas, atrasadas. Os israelenses não se cansam de reclamar de Bolsonaro e do Ernesto Araújo de menosprezarem o nazismo, de falarem mentiras sobre ele, associando-o a atividades presentes. De um lado, querem ampliar a maldade de setores sociais atuais, falsamente, e por outro lado desconhecem a especificidade do nazismo, cuja maldade é algo sui generis na história humana, movimento só visto uma vez na história, e esperamos que pela última vez, ainda que tenha tolos seguidores até hoje, principalmente entre bolsonaristas. Lembram do antigo secretário de cultura plagiando nazistas?


Enfim, nada sabem sobre patriotismo, nazismo, nem mesmo sobre comunismo ou esquerda, ou mesmo sobre valores morais e éticos. São assassinos em potenciais, basta ver o exercício bárbaro de ficar atirando objetos contra figuras nacionais em faixas: se pudessem fariam com os próprios. Se pudessem matariam a todos que consideram inimigos das suas crenças impróprias para a vida civilizada, que significa respeito a diversidade, e a defesa da pluralidade, não sua eliminação.


Seremos obrigados a fazer o mesmo que se fez com Collor, começarmos a sair de preto, para mostrar nossa insatisfação com essa patifaria de patriotismo chulo, tacanho, retrógado.


Quero a bandeira de volta, que ela não sirva para vestir péssimos brasileiros, que nem apreciam as instituições nacionais e não respeitam a maioria da população que não é golpista, nem aprecia quartelada.


É preciso com urgência que tanto o Congresso como o STF atuem para limitar a sanha golpista de Bolsonaro, que estimula e patrocina essas atividades antipolíticas e antirrepublicanas dos seus seguidores. Já deveriam ter agido contra esses movimentos e repreendido Bolsonaro. Não é possível termos que ficar aturando essas pessoas agindo contra a república e a nação, mas principalmente contra o povo, realizando atos nitidamente contra as instituições e a favor de golpes violentos contra os seus inimigos políticos, que são bem mais do que 80% da população. É preciso investigar de onde vem o dinheiro para financiar esse movimento dos apoiadores de Bolsonaro, com carro de som, bandeiras, faixas, bonecos; tudo isso custa muito dinheiro: quem está financiando esses maus patriotas?
 
 
*Roberto de Barros Freire
Professor do Departamento de Filosofia/UFMT
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Segunda, 11 Maio 2020 13:03

 

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Por Roberto de Barros Freire*
 

Todas instituições republicanas estão colocadas sob estresse, tendo um presidente tentado ultrapassar seus limites, romper com suas competências e estabelecer a sua ordem, ou melhor, desordem. Com ultrajes cada vez mais fortes, ele desafia os limites da lei na tentativa de impor o que quer. O presidente não suporta os limites das leis, e que suas atribuições são superiores ao que seus seguidores desejam que faça. Ele não percebe que deve governar para todos; ao invés de entrar em conflito com tudo e com todos, pensar mais em salvar a nação do que a sua presidência.


Uma presidência miúda, pequena, agressiva, baixa, cujo objetivo mais claro é acomodar sua família e seus cúmplices ao Estado, distribuindo regalias e cargos. Não é uma política nova, o que é novo é o nepotismo explícito, e ficar mais brigando contra os demais do que trabalhando pelo país, mais passeando pelo país do que ajudando os diversos lugares.


É a tentativa de destruir o passado e sem capacidade para criar o novo, pois antes de ter qualquer plano de país, tem inimigos que quer sufocar, perseguir, dificultar, contrariar, buscando prejudicar com as miudezas. E, infelizmente, cercado por incompetentes ou por  militares, que pensam a vida de forma dualista – amigo ou inimigo, sem formação humanista, sem sensibilidade antropológica e sem competência cívica, pois tem competência bélica, querem tratar os problemas políticos como se fossem técnicos, ou como se todos devessem obediência sem reflexão, ou sem discussão.


Na verdade, Bolsonaro usa os militares, o estigma de confiança que desfrutam na população brasileira, trazendo-os para os diversos postos e instância do Estado. Mas, isso não funciona se não há uma diretriz clara, ou sem alguma grandeza do governante, coisa que não se avista. Pelo contrário, é um mal exemplo para a maioria das pessoas, debocha das pessoas, das mulheres, dos índios, dos LGBT, dos professores, dos negros, das mulheres de chefes de Estados, das nações, dos organismos internacionais, do Congresso, do STF, da imprensa; ofende a inteligência de todos e mente compulsivamente, negando as mentiras registradas pelas câmeras, desconversando, fingindo que é brincadeira, ou liberdade de expressão.


Por enquanto, só os ricos, os folgados, em carros de luxo, saem para apoiar Bolsonaro, bem poucos. Mas, aumenta o número daqueles que percebem a incompetência presidencial. Falta perceber a maldade, o uso da máquina pública para se beneficiar, para espionar os outros, seus inúmeros desafetos. Em breve, os descontentes sairão em grande número para protestar contra o aumento do autoritarismo, pela incapacidade de realizar melhoras sociais ou econômicas, pelos procedimentos erráticos, por se colocar contra a grande maioria de nós, contra outras nações. Perceberão que temos o líder político mais ignorante e isolado do mundo, que jogou o Brasil na sarjeta do globo, um país que não é mais convidado para deliberar sobre os problemas sérios do mundo, que são ultrajados e esculachados pelo presidente.


Não! Não teremos desenvolvimento, teremos regresso, um governo atrasado e que caminha para coisas atrasadas. Um governo que tenta criar um caos confrontando as instituições, para criar as condições para um golpe, com apoio dos militares, que até o momento não se colocaram claramente contra às intenções bolsonaristas. Um presidente que incentiva e alimenta golpistas, terroristas prontos a matarem a população civil para se imporem com seus atrasos, que passeiam impunemente pela capital nacional e por diversas outras capitais, sem punição, agredindo a todos, às leis, ameaçando a sociedade civil e as instituições, desafiando as autoridades.


Se as autoridades não julgarem e prenderem esses terroristas, que sequestraram a bandeira nacional, as nossas cores, contra o próprio país, caminharemos para uma guerra civil. Eles não são dignos de carregarem a bandeira, nem portarem nossas cores, são todos contra o Brasil. É capaz inclusive de muitos terem casas em países da Europa ou nos Estados Unidos, de gastarem seus lucros extorsivos no exterior, visto inclusive que muitos tem carros importados, ou seja, beneficiando a indústria estrangeira e sem prestigiar a indústria nacional. É preciso que haja um julgamento exemplar desses indivíduos adeptos do terrorismo, de derrubar as instituições, de agredir a imprensa, e o cidadão comum, porque, covardes, estão sempre em bandos de arruaceiros. Se nada for feito, chegará o momento que teremos que fazer justiça com as próprias mãos, pois o Estado não está protegendo a sociedade civil.


 
*Roberto de Barros Freire
Professor do Departamento de Filosofia/UFMT
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Terça, 05 Maio 2020 14:16

 

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Por Roberto de Barros Freire*

 

O atual ministro da saúde que foge da imprensa, dos governadores, dos compromissos com a sociedade, é apenas um fantoche. É visível até seu constrangimento diante das câmeras de televisão, por ter que fazer um esforço gigantesco para não mencionar o isolamento social como prática necessária diante do crescimento da doença. Um exercício de contorcionismo para fugir da verdade dos fatos.


Afirmou na semana passada que a pandemia estava diminuindo no país, e hoje vemos que ela está aumentando, e muito, não é pouco não, milhares de vezes mais do que gostariam as autoridades. Muito mais do que previa o atrasado Osmar Terra, conselheiro do presidente, que olha a medicina com olhos moralistas ao invés de científicos.


Diante do enorme crescimento dos números, o que o ministro (sic!) faz? Diz que os números são diferentes em diferentes lugares do país, um tratado geral do óbvio. E o que recomenda? Nada, silêncio absoluto. Não pode dizer para mantermos o isolamento social ou o ampliemos, como seria o recomendado pela medicina e ciência, pois isso desagradaria o chefe, e ele está lá para servir ao chefe, não o país. Não diz o que fazer, nem ao menos recomenda que usemos máscara e higienizemos as mãos. Enfim, ele está lá para constatar a praga e nada fazer, e desconversar com a nação sobre as atitudes a serem tomadas. Nada a recomendar, nada a defender, nada a dizer nem ao menos para as famílias das vítimas que não tiveram uma UTI e que agora nem têm onde serem enterrados seus mortos. Fica dizendo que precisa melhorar os números, mas nem melhora a testagem, nem toma atitude com os números desagradáveis que já temos, e que se melhorar a amostragem, vai piorar ainda mais o quadro de infecção, o que deveria obrigar, se fosse sensato e não um capacho de Bolsonaro, a pensar em alguma instrução para a ampliação do isolamento social, para educar os bolsonaristas a não agirem contra o país em suas manifestações.


É uma vergonha ver um adulto prestar um serviço tão servil, tão medíocre, com atitudes mais de um servo ou escravo do que de uma pessoa livre e autônoma. Pode ser médico de formação, mas é um office boy do presidente. Tenho dúvidas se ele sabe a gravidade que vivemos, tão encantado está em agradar e servir seu dono, digo chefe.


Nossa saúde que nunca foi uma prioridade das autoridades governamentais, nem teve muitos recursos para consertar seus gargalos históricos, está acéfala, doente, incapaz de ser uma liderança e a indicar as recomendações necessárias para atravessar a pandemia. A troca de Mandeta foi uma aposta na doença, pois a doença talvez sirva a Bolsonaro para dar uma desculpa pelos resultados pífios que tem a oferecer com seu governo errático e criminoso. A doença parece servir aos interesses inconfessáveis do presidente, que como mostram as manchetes, apenas tem sarcasmos para aqueles que lhe indagam: “E daí? ... quer que faça o quê?”, diz o presidente desaforado diante do número de mortos. Queremos que ele tome uma atitude de gente grande e razoável. Temos que torcer que os governadores mais sensatos melhorem a saúde, pois a depender do governo federal, estamos em péssimas mãos. Nossa saúde caminha para o coma.


Temo que o mesmo ocorrerá agora na Justiça e na Polícia Federal, com pessoas que estarão a serviço do presidente, não do país. O presidente cerca-se de capachos e aduladores, como o ministro da saúde, que lá está para fazer a vontade do líder, não o que obriga a lei.
 
*Roberto de Barros Freire
Professor do Departamento de Filosofia/UFMT
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Segunda, 04 Maio 2020 11:27

 

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Por Roberto de Barros Freire*

 

Demorou mais tempo do que esperava, mas o lado tirânico e golpista de Bolsonaro não conseguiu ficar escondido, ele não consegue mais se conter e apareceu esplendoroso na sua briga com Sergio Moro, querendo que o ministro usasse a polícia federal para obstruir a justiça, para esconder fatos relacionados a sua família, ou ainda ter informações sigilosas de outros. Durante toda sua vida política, Bolsonaro sempre se colocou favorável a ditaduras militares, a favor da tortura, da pena de morte, enfim, considerava que a ditadura brasileira tinha matado pouco, que deveria ter matado uns 30.000. Ele sempre foi favorável a que o Estado controlasse a sociedade civil, que deve ser tutelada por militares, segundo ele, os únicos capazes de controlar o povo. Sempre foi favorável a censura e perseguição dos inimigos políticos, e nunca teve outra intensão, senão utilizar o Estado a seu favor, como sempre fez nos seus mandatos como deputado federal. Sempre defendeu os milicianos e até distribuiu medalhas para eles, ele e os perversos filhos que sempre mamaram nas tetas do Estado.


Sempre teve uma visão totalitária do Estado, considerando que o governante deve ser capaz de tudo, até agir contra as leis, se for do interesse do ocupante do poder, e se esse ocupante for um militar. As leis, as instituições sociais, os diversos poderes todos devem estar submetidos a ele, e não suporta dividir o poder: ele é a constituição, afirmação dele digna de um absolutista, nunca de um republicano, que é servo das leis, não seu senhor. Se finge obedecer às leis e os demais poderes não é por convicção, mas porque não tem força suficiente para obrigar os demais a se submeterem. Seu intuito, cada vez mais visível, é destituir todos que tenham alguma competência e possam ofuscar sua baixa estatura, ou impeçam de usar o Estado a seu favor, e assim impor um caos na sociedade, para que possa justificar o uso de força e dar um golpe. Se há um golpista em Brasília, não está no congresso (ainda que também haja muitos por lá), está antes no palácio do planalto, um golpe contra a constituição, as instituições e o povo.


Ele não quer que seus subalternos e subordinados hajam de acordo com a lei e sua competência, ele quer utilizá-los para retirar vantagem de tudo, da polícia federal ao procurador da república, do ministro da saúde, aos órgãos de informação, tudo deve estar direcionado para legitimar suas loucuras, seus gostos pessoais, suas mediocridades, suas ousadias de tentar passar por cima de tudo e de todos, em particular do Congresso e do STF. Ele quer usar a polícia federal para investigar seus desafetos políticos.


O discurso da escolha dos ministros por competência é uma falácia; escolhe os mais serviçais, os que menos possam ofuscar sua figura, aqueles que mais adulam seu ego minúsculo. Quer pessoas que combatam os diversos setores sociais que tenham uma visão distinta da dele. Ele não quer um chanceler, ele quer um capacho que se engaje nas suas lutas ideológicas. Ele não quer um médico no ministério da saúde, mas alguém que defenda sua loucura. Ele não quer um juiz no ministério da justiça, mas alguém que o favoreça em qualquer contenda contra seus inimigos, que é a grande maioria da população.


Tanto o Congresso como o STF têm obrigação de investigarem as graves acusações de Moro, de tomar uma posição sobre os procedimentos presidenciais. Da saída e discurso para um movimento antidemocrático e terrorista há poucos dias, querendo derrubar instituições republicanas, à forma como ele procede com seus subordinados querendo não apenas fidelidade, mas cumplicidade em atitudes pouco republicanas, tudo tem que ser esclarecido. Não faltam motivos para o impeachment, falta coragem e discernimento dos deputados e senadores. Nós temos um governante que age contra a nação e é preciso que tomemos uma atitude digna e de maturidade. Ele tira força e dinheiro de um Estado empobrecido, e fica jogando a população contra si mesmo, induzido seus seguidores a atitudes ilegais e imorais. Ele presta um desserviço a todos nós. O ideal seria que renunciasse, que não tivéssemos que gastar energia num processo de impeachment, mas não devemos esperar grandeza de alguém pequeno, minúsculo, miúdo e desonesto.


 
*Roberto de Barros Freire
Professor do Departamento de Filosofia/UFMT
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Quarta, 22 Abril 2020 14:06

 

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Esses que não respeitam o isolamento social e que não fazem parte daqueles responsáveis pelas atividades essenciais, serão responsáveis por termos que ficar ainda mais tempo nessa quarentena, ampliando a reclusão. Ainda que não sejam a maioria, havendo uma grande obediência as normas de saúde, esses desobedientes são em grande quantidade. Mais ainda, incentivados pela presidência e ignorantes, insensatos, afora saírem em contraposição à norma civilizatória da saúde, poderão causar mais danos, propagando a doença, não havendo hospital para todos, não havendo respiradores para todos, nem UTI, nem ambulância, teremos corpos espalhados por todo lado.


Alguns só perceberão que o Coranavirus é grave quando perderem alguém próximo. A arrogância de se achar acima dos demais, que as doenças não os pegam, e pode ser até que não a sofra, mas a espalhará aos demais, levando para alguém próximo. Ora, é preciso que se perceba que deve haver um esforço coletivo, que não devemos nos dividir, com cada um fazendo o que quer do seu jeito. É preciso civismo e humanismo nesse momento, se perceber como parte do todo, responsável por si e pelos demais.


O que se vê, infelizmente, no país, é uma minoria pedindo não apenas desobediência às normas de saúde e civilizatória, a abertura do comércio e de toda atividade econômica, mas um golpe de Estado, que as forças armadas imponham uma nova ditadura, enfim, algo não apenas contra a saúde, mas um ato criminoso, de terrorismo, que deveria ser punido exemplarmente por estarem proclamando e propagando atos contra a constituição e a imensa maioria da população. Esses poucos loucos acham que são o povo, quando é um bando de gente arrogante com carro importado passeando pela cidade, enquanto o povo está ou trabalhando nos serviços essenciais, ou em casa não propagando o vírus. O povo mesmo está também nos ônibus, está em bairros afastados, está em condições sofríveis de existência, e em grande número, muito maior do que dos carros, e desses infames a proporem o fim da democracia e sem ver a grande maioria; só circulam pelas avenidas refinadas. Não querem conversar como afirma o nosso débil presidente, querem impor a todos suas prescrições fundamentadas nas suas vontades egoístas e mesquinhas tão somente. Falta pouco para esse insano achar que é preciso alguma atitude de força sobre a nação, quando inflamados pelo doido todos desobedecerem a tudo, como nos induz o comportamento errático de Bolsonaro.


Esses que se acham superiores aos cientistas, sábios e a grande maioria da humanidade civilizada, que seguem o isolamento social como forma de mitigar os males da doença, não apenas são péssimos cidadãos, são contrários à humanidade. São favoráveis à ditadura, à tortura, à morte, ao extermínio de tudo (as instituições) e de todos (a oposição). Enfim, devem ser repreendidos, processados e multados, pois que esses só têm no bolso a sensibilidade da sua pequena alma. Sentem mais a perda dos bens do que das pessoas.


Se todos seguíssemos o isolamento, maciçamente, o aumento da epidemia seria contido, e teríamos tempo suficiente para novos remédios e para uma vacina. Teríamos garantido que teríamos recursos hospitalares para abrigar a todos, e algum tempo para nos preparar melhor para o crescimento da doença que sempre pode ocorrer, visto que não temos ainda anticorpos para esse vírus, por ser um vírus novo e desconhecido.


Devemos ignorar o presidente e seus fanáticos seguidores, e num gesto político proclamemos que seguiremos a ciência, os sábios, a experiência bem sucedida dos outros povos, não as vontades presidenciais, que sem base em nada que não seja sua visão estreita e pequena, proclama como se fosse superior a todos do planeta regras equivocadas e prejudiciais. Ainda que cada um esteja em sua casa, estamos juntos contra a doença, esperando o momento certo para retomarmos as atividades normais. Continuemos seguindo as autoridades competentes para nos instruir, os médicos e a ciência.

 

 
*Roberto de Barros Freire é professor do Departamento de Filsofia/UFMT

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Segunda, 30 Março 2020 18:59

 

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Por Roberto de Barros Freire*


Não estamos em época de excessos, de supérfluos, de luxo, ou mesmo de ostentação, não vemos nem somos vistos, se estamos cumprindo com o isolamento sanitário. Estamos numa época de contenção, mesmo para aqueles que têm muito, temos que buscar o essencial, o fundamental, o parcimonioso, o mínimo necessário, pois temos que economizar aqui para poder ajudar ali. Estamos num período de esforço coletivo, para que todos sobrevivam com o mínimo de perdas humanas ou econômicas.


Mas, bem mais do que isso e da fatalidade do vírus, é um período de mostrarmos civismo, maturidade, compromisso com o bem comum, engajamento no movimento sanitário nacional, num humanismo nacional e globalizado. Atitudes como de Bolsonaro e dos bolsonaristas são posições não apenas antipolíticas e predatórias contra a população pobre, a grande maioria que não pode andar de carro como os empresários, os ricos, mas principalmente são ações contra a ciência, contra as evidências dos fatos, contra a política e contra a população.


Bolsonaristas querem que façamos o mesmo erro cometido pela Itália e a Espanha, que em nome do turismo e da economia se continue trabalhando. Hoje arrependidos italianos e espanhóis aconselham a prática do isolamento social para mitigar a pandemia. O fato é que para não prejudicar o turismo, acabaram prejudicando todos, e o turismo está parado. Solicitar que todos fiquem em quarentena para evitar o crescimento exponencial da doença, é tão somente um ato de racionalidade social. Ser contrário a isso é ser ignorante e desumano. Pior ainda, são péssimos patriotas; não querem salvar a pátria, mas seus negócios, mesmo que sacrificando a pátria. É uma ação contra a sociedade.


Esses maus patriotas que só pensam nos seus negócios, que andam de carro, mas quer obrigar seus empregados a utilizarem o transporte púbico lotado e propício à propagação da doença, para trazerem lucros ao patrão, mais que emprego aos empregados, são desonestos e mal intencionados.

Ignorantes e seguindo um ignorante, os bolsonaristas pensam que podemos decidir o que é certo pelo voto ou pressão política, quando não estamos em condições de deliberar sobre nossa vontade ou mesmo ambições, ou sobre o que podemos ou não fazer (e o mal é capaz de qualquer coisa), mas entendermos e cumprirmos com nossos deveres. O que está em questão é o que devemos fazer e como fazer, e não se podemos escolher qualquer coisa.


É a ciência que nos mostra como agir politicamente, e não como o aloprado presidente e seu séquito querem, a política estabelecendo o que só a ciência pode determinar. A questão não é se queremos ou não ficar em quarentena, se a economia vai sofrer ou não, mas que devemos agir assim para evitar uma pane social, com os serviços de saúde entrando em colapso. A sociedade precisa sobreviver ao pane econômico, mas antes precisa sobreviver à doença.


Devemos dar uma resposta contundente a esses ignorantes que pregam contra a razão, o bom senso, a lógica e até mesmo contra a religião, para continuar ganhando dinheiro. Os ricos nunca querem dar sua cota de sacrifício e esperam apenas as tetas do Estado para se salvarem.


Ricos tolos, maus brasileiros, péssimos cidadãos, egoístas e mesquinhos, querem que soframos o mesmo que a Itália e a Espanha estão sofrendo, querendo repetir os mesmos erros deles. O que está em jogo não é apenas um problema econômico, mas humanitário, civilizatório, patriótico e político. Ou nos unimos para nos potencializarmos ou continuaremos a desperdiçar energia, uns combatendo os outros como faz Bolsonaro, jogando uns contra outros, população contra autoridades. Esses que lutam contra a imensa maioria da população, mais do que não ajudar, o que já é bem sério, atrapalham, prejudicam a todos.


Insensatos e desumanos, não percebem que o dinheiro lhe tirou muito da sensibilidade, tanto que não conseguem ver ou agir para acabar com a pobreza. A campanha de volta ao trabalho, que vem sendo preparada nos porões palacianos, além de racista e degradante, apenas contribuirá para aumentar o número de mortos entre os mais pobres. Não deixemos esses maus empresários propagarem suas ignorâncias!
 

*Roberto de Barros Freire
Professor do Departamento de Filosofia/UFMT
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Quarta, 25 Março 2020 13:51

 

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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
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Por Roberto de Barros Freire*


  

A fala presidencial desse 24/03/2020 foi histórica. Não por bons motivos. Novamente o presidente chama uma cadeia nacional, e sem querer bem direcionar os cidadãos dessa nação ou se juntar a comunidade política e social, no seu esforço e sacrifício para mitigar os males que o vírus, ridicularizado pelo presidente, causa, mas tão somente aparece para expressar sandices de seus achismos, de sua ignorância, de sua burrice e de sua estupidez. É preciso que se diga, esse presidente é estúpido, e não é uma ofensa, é um termo descritivo. Sem empatia com a população que está pagando um alto preço pelo confinamento, destila mentiras e falsidades, e zomba de todos.


Quase infantil, se porta mais como um adolescente arrogante e presunçoso, que precisa ser tirado de cena, pois fica destilando ofensas para todo lado, desafiando a todos, nunca uma pessoa madura que exerce um cargo que exige responsabilidade, ser magnânimo, ter maturidade e visão alargada. Inseguro, vê em tudo ameaça ao seu governo, ou desafio a sua autoridade ou poder, que na realidade não tem. Tem apenas a força do Estado que usa com violência, visto ser um bruto. Apenas debocha de todos nós, a grande maioria que não votou nele.


Todos nós estamos empenhados em tentar impedir que o sistema de saúde entre em colapso. Cada um de nós está dando sua cota de sacrifício, deixando liberdades elementares, como o direito de ir e vir, para em conjunto com todos demais cumprirmos regras elementares, que a ciência e a matemática em particular mostram que se descuidarmos as coisas podem escapar do controle e muitos morrerão, e a suposta crise econômica que sofreremos por praticarmos contenções sanitárias será infinitamente inferior ao caos econômico que ocorrerá com multidões de doentes morrendo por todo lado, como na Itália, que deixaram o vírus correr solto no começo. A falta de visão do presidente não percebe que as perdas econômicas serão infinitamente maiores se deixarmos a doença progredir. E, diga-se de passagem, a economia é a única coisa que preocupa o Bolsonaro.


Contra todos nós, a imensa maioria da população sã, que sabe o preço e já está pagando essa conta de ter que ficar em casa, sem poder trabalhar e muitas vezes sem ter renda alguma, de estar recluso cuidando de si e de muitos outros, em particular crianças e idosos, vem o desaforado e fala que tudo que fazemos é bobagem, que ele é o único ser certo nesse mundo, que pela primeira vez interrompe uma olimpíada, como se fosse apenas um alarmismo da imprensa? E as ciências, e todos os cientistas do mundo, e todos os demais estadistas, com exceção do Mexicano, outro desvairado, aloprado como Bolsonaro, estão loucos? Até Trump se rendeu as evidências da ciência. O presidente está zombando de todos nós, nos chamando de idiotas, nos ofendendo. Ora, se não quer ajudar, tudo bem, mas atrapalhar o esforço nacional é algo insuportável. É imoral. É inconstitucional. Ele ir contra as próprias diretivas do ministério de saúde é um absurdo total, é um desperdício de energia, dinheiro, racionalidade. O ministro, se tivesse dignidade, pediria renúncia.


O fato é que cada vez mais se mostra que tem menos a apresentar, que não sabe se portar diante dos desafios que deve enfrentar um governante, que não tem noção dos problemas reais que temos que ultrapassar para passar essa fase da existência, que não está altura do cargo que ocupa, está apenas preocupado com sua popularidade, e quer encontrar algum culpado para o crescimento pífio que teremos em termos econômicos. Um governo precisa apresentar algum resultado, pois as críticas aos governos passados culpando por tudo que acontece, acaba revelando que o governo não sabe o que fazer para mudar essa herança depois de algum tempo. Esse tempo já chegou. Já se passou mais de um ano desde a posse. Não queremos mais críticas ao passado, mas propostas para construir um futuro melhor. Não queremos ouvir o que os governos passados não fizeram, mas o que esse governo fará!


O que está posto claramente é que o presidente é empecilho ao desenvolvimento, e se algum progresso houver, será apesar do presidente, e não através de suas políticas.


Um presidente imaturo, incapaz de perceber a gravidade do momento, incapaz de liderar a nação, incapaz de ultrapassar seu umbigo, incapaz de empatia, cercado de aduladores não pode perceber o momento político, e que é preciso unir os homens e não jogá-los uns contra os outros como é tão ao gosto do presidente, que quer antes destruir opositores e não busca uma convivência. Não quer o diálogo, mas o monólogo. Quer tão somente a submissão de todos aos seus arroubos de poder, não a crítica construtiva; cerca-se de aduladores, mas não tem com quem se aconselhar.


A classe política tem o dever de livrar a nação desse indivíduo que joga contra a população, que pensa mais em si do que no país. Eles foram eleitos para fiscalizar o governante, e caso ele não se mostre à altura da sua função, deve destitui-lo. Pior do que está com certeza não ficará.


 

*Roberto de Barros Freire

Professor do Departamento de Filosofia/UFMT
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Sexta, 20 Março 2020 13:51

 

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Por Roberto de Barros Freire*

  

Bolsonaro supõe um apoio popular unânime a seu projeto que não é aferido em pesquisas de opinião. Pressupõe falar em nome de uma maioria inexistente; da grande maioria daqueles que nele votaram, que não é a maioria da população. E entre muitos dos seus eleitores, alguns concordam com algumas coisas, nem com todas, e nem com as maiorias, pois boa parte dos votos bolsonaristas, foram ante PT, mais do que pró Bolsonaro.


Com problemas na saúde pública e impactos no bolso, a população brasileira não vê em Bolsonaro um chefe de Estado à altura do cargo. O governo faz baderna política, inclusive convocando marchas infecciosas contra o Congresso e o Judiciário, pelo golpe militar, querendo chantagear os outros poderes.
Com declarações nas quais busca minimizar os impactos da pandemia e trata como exageradas algumas medidas que estão sendo tomadas no exterior e por governadores de estado no país, mesmo pelo seu ministro da saúde. Afirma sandices como o vírus está superdimensionado, é muito mais fantasia do que realidade, outras gripes mataram mais, as pessoas estão entrando em neurose ou histeria, não é tudo isso que dizem, querem o pior do país, principalmente a imprensa. Mentiras, ofensas, sandices, irresponsabilidade, hipocrisia de Bolsonaro.


O presidente que já carregava um cardápio pesado de problemas antes do coranavirus (por ofensas e mentiras que dissemina), diante da crise sanitária, comprova com nitidez inédita ser um inepto e um estorvo, para o país. Se dúvida ainda restava sobre a incurável incapacidade de Bolsonaro de exercer a função, foi enterrada com a sua aparição diante dos manifestantes, depois de desaconselhar anteriormente.


Num momento parece um adulto compenetrado no problema, em outro é um adolescente (aborrecente) petulante que faz o que quer contra tudo e todos. Que brade que se pegar a doença o problema é dele, mas inconsciente e perigosamente ignorante diante do fato, que ele é um possível transmissor da doença. Não pensa nos outros apenas em si e no seu sucesso medíocre nas redes sociais. Seus 15 minutos de fama vão acabar e será devidamente esquecido como um profundo e nefasto equívoco. O país está ficando cada vez pior, do ponto de vista social, político, econômico e moral. Só cresce o ódio e o ressentimento.


No último domingo, milhões de brasileiros estavam preocupados com as consequências do coronavírus para suas vidas: onde deixar os filhos pequenos e como alimentá-los, agora que as escolas começam a fechar; como proteger os idosos da família; como evitar o contágio no aperto do transporte coletivo; o que vai acontecer com o meu emprego, o meu bico, o meu pequeno negócio ou com a minha empresa quando a economia parar. Como conviver vários indivíduos em espaços reduzidos dos barracos e cortiços.


Mas o atual governante e seus seguidores só têm a oferecer ódio, despreparo e ignorância, combatendo a democracia e a civilidade, querendo derrubar a constituição.


Não temos alguém que seja capaz de orientar as pessoas. Bolsonaro está preocupado com a sua imagem, está preocupado com os seus panelaços, com as suas manifestações, está preocupado em se autodenominar mito. Ele nos faz perder tempo com suas idiotices e mesquinharias.


O país precisa tomar uma posição rapidamente; não podemos deixar mais um presidente que muitos consideram que deveria perder o poder só por insanidade, como Miguel Reale e Merval Pereira se manifestaram nessa semana, desvirtua dos problemas reais para encampar suas lutas tolas e atrasadas. O país está retrocedendo em todos os níveis, econômico, político, cultural, social, moral, ecológico, civilizatório e humano.


Um governante louco e ignorante que nos levará a uma catástrofe social, destruindo as instituições democráticas, atacando a honestidade de todas, como fez recentemente colocando em dúvida a justiça eleitoral. Lança maldades no ar, e espera que os fanáticos criem uma história conspiratória, para não verem o mais elementar; precisamos de um presidente que nos governe, não que nos jogue uns contra os outros.
 

*Roberto de Barros Freire
Professor do Departamento de Filosofia/UFMT
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