Terça, 07 Junho 2022 16:49

Gastos de R$ 21 milhões com despesas secretas: a farra de Bolsonaro com o cartão corporativo

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Gastos de R$ 21 milhões com despesas secretas: a farra de Bolsonaro com o cartão corporativo

 

Bolsonaro gosta de fazer pose de homem simples para seus apoiadores e em frente às câmeras, mas, na vida real, os gastos do cartão corporativo da Presidência da República revelam uma verdadeira farra com o dinheiro público, de acordo com uma auditoria feita pelo TCU (Tribunal de Contas da União).

Um relatório sigiloso do Tribunal, ao qual a revista Veja teve acesso e divulgou na última sexta-feira (3), revela que, entre janeiro de 2019 e março de 2021, Bolsonaro gastou R$ 21 milhões no cartão exclusivo para uso do presidente.

Segundo a reportagem, ao longo de 95 dias no ano passado, auditores do TCU analisaram arquivos dos chamados recursos de suprimentos de fundos, dinheiro destinado a custear despesas de caráter secreto pagas com cartões vinculados à Secretaria de Administração do governo, sendo dois cartões permanentemente em posse de Bolsonaro.

 

R$ 2,6 milhões em alimentos

Em apenas um ano e três meses de mandato, somente com a compra de alimentos para as residências oficiais de Bolsonaro e de seu vice o general Hamilton Mourão foram gastos R$ 2,6 milhões, o que representa um gasto médio por dia de R$ 96.300. Para efeito de comparação, nos dois últimos anos do governo Temer foram gastos R$ 2,33 milhões, média de R$ 97 mil.

Segundo os técnicos do TCU, foram desembolsados também 2,59 milhões de reais para alimentar toda a tropa de seguranças e o pessoal de apoio administrativo nas viagens do presidente e do vice pelo país. Na gestão Temer, o valor foi menor: R$ 1,3 milhão. Com gastos com combustível, o ex-capitão gastou cerca de R$ 420 mil, 170% a mais do que o antecessor.

R$ 16,5 milhões em viagens

Os gastos em alimentação chamam atenção principalmente num momento em que a inflação e o aumento da fome castigam o povo brasileiro, especialmente os mais pobres. Mas, o maior volume de despesas ficou concentrado para bancar as viagens de Bolsonaro, do vice e sua comitiva. Foram R$ 16,5 milhões em pagamentos de hospedagem, alimentação e apoio operacional.

Na soma estão incluídos ainda, conforme a auditoria do TCU, gastos com “caronas” no avião presidencial de figuras como os ministros da Economia, Paulo Guedes, das Comunicações, Fábio Faria, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, e da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Eduardo Ramos, que viajaram não para agendas públicas ou compromissos oficiais, mas para curtir feriados fora de Brasília ou assistir a partidas de futebol em São Paulo e no Rio de Janeiro. Outras dezessete autoridades ou convidados e seus familiares também aproveitaram do privilégio.

“A utilização da aeronave presidencial para transportar, em viagens de agenda privada, pessoas que não são seus familiares diretos, bem como pagamento de despesa de hospedagem de pessoas que não são autoridades ou dignitários, sinalizam aproveitamento da estrutura administrativa em benefício próprio. Tais situações afrontam os princípios da supremacia do interesse público, moralidade e legalidade”, diz trecho da auditoria do TCU.

Recente reportagem do jornal Folha de S.Paulo também destacou que desde o início do mandato, Bolsonaro viajou a passeio pelo menos 15 vezes durante feriados prolongados, folgas e até mesmo em dias de expediente. Foram temporadas nos litorais paulista, catarinense e baiano, idas a jogos de futebol, "motociatas", cavalgadas, "lanchaciata" e afins em que o presidente de ultradireita aparece dirigindo jet skis e motos ou andando em cavalos, se divertindo em camarotes de estádios de futebol, parques de diversão, restaurantes ou aproveitando um dia de sol nas praias do litoral brasileiro.

Mamata card

#MamataCard, #VagabundoDaRepública, #JairGastaOBrasilPaga tem sido alguns dos assuntos mais comentados nas redes sociais nas últimas semanas, que cobram a divulgação com transparência dos gastos com o cartão corporativo e o fim da farra com dinheiro público.

O relatório do TCU, divulgado pela revista Veja, compreende o período dos treze primeiros meses de mandato do Bolsonaro. Mas um levantamento do deputado federal Elias Vaz (PSB-GO), com base em dados do Portal da Transparência, mostram que Bolsonaro gastou outros R$ 4,2 milhões nos cartões corporativos entre 1º de abril e 5 de maio deste ano. Ou seja, a farra continua e tudo sob sigilo absoluto, com a desculpa esfarrapada de que trata-se de “segurança nacional”.

Essa farra acontece em meio à crise social vivenciada pela classe trabalhadora, especialmente os mais pobres, que sofrem com a disparada dos preços dos alimentos e combustíveis, ameaça de despejos, desemprego, aumento da informalidade e outros graves problemas sociais. É um escárnio com o povo brasileiro! 

Fora Bolsonaro e Mourão, já!

 

Fonte: CSP-Conlutas (com informações de Veja e Folha de S.Paulo)

 

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