Quinta, 06 Junho 2019 09:24

 

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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
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Por Aldi Nestor de Souza*
 
 

A reportagem madrugou na casa de Alberto e se encarregou de contar cada detalhe de sua rotina: a hora em que acorda, faz compras no mercado de orgânicos, faz as tarefas do lar, prepara o almoço e os molhos do empreendimento. Mostrou ainda o beijo de bom dia na patroa, a cara de sono das crianças, o cocô do cachorro.

Alberto, segundo a reportagem, deu a volta por cima. Um exemplo de quem sabe superar os tempos de crise. No dizer da televisão, “ele é uma inspiração.” A reportagem disse ainda que Alberto anda ganhando mais do que ganhava quando trabalhava na empresa. Sem contar que é o patrão de si mesmo.

Alberto foi gerente de uma empresa graúda. Tinha carteira de trabalho com assinatura, décimo terceiro garantido, férias, fundo de garantia, direito as horas extras e mais de mil pessoas sob seu comando. Ele tem curso de graduação em administração de empresas e mestrado em gestão de negócios. É casado com uma professora e tem dois filhos. Torce pelo Palmeiras. Gosta de jogar vídeo game, de assistir séries e de ler. Lavar a louça, varrer a casa e fazer a comida também fazem parte de suas tarefas do lar.

A matéria tinha como objetivo, exclusivamente, o sucesso do empreendimento.  Depois de demitido e de passar quase um ano em busca de um novo emprego, Alberto decidiu trabalhar por conta própria e montou um carrinho-barraca de sanduiches naturais e de sucos de frutas, que funciona numa ponta de calçada, no centro da cidade.

Ele inovou nos sabores, nos ingredientes, nos nomes dos lanches e tem sanduiches pra todo mundo: pra quem é vegetariano, pra quem é vegano, pra quem é corintiano. A venda se dá à tarde, a partir das 15 h. Fica até às 19: 00h ou enquanto durar o estoque.

A reportagem o seguiu até a calçada do trabalho. Alberto deu entrevista satisfeito, sorriu entre as falas, concordou com o entrevistador sobre os temas: perseverança, criatividade,  esperança, auto estima, molho de tomate, salvar o planeta, comer menos carne, cair de boca nos naturais,  comida saudável, saúde, o gosto do jiló. Alguns clientes também engrossaram o caldo das falas e teceram lá seus elogios de tela.

Vendo todo aquele alvoroço, me ocorreu o seguinte fato: durante o trabalho, caso haja necessidade, onde será que Alberto faz xixi? Sim porque, no carrinho-barraca, que a TV mostrou todos os pormenores, não há espaço pra banheiro. Além disso, ele faz a venda sozinho, o que significa que, mesmo que consiga descolar um banheiro nas proximidades, não tem com quem deixar os sanduiches. Imaginei que ele deve se valer de um saquinho  e mijar ali mesmo, nas proximidades dos quitutes, das ervilhas, dos molhos , das carnes, dos orgânicos.

Essa situação me remeteu a de seu Madruga, personagem do seriado, Chaves, também famoso na TV. No episódio “A venda de churros’’, seu Madruga, também em um momento de crise econômica, torna-se sócio de dona Florinda e passam a fazer e vender churros. É de seu Madruga a tarefa de fazer a venda, na rua, em uma barraquinha também de ponta de calçada. Um certo dia, na hora de um aperto insuportável, seu Madruga pede ajuda ao Chaves para que olhe à barraquinha enquanto ele vai ao banheiro. Quando volta, Chaves, que é paupérrimo e famoso por suas trapalhadas,  havia comido todos os churros.

Pois bem, considerando que Alberto sai de casa todos os dias por volta das 13:00h , em alguma hora da tarde o xixi deve lhe bater à porta.

É claro que eu poderia ter pensado outras coisas, por exemplo: e se ele ficar doente? Se sofrer um acidente? Se alguém da família adoecer? E os dias de chuva? Mas isso poderia soar como agouro e resolvi pensar em algo mais prático, e inevitável, tipo mijar.

Tudo bem o sujeito não ter carteira assinada, não ter décimo terceiro salário, não ter direito a férias, não ter fundo de garantia, não poder adoecer, não poder sofrer acidente, mas não ter aonde dar uma mijadinha aí já é demais.

 

*Aldi Nestor de Souza
Professor do departamento de matemática/UFMT-CUIABÁ
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Terça, 30 Abril 2019 10:04

 

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Por Aldi Nestor de Souza*
  

Maria estuda numa faculdade particular de Cuiabá e trabalha como garota de programa. Jovem, muito bonita, corpo sarado e culta, ela é o que, nos dias de hoje, chamam de acompanhante de luxo. Filha única, ela mora com os pais que fingem não saber da prostituição.
 
O cafetão é seu ex-professor do ensino médio. Trabalhar pra ele tem a vantagem de ter garantia de sigilo.
 
Os clientes, selecionados via cadastro, são pessoas da mais alta classe social da cidade: deputados, vereadores, políticos em geral, produtores de soja, além de várias outras autoridades, todos dispostos a pagar, e muito, por horas de prazer sexual.
 
Maria diz que se apresentar como universitária, no mundo da prostituição, é de grande valia e é apenas por isso que ela faz a faculdade. Além disso, ela lê bastante e fala inglês e espanhol.
 
Ela está com vinte anos e, além de malhar, costuma correr e participa intensamente das atividades culturais da cidade. Quando o tempo permite, compete na corrida de Reis, vai às festas de santo, visita a expoagro e também as exposições de artes plásticas. Maria conhece a obra de muitos artistas matogrossenses e curte, particularmente, Gervane de Paula, Humberto Espíndola e João Sebastião.
 
Maria diz que participar da vida social da cidade é uma forma estratégica de chamar a atenção de seus clientes. Antes de cada programa, procura se informar da pessoa e já chega nos encontros com a conversa pronta. Ela costuma dizer:
 
“ Se o cliente é desses metidos a intelectuais, falo de artes, dos museus. Tenho até aquela frase besta decorada: “a arte existe porque viver não basta”. Nem sei quem disse essa bobagem, mas quando digo isso qualquer pessoa pensa que eu levo arte a sério e cai na minha conversa”.
 
“Se é alguém que cheira a bosta de vaca, falo da expoagro, dos animais, das raças, dos rodeios, dos shows de música sertaneja, que eu odeio, mas sei fingir que gosto. Esse é um jeito de fazer qualquer trouxa virar cliente cativo e assíduo”.
 
“Se é alguém com cara de bobo, tipo um atleta ou essas pessoas que curtem esportes, falo de academia, de minhas participações na corrida de reis, de meus treinos, de outros esportes. Enfim, tento entrar no mundo da pessoa de forma a ela acreditar que eu a considero e a levo a sério.”
 
Maria pretende seguir na prostituição, pelo menos enquanto seu corpo e sua mente aguentarem. Suas amigas, que também fazem programa, por julgarem sua beleza muito acima da média, questionam o fato dela não querer fazer outra coisa, seguir outra profissão. Laura, uma das mais próximas, lhe pergunta.
 
— Por que você não tenta a carreira de modelo, Maria?
 
— Porque cada pessoa tem o direito de escolher como quer se prostituir, Laura.
 
Até conhecer Jaime, um produtor de soja que mora em Cuiabá e tem uma fazenda lá pras bandas de Campo Verde, Maria nunca havia se apegado afetivamente a nenhum de seus clientes. O que lhe atraiu em Jaime, logo na primeira vez que saíram, foi o fato dele só mijar num penico.
 
—Como assim, Jaime, você trouxe um penico pro motel?
 
— Sim, trouxe. Pra onde vou levo essa mochila com meu penico. Só gosto de mijar nele. É que não tenho muito boa pontaria e não gosto de sujar a borda do vaso sanitário.
 
Essa declaração fisgou a atenção e, ao que parece, o coração de Maria, que considerou esse gesto de rara sensibilidade nos homens.
 
—Nossa, Jaime, estou chocada! Não sabia que existia alguém tão sensível assim. Desde quando você usa penico?
 
—Desde a adolescência.
 
Mijar num penico marcou tanto Maria que agora, de vez em quando, ela se pega pensando em Jaime, assim como fazem os apaixonados,  e  aos poucos a relação foi se estreitando.
 
— Quer dizer que você curte feiras agropecuárias, Maria, e até frequenta a expoagro?
 
—Sim, curto e vou à feira de vez em quando. Gosto muito de ver aqueles animais bem cuidados.
 
— O que mais você costuma fazer em suas horas vagas? A gente poderia fazer uma viagem pro pantanal, passar um final de semana, o que você acha?
 
— Adoraria ir pro Pantanal, Jaime. Conheço pouco de lá, só fui até o comecinho, ali em Poconé.
 
— Então tá combinado. Vamos marcar depois a data.
 
Jaime foi também o primeiro cliente que Maria reviu por acaso, em seus passeios pela cidade. Foi numa noite de Bulixo, lá no Sesc Arsenal. Ele estava na fila pra comprar comida. Tinha no ombro sua inseparável mochila, com uma das mãos segurava o filho pequeno e com a outra abraçava a cintura da esposa.
 
Maria deu meia volta.
 
Jaime não a viu.
 
 
*Aldi Nestor de Souza

Professor do departamento de matemática da UFMT/Cuiabá
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Segunda, 22 Abril 2019 15:55

 

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Por Aldi Nestor de Souza*


 

Fabião das Queimadas viveu no século dezenove, no sertão do Rio Grande do Norte. Era negro, escravo, analfabeto, poeta e músico. Compunha versos de cordel e sabia tocar rabeca.  Ele tinha concessão, do dono da fazenda onde trabalhava, para, nos finais de semana, andar pelos povoados vizinhos a tocar, cantar e recitar seus poemas (Fonte:  Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.)

Dizem que, com os trocados que recebia nessas incursões no mundo da arte, conseguiu juntar dinheiro e comprar sua alforria, a de sua mãe e a de sua sobrinha, com quem veio a se casar.

O cordel mais conhecido de Fabião é o Romance do Boi Mão de Pau, que foi adaptado por Ariano Suassuna e pode ser apreciado, em qualquer internet, tanto na forma de texto, quanto em vídeo, na voz solene do músico pernambucano Antônio Nóbrega.

Muito sucintamente falando, o romance conta a história de um boi muito valente que se negava a viver preso. Mão de Pau, como era conhecido, fugia de qualquer curral, pulava qualquer cerca, arrebentava qualquer corda, desafiava qualquer vaqueiro, qualquer patrão, qualquer ordem estabelecida.

Um dia o dono de Mão de Pau resolveu prendê-lo a qualquer custo. Chamou tropa grande de bons vaqueiros, providenciou cordas resistentes e rumou pro mato à sua procura. A tropa o encontrou nas proximidades de um alto rochedo, a famosa Serra Joana Gomes. Quando percebeu a tropa, Mão de Pau rumou em direção à serra. E quando se sentiu acossado e teve certeza da iminente prisão, subiu até o gume da serra e de lá se jogou rumo à morte.

Por esse dias me lembrei de Mão de Pau ao saber que o ex-presidente do Peru, Alan Garcia, que governou seu país por 10 anos, havia se matado para evitar a prisão.

Guardadas as devidas proporções, as causas e circunstâncias de um e de outro caso, a semelhante morte, inevitavelmente, aproximam cruamente a metáfora poética de Fabião com a realidade do ex presidente. Vida e morte, liberdade e prisão, fuga.

Na adaptação de Suassuna, o romance caminha pro fim através da seguinte estrofe:

“Silêncio. A serra calou-se no poente ensanguentado. Calou-se a voz dos aboios, cessou o troar dos cascos. E agora, só, no silêncio deste sertão assombrado, o touro sem sua vida, os homens em seus cavalos.”

E o tempo mostrou que não nascem mais bois como Mão.  Eles são amansados ainda na concepção. E já nascem confinados, regulados, com dia e hora marcados para morrer. Não tem mais pasto livre, campo solto, rochedo à vista, vaqueiros a desafiar. Mal mugem. São meras mercadorias. Mesma cor, mesmo comportamento, mesmo tamanho, mesmas arrobas, mesmo destino.  O abate!

Na tragédia peruana, um revólver se fez serra; uma bala, precipício; um disparo, um salto. Silêncio em todas as cordilheiras da América Latina. Calou-se a voz das denúncias? Cessou o troar dos repórteres?  O ex presidente sem sua vida; a polícia, amada ou não, com seus coturnos, suas fardas, suas armas, suas investigações, seus espetáculos.  

A morte do ex presidente nada mudará na história da América Latina.  Será apenas mais uma morte. E não contribuirá em nada para que o continente avance e venha a debater a “corrupção” com um mínimo de seriedade. Continuarão as caçadas policiais cinematográficas, em busca dos “culpados”, para gozo e delírio dos simplistas,  e continuaremos míopes no processo, sem entender nada, desejosos apenas de prisão, crentes na justiça, crentes no estado burguês.

Continuaremos condenando a América Latina, historicamente espoliada, ultrajada, vilipendiada, a seguir abastecendo, de matérias primas básicas e de mão de obra barata, o mundo “desenvolvido” e vamos nos contentando com as séries policiais televisionadas, que expõem os “ladrões locais”,  nos criam a sensação de justiça, nos iludem e nos fazem crer que, com esse comportamento, o capital e o livre mercado vão, um dia, livrar o nosso lombo do chicote.

Precisamos livrar a América Latina de ser como os bois que sucederam Mão: que já nascem confinados, regulados, com dia e hora marcados para morrer. Não tem mais pasto livre, campo solto, rochedo à vista, vaqueiros a desafiar. Mal mugem. São meras mercadorias. Mesma cor, mesmo comportamento, mesmo tamanho, mesmas arrobas, mesmo destino.  O abate!

 
*Aldi Nestor de Souza
Departamento de Matemática/UFMT-Cuiabá
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Segunda, 25 Março 2019 16:34

 

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Por Aldi Nestor de Souza*
 
 

O que é possível fazer em 10 horas, professor?

Essa pergunta me foi feita por um estudante, que já havia computado 190, precisava completar 200 horas, de atividades complementares, e, com isso,  concluir seu curso de graduação. E virar bacharel.

Respondi.

Olha, você pode ir até à cidade de Livramento a pé. Livramento fica a uns 40 quilômetros de Cuiabá e, andando mais ou menos a 4 quilômetros por hora, dá as 10 horas que você precisa.

Só pra contextualizar, nos cursos de graduação das universidades brasileiras, é obrigatório que cada estudante cumpra 200 horas de atividades complementares, isto é, fora do percurso curricular do curso. Tais atividades, que visam acrescentar experiências a formação do aluno, que não são fornecidas pelo curso em si,  devem ser diluídas em ensino, pesquisa e extensão, que é o que se faz nas universidades.

Propus a caminhada porque às vezes é doloroso ver os estudantes na luta pra cumprir esse feito. Eles vão em busca de qualquer atividade, qualquer disciplina, qualquer palestra, qualquer seminário, qualquer coisa capaz de gerar um certificado e, assim, cumprir a tal exigência. São iniciados, portanto, ainda na graduação, na lógica mercadológica de correr atrás de meios pra engordar o currículo e selar a existência no mundo acadêmico.

E essa indústria do certificado atordoa todo mundo. Por exemplo, quando se anuncia qualquer evento, palestra, etc., na universidade, uma pergunta recorrente da comunidade acadêmica é a seguinte: “tem certificado? ”, numa demonstração explícita do valor dos eventos -  o preço em horas.

E isso acomete, claro, quem organiza. Já é comum, nos cartazes de divulgação dos eventos, em letras graúdas, às vezes em cores vibrantes, a seguinte informação : ”tem certificado”.

Mas voltando ao estudante, acrescentei o seguinte.

Escolha um sábado ou domingo de sol, leve lápis e papel, uma mochila com água e comida, um chapéu pra se proteger do sol, protetor pra não assustar muito a pele e meta o pé na estrada. Não leve celular, nem qualquer eletrônico, que é pra você poder se concentrar melhor no caminho.

Aproveite a ocasião para contrariar um pouco a lógica estritamente individualista da universidade, e não vá sozinho.  Convença uns colegas, veja se tem mais algum precisando de horas, a ir também.

Logo na saída, ali no trevo do lagarto, você vai se deparar com um monte de pedestres querendo partir, querendo chegar, em busca de carona, em busca de oportunidades, em busca de trabalho, em busca da sobrevivência. Tem dias em que o país inteiro passa por ali. Converse com eles, pergunte suas origens, suas histórias, ouça seus anseios, suas angústias. Anote tudo e siga.

Olhe o que foi feito da vegetação ao longo do caminho. Confira de perto a destruição. Sinta o cheiro do progresso. Converse com as árvores que insistem em permanecer na beira da estrada. Converse com os pássaros, se acaso encontrar.

Vá, se der,  até ao quilombo Mata-cavalo. Converse com os moradores do lugar. Olhe bem pros seus costumes, sua cultura, suas músicas, suas danças, sua resistência, sua luta.

Você pode voltar de ônibus se quiser,  já que as 10 horas já foram cumpridas na ida.

Ao chegar de volta, faça um relato bem escrito, com introdução caprichada. Coloque até um título, vai aqui uma sugestão: “ As 10 horas de livramento.” Coloque cada detalhe da viagem, cada aprendizagem, cada espanto, cada alegria, cada contentamento. Faça num formato de academia, por exemplo, de relato de experiência e entregue pro seu colegiado.

Aponte, no relatório, como é que seu curso se relaciona com os problemas que você encontrou na estrada. Por exemplo, como é que as disciplinas que você cursou  tratam do problema da migração, do desemprego, do desmatamento, do modelo de desenvolvimento adotado na região, da preservação do meio ambiente em geral, das populações tradicionais.  

Entregue o relatório sem medo. Não temas o riso da instituição, nem a chacota, nem o desprezo, nem a certeza da derrota. Experimente o prazer dessa pequeníssima subversão.   Faça com que o pobre do seu colegiado compute alguma coisa além de números. Lembre-se de que ninguém leva muito a sério essas atividades complementares e que elas são apenas contadas, como se contam singelas peças de uma linha de montagem.  

Entregue e aguarde o colegiado se pronunciar.
 

 
*Aldi Nestor de Souza
Professor do departamento de matemática da UFMT/Cuiabá
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Segunda, 18 Março 2019 14:08

 

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Publicamos a pedido do prof. Aldi Nestor de Souza.

 

Lembramos que a eleição para a diretoria da Adufmat-Ssind, biênio 2019-2021, será na próxima quarta-feira, 20/03/19. 

  

Quarta, 06 Março 2019 14:16

 

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Por Aldi Nestor de Souza*

  

Gonvobrildo parou pra abastecer o carro na cidade de Monte do Luau, às 3 da tarde de uma quarta feira. Após andar pelas ruas, e vendo a cidade em festa, parou pra pedir informação.

  • Boa tarde!
  • Boa tarde!
  • Tá tudo fechado, hoje é feriado aqui?
  • Não, não é feriado. É que aqui a gente só trabalha até 1 da tarde.
  • A gente quem, todo mundo? Todo dia?
  • Sim, todo mundo, todo dia.
  • Não tem posto de gasolina aberto?
  • Não tem. O posto também tá fechado, só abre de manhã.

O horário de trabalho em Monte do Luau vai de sete da manhã até uma da tarde. Tudo lá funciona nesse horário. Mas é tudo mesmo: comércio, escola, banco, prefeitura, correio, cartório, bar, restaurante, pousada, posto de gasolina, farmácia e até o posto de saúde. E cada pessoa, durante o expediente de trabalho, ainda tem direito a uma hora livre todo dia, que é usada pra  fazer compras, resolver coisas de banco, etc.

Tudo começou com a aprovação de uma lei municipal, idealizada por um grupo de moradores, que a população inteira, após muito debate, decidiu apoiar. A ideia do grupo era convencer as pessoas de que o trabalho pra sobreviver devia ser só um penduricalho, e consumir apenas uma partezinha do tempo.

  • poxa, meu carro tá na reserva, preciso abastecer.
  • Sinto muito, senhor.
  • E hotel, pousada, onde posso encontrar?
  • O hotel é aqui próximo, na rua de trás, mas também tá fechado.
  • como assim?

No único hotel de Monte do Luau, tudo é feito também até 1 da tarde. Qualquer pessoa que chega fora desse horário é obrigada a se hospedar em barracas que a prefeitura disponibiliza na praça central até o amanhecer do dia seguinte.

  • Certo, mas e comida, água, onde posso comprar?
  • Não tem onde comprar a essa hora. O senhor pode conseguir pedindo nas casas. O pessoal dá numa boa, é comum, ninguém estranha.

A tarde e a noite em Monte do Luau são livres pra se fazer o que quiser, menos trabalhar. Qualquer pessoa que for pega trabalhando nesse horário é obrigada a pagar uma multa elevada e, em caso de reincidência, pode ir presa ou convidada a mudar de cidade. No início, até o pessoal se acostumar, aconteceram vários casos de multa. Somente uma pessoa teve que abandonar a cidade. Foi um comerciante, que havia chegado a pouco na cidade, vendia bebidas. Por duas vezes foi flagrado abrindo o comércio á noite pra vender.

  • Olha, senhor, como é mesmo seu nome?
  • Gonvobrildo.
  • Gonvobrildo, o senhor pode passar o resto da tarde e a noite conosco, festejando. Tem muita coisa acontecendo na cidade.
  • Tá bom, obrigado.

O médico e o dono da farmácia são os únicos trabalhadores da cidade que tem autorização para atender fora do horário. Mas é só em caso de emergência, e os atendimentos são feitos em casa. Mas o povo adoece muito pouco em Monte do Luau.

  • Nem os bares abrem à noite por aqui?
  • Não. Os bares também só abrem de manhã.
  • E como é que se faz pra tomar uma cerveja à noite nessa cidade?
  • Tem que comprar pela manhã, guardar e beber na hora que quiser.

Em Monte do Luau, todas as festas são feitas em casa ou em locais públicos, como praças e parques, mas ninguém trabalha enquanto outros festejam. Lá, a decisão de festejar é também a decisão de organizar, em mutirão, a festa. Todo mundo tem que fazer alguma coisa.

Cheia de artistas, pintores, cantores, músicos, poetas, Monte do Luau não contrata bandas nem artistas pra tocar. Tudo é organizado e animado pelos próprios moradores. E artistas de fora só se apresentam lá se for de graça. Arte em Monte do Luau é proibida de ser vendida.  E todo artista lá precisa trabalhar em alguma outra coisa pra sobreviver. Arte, no entendimento dos moradores, é coisa séria, pra elevar o espírito e precisa sempre estar livre.

Toda tarde e noite tem, espalhados pelas ruas da cidade: festas, saraus de poesia, saraus de canto, contação de histórias, teatro ao ar livre, jogo de bola, passeios, piqueniques, ensaios de banda, ensaios de dança, clubes de leitura, etc.

  • Vem cá, nem a polícia trabalha aqui à noite?
  • Não, Gonvobrildo, não é necessário. É que aqui a gente vive na rua. Todo mundo olha todo mundo. Toda hora tem muita gente nas ruas, nas praças. E aí a polícia só trabalha de manhã.
  • Mas todo mundo trabalha nessa cidade?
  • Claro que não. Não existe lugar onde todo mundo trabalha.
  • E as igrejas, que horas funcionam?
  • Em Monte do Luau não tem igreja.

 

*Aldi Nestor de Souza

Professor do departamento de matemática, UFMT-Cuiabá.

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Terça, 26 Fevereiro 2019 14:54

 

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Publicamos a pedido do Prof. Aldi Nestor de Souza.

 

Quinta, 21 Fevereiro 2019 10:21

 

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Por Aldi Nestor de Souza*
 

Hoje eu senti vontade de chutar os testículos de um coleguinha. Só não o fiz porque eu não tava com meu sapato de bico fino e chutar testículos é uma coisa que eu levo muito a sério, só faço de forma apropriada, com os equipamentos certos.

Tudo só porque ele me disse que era um liberal. E que, portanto, defende a liberdade de mercado e a ampla concorrência.

Eu disse que esse negócio de liberdade de mercado, com 5 pessoas tendo a mesma riqueza da metade da população mais pobre do país, como é o caso do Brasil, ou daquele 1% que detém 82% da riqueza do mundo, era uma balela e uma enganação que só alguém muito desorientado pode defender.

Ele reagiu com o argumento de que o mercado se auto regula e que portanto cabe ao estado não atrapalhar o desenvolvimento e tal e tal e tal.

Foi nessa hora que mirei os testículos dele. Não sei de onde tirei essa ideia de que um chute nos testículos pode ensinar noções de economia política a alguém. Eu até acho que não ensina, mas a vontade aparece assim do nada. Às vezes a vontade é de chutar a canela. Hoje, os testículos. Vai ver depende do dia. O fato é que quando mirei as bolas do indivíduo me lembrei de que não estava com o sapato certo e me contive.

Foi por pouco.

Quando um trabalhador, assalariado, se define como liberal eu fico muito encucado e achando que a gente é uma espécie que não deu certo. Chego a achar que melhor seria se fôssemos todos um bando de pés de jerimum.

 

*Aldi Nestor de Souza
Professor do departamento de matemática/UFMT-CUIABÁ
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Terça, 12 Fevereiro 2019 15:11

 

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Por Aldi Nestor de Souza*

  

Estava eu, por ocasião do trigésimo oitavo congresso do Andes - o sindicato nacional de docentes de universidades federais, ocorrido em fins de Janeiro último, em Belém do Pará, num grupo misto de trabalho, discutindo a política de cotas no serviço público, quando caí na tentação de encompridar a conversa sobre as cotas.

Foi minha primeira experiência em congressos do Andes. Decidi discutir e compartilhar, pelo menos ali, com aquele pequeno grupo de congressistas, algumas de minhas dúvidas sobre o tema. Eu sei que não estamos numa época muito afeita a debates, carregamos verdades demais nas costas, andamos à flor da pele, violentos demais, impacientes demais, rudes demais, intolerantes demais. Assim, o mais polida e discretamente que pude, dirigi-me ao grupo com o seguinte dizer:

eu sou favorável as cotas, sempre que me foi dada a oportunidade, votei a favor delas  e, sempre que pude, fui às manifestações em defesa das mesmas. Embora tenha dúvidas sobre a efetividade desse processo.

E prossegui.

Aqui vão algumas de minhas inquietações sobre o tema: as cotas não aumentam as vagas, apenas produzem uma disputa entre grupos da classe trabalhadora; as cotas não alteram a estrutura da sociedade, apenas dão a oportunidade de introduzir, possivelmente na classe média,  alguns, pouquíssimos, indivíduos historicamente marginalizados; as cotas não educam, nem amenizam o preconceito; as cotas não promovem justiça social; as cotas não fazem reparação histórica, dado que nada é capaz de apagar a crueldade e as injustiças a que foram submetidos, historicamente, determinados grupos no Brasil.

Apesar disso, me mantenho a favor delas por entender que as cotas são o resultado da luta de certos grupos de trabalhadores, que se organizaram, pleitearam as vagas e conseguiram até mobilizar a justiça em nome de suas causas. E me parece, portanto,  quase uma obrigação, um ato de sensibilidade, justiça  e bom senso, manter-me a favor.

Acho desnecessário, posto que é óbvio, enfatizar coisas para justificar as cotas. Por exemplo: que há certos grupos sociais historicamente massacrados pela sociedade brasileira;que há grupos que foram e continuam sendo escravizados por causa da cor da pele; que a cor da pele também é determinante pra saber quem é assassinado diariamente nesse país, que a cor da pele também é um determinante da população carcerária brasileira;  que o Brasil mata mais por homofobia do que os países onde o homossexualismo é crime;  O Brasil, portanto, é uma lástima, um lugar perigoso pra se viver.

E sobre cotas pra estudantes nas universidades públicas, ainda acrescentei.

Tem grana sobrando pra darmos ensino superior público e gratuito pra quem quiser estudar. Portanto, a luta é por isso, para tornarmos o ensino público uma questão nacional, para todos, envolvendo toda a sociedade, explicando coisas, como por exemplo, que a grana não para de escorrer para o ralo, sem fundo e sem volta, do mercado financeiro.

E ainda sobre universidade, tenho dúvidas de outra espécie. A universidade é burguesa. Logo, trazer alguém pra dentro dela, como fruto da luta de um segmento da classe trabalhadora, eu não sei se, no final das contas, é prejudicial à própria classe trabalhadora. Vejamos um exemplo: o segmento social, das pessoas que tem curso superior, foi a parcela da população, segundo as pesquisas de intenção de votos da última eleição, onde o governo eleito, Bolsonaro, teve seu melhor desempenho.

Só pra lembrar, Bolsonaro perdeu entre as pessoas que tem apenas o ensino fundamental, ganhou apertado entre as que tem o ensino médio e disparou entre as que tem curso superior. Até aí tudo bem, o problema é que o governo eleito fez campanha marcadamente caracterizada por ataques violentos, justamente aos grupos que pleiteiam, via cotas, vagas nas universidades(pobres, negros, indígenas, quilombolas). Inclusive fez declarações de ser contra as cotas e de que pretende acabar com elas. Daí a dúvida se a universidade que temos é um lugar saudável, um lugar em nome do qual vale a pena cindir os trabalhadores.

Eu entendo plenamente que as cotas, no momento, são a luta possível, pois  o discurso da meritocracia chega a ser uma ofensa,  e que não há, num horizonte próximo, nenhum aceno em direção a uma outra possibilidade, a uma outra realidade, a uma outra sociedade.”

Foi nesse momento que uma sequência de mãos congressistas foram erguidas, pelo menos meia dúzia, e as pessoas, mais ou menos sincronizadas, entoaram o seguinte argumento:

“ Quando alguém diz que é a favor das cotas, mas acrescenta que tem dúvidas, é porque é contra. E não está nada mais, nada menos, do que reproduzindo o discurso da classe dominante. ”

Achei esse comentário, além de ofensivo para com minhas dúvidas, dogmático demais pra um debate, principalmente entre professores. Impossível ir adiante depois dele. E, assim sendo, não revidei, “me quedei paralisado, pronto pra virar geleia” e desisti de qualquer menção ao assunto.

“perdeu, playboy!”

Não sei quanto tempo vamos levar pra sairmos, se é que vamos sair, desse clima de torcida organizada sobre qualquer assunto. Mas que tá chato, perigoso, violento e parecido com um flerte com o fascismo, lá isso está. Sou a favor, portanto e também, de cotas de tolerância para suportarmos, juntos, a angústia desse momento tão conturbado, no qual estamos metidos.


*Aldi Nestor de Souza
Professor do departamento de matemática/UFMT-Cuiabá
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Quinta, 07 Fevereiro 2019 17:14

 

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O Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
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Por Aldi Nestor de Souza*
 

Imagine um quintal cheio de coelhos e galinhas, todos vivos, vigorosos e soltos, com direito a fugirem e se esconderem sempre que alguém chegar perto.

Esse é um possível cenário, imagino, que possa motivar o seguinte exercício de matemática, exercício bem clássico, presente numa montanha de livros didáticos.

"Numa criação de coelhos e galinhas, contaram-se 400 pés. Quantas são as galinhas e quantos são os coelhos, sabendo-se que a diferença entre esses dois números é a menor possível? "

Pois bem, esse exercício está em uma das apostilas do PROFMAT, mestrado profissional em matemática, em rede nacional, destinado a professores de matemática do ensino básico e no qual dou aulas.

É um exercício bem irreal. Imagine o trabalho que dá, em vez de contar as cabeças, ou os animais como um todo, que é o usual, contar os pés das galinhas e dos coelhos. Ninguém faz isso. Imagine a canseira e o trabalho que dá contar os pés dos coelhos, que são animais ágeis, de pernas curtas, rentes ao chão, e que quando correm praticamente não vemos as pernas. Imagine dizer pra um sitiante, criador de galinhas e de coelhos, e acostumado a contar esses animais, que na escola, e até na universidade, existem situações em que tais animais são contados pelos pés.

Além disso, o exercício em si é desnecessário, uma vez que, evidentemente, a pessoa que contou os pés e sabe a diferença entre o número de coelhos e de galinhas, sabe a resposta do problema. Ou seja, é um exercício que não serve pra nada, exceto pra desafiar estudantes. É um exercício apenas de sala de aula. Eu, sendo aluno, me negaria a resolvê-lo.

Agora imagine quantos estudantes, ao longo da história,  pagaram um preço alto,  ficaram pra trás, tiveram que repetir de ano, traumatizaram-se e afastaram-se da matemática, por não dar conta de fazer um exercício tolo como esse. Imagine quantos, talvez a imensa maioria, sequer se deram conta de que estavam diante de uma imensa tolice, de um esforço em vão, de uma briga por nada.

Sim porque esse exercício é daqueles disfarçados de úteis, uma vez que vem vestido de um texto em português, sem linguagem matemática alguma e trata de coisas reais, que nos são muito próximas, quase familiares, como são galinhas, os coelhos e os quintais. Portanto, a estudantada dificilmente consegue parar pra perceber o blefe. E os livros didáticos, e seus autores, evidentemente, são cúmplices no jogo, pois incluem o exercício na seção de aplicações da matemática, que é o sonho de consumo de todo mundo. “pra quê serve?”.

É claro que a gente pode dar a desculpa de que estamos apenas treinando o modelo matemático, que resolve esse tipo de "problema", e portanto relativizar a crítica. Ainda assim, com tantos problemas de verdade que existem e com tanta coisa acontecendo no mundo, por que iríamos perder tempo com problemas falsos, com uma pseudo aplicação, com um engodo?

Matemática, só a título de lembrança, goza de um privilégio estupendo frente a sociedade, todo mundo confia cegamente nela,  quase ninguém ousa duvidar dos seus métodos,  e segue inabalável em todas as reformas de ensino: tudo pode cair, mudar, virar optativo. Matemática, não. Segue obrigatória e decisiva na formação das pessoas.

Como diz, Ole Skovsmose, em seu livro Educação crítica, ao concluir o ensino médio um estudante fez em média 10 000 exercícios de matemática, sem precisar pensar, apenas executou tarefas, seguiu modelos. O autor acredita, portanto, que matemática pode estar cumprindo uma função bem diferente daquela propagandeada aos quatro ventos, de ajudar a pensar, e a desenvolver o raciocínio lógico. Isto é, pode estar ajudando a preparar as pessoas pra, ao entrarem no mercado de trabalho, executarem funções repetitivas, adestradamente, sem questionamento. Mas isso já é uma outra história.

Voltando aos animais, a resposta é:

67 coelhos

66 galinhas

E o mundo vai continuar exatamente do mesmo tamanho.

 
*Aldi Nestor de Souza
Departamento de matemática da UFMT/Cuiabá
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