Sábado, 10 Março 2018 13:15

Trabalhadoras contra o Capital: Virgínia Fontes encerra as atividades do 08 de Março em Cuiabá Destaque

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A historiadora Virgínia Fontes, professora da Universidade Federal Fluminense, encerrou as atividades do Dia Internacional de Luta das Mulheres em Cuiabá, 08/03, com o debate “Capital Imperialismo e Atual Conjuntura”, a convite da Associação dos Docentes da UFMT (Adufmat – Seção Sindical do ANDES-SN). Depois de um dia inteiro de mobilização das mulheres trabalhadoras em todo o mundo, as reflexões sobre as estratégias de organização e resistência à retirada de direitos amarraram uma ideia cada vez mais evidente nos movimentos sindical e popular: não há alternativa que não a luta autônoma e classista.

 

Para analisar a conjuntura, o debate considerou elementos que proporcionaram a expansão do capitalismo, em especial, nas décadas de 1950, 1960 e 1970. “Nesse período, a partir de movimentações internas e externas favorecidas pela Segunda Guerra Mundial, o Capital desenvolve uma escala enorme de centralização e concentração”, explicou a docente.

 

Esse processo significou uma verdadeira tragédia para os países de economia dependente, como o Brasil, uma vez que o capitalismo se solidifica em sua versão mais avançada e violenta, por meio do projeto neoliberal. A profunda desigualdade social e as dificuldades de organização da classe trabalhadora sofrem influência direta desse histórico.

 

Nesse sentido, as ferramentas desenvolvidas para controlar as sociedades em diferentes aspectos aparecem de forma incisiva. “Por exemplo, a Globo é conhecida como empresa de comunicação, mas ela é só uma parte. O mesmo grupo detém a Fundação Roberto Marinho, que integra a Associação Brasileira do Agronegócio, possui terras, faz pesquisas na área rural, realiza produções culturais, enfim, controla uma série de outras empresas em diversas áreas. Essa fundação também atua diretamente nos locais onde os movimentos populares se formam para evitar que as lutas se tornem classistas. No Rio de Janeiro, se aliou ao então governador Sérgio Cabral para desenvolver um projeto na educação pública, alijando uma parte dos estudantes com dificuldades - colocados em turmas não numeradas, para aumentar o Índice Brasileiro de Educação Básica e conseguir mais recursos públicos. Eles fizeram isso para implantar sistema gerencial privado nas escolas públicas, contratando professores sem direitos, entre outras coisas”, afirmou Fontes.

 

A docente destacou que essa não é uma relação casual ou despropositada. “Nós temos hoje, pelo menos 70 entidades empresariais atuando diretamente na educação pública, devastando as conquistas dos trabalhadores”.

 

Dessa forma, a relação entre Estado e Capital evidencia que o discurso voltado para o “estado mínimo” não é real. O Estado pensado pela social democracia, que desenvolveu políticas universais, apenas transfere o foco do público para o privado, privilegiando políticas que favoreçam a iniciativa privada e a lógica de mercado. Portanto, não diminui.

 

Essas experiências de conciliação de classes também apresentam, de acordo com as ideias apresentadas no debate, outra questão essencial. Embora tenham atendido as populações em determinados momentos históricos, a não ruptura com todas as esferas do Capital acabou dando espaço para investidas violentas para a retirada dos direitos conquistados. “A social democracia levou ao fascismo; uma nova social democracia desembocou no neoliberalismo, e agora, o que virá depois do que chamam social liberalismo? É possível evitar o fascismo, a gente já aprendeu isso, mas pode surgir uma nova configuração”, provocou a debatedora.

 

O advento da financeirização, que não se manifesta apenas no setor econômico, também foi abordado. “Financeirização é a fusão de propriedades de origem de capital diversa – comércio, banco e indústria –, unificadas numa malha em que você não consegue mais distinguir quem é quem. Isso significa a expansão das formas de industrialização da vida. Todos aqueles elementos do Capital contemporâneo que as lutas conseguiram frear vêm sendo expropriados - direitos universais, sociais, do trabalho -, e no lugar entra uma atividade industrial de educação, de saúde e outro”, ressaltou.

 

Assim, a organização e luta dos trabalhadores são e serão sempre fundamentais. De maneira contraditória, o capitalismo só pode se realizar a partir da exploração do trabalho, para a produção de mais valia. Os trabalhadores podem construir um outro sistema de produção e distribuição da riqueza, mas o capitalismo não é possível sem os trabalhadores.

 

“A concentração da riqueza hoje é tamanha, que apenas cinco pessoas detém 50% da riqueza mundial. No entanto, a classe trabalhadora nunca foi tão grande no mundo. As condições de luta são piores, mas eu sou otimista. E nós temos de fazer com que toda essa geração seja de intelectuais orgânicos, estudando, pesquisando e enfrentando todos os desdobramentos do Capital”, concluiu Fontes.

 

GALERIA DE IMAGENS 8M 2018

 

O vídeo do debate "Capital Imperialismo e a Atual Conjuntura" será disponibilizado no canal da Adufmat-Ssind no Youtube nos próximos dias. 

 

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Luana Soutos

Assessoria de imprensa da Adufmat-Ssind

      

 

 

Ler 108 vezes Última modificação em Terça, 13 Março 2018 15:20