Quarta, 25 Novembro 2015 19:45

NOVEMBRO AZUL 2015

JUACY DA SILVA
 
Há poucos  dias  foi encerrada a CAMPANHA OUTUBRO ROSA, que  representa um alerta para as mulheres  e seus familiares quanto aos riscos doCANCER DE MAMA e a importância dos  exames  preventivos para diagnosticar  precocemente este  tipo de doença, que a cada ano mata quase 20 mil mulheres   em  nosso país
Agora, com  o estímulo da OMS - Organização Mundial da Saúde,  estamos no início do  NOVEMBRO AZUL, mes  dedicado ao alerta mundial quanto aos perigos  e riscos que  o CÂNCER DE PRÓSTATA oferece  aos homens que, principalmente por machismo ou ignorância, se recusam  a realizar os exames  preventivos, incluindo o famoso,  detestável  e temido TOQUE  RETAL,  fundamental, além  do exame de sangue PSA, para detectar com muita precocidade a existência  de câncer de próstata.  Outro exame  nesta bacteria de prevenção  contra o câncer de próstata e outros mais é a ultrasonografia do abdomem.
Em 2015 estão previstas 245.641 mortes por câncer no Brasil, incluindo todos os tipos  da doença, ambos os sexos  e todas as faixas  etárias. Desse  total pouco mais da  metade , 132.126 das vítimas serão homens, mais do que o dobro de todos os assassinatos que tanta notícia  e  medo  infunde na população brasileira  que vive a mercê da bandidagem.
Isto demonstra que além da violência percebida e denunciada pelos diversos meios de comunicação, também existe uma enorme violência oculta que está vitimando centenas de milhares de pessoas  todos os anos .  Muitas, talvez a grande maioria,  dessas  mortes poderiam ser evitadas, se a saúde pública funcionasse a contento  e não fosse  o caos que atualmente a  caracteriza, principalmente pela incompetência e incúria de nossas autoridades. Em dez  anos o Ministério de saúde deixou de aplicar mais de R$185 bilhões , apesar  de que o  OGU – Orçamento Geral da União contemplasse  recursos para vários programas que  não  funcionam a contento, isto é um crime contra a população perpretado pelos  nossos governantes.
Voltando ao NOVEMBRO AZUL,  neste ano  - 2015 – o câncer  de próstata  deve ser a causa de morte para 18.850 homens, um aumento de 9,5% na mortalidade por este tipo de câncer  em 3 anos, pois em 2012 morrerram 17.218 homens  por  esta causa. As  previsões  do Globocan –organismo de pesquisa e monitoramento de câncer , ligado a OMS,   indica que entre 2015 e 2035, o número de mortes  por câncer de próstata no Brasil deve aumentar em 105,1%, passando de 18.850 mortes  neste ano para 41.469  óbitos  dentro de 20 anos.  O mais alarmante é que a cada ano, devido ao envelhecimento da população  brasileira, o percentual de mortes por câncer  de próstata vai atingir muito mais  homens  com mais de 65 anos  de idade, passando de 89,4%  em  2015  para 92,8%  em  2035.
Segundo dados e estimativas do Globocan,  entre 2012  e 2035  só de câncer  de próstata deverão morrer nada menos do que 658.303  homens no Brasil, número igual a  3,5 vezes  mais do que todas as pessoas mortas  em  Hiroshima e Nagasaki  devido ao bombardeio atômico feito pelos EUA em 1945 e fato que ainda hoje causa tanta  consternação no mundo todo.
Todavia, diante  de tantas mortes por todos os tipos de câncer e principalmente de câncer  de próstata em nosso país, este sofrimento de milhares de pessoas , seus familiares e amig@s, parece nada representar, principalmente para nossas  autoridades públicas que relegam a um plano secundário  as necessidades e o  sofrimento do povo, principalmente as camadas mais pobres,mais humildes e excluidas da sociedade  e que precisam  aguardar meses ou anos nas filas dos  serviços  especializados  do SUS, um Sistema falido pelo descaso de nossos governaantes.  Este descaso é um verdadeiro crime contra o povo e um desrespeito incabível contra os direitos dos pacientes, principalmente os portadores  de câncer, que merecem não  apenas  nossa solidariedade, mas fundamentalmente, terem  seus direitos rconhecidos.
Nossa Constituição, a chamada Constituição Cidadã e a Lei de criação do SUS estabelecem que “saúde é um direito de todos e dever do Estado”. Todavia, como tantos dispositivos legais em nosso país, para milhares de pessoas que sofrem, mesmo  recorrendo `a  justiça para  gaantirem  o direito a vida, acabam sucumbindo, tudo  isto é letra morta ou apenas belas frases de  efeito, longe  da realidade de quem enfrenta esta vergonha que é  a nossa saúde pública.
A burocracia, o descaso de nossas autoridades, a incompetência dos orgnismos públicos, principalmente de saúde e a corrupção estão matando, assassinando milhares de pessoas inocentes no Brasil, diversas vezes mais do que todos os assassinatos e mortes no trânsito que tanto aterrorizam a população.
Que   este  NOVEMBRO  AZUL  sirva para uma reflexão mais profunda sobre esta questão  do câncer de próstata  e a saúde pública em nosso pais  e que, fruto dessas reflexões,  possamos  dar novos rumos `a política  e programas de saúde  pública antes que a  mortalidade aumente  ainda  mais.
JUACY DA SILVA,  professor universitário, fundador, titular e aposentado UFMT, mestre  em  sociologia,articulista  de jornais, sites e blogs. Email O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy

Quarta, 25 Novembro 2015 11:23

Medicina

Estatísticas recentes indicam que mais de cinquenta milhões de brasileiros, para não serem vítimas da omissão constitucional do Estado, utilizam algum plano ou seguro de saúde para sua manutenção pessoal. 
Comercializada, a relação médico-paciente desaparece, surgindo um vínculo voltado ao lucro, inviabilizando o exercício da medicina hipocrática, pontuada muito bem pelo Presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM). 
O médico passa a ser chamado de “prestador de serviço” e o cliente de “usuário”. 
O antigo facultativo é remunerado pelas leis do mercado, e os contratos de serviços prestados receberam o apelido de “pacotes” e “pacotinhos”. 
Os honorários profissionais desapareceram dos trabalhos médicos e o mercantilismo atingiu também o ensino da medicina, onde centenas de novas escolas foram autorizadas a funcionar a partir de 2003, sendo que 69% delas são privadas. 
As mensalidades nessas escolas privadas chegam a atingir a incrível cifra de onze mil reais mensais, ficando na média de cinco mil e quatrocentos reais. 
O Ministério da Educação, através de normas, define critérios para um município sediar uma escola médica, entretanto, os mesmos nem sempre são respeitados, segundo o Conselho Federal de Medicina. 
Essas escolas, assim criadas e implantadas, confiam na cumplicidade ou incapacidade de fiscalização do MEC que, com deficiência de técnicos e recursos financeiros, acaba com os sonhos dos estudantes de frequentar uma qualificada casa de ensino. 
Dessa forma, a segurança dos pacientes com bons médicos no sistema de saúde termina frequentemente em enorme frustração. 
É oferecido à população um ensino-aprendizado de péssima qualidade, formando profissionais com insuficiência de conhecimentos científicos para o exercício da mais humana das profissões. 
É intolerável esta realidade, que tem como sustentação, apenas, ganhos empresariais e ambições político-partidárias. 
Temos de tratar de obter propostas de interesse público, e apagar esse vergonhoso quadro.

Gabriel Novis Neves
26/10/2015

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